Harry Potter e as Relíquias da Morte

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A nnota tio n
O liv ro m ostr a a s a v en tu ra s fin ais d o jo vem H arry e a s s u as te n ta tiv as d e
d estr u ir o te rrív el Lord Vold em ort. O s liv ro s an te rio re s deix ara m m uita s
p erg unta s p or r e sp onder, e o e sq uad rã o d e f ã s e stá lo uco p ara d esc o brir c o m o o s
m uito s fin ais possív eis e m is té rio s e av en tu ra s por re so lv er nesta sa g a ir ã o
f in alm en te s e c o m ple ta r, f a zen do d o liv ro 7 u m d os m ais a n sia d os d a h is tó ria . A
e sc rito ra r e v elo u q ue, m ais d o q ue q ualq uer o utr o l iv ro n a s é rie , o ú ltim o v olu m e
é a c o ntin uação d as h is tó ria s n ão f in aliz ad as n o 6 º liv ro . N o d ia 2 8 d e m arç o d e
2 007 f o ra m r e v ela d as a s c ap as d os liv ro s. E a m eia -n oite e n tr e 2 0 e 2 1 d e J u lh o
d e 2 007 e le f o i l a n çad o m undia lm en te e m i n glê s.
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Dezen ove a n os d ep ois

Ah, d esg ra ça i n ere n te s à r a ça !
o g rito t o rtu ra nte d a m orte
e o g olp e q ue a tin giu a v eia ,
o s a ngra m en to i n esta ncá vel, a d or,
a m ald iç ã o i n su portá vel.
Mas h á u m a c u ra d en tr o
e n ão f o ra d e c a sa , n ão
vin da d e o utr o s m as
dele s
p ró prio s
por s u a d is p uta s a ngre n ta . A pela m os a v ó s,
deu se s d a s o m bria t e rra .
Ouvi b em -a ven tu ra dos p odere s s o te rrâ neo s –
ate n dei o n osso a pelo , s o co rre i- n os
Favo re cei o s f ilh os, d ai- lh es a v itó ria .
Ésq uilo , A s c o éfo ra s
A m orte é a pen as u m a t r a vessia d o m undo, t a l c o m o o s
am ig os q ue a tr a vessa m o m ar e p erm anecem v iv o s u ns n os
outr o s. P orq ue s e n te m n ecessid ade d e e sta r p re se n te s, p ara
am ar e viv er o que é onip re se n te . N esse esp elh o div in o
vêem -s e fa ce a fa ce; e s u a c o nversa é liv re e p ura . E ste é o
co nso lo dos am ig os e em bora se dig a que m orre m , su a
am iz a de e co nvív io estã o, no m elh or se n tid o, se m pre
pre se n te s, p orq ue s ã o i m orta is .
Willia m P en n, M ore F ru its o f S olitu de
D i, a A nne, e a v ocê, q ue a co m pan hou H arry a té o f im .>

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A a sc en sã o d o L ord e d as T re v as
Os d ois h om en s se m ate ria liz ara m in esp era d am en te , a p ouco s m etr o s d e
d is tâ n cia , n a e str e ita r u azin ha i lu m in ad a p elo l u ar. P or u m m om en to e le s f ic ara m
i m óveis , a s v arin has a p onta d as p ara o p eito u m d o o utr o ; e n tã o , r e co nhecen do-
s e , g uard ara m a v arin ha s o b a c ap a e c o m eçara m a a n dar a p re ssa d os n a m esm a
d ir e ção .
— N ovid ad es? — p erg unto u o m ais a lto d os d ois .
— A s m elh ore s — r e sp ondeu S ev ero S nap e.
A ru a era la d ead a por um silv ad o, à esq uerd a, e por um a se b e alta e
c u id ad osa m en te a p ara d a, à d ir e ita . A s lo ngas c ap as d os h om en s e sv oaçav am a o
r e d or d os t o rn ozelo s e n quan to e le s c am in hav am .
— P en se i q ue fo sse m e atr a sa r — d is se Y ax le y, su as fe iç õ es g ro sse ir a s
d esa p are cen do e re ap are cen do à so m bra dos galh os de árv ore s que se
i n te rp unham a o lu ar. — F oi u m p ouco m ais c o m plic ad o d o q ue im ag in ei. M as
a ch o q ue e le f ic ará s a tis fe ito . V ocê t e m c erte za d e q ue s e rá b em r e ceb id o?
Snap e a sse n tiu s e m , c o ntu do, d ar e x plic açõ es.
Os h om en s v ir a ra m p ara u m l a rg o c am in ho d e e n tr a d a, à d ir e ita . A a lta s e b e
m arg eav a e s e e ste n dia p ara a lé m d o im pre ssio nan te p ortã o d e fe rro tr a b alh ad o
q ue b arra v a a e n tr a d a. E m silê n cio , a m bos e rg uera m o b ra ço e sq uerd o n um a
e sp écie d e sa u dação e atr a v essa ra m o p ortã o , co m o se o m eta l esc u ro fo sse
a p en as f u m aça.
As s e b es d e te ix o a b afa ra m o s p asso s d os h om en s. O uviu -s e u m f a rfa lh ar à
d ir e ita . Y ax le y to rn ou a s a car a v arin ha, a p onta n do-a p or c im a d a c ab eça d o s e u
c o m pan heir o , m as a fo nte do ru íd o fo ra ap en as um pav ão alv ís sim o, que
c am in hav a, m aje sto so , a o l o ngo d o t o po d a s e b e.
— E le s e m pre s o ube v iv er, o L úcio .
Pavõ es
... — C om u m b ufo d e d esd ém ,
Y ax le y t o rn ou a g uard ar a v arin ha s o b a c ap a.
Um b elo c asa rã o s e d esta co u n as tr e v as, n o f in al d o c am in ho r e to , a s lu zes
f a is c an do n as j a n ela s e m f o rm ato d e l o sa n go d o a n dar t é rre o . E m a lg um l u gar n o
j a rd im e sc u ro , a tr á s d os a rb usto s, u m a f o nte jo rra v a. O s a ib ro c o m eço u a e sta la r
s o b o s p és, q uan do S nap e e Y ax le y a p re ssa ra m o p asso e m d ir e ção à p orta d a
f re n te , q ue s e a b riu à s u a a p ro xim ação , e m bora n in guém p are cesse t ê -la a b erto .
O h all d e e n tr a d a e ra g ra n de, m al ilu m in ad o e s u ntu osa m en te d eco ra d o, e
u m m ag níf ic o ta p ete c o bria q uase to do o p is o d e p ed ra . O s o lh os d os ro sto s

pálid os n os re tr a to s d as p are d es a co m pan hara m S nap e e Y ax le y a ssim q ue e le s
passa ra m . O s d ois h om en s s e d etiv era m à f re n te d e u m a p esa d a p orta d e m ad eir a
que le v av a a o utr o c ô m odo, h esita ra m o te m po d e u m a p uls a ção , e n tã o S nap e
gir o u a m açan eta d e b ro nze.
A s a la e sta v a c h eia d e p esso as s ile n cio sa s, s e n ta d as a u m a c o m prid a m esa
orn am en ta d a. Os móveis que hab itu alm en te a guarn ecia m tin ham sid o
em purra d os desc u id ad am en te co ntr a as pare d es. A ilu m in ação pro vin ha das
ch am as v iv as d e u m a b ela la re ir a , c u jo c o nso le d e m árm ore e ra e n cim ad o p or
um e sp elh o d oura d o. S nap e e Y ax le y p ara ra m u m in sta n te à e n tr a d a. À m ed id a
que se u s o lh os se aco stu m ara m à p en um bra , su a ate n ção fo i atr a íd a p ara o
deta lh e m ais estr a n ho da cen a: o vulto de um a pesso a ap are n te m en te
desa co rd ad a su sp en sa d e c ab eça p ara b aix o so bre a m esa , g ir a n do le n ta m en te
co m o s e e stiv esse p re sa p or u m a c o rd a in vis ív el, e s e r e fle tin do n o e sp elh o e n a
su perfíc ie n ua e lu str o sa d a m esa . N en hum a d as p esso as s e n ta d as à ro da d essa
vis ã o sin gula r a en cara v a, ex ceto u m jo vem p álid o q ue esta v a p ra tic am en te
em baix o. P are cia i n cap az d e s e c o nte r e e rg uia o s o lh os a t o do i n sta n te .
— Y ax le y, S nap e — f a lo u u m a v oz a g uda e c la ra d a c ab eceir a d a m esa — ,
vocês e stã o p ra tic am en te a tr a sa d os.
O d ono d a v oz e sta v a s e n ta d o d efro nte à la re ir a , d e m odo q ue, a p rin cíp io ,
os r e cém -c h eg ad os tiv era m d if ic u ld ad e e m d is tin guir m ais q ue a s u a s ilh ueta . À
med id a que se ap ro xim ara m , poré m , se u ro sto se desta co u na obsc u rid ad e,
im berb e, o fíd ic o , c o m f e n das e str e ita s n o lu gar d as n arin as e o lh os v erm elh os e
brilh an te s de pupila s vertic ais . E ra tã o pálid o que pare cia em itir um a au ra
pero la d a.
— S ev ero , a q ui — d is se V old em ort, in dic an do a c ad eir a im ed ia ta m en te à
su a d ir e ita . — Y ax le y, a o l a d o d e D olo hov.
Os d ois h om en s o cu para m o s l u gare s d esig nad os. O s o lh are s d a m aio ria d os
que esta v am à m esa se g uir a m S nap e, e fo i a ele que V old em ort se dir ig iu
prim eir o .
— E e n tã o ?
— M ilo rd e, a O rd em d a F ên ix p re te n de tr a n sfe rir H arry P otte r d o lu gar
se g uro e m q ue e stá , n o s á b ad o, a o a n oite cer.
O in te re sse ao re d or da m esa se in te n sif ic o u perc ep tiv elm en te . A lg uns
en rije cera m , o utr o s s e m ex era m , t o dos a te n to s a S nap e e V old em ort.
— S áb ad o... a o a n oite cer — re p etiu V old em ort. S eu s o lh os v erm elh os se
fix ara m nos olh os pre to s de Snap e co m ta n ta in te n sid ad e que alg uns dos
obse rv ad ore s d esv ia ra m o o lh ar, a p are n te m en te r e ceo so s d e s e re m a tin gid os p ela
fe ro cid ad e d aq uela f ix id ez. S nap e, n o e n ta n to , s u ste n to u e sse o lh ar c alm am en te ,
e, ap ós u m m om en to , o s lá b io s d esc arn ad os d e V old em ort se cu rv ara m n um

ap are n te s o rris o .
— B om . M uito b om . E e ssa i n fo rm ação v eio d e...?
— D a f o nte s o bre a q ual c o nvers a m os — d is se S nap e.
— M ilo rd e.
Yax le y tin ha s e in clin ad o p ara a f re n te p ro cu ra n do v er V old em ort e S nap e.
Todos o s r o sto s s e v olta ra m p ara e le .
— M ilo rd e, e u o uvi c o is a d if e re n te .
Yax le y a g uard ou, m as V old em ort n ão o bje to u, e n tã o e le p ro sse g uiu .
— D aw lis h , o a u ro r, d eix ou e sc ap ar q ue P otte r n ão s e rá t r a n sfe rid o a té o d ia
tr in ta à n oite , n a v ésp era d o s e u a n iv ers á rio d e d ezesse te a n os.
Snap e s o rriu .
— M in ha fo nte in fo rm ou q ue p la n eja m d iv ulg ar u m a p is ta fa ls a ; d ev e s e r
essa . S em d úvid a, la n çara m e m D aw lis h u m F eitiç o p ara C onfu ndir. N ão s e ria a
prim eir a v ez, t o dos c o nhecem a s u a s u sc etib ilid ad e a f e itiç o s.
— P osso lh e a sse g ura r, M ilo rd e, q ue D aw lis h m e p are ceu m uito s e g uro d o
que d iz ia — c o ntr a p ôs Y ax le y.
— S e fo i co nfu ndid o, é ó bvio q ue p are cerá se g uro — d is se S nap e. —
Gara n to a v ocê, Y ax le y, q ue a S eção d e A uro re s n ão i r á p artic ip ar d a p ro te ção d e
Harry P otte r. A O rd em a cre d ita q ue e sta m os i n filtr a d os n o M in is té rio .
— E ntã o , pelo m en os nis so a O rd em acerto u, hein ? — co m en to u um
hom em a ta rra cad o, a p ouca d is tâ n cia d e Y ax le y, d an do u m a ris a d in ha s ib ila d a
que e co ou p ela m esa .
Vold em ort n ão r iu . S eu o lh ar s e d esv io u p ara o a lto , p ara o c o rp o q ue g ir a v a
vag aro sa m en te , e e le p are ceu s e a lh ear.
— M ilo rd e — co ntin uou Y ax le y — , D aw lis h acre d ita q ue v ão u sa r u m
desta cam en to i n te ir o d e a u ro re s n a t r a n sfe rê n cia d o g aro to ...
Vold em ort e rg ueu a m ão g ra n de e b ra n ca, e Y ax le y c alo u-s e i m ed ia ta m en te ,
obse rv an do, r a n co ro so , o L ord e s e d ir ig ir o utr a v ez a S nap e.
— E e m s e g uid a, o nde i r ã o e sc o nder o g aro to ?
— N a c asa d e u m d os m em bro s d a O rd em — re sp ondeu S nap e. -O lu gar,
se g undo a m in ha fo nte , re ceb eu to da a p ro te ção q ue a O rd em e o M in is té rio
ju nto s p udera m lh e d ar. A cre d ito q ue s e ja m ín im a a c h an ce d e p orm os a s m ão s
nele u m a v ez q ue c h eg ue a o d estin o, M ilo rd e, a n ão s e r, é c la ro , q ue o M in is té rio
te n ha c aíd o a n te s d e s á b ad o, o q ue, t a lv ez, n os d esse a o portu nid ad e d e d esc o brir
e d esfa zer u m n úm ero s u fic ie n te d e f e itiç o s, e p assa r p elo s d em ais .
— E en tã o , Y ax le y ? — in te rp elo u-o V old em ort, a lu z das ch am as se
re fle tin do e str a n ham en te e m s e u s o lh os v erm elh os. — O M in is té rio te rá c aíd o
até s á b ad o?
Mais u m a v ez, t o das a s c ab eças s e v ir a ra m . Y ax le y e m pertig ou-s e .

— M ilo rd e, a e sse r e sp eito te n h o b oas n otíc ia s. C onse g ui, c o m d if ic u ld ad e
e a p ós m uito e sfo rç o , l a n çar u m a M ald iç ão I m periu s e m P io T hic k nesse .
Muito s d os q ue e sta v am p ró xim os d e Y ax le y p are cera m im pre ssio nad os;
se u v iz in ho, D olo hov, u m h om em d e c ara tr is te e to rta , d eu -lh e u m ta p in ha n as
co sta s.
— É u m co m eço — d is se V old em ort — , m as T hic k nesse é ap en as u m
hom em , S crim geo ur p re cis a esta r cerc ad o p or g en te n ossa p ara eu ag ir. U m
ate n ta d o m als u ced id o à v id a d o m in is tr o m e c au sa rá u m e n orm e a tr a so .
— É v erd ad e, M ilo rd e, m as o se n hor sa b e q ue, n a fu nção d e ch efe d o
Dep arta m en to de Execu ção das Leis da M ag ia , Thic k nesse te m co nta to
fre q üen te n ão s ó c o m o p ró prio m in is tr o c o m o t a m bém c o m o s c h efe s d os o utr o s
dep arta m en to s d o M in is té rio . A ch o q ue s e rá f á cil d om in ar o s d em ais , a g ora q ue
te m os u m fu ncio nário g ra d uad o so b co ntr o le , e en tã o to dos p odem tr a b alh ar
ju nto s p ara d erru bar S crim geo ur.
— Is so se o nosso am ig o T hic k nesse não fo r desc o berto an te s de te r
co nvertid o o re sto — afir m ou V old em ort. — D e qualq uer fo rm a, é pouco
pro váv el q ue o M in is té rio s e ja m eu a n te s d e s á b ad o. S e n ão p uderm os p ôr a m ão
no garo to no lu gar de destin o, en tã o te re m os que fa zer is so dura n te a
tr a n sfe rê n cia .
— N esse p artic u la r, e sta m os e m p osiç ão v an ta jo sa , M ilo rd e -d is se Y ax le y,
que pare cia decid id o a re ceb er alg um a ap ro vação . — Já pla n ta m os vária s
pesso as n o D ep arta m en to d e T ra n sp orte s M ág ic o s. S e P otte r a p ara ta r o u u sa r a
Red e d e F lu , s a b ere m os i m ed ia ta m en te .
— E le n ão f a rá n en hum d os d ois — d is se S nap e. — A O rd em e stá e v ita n do
qualq uer f o rm a d e t r a n sp orte c o ntr o la d a o u r e g ula d a p elo M in is té rio , d esc o nfia m
de t u do q ue e ste ja l ig ad o à q uele l u gar.
— T an to m elh or — d is se V old em ort. — E le t e rá q ue s e d eslo car e m c am po
ab erto . S erá m uitís sim o m ais f á cil a p an há-lo .
Mais um a vez Vold em ort erg ueu o olh ar para o co rp o que gir a v a
vag aro sa m en te , e n tã o p ro sse g uiu :
— C uid are i do garo to pesso alm en te . C om ete ra m -s e erro s dem ais co m
re la ção a H arry P otte r. A lg uns f o ra m m eu s. Q ue P otte r a in da v iv a d ev e-s e m ais
ao s m eu s e rro s d o q ue a o s s e u s ê x ito s.
As p esso as em v olta d a m esa fita ra m V old em ort ap re en siv as, cad a q ual
deix an do tr a n sp are cer o m ed o d e se r re sp onsa b iliz ad a p or H arry P otte r a in da
esta r v iv o. V old em ort, n o e n ta n to , p are cia e sta r f a la n do m ais c o nsig o m esm o d o
que c o m o s d em ais , a in da a te n to a o c o rp o i n co nsc ie n te n o a lto .
— P or te r sid o desc u id ad o, fu i fru str a d o pela so rte e a ocasiã o , essa s
destr u id ora s d os p la n os, a n ão se r o s m ais b em tr a çad os. M as a p re n di. A gora

co m pre en do co is a s q ue an te s n ão co m pre en dia . E u é q ue d ev o m ata r H arry
Potte r, e a ssim f a re i.
Nis so , e em ap are n te re sp osta às su as pala v ra s, ouviu -s e um la m en to
re p en tin o, u m g rito te rrív el e p ro lo ngad o d e in fe lic id ad e e d or. M uito s a o r e d or
da m esa o lh ara m p ara b aix o, a ssu sta d os, p ois o s o m p are cia v ir d o c h ão .
— R ab ic h o? — c h am ou V old em ort, s e m a lte ra r o s e u to m d e v oz, b aix o e
re fle x iv o, e s e m t ir a r o s o lh os d o c o rp o q ue g ir a v a n o a lto . - J á n ão l h e d is se p ara
man te r e ssa e sc ó ria c ala d a?
— D is se , M -M ilo rd e — f a lo u u m h om en zin ho s e n ta d o n a s e g unda m eta d e
da m esa , tã o en co lh id o que, à prim eir a vis ta , su a cad eir a pare cia esta r
deso cu pad a. E , le v an ta n do-s e d e u m s a lto , s a iu c o rre n do d a s a la , d eix an do e m
se u r a str o a p en as u m e str a n ho b rilh o p ra te ad o.
— C om o e u ia d iz en do — c o ntin uou V old em ort, o lh an do m ais u m a v ez
para os ro sto s te n so s dos se u s se g uid ore s — , ag ora co m pre en do m elh or.
Pre cis a re i, p or e x em plo , p ed ir e m pre sta d a a v arin ha d e u m d e v ocês a n te s d e s a ir
para m ata r P otte r.
Os r o sto s à s u a v olta e x pre ssa ra m a p en as i n cre d ulid ad e; c o m o s e e le t iv esse
an uncia d o q ue q ueria u m b ra ço d ele s e m pre sta d o.
— N en hum v olu ntá rio ? — p erg unto u V old em ort. — V eja m os... L úcio , n ão
vejo r a zão p ara v ocê c o ntin uar a t e r u m a v arin ha.
Lúcio M alf o y e rg ueu a c ab eça. S ua p ele p are cia a m are la e c ero sa à lu z d as
ch am as, e tin ha o s o lh os e n co vad os e so m brio s. Q uan do fa lo u, su a v oz sa iu
ro uca.
— M ilo rd e?
— S ua v arin ha, L úcio . P re cis o d e s u a v arin ha. - E u...
Malf o y o lh ou d e e sg uelh a p ara su a m ulh er. N arc is a tin ha o o lh ar fix o à
fre n te , tã o p álid a q uan to o m arid o, o s lo ngos cab elo s lo uro s d esc en do p ela s
co sta s, m as, s o b a m esa , s e u s d ed os f in os a p erta ra m b re v em en te o p uls o d ele . A o
se u to que, M alf o y e n fio u a m ão n as v este s e tir o u u m a v arin ha q ue p asso u a
Vold em ort, q ue a e rg ueu d ia n te d os o lh os v erm elh os e e x am in ou-a d etid am en te .
— D e q ue é ?
— O lm o, M ilo rd e — s u ssu rro u M alf o y.
— E o n úcle o ?
— D ra g ão ... f ib ra d o c o ra ção .
— Ó tim o — a p ro vou V old em ort. E , s a can do a p ró pria v arin ha, c o m paro u
os c o m prim en to s.
Lúcio M alf o y f e z u m m ovim en to in volu ntá rio ; p or u m a f ra ção d e s e g undo,
pare ceu q ue e sp era v a r e ceb er a v arin ha d e V old em ort e m tr o ca d a s u a. O g esto
não p asso u d esp erc eb id o a o L ord e, c u jo s o lh os s e a rre g ala ra m m alic io sa m en te .

— D ar- lh e a m in ha v arin ha, L úcio ?
Min ha
v arin ha? A lg uns d os p re se n te s
rir a m .
— D ei- lh e a l ib erd ad e, L úcio , n ão é s u fic ie n te ? M as t e n ho n ota d o q ue v ocê
e su a fa m ília ultim am en te pare cem m en os fe liz es... alg um a co is a na m in ha
pre se n ça e m s u a c asa o s i n co m oda, L úcio ?
— N ad a... n ad a, M ilo rd e.
— Q uan ta
men tir a
, L úcio ...
A v oz s u av e p are cia s ilv ar, m esm o q uan do a b oca c ru el p ara v a d e m ex er.
Um o u d ois b ru xos m al c o nse g uir a m re fre ar u m tr e m or q uan do o s ilv o fo i s e
in te n sif ic an do; o uviu -s e u m a c o is a p esa d a d esliz ar p elo c h ão e m baix o d a m esa .
A e n orm e c o bra a p are ceu e s u biu v ag aro sa m en te p ela c ad eir a d e V old em ort.
Foi e m erg in do, c o m o s e f o sse in te rm in áv el, e p aro u s o bre o s o m bro s d o m estr e :
o p esc o ço d o r é p til tin ha a g ro ssu ra d e u m a c o xa m asc u lin a; s e u s o lh os c o m a s
pupila s v ertic ais n ão p is c av am . V old em ort a caric io u-a , d is tr a íd o, c o m s e u s d ed os
lo ngos e f in os, a in da e n cara n do L úcio M alf o y.
— P or q ue o s M alf o y p are cem t ã o i n fe liz es c o m a p ró pria s o rte ? S erá q ue o
meu r e to rn o, m in ha a sc en sã o a o p oder, n ão é e x ata m en te o q ue d is se ra m d ese ja r
dura n te t a n to s a n os?
— S em d úvid a, M ilo rd e — re sp ondeu L úcio M alf o y. S ua m ão tr e m eu
quan do se co u o su or so bre o lá b io su perio r. — É o que dese já v am os...
dese ja m os.
A e sq uerd a d e M alf o y, s u a m ulh er fe z u m a cen o ríg id o e e str a n ho c o m a
cab eça, e v ita n do o lh ar p ara V old em ort e a c o bra . À d ir e ita , s e u f ilh o D ra co , q ue
estiv era m ir a n do o co rp o in erte no te to , la n ço u um bre v ís sim o olh ar a
Vold em ort, a te rro riz ad o d e e n cara r o b ru xo.
— M ilo rd e — d is se u m a m ulh er m ore n a n a o utr a m eta d e d a m esa , s u a v oz
em barg ad a p ela e m oção — , é u m a h onra tê -lo a q ui, n a c asa d e n ossa fa m ília .
Não p ode h av er p ra zer m aio r.
Esta v a s e n ta d a a o la d o d a ir m ã, tã o d if e re n te d esta n a a p arê n cia , c o m s e u s
cab elo s n eg ro s e o lh os d e p álp eb ra s p esa d as, q uan to o e ra n o p orte e n a a titu de;
en quan to N arc is a se n ta v a-s e dura e im passív el, B ela tr iz se cu rv av a para
Vold em ort, p orq ue m era s p ala v ra s n ão p odia m d em onstr a r o s e u d ese jo d e m aio r
pro xim id ad e.
— Não pode hav er pra zer m aio r — re p etiu Vold em ort, a cab eça
lig eir a m en te in clin ad a p ara o la d o, e stu dan do B ela tr iz . — Is so s ig nif ic a m uito ,
Bela tr iz , v in do d e v ocê.
O r o sto d a m ulh er e n ru besc eu , s e u s o lh os l a crim eja ra m d e p ra zer.
— M ilo rd e s a b e q ue a p en as d ig o a v erd ad e!
— N ão p ode h av er p ra zer m aio r... m esm o c o m para d o a o fe liz e v en to q ue,

se g undo s o ube, h ouve e m s u a f a m ília e sta s e m an a?
Bela tr iz f ito u-o , o s l á b io s e n tr e ab erto s, n itid am en te c o nfu sa .
— E u n ão s e i a q ue e stá s e r e fe rin do, M ilo rd e.
— E sto u f a la n do d e s u a s o brin ha. E d e v ocês t a m bém , L úcio e N arc is a . E la
acab ou d e casa r co m o lo bis o m em R em o L upin . A fa m ília d ev e esta r m uito
org ulh osa .
Garg alh ad as deb och ad as ex plo dir a m à m esa . M uito s se cu rv ara m para
tr o car olh are s div ertid os; alg uns so cara m a m esa co m os punhos. A co bra ,
in co m odad a co m o baru lh o, esc an caro u a boca e silv ou ir rita d a, m as os
Com en sa is d a M orte n em a o uvir a m , tã o e x ulta n te s e sta v am c o m a h um ilh ação
de B ela tr iz e d os M alf o y. O ro sto d a m ulh er, h á p ouco ro sa d o d e fe lic id ad e,
tin giu -s e d e f e ia s m an ch as v erm elh as.
— E la n ão é n ossa s o brin ha, M ilo rd e — d is se e m m eio à s g arg alh ad as. —
Nós, N arc is a e e u , n unca m ais p use m os o s o lh os e m n ossa ir m ã d ep ois q ue e la
caso u c o m a q uele sa n gue-ru im . A fe d elh a n ão te m a m en or lig ação c o nosc o ,
nem q ualq uer f e ra c o m q uem s e c ase .
— E v ocê, D ra co , q ue d iz ? — p erg unto u V old em ort, e, em bora fa la sse
baix o, su a v oz re sso ou c la ra m en te e m m eio a o s a sso bio s e c aço ad as. — V ai
ban car a b ab á d os f ilh ote s?
A h ila rid ad e a u m en to u; D ra co M alf o y o lh ou a te rro riz ad o p ara o p ai, q ue
co nte m pla v a o p ró prio c o lo , e s e u o lh ar c ru zo u c o m o d e s u a m ãe. E la b ala n ço u
a c ab eça q uase im perc ep tiv elm en te , d ep ois re to m ou se u o lh ar fix o n a p are d e
oposta .
— J á c h eg a — d is se V old em ort, a caric ia n do a c o bra r a iv osa . — B asta . E a s
ris a d as p ara ra m i m ed ia ta m en te .
— M uita s d as n ossa s á rv ore s g en ealó gic as m ais tr a d ic io nais , c o m o te m po,
se to rn ara m b ic h ad as — d is se , e n quan to B ela tr iz o m ir a v a, o fe g an te e s ú plic e.
— V ocês p re cis a m p odar a s s u as, p ara m an tê -la s s a u dáv eis , n ão ? C orte m f o ra a s
parte s q ue a m eaçam a s a ú de d o r e sto .
— C om c erte za, M ilo rd e — s u ssu rro u B ela tr iz , m ais u m a v ez c o m o s o lh os
mare ja d os d e g ra tid ão . — N a p rim eir a o portu nid ad e!
— V ocê a te rá — re sp ondeu V old em ort. — E , ta l c o m o fa zem n a fa m ília ,
fa çam n o m undo t a m bém ... v am os e x tir p ar o c ân cer q ue n os i n fe cta a té r e sta re m
ap en as o s q ue t ê m o s a n gue v erd ad eir a m en te p uro .
Vold em ort e rg ueu a v arin ha d e L úcio M alf o y, a p onto u-a d ir e ta m en te p ara a
fig ura q ue g ir a v a le n ta m en te , su sp en sa so bre a m esa , e fe z u m g esto q uase
im perc ep tív el. O v ulto r e cu pero u o s m ovim en to s c o m u m g em id o e c o m eço u a
lu ta r c o ntr a i n vis ív eis g rilh ões.
— Você está re co nhecen do a nossa co nvid ad a, Sev ero ? — in dag ou

Vold em ort.
De b aix o p ara c im a, S nap e e rg ueu o s o lh os p ara o r o sto p en dura d o. T odos
os C om en sa is ag ora o lh av am p ara a p ris io neir a , co m o se tiv esse m re ceb id o
perm is sã o p ara m an if e sta r s u a c u rio sid ad e. Q uan do g ir o u p ara o la d o d a la re ir a ,
a m ulh er d is se , c o m a v oz e n tr e co rta d a d e t e rro r:
— S ev ero , m e a ju de!
— A h, s im — r e sp ondeu S nap e e n quan to o r o sto d a p ris io neir a c o ntin uav a
a v ir a r p ara o o utr o l a d o.
— E v ocê, D ra co ? — p erg unto u V old em ort, a caric ia n do o f o cin ho d a c o bra
co m a m ão l iv re . D ra co s a cu diu a c ab eça c o m u m m ovim en to b ru sc o . A gora q ue
a m ulh er a co rd ara , e le p are cia i n cap az d e c o ntin uar e n cara n do-a .
— M as v ocê n ão te ria s e m atr ic u la d o n o c u rs o d ela — d is se V old em ort. —
Para o s q ue n ão s a b em , e sta m os re u nid os a q ui e sta n oite p ara n os d esp ed ir d e
Carid ad e B urb ag e que, até re cen te m en te , le cio nav a na E sc o la de M ag ia e
Bru xaria d e H ogw arts !
Ouvir a m -s e b re v es so ns d e a sse n tim en to a o re d or d a m esa . U m a m ulh er
co rp ule n ta e c u rv ad a, d e d en te s p ontia g udos, s o lto u u m a g arg alh ad a.
— S im ... a p ro fª B urb ag e e n sin av a à s c ria n ças b ru xas tu do a re sp eito d os
tr o uxas... e c o m o s e a sse m elh am a n ós...
Um dos C om en sa is da M orte cu sp iu no ch ão . E m se u gir o , C arid ad e
Burb ag e t o rn ou a e n cara r S nap e.
— S ev ero ... p or f a v or... p or f a v or...
— S ilê n cio — o rd en ou V old em ort, c o m o utr o b re v e m ovim en to d a v arin ha
de L úcio , e C arid ad e sile n cio u co m o se tiv esse sid o am ord açad a. — N ão
co nte n te em co rro m per e polu ir as m en te s das cria n ças bru xas, na se m an a
passa d a, a p ro fª B urb ag e e sc re v eu u m a a p aix onad a d efe sa d os s a n gues-ru in s n o
Pro fe ta D iá rio . O s b ru xos, d is se e la , d ev em a ceita r e sse s la d rõ es d o s e u s a b er e
mag ia . A d ilu iç ão d os p uro s-s a n gues é, se g undo B urb ag e, u m a cir c u nstâ n cia
ex tr e m am en te d ese já v el... E la d efe n de q ue t o dos c ase m os c o m t r o uxas... o u, s e m
dúvid a, c o m l o bis o m en s...
Desta v ez n in guém riu : n ão h av ia co m o d eix ar d e p erc eb er a ra iv a e o
desp re zo n a v oz d e V old em ort. P ela te rc eir a v ez, C arid ad e B urb ag e en caro u
Snap e. L ág rim as e sc o rria m d os s e u s o lh os p ara o s c ab elo s. S nap e re tr ib uiu s e u
olh ar, t o ta lm en te i m passív el, e n quan to e la i a g ir a n do o r o sto p ara l o nge d ele .
— A va da K ed avra
.
O la m pejo d e lu z v erd e ilu m in ou to dos o s c an to s d a sa la . C arid ad e c aiu
estr o ndosa m en te s o bre a m esa , q ue t r e m eu e e sta lo u. V ário s C om en sa is p ula ra m
para t r á s a in da s e n ta d os. D ra co c aiu d a c ad eir a p ara o c h ão .
— Ja n ta r, N ag in i — d is se V old em ort co m su av id ad e, e a g ra n de co bra

desliz o u s in uosa m en te d os o m bro s d ele p ara a l u str o sa m esa d e m ad eir a .

2
I n m em oria m

Harry sa n gra v a. S eg ura n do a m ão dir e ita co m a esq uerd a, e xin gan do
b aix in ho, e le e m purro u a p orta d o q uarto c o m o o m bro . O uviu u m b aru lh o d e
p orc ela n a q ueb ra n do; p is a ra e m u m a x íc ara d e c h á frio q ue a lg uém d eix ara d o
l a d o d e f o ra , à p orta d o q uarto . — Q ue m ...?
Ele o lh ou p ara o s la d os; o co rre d or d a ru a d os A lf e n eir o s n ° 4 esta v a
d ese rto . A x íc ara d e ch á era , p ossiv elm en te , a id éia d e arm ad ilh a in te lig en te
i m ag in ad a p or D uda. H arry m an te v e a m ão e n sa n güen ta d a n o a lto , ju nto u o s
c aco s d a x íc ara c o m a o utr a m ão e a tir o u-o s n a c esta a b arro ta d a d e lix o q ue
e n tr e v iu p ela p orta d e s e u q uarto . D ep ois c am in hou p esa d am en te a té o b an heir o
p ara p ôr o d ed o s o b a á g ua d a t o rn eir a .
Era um a id io tic e se m se n tid o e in criv elm en te ir rita n te que ain da lh e
f a lta sse m q uatr o d ia s p ara p oder r e aliz ar f e itiç o s... m as t in ha d e a d m itir q ue e sse
f e io c o rte n o d ed o o d erro ta ria . N unca a p re n dera a c u ra r f e rim en to s e , a g ora q ue
l h e o co rria p en sa r n is so — p artic u la rm en te à lu z d os s e u s p la n os im ed ia to s — ,
p are cia -lh e u m a sé ria la cu na e m su a e d ucação b ru xa. A nota n do m en ta lm en te
p ara p erg unta r a H erm io ne c o m o s e f a zia , e le u so u u m g ra n de c h um aço d e p ap el
h ig iê n ic o p ara s e car o m elh or q ue p ôde o c h á d erra m ad o, a n te s d e v olta r p ara o
q uarto e b ate r a p orta .
Harry gasta ra a m an hã in te ir a esv azia n do se u m alã o de via g em pela
p rim eir a v ez d esd e q ue o arru m ara h av ia se is an os. N os p rim eir o s an os d e
e sc o la , e le s im ple sm en te lim para u ns tr ê s q uarto s d o s e u c o nte ú do e o s r e p use ra
o u a tu aliz ara , d eix an do n o fu ndo u m a c am ad a d e lix o — p en as u sa d as, o lh os
s e co s d e b eso uro , m eia s s e m p ar q ue n ão l h e s e rv ia m m ais . M in uto s a n te s, H arry
m ete ra a m ão n esse e n tu lh o, s e n tir a u m a d or la n cin an te n o q uarto d ed o d a m ão
d ir e ita e , a o p uxá-la , v iu q ue e sta v a c o berta d e s a n gue.
Contin uou, e n tã o , u m p ouco m ais c au te lo so . T orn an do a s e a jo elh ar a o l a d o
d o m alã o , a p alp ou o f u ndo, r e tir o u u m v elh o b ro ch e q ue p is c av a f ra cam en te , o ra
A póie C ED RIC O D IG GORY
o ra
PO TTE R F ED E
, u m b is b ilh osc ó pio ra ch ad o e
g asto e um m ed alh ão de ouro co nte n do um bilh ete assin ad o por R .A .B ., e
f in alm en te d esc o briu o g um e a fia d o q ue o fe rir a . R eco nheceu -o s e m h esita ção .
E ra u m caco d e u ns cin co cen tím etr o s d o esp elh o en can ta d o q ue S ir iu s, se u
f a le cid o p ad rin ho, tin ha lh e d ad o. H arry s e p aro u-o e a p alp ou o m alã o à p ro cu ra
d o re sto , m as n ad a m ais re sta ra d o ú ltim o p re se n te d o p ad rin ho e x ceto o v id ro

moíd o, a g ora g ru dad o, n a ú ltim a c am ad a d e d estr o ço s, c o m o p urp urin a.
Harry s e n to u e e x am in ou o c aco p ontia g udo e m q ue s e c o rta ra , m as n ão v iu
nad a a lé m d o re fle x o d o s e u b rilh an te o lh o v erd e. C olo co u, e n tã o , o fra g m en to
so bre o
Pro fe ta D iá rio
d aq uela m an hã, q ue c o ntin uav a in to cad o e m s u a c am a, e
te n to u esta n car o re p en tin o flu xo de am arg as le m bra n ças, as ponta d as de
re m ors o e sa u dad e q ue a d esc o berta d o e sp elh o p artid o tin ha o casio nad o, a o
ata car o r e sto d o l ix o d en tr o d o m alã o .
Lev ou m ais u m a h ora p ara e sv aziá -lo c o m ple ta m en te , jo gar f o ra o s o bje to s
in úte is e se p ara r os dem ais em pilh as, de aco rd o co m as su as fu tu ra s
necessid ad es. S uas v este s d e e sc o la e d e q uad rib ol, c ald eir ã o , p erg am in ho, p en as
e a m aio r p arte d os liv ro s d e e stu do fo ra m e m pilh ad os a u m c an to p ara s e re m
deix ad os em casa . Fic o u im ag in an do o que os tio s fa ria m co m aq uilo ;
pro vav elm en te q ueim aria m tu do n a c ala d a d a n oite , c o m o s e fo sse m p ro vas d e
um c rim e h ed io ndo. S uas ro upas d e tr o uxa, C ap a d a In vis ib ilid ad e, e sto jo p ara
pre p aro d e p oçõ es, c erto s liv ro s, o á lb um d e fo to s q ue H ag rid u m d ia lh e d era ,
um m aço d e c arta s e s u a v arin ha f o ra m r e arru m ad os e m u m a v elh a m och ila . N o
bols o fro nta l, g uard ou o m ap a d o m aro to e o m ed alh ão c o m o b ilh ete a ssin ad o
por R .A .B . O m ed alh ão r e ceb era e sse lu gar d e h onra n ão p orq ue f o sse v alio so -
so b q ualq uer â n gulo n orm al, e ra im pre stá v el — , m as p elo q ue lh e c u sta ra o btê -
lo .
Resto u u m a a v an ta ja d a p ilh a d e jo rn ais s o bre s u a e sc riv an in ha, a o la d o d a
alv ís sim a c o ru ja E dw ig es: u m e x em pla r p ara c ad a u m d os d ia s d esse v erã o q ue
Harry p assa ra n a r u a d os A lf e n eir o s.
Lev an to u-s e , en tã o , d o ch ão , esp re g uiç o u-s e e se d ir ig iu à esc riv an in ha.
Edw ig es n ão f e z o m en or m ovim en to q uan do e le c o m eço u a f o lh ear o s jo rn ais e
atir a r u m a u m n a m onta n ha d e lix o a cu m ula d o; a c o ru ja c o ch ila v a, o u fin gia
co ch ila r; esta v a zan gad a co m H arry por cau sa do pouco te m po que, no
mom en to , e le a d eix av a f o ra d a g aio la .
Quase n o f im d a p ilh a d e j o rn ais , H arry d esa cele ro u à p ro cu ra d e u m a c erta
ed iç ão que ele sa b ia te r ch eg ad o lo go dep ois do se u re g re sso à ru a dos
Alf e n eir o s, p ara p assa r o v erã o ; le m bra v a-s e d e q ue h av ia u m a p eq uen a n ota n a
prim eir a p ág in a s o bre o p ed id o d e d em is sã o d e C arid ad e B urb ag e, a p ro fe sso ra
de E stu dos d os T ro uxas em H ogw arts . F in alm en te en co ntr o u-a . A brin do-a à
pág in a d ez, se n to u-s e à c ad eir a d a e sc riv an in ha e re le u o a rtig o q ue e stiv era
pro cu ra n do.
Em m em ória d e A lv o D um ble d ore

Elif a s D oge
Conheci A lv o D um ble d ore ao s o nze an os d e id ad e, em n osso
prim eir o d ia e m H ogw arts . S em d úvid a o n osso in te re sse m útu o se
dev eu a o f a to d e a m bos n os s e n tir m os d eslo cad os. E u c o ntr a ír a v arío la
de d ra g ão p ouco a n te s d e c h eg ar à e sc o la , e , e m bora n ão o fe re cesse
mais c o ntá g io , o m eu r o sto m arc ad o e v erd oso n ão a n im av a n in guém
a se ap ro xim ar de m im . P or su a vez, A lv o ch eg ara a H ogw arts
carre g an do o p eso d e u m a in dese já v el n oto rie d ad e. M en os d e u m a n o
an te s, se u p ai, P erc iv al, fo ra c o nden ad o p or u m a ta q ue se lv ag em , e
am pla m en te c o m en ta d o, a t r ê s r a p azes t r o uxas.
Alv o ja m ais te n to u n eg ar q ue o p ai (q ue m orre ria e m A zk ab an )
co m ete ra o c rim e; m uito a o c o ntr á rio , q uan do r e u ni c o ra g em p ara lh e
perg unta r, e le m e c o nfir m ou q ue sa b ia q ue o p ai e ra c u lp ad o. E se
re cu sa v a a a cre sc en ta r o q ue f o sse s o bre o tr is te c aso , e m bora m uito s
te n ta sse m f a zê-lo f a la r. A lg uns a té s e d is p unham a e lo gia r a a titu de d o
pai, p re su m in do q ue A lv o ta m bém o dia sse tr o uxas. N ão p oderia m
esta r m ais e n gan ad os: to dos q ue c o nhecera m A lv o a te sta ria m q ue e le
ja m ais re v elo u a m ais re m ota te n dên cia a n titr o uxa. N a re alid ad e, s e u
decis iv o a p oio a o s d ir e ito s d essa c o m unid ad e c o nquis to u-lh e m uito s
in im ig os n os a n os q ue s e s e g uir a m .
Em questã o de m ese s, no en ta n to , a fa m a pesso al de A lv o
co m eço u a e clip sa r a d o p ai. A o t e rm in ar o p rim eir o a n o d e H ogw arts ,
deix ara d e s e r c o nhecid o c o m o o f ilh o d o h om em q ue o dia v a tr o uxas,
e g an hou a re p uta ção d e se r o a lu no m ais b rilh an te q ue a e sc o la já
vir a . A quele s que tin ham o priv ilé g io de se r se u s am ig os se
ben efic ia v am d o s e u e x em plo , a lé m d e a ju da e e stím ulo , q ue s e m pre
dis tr ib uía c o m g en ero sid ad e. M ais a d ia n te n a v id a, e le m e c o nfe ssa ria
que j á n aq uela é p oca s a b ia q ue o s e u m aio r p ra zer e ra e n sin ar.
Alv o n ão s ó g an hou to dos o s p rê m io s im porta n te s q ue a e sc o la
ofe re cia , b em c o m o n ão t a rd ou a s e c o rre sp onder r e g ula rm en te c o m a s
pers o nalid ad es m ais notá v eis do m undo da m ag ia co nte m porâ n ea,
in clu siv e N ic o la u F la m el, o fa m oso alq uim is ta , B atild a B ag sh ot, a
re n om ad a his to ria d ora , e o te ó ric o da m ag ia A dalb erto W aff lin g.
Vário s d os s e u s a rtig os f o ra m a co lh id os p or p ublic açõ es c u lta s c o m o a
Tra nsfig ura çã o H oje , D esa fio s n os E nca nta m en to s, O P re p ara dor d e
Poçõ es.
A carre ir a fu tu ra de Dum ble d ore pro vav elm en te se ria
mete ó ric a, e a ú nic a d úvid a era se ch eg aria a m in is tr o d a M ag ia .
Em bora fu tu ra m en te se p re v is se co m fre q üên cia q ue ele esta v a às

vésp era s de assu m ir o carg o, D um ble d ore nunca te v e am biç õ es
min is te ria is .
Trê s an os d ep ois d e co m eçarm os a estu dar em H ogw arts , se u
ir m ão c h eg ou à e sc o la . N ão s e p are cia m ; A berfo rth n unca f o i d ad o a
le itu ra s e , a o c o ntr á rio d e A lv o, p re fe ria r e so lv er s u as d if e re n ças c o m
duelo s em v ez d e d is c u ti- la s ra cio nalm en te . É , p oré m , u m en gan o
in sin uar, c o m o a lg uns tê m fe ito , q ue o s ir m ão s n ão fo sse m a m ig os.
Dav am -s e tã o b em q uan to d ois g aro to s, a ssim d if e re n te s, p oderia m s e
dar. E , p ara fa zer ju stiç a a A berfo rth , d ev e-s e ad m itir q ue v iv er à
so m bra d e A lv o n ão p ode te r s id o u m a e x periê n cia m uito c o nfo rtá v el.
Ser co ntin uam en te ofu sc ad o era um ris c o ocu pacio nal que
aco m pan hav a s e u s a m ig os, e n ão p ode te r s id o m uito m ais p ra zero so
para u m i r m ão .
Quan do Alv o e eu co nclu ím os os estu dos em Hogw arts ,
pre te n día m os fa zer ju nto s a v ia g em p elo m undo, en tã o tr a d ic io nal,
para v is ita r e o bse rv ar o s b ru xos e str a n geir o s, a n te s d e se g uir c ad a
qual a s u a c arre ir a . I n te rv eio , p oré m , a tr a g éd ia . N a v ésp era d e n ossa
via g em , a m ãe d e A lv o, K en dra , f a le ceu , le g an do a o f ilh o m ais v elh o
a t a re fa d e c h efia r e s u ste n ta r s o zin ho a f a m ília . A die i a m in ha p artid a
te m po s u fic ie n te p ara p re sta r a s ú ltim as h om en ag en s a K en dra , e n tã o
in ic ie i a v ia g em , so litá rio . C om u m ir m ão e u m a ir m ã m ais jo ven s
para c u id ar, e o p ouco d in heir o h erd ad o, já n ão h av ia p ossib ilid ad e d e
Alv o m e a co m pan har.
Aquele f o i o p erío do d e n ossa s v id as e m q ue m an tiv em os m en o s
co nta to . Esc re v i a Alv o, narra n do, ta lv ez in se n siv elm en te , as
mara v ilh as d a m in ha v ia g em , d esd e o e p is ó dio e m q ue e sc ap ei p or u m
tr iz d e q uim era s n a G ré cia a té a s m in has e x periê n cia s c o m a lq uim is ta s
eg íp cio s. A s c arta s d ele m e c o nta v am a lg um a c o is a d e s u a v id a d iá ria ,
que e u p erc eb ia s e r m onóto na e fru str a n te p ara u m b ru xo tã o g en ia l.
Abso rto e m m in has p ró pria s e x periê n cia s, fo i c o m h orro r q ue s o ube,
quase n o f im d o a n o d e v ia g en s, q ue o utr a tr a g éd ia s e a b ate ra s o bre a
fa m ília : a m orte d e s u a i r m ã A ria n a.
Em bora A ria n a n ão g ozasse d e b oa s a ú de h av ia te m po, o g olp e
tã o p ró xim o à m orte d a m ãe a fe to u p ro fu ndam en te o s d ois ir m ão s.
Todos o s q ue e ra m m ais c h eg ad os a A lv o — e in clu o-m e e n tr e e sse s
fe liz ard os — c o nco rd am q ue a m orte d e A ria n a e o se n tim en to d e
re sp onsa b ilid ad e d o ir m ão p or e sse d esfe ch o ( a in da q ue e le n ão f o sse
cu lp ad o) m arc ara m -n o p ara s e m pre .
Quan do re g re sse i, en co ntr e i um ra p az que passa ra por

so frim en to s d e u m h om em m ais v elh o. A lv o t o rn ou-s e m ais r e se rv ad o
do q ue a n te s e m uito m en os a le g re . P ara a u m en ta r s u a in fe lic id ad e, a
morte d e A ria n a n ão c o nduzir a a u m a a p ro xim ação m aio r e n tr e A lv o e
Aberfo rth , m as a u m a fa sta m en to . ( C om o te m po is so s e r e so lv eria —
nos ú ltim os a n os e le s re sta b ele cera m se n ão u m a re la ção ín tim a, a o
men os c o rd ia l.) D esd e e n tã o , p oré m , e le r a ra m en te f a la v a d os p ais o u
de A ria n a, e s e u s a m ig os a p re n dera m a n ão m en cio ná-lo s.
Outr o s e sc rito re s d esc re v erã o o s tr iu nfo s d os a n os s e g uin te s. A s
in úm era s c o ntr ib uiç õ es d e D um ble d ore a o a cerv o d e c o nhecim en to s
so bre m ag ia , in clu siv e a d esc o berta d os d oze u so s p ara o s a n gue d e
dra g ão , ben efic ia rã o as fu tu ra s gera çõ es, do m esm o m odo que a
sa b ed oria que dem onstr o u nos m uito s ju lg am en to s que re aliz o u
dura n te o m an dato de pre sid en te da Supre m a C orte dos B ru xos.
Diz em , a in da h oje , q ue n en hum d uelo d e m ag ia ja m ais s e ig ualo u a o
que fo i tr a v ad o en tr e D um ble d ore e G rin delw ald , em 1945. O s
pre se n te s d esc re v era m o t e rro r e o a sso m bro q ue s e n tir a m a o o bse rv ar
aq uele s dois bru xos ex tr a o rd in ário s co m bate re m . A vitó ria de
Dum ble d ore e su as co nse q üên cia s para o mundo bru xo sã o
co nsid era d as u m m arc o n a h is tó ria d a m ag ia , c o m pará v el à i n tr o dução
do E sta tu to In te rn acio nal d e S ig ilo e m M ag ia o u à q ued a d ’A quele -
Que-N ão -D ev e-S er- N om ead o.
Alv o D um ble d ore ja m ais dem onstr a v a org ulh o ou vaid ad e;
se m pre en co ntr a v a o que elo gia r em qualq uer pesso a, por m ais
in sig nif ic an te o u m is e rá v el q ue fo sse , e a cre d ito q ue a s p erd as q ue
so fre u n a ju ven tu de o d ota ra m d e g ra n de h um an id ad e e s o lid arie d ad e.
Sen tir e i sa u dad es d e su a am iz ad e m ais d o q ue p oderia re co nhecer,
mas a m in ha p erd a é d esp re zív el s e a c o m para rm os à d o m undo d os
bru xos. É in dis c u tív el q ue e le fo i o m ais in sp ir a d or e o m ais q uerid o
dir e to r d e H ogw arts . E le m orre u c o m o v iv eu : s e m pre t r a b alh an do p ara
o b em m aio r e , a té a s u a h ora f in al, tã o d is p osto a e ste n der a m ão a o
garo tin ho c o m v arío la d e d ra g ão q uan to n o d ia e m q ue o c o nheci.
Harry te rm in ou a le itu ra , m as co ntin uou a co nte m pla r a fo to que
aco m pan hav a o o bitu ário . D um ble d ore e x ib ia o s e u c o nhecid o s o rris o b ondoso ,
mas, a o o lh ar p or c im a d os o clin hos d e m eia -lu a, d av a a im pre ssã o , m esm o e m
jo rn al, d e v er o ín tim o d e H arry c u ja tr is te za m esc lo u-s e c o m u m a s e n sa ção d e
hum ilh ação .
Tin ha a ch ad o q ue c o nhecia D um ble d ore m uito b em , m as, d ep ois d a le itu ra
do o bitu ário , f o ra f o rç ad o a a d m itir q ue p ouco s a b ia d ele . J a m ais im ag in ara u m a

únic a v ez a in fâ n cia o u a ju ven tu de d o m estr e ; e ra c o m o s e e le tiv esse g an had o
ex is tê n cia q uan do H arry o c o nhecera , v en erá v el, d e b arb as e c ab elo s p ra te ad os, e
id oso . A id éia d e u m D um ble d ore ad ole sc en te era sim ple sm en te esq uis ita , o
mesm o q ue i m ag in ar u m a H erm io ne b urra o u u m e x plo siv im a m ig áv el.
Nunca p en sa ra e m i n dag ar a D um ble d ore s o bre o s e u p assa d o. S em d úvid a,
te ria s id o c o nstr a n ged or, e a té im pertin en te , m as e ra d e c o nhecim en to g era l q ue
Dum ble d ore tr a v ara u m le n dário d uelo c o m G rin delw ald , e H arry n em s e q uer
pen sa ra e m p erg unta r a o m estr e c o m o fo ra e ste e o utr o s fe ito s fa m oso s. N ão ,
ele s s e m pre d is c u tia m H arry , o p assa d o d e H arry , o f u tu ro d e H arry , o s p la n os d e
Harry ... e a im pre ssã o d e H arry ag ora , ap esa r d e se u fu tu ro tã o p erig oso e
in certo , e ra q ue e le p erd era in su bstitu ív eis o portu nid ad es d e p erg unta r m ais a
Dum ble d ore so bre e le m esm o, e m bora a ú nic a p erg unta p esso al q ue fiz era a o
mestr e te n ha sid o, ta m bém , a únic a que, desc o nfia v a, Dum ble d ore não
re sp ondera c o m s in cerid ad e:
— O q ue é q ue o s e n hor v ê q uan do s e o lh a n o e sp elh o?
— E u? E u m e v ejo s e g ura n do u m p ar d e g ro ssa s m eia s d e l ã .
Após alg uns m in uto s d e re fle x ão , H arry re tir o u o o bitu ário d o
Pro fe ta
,
dobro u a fo lh a c u id ad osa m en te e g uard ou-a n o p rim eir o v olu m e d e
Prá tic a d a
magia d efe n siv a e s e u u so c o ntr a a s A rte s d as T re va s
. E m s e g uid a, a tir o u o r e sto
do jo rn al n o m onte d e lix o e v ir o u-s e p ara e n cara r o q uarto . E sta v a m uito m ais
arru m ad o. A s ú nic as c o is a s f o ra d e l u gar e ra m a e d iç ão d o d ia d o
Pro fe ta D iá rio
,
ain da s o bre a c am a, e , e m c im a d ela , o c aco d e e sp elh o.
Harry a tr a v esso u o q uarto , e m purro u o c aco p ara o la d o e a b riu o jo rn al.
Tin ha a p en as c o rrid o o s o lh os p ela m an ch ete a o tir a r o e x em pla r e n ro la d o d as
garra s d a co ru ja en tr e g ad ora , m ais ced o n aq uela m an hã, ab an donan do-o em
se g uid a a o r e p ara r q ue n ad a h av ia s o bre V old em ort. H arry t in ha c erte za d e q ue o
Min is té rio c o nta v a q ue o P ro fe ta o m itis se a s n otíc ia s s o bre o b ru xo d as tr e v as.
Foi s o m en te n este m om en to , p orta n to , q ue r e p aro u n o q ue d eix ara e sc ap ar.
Na m eta d e i n fe rio r d a p rim eir a p ág in a, h av ia u m a m an ch ete n o a lto d e u m a
fo to d e D um ble d ore c am in han do c o m u m a r p re o cu pad o: D UM BLED ORE —
EN FIM A V ER D ADE?
Na p ró xim a s e m an a, a c h ocan te v erd ad e s o bre o g ên io i m perfe ito
que m uito s c o nsid era m o m aio r b ru xo d e s u a g era ção .
Desfa zen do a im ag em p opula r d e s e re n a e v en erá v el s a b ed oria ,
Rita S keete r r e v ela a i n fâ n cia p ertu rb ad a, a j u ven tu de r e b eld e, a s r ix as
in te rm in áv eis e o s s e g re d os v erg onhoso s q ue D um ble d ore le v ou p ara

o tú m ulo . P O R Q UE o h om em in dic ad o p ara m in is tr o d a M ag ia se
co nte n to u c o m o s im ple s c arg o d e d ir e to r d e e sc o la ? Q UAL e ra a r e al
fin alid ad e d a o rg an iz ação s e cre ta c o nhecid a c o m o a O rd em d a F ên ix ?
CO M O D um ble d ore r e alm en te e n co ntr o u a m orte ?
As re sp osta s a e ssa s p erg unta s e m uita s o utr a s sã o e x am in ad as
em u m a n ova e ex plo siv a b io gra fia
A vid a e a s m en tir a s d e A lv o
Dum ble d ore ,
de au to ria de Rita Skeete r, en tr e v is ta d a co m
ex clu siv id ad e p or B etty B ra ith w aite , n a p ág in a 1 3 d este n úm ero .
Harry ra sg ou a c in ta d o jo rn al e a b riu -o à p ág in a tr e ze. O a rtig o e sta v a
en cim ad o p ela f o to d e o utr o r o sto c o nhecid o: u m a m ulh er c o m ó cu lo s e n fe ita d os
co m p ed rin has, c ab elo s lo uro s b em o ndula d os, o s d en te s à m ostr a n o q ue, s e m
dúvid a, s e s u punha s e r u m s o rris o c ativ an te , a g ita n do o s d ed os p ara e le . F azen do
o p ossív el p ara i g nora r a i m ag em n au se an te , H arry l e u .
Rita S keete r é m uito m ais s im pátic a e s e n sív el e m p esso a d o q u e
os s e u s já f a m oso s e f e ro zes r e tr a to s a b ic o -d e-p en a p oderia m s u gerir.
Receb en do-m e à e n tr a d a d e su a c asa a co nch eg an te , e la m e c o nduz
dir e ta m en te à co zin ha p ara u m a x íc ara d e ch á, u m a fa tia d e b olo
in glê s e , n em é p re cis o d iz er, u m c ald eir ã o fu m eg an do c o m fo fo cas
fre sc as.
“N atu ra lm en te , D um ble d ore é o s o nho d e q ualq uer b ió gra fo ”, d iz
Skeete r, “ co m s u a v id a lo nga e p le n a. T en ho c erte za q ue o m eu liv ro
se rá o p rim eir o d e m uito s o utr o s.”
Skeete r c erta m en te a g iu c o m ra p id ez. S eu liv ro d e n ovecen to s
pág in as f o i c o nclu íd o a p en as q uatr o s e m an as a p ós a m is te rio sa m orte
de D um ble d ore , e m ju nho. P erg unto -lh e c o m o c o nse g uiu e sse f e ito d e
velo cid ad e.
“A h, q uan do s e é jo rn alis ta d e lo nga d ata , tr a b alh ar c o m p ra zo s
cu rto s é u m a se g unda n atu re za. E u sa b ia q ue o m undo d os b ru xos
ex ig ia u m a h is tó ria c o m ple ta e q ueria s e r a p rim eir a a s a tis fa zer e ssa
dem an da.”
Men cio no o s c o m en tá rio s re cen te s e a m pla m en te d iv ulg ad os d e
Elif a s D oge, c o nse lh eir o e sp ecia l d a S upre m a C orte d os B ru xos, o
Wiz en gam ot, e a m ig o d e lo nga d ata d e A lv o D um ble d ore , d e q ue “ o
liv ro d a S keete r c o nté m m en os fa to s d o q ue u m c artã o d e sa p os d e
ch oco la te ”.
Skeete r j o ga a c ab eça p ara t r á s d an do u m a g arg alh ad a.
“Q uerid o D oguin ho! L em bro -m e d e tê -lo e n tr e v is ta d o h á a lg uns

an os so bre os dir e ito s dos se re ia n os, que Deu s o ab en ço e.
Com ple ta m en te g ag á, p are cia a ch ar q ue e stá v am os s e n ta d os n o f u ndo
do la g o W in derm ere , e não para v a de re co m en dar que eu tiv esse
cu id ad o c o m a s t r u ta s.”
Contu do, as acu sa çõ es de im pre cis ã o fe ita s por E lif a s D oge
en co ntr a ra m e co e m m uito s l u gare s. S erá q ue S keete r j u lg a q ue q uatr o
bre v es se m an as fo ra m su fic ie n te s p ara cap ta r u m re tr a to d e co rp o
in te ir o d a l o nga e e x tr a o rd in ária v id a d e D um ble d ore ?
“A h, m in ha c ara ”, re sp onde e la , a b rin do u m la rg o s o rris o e m e
dan do u m ta p in ha a fe tu oso n a m ão , “ v ocê c o nhece tã o b em q uan to e u
a quan tid ad e de in fo rm açõ es que pode gera r um a bols a ch eia de
gale õ es, u m a re cu sa e m a ceita r u m ‘n ão ’ e u m a p en a d e re p etiç ão -
rá p id a! As pesso as fiz era m fila para desp eja r as su je ir a s de
Dum ble d ore . N em to das ach av am que ele fo sse tã o m ara v ilh oso
assim , sa b e — ele pis o u um bom núm ero de calo s de gen te
im porta n te . M as o velh o D oguin ho esq uiv o pode desc er do se u
hip ogrif o , porq ue tiv e acesso a um a fo nte que fa ria jo rn alis ta s
neg ocia re m a s p ró pria s v arin has p ara o bte r, a lg uém q ue ja m ais fe z
decla ra çõ es p úblic as e q ue fo i ín tim o d e D um ble d ore d ura n te a fa se
mais t u rb ule n ta e p ertu rb ad a d e s u a j u ven tu de.”
A p ublic id ad e q ue a n te ced e o l a n çam en to d a b io gra fia d e S keete r
certa m en te s u gere q ue o liv ro r e se rv a s u rp re sa s p ara o s q ue a cre d ita m
que D um ble d ore le v ou u m a v id a se m p ecad os. P erg unte i- lh e q uais
fo ra m o s m aio re s q ue d esc o briu .
“F ra n cam en te , B etty , n ão v ou r e v ela r t o dos o s d esta q ues a n te s d e
as p esso as c o m pra re m o liv ro !” , ri- s e S keete r. “ M as p osso p ro m ete r
que alg uém q ue ain da p en se q ue D um ble d ore era alv o co m o su as
barb as v ai aco rd ar assu sta d o! D ig am os ap en as q ue n in guém q ue o
te n ha ouvid o vocif e ra r co ntr a Você-S ab e-Q uem so nharia que ele
pró prio l id ou c o m a s A rte s d as T re v as n a j u ven tu de! E , p ara u m b ru xo
que p asso u o r e sto d a v id a p ed in do to le râ n cia , e le n ão e ra e x ata m en te
in dulg en te q uan do m ais m oço ! S im , s e n hora , A lv o D um ble d ore te v e
um passa d o so m brio , is so para não m en cio nar su a fa m ília m uito
su sp eita , q ue e le t a n to s e e sfo rç o u p or o cu lta r.”
Perg unto s e S keete r e stá s e re fe rin do a o ir m ão d e D um ble d ore ,
Aberfo rth , c u ja c o nden ação p ela S upre m a C orte d os B ru xos p or m au
uso d a m ag ia c au so u u m p eq uen o e sc ân dalo h á q uin ze a n os.
“A h, A berfo rth é ap en as o to po d a estr u m eir a ”, ri- s e S keete r.
“N ão , n ão , e sto u fa la n do d e c o is a m uito p io r d o q ue a p re d ile ção d e

um ir m ão p or b odes, p io r m esm o d o q ue a m utila ção d e u m tr o uxa
pelo pai, co is a s que D um ble d ore não pôde ab afa r, os dois fo ra m
co nden ad os. N ão , esto u m e re fe rin do à m ãe e à ir m ã que m e
in tr ig ara m , u m a p eq uen a p esq uis a d ese n te rro u u m v erd ad eir o n in ho
de m ald ad es — m as, c o m o d ig o, v ocê t e rá q ue e sp era r p elo s c ap ítu lo s
de n ove a d oze p ara c o nhecer o s d eta lh es. O q ue p osso a d ia n ta r a g ora
é q ue n in guém e str a n he q ue D um ble d ore n unca te n ha c o nta d o c o m o
fra tu ro u o n ariz .”
Apesa r d os to rp es s e g re d os d e fa m ília , s e rá q ue S keete r n eg a a
gen ia lid ad e q ue c o nduziu D um ble d ore a t a n ta s d esc o berta s e m m ag ia ?
“E le tin ha cab eça”, ad m ite ela , “em bora muito s ag ora
questio nem s e r e alm en te m ere ceu s o zin ho o c ré d ito p or s u as s u posta s
re aliz açõ es. N o cap ítu lo d ezesse is , tr a n sc re v o a afir m ação d e Iv or
Dillo nsb y d e q ue e le já te ria d esc o berto o ito u so s p ara o sa n gue d e
dra g ão q uan do D um ble d ore ‘ to m ou e m pre sta d o’ o s s e u s e stu dos.”
Atr e v o-m e a re p lic ar q ue a im portâ n cia d e a lg um as re aliz açõ es
de D um ble d ore não pode se r neg ad a. E a fa m osa vitó ria so bre
Grin delw ald ?
“A h, fo i b om v ocê te r m en cio nad o o G rin delw ald ”, re sp onde
Skeete r, c o m u m so rris o ir re sis tív el. “ A ch o q ue a q uele s c u jo s o lh os
um ed ecem d e e m oção c o m a m ag níf ic a v itó ria d e D um ble d ore d ev em
se pre p ara r para um a bom ba — ou ta lv ez um a bom ba de bosta .
Realm en te fe d e b asta n te . S ó p osso a le rta r p ara a d úvid a c o m re la ção
ao d uelo e sp eta cu la r q ue n os c o nta a le n da. D ep ois d e le re m o m eu
liv ro , a s p esso as ta lv ez se ja m o brig ad as a c o nclu ir q ue G rin delw ald
sim ple sm en te co nju ro u u m le n ço b ra n co n a p onta d a v arin ha e se
en tr e g ou!”
Skeete r se re cu sa a re v ela r o utr o s d eta lh es so bre o in tr ig an te
assu nto , p orta n to , a b ord am os a r e la ção q ue, s e m d úvid a, m ais f a sc in a
os s e u s l e ito re s.
“A h, sim ”, d iz S keete r, asse n tin do en erg ic am en te , “d ed ic o u m
cap ítu lo in te ir o à re la ção P otte r- D um ble d ore . H á q uem a c o nsid ere
doen tia e a té s in is tr a . R ep ito m ais u m a v ez, o s s e u s le ito re s te rã o d e
co m pra r o m eu liv ro p ara sa b er a h is tó ria c o m ple ta , m as, p elo q ue
ouço d iz er, é p onto p acíf ic o q ue D um ble d ore to m ou u m in te re sse
an orm al p or P otte r. S e is so r e alm en te v is a v a o b em d o g aro to — é o
que vere m os. C erta m en te não é se g re d o que P otte r te m tid o um a
ad ole sc ên cia e x cep cio nalm en te p ertu rb ad a.”
Perg unte i s e S keete r a in da m an té m c o nta to c o m H arry P otte r, a

quem en tr e v is to u, co m su cesso , no an o an te rio r: um fu ro de
re p orta g em e m q ue P otte r f a lo u e x clu siv am en te d e s u a c erte za s o bre o
re to rn o d e V ocê-S ab e-Q uem .
“A h, s im , c o nstr u ím os u m f o rte v ín cu lo ”, d iz S keete r. “ O c o ita d o
do P otte r te m p ouco s a m ig os v erd ad eir o s, e n os c o nhecem os e m u m
dos m om en to s d e m aio r d esa fio d e s u a v id a — o T orn eio T rib ru xo.
Pro vav elm en te s o u u m a d as p oucas p esso as v iv as q ue p odem a fir m ar
co nhecer o r e al H arry P otte r.”
A r e sp osta n os l e v a d ir e ta m en te a o s m uito s b oato s q ue c o ntin uam
a c ir c u la r so bre a s ú ltim as h ora s d e v id a d e D um ble d ore . S erá q ue
Skeete r a cre d ita q ue P otte r e sta v a p re se n te q uan do e le m orre u ?
“B em , n ão q uero fa la r d em ais — está tu do n o liv ro — , m as
te ste m unhas o cu la re s n o c aste lo d e H ogw arts v ir a m P otte r s a in do d e
cen a in sta n te s d ep ois d e D um ble d ore c air , sa lta r o u se r e m purra d o.
Mais ta rd e, o g aro to p re sto u d ep oim en to a cu sa n do S ev ero S nap e, u m
hom em c o m q uem e le tin ha c o n hecid a in im iz ad e. S erá q ue a s c o is a s
sã o c o m o p are cem s e r? C ab erá à c o m unid ad e b ru xa ju lg ar — d ep ois
de l e r o m eu l iv ro .”
A e ssa n ota in tr ig an te , e u m e d esp eço . N ão h á d úvid a d e q u e
Skeete r e sc re v eu u m b ests e lle r d e o casiã o . E nquan to is so , a s le g iõ es
de a d m ir a d ore s d e D um ble d ore ta lv ez e ste ja m a p re en siv as c o m o q ue
em b re v e s e rá d iv ulg ad o s o bre o s e u h eró i.
Harry c h eg ou a o f im d o a rtig o, m as c o ntin uou a o lh ar a tô nito p ara o p ap el.
A r e p ugnân cia e a f ú ria o a co m ete ra m c o m o u m v ôm ito ; e le a m asso u o jo rn al e
atir o u-o , c o m t o da a f o rç a, c o ntr a a p are d e, o nde a b ola f o i s e j u nta r a o m onte d e
lix o q ue j á t r a n sb ord av a d a l a ta .
Com eço u a cam in har às ceg as pelo quarto , ab rin do gav eta s vazia s e
erg uen do os liv ro s para , em se g uid a, re p ô-lo s nas m esm as pilh as, quase
in co nsc ie n te do que fa zia , en quan to fra se s esp ars a s da en tr e v is ta co m R ita
eco av am e m s u a c ab eça:
um c a pítu lo in te ir o à r e la çã o P otte r-D um ble d ore ... h á
quem a c o nsid ere d oen tia e a té sin is tr a ... e le p ró prio lid ou c o m a s A rte s d as
Tre va s n a ju ven tu de... tiv e a cesso a u m a fo nte q ue fa ria jo rn alis ta s n eg ocia re m
as p ró pria s v a rin has p ara o bte r...
— M en tir a s! — b erro u H arry , e p ela j a n ela v iu o d ono d a c asa a o l a d o, q ue
para ra p ara r e lig ar o c o rta d or d e g ra m a, e rg uer o s o lh os, n erv oso .
O g aro to se n to u-s e co m fo rç a n a cam a. O caco d e esp elh o sa lto u p ara
lo nge; ele o ap an hou e ex am in ou en tr e os ded os pen sa n do, pen sa n do em
Dum ble d ore e n as m en tir a s c o m q ue R ita S keete r o d if a m av a...

Um la m pejo a zu l in te n so . H arry c o ngelo u, o d ed o c o rta d o e sc o rre g ou p ela
ponta d o esp elh o. F ora im ag in ação , d ev ia te r sid o. E le esp io u p or cim a d o
om bro , m as a pare d e co ntin uav a da co r pêsse g o en jo ativ o que tia P etú nia
esc o lh era ; n ão h av ia n ad a a zu l a li p ara s e r r e fle tid o. H arry to rn ou a e x am in ar o
fra g m en to d e e sp elh o e n ad a v iu , e x ceto o s e u o lh o m uito v erd e e n cara n do-o .
Im ag in ara o l a m pejo , n ão h av ia o utr a e x plic ação ; i m ag in ara p orq ue e stiv era
pen sa n do n o d ir e to r f a le cid o. S e h av ia u m a c erte za e ra q ue o s o lh os m uito a zu is
de A lv o D um ble d ore j a m ais o p ers c ru ta ria m o utr a v ez.

3
A P artid a d os D ursle y
O r u íd o d a p orta d a f re n te b ate n do e co ou e sc ad a a cim a, e u m a v oz g rito u:
— E i! V ocê!
Dezesse is a n os o uvin do e ste c h am ad o n ão p erm itiu a H arry d uvid ar q ue e ra
a e le q ue o tio e sta v a s e d ir ig in do; a in da a ssim , n ão re sp ondeu im ed ia ta m en te .
C ontin uou a c o nte m pla r o c aco d e e sp elh o e m q ue, p or u m a f ra ção d e s e g undo,
p en sa ra te r vis to um olh o de D um ble d ore . Som en te quan do o tio berro u
“ M OLEQ UE!” , H arry s e le v an to u v ag aro sa m en te e s e e n cam in hou p ara a p orta
d o q uarto , p ara n do, a n te s, p ara g uard ar o p ed aço d e e sp elh o n a m och ila c h eia
c o m a s c o is a s q ue i a l e v ar.
— E v em s e a rra sta n do! — u rro u V álte r D urs le y q uan do o g aro to a p are ceu
n o a lto d a e sc ad a. — D esç a a q ui, q uero f a la r c o m v ocê!
Harry d esc eu a e sc ad a, a s m ão s e n fia d as n o fu ndo d os b ols o s d o je an s.
Q uan do c h eg ou à s a la d e e sta r, e n co ntr o u o s tr ê s D urs le y. T ra ja v am ro upas d e
v ia g em : tio V álte r v estia u m b lu sã o d e zíp er casto r, tia P etú nia u m ele g an te
c asa co s a lm ão , e D uda, o p rim o f o rte , m usc u lo so e l o uro , u m a j a q ueta d e c o uro .
— P ois n ão ? — d is se H arry .
— S en te -s e ! — o rd en ou o tio . H arry e rg ueu a s s o bra n celh as. — P or f a v or!
— a cre sc en to u, fa zen do u m a lig eir a c are ta c o m o s e a p ala v ra lh e a rra n hasse a
g arg an ta .
Harry s e n to u-s e . P en so u q ue s a b ia o q ue e sp era r. V álte r D urs le y c o m eço u a
a n dar p ara c im a e p ara b aix o. T ia P etú nia e D uda a co m pan hav am s e u s p asso s
c o m o s ro sto s a n sio so s. P or fim , o tio , c o m a c ara la rg a e p úrp ura c o ntr a íd a d e
c o ncen tr a ção , p aro u d ia n te d e H arry e f a lo u:
— M udei d e i d éia .
— Q ue s u rp re sa — r e sp ondeu o g aro to .
— N ão v en ha c o m ir o nia s... — c o m eço u tia P etú nia c o m a v oz e sg an iç ad a,
m as o m arid o f e z s in al p ara q ue e la s e c ala sse .
— É tu do co nvers a fia d a — afir m ou ele , en cara n do H arry co m se u s
o lh in hos d e p orc o . — C onclu í q ue n ão a cre d ito e m u m a ú nic a p ala v ra . V am os
f ic ar a q ui, n ão v am os a l u gar a lg um .
Harry e rg ueu o s o lh os p ara o tio e se n tiu u m a m esc la d e e x asp era ção e
s u rp re sa . V álte r D urs le y v in ha m udan do d e id éia a c ad a v in te e q uatr o h ora s n as
ú ltim as q uatr o s e m an as, c arre g an do o c arro , d esc arre g an do-o e r e carre g an do-o a

cad a m udan ça. O m om en to f a v orito d e H arry tin ha s id o q uan do o tio , s e m s a b er
que D uda g uard ara o s p eso s d e m usc u la ção n a m ala d esd e a ú ltim a v ez q ue f o ra
desc arre g ad a, te n ta ra co lo cá-la n ovam en te n o p orta -m ala s e d ese q uilib ro u-s e ,
so lta n do u rro s d e d or e x in gan do h orro re s.
— P elo q ue m e c o nta — d is se V álte r D urs le y, re co m eçan do a a n dar p ela
sa la — , n ós, P etú nia , D uda e e u , c o rre m os p erig o. P or c o nta d e... d e...
— G en te d a “ m in ha l a ia ”, c erto .
— P ois e u n ão a cre d ito — r e p etiu o tio , p ara n do o utr a v ez d ia n te d e H arry .
— P asse i m eta d e d a n oite r e fle tin do e a ch o q ue é u m a a rm ação p ara v ocê f ic ar
co m a c asa .
— A c asa ? — p erg unto u H arry . — Q ue c asa ?
— E sta c asa ! — g rito u o tio , a v eia d a te sta c o m eçan do a p uls a r. -N ossa
casa ! O s p re ço s d as c asa s e stã o d is p ara n do p or a q ui! V ocê q uer n os tir a r d o
cam in ho, f a zer m eia d úzia d e c h arla ta n ic es e , q uan do a g en te d er p ela c o is a , a s
esc ritu ra s e sta rã o e m s e u n om e e ...
— O s e n hor e n lo uqueceu ? U m a a rm ação p ara f ic ar c o m e sta c asa ? S erá q ue
o s e n hor é r e alm en te t ã o r e ta rd ad o c o m o e stá p are cen do s e r?
— N ão s e a tr e v a!... — g uin ch ou tia P etú nia , m as, n ovam en te , V álte r fe z
sin al p ara a m ulh er s e c ala r: o fe n sa s s o bre s u a p ers o nalid ad e n ão s e c o m para v am
ao p erig o q ue i d en tif ic ara .
— C aso o s e n hor te n ha e sq uecid o — d is se H arry — , e u já te n ho u m a c asa ,
meu p ad rin ho a d eix ou p ara m im . E ntã o , p or q ue e u ir ia q uere r e sta ? P ela s b oas
le m bra n ças q ue g uard o d aq ui?
Fez-s e s ilê n cio . H arry a ch ou q ue i m pre ssio nara o t io c o m e sse a rg um en to .
— V ocê q uer m e d iz er q ue e sse t a l l o rd e...
— V old em ort — c o m ple to u H arry im pacie n te — , e já r e p assa m os is so c em
vezes. E n ão é o q ue q uero d iz er, é u m fa to , D um ble d ore lh e d is se is so n o a n o
passa d o, e K in gsle y e o s r. W easle y...
Válte r D urs le y e n co lh eu o s o m bro s e n co le riz ad o, e H arry im ag in ou q ue o
tio estiv esse te n ta n do ex orc iz ar as le m bra n ças da in esp era d a vis ita de dois
bru xos a d ulto s, lo go n o in íc io d e s u as fé ria s d e v erã o . A c h eg ad a d e K in gsle y
Shack le b olt e A rth ur W easle y à p orta d a c asa fo ra u m c h oque e x tr e m am en te
desa g ra d áv el p ara o s D urs le y. C ontu do, H arry t in ha d e a d m itir q ue n ão e ra d e s e
esp era r q ue o r e ap are cim en to d o s r. W easle y, q ue n o p assa d o d em olir a m eta d e d a
sa la , d eix asse s e u t io f e liz .
— K in gsle y e o s r. W easle y e x plic ara m tu do m uito b em — s a lie n to u H arry
se m p ie d ad e. — Q uan do e u c o m ple ta r d ezesse te a n os, o f e itiç o d e p ro te ção q ue
me r e sg uard a s e d esfa rá , e i s to m e p õe e m r is c o e a v ocês t a m bém . A O rd em t e m
certe za q ue V old em ort v is a rá o s e n hor, s e ja p ara t o rtu rá -lo e d esc o brir a o nde f u i,

se ja p or p en sa r q ue, s e o f iz er r e fé m , e u t e n ta re i v ir s a lv á-lo .
O o lh ar d o tio e n co ntr o u o d e H arry . O g aro to te v e c erte za d e q ue n aq uele
in sta n te os dois esta v am se perg unta n do a m esm a co is a . Entã o , V álte r
re co m eço u a a n dar e H arry c o ntin uou:
— O se n hor p re cis a se esc o nder e a O rd em q uer aju dar, o fe re ceu u m a
só lid a p ro te ção , a m elh or q ue e x is te .
Tio V álte r n ão r e sp ondeu , c o ntin uou a a n dar p ara c á e p ara l á . L á f o ra , o s o l
batia d ia g onalm en te s o bre a c erc a d e a lf e n eir o s. N a c asa a o la d o, o c o rta d or d e
gra m a d o v iz in ho p aro u m ais u m a v ez.
— P en se i que houvesse um M in is té rio da M ag ia ! — ex cla m ou o tio
bru sc am en te .
— H á — r e sp ondeu H arry , s u rp re so .
— E ntã o , p or q ue n ão p odem n os p ro te g er? P are ce-m e q ue, c o m o v ítim as
in ocen te s, c u jo ú nic o c rim e fo i d ar g uarid a a u m h om em m arc ad o, d ev ería m os
te r d ir e ito à p ro te ção d o g overn o!
Harry riu ; n ão c o nse g uiu s e c o nte r. E ra tã o típ ic o d o s e u tio d ep osita r a s
esp era n ças n as in stitu iç õ es, m esm o a s d e u m m undo q ue e le d esp re zav a e n ão
co nfia v a.
— O s e n hor o uviu o q ue o s r. W easle y e K in gsle y d is se ra m . A ch am os q ue o
in im ig o e stá i n filtr a d o n o M in is té rio .
Tio V álte r fo i até a la re ir a e volto u, re sp ir a n do co m ta n ta fo rç a que
ondula v a o e n orm e b ig ode n eg ro , s e u r o sto a in da p úrp ura d e c o ncen tr a ção .
— M uito b em — d is se e le , p ara n do m ais u m a v ez d ia n te d o s o brin ho. —
Muito bem , vam os co nsid era r a hip óte se de que aceite m os essa pro te ção .
Contin uo s e m e n te n der p or q ue n ão p odem os r e ceb ê-la d o t a l K in gsle y.
Harry c o nse g uiu n ão e rg uer o s o lh os p ara o te to , m as a m uito c u sto . A
perg unta j á t in ha s id o r e sp ondid a m eia d úzia d e v ezes.
— C om o lh e ex pliq uei — dis se en tr e os den te s — , K in gsle y está
pro te g en do o t r o uxa, q uero d iz er, o s e u p rim eir o -m in is tr o .
— E xata m en te : e le é o m elh or! — e x cla m ou o tio , a p onta n do p ara a te la
esc u ra da te le v is ã o . O s D urs le y tin ham lo caliz ad o K in gsle y no te le jo rn al,
an dan do d is c re ta m en te à s c o sta s d o p rim eir o -m in is tr o e m v is ita a u m h osp ita l.
Is to , e o fa to de K in gsle y te r ap re n did o a se vestir co m o um tr o uxa, se m
esq uecer d a s e g ura n ça q ue tr a n sm itia c o m s u a v oz le n ta e g ra v e, tin ha le v ad o o s
Durs le y a aceita re m K in gsle y d e u m je ito q ue certa m en te n ão se ap lic ara a
nen hum o utr o b ru xo, e m bora fo sse v erd ad e q ue e le s n unca o tiv esse m v is to d e
brin co .
— E le e stá o cu pad o — d is se H arry . — M as H éstia J o nes e D éd alo D ig gle
estã o m ais d o q ue q ualif ic ad os p ara e sse s e rv iç o ...

— S e ao m en os tiv ésse m os v is to o s cu rríc u lo s d ele s... — co m eço u tio
Válte r, m as H arry p erd eu a p aciê n cia . L ev an ta n do-s e , d ir ig iu -s e a o tio , a g ora e le
pró prio a p onta n do p ara a t e le v is ã o .
— Esse s acid en te s não sã o acid en te s, as co lis õ es, ex plo sõ es,
desc arrila m en to s e o q ue m ais te n ha a co nte cid o d esd e a ú ltim a v ez q ue o s e n hor
viu o t e le jo rn al. A s p esso as e stã o d esa p are cen do e m orre n do, e é e le q ue e stá p or
tr á s d e tu do: V old em ort. J á lh e d is se is so m uita s v ezes, e le m ata tr o uxas p ara s e
div ertir. A té o s n ev oeir o s: sã o c au sa d os p or d em en ta d ore s, e se o se n hor n ão
le m bra q uem s ã o , p erg unte a o s e u f ilh o!
As m ão s d e D uda erg uera m -s e b ru sc am en te p ara co brir a p ró pria b oca.
Sen tin do o s o lh os d os p ais e d e H arry p osto s n ele , to rn ou a b aix á-la s le n ta m en te
e p erg unto u:
— T em ... m ais d aq uele s?
— M ais ? — R iu -s e H arry . — V ocê q uer d iz er m ais d o q ue o s d ois q ue n os
ata cara m ? C la ro q ue te m , te m c en te n as, ta lv ez m ilh are s a e ssa a ltu ra , u m a v ez
que s e a lim en ta m d o m ed o e d o d ese sp ero ...
— E stá b em , e stá b em — t r o vejo u V álte r D urs le y. — V ocê m e c o nven ceu ...
— E sp ero q ue s im , p orq ue q uan do e u c o m ple ta r d ezesse te a n os, to dos e le s,
os C om en sa is d a M orte , o s d em en ta d ore s e a té o s I n fe ri, q ue é c o m o c h am am os
os m orto s-v iv os e n fe itiç ad os p or u m b ru xo d as t r e v as, p oderã o e n co ntr a r v ocês e
certa m en te ata cá-lo s. E se le m bra re m da últim a vez que te n ta ra m se r m ais
rá p id os d o q ue o s b ru xos, a ch o q ue i r ã o c o nco rd ar q ue p re cis a m d e a ju da.
Houve u m b re v e s ilê n cio e m q ue o e co d is ta n te d e H ag rid d erru ban do u m a
porta d e m ad eir a d eu a im pre ssã o d e re v erb era r p elo s a n os tr a n sc o rrid os d esd e
en tã o . T ia P etú nia o lh av a p ara tio V álte r; D uda e n cara v a H arry . P or fim , o tio
perg unto u a b ru pta m en te :
— E o m eu tr a b alh o? E a e sc o la d e D uda? S uponho q ue e ssa s c o is a s n ão
te n ham i m portâ n cia p ara u m b an do d e b ru xos v ag ab undos...
— S erá q ue o s e n hor n ão c o m pre en de? — g rito u H arry . —
Ele s t o rtu ra rã o
e m ata rã o v o cês c o m o f iz e ra m c o m o s m eu s p ais !
— P ai — d is se D uda e m v oz a lta — , p ai... e u v ou c o m e sse p esso al d a
Ord em .
— D uda — co m en to u H arry — , pela prim eir a vez na vid a você está
dem onstr a n do b om s e n so .
Ele sa b ia q ue a b ata lh a e sta v a g an ha. S e D uda e stiv esse su fic ie n te m en te
ap av ora d o p ara a ceita r a a ju da d a O rd em , o s p ais o a co m pan haria m ; s e p ara re m -
se d e D uda e sta v a fo ra d e q uestã o . H arry o lh ou p ara o re ló gio d e a lç a s o bre o
co nso le d a l a re ir a .
— E le s e sta rã o a q ui d en tr o d e u ns c in co m in uto s — a n uncio u e , d ia n te d o

to ta l silê n cio dos Durs le y, sa iu da sa la . A pers p ectiv a de se se p ara r,
pro vav elm en te p ara se m pre , d os tio s e d o p rim o era alg o q ue ele co nse g uia
im ag in ar c o m a le g ria , m as, a in da a ssim , h av ia u m c erto c o nstr a n gim en to n o a r.
Que s e d iz ia a p are n te s a o f im d e d ezesse is a n os d e i n te n sa e m útu a a v ers ã o ?
De volta ao pró prio quarto , H arry m ex eu a esm o na m och ila , dep ois
em purro u u m as n ozes p ela s g ra d es d a g aio la d e E dw ig es. E la s p ro duzir a m u m
so m o co a o b ate r n o f u ndo, o nde a c o ru ja a s i g noro u.
— L ogo, lo go esta re m os in do em bora d aq ui — d is se -lh e H arry . -E ntã o
você v ai p oder v oar n ovam en te .
A c am pain ha d a p orta to co u. H arry h esito u, e m se g uid a to rn ou a sa ir d o
quarto e d esc er: e ra d em ais e sp era r q ue H éstia e D éd alo e n fre n ta sse m o s D urs le y
so zin hos.
— H arry P otte r! — e sg an iç o u-s e u m a v oz a n im ad a, n o in sta n te e m q ue e le
ab riu a p orta ; u m h om en zin ho d e c arto la lilá s f e z-lh e u m a p ro fu nda r e v erê n cia .
— U m a h onra c o m o s e m pre !
— O brig ad o, D éd alo — re sp ondeu H arry , c o nced en do u m s o rris o b re v e e
in ib id o a H éstia , a b ru xa d e cab elo s esc u ro s. — É re alm en te u m a g en tile za
fa zere m i s so ... e le s e stã o a q ui d en tr o , m eu s t io s e m eu p rim o...
— B om dia ao s pare n te s de H arry P otte r! — ex cla m ou D éd alo , fe liz ,
en tr a n do na sa la de esta r. O s D urs le y não pare cera m nad a fe liz es co m a
sa u dação ; H arry c h eg ou a p en sa r q ue m udaria m m ais u m a v ez d e id éia . D uda s e
en co lh eu j u nto à m ãe a o v er o s b ru xos.
“V ejo q ue já fiz era m a s m ala s e e stã o p ro nto s. E xcele n te ! O p la n o, c o m o
Harry d ev e te r- lh es d ito , é s im ple s” , p ro sse g uiu D éd alo , p uxan do d o c o le te u m
en orm e r e ló gio d e b ols o e c o nsu lta n do-o .
“V am os s a ir a n te s d e H arry . D ev id o a o p erig o d e s e u sa r m ag ia e m s u a c asa ,
porq ue H arry ain da é m en or d e id ad e, e is to p oderia d ar ao M in is té rio u m a
desc u lp a para pre n dê-lo , se g uir e m os de carro , dig am os, por uns dois
quilô m etr o s. E ntã o , d esa p ara ta re m os a té o lo cal s e g uro q ue e sc o lh em os p ara o s
se n hore s. Im ag in o que sa ib a dir ig ir , não ?”, perg unto u o bru xo a tio V álte r
ed ucad am en te .
— S aib a...? C la ro q ue s e i d ir ig ir m uito b em ! — r e sp ondeu e le b ru sc am en te .
— É pre cis o m uita in te lig ên cia , se n hor, m uita in te lig ên cia . E u fic aria
ab so lu ta m en te ab obalh ad o co m to dos aq uele s b otõ es e ala v an cas d e p uxar e
em purra r — d is se D éd alo . S em d úvid a, o b ru xo p en sa v a e sta r e lo gia n do V álte r
Durs le y, q ue v is iv elm en te ia p erd en do c o nfia n ça n o p la n o a c ad a p ala v ra q ue
Déd alo d iz ia .
— N em a o m en os s a b e d ir ig ir — r e sm ungou, e n tr e o s d en te s, o ndula n do o
big ode d e in dig nação , m as, p or s o rte , n em D éd alo n em H éstia p are cera m o uvi-

lo .
— V ocê, H arry — c o ntin uou D éd alo — , ir á e sp era r a q ui p or s u a g uard a.
Houve u m a p eq uen a m udan ça n os p re p ara tiv os...
— Q ue q uer d iz er? — p erg unto u H arry , su rp re so . — P en se i q ue O lh o-
Tonto v ir ia p ara f a zer c o m ig o u m a a p ara ta ção a co m pan had a, n ão ?
— In viá v el — re sp ondeu H éstia , co ncis a m en te . — O lh o-T onto lh e
ex plic ará .
Os Durs le y, que tin ham esc u ta d o tu do co m ex pre ssõ es de to ta l
in co m pre en sã o nos ro sto s, so bre ssa lta ra m -s e ao ouvir um guin ch o alto :
“ Apre sse m -s e !
” H arry c o rre u o s o lh os p ela s a la e s e d eu c o nta d e q ue a v oz s a ír a
do r e ló gio d e b ols o d e D éd alo .
— T em ra zão , e sta m os o pera n do c o m u m h orá rio a p erta d o -c o m en to u o
bru xo, a sse n tin do p ara o re ló gio e to rn an do a e n fiá -lo n o b ols o d o c o le te . —
Esta m os te n ta n do c ro nom etr a r su a sa íd a d a c asa c o m a d esa p ara ta ção d e su a
fa m ília , H arry ; a ssim , o fe itiç o s e d esfa z n o m om en to e m q ue to dos e stiv ere m
ru m an do p ara u m d estin o s e g uro . — E , v olta n do-s e p ara o s D urs le y : — E ntã o ,
esta m os c o m a s m ala s f e ita s e p ro nto s p ara p artir ?
Nen hum d ele s lh e re sp ondeu : tio V álte r ain da o lh av a esp an ta d o p ara o
volu m e n o b ols o d o c o le te d e D éd alo .
— T alv ez a g en te d ev esse e sp era r lá fo ra n o h all, D éd alo — m urm uro u
Héstia : e ra e v id en te q ue c o nsid era v a in delic ad o p erm an ecere m n a s a la e n quan to
Harry e o s D urs le y, t a lv ez à s l á g rim as, t r o cav am d esp ed id as a m oro sa s.
— N ão pre cis a — m urm uro u H arry , m as tio V álte r to rn ou qualq uer
ex plic ação d esn ecessá ria a o d iz er e m v oz a lta :
— E ntã o , a d eu s, m ole q ue. — E rg ueu o b ra ço d ir e ito p ara a p erta r a m ão d o
garo to , m as, n o ú ltim o in sta n te , p are ceu in cap az d e fa zê-lo , e sim ple sm en te
fe ch ou a m ão e c o m eço u a s a cu di- la p ara fre n te e p ara tr á s c o m o s e fo sse u m
metr ô nom o.
— P ro nto , D uzin ho? — p erg unto u tia P etú nia , v erif ic an do, a tr a p alh ad a, o
fe ch o d a b ols a d e m ão p ara e v ita r s e q uer o lh ar p ara H arry .
Duda não re sp ondeu , m as fic o u para d o ali co m a boca en tr e ab erta ,
le m bra n do l ig eir a m en te a H arry o g ig an te G ro pe.
— V am os, e n tã o — d is se o tio . E le já a lc an çara a p orta d a sa la q uan do
Duda m urm uro u:
— E u n ão e sto u e n te n den do.
— O q ue n ão e stá e n te n den do, f o fin ho? — p erg unto u tia P etú nia , e rg uen do
a c ab eça p ara o f ilh o.
Duda e ste n deu a m ão , q ue m ais p are cia u m p re su nto , e a p onto u p ara H arry .
— P or q ue e le n ão e stá v in do c o m a g en te ?

Tio V álte r e tia P etú nia c o ngela ra m o nde e sta v am , c o m o s e o f ilh o tiv esse
acab ad o d e e x pre ssa r o d ese jo d e s e r u m a b aila rin a.
— Q uê?! — e x cla m ou t io V álte r e m v oz a lta .
— P or q ue e le n ão e stá v in do t a m bém ? — r e p etiu D uda.
— O ra , e le ... e le n ão q uer — r e sp ondeu t io V álte r, v ir a n do-s e c o m u m o lh ar
fe ro z p ara o s o brin ho e a cre sc en ta n do: — V ocê n ão q uer, n ão é m esm o?
— N em p en sa r — c o nfir m ou H arry .
— V iu ? — d is se t io V álte r a o f ilh o. — A gora a n de, e sta m os i n do.
E sa iu d a sa la ; to dos o uvir a m a p orta d a fre n te a b rir , m as D uda n ão se
mex eu e , a p ós a lg uns p ouco s p asso s h esita n te s, t ia P etú nia p aro u t a m bém .
— Que fo i ag ora ? — vocif e ro u tio Válte r, re ap are cen do à porta .
Apare n te m en te , D uda lu ta v a c o m c o nceito s d em asia d o d if íc eis p ara e x pre ssa r
em pala v ra s. P assa d os vário s se g undos de um co nflito in te rio r vis iv elm en te
dolo ro so , e le p erg unto u:
— M as a o nde e le e stá i n do?
Tia P etú nia e tio V álte r se en tr e o lh ara m . E ra óbvio que D uda esta v a
ap av ora n do o s p ais . H éstia J o nes r o m peu o s ilê n cio .
— M as... c erta m en te o s e n hor s a b e a o nde e stá i n do o s e u s o brin ho, n ão ? —
perg unto u, d em onstr a n do p erp le x id ad e.
— C erta m en te que sa b em os — re tr u co u V álte r D urs le y. — E stá in do
em bora c o m u ns tip os d a s u a la ia , n ão é ? C erto , D uda, v am os p ara o c arro , v ocê
ouviu o q ue o h om em d is se , e sta m os c o m p re ssa .
Mais u m a v ez, V álte r D urs le y se d ir ig iu re so lu ta m en te à p orta d a fre n te ,
mas D uda n ão o a co m pan hou.
— I n do e m bora c o m u ns t ip os d a
nossa
l a ia ?
Héstia pare ceu ultr a ja d a. H arry já vir a essa re ação an te s: bru xos se
mostr a re m p erp le x os a o c o nsta ta r q ue o s p are n te s v iv os m ais p ró xim os t iv esse m
tã o p ouco i n te re sse n o f a m oso H arry P otte r.
— T udo b em — H arry t r a n qüiliz o u-a . — N ão f a z d if e re n ça, s in cera m en te .
— Não fa z dif e re n ça? — re p etiu Héstia , su a voz se alte an do
am eaçad ora m en te . — E ssa s p esso as n ão e n te n dem o q ue v ocê te m s o frid o? O
perig o e m q ue s e e n co ntr a ? A p osiç ão ú nic a q ue v ocê o cu pa n o c o ra ção d os q ue
milita m n o m ovim en to a n ti- V old em ort?
— A h... n ão , n ão e n te n dem — r e sp ondeu H arry . — N a v erd ad e, a ch am q ue
so u u m d esp erd íc io d e e sp aço , m as e sto u a co stu m ad o...
— E u n ão a ch o q ue v ocê s e ja u m d esp erd íc io d e e sp aço .
Se H arry n ão tiv esse v is to a b oca d o g aro to m ex er, ta lv ez n ão tiv esse
acre d ita d o. T en do vis to , en tr e ta n to , fic o u olh an do para D uda dura n te vário s
se g undos a n te s d e a ceita r, p or u m d eta lh e, q ue d ev ia te r sid o o p rim o q uem

fa la ra : s e u r o sto a v erm elh ara . E H arry e sta v a, e le p ró prio , s e m g ra ça e p asm o.
— Ã h... o brig ad o, D uda.
Novam en te , D uda p are ceu l u ta r c o m p en sa m en to s d em asia d o d if íc eis , a n te s
de m urm ura r:
— V ocê s a lv ou a m in ha v id a.
— N ão fo i b em a ssim . E ra a su a a lm a q ue o d em en ta d or q ueria ... H arry
olh ou c o m c u rio sid ad e p ara o p rim o. E le s v ir tu alm en te n ão tin ham tid o c o nta to
dura n te e ste v erã o o u o a n te rio r, p orq ue e le v olta ra à ru a d os A lf e n eir o s p or
pouco s d ia s e fic ara e m s e u q uarto a m aio r p arte d o te m po. O co rria -lh e a g ora ,
poré m , q ue a x íc ara d e c h á e m q ue p is a ra a q uela m an hã ta lv ez n ão tiv esse s id o
um a a rm ad ilh a. E m bora b asta n te c o m ovid o, s e n tiu -s e a liv ia d o a o c o nsta ta r q ue
Duda a p are n te m en te e sg ota ra s u a c ap acid ad e d e e x pre ssa r s e n tim en to s. D ep ois
de a b rir a b oca m ais u m a o u d uas v ezes, o p rim o m erg ulh ou e m ru boriz ad o
silê n cio .
Tia P etú nia ro m peu em lá g rim as. H éstia Jo nes lh e la n ço u u m o lh ar d e
ap ro vação que se tr a n sfo rm ou em re v olta quan do a m ulh er se ad ia n to u
ra p id am en te e a b ra ço u D uda e m v ez d e H arry .
— Q ue a m or, D udoca... — s o lu ço u e la e n co sta d a n o l a rg o p eito d o f ilh o — ,
q-q ue b ele za d e g -g aro to ... a g -g ra d ecen do...
— M as e le n ão a g ra d eceu ! — e x cla m ou H éstia , in dig nad a. — E le s ó d is se
que n ão a ch av a q ue H arry f o sse u m d esp erd íc io d e e sp aço !
— É , m as, v in do d e D uda, is to eq uiv ale a d iz er “eu te am o” -e x plic o u
Harry , d iv id id o en tr e a co ntr a rie d ad e e a v onta d e d e rir , q uan do tia P etú nia
co ntin uou a g arra d a a D uda c o m o s e e le tiv esse a cab ad o d e s a lv ar H arry d e u m
pré d io e m c h am as.
— E ntã o , v am os o u n ão v am os? — u rro u tio V álte r, re ap are cen do à p orta
da s a la d e e sta r. — P en se i q ue e stá v am os e m c im a d a h ora !
— C la ro ... c la ro , e sta m os — re sp ondeu D éd alo D ig gle , q ue p ara ra d ia n te
dessa tr o ca d e p ala v ra s c o m a r d e e stu pefa ção , e a g ora p are cia te r v olta d o a o
norm al. — R ealm en te p re cis a m os i r , H arry ...
O b ru xo s e a d ia n to u a o s t r o peço s e a p erto u a m ão d e H arry e n tr e a s s u as.
— ... b oa so rte . E sp ero q ue v olte m os a n os e n co ntr a r. V ocê c arre g a n os
om bro s a s e sp era n ças d o m undo b ru xo.
— A h, c erto . O brig ad o.
— A deu s, H arry — d is se H éstia , t a m bém a p erta n do s u a m ão . — O s n osso s
pen sa m en to s o a co m pan harã o .
— E sp ero q ue tu do c o rra b em — d is se H arry , la n çan do u m o lh ar a P etú nia
e D uda.
— A h, te n ho c erte za q ue v am os a cab ar n os to rn an do o s m elh ore s a m ig os

— dis se D ig gle an im ad o, acen an do co m a carto la ao sa ir da sa la . H éstia
aco m pan hou-o .
Duda s e s o lto u g en tilm en te d as g arra s d a m ãe e s e a d ia n to u p ara H arry , q ue
pre cis o u c o nte r o i m puls o d e a m eaçá-lo c o m u m f e itiç o . E ntã o , o p rim o e ste n deu
a m an zo rra r o sa d a.
— C ara m ba, D uda — d is se H arry , s o bre p ondo-s e a o s r e n ovad os s o lu ço s d e
tia P etú nia — , s e rá q ue o s d em en ta d ore s s o pra ra m p ara d en tr o d e v ocê u m a n ova
pers o nalid ad e?
— S ei l á — m urm uro u D uda. — A g en te s e v ê, H arry .
— É — re sp ondeu H arry , a p erta n do a m ão d o p rim o e sa cu din do-a . —
Quem s a b e. S e c u id a, D udão .
Duda q uase s o rriu e e m s e g uid a s a iu , d esa je ita d o, d a s a la . H arry o uviu s e u s
passo s p esa d os n a e n tr a d a d e s a ib ro , e n tã o a p orta d e u m c arro b ate u .
Tia P etú nia , c u jo ro sto e stiv era e n fia d o n o le n ço , o lh ou p ara o s la d os a o
ouvir a b atid a. P elo je ito , n ão e sp era v a s e v er s o zin ha c o m H arry . G uard an do
ap re ssa d a o l e n ço m olh ad o n o b ols o , d is se :
— B om ... a d eu s. — E d ir ig iu -s e r e so lu ta à p orta , s e m o lh ar p ara o s o brin ho.
— A deu s — r e sp ondeu H arry .
Ela p aro u e o lh ou p ara tr á s. P or u m m om en to , H arry te v e a e str a n hís sim a
se n sa ção d e q ue e la q ueria lh e d iz er a lg um a c o is a : a tia lh e la n ço u u m o lh ar
estr a n ho e tr ê m ulo que pare ceu osc ila r à beir a da fa la , en tã o , co m um
movim en to b ru sc o d a c ab eça, s a iu a p re ssa d a d a s a la p ara s e r e u nir a o m arid o e
ao f ilh o.

4
O s s e te P otte r
Harry v olto u c o rre n do a o s e u q uarto , c h eg an do a in da e m te m po d e v er o
c arro d os D urs le y se afa sta r ru a acim a. A vis to u, ain da, a carto la d e D éd alo
D ig gle e n tr e P etú nia e D uda, n o b an co t r a se ir o . O v eíc u lo v ir o u à d ir e ita , n o f im
d a ru a d os A lf e n eir o s, su as ja n ela s se a v erm elh ara m p or u m m om en to a o so l
p oen te , e , e n tã o , d esa p are ceu .
Harry ap an hou a g aio la d e E dw ig es, a F ir e b olt e a m och ila , la n ço u u m
ú ltim o o lh ar a o q uarto a n orm alm en te a rru m ad o e , e n tã o , d esc eu d esa je ita d o p ara
o h all, o nde p ouso u a g aio la , a v asso ura e a m och ila p ró xim os a o p é d a e sc ad a. A
c la rid ad e dim in uía ra p id am en te , o hall en ch ia -s e de so m bra s cre p usc u la re s.
P are cia m uito e str a n ho f ic ar p ara d o a li, n aq uele s ilê n cio , s a b en do q ue ia s a ir d e
c asa p ela ú ltim a v ez. A nos a tr á s, q uan do o s D urs le y o d eix av am s o zin ho e ia m
s e d iv ertir , a s h o ra s d e s o lid ão tin ham s e c o nstitu íd o n um p re se n te r a ro : p ara n do
a p en as p ara f u rta r a lg um a g ulo se im a d a g ela d eir a , e le c o rria e sc ad a a cim a p ara
b rin car c o m o c o m puta d or d e D uda, o u lig ar a te le v is ã o e tr o car d e c an al à
v onta d e. D av a-lh e u m e str a n ho v azio l e m bra r a q uele s t e m pos: e ra c o m o l e m bra r
u m i r m ão m ais m oço q ue t iv esse p erd id o.
— N ão q uer d ar u m a ú ltim a o lh ad a n a c asa ? — p erg unto u a E dw ig es, q ue
c o ntin uav a a b orre cid a c o m a c ab eça so b a a sa . — N unca m ais v ir e m os a q ui.
V ocê n ão q uer le m bra r o s b ons te m pos? Is to é , o lh e s ó p ara e sse c ap ach o. Q ue
r e co rd açõ es... D uda v om ito u aí d ep ois q ue o sa lv ei d os d em en ta d ore s... E le
a cab ou m e a g ra d ecen do, d á p ara a cre d ita r? ... E n o v erã o p assa d o, D um ble d ore
e n tr o u p or e ssa p orta ...
Harry p erd eu p or u m in sta n te o f io d os p en sa m en to s, m as E dw ig es n ão f e z
n ad a p ara a ju dá-lo a r e to m ar s e u d is c u rs o e c o ntin uou p ara d a n a m esm a p osiç ão .
H arry v ir o u a s c o sta s p ara a p orta d a f re n te .
— E a q ui e m baix o, E dw ig es — H arry a b riu u m a p orta s o b a e sc ad a — , é
o nde e u c o stu m av a d orm ir ! V ocê n em m e c o nhecia n a é p oca... c ara m ba, e u t in ha
e sq uecid o c o m o é a p erta d o...
Harry c o rre u o o lh ar p elo s s a p ato s e g uard a-c h uvas e m pilh ad os, l e m bra n do-
s e d e q ue a co rd av a t o da m an hã e n cara n do o “ av esso ” d os d eg ra u s d a e sc ad a, q ue
m uito fre q üen te m en te e sta v am e n fe ita d os c o m u m a o u d uas a ra n has. N aq uele
t e m po, d esc o nhecia s u a v erd ad eir a id en tid ad e, e a in da n ão d esc o brir a c o m o o s
p ais tin ham m orrid o n em a r a zão d e c o is a s tã o e str a n has s e m pre a co nte cere m a o

se u re d or. H arry a in da le m bra v a o s s o nhos q ue o p ers e g uia m , m esm o n aq uela
ép oca: so nhos c o nfu so s q ue in clu ía m c la rõ es v erd es e , u m a v ez — tio V álte r
quase b ate ra c o m o c arro q uan do l h e c o nta ra u m d ele s — , u m a m oto v oad ora ...
Um ro nco re p en tin o e e n su rd eced or e co ou p erto d ali. H arry s e e n dir e ito u
ab ru pta m en te e b ate u c o m o c o cu ru to n o p orta l b aix o. P ara n do a p en as p ara d iz er
alg uns d os p ala v rõ es m ais e n fá tic o s a p re n did os c o m o tio , s a iu c am bale an do a té
a c o zin ha c o m a s m ão s n a c ab eça e e sp io u o q uin ta l p ela j a n ela .
A e sc u rid ão p are cia e sta r o ndula n do, o a r e str e m ecia . E ntã o , u m a a u m a, a s
pesso as c o m eçara m a a p are cer in sta n ta n eam en te à m ed id a q ue s e d esfa zia m o s
Feitiç o s d a D esilu sã o . D om in an do a c en a, e le v iu H ag rid , d e c ap acete e ó cu lo s
de p ro te ção , m onta n do u m a g ig an te sc a m oto cic le ta c o m u m
sid eca r
p re to . A
to da volta , outr a s pesso as desm onta v am de vasso ura s e, em dois caso s, de
cav alo s a la d os n eg ro s e e sq uele ta is .
Abrin do c o m v io lê n cia a p orta d os fu ndos, H arry c o rre u p ara o c en tr o d o
cír c u lo . E rg ueu -s e u m g rito d e b oas-v in das e n quan to H erm io ne a b ria o s b ra ço s
para e le , R ony l h e d av a u m t a p in ha n as c o sta s e H ag rid p erg unta v a:
— T udo b em , H arry ? P ro nto p ara o b ota -fo ra ?
— C om c erte za — re sp ondeu , in clu in do to dos e m u m g ra n de s o rris o . —
Mas e u n ão e sta v a e sp era n do t a n ta g en te !
— M udan ça d e p la n os — ro sn ou O lh o-T onto , q ue se g ura v a d uas sa cas
gra n des e c h eia s e c u jo o lh o m ág ic o g ir a v a d o c éu d o a n oite cer p ara a c asa e d ali
para o j a rd im , c o m e sto nte an te r a p id ez. - V am os e n tr a r a n te s d e l h e e x plic ar t u do.
Harry c o nduziu -o s à c o zin ha o nde, r in do e t a g are la n do, e le s s e a co m odara m
em cad eir a s, se n ta ra m -s e nas re lu zen te s ban cad as da tia Petú nia ou se
en co sta ra m em se u s im acu la d os ele tr o dom éstic o s: R ony, m ag ro e co m prid o;
Herm io ne c o m o s c ab elo s b asto s p re so s à s c o sta s e m u m a lo nga tr a n ça; F re d e
Jo rg e, c o m so rris o s id ên tic o s; G ui, c h eio d e c ic atr iz es e c ab elo s lo ngos; o sr.
Weasle y, o ro sto b ondoso , o s c ab elo s ra re an do, o s ó cu lo s m eio to rto s; O lh o-
Tonto , c an sa d o d e g uerra , p ern eta , o o lh o m ág ic o a zu l g ir a n do n a ó rb ita ; T onks,
cu jo s c ab elo s c u rto s e sta v am p in ta d os n o ro sa b erra n te d e q ue ta n to g osta v a;
Lupin , m ais g ris a lh o, m ais en ru gad o; F le u r, esg uia e lin da co m se u s lo ngos
cab elo s lo uro s p la tin ad os; K in gsle y, c are ca, n eg ro , o s o m bro s la rg os; H ag rid , d e
barb a e cab elo s se m tr a to , cu rv an do-s e para não bate r a cab eça no te to ; e
Mundungo F le tc h er, fra n zin o, su jo e tr a p aceir o , c o m a q uele s o lh os c aíd os d e
basse t h ound e o s c ab elo s e m pasta d os. O c o ra ção d e H arry p are ceu c re sc er e s e
ilu m in ar a o v ê-lo s; g osta v a in criv elm en te d e to dos, a té d e M undungo, q ue e le
te n ta ra e str a n gula r d a ú ltim a v ez q ue o e n co ntr a ra .
— K in gsle y, pen se i que você estiv esse cu id an do do prim eir o -m in is tr o
tr o uxa, n ão ? — p erg unto u d o l a d o o posto d a c o zin ha.

— E le p ode p assa r s e m m im p or u m a n oite — r e sp ondeu . — V ocê é m ais
im porta n te .
— H arry , a d iv in ha? — f a lo u T onks, e m pole ir a d a s o bre a m áq uin a d e la v ar
ro upa, a cen an do o s d ed os d a m ão e sq uerd a p ara e le ; b rilh av a a li u m a a lia n ça.
— V ocê s e c aso u? — g rito u H arry , s e u o lh ar c o rre n do d a a u ro r p ara L upin .
— Q ue p en a q ue v ocê n ão p ôde a ssis tir , H arry , f o i s u perín tim o.
— G en ia l, m eu s p ara ...
— T udo b em , tu do b em , te re m os te m po d ep ois p ara p ôr a s n ovid ad es e m
dia ! — r u giu M oody, a b afa n do a a lg azarra , e f e z-s e s ilê n cio n a c o zin ha. O b ru xo
la rg ou a s s a cas j u nto a o s p és e s e v ir o u p ara H arry . — D éd alo p ro vav elm en te l h e
dis se q ue tiv em os d e a b an donar o p la n o A . P io T hic k nesse p asso u-s e p ara o
outr o la d o, o que nos cau so u um gra n de pro ble m a. D ecre to u que sã o
tr a n sg re ssõ es p unív eis c o m p ris ã o l ig ar e sta c asa à R ed e d e F lu , c ria r u m a C hav e
de P orta l, a p ara ta r o u d esa p ara ta r a q ui. T udo e m n om e d e s u a m aio r p ro te ção ,
para im ped ir q ue V ocê-S ab e-Q uem ch eg ue a v ocê. C ois a ab so lu ta m en te se m
se n tid o, u m a v ez q ue o f e itiç o d e s u a m ãe já s e e n carre g a d is so . N a r e alid ad e, o
que e le f e z f o i i m ped i- lo d e s a ir d aq ui e m s e g ura n ça.
“S eg undo p ro ble m a: v ocê é m en or d e id ad e, o q ue s ig nif ic a q ue a in da te m
um r a str e ad or.”
— N ão e sto u...
— O ra str e ad or, o ra str e ad or! — in te rro m peu -o Olh o-T onto co m
im paciê n cia . — O fe itiç o q ue d ete cta a tiv id ad es m ág ic as e m to rn o d e m en ore s
de d ezesse te a n os, e q ue p erm ite a o M in is té rio d esc o brir q uan do u m m en or f a z
uso d a m ag ia ! S e v ocê, o u a lg uém a o s e u re d or, la n çar u m fe itiç o p ara tir á -lo
daq ui, T hic k nesse s a b erá , e o s C om en sa is d a M orte t a m bém .
“N ão p odem os e sp era r o ra str e ad or c ad ucar, p orq ue, n o m om en to e m q ue
você c o m ple ta r d ezesse te a n os, p erd erá t o da a p ro te ção q ue s u a m ãe l h e d eu . E m
re su m o: P io T hic k nesse a ch a q ue o e n cu rra lo u d e v ez.”
Harry n ão p ôde s e n ão c o nco rd ar c o m o d esc o nhecid o, o t a l T hic k nesse .
— E ntã o , q ue v am os f a zer?
— V am os u sa r o s ú nic o s m eio s d e tr a n sp orte q ue n os re sta ra m , o s ú nic o s
que o r a str e ad or n ão p oderá d ete cta r, p orq ue n ão p re cis a m os la n çar f e itiç o s p ara
usa r: v asso ura s, t e str á lio s e a m oto d o H ag rid .
Harry p erc eb ia f a lh as n esse p la n o; c o ntu do, c alo u-s e p ara d ar a O lh o-T onto
a c h an ce d e c o ntin uar.
— O ra , o f e itiç o d e s u a m ãe s ó s e d esfa rá s o b d uas c o ndiç õ es: q uan do v ocê
se to rn ar m aio r o u — M oody f e z u m g esto a b ra n gen do a c o zin ha im pecáv el —
quan do d eix ar d e c h am ar e ste lu gar d e la r. H oje à n oite v ocê e se u s tio s v ão
se g uir c am in hos s e p ara d os, c o nco rd an do p le n am en te q ue j a m ais v olta rã o a v iv er

ju nto s, c erto ?
Harry a sse n tiu .
— E ntã o d esta v ez, q uan do v ocê sa ir , n ão h av erá re to rn o, e o fe itiç o se
desfa rá n o m om en to e m q ue d eix ar o â m bito d esta c asa . D ecid im os d esfa zer o
fe itiç o a n te s, p orq ue a a lte rn ativ a é e sp era r V ocê-S ab e-Q uem e n tr a r e c ap tu rá -lo
no m om en to e m q ue c o m ple ta r d ezesse te a n os.
“A ú nic a c o is a q ue te m os a n osso f a v or é q ue V ocê-S ab e-Q uem ig nora q ue
esta m os tr a n sfe rin do v ocê h oje à n oite . D eix am os v azar u m a p is ta fa ls a n o
Min is té rio : a ch am q ue v ocê v ai e sp era r a té o d ia tr in ta . A in da a ssim , e sta m os
lid an do c o m V ocê-S ab e-Q uem , p orta n to n ão p odem os c o nfia r q ue e le s e d eix e
en gan ar c o m a d ata ; c erta m en te , p or p re cau ção , te rá a lg uns C om en sa is d a M orte
patr u lh an do o c éu d esta á re a. E ntã o , e q uip am os u m as d oze c asa s d if e re n te s c o m
to da a p ro te ção q ue é p ossív el lh es d ar. T odas a p are n ta m se r a q uela e m q ue
vam os e sc o ndê-lo , to das tê m a lg um a lig ação c o m a O rd em : m in ha c asa , a d o
Kin gsle y, a d e M urie l, t ia d e M olly ... e n te n de a i d éia .”
— E nte n do — c o nfir m ou H arry , c o m p ouca s in cerid ad e, p orq ue a in da e ra
cap az d e v er u m e n orm e f u ro n esse p la n o.
— V ocê v ai p ara a c asa d os p ais d e T onks. U m a v ez d en tr o d os lim ite s d os
fe itiç o s p ro te to re s q ue la n çam os s o bre a c asa , p oderá u sa r u m a C hav e d e P orta l
para A T oca. A lg um a p erg unta ?
— A h... s im — r e sp ondeu H arry . — T alv ez e le s n ão s a ib am p ara q ual d as
doze c asa s s e g ura s e u ir e i p rim eir o , m as n ão f ic ará m eio ó bvio — e e le f e z u m a
rá p id a c o nta g em d as c ab eças — q uan do c ato rz e d e n ós v oarm os p ara a c asa d os
pais d e T onks?
— A h — d is se M oody — , m e e sq ueci d e m en cio nar o p rin cip al. O s c ato rz e
não ir ã o voar para a casa dos pais de Tonks. H av erá se te H arry Potte r
deslo can do-s e p elo c éu h oje à n oite , c ad a u m d ele s c o m u m c o m pan heir o , c ad a
par r u m an do p ara u m a c asa s e g ura d if e re n te .
De d en tr o d o casa co , M oody tir o u u m fra sc o co nte n do u m líq uid o q ue
pare cia la m a. E le n ão p re cis o u a cre sc en ta r m ais n ad a: H arry e n te n deu o r e sta n te
do p la n o i m ed ia ta m en te .
— N ão ! — e x cla m ou a lto , s u a v oz r e sso an do p ela c o zin ha. — N em p en sa r!
— E u a v is e i a e le s q ue e ssa s e ria a s u a r e ação — d is se H erm io ne c o m u m
ar i n dulg en te .
— S e v ocês a ch am q ue v ou d eix ar s e is p esso as a rris c are m a v id a...!
— ... p orq ue é a p rim eir a v ez p ara t o dos n ós — i n te rp ôs R ony.
— I s to é d if e re n te , f in gir s e r e u ...
— B om , n en hum d e n ós g osto u m uito d a id éia , H arry — d is se F re d , s é rio .
— Im ag in e se alg um a co is a d er erra d o e co ntin uarm os p ara o re sto d a v id a

re ta rd ad os, m ag ric ela s e “ o clu dos” .
Harry n ão s o rriu .
— N ão p oderã o fa zer is so s e e u n ão c o opera r, p re cis a rã o q ue e u c ed a u ns
fio s d e c ab elo .
— E ntã o , lá s e v ai o p la n o p or á g ua a b aix o — c o m en to u J o rg e. — É ó bvio
que n ão h á a m en or p ossib ilid ad e d e a rra n ja r f io s d os s e u s c ab elo s, a n ão s e r q ue
você c o la b ore .
— É , tr e ze d e n ós c o ntr a u m c ara p ro ib id o d e u sa r m ag ia ; n ão te m os a
men or c h an ce — a cre sc en to u F re d .
— E ngra çad o — d is se H arry . — R ealm en te h ilá rio .
— S e tiv erm os q ue u sa r a fo rç a, u sa re m os — ro sn ou M oody, se u o lh o
mág ic o ag ora estr e m ecen do um pouco na órb ita ao en cara r H arry co m
se v erid ad e. — T odos a q ui s ã o m aio re s d e i d ad e, P otte r, e t o dos e stã o d is p osto s a
se a rris c ar.
Mundungo sa cu diu o s o m bro s e fe z u m a c are ta ; o o lh o m ág ic o v ir o u d e
esg uelh a p elo l a d o d a c ab eça d e M oody p ara r e p re en dê-lo .
— N ão v am os c o ntin uar a d is c u tir. O te m po e stá p assa n do. Q uero a lg uns
fio s d e c ab elo s e u s, m ole q ue, a g ora .
— I s to é l o ucu ra , n ão h á n ecessid ad e...
— N ão h á n ecessid ad e! — ro sn ou M oody. — C om V ocê-S ab e-Q uem a í
fo ra e m eta d e d o M in is té rio d o la d o d ele ? P otte r, se d erm os so rte , ele te rá
en golid o a p is ta fa ls a e e sta rá p la n eja n do e m bosc ar v ocê n o d ia tr in ta , m as e le
se rá d oid o s e n ão m an tiv er u m o u d ois C om en sa is d a M orte v ig ia n do. É o q ue e u
fa ria . T alv ez e le s n ão p ossa m a tin gir v ocê n em e sta c asa e n quan to o fe itiç o d e
su a m ãe e stiv er e m v ig or, m as e stá p re ste s a c ad ucar e e le s tê m u m a id éia g era l
de s u a lo caliz ação . A n ossa ú nic a c h an ce é u sa r c h am ariz es. N em m esm o V ocê-
Sab e-Q uem é c ap az d e s e d iv id ir e m s e te .
O o lh ar d e H arry e n co ntr o u o d e H erm io ne e d esv io u-s e r a p id am en te .
— P orta n to , P otte r, u ns f io s d o s e u c ab elo , p or g en tile za. H arry o lh ou p ara
Rony, q ue f e z u m a c are ta c o m o s e d is se sse “ d á l o go”.
— A gora ! — v ocif e ro u M oody.
Com to dos o s o lh are s c o nverg in do p ara e le , H arry le v ou a m ão a o to po d a
cab eça, a g arro u u m p unhad o d e f io s e a rra n co u-o s.
— Ó tim o — d is se M oody, m an can do a té e le e p uxan do a ta m pa d o f ra sc o
de p oção . — A qui d en tr o , p or g en tile za.
Harry d eix ou c air o s fio s n o líq uid o c o r d e la m a. N o in sta n te e m q ue o
cab elo to co u a su a su perfíc ie , a poção co m eço u a esp um ar e fu m eg ar e,
in sta n ta n eam en te , s e t o rn ou l ím pid a e d oura d a.
— A h, v ocê p are ce m uito m ais g osto so q ue o C ra b be o u o G oyle , H arry —

co m en to u H erm io ne a n te s d e n ota r a s s o bra n celh as e rg uid as d e R ony e , c o ra n do
le v em en te , a cre sc en to u — , a h , v ocê e n te n deu o q ue e u q uis d iz er, a p oção d e
Goyle l e m bra v a u m b ic h o-p ap ão .
— C erto , e n tã o , o s fa ls o s P otte r a lin hem -s e d o la d o d e c á, p or fa v or —
ped iu M oody.
Rony, H erm io ne, F re d , J o rg e e F le u r s e e n file ir a ra m à fre n te d a re lu zen te
pia d e t ia P etú nia .
— F alta u m — d is se L upin .
— A qui — re sp ondeu H ag rid ris p id am en te , e , e rg uen do M undungo p elo
can gote , l a rg ou-o a o la d o d e F le u r, q ue e n ru gou o n ariz d elib era d am en te e f o i s e
posta r e n tr e F re d e J o rg e.
— E u l h e d is se q ue p re fe ria s e r g uard a — r e cla m ou M undungo.
— C ala a b oca — ro sn ou M oody. — C om o já lh e e x pliq uei, se u v erm e
in verte b ra d o, q uais q uer C om en sa is d a M orte q ue e n co ntr a rm os t e n ta rã o c ap tu ra r
Potte r, e não m atá -lo . D um ble d ore se m pre dis se que V ocê-S ab e-Q uem ir ia
quere r liq uid ar P otte r p esso alm en te . S erã o o s g uard as q ue te rã o d e s e p re o cu par
mais , o s C om en sa is d a M orte t e n ta rã o e lim in á-lo s.
Mundungo n ão p are ceu m uito tr a n qüilo , m as M oody já tin ha tir a d o d e
den tr o d a c ap a m eia d úzia d e c álic es, q ue d is tr ib uiu a p ós s e rv ir e m c ad a u m a
dose d a P oção P olis su co .
— T odos j u nto s, e n tã o ...
Rony, H erm io ne, F re d , J o rg e, F le u r e M undungo b eb era m . T odos o fe g ara m
e fiz era m care ta s quan do a poção ch eg ou à garg an ta : im ed ia ta m en te , su as
fe iç õ es co m eçara m a borb ulh ar e dis to rc er co m o cera quen te . H erm io ne e
Mundungo c re sc era m d e re p en te ; R ony, F re d e J o rg e e n co lh era m ; s e u s c ab elo s
esc u re cera m , o s d e H erm io ne e F le u r p are cera m r e en tr a r n a c ab eça.
Moody, in dif e re n te , c o m eço u a so lta r o s c o rd ões d as e n orm es sa cas q ue
tr o uxera : quan do to rn ou a se ap ru m ar, hav ia se is H arry P otte r ex cla m an do
ofe g an te s d ia n te d ele .
Fre d e J o rg e s e v ir a ra m u m p ara o o utr o e d is se ra m j u nto s:
— U au ... e sta m os i d ên tic o s!
— N ão se i, não , ach o que esto u m ais bonito — co m en to u Fre d ,
ex am in an do s e u r e fle x o n a c h ale ir a .

Bah!
— e x cla m ou F le u r, m ir a n do-s e n a p orta d o m ic ro ondas — ,
Gui,
nam o lh e p arra m im : e sta m h orre n da.
— S e a s ro upas fic are m la rg as e m v ocês, h á ta m an hos m en ore s a q ui —
dis se M oody, in dic an do a p rim eir a sa ca — , e v ic e-v ers a . N ão esq ueçam o s
ócu lo s, h á s e is p are s n o b ols o l a te ra l. E d ep ois d e s e v estir e m , a b ag ag em e stá n a
se g unda s a ca.

O v erd ad eir o H arry a ch ou q ue a q uela ta lv ez f o sse a c en a m ais b iz arra q ue
já p re se n cia ra n a v id a, e já v ir a c o is a s e x tr e m am en te e x ótic as. O bse rv ou se u s
se is d uplo s m ex ere m n a s a ca d e ro upa, tir a r tr a je s c o m ple to s, p ôr o s ó cu lo s e
guard ar a s p ró pria s c o is a s. T ev e v onta d e d e p ed ir q ue d em onstr a sse m u m p ouco
mais d e r e sp eito p or s u a in tim id ad e q uan do c o m eçara m a s e d esp ir s e m c en su ra ,
vis iv elm en te m ais à v onta d e e m d esn udar o s e u c o rp o d o q ue e sta ria m c o m o s
pró prio s c o rp os.
— E u s a b ia q ue G in a e sta v a m en tin do s o bre a q uela ta tu ag em - d is se R ony,
olh an do p ara o p ró prio p eito n u.
— H arry , a s u a v is ã o é r u im m esm o — c o m en to u H erm io ne, a o c o lo car o s
ócu lo s.
Um a v ez v estid os, o s f a ls o s H arry P otte r tir a ra m d a s e g unda s a ca m och ila s
e g aio la s d e c o ru ja , c ad a u m a c o nte n do u m a a lv ís sim a c o ru ja e m palh ad a.
— Ó tim o — ap ro vou M oody, q uan do, p or fim , o s se te H arry v estid os,
eq uip ad os c o m ó cu lo s e b ag ag em , se v ir a ra m p ara e le . — O s p are s se rã o o s
se g uin te s: M undungo i r á v ia ja r c o m ig o d e v asso ura ...
— P or q ue v ou c o m v ocê? — p ro te sto u o H arry m ais p erto d a p orta d os
fu ndos.
— P orq ue v ocê é o ú nic o q ue p re cis a d e v ig ilâ n cia — r o sn ou M oody, e , d e
fa to , se u o lh o m ág ic o n ão se d esv io u d e M undungo e n quan to c o ntin uav a — ,
Arth ur e F re d ...
— E u s o u J o rg e — d is se o g êm eo p ara q uem M oody e sta v a a p onta n do. —
Você n ão c o nse g ue n os d is tin guir n em q uan do s o m os H arry ?
— D esc u lp e, J o rg e...
— E u s ó e sto u z o an do v ocê, n a v erd ad e s o u o F re d ...
— C heg a d e b rin cad eir a s! — ro sn ou M oody. — O o utr o ... F re d o u J o rg e,
se ja l á q uem f o r, v ocê v ai c o m R em o. S rta . D ela co ur...
— V ou l e v ar F le u r e m u m t e str á lio — d is se G ui. — E la n ão g osta m uito d e
vasso ura s.
Fle u r fo i p ara ju nto d ele , la n çan do-lh e u m o lh ar a p aix onad o e se rv il q ue
Harry d ese jo u d e t o do o c o ra ção q ue j a m ais v olta sse a a p are cer e m s e u r o sto .
— Srta . G ra n ger co m K in gsle y, ta m bém em um te str á lio ... H erm io ne
pare ceu m ais tr a n qüila ao re tr ib uir o so rris o d e K in gsle y ; H arry sa b ia q ue a
am ig a t a m bém n ão s e s e n tia s e g ura e m u m a v asso ura .
— E v ocê s o bra p ara m im , R ony! — c o m en to u T onks a n im ad a, d erru ban do
um p orta -c an ecas a o a cen ar p ara e le .
Rony n ão p are ceu t ã o s a tis fe ito q uan to H erm io ne.
— E v ocê v ai c o m ig o, H arry . É is so ? — p erg unto u H ag rid , p are cen do u m
pouco a n sio so . — Ire m os d e m oto . V asso ura s e te str á lio s n ão a g üen ta m o m eu

peso , e n te n de. N ão s o bra m uito e sp aço d ep ois q ue e u m e s e n to , e n tã o v ocê ir á
no
sid eca r
.
— B ele za — d is se H arry , s e m m uita s in cerid ad e.
— A ch am os q ue o s C om en sa is d a M orte e sp era rã o q ue v ocê e ste ja v oan do
em u m a v asso ura — e x plic o u M oody, q ue p are ceu p erc eb er o q ue H arry e sta v a
se n tin do. — S nap e já te v e te m po s u fic ie n te p ara a cab ar d e in fo rm ar a e le s tu do
que s a b e s o bre v ocê, p or is so , s e to parm os c o m C om en sa is , a p osta m os q ue ir ã o
esc o lh er u m H arry q ue p are ça à v onta d e m onta n do u m a v asso ura . M uito b em ,
en tã o -c o ntin uou M oody, a m arra n do a sa ca c o m a s ro upas fa ls a s d e H arry e
sa in do p rim eir o p ara o q uin ta l. — C alc u lo q ue f a lte m tr ê s m in uto s p ara o n osso
horá rio d e p artid a. N ão a d ia n ta tr a n car a p orta d os fu ndos, n ão v ai s e g ura r o s
Com en sa is d a M orte q uan do v ie re m p ro cu ra r v ocê... V am os...
Harry c o rre u a o h all p ara a p an har su a m och ila , a F ir e b olt e a g aio la d e
Edw ig es a n te s d e s e r e u nir a o s o utr o s n o q uin ta l e sc u ro . A to da v olta , v asso ura s
sa lta ra m p ara a s m ão s d os d onos; K in gsle y já tin ha a ju dad o H erm io ne a m onta r
um g ra n de te str á lio n eg ro ; e G ui a ju dou F le u r. H ag rid e sta v a p ro nto a o la d o d a
moto , c o m o s ó cu lo s d e p ro te ção .
— É e ssa ? A m oto d e S ir iu s?
— A p ró pria — r e sp ondeu H ag rid , s o rrin do p ara H arry . — E a ú ltim a v ez
em q ue a m onto u, H arry , v ocê c ab ia e m u m a d as m in has m ão s!
Harry n ão p ôde d eix ar d e s e s e n tir u m p ouquin ho h um ilh ad o a o e m barc ar
no
sid eca r
. Is to o co lo cav a v ário s m etr o s ab aix o d os d em ais : R ony d eu u m
so rris in ho d eb och ad o a o v er o a m ig o se n ta d o a li, c o m o u m a c ria n ça e m u m
carrin ho d e p arq ue d e d iv ers õ es. H arry e m purro u a m och ila e a v asso ura p ara o
lu gar dos pés e en caix ou a gaio la de Edw ig es en tr e os jo elh os. Fic o u
ex tr e m am en te d esc o nfo rtá v el.
— A rth ur an dou fa zen do uns aju ste s — co nto u H ag rid , in dif e re n te ao
desc o nfo rto d e H arry . M onto u, e n tã o , a m oto q ue ra n geu u m p ouco e a fu ndou
alg uns c en tím etr o s n o s o lo . — A gora te m u ns b otõ es e sp ecia is n o g uid ão . E sse
aí f o i m in ha i d éia . — H ag rid a p onto u c o m o g ro sso d ed o u m b otã o r o xo j u nto a o
velo cím etr o .
— P or fa v or, te n ha cu id ad o, H ag rid — re co m en dou o sr. W easle y, q ue
esta v a p ara d o a o la d o d ele s, s e g ura n do a v asso ura . — A in da n ão te n ho c erte za
se é a co nse lh áv el, e c erta m en te s ó d ev e s e r u sa d o e m e m erg ên cia s.
— M uito b em , e n tã o — a n uncio u M oody. — T odos a p osto s, p or fa v or;
quero q ue to dos sa ia m e x ata m en te n a m esm a h ora , o u in valid am os a id éia d e
desp is ta m en to .
Todos m onta ra m a s v asso ura s.
— S eg ure -s e f ir m e a g ora , R ony — d is se T onks, e H arry v iu o a m ig o l a n çar

um o lh ar f u rtiv o e c u lp ad o a L upin a n te s d e c o lo car a s m ão s n a c in tu ra d a b ru xa.
Hag rid d eu p artid a n a m oto , q ue r o nco u c o m o u m d ra g ão e o
sid eca r
c o m eço u a
vib ra r.
— B oa s o rte a to dos! — g rito u M oody. — V ejo v ocês d en tr o d e u m a m eia
hora n ’A T oca. Q uan do e u c o nta r t r ê s. U m ... d ois ... T R ÊS.
Ouviu -s e o estr o ndo da moto , e Harry se n tiu o
sid eca r
av an çar
assu sta d ora m en te ; esta v am le v an ta n do vôo em alta velo cid ad e, se u s olh os
la crim eja v am u m p ouco , o s c ab elo s fo ra m v arrid os p ara tr á s. A su a v olta , a s
vasso ura s s u bia m ta m bém : a c au da lo nga e n eg ra d e u m te str á lio u ltr a p asso u-o .
As p ern as d o g aro to , e n ta la d as n o s id ecar p ela g aio la d e E dw ig es e a m och ila , j á
esta v am d oen do e c o m eçan do a f ic ar d orm en te s. S eu d esc o nfo rto e ra tã o g ra n de
que e le q uase s e e sq ueceu d e la n çar u m ú ltim o o lh ar a o n úm ero q uatr o d a ru a
dos A lf e n eir o s; q uan do fin alm en te o lh ou p elo la d o d o
sid eca r
, já n ão sa b ia
dis tin guir q ual e ra a c asa . E le s f o ra m s u bin do, s e m p ara r, e m d ir e ção a o c éu ...
Entã o , d e re p en te , se m n in guém sa b er d e o nde n em c o m o, e le s se v ir a m
cerc ad os. N o m ín im o u ns tr in ta v ulto s e n cap uzad os p air a v am n o a r, fo rm an do
um vasto cír c u lo no m eio do qual en tr a ra m os m em bro s da O rd em , se m
perc eb er...
Grito s, c la rõ es v erd es p ara to do la d o: H ag rid so lto u u m b erro e a m oto
vir o u d e c ab eça p ara b aix o. H arry p erd eu a n oção d e o nde e sta v am : la m piõ es d e
ru a n o a lto , b erro s à s u a v olta , e le a g arra d o a o s id ecar, c o m o s e d is so d ep en desse
su a v id a. A g aio la d e E dw ig es, a F ir e b olt e a m och ila e sc o rre g ara m d e b aix o d os
se u s j o elh os...
-N ão ...! E D W IG ES!
A v asso ura g ir o u em d ir e ção ao so lo , m as ele co nse g uiu , p or u m tr iz ,
ag arra r a a lç a d a m och ila e a g aio la q uan do a m oto v olto u à p osiç ão n orm al. U m
se g undo d e a lív io e o utr o c la rã o v erd e. A c o ru ja s o lto u u m g rito a g udo e t o m bou
no c h ão d a g aio la . — N ão ... N ÃO!
A m oto av an çav a velo z; de re la n ce, H arry viu C om en sa is da M orte
en cap uzad os s e d is p ers a re m q uan do H ag rid r o m peu o s e u c ír c u lo .
— E dw ig es...
Edw ig es
...
A c o ru ja , p oré m , c o ntin uou n o c h ão d a g aio la , im óvel e p até tic a c o m o u m
brin qued o. H arry n ão co nse g uia acre d ita r, e se n tiu u m su pre m o te rro r p elo s
co m pan heir o s. E sp io u r a p id am en te p or c im a d o o m bro e v iu u m a m assa d e g en te
se deslo can do, cla rõ es verd es, dois pare s monta d os em vasso ura s se
dis ta n cia v am , m as n ão s a b ia d iz er q uem e ra m ...
— H ag rid , te m os q ue v olta r, te m os q ue v olta r! — b erro u p ara s o bre p or a
voz ao ro nco atr o an te d o m oto r, em punhou a v arin ha, em pu rro u a g aio la d e
Edw ig es p ara o c h ão , s e r e cu sa n do a a ceita r q ue e stiv esse m orta . — H ag rid , D Ê

MEIA -V OLT A !
— M in ha o brig ação é le v ar v ocê e m s e g ura n ça, H arry ! — b erro u H ag rid ,
acele ra n do.
— P are ... P A RE! — g rito u H arry . Q uan do to rn ou a o lh ar p ara tr á s, d ois
jo rro s d e lu z v erd e p assa ra m v oan do p or s u a o re lh a e sq uerd a: q uatr o C om en sa is
da M orte tin ham deix ad o o cír c u lo e vin ham em su a pers e g uiç ão , fa zen do
ponta ria n as la rg as c o sta s d e H ag rid . O b ru xo se d esv io u, m as o s C om en sa is
em pare lh ara m c o m a m oto ; la n çara m m ais f e itiç o s c o ntr a e le s, e H arry te v e q ue
se a b aix ar p ara e v itá -lo s. T orc en do-s e p ara tr á s, o rd en ou “
Estu pefa ça
!” , e u m
ra io d e lu z v erm elh a p artiu d e s u a v arin ha, a b rin do u m a b re ch a e n tr e o s q uatr o
pers e g uid ore s, a o s e d is p ers a re m p ara e v ita r s e r a tin gid os.
— S eg ure -s e , H arry , i s so a cab ará c o m e le s — r u giu H ag rid , e H arry e rg ueu
os o lh os b em e m te m po d e v er o a m ig o m ete r o d ed o g ro sso e m u m b otã o v erd e
ao l a d o d o m ed id or d e g aso lin a.
Um a p are d e, u m a p are d e m aciç a d e tijo lo s ir ro m peu d o c an o d e e sc ap e.
Esp ic h an do o p esc o ço , H arry a v iu e x pan dir - s e n o a r. T rê s d os C om en sa is d a
Morte s e d esv ia ra m p ara e v itá -la , m as o q uarto n ão t e v e t a n ta s o rte : d esa p are ceu
e em se g uid a d esp en co u co m o u m a p ed ra p or tr á s d a p are d e, su a v asso ura
desp ed açad a. U m d os c o m pan heir o s d im in uiu a v elo cid ad e p ara s o co rrê -lo , m as
ele s e a pare d e voad ora fo ra m en golid os pela esc u rid ão quan do H ag rid se
in clin ou p or c im a d o g uid ão e a cele ro u.
Mais M ald iç õ es d a M orte la n çad as p elo s d ois C om en sa is so bre v iv en te s
voara m p elo s la d os d a c ab eça d e H arry , m ir a n do H ag rid . H arry r e sp ondeu c o m
Feitiç o s E stu pora n te s; v erm elh o e v erd e c o lid ia m n o a r p ro duzin do u m a c h uva
de fa ís c as m ultic o lo rid as, e o g aro to p en so u in te m pestiv am en te em fo gos d e
artif íc io , e nos tr o uxas lá em baix o que não fa ria m id éia do que esta v a
aco nte cen do...
— L á v am os n ós o utr a v ez, H arry , s e g ure -s e — b erro u H ag rid , a p erta n do
um s e g undo b otã o . D esta v ez s a iu u m a r e d e p elo e sc ap e, m as o s C om en sa is d a
Morte e sta v am p re p ara d os. N ão s ó s e d esv ia ra m , c o m o o q ue h av ia d esa cele ra d o
para sa lv ar o am ig o in co nsc ie n te os alc an ço u: bro to u in esp era d am en te da
esc u rid ão e a g ora tr ê s d ele s v in ham e m p ers e g uiç ão d a m oto , to dos d is p ara n do
fe itiç o s.
— I s so v ai r e so lv er, H arry , s e g ure f ir m e! — b erro u H ag rid , e o g aro to o v iu
bate r c o m a m ão e sp alm ad a n o b otã o r o xo a o l a d o d o v elo cím etr o .
Com u m u rro in co nfu ndív el, o f o go d e d ra g ão , in can desc en te e a zu l, jo rro u
pelo e sc ap e e a m oto a rra n co u c o m a v elo cid ad e d e u m a b ala p ro duzin do u m
so m m etá lic o . H arry v iu o s C om en sa is d a M orte d esa p are cere m p ara e v ita r a
tr ilh a m ortíf e ra de ch am as e ao m esm o te m po se n tiu o sid ecar sa cu dir

sin is tr a m en te : as lig açõ es m etá lic as q ue o p re n dia m à m oto ra ch ara m co m a
vio lê n cia d a a cele ra ção .
— T udo b em , H arry ! — b erro u H ag rid , e m purra d o p ara t r á s p elo í m peto d a
moto ; nin guém co ntr o la v a ag ora , e o sid ecar co m eço u a se re to rc er
vio le n ta m en te n o j a to d e a r q ue a m oto d eslo cav a.
“E sto u ale rta , H arry , n ão se p re o cu pe!” , b erro u H ag rid , e, d o b ols o d o
blu sã o , e le t ir o u o g uard a-c h uva c o r- d e-ro sa e f lo rid o.
— H ag rid ! N ão ! D eix a c o m ig o!
— R EPA RO !
Ouviu -s e u m e sta m pid o e n su rd eced or e o s id ecar s e s o lto u c o m ple ta m en te :
Harry d is p aro u p ara a fre n te , im puls io nad o p ela v elo cid ad e d a m oto , e n tã o o
sid eca r
c o m eço u a p erd er a ltu ra ...
Dese sp era d o, H arry a p onto u a v arin ha p ara o c arro e g rito u:

Win gard iu m L evio sa
!
O
sid eca r
su biu c o m o u m a ro lh a, d esg overn ad a, m as, p elo m en os, n o a r.
Seu a lív io , p oré m , d uro u a p en as s e g undos: m ais f e itiç o s p assa ra m p or e le c o m o
ra io s, o s t r ê s C om en sa is d a M orte a g ora m ais p ró xim os.
— E sto u c h eg an do, H arry ! — g rito u H ag rid d a e sc u rid ão , m as o g aro to
se n tiu o
sid eca r
re co m eçar a a fu ndar: a g ach an do-s e o m ais b aix o q ue p odia ,
ap onto u p ara o s v ulto s q ue s e a p ro xim av am e b erro u: —
Im ped im en ta
!
O f e itiç o a tin giu n o p eito o C om en sa l d o c en tr o . P or u m in sta n te , o h om em
ab riu a b su rd am en te b ra ço s e p ern as n o a r, c o m o se tiv esse b atid o c o ntr a u m a
barre ir a i n vis ív el: u m d os s e u s c o m pan heir o s q uase s e c h oco u c o m e le ...
Entã o o
sid eca r
c o m eço u d e fa to a c air e u m d os C om en sa is d is p aro u u m
fe itiç o tã o p erto d e H arry q ue ele p re cis o u se en co lh er ab aix o d a b ord a d o
sid eca r
, e p erd eu u m d en te a o b ate r c o ntr a o a sse n to ...
— E sto u i n do, H arry , e sto u i n do!
Um a m ão d esc o m unal a g arro u a s v este s d o g aro to p ela s c o sta s e g uin dou-o
para f o ra d o
sid eca r
e m m erg ulh o i r re v ers ív el; H arry p uxou p ara s i a m och ila a o
se a rra sta r p ara o a sse n to d a m oto e s e v iu s e n ta d o d e c o sta s p ara H ag rid . A o
gan hare m a ltitu de, a fa sta n do-s e d os d ois C om en sa is d a M orte r e sta n te s, o g aro to
cu sp iu o s a n gue d a b oca, e , a p onta n do a v arin ha p ara o
sid eca r
q ue c aía , g rito u:

Confr in go!
Sen tiu um a dor te rrív el co m o se lh e arra n casse m as en tr a n has quan do
Edw ig es e x plo diu ; o C om en sa l m ais p ró xim o fo i a rra n cad o d a v asso ura e s a iu
do c am po d e v is ã o d e H arry ; o c o m pan heir o r e cu ou e d esa p are ceu .
— H arry , m e d esc u lp e, m e d esc u lp e — g em eu H ag rid . — E u d ev ia te r
te n ta d o c o nse rta r o
sid eca r
... v ocê f ic o u s e m e sp aço ...
— I s to n ão é p ro ble m a, c o ntin ue v oan do! — g rito u H arry e m r e sp osta , n o

mom en to em que m ais dois C om en sa is da M orte em erg ia m da esc u rid ão e
vin ham e m s u a d ir e ção .
Quan do os fe itiç o s co rta ra m o esp aço en tr e ele s, H ag rid se desv io u e
zig uezag ueo u; H arry s a b ia q ue o a m ig o n ão o usa ria u sa r n ovam en te o b otã o d o
fo go d e d ra g ão , c o m e le s e n ta d o s e m a m en or s e g ura n ça. D is p aro u u m F eitiç o
Estu pora n te a tr á s d o o utr o c o ntr a o s p ers e g uid ore s, m al c o nse g uin do m an tê -lo s a
dis tâ n cia . D is p aro u outr o fe itiç o para detê -lo s: o C om en sa l m ais pró xim o
desv io u-s e e s e u c ap uz c aiu , e , à lu z v erm elh a d o F eitiç o E stu pora n te s e g uin te ,
Harry r e co nheceu o e str a n ho r o sto v id ra d o d e S ta n is la u S hunpik e, o L ala u ...

Exp ellia rm us
! — b erro u H arry .
— É e le , é e le , o v erd ad eir o !
O g rito d o C om en sa l e n cap uzad o c h eg ou a o s o uvid os d e H arry a p esa r d o
ro nco d a m oto : n o m om en to s e g uin te , m ais d ois p ers e g uid ore s tin ham r e cu ad o e
desa p are cid o d e v is ta .
— H arry , q ue a co nte ceu ? — b erro u H ag rid . — O nde e le s s e m ete ra m ?
— N ão s e i!
Harry , p oré m , te v e m ed o: o C om en sa l e n cap uzad o g rita ra “ é o v erd ad eir o ”;
co m o s o ubera ? C orre u o s o lh os p ela e sc u rid ão a p are n te m en te v azia e s e n tiu o
perig o. O nde e sta v am ? E le s e v ir o u n o a sse n to p ara f ic ar d e f re n te e s e a g arro u
nas c o sta s d o b lu sã o d e H ag rid .
— H ag rid , u se o f o go d o d ra g ão o utr a v ez, v am os d ar o f o ra d aq ui.
— S eg ure -s e b em , e n tã o , H arry !
Ouviu -s e u m a tr o voad a m etá lic a e e n su rd eced ora e o fo go b ra n co -a zu la d o
jo rro u d o e sc ap e: o g aro to se n tiu q ue e sta v a e sc o rre g an do p ara tr á s n o p ouco
asse n to que lh e cab ia , H ag rid fo i atir a d o para cim a dele , m al co nse g uin do
man te r a s m ão s n o g uid ão ...
— A ch o que desp is ta m os ele s, H arry , ach o que co nse g uim os! -b erro u
Hag rid .
Harry , c o ntu do, n ão s e c o nven ceu : o m ed o o e n volv ia e n quan to o lh av a à
dir e ita e à e sq uerd a, à p ro cu ra d os p ers e g uid ore s e s e g uro d e q ue v ir ia m ... P or
que te ria m re cu ad o? U m dele s ain da se g ura v a a varin ha... “
É ele , é ele , o
verd adeir o
”... t in ham e x cla m ad o l o go d ep ois q ue e le t e n ta ra d esa rm ar L ala u ...
— E sta m os q uase c h eg an do, H arry , e sta m os q uase c o nse g uin do! — g rito u
Hag rid .
Harry s e n tiu a m oto p erd er u m p ouco d e a ltitu de, e m bora a s lu zes e m te rra
ain da p are cesse m e str e la s r e m ota s.
Entã o a c ic atr iz e m s u a te sta a rd eu e m b ra sa : d ois C om en sa is a p are cera m
dos la d os d a m oto , d uas M ald iç õ es d a M orte la n çad as p or tr á s p assa ra m a
milím etr o s d o g aro to ...

Entã o H arry o v iu . V old em ort v in ha v oan do c o m o fu m aça a o v en to , s e m
vasso ura n em t e str á lio p ara s u ste n tá -lo , s e u r o sto o fíd ic o b rilh an do n a e sc u rid ão ,
se u s d ed os b ra n co s e rg uen do m ais u m a v ez a v arin ha... H ag rid s o lto u u m u rro
am ed ro nta d o e m erg ulh ou a m oto v ertic alm en te . S eg ura n do-s e c o m o s e a v id a
dep en desse d is so , H arry d is p aro u F eitiç o s E stu pora n te s a esm o p ara a n oite
vertig in osa . V iu u m c o rp o p assa r p or e le e s o ube q ue t in ha a tin gid o a lg uém , m as,
em s e g uid a, o uviu u m e sta m pid o e v iu s a ír e m fa ís c as d o m oto r; a m oto e n tr o u
em u m a e sp ir a l d esc en den te , c o m ple ta m en te d esc o ntr o la d a...
Ja to s d e lu z v erd e to rn ara m a p assa r p or ele s. H arry esta v a to ta lm en te
deso rie n ta d o: su a cic atr iz co ntin uav a a queim ar; esp ero u m orre r a qualq uer
se g undo. U m a fig ura e n cap uzad a e m u m a v asso ura v in ha a c en tím etr o s d ele , o
garo to v iu -a e rg uer o b ra ço ...
— N ÃO!
Com u m g rito d e fú ria , H ag rid se a tir o u d a m oto c o ntr a o C om en sa l d a
Morte ; p ara se u h orro r, H arry v iu o s d ois b ru xos c aír e m e d esa p are cer, se u s
peso s s o m ad os e x cessiv os p ara a v asso ura ...
Mal s e s e g ura n do n a m oto c o m o s j o elh os, H arry o uviu V old em ort g rita r:
— M eu !
Era o fim : ele não ouvia nem via onde V old em ort esta v a; de re la n ce,
perc eb eu o utr o C om en sa l d a M orte f a zer u m a c u rv a p ara s e a fa sta r d o c am in ho e
ouviu : —
Ava da...
Quan do a d or fo rç o u-o a fe ch ar o s o lh os, su a v arin ha a g iu p or v onta d e
pró pria . S en tiu -a a rra sta r s e u b ra ço c o m o u m e n orm e m ag neto , p ela s p álp eb ra s
en tr e ab erta s v iu u m j o rro d e f o go d oura d o, o uviu u m e sta lid o e u m g rito d e f ú ria .
O C om en sa l d a M orte r e sta n te u rro u; V old em ort b erro u:
— N ÃO !
De alg um m odo, H arry se d eu co nta d e q ue esta v a co m o n ariz a d ois
cen tím etr o s d o b otã o d o fo go d e d ra g ão ; so co u-o c o m a m ão liv re e a m oto
dis p aro u m ais c h am as n o a r, p re cip ita n do-s e p ara o s o lo .
— H ag rid ! — c h am ou H arry , se se g ura n do c o m fo rç a à m oto . -H ag rid ...
Accio H agrid
!
A m oto a cele ro u, p uxad a p ara a te rra . C om o ro sto a o n ív el d o g uid ão ,
Harry n ad a v ia e x ceto l u zes d is ta n te s q ue s e a p ro xim av am s e m p ara r: e le i a b ate r
e n ão h av ia n ad a q ue p udesse f a zer. A tr á s d ele , o utr o g rito ...
— S ua v a rin ha, S elw yn , m e d ê s u a v a rin ha!
Harry s e n tiu V old em ort a n te s d e v ê-lo . O lh an do d e e sg uelh a, e le d ep aro u
co m o s o lh os v erm elh os e te v e c erte za d e q ue s e ria a ú ltim a c o is a q ue v eria n a
vid a: V old em ort p re p ara n do-s e p ara a m ald iç o á-lo .
Entã o o lo rd e su m iu . H arry o lh ou p ara b aix o e v iu H ag rid d e p ern as e

bra ço s a b erto s n o c h ão : p uxou c o m f o rç a o g uid ão p ara e v ita r b ate r n ele , t a te o u à
pro cu ra d o f re io , m as, c o m u m e str o ndo d e f u ra r o s tím pan os e u m a c o lis ã o d e
fa zer o ch ão tr e m er, a m oto bate u co m gra n de im pacto em um la g uin ho
la m acen to .

5
O g u erre ir o c a íd o
— H ag rid ?
Harry lu to u para le v an ta r- s e dos destr o ço s de m eta l e co uro que o
c erc av am ; su as m ão s afu ndara m em cen tím etr o s de ág ua la m acen ta quan do
t e n to u f ic ar d e p é. N ão c o nse g uia e n te n der a o nde f o ra V old em ort, e e sp era v a, a
q ualq uer m om en to , v ê-lo d esc er d a e sc u rid ão . A lg um a c o is a q uen te e m olh ad a
e sc o rria -lh e do queix o e da te sta . E le se arra sto u para fo ra do la g uin ho e
c am bale o u a té a g ra n de m assa e sc u ra n o c h ão , q ue e ra H ag rid .
— H ag rid ? H ag rid , f a la c o m ig o... M as a m assa e sc u ra n ão s e m ex eu .
— Q uem e stá a í? É o P otte r? V ocê é H arry P otte r?
Harry n ão r e co nheceu a v oz d o h om em . E ntã o u m a m ulh er g rito u:
— E le s s o fre ra m u m a cid en te , T ed ! C aír a m n o ja rd im ! A c ab eça d e H arry
e sta v a r o dan do.
— H ag rid — r e p etiu , a b obad o, e s e u s j o elh os c ed era m . Q uan do v olto u a s i,
e sta v a d eita d o d e c o sta s n o q ue lh e p are cia m a lm ofa d as, c o m u m a s e n sa ção d e
q ueim ação n as c o ste la s e n o b ra ço d ir e ito . S eu d en te p artid o r e b ro ta ra . A c ic atr iz
n a t e sta a in da l a te ja v a.
— H ag rid ?
Harry a b riu o s o lh os e v iu q ue e sta v a d eita d o e m u m so fá , e m u m a sa la
i lu m in ad a e d esc o nhecid a. S ua m och ila e sta v a n o c h ão a u m a p eq uen a d is tâ n cia ,
m olh ad a e su ja de la m a. U m hom em lo uro , barrig udo, obse rv av a-o co m
a n sie d ad e.
— H ag rid está bem , filh o — dis se o hom em . — M in ha m ulh er está
c u id an do d ele ag ora . C om o está se se n tin do? M ais alg um a co is a q ueb ra d a?
C onse rte i s u as c o ste la s, s e u d en te e s e u b ra ço . A p ro pósito , s o u T ed , T ed T onks,
o p ai d e D ora .
Harry s e s e n to u d ep re ssa d em ais : a s lu zes p is c ara m d ia n te d os s e u s o lh os e
e le s e s e n tiu e n jo ad o e t o nto .
— V old em ort...
— T en ha calm a — d is se T ed T onks, ap oia n do a m ão n o se u o m bro e
e m purra n do-o c o ntr a a s a lm ofa d as. — V ocê a cab ou d e s o fre r u m a cid en te s é rio .
A fin al, que aco nte ceu ? A lg um a co is a en guiç o u na m oto ? A rth ur W easle y
e x ag ero u o utr a v ez, e le e s u as g erin gonças d e t r o uxas?
— N ão — re sp ondeu H arry , se n tin do a c ic atr iz la te ja r c o m o u m a fe rid a

ab erta . — C om en sa is , m onte s d ele s... f o m os p ers e g uid os...
— C om en sa is ? — in te rro m peu -o T ed . — V ocê q uer d iz er, C om en sa is d a
Morte ? P en se i q ue n ão so ubesse m q ue v ocê ia se r tr a n sfe rid o h oje à n oite ,
pen se i...
— E le s s a b ia m .
Ted T onks o lh ou p ara o t e to c o m o s e p udesse v er o c éu l á f o ra .
— O ra , e n tã o s a b em os q ue o s n osso s f e itiç o s d e p ro te ção f u ncio nam , n ão ?
Não dev eria m poder ch eg ar a novecen to s m etr o s deste lu gar em qualq uer
dir e ção .
Harry c o m pre en deu , e n tã o , p or q ue V old em ort d esa p are cera ; tin ha s id o n o
ponto e m q ue a m oto c ru zo u a b arre ir a d e f e itiç o s d a O rd em . S ua e sp era n ça e ra
que co ntin uasse m a fu ncio nar: ele im ag in ou o lo rd e a n ovecen to s m etr o s d e
altu ra , e n quan to c o nvers a v am , p ro cu ra n do u m m odo d e p en etr a r o q ue H arry
vis u aliz o u c o m o u m a i m en sa b olh a t r a n sp are n te .
O g aro to p ôs a s p ern as p ara fo ra d o s o fá ; p re cis a v a v er H ag rid c o m s e u s
pró prio s o lh os p ara a cre d ita r q ue o a m ig o c o ntin uav a v iv o. M al se le v an ta ra ,
poré m , a p orta s e a b riu e H ag rid s e e sp re m eu p or e la , o r o sto c o berto d e la m a e
sa n gue, m an can do u m p ouco , m as m ila g ro sa m en te v iv o.
— H arry !
Derru ban do duas frá g eis m esa s e um a asp id is tr a , o gig an te co briu a
dis tâ n cia q ue o s s e p ara v a e m d ois p asso s e p uxou o g aro to p ara u m a b ra ço q ue
quase p artiu s u as c o ste la s r e cém -e m en dad as.
— C ara m ba, H arry , co m o fo i q ue v ocê se sa fo u? P en se i q ue n ós d ois
está v am os f e rra d os.
— E u t a m bém . N em a cre d ito ...
Harry se c alo u: a cab av a d e n ota r a m ulh er q ue e n tr a ra n a sa la d ep ois d e
Hag rid .
— V ocê! — g rito u e le , e n fia n do a m ão n o b ols o , m as e n co ntr o u-o v azio .
— S ua v arin ha e stá a q ui, f ilh o — d is se T ed , b ate n do d e le v e e ra s e u b ra ço
co m o o bje to . — C aiu b em d o s e u la d o, e e u a r e co lh i. E e ssa c o m q uem v ocê
está g rita n do é a m in ha m ulh er.
— A h, m e... m e d esc u lp e.
Quan do a b ru xa se ad ia n to u, a se m elh an ça d a sra . T onks co m a ir m ã,
Bela tr iz , se to rn ou m en os a cen tu ad a: o c asta n ho d os se u s c ab elo s e ra su av e e
cla ro , e se u s o lh os m aio re s e m ais b ondoso s. C ontu do, e la p are ceu u m p ouco
arro gan te a o o uvir a e x cla m ação d e H arry .
— Q ue aco nte ceu co m a n ossa filh a? — p erg unto u ela . — H ag rid m e
co nto u q ue v ocês f o ra m v ítim as d e u m a e m bosc ad a; o nde e stá N in fa d ora ?
— N ão s e i — r e sp ondeu H arry . — N ão s a b em os o q ue a co nte ceu c o m m ais

nin guém .
A b ru xa e o m arid o se en tr e o lh ara m . U m a m esc la d e m ed o e cu lp a se
ap odero u d e H arry a o v er a s e x pre ssõ es e m se u s ro sto s; se a lg um d os o utr o s
tiv esse m orrid o, ele se ria o cu lp ad o, o únic o cu lp ad o. Conse n tir a que
ex ecu ta sse m o p la n o, d era -lh es f io s d e c ab elo ...
— A C hav e d e P orta l — le m bro u-s e e le , s u bita m en te . — T em os q ue v olta r
À T oca e d esc o brir... p odere m os, e n tã o , m an dar a v is á -lo s, o u... o u T onks v ir á
av is a r s e ...
— D ora fic ará b em , D rô m ed a — tr a n qüiliz o u-a T ed . — E la co nhece o
ofíc io , já e ste v e e m m uita s s itu açõ es c rític as c o m o s a u ro re s. A C hav e d e P orta l
é p or a q ui — a cre sc en to u e le p ara H arry . — D ev e p artir e m tr ê s m in uto s, se
quis e re m p eg á-la .
— Q uere m os. — H arry a p an hou a m och ila , a tir o u-a s o bre o s o m bro s. —
Eu...
Olh ou, e n tã o , p ara a s ra . T onks, q uere n do s e d esc u lp ar p elo m ed o q ue lh e
in fu ndir a e p or tu do p or q ue s e s e n tia p ro fu ndam en te re sp onsá v el, m as n ão lh e
oco rre ra m p ala v ra s q ue n ão p are cesse m v azia s e i n sin cera s.
— D ir e i a Tonks... D ora ... para av is a r, quan do ela ... obrig ad o pelo s
co nse rto s, o brig ad o p or t u do. E u...
Harry fic o u sa tis fe ito d e sa ir d a sa la e aco m pan har T ed T onks p or u m
peq uen o co rre d or que dav a acesso a um quarto . H ag rid aco m pan hou-o s,
ab aix an do-s e b em p ara e v ita r b ate r a c ab eça n a m old ura s u perio r d a p orta .
— A í e stá , f ilh o. A C hav e d e P orta l.
O s r. T onks a p onta v a p ara u m a p eq uen a e sc o va d e c ab elo s c o m o c ab o d e
pra ta q ue s e e n co ntr a v a e m c im a d a p en te ad eir a .
— O brig ad o — d is se H arry , e stic an do-s e p ara c o lo car u m d ed o n o o bje to ,
pro nto p ara p artir.
— E sp ere u m in sta n te — d is se H ag rid , o lh an do p ara o s la d os. - H arry , c ad ê
Edw ig es?
— E la ... e la f o i a tin gid a.
A p erc ep ção d a re alid ad e d esa b ou so bre ele : se n tiu -s e en verg onhad o, as
lá g rim as q ueim ara m se u s o lh os. A co ru ja se m pre fo ra su a co m pan heir a , su a
únic a e i m porta n te l ig ação c o m o m undo d a m ag ia , s e m pre q ue s e v ia o brig ad o a
re to rn ar à c asa d os D urs le y.
Hag rid e ste n deu a e n orm e m ão e d eu -lh e u m a d olo ro sa p alm ad a n as c o sta s.
— N ão f iq ue a ssim — d is se , r o uco . — N ão f iq ue a ssim . E la te v e u m a v id a
boa e l o nga.
— H ag rid ! — e x cla m ou T ed , a le rta n do-o q uan do a e sc o va s e i lu m in ou c o m
um a f o rte l u z a zu l, e H ag rid s ó t e v e t e m po p ara e n co sta r o d ed o n ela .

Sen tin do u m p uxão p or d en tr o d o u m big o c o m o se u m a n zo l in vis ív el o
arra sta sse p ara a f re n te , H arry f o i s u gad o p ara o v azio , e r o dopio u in erte , o d ed o
pre so n a C hav e d e P orta l, e n quan to e le e H ag rid e ra m a rre m essa d os p ara lo nge
da c asa d o s r. T onks. S eg undos d ep ois , o s s e u s p és b ate ra m e m s o lo f ir m e e e le
caiu d e q uatr o n o q uin ta l d ’A T oca. O uviu g rito s. A tir a n do p ara u m la d o a
esc o va q ue já n ão lu zia , H arry s e e rg ueu , u m p ouco to nto , e v iu a s ra . W easle y e
Gin a d esc ere m c o rre n do a e sc ad a d a e n tr a d a d os fu ndos e n quan to H ag rid , q ue
ta m bém d esm onta ra à c h eg ad a, l e v an ta v a-s e c o m d if ic u ld ad e d o c h ão .
— H arry ? V ocê é o H arry verd ad eir o ? Q ue aco nte ceu ? O nde estã o os
outr o s? ! — e x cla m ou a s ra . W easle y.
— C om o a ssim ? N in guém m ais v olto u? — o fe g ou H arry .
A r e sp osta e sta v a c la ra m en te e sta m pad a n o r o sto p álid o d a s ra . W easle y.
— O s C om en sa is d a M orte e sta v am à n ossa e sp era — c o nto u-lh e H arry . —
Fom os c erc ad os n o i n sta n te e m q ue l e v an ta m os v ôo... e le s s a b ia m q ue e ra h oje ...
não s e i o q ue a co nte ceu c o m o s o utr o s. Q uatr o C om en sa is v ie ra m a tr á s d e n ós,
só p udem os e sc ap ar, e n tã o V old em ort n os a lc an ço u...
Ele p erc eb ia o to m d e a u to ju stif ic ação e m s u a v oz, a s ú plic a p ara q ue e la
co m pre en desse p or q ue e le n ão s a b ia o q ue tin ha a co nte cid o c o m o s s e u s f ilh os,
mas...
— G ra ças ao s céu s v ocês estã o b em — d is se ela , p uxan do-o p ara u m
ab ra ço q ue e le n ão a ch av a m ere cer.
— V ocê n ão t e ria c o nhaq ue a í, t e ria , M olly ? — p erg unto u H ag rid u m p ouco
ab ala d o. — P ara f in s m ed ic in ais ?
A s ra . W easle y p oderia te r c o nju ra d o a b eb id a u sa n do m ag ia , m as q uan do
en tr o u, a p re ssa d a, n a c asa to rta , H arry p erc eb eu q ue e la q ueria e sc o nder o r o sto .
Vir o u, e n tã o , p ara G in a q ue re sp ondeu im ed ia ta m en te a o s e u m udo p ed id o d e
in fo rm ação .
— R ony e T onks d ev ia m te r v olta d o p rim eir o , m as p erd era m a h ora d a
Chav e d e P orta l, q ue c h eg ou s e m e le s — d is se e la , a p onta n do p ara u m a la ta d e
óle o e n fe rru ja d a a li p erto n o c h ão . — E a q uela o utr a — G in a a p onto u p ara u m
velh o t ê n is d e e sc o la — e ra a d e p ap ai e F re d , q ue d ev ia m s e r o s s e g undos. V ocê
e H ag rid e ra m o s t e rc eir o s e — c o nsu lta n do o r e ló gio — s e c o nse g uir e m , J o rg e e
Lupin d ev em c h eg ar n o p ró xim o m in uto .
A s ra . W easle y r e ap are ceu t r a zen do u m a g arra fa d e c o nhaq ue, q ue e n tr e g ou
a H ag rid . O g ig an te d esa rro lh ou-a e t o m ou a b eb id a d e u m g ole .
— M am ãe! — g rito u G in a, a p onta n do p ara u m lu gar a v ário s p asso s d e
dis tâ n cia .
Um a l u z a zu l b rilh ou n a e sc u rid ão : f o i c re sc en do e s e i n te n sif ic an do, L upin
e J o rg e a p are cera m a o s r o dopio s e , e m s e g uid a, c aír a m n o c h ão . H arry p erc eb eu

im ed ia ta m en te q ue h av ia a lg um a c o is a e rra d a: L upin v in ha c arre g an do Jo rg e,
que e sta v a i n co nsc ie n te e t in ha o r o sto e n sa n güen ta d o.
Harry c o rre u p ara o s d ois e s e g uro u a s p ern as d o r a p az. J u nto s, e le e L upin
carre g ara m J o rg e p ara d en tr o d e c asa , e d a c o zin ha p ara a s a la d e v is ita s, o nde o
deita ra m n o so fá . Q uan do a lu z d o can deeir o ilu m in ou a cab eça d ele , G in a
pre n deu a re sp ir a ção e o e stô m ag o d e H arry re v ir o u: Jo rg e p erd era u m a d as
ore lh as. O la d o de su a cab eça e o pesc o ço esta v am em pap ad os de sa n gue
esp an to sa m en te v erm elh o.
Nem b em a s ra . W easle y s e c u rv ou p ara o f ilh o, L upin s e g uro u H arry p elo
bra ço e arra sto u-o , se m m uita gen tile za, de volta à co zin ha, onde H ag rid
co ntin uav a t e n ta n do p assa r o c o rp an zil p ela p orta d os f u ndos.
— E i! — e x cla m ou H ag rid i n dig nad o. — S olte e le ! S olte o b ra ço d e H arry !
Lupin n ão l h e d eu a te n ção .
— Q ue cria tu ra esta v a em u m can to n a p rim eir a v ez q ue H arry P otte r
vis ito u o m eu e sc ritó rio e m H ogw arts ? — p erg unto u e le , d an do u m a s a cu did ela
no g aro to . — R esp onda!
— U m ... u m
grin dylo w
e m u m t a n que, n ão e ra ?
Lupin s o lto u H arry e r e cu ou d e e n co ntr o a o a rm ário d a c o zin ha.
— Q ue f o i i s so ? — r u giu H ag rid .
— D esc u lp e, H arry , m as e u p re cis a v a v erif ic ar — d is se L upin te n so . —
Fom os tr a íd os. V old em ort sa b ia q ue ía m os tr a n sfe rir v ocê h oje à n oite , e as
únic as p esso as q ue p oderia m te r- lh e c o nta d o e sta v am p artic ip an do d ir e ta m en te
do p la n o. V ocê p oderia s e r u m i m posto r.
— E ntã o , p or q ue n ão e stá m e te sta n do? — a rq uejo u H ag rid , a in da lu ta n do
para p assa r p ela p orta .
— V ocê é m eio gig an te — re sp ondeu L upin , erg uen do os olh os para
Hag rid . — A P oção P olis su co f o i c o nceb id a a p en as p ara u so h um an o.
— N in guém d a O rd em c o nto u a V old em ort q ue ia se r h oje -d is se H arry :
ach av a a i d éia m ed onha d em ais p ara a tr ib uí- la a q ualq uer d ele s. — V old em ort s ó
me a lc an ço u q uase n o f im , n ão s a b ia q ual e ra o H arry . S e e stiv esse p or d en tr o d o
pla n o, t e ria s a b id o d esd e o i n íc io q ue e u e sta v a c o m H ag rid .
— Vold em ort o alc an ço u? — perg unto u Lupin bru sc am en te . -Q ue
aco nte ceu ? C om o f o i q ue v ocê e sc ap ou?
Harry e x plic o u b re v em en te q ue o s C om en sa is d a M orte q ue v ie ra m e m s e u
en calç o p are cera m r e co nhecer q ue e le e ra o v erd ad eir o . D ep ois , a b an donara m a
pers e g uiç ão e f o ra m a v is a r V old em ort, q ue a p are ceu p ouco a n te s d e e le e H ag rid
ch eg are m a o s a n tu ário d a c asa d os p ais d e T onks.
— E le s r e co nhecera m v ocê? M as c o m o? Q ue f o i q ue v ocê f e z?
— E u... — H arry te n to u le m bra r- s e ; a v ia g em to da p are cia -lh e u m b orrã o

de p ân ic o e c o nfu sã o . — E u v i L ala u S hunpik e... s a b e o c o nduto r d o N ôitib us? E
te n te i d esa rm á-lo e m v ez d e... b em , e le n ão s a b e o q ue f a z, n ão é ? D ev e e sta r s o b
o e fe ito d e u m a M ald iç ão I m periu s.
Lupin s e h orro riz o u.
— H arry , o te m po d e d esa rm ar a lg uém já a cab ou! E ssa g en te e stá te n ta n do
cap tu ra r v ocê p ara m atá -lo ! P elo m en os e stu pore , se n ão e stá p re p ara d o p ara
mata r!
— E stá v am os à gra n de altitu de! L ala u não esta v a norm al, e se fo sse
estu pora d o te ria c aíd o e m orrid o c o m o s e e u tiv esse u sa d o o
Ava da K ed avra
! O
Exp ellia rm us
m e s a lv ou d e V old em ort d ois a n os a tr á s — a cre sc en to u H arry , e m
to m d e d esa fio . L upin e sta v a lh e le m bra n do o d esd en hoso Z acaria s S m ith d a
Lufa -L ufa , que deb och ara de H arry por te r querid o en sin ar a A rm ad a de
Dum ble d ore a d esa rm ar.
— É v erd ad e, H arry — d is se L upin , c o nte n do-s e a c u sto . — E u m g ra n de
núm ero d e C om en sa is d a M orte p re se n cia ra m o a co nte cid o. P erd oe-m e, m as f o i
um a tá tic a m uito in só lita p ara a lg uém u sa r s o b im in en te r is c o d e v id a. R ep eti- la
hoje à n oite , d ia n te d e C om en sa is d a M orte , q ue o u p re se n cia ra m o u o uvir a m
co nta r s o bre a q uela p rim eir a o casiã o , f o i q uase s u ic íd io !
— E ntã o v ocê a ch a q ue e u d ev ia te r m ata d o L ala u S hunpik e? -in dag ou
Harry e n ra iv ecid o.
— C la ro q ue n ão , m as o s C om en sa is , e fra n cam en te a m aio r p arte d as
pesso as, e sp era ria m q ue v ocê c o ntr a -a ta casse .
Exp ellia rm us
é u m fe itiç o ú til,
Harry , m as o s C om en sa is d a M orte c o m eçam a a ch ar q ue t e m a s u a a ssin atu ra , e
in sis to q ue v ocê n ão d eix e i s so s e c o nfir m ar!
Lupin esta v a fa zen do H arry se se n tir id io ta , co ntu do, ain da re sta v a no
garo to c erta v onta d e d e d esa fia r.
— N ão v ou e lim in ar a s p esso as s ó p orq ue e stã o n o m eu c am in ho. E sse é o
ofíc io d e V old em ort.
A re sp osta d e L upin s e p erd eu . T en do fin alm en te c o nse g uid o s e e sp re m er
pela p orta , H ag rid c am bale o u a té u m a c ad eir a , q ue d esa b ou s o b s e u p eso . S em
dar a te n ção a o s se u s x in gam en to s e p ed id os d e d esc u lp as, H arry to rn ou a se
dir ig ir a L upin .
— J o rg e v ai f ic ar b om ?
Toda a f ru str a ção d e L upin c o m r e la ção a H arry p are ceu s e e sg ota r a o o uvir
a p erg unta .
— A ch o q ue s im , e m bora n ão h aja p ossib ilid ad e d e s e re co m por a o re lh a,
não q uan do f o i d ecep ad a c o m u m f e itiç o .
Ouvir a m p asso s d o la d o d e fo ra . L upin p re cip ito u-s e p ara a p orta ; H arry
pulo u p or c im a d as p ern as d e H ag rid e c o rre u p ara o q uin ta l.

Dois v ulto s tin ham s e m ate ria liz ad o a li, e a o c o rre r a o s e u e n co ntr o , H arry
perc eb eu que era m H erm io ne, ag ora re to m an do su a ap arê n cia norm al, e
Kin gsle y, a m bos a g arra d os a u m c ab id e d e c asa co s, a m assa d o. H erm io ne a tir o u-
se n os b ra ço s d e H arry , m as K in gsle y n ão d em onstr o u p ra zer a lg um a o v ê-lo s.
Por c im a d o o m bro d e H erm io ne, H arry o v iu e rg uer a v arin ha e a p ontá -la p ara o
peito d e L upin .
— Q uais f o ra m a s ú ltim as p ala v ra s d e A lv o D um ble d ore p ara n ós d ois ?
— “H arry é a m elh or esp era n ça q ue te m os. C onfie n ele ” — re sp ondeu
Lupin c alm am en te .
Kin gsle y a p onto u a v arin ha p ara H arry , m as L upin d is se :
— É e le m esm o, j á v erif iq uei.
— T udo b em , tu do b em ! — c o nclu iu K in gsle y, g uard an do a v arin ha s o b a
cap a. — M as a lg uém n os t r a iu ! E le s s a b ia m , s a b ia m q ue e ra h oje à n oite !
— É o q ue p are ce — r e p lic o u L upin — , m as a p are n te m en te n ão s a b ia m q ue
hav eria s e te H arry s.
— G ra n de c o nso lo ! — r o sn ou K in gsle y — Q uem m ais v olto u?
— S ó H arry , H ag rid , J o rg e e e u . H erm io ne a b afo u u m g em id o c o m a m ão .
— Q ue a co nte ceu c o m v ocê? — L upin p erg unto u a K in gsle y.
— F ui s e g uid o p or c in co , fe ri d ois , ta lv ez te n ha m ata d o u m -e n um ero u o
au ro r. — E v im os V ocê-S ab e-Q uem , e le s e j u nto u a o s C om en sa is m ais o u m en os
no m eio d a p ers e g uiç ão , m as d esa p are ceu e m s e g uid a. R em o, e le é c ap az d e...
— V oar — c o m ple to u H arry . — E u o v i ta m bém , v eio a tr á s d e m im e
Hag rid .
— E ntã o f o i p or i s so q ue s u m iu : p ara s e g uir v ocê! — c o nclu iu K in gsle y. —
Não c o nse g ui e n te n der p or q ue tin ha d esis tid o. M as o q ue o le v ou a m udar d e
alv o?
— H arry f o i b ondoso d em ais c o m L ala u S hunpik e — d is se L upin .
— L ala u ? — r e p etiu H erm io ne. — P en se i q ue e le e sta v a e m A zk ab an , n ão ?
Kin gsle y d eu u m a r is a d a s e m g ra ça.
— O bvia m en te , H erm io ne, h ouve u m a fu ga e m m assa q ue o M in is té rio
ab afo u. O c ap uz d e T ra v ers c aiu q uan do e u o a m ald iç o ei, e le d ev eria e sta r p re so
ta m bém . M as q ue a co nte ceu c o m v ocê, R em o? O nde e stá J o rg e?
— P erd eu u m a o re lh a — i n fo rm ou-o L upin .
— P erd eu u m a...? — r e p etiu H erm io ne c o m a v oz e sg an iç ad a.
— O bra d e S nap e — d is se L upin .

Snape
? — g rito u H arry . — V ocê n ão d is se ...
— E le p erd eu o c ap uz d ura n te a p ers e g uiç ão . O
Sectu m se m pra
s e m pre fo i
um a esp ecia lid ad e d e S nap e. E u g osta ria d e p oder d iz er q u e lh e p ag uei n a
mesm a m oed a, m as p ude a p en as m an te r J o rg e m onta d o n a v asso ura d ep ois q ue

fo i f e rid o, e sta v a p erd en do m uito s a n gue.
O s ilê n cio s e a b ate u s o bre o s q uatr o a o e rg uere m o s o lh os p ara o c éu . N ão
hav ia sin al de m ovim en to ; as estr e la s re tr ib uír a m se u olh ar, se m pis c ar,
in dif e re n te s, s e m s o m bra d e a m ig os e m v ôo. O nde e sta v a R ony? O nde e sta v am
Fre d e o sr. W easle y ? O nde esta v am G ui, Fle u r, Tonks, O lh o-T onto e
Mundungo?
— H arry , m e a ju da a q ui! — c h am ou H ag rid , r o uco , d a p orta n a q ual t o rn ara
a s e e n ta la r. F eliz d e te r o q ue fa zer, H arry e m purro u-o e d ep ois a tr a v esso u a
co zin ha p ara v olta r à s a la d e v is ita s, o nde a s ra . W easle y e G in a a in da c u id av am
de J o rg e. A s ra . W easle y e sta n cara a h em orra g ia e , à l u z d o c an deeir o , H arry v iu
um b ura co a b erto o nde a n te s h av ia u m a o re lh a.
— C om o e stá e le ?
A s ra . W easle y s e v ir o u p ara r e sp onder:
— N ão p osso r e co m por u m a o re lh a q ue f o i d ecep ad a p or A rte s d as T re v as.
Mas p oderia t e r s id o m uito p io r... e le e stá v iv o.
— G ra ças a D eu s — d is se H arry .
— O uvi a v oz d e m ais a lg uém n o q uin ta l? — p erg unto u G in a.
— H erm io ne e K in gsle y.
— F eliz m en te — su ssu rro u G in a. O s d ois se en tr e o lh ara m ; H arry te v e
vonta d e d e a b ra çá-la , n ão la rg á-la m ais ; n em s e im porta v a q ue a s ra . W easle y
estiv esse p re se n te , m as, a n te s q ue p udesse d ar v azão a e sse i m puls o , o uvir a m u m
gra n de e str o ndo n a c o zin ha.
— V ou p ro var q uem s o u, K in gsle y, d ep ois q ue v ir o m eu f ilh o, a g ora s a ia
da f re n te s e s a b e o q ue é b om p ara v ocê!
Harry n unca o uvir a o s r. W easle y g rita r a ssim . O b ru xo ir ro m peu n a s a la , a
care ca b rilh an do d e su or, o s ó cu lo s to rto s, F re d e m se u s c alc an hare s, o s d ois
pálid os e i le so s.
— A rth ur! — s o lu ço u a s ra . W easle y. — G ra ças a o s c éu s!
— C om o é q ue e le e stá ?
O s r. W easle y a jo elh ou-s e a o la d o d e J o rg e. P ela p rim eir a v ez d esd e q ue
Harry o co nhecia , F re d p are cia n ão sa b er o q ue d iz er. D e p é, atr á s d o so fá ,
olh av a b oquia b erto p ara o f e rim en to d o ir m ão g êm eo c o m o s e n ão c o nse g uis se
acre d ita r n o q ue v ia .
Desp erta d o ta lv ez p elo b aru lh o d a ch eg ad a d e F re d e d o p ai, Jo rg e se
mex eu .
— C om o e stá s e s e n tin do, J o rg in ho? — s u ssu rro u a s ra . W easle y. O r a p az
le v ou o s d ed os a o l a d o d a c ab eça.
— M ouco — m urm uro u.
— Q ue é que ele te m ? — perg unto u F re d lu gubre m en te , co m um ar

ate rro riz ad o. — A p erd a a fe to u o c ére b ro d ele ?
— M ouco — re p etiu J o rg e, a b rin do o s o lh os e e rg uen do-o s p ara o ir m ão .
— E nte n de... S urd o e o co , F re d , s a co u?
A s ra . W easle y s o lu ço u m ais f o rte q ue n unca. A c o r in undou o r o sto p álid o
de F re d .
— P até tic o — re sp ondeu F re d a o ir m ão . — P até tic o ! C om u m m undo d e
pia d as s o bre o uvid os p ara e sc o lh er, v ocê m e s a i c o m “ m ouco ”?
— A h, b em — d is se J o rg e, s o rrin do p ara a m ãe d eb ulh ad a e m lá g rim as. —
Agora v ocê v ai p oder d is tin guir q uem é q uem , m am ãe.
Ele o lh ou p ara o s l a d os.
— O i H arry ... v ocê é o H arry , c erto ?
— S ou — r e sp ondeu H arry , a p ro xim an do-s e d o s o fá .
— B om , p elo m en os v ocê v olto u in te ir o — c o m en to u Jo rg e. — P or q ue
Rony e G ui n ão e stã o r o dean do o m eu l e ito d e e n fe rm o?
— A in da n ão v olta ra m , J o rg e — d is se a s ra . W easle y. O s o rris o d e J o rg e
desa p are ceu . H arry o lh ou p ara G in a e fe z sin al p ara q ue o a co m pan hasse a o
quin ta l. A o p assa re m p ela c o zin ha, a g aro ta c o m en to u e m v oz b aix a:
— R ony e T onks j á d ev ia m t e r v olta d o. A v ia g em n ão e ra d em ora d a; a c asa
de t ia M urie l n ão é t ã o l o nge d aq ui.
Harry n ão r e sp ondeu . D esd e q ue c h eg ara A T oca tin ha p ro cu ra d o a fa sta r o
med o, m as a g ora o s e n tim en to o e n volv eu , p are ceu d esliz ar p or s u a p ele , v ib ra r
em s e u p eito , o bstr u ir s u a g arg an ta . Q uan do d esc era m o s d eg ra u s p ara o q uin ta l
esc u ro , G in a s e g uro u s u a m ão .
Kin gsle y e sta v a d an do g ra n des p assa d as p ara lá e p ara c á, o lh an do p ara o
céu c ad a v ez q ue c o m ple ta v a u m a v olta . H arry s e le m bro u d o tio V álte r f a zen do
o m esm o n a sa la d e e sta r, h á m ilh ões d e a n os. H ag rid , H erm io ne e L upin se
ach av am p ara d os, o m bro a o m bro , c o nte m pla n do o c éu e m silê n cio . N en hum
dele s s e v ir o u q uan do H arry e G in a s e u nir a m à s u a m uda v ig ília .
Os m in uto s se p ro lo ngara m c o m o se fo sse m a n os. O m ais le v e so pro d e
ven to o s s o bre ssa lta v a e o s fa zia v ir a r p ara o a rb usto o u á rv ore q ue fa rfa lh av a,
na e sp era n ça d e q ue a lg um m em bro d a O rd em , a in da a u se n te , s a lta sse ile so d a
fo lh ag em ...
Entã o u m a v asso ura se m ate ria liz o u d ir e ta m en te so bre e le s, e , c o m o u m
ra io , f o i e m d ir e ção a o c h ão ...
— S ão e le s! — g rito u H erm io ne.
Tonks fe z u m a lo nga d erra p ag em q ue le v an to u te rra e p ed ra s p ara to do
la d o.
— R em o! — g rito u e la a o d esc er e n to rp ecid a d a v asso ura p ara o s b ra ço s d e
Lupin . O ro sto d o m arid o e sta v a s é rio e p álid o: p are cia in cap az d e fa la r. R ony

desm onto u t o nto e s a iu a o s t r o peço s a o e n co ntr o d e H arry e H erm io ne.
— V ocê e stá b em — m urm uro u e le , a n te s d e H erm io ne s e p re cip ita r p ara
ele e a b ra çá-lo c o m f o rç a.
— P en se i... p en se i...
— T ô i n te ir o — d is se R ony, d an do-lh e p alm ad in has n as c o sta s. - T ô i n te ir o .
— R ony f o i o m áx im o — c o m en to u T onks c alo ro sa m en te , s o lta n do L upin .
— F an tá stic o . E stu poro u u m d os C om en sa is d a M orte d ir e to n a c ab eça, e o lh a
que q uan do s e e stá m ir a n do u m a lv o m óvel m onta d o e m u m a v asso ura ...
— V ocê f e z i s so ? — p erg unto u H erm io ne, o lh an do p ara R ony a in da c o m o s
bra ço s e m s e u p esc o ço .
— Sem pre o to m de su rp re sa — dis se o garo to se desv en cilh an do,
ra b ugen to . — S om os o s ú ltim os a c h eg ar?
— N ão — d is se G in a — , a in da e sta m os e sp era n do G ui e F le u r e O lh o-
Tonto e M undungo. V ou a v is a r m am ãe e p ap ai d e q ue v ocê e stá b em , R ony...
Ela c o rre u p ara d en tr o d e c asa .
— E ntã o , q ual f o i a r a zão d o a tr a so ? Q ue a co nte ceu ? — L upin p erg unto u a
Tonks q uase z an gad o.
— B ela tr iz — r e sp ondeu e la . — M e q uer t a n to q uan to q uer o H arry , R em o,
fe z tu do p ara m e m ata r. E u g osta ria d e tê -la acerta d o, fiq uei d ev en do. M as,
defin itiv am en te , fe rim os R odolf o ... en tã o ch eg am os à casa da tia de R ony,
Murie l, o nde p erd em os a n ossa C hav e d e P orta l, e e la f ic o u n os p ap aric an do...
Um m úsc u lo tr e m ia n o q ueix o d e L upin . E le a sse n tiu , m as p are cia in cap az
de d iz er q ualq uer o utr a c o is a .
— E q ue a co nte ceu c o m v ocês? — p erg unto u T onks, v ir a n do-s e p ara H arry ,
Herm io ne e K in gsle y.
Ele s co nta ra m o q ue aco nte cera em su as jo rn ad as, m as to do o te m po a
au sê n cia c o ntin uad a d e G ui, F le u r, O lh o-T onto e M undungo p are cia r e co bri- lo s
co m o g elo , a f ria ld ad e a c ad a m om en to m ais d if íc il d e i g nora r.
— V ou te r q ue v olta r à re sid ên cia d o p rim eir o -m in is tr o . Já d ev eria te r
ch eg ad o l á h á u m a h ora — d is se K in gsle y p or f im , a p ós e sq uad rin har o c éu u m a
últim a v ez. — A vis e m q uan do e le s c h eg are m .
Lupin asse n tiu . C om u m acen o p ara o s d em ais , K in gsle y se afa sto u n o
esc u ro e m d ir e ção a o p ortã o . H arry p en so u te r o uvid o u m le v ís sim o e sta lid o
quan do K in gsle y d esa p ara to u p ouco a lé m d o p erím etr o d ’A T oca.
O s r. e a s ra . W easle y d esc era m c o rre n do o s d eg ra u s d os fu ndos, s e g uid os
por G in a, e a b ra çara m R ony a n te s d e f a la re m c o m L upin e T onks.
— O brig ad a — d is se a s ra . W easle y — , p elo s n osso s f ilh os.
— N ão s e ja b oba, M olly — p ro te sto u T onks n a m esm a h ora .
— C om o e stá J o rg e? — p erg unto u L upin .

— Q ue a co nte ceu c o m e le ? — e sg an iç o u-s e R ony.
— P erd eu ...
O f in al d a f ra se d a s ra . W easle y, p oré m , f o i a b afa d o p or u m a g rita ria g era l:
um t e str á lio a cab ara d e s u rg ir n o c éu e a te rris sa r a p ouca d is tâ n cia d o g ru po. G ui
e F le u r d esc era m d o a n im al, d esc ab ela d os p elo v en to , m as i le so s.
— G ui! G ra ças a D eu s, g ra ças a D eu s...
A s ra . W easle y s e a d ia n to u p ara o c asa l, m as o a b ra ço q ue G ui l h e c o nced eu
fo i s u perfic ia l. O lh an do d ir e ta m en te p ara o p ai, c o m unic o u:
— O lh o-T onto m orre u .
Nin guém fa lo u, n in guém s e m ex eu . H arry s e n tiu q ue a lg um a c o is a d en tr o
dele e sta v a c ain do, a tr a v essa n do a t e rra , d eix an do-o p ara s e m pre .
— V im os aco nte cer — co ntin uou G ui; F le u r co nfir m ou co m a cab eça,
lá g rim as b rilh an te s e sc o rre n do p or s u as fa ces à c la rid ad e d a ja n ela d a c o zin ha.
— F oi lo go d ep ois q ue ro m pem os o c erc o : O lh o-T onto e D unga e sta v am p erto
de n ós, ru m an do ta m bém p ara o n orte . V old em ort, q ue é c ap az d e v oar, p artiu
dir e to para cim a dele s. D unga en tr o u em pân ic o , ouvi- o grita r, O lh o-T onto
te n to u fa zê-lo p ara r, m as ele d esa p ara to u. A m ald iç ão d e V old em ort atin giu
Olh o-T onto e m c h eio n o ro sto , e le c aiu d a v asso ura e ... n ad a p udem os fa zer,
nad a, h av ia m eia d úzia d ele s n os p ers e g uin do... A v oz d e G ui q ueb ro u.
— C la ro que você não poderia te r fe ito nad a — dis se L upin . Todos
para ra m , s e e n tr e o lh an do. H arry n ão c o nse g uia a b so rv er.
Olh o-T onto m orto ; n ão p odia s e r... O lh o-T onto , tã o r e sis te n te , tã o c o ra jo so ,
um p erfe ito s o bre v iv en te ...
Por fim , a s p esso as c o m eçara m a c o m pre en der, e m bora n in guém fa la sse ,
que n ão h av ia m ais ra zão p ara c o ntin uar a g uard an do n o q uin ta l e , e m s ilê n cio ,
ele s a co m pan hara m o s r. e a s ra . W easle y d e v olta à c asa e à s a la d e v is ita s, o nde
Fre d e J o rg e r ia m j u nto s.
— Q ue aco nte ceu ? — perg unto u F re d , ven do os ro sto s das pesso as à
med id a q ue e n tr a v am . — Q ue a co nte ceu ? Q uem ...?
— O lh o-T onto — d is se o s r. W easle y. — M orto .
As ris a d as dos gêm eo s se tr a n sfo rm ara m em care ta s de so bre ssa lto .
Nin guém p are cia s a b er o q ue fa zer. T onks c h ora v a s ile n cio sa m en te , le v an do o
le n ço a o r o sto : H arry s a b ia q ue e la f o ra m uito c h eg ad a a O lh o-T onto , s u a a lu na
fa v orita e p ro te g id a n o M in is té rio d a M ag ia . H ag rid , q ue s e s e n ta ra n o c h ão , a
um c an to m ais e sp aço so , e n xugav a o s o lh os c o m u m le n ço d o ta m an ho d e u m a
to alh a d e m esa .
Gui fo i a o a p ara d or e a p an hou u m a g arra fa d e u ís q ue d e fo go e a lg uns
co pos.
— P eg uem — d is se e le e , c o m u m a cen o d a v arin ha, la n ço u n o a r d oze

co pos c h eio s, u m p ara c ad a p esso a, m an te n do o d écim o te rc eir o n o a r. — A
Olh o-T onto .
— A O lh o-T onto — d is se ra m t o dos, e b eb era m .
— A O lh o-T onto — s e cu ndou H ag rid , a tr a sa d o c o m u m s o lu ço .
O u ís q ue d e f o go q ueim ou a g arg an ta d e H arry : d eu a im pre ssã o d e in stila r
se n tim en to , d is sip ar a in se n sib ilid ad e e a s e n sa ção d e ir re alid ad e, d esp erta r n ele
alg o s e m elh an te à c o ra g em .
— E ntã o M undungo d esa p are ceu ? — d is se L upin , q ue b eb era t o do o u ís q ue
de u m g ole .
Houve um a m udan ça in sta n tâ n ea na atm osfe ra . Todos pare cera m se
te n sio nar e o bse rv ar L upin , d an do a H arry a i m pre ssã o d e q ue d ese ja v am q ue e le
co ntin uasse a f a la r e , a o m esm o t e m po, r e ceav am o q ue p oderia m o uvir.
— S ei o que está pen sa n do — dis se G ui — , e m e oco rre u o m esm o
pen sa m en to q uan do esta v a v olta n do p ara cá, p orq ue ele s p are cia m esta r n os
esp era n do, n ão é ? M as M undungo n ão p oderia te r n os tr a íd o. E le s n ão s a b ia m
que h av eria se te H arry s, is to o s c o nfu ndiu n o in sta n te e m q ue a p are cem os, e ,
caso te n ham e sq uecid o, f o i M undungo q ue s u geriu e sse p eq uen o a rd il. P or q ue
om itir ia e sse p onto e sse n cia l p ara o s C om en sa is ? A ch o q ue D unga e n tr o u e m
pân ic o , f o i s ó . P rim eir o n ão q ueria ir , m as O lh o-T onto o o brig ou, e V ocê-S ab e-
Quem in vestiu d ir e to c o ntr a o s d ois : is to é su fic ie n te p ara fa zer q ualq uer u m
en tr a r e m p ân ic o .
— V ocê-S ab e-Q uem ag iu ex ata m en te co m o O lh o-T onto p re v iu — d is se
Tonks, f u ngan do. — O lh o-T onto d is se q ue e le c alc u la ria q ue o v erd ad eir o H arry
esta ria c o m o s a u ro re s m ais f o rte s e c ap azes. P ers e g uiu , p rim eir o , O lh o-T onto , e ,
quan do M undungo o s d en uncio u, v ir o u-s e p ara K in gsle y...

É, tu de stá m uite b em
— re tr u co u F le u r — ,
mes in de n am e xxp liq ue
co m e s a bie m q u’ ia m os tr ra nsfe rrir A rry h oje à n oite . A lg uém fo i d esc u id ade.
Alg uém d eix o u s c a par o d ate p rra u m s tr ra nhe. É a u niq ue e xp lic a ço n p rra e le s
co nhecerre m a d ata m as n am o p la ne t o de
.
Ela o lh ou s é ria p ara to dos, o s f ile te s d e lá g rim as a in da v is ív eis e m s e u b elo
ro sto , d esa fia n do s ile n cio sa m en te q ue a lg uém a c o ntr a d is se sse . N in guém o fe z.
O ú nic o s o m a ro m per o s ilê n cio fo i a to sse d e H ag rid , a b afa d a p or s e u le n ço .
Harry o lh ou p ara o g ig an te , q ue acab ara d e arris c ar a v id a p ara sa lv á-lo —
Hag rid a q uem e le a m av a, e m q uem c o nfia v a, q ue n o p assa d o tin ha c aíd o e m
um a e sp arre la e d ad o a V old em ort u m a in fo rm ação c rític a e m tr o ca d e u m o vo
de d ra g ão ...
— N ão — d is se H arry e m v oz a lta , e to dos o lh ara m p ara e le s u rp re so s: o
uís q ue d e fo go a p are n te m en te a m plif ic ara s u a v oz. — Q uero d iz er... s e a lg uém
erro u — c o ntin uou H arry — e d eix ou e sc ap ar a lg um a c o is a , s e i q ue n ão e rro u

por m al. N ão é c u lp a d ele — r e p etiu o utr a v ez, u m p ouco m ais a lto d o q ue te ria
norm alm en te f a la d o. — T em os q ue c o nfia r u ns n os o utr o s. E u c o nfio e m to dos
vocês, a ch o q ue n en hum d os p re se n te s n esta s a la m e v en deria a V old em ort.
Às s u as p ala v ra s, s e g uiu -s e m ais s ilê n cio . T odos o lh av am p ara e le ; H arry
se n tiu -s e u m p ouco m ais a calo ra d o e b eb eu u m p ouco m ais d e u ís q ue d e fo go
para se o cu par. A o b eb er, p en so u e m O lh o-T onto . O a u ro r se m pre ir o niz ara a
dis p osiç ão d e D um ble d ore p ara c o nfia r n as p esso as.
— M uito b em f a la d o, H arry — d is se F re d , i n esp era d am en te .
— É , a p oia d o, a p oia d o — e m en dou J o rg e, c o m u m m eio r e la n ce p ara F re d ,
cu jo c an to d a b oca tr e m eu . L upin tin ha u m a e str a n ha e x pre ssã o n o r o sto q uan do
olh ou p ara H arry : b eir a v a a p ie d ad e.
— V ocê a ch a q ue s o u t o lo ? — p erg unto u-lh e H arry .
— N ão , a ch o q ue v ocê é ig ual a o T ia g o — re sp ondeu L upin — , q ue te ria
co nsid era d o a m aio r d eso nra d esc o nfia r d os a m ig os.
Harry s a b ia a q ue L upin e sta v a s e re fe rin do: q ue s e u p ai fo ra tr a íd o p elo
am ig o P ed ro P ettig re w . S en tiu -s e ir ra cio nalm en te ir rita d o. Q ueria d is c u tir , m as
Lupin lh e d eu a s c o sta s, d esc an so u o c o po e m u m a m esin ha la te ra l e s e d ir ig iu a
Gui.
— T em os t r a b alh o a f a zer. P osso p erg unta r a K in gsle y s e ...
— N ão — G ui o i n te rro m peu . — E u f a re i, e u i r e i.
— A onde e stã o i n do? — p erg unta ra m T onks e F le u r a o m esm o t e m po.
— O c o rp o d e O lh o-T onto — e x plic o u L upin . — P re cis a m os r e sg atá -lo .
— N ão p odem ... — c o m eço u a s ra . W easle y, la n çan do u m o lh ar s u plic an te
a G ui.
— E sp era r? — p erg unto u G ui. — N ão , a n ão s e r q ue a s e n hora p re fir a q ue
os C om en sa is d a M orte o l e v em .
Todos s e c ala ra m . L upin e G ui s e d esp ed ir a m e s a ír a m .
Os q ue t in ham f ic ad o a g ora s e s e n ta ra m , t o dos e x ceto H arry , q ue c o ntin uou
de p é. A re p en tin id ad e e c o m ple tu de d a m orte d om in av a a a tm osfe ra d a sa la
co m o u m a p re se n ça.
— E u te n ho que ir ta m bém — an uncio u H arry . D ez pare s de olh os
assu sta d os o o lh ara m .
— N ão s e ja t o lo , H arry — d is se a s ra . W easle y. — Q ue e stá d iz en do?
— N ão p osso f ic ar a q ui.
Ele e sfre g ou a te sta : v olta ra a fo rm ig ar; n ão d oía a ssim h av ia m ais d e u m
an o.
— T odos v ocês c o rre m p erig o e n quan to e u e stiv er a q ui. N ão q uero ...
— M as n ão se ja to lo ! — p ro te sto u a sra . W easle y. — A ra zão d o q ue
fiz em os hoje à noite fo i tr a zê-lo para cá em se g ura n ça e, gra ças ao s céu s,

co nse g uim os. Fle u r co nco rd ou em casa r aq ui, em vez de na Fra n ça, já
pro vid en cia m os t u do p ara q ue p ossa m os f ic ar j u nto s e c u id ar d e v ocê...
Ela n ão c o m pre en dia ; e sta v a f a zen do H arry s e s e n tir p io r e n ão m elh or.
— S e V old em ort d esc o brir q ue e sto u a q ui...
— M as p or q ue d esc o brir ia ? — p erg unto u a s ra . W easle y.
— H á o utr o s d oze lu gare s o nde v ocê p oderia e sta r a g ora , H arry - le m bro u o
sr. W easle y. — E le n ão t e m c o m o s a b er p ara q ual d as c asa s p ro te g id as v ocê f o i.
— N ão é c o m ig o q ue e sto u p re o cu pad o! — c o ntr a p ôs o g aro to .
— N ós s a b em os — r e p lic o u o s r. W easle y e m v oz c alm a. — M as, s e v ocê
fo r e m bora , te re m os a se n sa ção d e q ue o s n osso s e sfo rç o s d esta n oite fo ra m
in úte is .
— V ocê n ão v ai a lu gar n en hu m — ro sn ou H ag rid . — C ara m ba, H arry ,
dep ois d e t u do q ue p assa m os p ara t r a zer v ocê p ara c á?
— É , e a m in ha o re lh a s a n gre n ta ? — a cre sc en to u J o rg e, e rg uen do-s e n as
alm ofa d as.
— S ei q ue...
— O lh o-T onto n ão i r ia q uere r i s so ...
— E U S E I! — b erro u H arry .
Ele s e s e n tiu p re ssio nad o e c h an ta g ead o: s e rá q ue p en sa v am q ue i g nora v a o
que t in ham f e ito p or e le , n ão c o m pre en dia m q ue e ssa e ra e x ata m en te a r a zão p or
que q ueria p artir , a n te s q ue so fre sse m m ais p or su a c au sa ? H ouve u m lo ngo
silê n cio d e c o nstr a n gim en to , e m q ue s u a c ic atr iz c o ntin uou a f o rm ig ar e a l a te ja r,
e q ue f o i, p or f im , r o m pid o p ela s ra . W easle y.
— O nde e stá E dw ig es, H arry ? — p erg unto u e la , q uere n do a g ra d á-lo . —
Podem os c o lo cá-la c o m P ic h itin ho e l h e d ar a lg um a c o is a p ara c o m er.
As en tr a n has dele se co ntr a ír a m co m o um punho. N ão podia co nta r a
verd ad e. B eb eu o r e sto d o u ís q ue d e f o go p ara e v ita r r e sp onder.
— E sp ere a té e sp alh are m q ue v ocê c o nse g uiu n ovam en te , H arry — d is se
Hag rid . — E sc ap ou d ele , o r e p eliu q uan do e sta v a e m c im a d e v ocê!
— N ão fu i e u — n eg ou H arry c ate g oric am en te . — F oi a m in ha v arin ha.
Min ha v arin ha a g iu s o zin ha.
Passa d os a lg uns m om en to s, H erm io ne a rg um en to u g en tilm en te :
— M as is so é im possív el, H arry . V ocê q uer d iz er q ue u so u a m ag ia se m
quere r; r e ag iu i n stin tiv am en te .
— N ão — r e sp ondeu H arry . — A m oto e sta v a c ain do, e u n ão s a b eria d iz er
onde e sta v a V old em ort, m as a m in ha v arin ha r o dou a m in ha m ão , lo caliz o u-o e
dis p aro u u m f e itiç o , e n ão f o i u m f e itiç o q ue e u c o nhecesse . N unca f iz a p are cer
la b are d as d oura d as a n te s.
— M uita s v ezes — d is se o s r. W easle y — , q uan do o b ru xo e stá e m u m a

situ ação crític a, é p ossív el ele p ro duzir fe itiç o s co m q ue n unca so nhou. Is so
aco nte ce m uita s v ezes c o m a s c ria n ças, a n te s d e t e re m e stu dad o...
— N ão fo i a ssim — re tr u co u H arry c o m o s d en te s c erra d os. S ua c ic atr iz
esta v a queim an do: ele se n tia ra iv a e fru str a ção ; odia v a a id éia de que o
im ag in asse m d ota d o d e u m p oder e q uip ará v el a o d e V old em ort.
Todos se c ala ra m . H arry sa b ia q ue n ão e sta v am a cre d ita n do n ele . A gora ,
poré m , lh e o co rria q ue n unca o uvir a f a la r d e u m a v arin ha q ue f iz esse g esto s d e
mag ia p or c o nta p ró pria .
Sua c ic atr iz q ueim av a b arb ara m en te : só h av ia u m a c o is a q ue p odia fa zer
para n ão g em er a lto . M urm ura n do q ue i a t o m ar a r f re sc o , p ouso u o c o po n a m esa
e s a iu d a s a la .
Ao a tr a v essa r o q uin ta l e sc u ro , o g ra n de te str á lio o ssu do e rg ueu a c ab eça,
moveu as en orm es asa s d e m orc eg o, d ep ois co ntin uou a p asta r. H arry p aro u
dia n te d o p ortã o q ue ab ria p ara o ja rd im e se p ôs a co nte m pla r as p la n ta s
ex cessiv am en te cre sc id as, esfre g an do a te sta la te ja n te e pen sa n do em
Dum ble d ore .
Dum ble d ore te ria acre d ita d o, dis so ele tin ha certe za. D um ble d ore te ria
sa b id o co m o e por que su a varin ha ag ir a se m que a co m an dasse , porq ue
Dum ble d ore s e m pre t in ha a s r e sp osta s; c o nhecia t u do s o bre v arin has, e x plic ara a
Harry a e str a n ha lig ação q ue e x is tia e n tr e a s u a v arin ha e a d e V old em ort... m as
Dum ble d ore , ta l co m o O lh o-T onto , co m o S ir iu s, co m o se u s p ais , co m o su a
pobre c o ru ja , t o dos t in ham p artid o p ara u m l u gar e m q ue H arry n ão p oderia m ais
fa la r c o m e le s. S en tiu , e n tã o , u m a a rd ên cia n a g arg an ta q ue n ão tin ha q ualq uer
re la ção c o m o u ís q ue d e f o go.
E, s e m s a b er c o m o, a d or e m s u a c ic atr iz a tin giu o a u ge. A o a p erta r a t e sta e
fe ch ar o s o lh os, u m a v oz g rito u e m s u a c ab eça.
— V o cê m e d is se q ue o p ro ble m a s e r e so lv eria u sa ndo a v a rin ha d e o utr o
bru xo !
E e m s u a m en te ir ro m peu a v is ã o d e u m v elh o e m acia d o, c o berto d e tr a p os
so bre um pis o de ped ra , grita n do, um grito lo ngo e te rrív el, um grito de
in su portá v el a g onia ...
— N ão ! N ão ! E u l h e s u plic o , e u l h e s u plic o ...
— V ocê m en tiu p ara L ord V old em ort, O liv ara s!
— N ão m en ti... J u ro q ue n ão ...
— V ocê q uis a ju dar P otte r, a ju dá-lo a e sc ap ar d e m im !
— J u ro q ue n ão ... A cre d ite i q ue u m a v arin ha d if e re n te f u ncio naria ...
— E xpliq ue e n tã o o q ue a co nte ceu . A v arin ha d e L úcio f o i d estr u íd a!
— N ão co nsig o en te n der... a lig ação ... ex is te ap en as... en tr e as duas
varin has...

— M en tir a s!
— P or f a v or... e u l h e s u plic o ...
E H arry v iu a m ão b ra n ca e rg uer a v arin ha e se n tiu a ra iv a m alig na d e
Vold em ort, v iu o f rá g il v elh o n o c h ão s e c o nto rc er d e a g onia ...
— H arry ?
A v is ã o te rm in ou tã o d ep re ssa q uan to su rg ir a : H arry fic o u tr e m en do n o
esc u ro , a g arra d o a o p ortã o d o ja rd im , o c o ra ção d is p ara d o, a c ic atr iz c o çan do.
Deco rre ra m v ário s s e g undos a té e le p erc eb er q ue R ony e H erm io ne e sta v am a o
se u l a d o.
— H arry , v olte p ara d en tr o d e c asa — s u ssu rro u H erm io ne. — V ocê n ão
está p en sa n do e m i r e m bora m esm o, e stá ?
— É , v ocê t e m q ue f ic ar, c ara — d is se R ony, b ate n do e m s u as c o sta s.
— V ocê e stá p assa n do b em ? — p erg unto u H erm io ne, a g ora s u fic ie n te m en te
perto p ara v er o r o sto d e H arry . — E stá c o m u m a c ara h orrív el!
— B em — re sp ondeu H arry , tr ê m ulo — , p ro vav elm en te e sto u c o m u m a
cara m elh or d o q ue O liv ara s...
Quan do e le te rm in ou d e c o nta r o q ue v ir a , R ony d em onstr a v a e sp an to , m as
Herm io ne e sta v a a te rro riz ad a.
— I s so d ev ia te r a cab ad o! A s u a c ic atr iz ... n ão d ev ia m ais f a zer is so ! V ocê
não p ode d eix ar e ssa lig ação re ab rir : D um ble d ore q ueria q ue v ocê fe ch asse a
men te !
Ao v er q ue o a m ig o n ão r e sp ondia , e la o a g arro u p elo b ra ço .
— H arry , e le e stá d om in an do o M in is té rio , o s jo rn ais e m eta d e d o m undo
bru xo! N ão d eix e q ue e le s e i n filtr e t a m bém e m s u a m en te !

6
O v am pir o d e p ij a m a
O ch oque de perd er O lh o-T onto pair o u so bre a casa nos dia s que se
s e g uir a m ; H arry c o ntin uou n a e x pecta tiv a d e v ê-lo e n tr a r m an can do p ela p orta
d os fu ndos, co m o os dem ais m em bro s da O rd em que ia m e vin ham para
t r a n sm itir notíc ia s. Ele se n tiu que nad a, a não se r a ação , aliv ia ria se u s
s e n tim en to s d e c u lp a e p esa r, e q ue d ev eria p artir e m m is sã o p ara e n co ntr a r e
d estr u ir a s H orc ru xes, a ssim q ue p ossív el.
— B em , v ocê n ão p ode fa zer n ad a a re sp eito d as... — R ony e n uncio u a
p ala v ra
Horc ru xes
— até fa zer dezesse te an os. A in da te m o ra str e ad or. E
p odem os p la n eja r a q ui tã o b em q uan to e m q ualq uer o utr o lu gar, n ão ? O u — a
v oz d ele v ir o u u m s u ssu rro — j á t e m i d éia d e o nde e stã o a s v ocê-s a b e-o -q uê?
— N ão — a d m itiu H arry .
— A ch o q ue a H erm io ne t e m f e ito u m as p esq uis a s. E la m e d is se q ue e sta v a
g uard an do o s r e su lta d os p ara q uan do v ocê c h eg asse .
Os d ois e sta v am s e n ta d os à m esa d o c afé d a m an hã; o s r. W easle y e G ui
t in ham acab ad o d e sa ir p ara o tr a b alh o, a sra . W easle y su bir a p ara aco rd ar
H erm io ne e G in a, e F le u r f o ra t o m ar b an ho.
— O r a str e ad or p erd erá a v alid ad e n o d ia t r in ta e u m — d is se H arry . — I s to
s ig nif ic a q ue s ó p re cis o f ic ar a q ui m ais q uatr o d ia s. D ep ois e u p osso ...
— C in co d ia s — R ony c o rrig iu -o c o m f ir m eza. — T em os q ue f ic ar p ara o
c asa m en to . E le s n os m ata rã o s e n ão e stiv erm os a q ui.
Harry e n te n deu q ue o “ ele s” s e r e fe ria a F le u r e a s ra . W easle y.
— É s ó m ais u m d ia — d is se R ony, q uan do H arry p are ceu s e r e b ela r.
— S erá q ue n ão c o m pre en dem c o m o é i m porta n te ...?
— C la ro q ue n ão — r e sp ondeu R ony. — N ão f a zem a m en or i d éia . E a g ora
q ue v ocê t o co u n esse a ssu nto , e u q ueria m esm o e sc la re cer u m as c o is a s.
Rony o lh ou p ara a p orta q ue a b ria p ara o c o rre d or a v er s e a s ra . W easle y j á
e sta v a v olta n do, d ep ois s e c u rv ou p ara H arry .
— M am ãe este v e te n ta n do ex tr a ir in fo rm açõ es d e H erm io ne e d e m im :
v am os v ia ja r p ara o q uê. V ocê se rá o p ró xim o, p orta n to p re p are -s e . P ap ai e
L upin ta m bém p erg unta ra m , m as, q uan do r e sp ondem os q ue a r e co m en dação d e
D um ble d ore f o i p ara v ocê n ão c o m en ta r c o m n in guém e x ceto n ós d ois , e le s n ão
i n sis tir a m . M as a m am ãe, n ão . E la é d ecid id a.
As p re v is õ es d e R ony se c o nfir m ara m a lg um as h ora s m ais ta rd e. P ouco

an te s d o alm oço , a sra . W easle y afa sto u H arry d os o utr o s, p ed in do-lh e p ara
id en tif ic ar u m p é d e m eia se m p ar q ue ta lv ez tiv esse c aíd o d a m och ila d ele .
Assim q ue o e n cu rra lo u n a d esp en sa m ín im a a o l a d o d a c o zin ha, e la c o m eço u:
— R ony e H erm io ne e stã o a ch an do q ue v ocês tr ê s v ão d eix ar H ogw arts —
co m eço u e la e m u m t o m l e v e e i n fo rm al.
— A h — r e sp ondeu H arry . — A h, é . V am os.
O p ar a p are ceu s o zin ho n o c an to , s a in do d e u m c o le te q ue p are cia s e r d o s r.
Weasle y.
— P osso p erg unta r
por q ue
v ocês v ão a b an donar s u a e d ucação ?
— B em , D um ble d ore m e d eix ou... u m as c o is a s p ara fa zer — m urm uro u
Harry . — R ony e H erm io ne s a b em d is so , e q uere m v ir c o m ig o.
— Q ue t ip o d e “ co is a s” ?
— D esc u lp e, m as n ão p osso ...
— O ra , f ra n cam en te , a ch o q ue A rth ur e e u t e m os o d ir e ito d e s a b er, e t e n ho
certe za d e q ue o s r. e a s ra . G ra n ger c o nco rd aria m c o m ig o! — re tr u co u a s ra .
Weasle y. H arry re ceara a estr a té g ia dos “p ais pre o cu pad os” . F ez fo rç a para
en cara r a se n hora nos olh os, re p ara n do, ao fa zer is so , que ele s tin ham
ex ata m en te o m esm o to m d e c asta n ho d os d e G in a. Is so n ão a ju dou n em u m
pouco .
— D um ble d ore n ão q ueria q ue m ais n in guém s o ubesse . S in to m uito . R ony
e H erm io ne n ão t ê m q ue v ia ja r c o m ig o, f o i a o pção q ue f iz era m ...
— T am bém n ão v ejo p or q ue
vo cê
p re cis a i r ! — r e to rq uiu e la , a b an donan do
to do o f in gim en to . — V ocês m al a tin gir a m a m aio rid ad e, o s tr ê s! É u m a b su rd o,
se D um ble d ore p re cis a v a q ue fiz esse m a lg um s e rv iç o p ara e le , tin ha a O rd em
in te ir a à d is p osiç ão ! H arry , v ocê d ev e te r en te n did o m al. P ro vav elm en te ele
esta v a f a la n do d e a lg um a c o is a q ue q ueria q ue
alg uém
f iz esse , e v ocê e n te n deu
que s e r e fe ria a
vo cê
...
— N ão e n te n di m al — r e sp ondeu H arry r e so lu to . — O a lg uém e ra e u . E le
dev olv eu à sra . W easle y o p é d e m eia esta m pad o co m ju nco s d oura d os q ue
su posta m en te d ev eria i d en tif ic ar.
— N ão é m in ha, e u n ão t o rç o p elo P uddle m ere U nite d .
— A h, cla ro que não — dis se a bru xa, co m um re to rn o re p en tin o e
en erv an te ao se u to m in fo rm al. — E u d ev ia te r m e le m bra d o. E ntã o , H arry ,
en quan to e stiv er a q ui c o nosc o , n ão ir á se im porta r d e a ju dar n os p re p ara tiv os
para o c asa m en to d e G ui e F le u r, n ão é ? A in da f a lta f a zer t a n ta c o is a !
— N ão ... eu ... cla ro q ue n ão — re sp ondeu H arry , d esc o ncerta d o co m a
sú bita m udan ça d e a ssu nto .
— V ocê é m uito g en til. — E la o a p ro vou, s o rrin do, e s a iu d a d esp en sa .
Daq uele m om en to em dia n te , a sra . W easle y m an te v e H arry , R ony e

Herm io ne tã o o cu pad os co m o s p re p ara tiv os p ara o casa m en to q ue m al lh es
so bra v a te m po p ara p en sa r. A e x plic ação m ais c arid osa p ara ta l a titu de s e ria a
vonta d e de dis tr a í- lo s para não pen sa re m em O lh o-T onto e nos te rro re s da
re cen te v ia g em . D ep ois d e d ois d ia s lim pan do ta lh ere s s e m p ara r, c o m bin an do,
por c o r, p re se n tin hos p ara o s c o nvid ad os, f ita s e f lo re s, d esg nom iz an do o ja rd im
e a ju dan do a s ra . W easle y a c o zin har e n orm es ta b ule ir o s d e p etis c o s, n o e n ta n to ,
Harry c o m eço u a s u sp eita r q ue e la t iv esse u m m otiv o d iv ers o . T odos o s s e rv iç o s
que d is tr ib uía p are cia m m an te r R ony, H erm io ne e e le a fa sta d os u m d o o utr o ;
Harry n ão tiv era o portu nid ad e d e fa la r a s ó s c o m o s a m ig os d esd e a p rim eir a
noite , q uan do l h es c o nta ra q ue V old em ort e sta v a t o rtu ra n do O liv ara s.
— A ch o q ue m am ãe p en sa q ue, s e im ped ir v ocês tr ê s d e s e r e u nir e m p ara
fa zer pla n os, poderá ad ia r a su a partid a — m urm uro u G in a para H arry , na
te rc eir a n oite , q uan do p unham a m esa p ara o j a n ta r.
— E q ue é q ue e la a ch a q ue v ai a co nte cer? — p erg unto u H arry n o m esm o
to m d e v oz. — Q ue ta lv ez o u tr a p esso a liq uid e V old em ort e n quan to e la n os
se g ura a q ui p re p ara n do
vo l- a u-v en ts
?
Ele f a la ra s e m p en sa r e n oto u q ue o r o sto d e G in a f ic ara l ív id o.
— E ntã o é v erd ad e? É i s so q ue v ão t e n ta r f a zer?
— E u... n ão ... e u e sta v a b rin can do — r e sp ondeu H arry , f u gin do à p erg unta .
Os d ois s e e n cara ra m , e h av ia a lg o m ais d o q ue u m a f o rte c o m oção n o r o sto
de G in a. S ubita m en te , H arry p erc eb eu q ue e ra a p rim eir a v ez q ue fic av a a s ó s
co m e la , d esd e a s h ora s ro ubad as e m lu gare s is o la d os d e H ogw arts . E te v e a
certe za d e q ue G in a ta m bém e sta v a s e le m bra n do d aq uele s m om en to s. O s d ois
se s o bre ssa lta ra m q uan do a p orta a b riu e o s r. W easle y, K in gsle y e G ui e n tr a ra m .
Agora , era fre q üen te o utr o s m em bro s d a O rd em v ir e m ja n ta r, p orq ue A
Toca s u bstitu ír a o la rg o G rim mau ld n º 1 2 c o m o q uarte l- g en era l. O s r. W easle y
ex plic ara q ue, d ep ois d a m orte d e D um ble d ore , q ue e ra o fie l d o s e g re d o, c ad a
um a d as p esso as a q uem e le c o nfia ra a lo caliz ação d a c asa s e to rn ara , p or s u a
vez, u m f ie l d o s e g re d o.
— E c o m o s o m os u ns v in te , is so d ilu i m uito o p oder d o F eitiç o F id eliu s. A
possib ilid ad e d e o s C om en sa is d a M orte e x tr a ír e m o s e g re d o d e u m d ele s é v in te
vezes m aio r. N ão p odem os e sp era r q ue o s e g re d o s e ja m an tid o p or m uito m ais
te m po.
— M as, c o m c erte za, a e ssa a ltu ra , S nap e já te rá in fo rm ad o a o s C om en sa is
o e n dere ço , n ão ? — p erg unto u H arry .
— B em , O lh o-T onto pre p aro u alg uns fe itiç o s co ntr a Snap e, caso ele
volta sse a a p are cer p or lá . T em os e sp era n ça d e q ue s e ja m s u fic ie n te m en te f o rte s
para m an tê -lo a d is tâ n cia e a m arra r s u a lín gua, s e te n ta r f a la r s o bre a c asa , m as
não p odem os e sta r se g uro s. T eria sid o lo ucu ra c o ntin uar a u sa r o lo cal c o m o

quarte l- g en era l, a g ora q ue s u a p ro te ção s e t o rn ou t ã o p re cária .
A c o zin ha e sta v a tã o a p in had a n aq uela n oite q ue to rn av a d if íc il o u so d e
garfo s e f a cas. H arry s e v iu e sp re m id o a o l a d o d e G in a; a s p ala v ra s n ão d ita s q ue
os d ois h av ia m tr o cad o o fe z d ese ja r q ue e stiv esse m s e p ara d os p or m ais g en te .
Ele f a zia ta n to e sfo rç o p ara n ão r o çar n o b ra ço d ela q ue m al c o nse g uia c o rta r a
galin ha n o p ró prio p ra to .
— A lg um a n otíc ia s o bre O lh o-T onto ? — H arry p erg unto u a G ui.
— N ão — f o i a r e sp osta .
Não h av ia m r e aliz ad o u m f u nera l p ara O lh o-T onto p orq ue G ui e L upin n ão
co nse g uir a m r e sg ata r o c o rp o. F ora d if íc il d ete rm in ar o nde p oderia t e r c aíd o, p or
cau sa d a e sc u rid ão e d a c o nfu sã o d a b ata lh a.
— O
Pro fe ta D iá rio
n ão d is se u m a p ala v ra s o bre a m orte d ele n em s o bre a s
busc as p elo c o rp o — c o ntin uou G ui. — M as is so n ão q uer d iz er n ad a. O jo rn al
te m o m itid o m uita n otíc ia u ltim am en te .
— E o M in is té rio , ain da n ão co nvoco u u m a au diê n cia p ara av erig uar a
mag ia q ue u se i a in da m en or d e id ad e p ara e sc ap ar d os C om en sa is d a M orte ? —
Harry p erg unto u a o s r. W easle y, q ue, d o o utr o l a d o d a m esa , s a cu diu a c ab eça e m
re sp osta . — P orq ue s a b e q ue n ão tiv e e sc o lh a o u p orq ue n ão q uer q ue e u c o nte
ao m undo i n te ir o q ue V old em ort m e a ta co u?
— A ch o q ue a s e g unda h ip óte se . S crim geo ur n ão q uer a d m itir q ue V ocê-
Sab e-Q uem te m ta n to p oder q uan to e le , n em q ue h ouve u m a f u ga e m m assa e m
Azk ab an .
— É , para que in fo rm ar ao públic o a verd ad e? — pro te sto u H arry ,
ag arra n do a fa ca c o m ta n ta fo rç a q ue a s le v es c ic atr iz es n o d ors o d e s u a m ão
dir e ita s e d esta cara m , b ra n cas, n a p ele :
Não d evo c o nta r m en tir a s
.
— S erá q ue n ão te m n in guém n o M in is té rio d is p osto a en fre n tá -lo ? —
perg unto u R ony c o m r a iv a.
— C la ro q ue te m , R ony, m as a s p esso as e stã o a te rro riz ad as — r e sp ondeu o
sr. W easle y — , a te rro riz ad as c o m a id éia d e s e re m a s p ró xim as a d esa p are cer, e
se u s filh os o s p ró xim os a s e re m a ta cad os! H á m uito s b oato s a ssu sta d ore s; e u ,
por e x em plo , n ão a cre d ito q ue a p ro fe sso ra d e E stu do d os T ro uxas e m H ogw arts
te n ha p ed id o d em is sã o . F az se m an as q ue n in guém a v ê. N esse m eio -te m po,
Scrim geo ur p assa o d ia tr a n cad o n o e sc ritó rio : s ó e sp ero q ue e ste ja p re p ara n do
alg um p la n o.
Fez-s e u m a p au sa e m q ue a s ra . W easle y, c o m u m g esto d a v arin ha, p ôs o s
pra to s u sa d os n o a p ara d or e s e rv iu a t o rta d e m açã.

Prre cis a m os rre so lv err o d is fa rrc e q ue v o cê v a i u sa rr, A rry
— d is se
Fle u r d ep ois d a s o bre m esa . —
No c a sa m en te
— a cre sc en to u, q uan do e le p are ceu
não e n te n der. —
Natu rra lm en te , n am ta m C om en sa is d a M orte e n tr re n osse s

co nvid ades, m as nam posse garra ntir r que nam fa le m dem ais dep ois de
to m arre m c h am panhe.
Ao q ue H arry d ed uziu q ue e la a in da s u sp eita v a d e H ag rid .
— É , u m a b oa le m bra n ça — d is se a sra . W easle y d a c ab eceir a d a m esa
onde e sta v a, o s ó cu lo s e n carra p ita d os n a p onta d o n ariz , p assa n do e m re v is ta
um a e n orm e lis ta d e ta re fa s q ue a n ota ra e m u m lo ngo p erg am in ho. — E ntã o ,
Rony, j á l im pou o s e u q uarto ?

Por q uê
?! — e x cla m ou R ony, b ate n do a c o lh er n o p ra to e o lh an do f e io
para a m ãe. — P or q ue o m eu q uarto te m q ue s e r lim po? H arry e e u e sta m os
muito b em n o q uarto d o j e ito q ue e stá .
— V am os f e ste ja r o c asa m en to d o s e u i r m ão d en tr o d e a lg uns d ia s, j o vem ...
— E e le s v ão c asa r n o m eu q uarto ? — in dag ou R ony fu rio so . — N ão !
Entã o p or q ue e m n om e d as p lic as d e M erlim ...
— N ão re sp onda a ssim a s u a m ãe — in te rp ôs o s r. W easle y c o m fir m eza.
— E f a ça o q ue e la e stá m an dan do.
Rony am arro u a cara p ara o p ai e a m ãe, d ep ois ap an hou n ovam en te a
co lh er e a ta co u o s ú ltim os b ocad os d a t o rta d e m açã.
— E u p osso a ju dar, u m p ouco d a b ag unça é m in ha — d is se H arry a R ony,
mas a s ra . W easle y c o rto u a c o nvers a .
— N ão , H arry q uerid o, p re fir o m uito m ais q ue v ocê a ju de A rth ur a l im par o
galin heir o , e , H erm io ne, e u a g ra d eceria m uito s e v ocê f o sse tr o car o s le n çó is d o
casa l D ela co ur, s a b e, e le s e stã o c h eg an do a m an hã à s o nze h ora s.
Afin al, h av ia m uito p ouco a f a zer p ela s g alin has.
— N ão h á n ecessid ad e d e, a h , d iz er i s so a M olly — c o m eço u o s r. W easle y,
blo quean do o a cesso d e H arry a o g alin heir o — , m as, a h , T ed T onks m e m an dou
quase tu do q ue re sto u d a m oto d e S ir iu s e , a h , e sto u e sc o nden do-a , o u, m elh or
diz en do, g uard an do-a a q ui. É f a n tá stic a: t e m u m a g an ach a d e e sc ap e, a ch o q ue é
esse o nom e, um a bate ria m ag níf ic a, e se rá um a ótim a oportu nid ad e para
desc o brir co m o os fre io s fu ncio nam . V ou te n ta r m ontá -la outr a vez quan do
Molly n ão ... q uero d iz er, q uan do e u t iv er t e m po.
Quan do v olto u à c asa , a s ra . W easle y n ão e sta v a à v is ta , e n tã o H arry s u biu
desp erc eb id o p ara o q uarto d e R ony, n o s ó tã o .
— J á e sto u a rru m an do, já e sto u a rru m an do...! A h, é v ocê! - e x cla m ou R ony
aliv ia d o, q uan do H arry e n tr o u. O a m ig o e sta v a d eita d o n a c am a, e e ra ó bvio q ue
acab ara d e d eso cu pá-la . O q uarto c o ntin uav a n a m esm a d eso rd em d a se m an a
in te ir a ; a ú nic a m udan ça é q ue a g ora H erm io ne e sta v a s e n ta d a n o c an to o posto ,
co m o se u p elu do g ato ru iv o, B ic h en to , a o s p és, se p ara n do liv ro s, a lg uns d os
quais H arry r e co nheceu s e re m d ele , e m d uas e n orm es p ilh as.
— O i, H arry — cu m prim en to u a am ig a q uan do ele se n to u n a cam a d e

arm ar.
— C om o f o i q ue v ocê c o nse g uiu f u gir ?
— A h, a m ãe d e R ony e sq ueceu q ue já tin ha p ed id o a G in a p ara tr o car o s
le n çó is o nte m — r e sp ondeu H erm io ne. E jo gou o
Num ero lo gia e g ra m átic a
e m
um a p ilh a e
Asc en sã o e q ued a d as A rte s d as T re va s
n a o utr a .
— E stá v am os c o nvers a n do s o bre o O lh o-T onto — d is se R ony. — A ch o q ue
ele p ode t e r s o bre v iv id o.
— M as G ui viu quan do ele fo i atin gid o pela M ald iç ão da M orte —
arg um en to u H arry .
— É , m as o G ui ta m bém e sta v a s o b a ta q ue — r e p lic o u R ony. - C om o p ode
te r c erte za d o q ue v iu ?
— M esm o q ue a M ald iç ão d a M orte n ão o a tin gis se , O lh o-T onto c aiu u ns
tr e zen to s m etr o s — le m bro u H erm io ne, a g ora s e g ura n do o p esa d o
Os tim es d e
quadrib ol d o G rã -B re ta nha e d a I r la nda.
— E le p oderia t e r u sa d o o F eitiç o E sc u do...
— F le u r d is se q ue a v arin ha f o i a rra n cad a d a m ão d ele — d is se H arry .
— T udo b em , se v ocês q uere m q ue e le te n ha m orrid o — c o nclu iu R ony
mal- h um ora d o, d an do u ns s o co s n o t r a v esse ir o p ara a fo fá -lo .
— É c la ro q ue n ão q uere m os q ue e ste ja m orto ! — e x cla m ou H erm io ne,
ch ocad a. — É h orrív el q ue e le e ste ja ! M as t e m os q ue s e r r e alis ta s!
Pela p rim eir a v ez, H arry im ag in ou o c o rp o d e O lh o-T onto c o m o s o sso s
partid os c o m o o d e D um ble d ore , m as c o m a q uele ú nic o o lh o a in da g ir a n do n a
órb ita . S en tiu u m a r e ação v io le n ta , q ue m esc la v a d esg osto e u m a b iz arra v onta d e
de r ir.
— O s C om en sa is d a M orte p ro vav elm en te lim para m o s re sto s d ele , é p or
is so q ue n in guém e n co ntr o u n ad a — s u geriu R ony c o m s a b ed oria .
— É — a cre sc en to u H arry . — C om o o B artô C ro uch , tr a n sfo rm ad o e m u m
osso e e n te rra d o n o ja rd im d o H ag rid . P ro vav elm en te tr a n sfig ura ra m o O lh o-
Tonto e o e m palh ara m ...
— P ára ! — g uin ch ou H erm io ne. A ssu sta d o, H arry erg ueu a cab eça em
te m po d e v er a g aro ta r o m per e m l á g rim as s o bre o
Sila bário d e S pellm an.
— A h, n ão ! — ex cla m ou H arry te n ta n do se le v an ta r d a v elh a cam a d e
arm ar. — H erm io ne, e u n ão e sta v a q uere n do t r a n sto rn ar n in guém ...
Com u m a r a n ged eir a d e m ola s e n fe rru ja d as, R ony p ulo u d a c am a e c h eg ou
prim eir o . C om u m b ra ço , e n volv eu H erm io ne, e e n fio u a o utr a m ão n o b ols o d o
je an s d e o nde e x tr a iu u m le n ço a b su rd am en te su jo , u sa d o m ais c ed o, n aq uele
dia , p ara lim par o f o rn o. E m s e g uid a, p uxou d ep re ssa a v arin ha, a p onto u p ara o
tr a p o e o rd en ou: —
Terg eo !
A v arin ha c h upou a m aio r p arte d a g ra x a. C om u m a r d e v aid osa s a tis fa ção ,

Rony e n tr e g ou o l e n ço a in da f u m eg an do a H erm io ne.
— A h... o brig ad a, R ony... d esc u lp e... — E la a sso ou o n ariz e s o lu ço u. — S ó
que é tã o h o-h orrív el, n ão é ? P -p ouco d ep ois d e D um ble d ore ... P -p or a lg um a
ra zão , e u n unc-c a i m ag in ei O lh o-T onto m orto , e le p are cia t ã o f o rte !
— É , e u s e i — c o nco rd ou R ony, d an do-lh e u m b re v e a p erto . — M as v ocês
sa b em o q ue e le n os d ir ia s e e stiv esse a q ui?
— V -v ig ilâ n cia c o nsta n te — r e sp ondeu H erm io ne e n xugan do o s o lh os.
— É is so a í — c o nco rd ou R ony, re fo rç an do c o m u m a cen o d e c ab eça. —
Ele n os d ir ia p ara a p re n der c o m o q ue lh e a co nte ceu . E o q ue a p re n di f o i a n ão
co nfia r n aq uele l ix o c o vard e d o M undungo.
Herm io ne so lto u u m a ris a d a tr e m id a e se c u rv ou p ara a p an har m ais d ois
liv ro s. U m s e g undo m ais ta rd e, R ony p uxou o b ra ço d as c o sta s d ela ; H erm io ne
tin ha d eix ad o c air
O l iv ro m onstr u oso d os m onstr o s
n o p é d ele . O c in to d e c o uro
que o p re n dia s o lto u-s e e o l iv ro a b ocan hou c o m f o rç a o t o rn ozelo d o g aro to .
— D esc u lp e, d esc u lp e — H erm io ne p ed ia , en quan to H arry arra n cav a o
liv ro d a p ern a d e R ony e t o rn av a a a m arrá -lo .
— A fin al, q ue e stá fa zen do c o m to dos e sse s liv ro s? — p erg unto u R ony,
man can do d e v olta à c am a.
— Ten ta n do decid ir quais dele s vam os le v ar co nosc o , quan do fo rm os
pro cu ra r a s H orc ru xes.
— A h, c la ro — d is se R ony, b ate n do n a p ró pria t e sta . — E sq ueci q ue v am os
liq uid ar V old em ort e m u m a b ib lio te ca m óvel.
— H a-h a — re p lic o u ela , ex am in an do o
Sila bário
. — Será que...
pre cis a re m os tr a d uzir ru nas? É possív el... ach o que é m elh or le v ar, só por
pre cau ção .
Herm io ne j o gou o l iv ro n a m aio r d as d uas p ilh as e a p an hou
Hogw arts , u m a
his tó ria
.
— E sc u te m a q ui — d is se H arry .
Ele se em pertig ara na cam a. R ony e H erm io ne olh ara m o am ig o co m
ex pre ssõ es i g uais q ue s o m av am r e sig nação e d esa fio .
— E u se i q ue v ocês d is se ra m , d ep ois d os fu nera is d e D um ble d ore , q ue
queria m m e a co m pan har — c o m eço u H arry .
— L á v em e le — c o m en to u R ony c o m H erm io ne o lh an do p ara o t e to .
— C om o s a b ía m os q ue i r ia f a zer — s u sp ir o u a g aro ta , v olta n do s u a a te n ção
para o s liv ro s. — S ab em , a ch o q ue v ou le v ar
Hogw arts , u m a h is tó ria
. M esm o
que a g en te n ão v olte l á , a ch o q ue n ão m e s e n tir ia b em s e n ão c arre g asse ...
— E sc u te m ! — r e p etiu H arry .
— N ão , H arry , e sc u te
vo cê
— re to rq uiu H erm io ne. — V am os c o m v ocê.
Is to j á f ic o u d ecid id o h á m ese s; a liá s, h á a n os.

— M as...
— C ala e ssa b oca — R ony o a co nse lh ou.
— ... v ocês t ê m c erte za q ue r e fle tir a m b em ? — i n sis tiu H arry .
— V eja m os — r e tr u co u H erm io ne, b ate n do c o m o v olu m e d e
Via gen s c o m
tr a sg os
n a p ilh a d os d esc arta d os, c o m u m a e x pre ssã o fe ro z n o ro sto . — E sto u
arru m an do a b ag ag em h á d ia s, p orta n to e sta m os p ro nto s p ara p artir a q ualq uer
mom en to , o q ue, p ara s u a in fo rm ação , e x ig iu f e itiç o s e x tr e m am en te c o m ple x os,
para n ão m en cio nar o co ntr a b an do d o esto que d e P oção P olis su co d e O lh o-
Tonto , b em d eb aix o d o n ariz d a m ãe d e R ony.
“A lé m d is so , a lte re i a m em ória d os m eu s p ais p ara s e c o nven cere m d e q ue,
na r e alid ad e, s ã o W en dell e M onic a W ilk in s, e q ue s u a a m biç ão n a v id a é m udar
para a A ustr á lia , o q ue e le s j á f iz era m . P ara d if ic u lta r q ue V old em ort o s e n co ntr e
e in te rro gue s o bre m im ... o u s o bre v ocês, p orq ue, in fe liz m en te , c o nte i a o s d ois
muita c o is a s o bre v ocês.
“S upondo q ue e u so bre v iv a à b usc a d as H orc ru xes, p ro cu ra re i m am ãe e
pap ai e d esfa re i o fe itiç o . S e n ão ... b em , ach o q ue la n cei n ele s u m en can to
su fic ie n te m en te f o rte p ara q ue v iv am s e g uro s e f e liz es c o m o W en dell e M onic a
Wilk in s. O c asa l n ão s a b e q ue t e m u m a f ilh a, e n te n dem .”
Os o lh os d e H erm io ne tin ham se e n ch id o n ovam en te d e lá g rim as. R ony
to rn ou a l e v an ta r d a c am a, a a b ra çá-la p elo s o m bro s e a f ra n zir a t e sta p ara H arry
co m o s e o r e p re en desse p ela f a lta d e ta to . H arry n ão c o nse g uiu p en sa r e m m ais
nad a p ara co ntr a p or a is so , n o m ín im o p orq ue era ex cep cio nalm en te in só lito
Rony e n sin ar a lg uém a t e r t a to .
— E u... H erm io ne, p eço d esc u lp as... e u n ão ...
— N ão perc eb eu que R ony e eu te m os perfe ita noção do que poderá
aco nte cer s e f o rm os c o m v ocê? P ois t e m os. R ony, m ostr e a o H arry o q ue v ocê j á
fe z.
— N ãããh , e le a cab ou d e c o m er — d is se R ony.
— M ostr a l o go, e le p re cis a s a b er!
— A h, t á , H arry , v em c o m ig o.
Pela s e g unda v ez, R ony p aro u d e a b ra çar H erm io ne e s a iu m an can do p ara a
porta .
— A nda.
— P or q uê? — q uis s a b er H arry , s a in do d o q uarto e a co m pan han do R ony
ao p eq uen o p ata m ar d o s ó tã o .

Desc en do
! — m urm uro u R ony, a p onta n do a v arin ha p ara o te to b aix o.
Um a lç ap ão s e a b riu e u m a e sc ad a d esc eu a o s s e u s p és. U m b aru lh o h orrív el,
meio gem id o m eio su cção , sa iu do bura co quad ra d o, ju nta m en te co m um
horrív el c h eir o d e e sg oto .

— É o se u v am pir o , n ão é? — p erg unto u H arry , q ue n unca ch eg ara a
co nhecer a c ria tu ra q ue, p or v ezes, p ertu rb av a o s ilê n cio n otu rn o n ’A T oca.
— É — c o nfir m ou R ony s u bin do a e sc ad a. — S uba p ara d ar u m a o lh ad a
nele .
Harry s e g uiu o a m ig o p ela e sc ad in ha a té o m in úsc u lo s ó tã o . S ua c ab eça e
se u s o m bro s já e sta v am n o q uarto q uan do e le a v is to u a c ria tu ra e n ro sc ad a a li
perto n o e sc u ro , f e rra d a n o s o no c o m a b ocarra a b erta .
— M as e le ... p are ce... é n orm al v am pir o s u sa re m p ija m as?
— N ão — re sp ondeu R ony. — N em é n orm al te re m cab elo s ru iv os o u
ta n ta s e sp in has.
Harry c o nte m plo u a c o is a , lig eir a m en te e n oja d o. N a fo rm a e n o ta m an ho,
pare ceu -lh e h um an o e , a o s s e u s o lh os a co stu m ad os a o e sc u ro , n ão h av ia d úvid a
de q ue u sa v a u m p ija m a v elh o d e R ony. H arry ta m bém n ão d uvid av a d e q ue o s
vam pir o s, e m g era l, fo sse m v is c o so s e c are cas, e n ão v is iv elm en te c ab elu dos e
co berto s d e f e ia s e sp in has r o xas.
— E le s o u e u , e n te n deu ? — d is se R ony.
— N ão . N ão e n te n di.
— E ntã o e x plic o lá n o m eu q uarto , o c h eir o e stá m e in co m odan do. — O s
dois d esc era m a e sc ad a, q ue R on y e m purro u d e v olta a o t e to , e f o ra m s e r e u nir a
Herm io ne, q ue c o ntin uav a s e p ara n do l iv ro s.
“Q uan do v ia ja rm os, o v am pir o v ai d esc er p ara m ora r n o m eu q uarto ”, d is se
Rony. “ A ch o q ue e le e stá a té a n sio so p ara is so a co nte cer, m as é d if íc il sa b er,
porq ue e le só sa b e g em er e b ab ar, m as a cen a m uito c o m a c ab eça q uan do se
men cio na a m udan ça. E m to do c aso , e le v ai s e r o R ony c o m s a ra p in to se . B em
bola d o, h ein ?”
O r o sto d e H arry e sp elh av a s u a p erp le x id ad e.
— É , sim ! — in sis tiu R ony, vis iv elm en te fru str a d o porq ue H arry não
alc an çara a g en ia lid ad e d o s e u p la n o. — O lh e, q uan do n ós tr ê s n ão a p are cerm os
em H ogw arts , to do o m undo v ai p en sa r q ue H erm io ne e e u e sta m os c o m v ocê,
certo ? O q ue s ig nif ic a q ue o s C om en sa is d a M orte ir ã o d ir e to p ro cu ra r a s n ossa s
fa m ília s p ara o bte r i n fo rm açõ es s o bre o s e u p ara d eir o .
— M as, se o p la n o d er c erto , p are cerá q ue fu i v ia ja r c o m o s m eu s p ais ;
muita s p esso as q ue n asc era m tr o uxas e stã o f a la n do e m s u m ir d e c ir c u la ção p or
um t e m po — e sc la re ceu H erm io ne.
— N ão p odem os esc o nder a m in ha fa m ília in te ir a , ir ia p are cer su sp eito
dem ais , a lé m d is so , e le s n ão p odem la rg ar o e m pre g o - e x plic o u R ony. — E ntã o ,
vam os d iv ulg ar a h is tó ria d e q ue esto u g ra v em en te d oen te co m sa ra p in to se ,
ra zão p or q ue n ão p ude v olta r à e sc o la . S e a lg uém v ie r in vestig ar, m eu s p ais
podem m ostr a r o v am pir o n a m in ha c am a, c o berto d e p ústu la s. E ssa d oen ça é

re alm en te co nta g io sa , porta n to ele s não vão quere r ch eg ar m uito perto . E
ta m bém não fa rá dif e re n ça se o vam pir o não puder fa la r nad a, porq ue
ap are n te m en te n in guém p ode, d ep ois q ue o f u ngo a ta ca a ú vula .
— E s e u s p ais c o nco rd ara m c o m e sse p la n o? — p erg unto u H arry .
— Pap ai, sim . E le aju dou Fre d e Jo rg e a tr a n sfo rm are m o vam pir o .
Mam ãe... b em , v ocê já v iu c o m o e la é . N ão v ai a ceita r q ue v ia je m os a té te rm os
partid o.
Fez-s e silê n cio no quarto , in te rro m pid o ap en as pela s le v es batid as que
Herm io ne p ro duzia ao jo gar o s liv ro s em u m a d as d uas p ilh as. R ony p aro u,
obse rv an do-a , e H arry o lh av a d e u m p ara o utr o i n cap az d e f a la r. A s m ed id as q ue
os a m ig os tin ham to m ad o p ara p ro te g er a s f a m ília s, m ais d o q ue q ualq uer o utr a
co is a , o c o nven cera m d e q ue ir ia m a co m pan há-lo e q ue sa b ia m e x ata m en te o
perig o q ue co rria m . Q uis m an if e sta r o q uan to is to sig nif ic av a p ara ele , m as
sim ple sm en te n ão e n co ntr a v a p ala v ra s q ue f o sse m e x pre ssiv as o s u fic ie n te .
No silê n cio , o uvir a m o ru íd o a b afa d o d os g rito s d a sra . W easle y q uatr o
an dare s a b aix o.
— G in a p ro vav elm en te d eix ou u m a p oeir in ha e m u m a d ro ga q ualq uer d e
porta -g uard an ap os — co m en to u R ony. — N ão se i por que os D ela co ur
in ven ta ra m d e c h eg ar d ois d ia s a n te s d o c asa m en to .
— A i r m ã d e F le u r v ai s e r d am a d e h onra , p re cis a e sta r a q ui p ara o e n sa io e
é jo vem d em ais p ara v ia ja r s o zin ha — e x plic o u H erm io ne, e x am in an do in decis a
o
Com o d om in ar u m e sp ír ito a goure n to .
— B om , te r h ósp ed es n ão v ai m elh ora r o s n ív eis d e e str e sse d a m am ãe —
co m en to u R ony.
— O que re alm en te pre cis a m os decid ir — dis se H erm io ne, atir a n do o
Teo ria d a d efe sa em m agia
em u m a la ta d e lix o se m o lh á-lo d uas v ezes e
ap an han do
Uma a va lia çã o d a e d uca çã o e m m agia n a E uro pa
— é p ara o nde
ir e m os ao sa ir d aq ui. E u se i q ue v ocê d is se q ue q uer ir a G odric ’s H ollo w
prim eir o , H arry , e e n te n do o m otiv o, m as... b em ... n ão d ev ía m os d ar p rio rid ad e
às H orc ru xes?
— S e so ubésse m os o nde e n co ntr a r a lg um a H orc ru x, e u c o nco rd aria c o m
você — r e sp ondeu H arry , s e m a cre d ita r q ue H erm io ne e n te n desse , d e f a to , o s e u
dese jo d e re to rn ar a G odric ’s H ollo w . O tú m ulo d os s e u s p ais e ra a p en as u m a
parte do atr a tiv o: ele tin ha um a fo rte se n sa ção , em bora in ex plic áv el, que o
vila re jo lh e f o rn eceria a lg um as r e sp osta s. T alv ez f o sse s im ple sm en te p orq ue a li
ele so bre v iv era à M ald iç ão da M orte la n çad a por Vold em ort; ag ora que
en fre n ta v a o d esa fio d e re p etir o fe ito , se n tia -s e atr a íd o ao lu gar o nde tu do
aco nte cera , b usc an do c o m pre en dê-lo .
— V ocê n ão a ch a p ossív el q ue V old em ort e ste ja m an te n do G odric ’s H ollo w

so b v ig ilâ n cia ? — arris c o u H erm io ne. — T alv ez esp ere q ue v ocê v olte p ara
vis ita r o t ú m ulo d os s e u s p ais , u m a v ez q ue e stá l iv re p ara i r a o nde q uis e r.
A id éia n ão o co rre ra a H arry . E , en quan to se co ncen tr a v a p ara co ntr a -
arg um en ta r, R ony s e m an if e sto u, o bvia m en te s e g uin do u m flu xo in dep en den te
de p en sa m en to s.
— E sse ta l R .A .B . — d is se e le . — S ab e, a q uele q ue ro ubou o v erd ad eir o
med alh ão ?
Herm io ne f e z q ue s im c o m a c ab eça.
— E le d is se n o b ilh ete q ue ia d estr u ir o m ed alh ão , n ão fo i? H arry p uxou
su a m och ila p ara p erto e tir o u d e d en tr o a fa ls a H orc ru x c o nte n do o b ilh ete d e
R.A .B .
— “
Roubei a H orc ru x v erd adeir a e p re te n do d estr u í- la a ssim q ue p uder

— l e u H arry e m v oz a lta .
— E ntã o , e s e e le
de f a to
a d estr u iu ? — p erg unto u R ony.
— O u e la — i n te rro m peu -o H erm io ne.
— O q ue s e ja , s e ria u m a a m en os p ara s e p ro cu ra r! — c o nclu iu R ony.
— M as a in da ir ía m os te n ta r ra str e ar o m ed alh ão v erd ad eir o , n ão ? — q uis
sa b er H erm io ne. — P ara d esc o brir s e f o i o u n ão d estr u íd o.
— E q uan do o en co ntr a rm os, co m o é q ue se d estr ó i u m a H orc ru x? —
perg unto u R ony.
— B em — c o m eço u H erm io ne — , a n dei p esq uis a n do.
— C om o? — ad m ir o u-s e H arry . — A ch ei que não hav ia liv ro s so bre
Horc ru xes n a b ib lio te ca.
— N ão h av ia — esc la re ceu H erm io ne co ra n do. — D um ble d ore re tir o u
to dos, m as... m as n ão o s d estr u iu .
Rony s e s e n to u n a c am a d e o lh os a rre g ala d os.
— P ela s c alç as d e M erlim , c o m o f o i q ue v ocê c o nse g uiu p ôr a m ão n esse s
liv ro s s o bre H orc ru xes?
— E u... n ão fo i ro uban do! — re sp ondeu e la , o lh an do d e H arry p ara R ony
co m u m a r d e d ese sp ero . — E le s c o ntin uara m a s e r liv ro s d a b ib lio te ca, m esm o
que D um ble d ore o s te n ha re tir a d o d as p ra te le ir a s. E nfim , s e e le re alm en te n ão
quis e sse q ue n in guém o s p eg asse , te n ho c erte za d e q ue te ria d if ic u lta d o m uito
mais ...
— N ão f iq ue e n ro la n do! — e x cla m ou R ony.
— B em , f o i f á cil — d is se H erm io ne c o m u m a v ozin ha h um ild e. - L an cei u m
Feitiç o C onvocató rio . S ab em :
Accio
! E ele s sa ír a m voan do pela ja n ela do
gab in ete d e D um ble d ore p ara o d orm itó rio d as g aro ta s.
— M as q uan do f o i q ue v ocê f e z is so ? — p erg unto u H arry , o lh an do p ara a
am ig a a o m esm o t e m po a sso m bra d o e i n cré d ulo .

— L ogo d ep ois d o... f u nera l — r e sp ondeu e la c o m u m a v ozin ha a in da m ais
hum ild e. — L ogo d ep ois d e co m bin arm os q ue ir ía m os d eix ar a esc o la p ara
pro cu ra r as H orc ru xes. Q uan do volte i para ap an har m in has co is a s, m e...
sim ple sm en te m e oco rre u que, quan to m ais so ubésse m os so bre o assu nto ,
melh or s e ria ... e e u e sta v a s o zin ha lá e m c im a... e n tã o te n te i... e f u ncio nou. E le s
en tr a ra m v oan do d ir e to p ela j a n ela a b erta e e u ... e u o s g uard ei n o m alã o .
A g aro ta e n goliu e m s e co e , e n tã o , j u stif ic o u s u plic an te :
— N ão a cre d ito q ue D um ble d ore s e z an gasse , n ão v am os u sa r a i n fo rm ação
para f a zer u m a H orc ru x, n ão é ?
— V ocê e stá n os o uvin do re cla m ar? — p erg unto u R ony. — A fin al, o nde
estã o e sse s l iv ro s?
Herm io ne pro cu ro u um pouco e tir o u da pilh a um gra n de liv ro ,
en cad ern ad o e m c o uro p re to já d esb ota d o. F ez u m a c ara d e n ojo e e ste n deu -o
cau te lo sa m en te c o m o s e f o sse u m a c o is a r e cém -m orta .
— E sse é o q ue d á in str u çõ es e x plíc ita s p ara se p re p ara r u m a H orc ru x:
Seg re d os d as a rte s m ais te n eb ro sa s
. É u m liv ro h orrív el, re alm en te a ssu sta d or,
ch eio d e f e itiç o s m alig nos. F ic o p en sa n do q uan do f o i q ue D um ble d ore o r e tir o u
da b ib lio te ca... se fo i só q uan do se to rn ou d ir e to r. A posto co m o V old em ort
co pio u d ele t o das a s i n str u çõ es d e q ue p re cis a v a.
— Por que en tã o pre cis o u perg unta r a Slu ghorn co m o pre p ara r um a
Horc ru x, s e j á t in ha l id o o l iv ro ? — p erg unto u R ony.
— E le s ó p ro cu ro u o p ro fe sso r p ara s a b er o q ue a co nte cia q uan do a p esso a
su bdiv id ia a a lm a e m s e te p ed aço s — d is se H arry . - D um ble d ore t in ha c erte za d e
que R id dle já s a b ia f a zer u m a H orc ru x n a é p oca e m q ue f o i à s a la d e S lu ghorn .
Ach o q ue v ocê te m ra zão , H erm io ne, é m uito p ro váv el q ue te n ha s id o d aí q ue
ele t ir o u a s i n fo rm açõ es.
— E q uan to m ais e u le io — c o ntin uou H erm io ne — , m ais te rrív el a id éia
me p are ce, e m en os a cre d ito q ue e le te n ha re alm en te fe ito s e is . O liv ro a le rta
para a in sta b ilid ad e q ue a p esso a c au sa a o re sta n te d a a lm a d iv id in do-a , e is so
para s e f a zer a p en as u m a H orc ru x!
Harry le m bro u-s e d e D um ble d ore te r d ito q ue V old em ort u ltr a p assa ra a
“esfe ra d a m ald ad e n orm al” .
— E n ão t e m j e ito d e r e in te g ra r t o das a s p arte s? — p erg unto u R ony.
— T em — re sp ondeu H erm io ne co m u m so rris o in ex pre ssiv o — , m as
cau sa ria u m a d or l a n cin an te .
— P or q uê? C om o s e f a z? — q uis s a b er H arry .
— R em ors o — e sc la re ceu H erm io ne. — A p esso a p re cis a e sta r, d e fa to ,
arre p en did a d o q ue fe z. T em u m p é d e p ág in a. P elo q ue d iz , a d or d o p ro cesso
pode d estr u í- la . N ão se i p or q uê, n ão c o nsig o v er V old em ort fa zen do is so , e

vocês?
— N ão — r e sp ondeu R ony a n te s q ue H arry o f iz esse . — E o l iv ro d iz c o m o
destr u ir H orc ru xes?
— D iz — c o nfir m ou H erm io ne, a g ora v ir a n do a s frá g eis p ág in as c o m o s e
ex am in asse e n tr a n has e m d eco m posiç ão — , p orq ue a v is a a o s b ru xos d as tr e v as
que o s f e itiç o s c o m q ue s e p ro te g ere m tê m q ue s e r e x cep cio nalm en te f o rte s. D e
tu do q ue l i, o q ue H arry f e z c o m o d iá rio d e R id dle f o i u m a d as p oucas m an eir a s
in fa lív eis d e d estr u ir u m a H orc ru x.
— O q uê, f u ra r c o m u m a p re sa d e b asilis c o ? — p erg unto u H arry .
— A h, b om , q ue so rte a g en te te r u m esto que tã o g ra n de d e p re sa s d e
basilis c o — c o m en to u R ony. — E u e sta v a m esm o m e p erg unta n do o q ue ía m os
fa zer c o m e la s.
— N ão pre cis a se r um a pre sa de basilis c o — ex plic o u H erm io ne,
pacie n te m en te . — T em q ue s e r a lg um a c o is a tã o d estr u tiv a q ue a H orc ru x n ão
possa se au to -re sta u ra r. O ven en o de basilis c o só te m um an tíd oto , e é
in criv elm en te r a ro ...
— ... l á g rim as d e f ê n ix — d is se H arry .
— Exata m en te — co nfir m ou H erm io ne. — O pro ble m a é que há
pouquís sim as su bstâ n cia s tã o d estr u tiv as q uan to o v en en o d e b asilis c o , e sã o
to das m uito perig osa s para se carre g ar por aí. M as é um pro ble m a que
pre cis a re m os re so lv er, porq ue ro m per, queb ra r ou m oer um a H orc ru x não
ad ia n ta . É p re cis o d eix á-la s e m p ossib ilid ad e d e s e r e sta u ra r p or m ag ia .
— M as, se a g en te d estr ó i o o bje to e m q ue e stá g uard ad a — p erg unto u
Rony — , p or q ue o f ra g m en to d e a lm a n ão p ode s e m udar p ara o utr o l u gar?
— P orq ue um a H orc ru x é o ab so lu to oposto de um se r hum an o. A o
perc eb er q ue H arry e R ony p are cia m c o nfu so s, H erm io ne s e a p re sso u a e x plic ar:
— V eja m , s e e u a p an hasse u m a e sp ad a n este m in uto e tr a n sp assa sse v ocê,
eu n ão d an if ic aria s u a a lm a.
— O q ue, c o m c erte za, s e ria r e alm en te u m c o nso lo p ara m im - d is se R ony.
Harry r iu .
— D ev ia s e r m esm o! M as o q ue q uero d em onstr a r é q ue, s e ja o q ue f o r q ue
aco nte ça a o se u c o rp o, su a a lm a c o ntin uará ile sa . M as c o m u m a H orc ru x é o
co ntr á rio . O fra g m en to d e a lm a d ep en de d o o bje to q ue o c o nté m , d o s e u c o rp o
en can ta d o, p ara s o bre v iv er. D o c o ntr á rio , n ão s o bre v iv erá .
— A quele d iá rio d eu a im pre ssã o d e m orre r q uan do e u o p erfu re i — d is se
Harry , l e m bra n do-s e d a tin ta q ue jo rro u c o m o s a n gue d e s u as p ág in as e o s g rito s
do f ra g m en to d e a lm a d e V old em ort a o d esa p are cer.
— E , u m a v ez q ue o d iá rio f o i c o m ple ta m en te d estr u íd o, o f ra g m en to n ele
co ntid o n ão p ôde so bre v iv er. G in a te n to u se liv ra r d o d iá rio an te s d e v ocê,

jo gan do-o n o v aso e d an do d esc arg a, m as, o bvia m en te , ele v olto u n ovo em
fo lh a.
— E sp ere a í — d is se R ony, fra n zin do a te sta . — O p ed acin ho d e a lm a
naq uele d iá rio e sta v a p ossu in do a G in a, n ão ? C om o é i s so , e n tã o ?
— E nquan to o o bje to m ág ic o c o ntin uar in ta cto , o p ed acin ho d e a lm a n ele
pode e n tr a r e m u m a p esso a e to rn ar a s a ir s e e la c h eg ar m uito p erto d o o bje to .
Não p re cis a s e g urá -lo m uito te m po, n ão é o to que q ue im porta — a cre sc en to u
ela , a n te s q ue R ony p udesse f a la r. — É a p ro xim id ad e e m ocio nal. G in a a b riu o
co ra ção p ara o d iá rio , to rn an do-s e , a ssim , in criv elm en te v uln erá v el. A p esso a s e
mete e m a p uro s q uan do s e a p eg a d em ais o u p assa a d ep en der d e u m a H orc ru x.
— F ic o i m ag in an do c o m o f o i q ue D um ble d ore d estr u iu o a n el - d is se H arry .
— P or q ue n ão p erg unte i a e le ? R ealm en te n unca...
Sua v oz f o i m orre n do: p en so u n as m uita s c o is a s q ue d ev eria te r p erg unta d o
a D um ble d ore e co m o, d esd e su a m orte , lh e p are cia q ue tin ha d esp erd iç ad o
ta n ta s oportu nid ad es, en quan to o dir e to r era viv o, para desc o brir m ais ...
desc o brir t u do...
O s ilê n cio f o i q ueb ra d o q uan do a p orta d o q uarto s e e sc an caro u, p ro duzin do
um e str o ndo d e s a cu dir a s p are d es. H erm io ne g rito u e d eix ou c air
O S eg re d os
das arte s m ais te n eb ro sa s
; B ic h en to dis p aro u para baix o da cam a, bufa n do
in dig nad o. R ony p ulo u d a c am a, e sc o rre g ou e m u m a e m bala g em v elh a d e s a p os
de c h oco la te e b ate u a c ab eça n a p are d e o posta , e H arry , in stin tiv am en te , se
jo gou para ap an har su a varin ha an te s de perc eb er que esta v a ven do a sra .
Weasle y, q ue t in ha o s c ab elo s r e v olto s e o r o sto c o nto rc id o d e r a iv a.
— L am en to in te rro m per e ssa re u niã o zin ha ín tim a — v ocif e ro u e la , c o m a
voz tr ê m ula . — T en ho c erte za d e q ue v ocês p re cis a m d e d esc an so ... m as h á
pre se n te s d e c asa m en to e m pilh ad os n o m eu q uarto q ue p re cis a m s e r s e p ara d os, e
tiv e a i m pre ssã o d e q ue v ocês c o nco rd ara m e m a ju dar.
— A h, s im — re sp ondeu H erm io ne a te rro riz ad a, le v an ta n do-s e d ep re ssa e
fa zen do os liv ro s voare m para to dos os la d os. — A ju dare m os... ped im os
desc u lp as...
Com u m o lh ar a flito p ara H arry e R ony, a g aro ta s a iu c o rre n do d o q uarto
atr á s d a s ra . W easle y.
— É c o m o s e a g en te f o sse u m e lf o d om éstic o — q ueix ou-s e R ony e m v oz
baix a, a in da m assa g ean do a c ab eça e s a in do c o m H arry a tr á s d as d uas. — S ó q ue
se m a s a tis fa ção n o tr a b alh o. Q uan to m ais c ed o e sse c asa m en to te rm in ar, m ais
fe liz e u v ou f ic ar.
— É — co nco rd ou H arry — , en tã o n ão te re m os m ais n ad a p ara fa zer
ex ceto p ro cu ra r H orc ru xes... v ai p are cer a té q ue e sta m os d e f é ria s, n ão é ?
Rony c o m eço u a r ir , m as, a o v er a e n orm e p ilh a d e p re se n te s d e c asa m en to

que o s e sp era v a n o q uarto d a s ra . W easle y, p aro u n o a to .
Os D ela co ur ch eg ara m n a m an hã se g uin te às o nze h ora s. A essa altu ra ,
Harry , R ony, H erm io ne e G in a já e sta v am se n tin do c erta ra iv a d a fa m ília d e
Fle u r; f o i d e m á v onta d e q ue R ony s u biu a s e sc ad as b ate n do o s p és p ara c alç ar
meia s ig uais e H arry te n to u b aix ar o s c ab elo s. Q uan do f o ra m c o nsid era d os b em
arru m ad os, o s g aro to s s a ír a m e m f ila p ara e sp era r a s v is ita s n o q uin ta l b atid o d e
so l.
Harry n unca v ir a a c asa t ã o a rru m ad a. O s c ald eir õ es e n fe rru ja d os e a s b ota s
velh as que, em gera l, co alh av am a esc ad a para a porta dos fu ndos tin ham
desa p are cid o e sid o su bstitu íd os por dois gra n des vaso s co m arb usto s
tr e m ula n te s a cad a la d o da porta ; em bora não houvesse bris a , as fo lh as
bala n çav am p re g uiç o sa m en te , p ro duzin do u m b elo e fe ito o ndula n te . A s g alin has
tin ham sid o tr a n cad as n o g alin heir o , o q uin ta l v arrid o e o ja rd im a n ex o fo ra
desp oja d o d as fo lh as v elh as, p odad o e, d e u m m odo g era l, cu id ad o, em bora
Harry , q ue o p re fe ria s e m tr a to , a ch asse q ue o ja rd im p are cia a b an donad o s e m o
se u c o ntin gen te n orm al d e g nom os s a ltita n te s.
O g aro to p erd era a n oção d a q uan tid ad e d e f e itiç o s d e s e g ura n ça q ue t in ham
sid o la n çad os s o bre A T oca, ta n to p ela O rd em q uan to p elo M in is té rio ; s ó s a b ia
que t in ham i n via b iliz ad o a p ossib ilid ad e d e a lg uém v ia ja r p or m ag ia a té a li. O s r.
Weasle y, p orta n to , f o ra e sp era r o s D ela co ur n o a lto d e u m m orro p ró xim o, o nde
a f a m ília c h eg aria p or C hav e d e P orta l. O p rim eir o s in al d e s u a a p ro xim ação f o i
um a g arg alh ad a a n orm alm en te a g uda, d ad a p elo sr. W easle y, so ube-s e d ep ois ,
que a p are ceu a o p ortã o e m se g uid a, c arre g ad o d e m ala s à fre n te d e u m a b ela
lo ura d e l o ngas v este s v erd e-fo lh a, q ue s ó p oderia s e r a m ãe d e F le u r.

Mam an!
— e x cla m ou F le u r, c o rre n do p ara a b ra çá-la . —
Papa!
O s r. D ela co ur n ão e ra n em d e lo nge a tr a en te c o m o s u a m ulh er; e ra u m a
cab eça m ais b aix o q ue e la , a lé m d e e x tr e m am en te g ord o, e u sa v a u m a b arb ic h a
pontu da e p re ta . P are cia , c o ntu do, u m a p esso a b em -h um ora d a. S acu din do-s e n as
bota s d e sa lto e m d ir e ção à sra . W easle y, e le lh e a p lic o u d ois b eijo s e m c ad a
boch ech a, d eix an do-a p ertu rb ad a.

Vo cês tiv erra m ta nte tr ra balh e — d is se e le c o m s u a v o z g ra ve. — F le u r
nos c o nto u q u’a ndarra m t r ra balh ando m uite m esm e
.
— A h, n ão fo i n ad a, a b so lu ta m en te n ad a! — g orje o u a sra . W easle y. —
Não f o i t r a b alh o a lg um !
Rony a liv io u s u a f ru str a ção m ir a n do u m p onta p é e m u m g nom o q ue e sta v a
esp ia n do a tr á s d e u m d os v aso s c o m a rb usto s t r e m ula n te s.

Min he c a rra se n horra
! — re p lic o u o sr. D ela co ur, a in da se g ura n do a
mão d a s ra . W easle y e n tr e a s s u as, m uito g ord uch as, e d an do-lh e u m ra d ia n te
so rris o . —
Nos se n tim es m uite h onrrra des co m a em in en te u niã o d e n osse s

fa m ílie s
!
Deix e-m e a rp re se n ta rr-lh e m in he m ulh err, A pollin e
.
Mad am e D ela co ur a d ia n to u-s e c o m o s e d esliz asse e s e c u rv ou p ara b eija r a
sra . W easle y t a m bém .

Ench anté e
— d is se e la . —
Se m arrid o e ste ve m e c o nta nto h is tó rria s
muite d iv errtid as!
O s r. W easle y s o lto u u m a ris a d a e x ag era d a; a s ra . W easle y la n ço u-lh e u m
olh ar q ue o f e z c ala r- s e i m ed ia ta m en te e a ssu m ir u m a e x pre ssã o m ais a p ro pria d a
a u m a v is ita a u m a m ig o d oen te n o h osp ita l.

E, natu rra lm en te , já co nhecem m in he filh in ea G abrrie lle
! — dis se
Monsie u r D ela co ur. G ab rie lle e ra u m a F le u r e m m in ia tu ra ; o nze a n os, c ab elo s
lo uro s p la tin ad os, a g aro ta d ir ig iu u m s o rris o o fu sc an te à s ra . W easle y, a b ra ço u-a
e, p esta n eja n do, l a n ço u u m o lh ar i n te n so a H arry . G in a p ig arre o u a lto .
— E ntã o , e n tr e m , p or f a v or! — c o nvid ou a s ra . W easle y a n im ad a, le v an do
os h ósp ed es p ara d en tr o , d ep ois d e m uito s “ N ão , p or fa v or!” e “ P rim eir o o s
se n hore s!” e “ D e m an eir a a lg um a!” .
Os D ela co ur, e le s n ão ta rd ara m a p erc eb er, e ra m h ósp ed es p re sta tiv os e
ag ra d áv eis . M ostr a v am -s e sa tis fe ito s co m tu do e dese jo so s de aju dar nos
pre p ara tiv os do casa m en to . M onsie u r D ela co ur co nsid ero u tu do, desd e a
dis tr ib uiç ão d e l u gare s a té o s s a p ato s d as d am as d e h onra , “
ch arm ant
!” . M ad am e
Dela co ur e ra m uito t a le n to sa c o m f e itiç o s d om éstic o s e d eix ou o f o rn o l im po e m
se g undos; G ab rie lle s e g uia a ir m ã m ais v elh a p ela c asa , te n ta n d o a ju dar n o q ue
pudesse , t a g are la n do e m u m f ra n cês m uito r á p id o.
Em baix o, A T oca n ão fo ra c o nstr u íd a p ara a co m odar ta n ta g en te . O c asa l
Weasle y a g ora e sta v a d orm in do n a s a la d e v is ita s d ep ois d e c ala r o s p ro te sto s d e
Monsie u r e M ad am e D ela co ur e in sis tir q ue o s d ois o cu passe m se u q uarto .
Gab rie lle i a d orm ir c o m F le u r n o a n tig o q uarto d e P erc y e G ui d iv id ir ia o q uarto
co m C arlin hos, s e u p ad rin ho d e c asa m en to , q uan do e le c h eg asse d a R om ên ia . A s
oportu nid ad es d e s e r e u nir e m p ara f a zer p la n os p ra tic am en te d eix ara m d e e x is tir ,
e f o i p or d ese sp ero q ue H arry , R ony e H erm io ne p assa ra m a s e o fe re cer p ara d ar
co m id a à s g alin has s ó p ara f u gir d a c asa d em asia d o c h eia .
— N em a ssim e la v ai n os d eix ar e m p az! — re cla m ou R ony q uan do a
se g unda te n ta tiv a d e s e e n co ntr a re m n o q uin ta l fo i fru str a d a p elo a p are cim en to
da s ra . W easle y, c arre g an do u m g ra n de c esto d e r o upa l a v ad a n os b ra ço s.
— A h, ó tim o, v ocês já a lim en ta ra m a s g alin has — d is se a o s e a p ro xim ar.
— É m elh or p re n dê-la s o utr a v ez n o g alin heir o a n te s q ue o s h om en s c h eg uem
am an hã... p ara a rm ar a te n da p ara o c asa m en to - e x plic o u, p ara n do e s e a p oia n do
à p are d e d a c asa . E la p are cia e x au sta . — T en das M ág ic as M illa m an t... e le s s ã o
muito b ons. G ui v ai a co m pan há-lo s... é m elh or v ocê n ão s a ir d e c asa e n quan to
estiv ere m aq ui, H arry . D ev o co nfe ssa r que co m plic a basta n te org an iz ar um

casa m en to , c o m t a n to s f e itiç o s d e s e g ura n ça p ela p ro prie d ad e.
— L am en to m uito — r e sp ondeu H arry c o m h um ild ad e.
— A h, n ão s e ja to lo , q uerid o! — e x cla m ou a s ra . W easle y im ed ia ta m en te .
— N ão q uis m e r e fe rir... b em , a s u a s e g ura n ça é m uito m ais im porta n te ! A liá s,
eu esta v a pen sa n do em lh e perg unta r co m o vai quere r co m em ora r o se u
an iv ers á rio , H arry . A fin al, d ezesse te a n os é u m a d ata i m porta n te ...
— N ão q uero in co m odar — d is se H arry d ep re ssa , im ag in an do a p re ssã o
ad ic io nal q ue is so tr a ria a to dos. — R ealm en te , s ra . W easle y, u m ja n ta r n orm al
se ria ó tim o... é a v ésp era d o c asa m en to ...
— A h, b em , se v ocê te m c erte za, q uerid o. V ou c o nvid ar R em o e T onks,
posso ? E H ag rid ?
— S eria ó tim o. M as, p or f a v or, n ão s e i n co m ode d em ais .
— N ão , n ão m esm o... n ão s e rá i n cô m odo...
A b ru xa lh e la n ço u u m o lh ar d em ora d o e in quis itiv o, d ep ois so rriu c o m
certa tr is te za e , se a p ru m an do, a fa sto u-s e . H arry o bse rv ou-a a cen ar a v arin ha
quan do s e a p ro xim ou d o v ara l, f a zen do a s r o upas ú m id as s e e rg uere m n o a r p ara
se pen dura re m , e, de re p en te , fo i in vad id o por um a onda de re m ors o pela
in co nven iê n cia e o p esa r q ue e sta v a l h e c au sa n do.

7
O t e sta m en to d e D um ble d ore
Ele e sta v a c am in han do p or u m a e str a d a m onta n hosa , à l u z f ria e a zu la d a d o
a lv ore cer. M uito a b aix o, e n volta e m n év oa, v ia -s e a s o m bra d e u m a a ld eia . O
h om em q ue e le p ro cu ra v a e sta ria lá ? O h om em d e q uem e le p re cis a v a ta n to q ue
n em c o nse g uia p en sa r e m m uito m ais , o h om em q ue g uard av a a r e sp osta p ara o
s e u p ro ble m a...
— E i, a co rd e.
Harry ab riu o s o lh os. E sta v a n ovam en te n o só tã o , d eita d o n a cam a d e
a rm ar, n o e n card id o q uarto d e R ony. O s o l a in da n ão n asc era e o q uarto a in da
e sta v a e sc u ro . P ic h itin ho d orm ia c o m a c ab eça s o b s u a a sin ha. A c ic atr iz n a t e sta
d e H arry f o rm ig av a.
— V ocê e sta v a f a la n do e n quan to d orm ia .
— E sta v a?
— H um -h um . G re g oro vitc h . V ocê fic o u re p etin do G re g oro vitc h . H arry
e sta v a s e m ó cu lo s; o r o sto d e R ony l h e p are cia m eio b orra d o.
— Q uem é G re g oro vitc h ?
— N ão s e i, s e i? V ocê é q ue e sta v a f a la n do.
Harry e sfre g ou a te sta , p en sa n do. T in ha u m a v ag a id éia d e q ue o uvir a o
n om e a n te s, m as n ão c o nse g uia l e m bra r o nde.
— A ch o q ue V old em ort e stá p ro cu ra n do p or e le .
— C oita d o — c o m en to u R ony c o m v eem ên cia .
Harry se n to u-s e , ain da esfre g an do a cic atr iz , ag ora co m ple ta m en te
a co rd ad o. T en to u s e le m bra r e x ata m en te d o q ue v ir a n o s o nho, m as tu do o q ue
l h e v eio à m en te fo i u m h oriz o nte m onta n hoso e o s c o nto rn os d e u m lu gare jo
a n in had o e m u m v ale p ro fu ndo.
— A ch o q ue e le e stá n o e x te rio r.
— Q uem , G re g oro vitc h ?
— V old em ort. A ch o q ue e stá e m a lg um lu gar n o e x te rio r. N ão p are cia a
I n gla te rra .
— V ocê ach a q ue esta v a le n do a m en te d ele o utr a v ez? R ony p are ceu
p re o cu pad o.
— F az u m fa v or, n ão c o m en ta c o m a H erm io ne — p ed iu H arry . -N ão s e i
c o m o é q ue e la e sp era q ue e u p are d e v er c o is a s q uan do e sto u d orm in do...
Ele e rg ueu o s o lh os p ara a g aio la d e P ic h itin ho, p en sa n do... p or q ue lh e

pare ceu r e co nhecer o n om e G re g oro vitc h ?
— A ch o — d is s e le n ta m en te — q ue te m a lg um a c o is a c o m q uad rib ol. H á
um a l ig ação , m as n ão c o nsig o... n ão c o nsig o s a b er q ual é .
— Q uad rib ol? ! — e x cla m ou R ony. — S erá q ue v ocê n ão e stá p en sa n do e m
Gorg ovitc h ?
— Q uem ?
— D ra g om ir G org ovitc h , o a rtilh eir o , te v e o p asse c o m pra d o p elo C hudle y
Can nons h á d ois an os p or u m p re ço re co rd e. É ta m bém re co rd is ta d o m aio r
núm ero d e g ole s p erd id as e m u m a s ó t e m pora d a.
— N ão , d ecid id am en te n ão e sto u p en sa n do e m G org ovitc h .
— E u t a m bém t e n to n ão p en sa r. E nfim , f e liz a n iv ers á rio !
— U au ... te m ra zão , tin ha m e esq uecid o! Fiz dezesse te an os! H arry
ap an hou a v arin ha a o la d o d a c am a d e a rm ar, a p onto u-a p ara a e sc riv an in ha
ch eia o nde d eix ara s e u s ó cu lo s e o rd en ou:

Accio ó cu lo s
! — E m bora e le s e stiv esse m a p en as tr in ta c en tím etr o s d e
dis tâ n cia , h av ia a lg o e x tr e m am en te p ra zero so e m v er o s ó cu lo s v oan do e m s u a
dir e ção , p elo m en os a té l h e e sp eta re m u m o lh o.
— L eg al! — R iu R ony.
Conte n te c o m a re m oção d o ra str e ad or, H arry fe z o s p erte n ces d e R ony
voare m p elo q uarto e a co rd ou P ic h itin ho, q ue b ate u a s a sa s a lv oro çad o n a g aio la .
Harry ta m bém e x perim en to u a m arra r o s c o rd ões d o tê n is u sa n do m ag ia (o n ó
re su lta n te p re cis o u d e v ário s m in uto s p ara s e r d esfe ito m an ualm en te ) e , p or p uro
pra zer, m udou a s v este s c o r d e la ra n ja p ara a zu l b erra n te n os p ôste re s d e R ony
dos C hudle y C an nons.
— M as e u d esa b oto aria a b ra g uilh a c o m a m ão — a co nse lh ou R ony r in do,
fa zen do co m q ue H arry im ed ia ta m en te a v erif ic asse . -T om e o se u p re se n te .
Abra -o a q ui, n ão é p ara m in ha m ãe v er.
— U m liv ro ? — a d m ir o u-s e H arry , a o re ceb er o e m bru lh o re ta n gula r. —
Foge u m p ouco à t r a d iç ão , n ão ?
— N ão é u m liv ro co m um — co m en to u R ony. — É o uro p uro :
Doze
maneir a s in fa lív eis d e en ca nta r b ru xa s
. E xplic a tu do q ue v ocê p re cis a sa b er
so bre g aro ta s. S e e u a o m en os o tiv esse lid o n o a n o p assa d o, s a b eria e x ata m en te
co m o m e liv ra r d e L ilá e c o m o e n gre n ar c o m a ... b em , F re d e J o rg e m e d era m
um e x em pla r, e a p re n di u m b ocad o. V ocê v ai fic ar su rp re so , n ão tr a ta só d e
fe itiç o s c o m v arin has.
Quan do ch eg ara m à co zin ha, en co ntr a ra m um a pilh a de pre se n te s
ag uard an do s o bre a m esa . G ui e M onsie u r D ela co ur e sta v am te rm in an do o c afé
da m an hã, e a s ra . W easle y c o nvers a v a c o m e le s e n quan to c u id av a d a f rig id eir a .
— A rth ur m e p ed iu p ara lh e d ese ja r fe lic id ad es p elo se u d écim o sé tim o

an iv ers á rio , H arry — dis se a sra . W easle y ab rin do um ra d ia n te so rris o . —
Pre cis o u s a ir c ed o p ara o tr a b alh o, v olta rá p ara o ja n ta r. O p re se n te d e c im a é o
nosso .
Harry s e s e n to u, a p an hou o e m bru lh o q uad ra d o q ue e la a p onta ra e a b riu -o .
Den tr o h av ia u m r e ló gio d e p uls o m uito p are cid o c o m o q ue a s ra . W easle y e o
marid o tin ham d ad o a R ony a o s d ezesse te a n os: e ra d e o uro e tin ha e str e la s
gir a n do n o m ostr a d or e m v ez d e p onte ir o s.
— É t r a d iç ão d ar a u m b ru xo u m r e ló gio q uan do e le a tin ge a m aio rid ad e —
ex plic o u ela , o bse rv an do-o an sio sa m en te d o fo gão . -N ão é ex ata m en te n ovo
co m o o de R ony, perte n ceu ao m eu ir m ão Fab ia n o, e ele não era m uito
cu id ad oso c o m o s s e u s p erte n ces, t e m u m a m assa d o n a p arte d e t r á s, m as...
O re sto do dis c u rs o se perd eu ; H arry se le v an to u e ab ra ço u-a . T en to u
co lo car m uita s co is a s n ão d ita s n aq uele ab ra ço e ela ta lv ez te n ha en te n did o,
porq ue a fa g ou s e u ro sto , s e m g ra ça, e , q uan do o g aro to a la rg ou a cen ou c o m a
varin ha m eio a e sm o e f e z m eio p aco te d e b aco n s a lta r d a f rig id eir a p ara o c h ão .
— F eliz a n iv ers á rio , H arry ! — d ese jo u H erm io ne, e n tr a n do a p re ssa d a n a
co zin ha e a cre sc en ta n do o s e u p re se n te a o t o po d a p ilh a. - N ão é m uita c o is a , m as
esp ero q ue g oste . Q ue f o i q ue v ocê d eu a e le ? — p erg unto u a R ony, q ue p are ceu
não t ê -la o uvid o.
— A nda l o go, a b re o p re se n te d a H erm io ne! — d is se R ony.
A garo ta co m pra ra um novo bis b ilh osc ó pio para Harry . Os outr o s
em bru lh os c o ntin ham u m b arb ead or e n can ta d o d e G ui e F le u r ( “
Ah, s im , i s se v a i
lh e darr o barrb ea rr m ais su ave qu’ vo cê já fe z
”, asse g uro u-lh e M onsie u r
Dela co ur, “
mas v o cê p rre cis a d iz e rr e xa ta m en te o q ue q uerr... d e o utr e m ode v a i
se v err c o m m en os p êlo s d o q ue g osta rria ...” ),
bom bons d o c asa l D ela co ur e
um a e n orm e c aix a c o m a s ú ltim as G em ia lid ad es W easle y, d e F re d e J o rg e.
Harry , R ony e H erm io ne n ão s e d em ora ra m à m esa , p orq ue a c h eg ad a d e
Mad am e Dela co ur, Fle u r e Gab rie lle deix ou a co zin ha m uito ch eia e
desc o nfo rtá v el.
— E u guard o is so para você — dis se H erm io ne an im ad a, tir a n do os
pre se n te s d os b ra ço s d e H arry e n quan to o s tr ê s v olta v am p ara o a n dar d e c im a.
— Q uase t e rm in ei, s ó e sto u e sp era n do s u as c alç as a cab are m d e l a v ar, R ony...
A r e sp osta e n gro la d a d e R ony f o i in te rro m pid a p ela a b ertu ra d e u m a p orta
no p rim eir o a n dar.
— H arry , v ocê p ode v ir a q ui u m i n sta n te ?
Era G in a. Rony paro u ab ru pta m en te , m as H erm io ne ag arro u-o pelo
co to velo e p uxou-o e sc ad a a cim a. N erv oso , H arry e n tr o u c o m G in a n o q uarto .
Nunca e stiv era a li a n te s. E ra p eq uen o, m as c la ro .
Em u m a p are d e, h av ia u m g ra n de p ôste r d a b an da b ru xa E sq uis ito nas e , n a

outr a , um a fo to de G uga Jo nes, cap itã do tim e de quad rib ol H arp ia s de
Holy head . A e sc riv an in ha f ic av a d e f re n te p ara a j a n ela a b erta , p or o nde s e v ia o
pom ar o nde e le e G in a t in ham c erta v ez j o gad o q uad rib ol e m d upla s c o m R ony e
Herm io ne, e q ue a g ora a co lh ia u m a te n da b ra n co -p éro la . A b an deir a d oura d a n o
alto a lc an çav a a j a n ela d e G in a.
A g aro ta e rg ueu o r o sto p ara H arry , t o m ou f ô le g o e d is se :
— F eliz d écim o s é tim o!
— A h... o brig ad o.
Ela co ntin uou en cara n do-o co m fir m eza; ele , no en ta n to , ach ou dif íc il
su ste n ta r a q uele o lh ar; e ra o m esm o q ue t e n ta r f ix ar u m a l u z b rilh an te .
— B onita v is ta — d is se se m g ra ça, ap onta n do p ara a ja n ela . G in a n ão
passo u r e cib o. E le n ão p odia c u lp á-la .
— N ão c o nse g ui p en sa r n o q ue l h e d ar — c o m eço u.
— V ocê n ão t in ha q ue m e d ar n ad a. A g aro ta i g noro u i s so t a m bém .
— N ão s a b ia o q ue p oderia s e r ú til. N ad a m uito g ra n de, p orq ue v ocê n ão
poderia l e v ar n a v ia g em .
Ele e x perim en to u o lh á-la . G in a n ão e sta v a c h oro sa ; e ssa e ra u m a d as s u as
qualid ad es: ra ra m en te c h ora v a. P or v ezes o co rria a H arry q ue o fa to d e e la te r
se is i r m ão s a t o rn ara f o rte .
A g aro ta s e a p ro xim ou d ele m ais u m p asso .
— E ntã o , p en se i q ue g osta ria d e lh e d ar u m a c o is a q ue fiz esse v ocê se
le m bra r de m im , sa b e, se en co ntr a r um a
veela
dessa s quan do estiv er fo ra ,
fa zen do s e ja l á o q ue v ai f a zer.
— A ch o q ue a s o portu nid ad es d e s a ir c o m g aro ta s v ão s e r m ín im as n essa
via g em , p ara s e r s in cero .
— E sse é o l a d o b om q ue e stiv e p ro cu ra n do — s u ssu rro u e la e , e m s e g uid a,
beijo u-o c o m o n unca o b eija ra a n te s, e H arry re tr ib uiu o b eijo , e se n tiu u m a
fe lic id ad e q ue o fe z e sq uecer to do o re sto , m elh or d o q ue q ualq uer u ís q ue d e
fo go; e la e ra a ú nic a re alid ad e n o m undo, G in a, a s e n sa ção d o s e u c o rp o, u m a
das m ão s e m s u as c o sta s e a o utr a e m s e u s c ab elo s p erfu m ad os...
A porta se esc an caro u co ntr a a pare d e e os dois se se p ara ra m
so bre ssa lta d os.
— A h — d is se R ony i n cis iv am en te . — D esc u lp em .
— R ony! — H erm io ne v in ha lo go a tr á s, lig eir a m en te o fe g an te . F ez-s e u m
silê n cio c o nstr a n gid o, q uan do G in a d is se i n ex pre ssiv am en te :
— B em , e n fim , H arry , f e liz a n iv ers á rio .
As o re lh as d e R ony fic ara m v erm elh o-v iv o; H erm io ne p are cia n erv osa .
Harry t e v e v onta d e d e b ate r a p orta n a c ara d ele s, m as e ra c o m o s e u m a c o rre n te
fria d e a r tiv esse in vad id o o q uarto e s e u m om en to d e g ló ria e sp oucasse n o a r

co m o u m a b olh a d e s a b ão . T odas a s ra zõ es p ara te rm in ar o n am oro c o m G in a,
para s e d is ta n cia r d ela , p are cia m t e r e n tr a d o n o q uarto c o m R ony, e s e u ê x ta se d e
fe lic id ad e s e e sv aír a .
Ele o lh ou p ara G in a, q uere n do lh e d iz er a lg um a c o is a , s e m s a b er m uito o
quê, m as e la l h e v ir o u a s c o sta s. H arry p en so u q ue d esta v ez e la i r ia s u cu m bir à s
lá g rim as. E e le n ão p oderia f a zer n ad a p ara c o nso lá -la n a f re n te d e R ony.
— A g en te se v ê m ais ta rd e — d is se e le , e a co m pan hou o s a m ig os q ue
sa ía m d o q uarto .
Rony d esc eu p is a n do f ir m e, p asso u p ela c o zin ha c h eia e s a iu p ara o q uin ta l,
Harry s e g uiu -o d e p erto e H erm io ne, q uase c o rre n do, fo i a tr á s d os d ois c o m a r
assu sta d o.
Quan do ch eg ara m ao is o la m en to do gra m ad o re cém -a p ara d o, R ony se
volto u p ara H arry .
— V ocê d eu o f o ra e m G in a. Q ue e stá f a zen do a g ora s e m ete n do c o m e la ?
— N ão e sto u m e m ete n do c o m e la — r e to rq uiu H arry n o m om en to e m q ue
Herm io ne o s a lc an çav a.
— R ony...
O g aro to , p oré m , e rg ueu a m ão p ed in do q ue a a m ig a s e c ala sse .
— E la f ic o u r e alm en te a rra sa d a q uan do v ocê t e rm in ou...
— E u ta m bém fiq uei. V ocê sa b e por que te rm in ei, e não fo i porq ue
quis e sse .
— É , m as a g ora f ic a d e b eijo s e a b ra ço s, r e n ovan do a s e sp era n ças d a m in ha
ir m ã...
— E la n ão é i d io ta , s a b e q ue n ão p ode s e r, n ão e stá e sp era n do q ue a g en te ...
a g en te a cab e c asa n do n em ...
Ao d iz er is so , fo rm ou-s e e m su a m en te u m a im ag em v iv id a d e G in a d e
vestid o b ra n co , c asa n do c o m u m d esc o nhecid o r e p ele n te e s e m f e iç õ es. E e m u m
in sta n te vertig in oso ele pare ceu en te n der: o fu tu ro dela era liv re e se m
co m pro m is so s, e n quan to o d ele ... t in ha a p en as V old em ort n o h oriz o nte .
— S e v ocê n ão p ára d e s e a tr a car c o m a G in a s e m pre q ue t e m u m a c h an ce...
— N ão v ai aco nte cer o utr a v ez — re tr u co u H arry co m ris p id ez. O d ia
esta v a c la ro , m as e le s e n tiu c o m o s e o s o l t iv esse d esa p are cid o. — O .k .?
Rony fe z u m a c ara e n tr e re sse n tid a e s e m g ra ça; b ala n ço u-s e s o bre o s p és
para a f re n te e p ara t r á s p or u m i n sta n te , e n tã o d is se :
— C erto , e n tã o , b em , é ... i s so .
Gin a n ão b usc o u o utr o e n co ntr o a s ó s c o m H arry o r e sto d o d ia , n em , p or
olh ar o u g esto , d em onstr o u q ue tiv esse m tid o m ais d o q ue u m a c o nvers a c o rd ia l
em se u q uarto . A c h eg ad a d e C arlin hos fo i u m a lív io p ara H arry . D iv ertiu -o
obse rv ar a s ra . W easle y f o rç ar o f ilh o a s e n ta r e m u m a c ad eir a , e rg uer a v arin ha

am eaçad ora m en te e a n uncia r q ue i a l h e f a zer u m c o rte d e c ab elo s d ecen te .
Com o o a n iv ers á rio d e H arry te ria fe ito a c o zin ha d ’A T oca e x plo dir d e
ta n ta g en te , m esm o an te s d a ch eg ad a d e C arlin hos, L upin , T onks e H ag rid ,
fo ra m c o lo cad as v ária s m esa s a o c o m prid o, n o ja rd im . F re d e J o rg e c o nju ra ra m
alg um as l a n te rn as r o xas, e n fe ita d as c o m u m g ra n de n úm ero 1 7 p ara p en dura r n o
ar s o bre a s m esa s. G ra ças a o s c u id ad os d a s ra . W easle y, o fe rim en to d e J o rg e
esta v a sa ra n do, m as H arry a in da n ão se a co stu m ara c o m o b ura co e sc u ro n a
cab eça d o a m ig o, a p esa r d as m uita s p ia d as d os g êm eo s s o bre a m utila ção .
Herm io ne fe z ir ro m pere m d a su a v arin ha se rp en tin as ro xas e d oura d as e
arru m ou-a s a rtis tic am en te s o bre á rv ore s e a rb usto s.
— B onito — c o m en to u R ony, q uan do a g aro ta , c o m u m flo re io fin al d a
varin ha, d ouro u a s f o lh as d a m acie ir a -b ra v a. — V ocê r e alm en te te m g osto p ara
esse t ip o d e c o is a .
— M uito o brig ad a, R ony! — d is se H erm io ne, p are cen do a o m esm o te m po
co nte n te e u m p ouco e n verg onhad a. H arry d eu a s c o sta s a o s d ois , s o rrin do p ara
si m esm o. O co rre ra -lh e a id éia c ô m ic a d e q ue e n co ntr a ria u m c ap ítu lo so bre
elo gio s q uan do tiv esse te m po d e fo lh ear o se u ex em pla r d e
Doze m aneir a s
in fa lív eis d e e n ca nta r b ru xa s
; o s e u o lh ar e n co ntr o u o d e G in a e e le s o rriu p ara a
garo ta , a n te s d e se le m bra r d a p ro m essa q ue fiz era a R ony e d ep re ssa p uxar
co nvers a c o m M onsie u r D ela co ur.
— A bra m cam in ho, ab ra m cam in ho! — can ta ro lo u a sra . W easle y,
passa n do p elo p ortã o c o m a lg o q ue le m bra v a u m p om o d e o uro d o ta m an ho d e
um a b ola d e p is c in a flu tu an do à s u a fre n te . H arry le v ou a lg uns s e g undos p ara
en te n der q ue e ra o s e u b olo d e a n iv ers á rio , q ue a s ra . W easle y tr a zia s u sp en so
co m a v arin ha, p ara n ão s e a rris c ar c arre g á-lo p elo t e rre n o a cid en ta d o. Q uan do o
bolo f in alm en te a te rris so u n o m eio d a m esa , H arry e lo gio u:
— F an tá stic o , s ra . W easle y !
— A h, n ão é n ad a, q uerid o — r e sp ondeu -lh e a b ru xa c arin hosa m en te . P or
cim a do om bro da m ãe, R ony erg ueu o pole g ar para H arry e m urm uro u:
“B ele za.”
Por volta das se te hora s, to dos os co nvid ad os tin ham ch eg ad o e sid o
le v ad os ao in te rio r d a casa p or F re d e Jo rg e, q ue o s esp era v am n o fim d a
estr a d in ha. H ag rid e n fa tio to u-s e p ara a o casiã o c o m o s e u m elh or, m as m ed onho,
te rn o p elu do m arro m . E m bora L upin s o rris se a o a p erta r s u a m ão , H arry a ch ou-o
co m u m ar b asta n te in fe liz . E ra m uito esq uis ito ; ao se u la d o, T onks p are cia
sim ple sm en te r a d ia n te .
— F eliz a n iv ers á rio , H arry — e la l h e d ese jo u, a b ra çan do-o c o m f o rç a.
— D ezesse te a n os, h ein ! — e x cla m ou H ag rid a ceita n do u m c o po d e v in ho
do ta m an ho de um bald e das m ão s de Fre d . — Faz se is an os que nos

co nhecem os, H arry , l e m bra ?
— V ag am en te — re sp ondeu H arry , rin do para o am ig o. — V ocê não
derru bou a p orta d e c asa , b oto u u m ra b o d e p orc o e m D uda e d is se q ue e u e ra
bru xo?
— E sq ueci o s d eta lh es — c o m en to u H ag rid c o m u m a g arg alh ad a. — T udo
bem , R ony, H erm io ne?
— E sta m os ó tim os — r e sp ondeu H erm io ne. — E v ocê, c o m o v ai?
— H um , n ad a m al. A ndei o cu pad o, te m os u ns u nic ó rn io s re cé m -n asc id os,
mostr o a vocês quan do volta re m ... — H arry ev ito u os olh are s dos am ig os
en quan to H ag rid p ro cu ra v a a lg um a c o is a n o b ols o . - T om e a q ui... e u n ão s a b ia o
que c o m pra r p ara v ocê, e n tã o m e le m bre i d is so . — E le p uxou u m a b ols in ha
lig eir a m en te f e lp uda c o m u m lo ngo c o rd ão , e v id en te m en te c o nceb id a p ara u sa r
ao p esc o ço . — P ele d e b rib a. E sc o nda a lg um a c o is a a í e n in guém , e x ceto o
dono, p ode t ir a r. S ão r a ra s, e ssa s.
— H ag rid , o brig ad o!
— N ão é n ad a — d is se H ag rid , c o m u m a cen o d a m ão e n orm e c o m o a
ta m pa d e u m a la ta d e lix o. — E lá e stá o C arlin hos! S em pre g oste i d ele ... e i!
Carlin hos!
O ra p az se ap ro xim ou, passa n do a m ão , pesa ro so , pelo novo co rte de
cab elo s b ru ta lm en te c u rto . E le e ra m ais b aix o d o q ue R ony, m ais a ta rra cad o, e
tin ha i n úm era s q ueim ad ura s e a rra n hões n os b ra ço s m usc u lo so s.
— O i, H ag rid , c o m o v ai a v id a?
— F az te m po que an do pen sa n do em esc re v er pra você. C om o vai o
Norb erto ?
— N orb erto ? — R iu -s e C arlin hos. — O dra g ão noru eg uês de dors o
cris ta d o? A gora e le s e c h am a N orb erta .
— Q uê... N orb erto é u m a f ê m ea?
— S im , s e n hor.
— C om o é p ossív el s a b er? — p erg unto u H erm io ne.
— S ão m uito m ais a g re ssiv os — r e sp ondeu C arlin hos. E le d eu u m a o lh ad a
por c im a d o o m bro e b aix ou a v oz. — G osta ria q ue p ap ai c h eg asse l o go. M am ãe
está f ic an do i m pacie n te .
Todos o lh ara m p ara a sra . W easle y. E la esta v a te n ta n do co nvers a r co m
Mad am e D ela co ur, m as l a n çav a o lh are s c o nsta n te s p ara o p ortã o .
— A ch o q ue é m elh or co m eçarm os se m o A rth ur — an uncio u p ara o s
co nvid ad os n o ja rd im , d ep ois d e a lg uns m om en to s. — E le d ev e te r s id o r e tid o...
ah !
Todos v ir a m a o m esm o te m po: u m ra str o d e lu z c o rto u o ja rd im e p aro u
so bre a m esa , o nde s e tr a n sfo rm ou e m u m a d onin ha p ra te ad a q ue s e e rg ueu n as

pata s t r a se ir a s e f a lo u c o m a v oz d o s r. W easle y :
— O m in is tr o d a M ag ia e stá v in do c o m ig o.
O P atr o no se d is so lv eu n o ar, d eix an do a fa m ília d e F le u r asso m bra d a,
olh an do p ara o l u gar e m q ue o b ic h o d esa p are cera .
— N ós n ão d ev ía m os e sta r a q ui — d is se L upin n a m esm a h ora . -H arry ...
la m en to ... e x plic are i o utr a h ora ...
E, a g arra n do T onks p elo p uls o , le v ou-a e m bora ; a o c h eg are m à c erc a, o s
dois a t r a n sp use ra m e d esa p are cera m . A s ra . W easle y d em onstr a v a e sp an to .
— O m in is tr o ... m as p or q uê... N ão e sto u e n te n den do...
Não h ouve, p oré m , te m po p ara d is c u tir e m o a ssu nto ; u m s e g undo d ep ois , o
sr. Weasle y ap are ceu ao portã o aco m pan had o por Rufo Scrim geo ur,
in sta n ta n eam en te r e co nhecív el p ela j u ba g ris a lh a.
Os re cém -c h eg ad os atr a v essa ra m o quin ta l e, co m passo s fir m es, se
dir ig ir a m a o ja rd im e à m esa ilu m in ad a p ela s la n te rn as, o nde to dos a g uard av am
em silê n cio , obse rv an do su a ap ro xim ação . Q uan do Scrim geo ur en tr o u no
perím etr o ilu m in ad o p ela s la n te rn as, H arry co nsta to u q ue o m in is tr o p are cia
muito m ais v elh o d o q ue d a ú ltim a v ez q ue t in ham s e v is to , m ag ro e c arra n cu do.
— D esc u lp em a in tr u sã o — d is se S crim geo ur, a o p ara r d ia n te d a m esa . —
Prin cip alm en te p orq ue p osso v er q ue e sto u p en etr a n do e m u m a f e sta p ara a q ual
não f u i c o nvid ad o.
O s e u o lh ar s e d em oro u p or u m m om en to n o g ig an te sc o p om o d e o uro .
— M uito s a n os d e v id a.
— O brig ad o — d is se H arry .
— Pre cis o dar um a pala v rin ha co m você em partic u la r — co ntin uou
Scrim geo ur. — E t a m bém c o m o s r. R onald W easle y e a s rta . H erm io ne G ra n ger.
— N ós? ! — e x cla m ou R ony e m t o m s u rp re so . — P or q ue n ós?
— E xplic are i q uan do e stiv erm os e m lu gar m ais re se rv ad o. H á n a c asa u m
lu gar a ssim ? — p erg unto u a o s r. W easle y.
— N atu ra lm en te — d is se o s r. W easle y, p are cen do n erv oso . — A ... a s a la
de v is ita s, p ode u sá -la .
— M ostr e -m e onde é — dis se Scrim geo ur a R ony. — N ão hav erá
necessid ad e d e n os a co m pan har, A rth ur.
Harry v iu o s r. W easle y tr o car u m o lh ar p re o cu pad o c o m a m ulh er, q uan do
ele , R ony e H erm io ne s e le v an ta ra m . E nquan to s e d ir ig ia m à c asa e m s ilê n cio ,
Harry s a b ia q ue o s o utr o s d ois e sta v am p en sa n do o m esm o q ue e le : S crim geo ur
dev ia , de alg um m odo, te r desc o berto que esta v am pla n eja n do ab an donar
Hogw arts .
O m in is tr o não fa lo u quan do passa ra m pela co zin ha desa rru m ad a e
en tr a ra m n a s a la d e v is ita s d ’A T oca. E m bora o ja rd im e stiv esse ilu m in ad o p or

um a lu z n otu rn a s u av e e d oura d a, já e sta v a e sc u ro a li d en tr o : H arry a p onto u a
varin ha p ara o s la m piõ es, a o e n tr a r, e f e z-s e l u z n a s a la g asta m as a co nch eg an te .
Scrim geo ur se n to u-s e na poltr o na de m ola s fro uxas que o sr. W easle y
norm alm en te o cu pav a, d eix an do q ue H arry , R ony e H erm io ne se ap erta sse m
la d o a l a d o n o s o fá . U m a v ez a co m odad os, o m in is tr o f a lo u:
— T en ho a lg um as p erg unta s a fa zer a o s tr ê s, m as a ch o q ue se rá m elh or
fa zê-la s s e p ara d am en te . S e v ocês d ois — e le a p onto u p ara H arry e H erm io ne —
pudere m e sp era r l á e m c im a, c o m eçare i p elo R onald .
— N ão v am os a lu gar a lg um — d is se H arry , s e cu ndad o p or u m v ig oro so
acen o d e c ab eça d e H erm io ne. — O s e n hor p ode f a la r c o m to dos ju nto s o u n ão
fa la r c o m n en hum .
Scrim geo ur la n ço u a H arry u m frio o lh ar d e a v alia ção . O g aro to te v e a
im pre ssã o de que o m in is tr o esta v a re fle tin do se vale ria a pen a in ic ia r as
hostilid ad es t ã o c ed o.
— M uito bem , en tã o , ju nto s — dis se ele , sa cu din do os om bro s. E
pig arre o u. — E sto u a q ui, c o m o b em s a b em , p or c au sa d o te sta m en to d e A lv o
Dum ble d ore .
Harry , R ony e H erm io ne s e e n tr e o lh ara m .
— P elo v is to é su rp re sa ! V ocês n ão sa b ia m q ue D um ble d ore tin ha lh es
deix ad o a lg um a c o is a ?
— A ... a o s t r ê s? — p erg unto u R ony. — A m im e H erm io ne t a m bém ?
— A t o dos...
Harry , n o e n ta n to , i n te rro m peu -o .
— Já fa z m ais d e u m m ês q ue D um ble d ore fa le ceu . P or q ue d em ora ra m
ta n to p ara n os e n tr e g ar o q ue e le n os d eix ou?
— N ão é ó bvio ?! — e x cla m ou H erm io ne, a n te s q ue S crim geo ur p udesse
re sp onder. — Q ueria m e x am in ar s e ja lá o q ue e le te n ha n os d eix ad o. O s e n hor
não t in ha o d ir e ito d e f a zer i s so ! — S ua v oz t r e m ia l e v em en te .
— T in ha to do o d ir e ito — d is se S crim geo ur s u m aria m en te . — O D ecre to
so bre C onfis c o J u stif ic áv el d á a o m in is tr o o p oder d e c o nfis c ar o s b en s d e u m
te sta m en to ...
— A le i fo i cria d a p ara im ped ir o s b ru xos d as tr e v as d e le g are m se u s
obje to s — r e to rq uiu H erm io ne — , e o M in is té rio p re cis a t e r f o rte s p ro vas d e q ue
os b en s d o f a le cid o s ã o ile g ais a n te s d e a p re en dê-lo s! O s e n hor e stá n os d iz en do
que j u lg ou q ue D um ble d ore e stiv esse t e n ta n do n os p assa r o bje to s m ald ito s?
— S rta . G ra n ger, e stá p re te n den do f a zer c arre ir a e m D ir e ito d a M ag ia ?
— N ão , n ão esto u — re tr u co u H erm io ne. — T en ho esp era n ça d e fa zer
alg um b em n o m undo!
Rony r iu . O s o lh os d e S crim geo ur p is c ara m e m s u a d ir e ção e to rn ara m a s e

desv ia r q uan do H arry f a lo u.
— E ntã o , p or q ue re so lv eu n os e n tr e g ar o q ue n os p erte n ce a g ora ? N ão
co nse g uiu p en sa r e m u m p re te x to p ara m an te r o s o bje to s e m s e u p oder?
— N ão , dev e se r porq ue os tr in ta e um dia s ven cera m — re sp ondeu
Herm io ne im ed ia ta m en te . — O M in is té rio n ão p ode re te r o bje to s p or p ra zo
su perio r, a n ão s e r q ue s e ja m c o m pro vad am en te p erig oso s. C erto ?
— V ocê dir ia que era ín tim o de D um ble d ore , R onald ? — perg unto u
Scrim geo ur, i g nora n do H erm io ne. R ony p are ceu s u rp re so .
— E u? N ão ... m uito ... e ra s e m pre H arry q uem ...
Rony o lh ou p ara o s a m ig os e v iu H erm io ne l h e d an do a q uele o lh ar “ cale -já -
a-b oca!” , m as o e str a g o já fo ra fe ito : S crim geo ur fe z c ara d e q uem a cab ara d e
ouvir e x ata m en te o q ue t in ha e sp era d o e q ueria o uvir. A van ço u n a d eix a d e R ony
co m o u m a a v e d e r a p in a.
— S e v ocê n ão e ra m uito í n tim o d e D um ble d ore , c o m o e x plic a q ue t e n ha s e
le m bra d o de você no te sta m en to ? Ele deix ou ex cep cio nalm en te pouco a
in div íd uos. A m aio r parte dos se u s ben s... su a bib lio te ca partic u la r, se u s
in str u m en to s m ág ic o s e o utr o s p erte n ces... fo ra m le g ad os a H ogw arts . P or q ue
ach a q ue m ere ceu d esta q ue?
— E u... n ão se i — re sp ondeu R ony. — Q uan do d ig o q ue n ão éra m os
ín tim os... Q uero d iz er, a ch o q ue e le g osta v a d e m im ...
— V ocê e stá se n do m odesto , R ony — in te rv eio H erm io ne. -D um ble d ore
gosta v a m uito d e v ocê.
Is to e ra e x ag era r a v erd ad e q uase a o p onto d e r u ptu ra ; p elo q ue H arry s a b ia ,
Rony e D um ble d ore n unca t in ham e sta d o a s ó s, e o c o nta to d ir e to e n tr e d ir e to r e
alu no fo ra m ín im o. C ontu do, S crim geo ur n ão p are cia e sta r e sc u ta n do. M ete u a
mão s o b a c ap a e p uxou u m a b ols a d e c o rd ões m uito m aio r d o q ue a q ue H ag rid
dera a H arry . D a b ols a , t ir o u u m r o lo d e p erg am in ho, q ue a b riu e l e u e m v oz a lta .
— “Ú ltim as v onta d es d e A lv o P erc iv al W ulf ric o B ria n D um ble d ore ...” ,
sim , a q ui e stá ... “ a R onald W easle y, d eix o o m eu d esilu m in ad or, n a e sp era n ça d e
que s e l e m bre d e m im q uan do u sá -lo .”
Scrim geo ur tir o u d a b ols a u m o bje to q ue H arry já v ir a : p are cia u m is q ueir o
de p ra ta , m as tin ha, sa b ia e le , o p oder d e e x tin guir to da a lu z d e u m lu gar e
re sta u rá -la c o m u m s im ple s c liq ue. S crim geo ur s e i n clin ou p ara a f re n te e p asso u
o d esilu m in ad or a R ony, q ue o re ceb eu e e x am in ou e n tr e o s d ed os c o m a r d e
perp le x id ad e.
— I s to é u m o bje to v alio so — c o m en to u S crim geo ur, o bse rv an do R ony. —
Talv ez se ja únic o no m undo. Com certe za fo i pro je ta d o pelo pró prio
Dum ble d ore . P or q ue e le t e ria l h e l e g ad o a lg o t ã o r a ro ?
Rony s a cu diu a c ab eça, a tu rd id o.

— D um ble d ore d ev e te r tid o m ilh are s d e a lu nos — in sis tiu S crim geo ur. —
Contu do, o s ú nic o s d e q ue s e le m bro u e m s e u te sta m en to f o ra m v ocês tr ê s. P or
que s e rá ? Q ue u so e le te rá p en sa d o q ue o s e n hor d aria a e sse d esilu m in ad or, s r.
Weasle y ?
— A pag ar lu zes, su ponho — m urm uro u R ony. — Q ue m ais e u p oderia
fa zer c o m e le ?
Evid en te m en te S crim geo ur não te v e outr a s su gestõ es a dar. D ep ois de
obse rv ar R ony c o m o s o lh os s e m ic erra d os p or u m m om en to , v olto u s u a a te n ção
para o t e sta m en to d e D um ble d ore .
— “ P ara a s ra . H erm io ne G ra n ger, d eix o o m eu e x em pla r d e
Os c o nto s d e
Beed le , o b ard o
, n a e sp era n ça d e q ue e la o a ch e d iv ertid o e i n str u tiv o.”
Scrim geo ur a p an hou, e n tã o , n a b ols a u m liv rin ho q ue p are cia tã o a n tig o
quan to o
Seg re d os d as a rte s m ais te n eb ro sa s
. A e n cad ern ação e sta v a m an ch ad a
e d esc asc an do e m a lg uns p onto s. H erm io ne re ceb eu -o d o m in is tr o e m s ilê n cio .
Seg uro u o l iv ro n o c o lo e c o nte m plo u-o . H arry v iu q ue o t ítu lo e sta v a e sc rito e m
ru nas; n unca tin ha a p re n did o a lê -la s. E nquan to e le o bse rv av a, u m a lá g rim a c aiu
so bre o s s ím bolo s g ra v ad os e m r e le v o.
— P or q ue a ch a q ue D um ble d ore lh e d eix ou e sse liv ro , s rta . G ra n ger? —
perg unto u S crim geo ur.
— E le ... e le s a b ia q ue e u g osta v a d e le r — re sp ondeu a g aro ta c o m a v oz
em pasta d a, e n xugan do o s o lh os n as m an gas d a r o upa.
— M as p or q ue e sse l iv ro e m e sp ecia l?
— N ão s e i. D ev e t e r p en sa d o q ue e u g osta ria d e l ê -lo .
— A lg um a v ez d is c u tiu c ó dig os o u o utr o s m eio s d e tr a n sm itir m en sa g en s
se cre ta s c o m D um ble d ore ?
— N ão , n unca — d is se H erm io ne, a in da e n xugan do a s lá g rim as n a m an ga.
— E s e o M in is té rio n ão e n co ntr o u n en hum c ó dig o s e cre to n esse liv ro e m tr in ta
e u m d ia s, d uvid o q ue e u v á e n co ntr a r.
A g aro ta e n goliu u m s o lu ço . O s tr ê s e sta v am s e n ta d os tã o e sp re m id os q ue
Rony te v e d if ic u ld ad e e m p uxar o b ra ço e p assá -lo p elo s o m bro s d e H erm io ne.
Scrim geo ur t o rn ou a c o nsu lta r o t e sta m en to .
— “ A H arry P otte r” — le u e le , e a s e n tr a n has d o g aro to s e c o ntr a ír a m c o m
re p en tin a e x cita ção — “ d eix o o p om o d e o uro q ue e le c ap tu ro u e m s e u p rim eir o
jo go de quad rib ol em Hogw arts , para le m bra r- lh e as re co m pen sa s da
pers e v era n ça e d a c o m petê n cia .”
Quan do S crim geo ur tir o u a b olin ha d e o uro d o ta m an ho d e u m a n oz, s u as
asa s d e p ra ta esv oaçara m le v em en te e H arry n ão p ôde d eix ar d e se n tir u m
defin itiv o a n tic lím ax .
— P or q ue D um ble d ore l h e d eix ou e ste p om o? — p erg unto u S crim geo ur.

— N ão fa ço a m en or id éia — re sp ondeu H arry . — P ela s ra zõ es q ue o
se n hor a cab ou d e le r, s u ponho... p ara m e le m bra r o q ue s e p ode o bte r q uan do
se ... p ers e v era e o q ue m ais s e ja .
— E ntã o v ocê a ch a q ue é a p en as u m a l e m bra n ça s im bólic a?
— S uponho q ue s im . Q ue m ais p oderia s e r?
— S ou e u q uem f a z a s p erg unta s — d is se S crim geo ur, p uxan do s u a c ad eir a
para m ais p erto d o s o fá . A n oite c aía lá f o ra ; a te n da v is ta d a ja n ela s e e le v av a
fa n ta sm ag oric am en te b ra n ca a cim a d a c erc a.
— R ep are i q ue o s e u b olo d e a n iv ers á rio te m a f o rm a d e u m p om o d e o uro
— d is se o m in is tr o . — P or q uê?
Herm io ne r iu i r o nic am en te .
— A h, n ão p ode s e r u m a a lu sã o a o f a to d e H arry s e r u m g ra n de a p an had or,
is so se ria ó bvio d em ais . D ev e h av er u m a m en sa g em se cre ta d e D um ble d ore
esc o ndid a n o g la cê!
— N ão a ch o q ue h aja n ad a e sc o ndid o n o g la cê — r e tr u co u S crim geo ur — ,
mas u m p om o se ria u m esc o nderijo m uito b om p ara u m p eq uen o o bje to . A
se n horita c erta m en te s a b e p or q uê.
Harry sa cu diu o s o m bro s. H erm io ne, n o e n ta n to , re sp ondeu a o m in is tr o :
oco rre u -lh e q ue r e sp onder à s p erg unta s c o m a certo e ra u m h áb ito tã o a rra ig ad o
que a a m ig a n ão c o nse g uia c o ntr o la r o i m puls o .
— P orq ue o s p om os g uard am n a m em ória o t o que h um an o.
— Q uê?! — e x cla m ara m H arry e R ony ju nto s; o s d ois c o nsid era v am o s
co nhecim en to s d e H erm io ne e m q uad rib ol i n sig nif ic an te s.
— C orre to — d is se o m in is tr o . — U m p om o n ão é t o cad o p ela p ele h um an a
nua a n te s d e se r lib era d o, n em m esm o p or se u fa b ric an te , q ue u sa lu vas. E le
carre g a u m e n can ta m en to m ed ia n te o q ual é c ap az d e id en tif ic ar o p rim eir o s e r
hum an o q ue o se g uro u, n o c aso d e u m a c ap tu ra d is p uta d a, p or e x em plo . E ste
pom o — d is se ele erg uen do a m in úsc u la b ola — se le m bra rá d o se u to que,
Potte r. O co rre -m e q ue D um ble d ore , q ue p ossu ía u m a p ro dig io sa c o m petê n cia
em m ag ia , a p esa r d os d efe ito s q ue p orv en tu ra tiv esse , ta lv ez te n ha e n fe itiç ad o o
pom o p ara q ue s ó s e a b ra a o s e u t o que.
O c o ra ção d e H arry b atia c o m m ais f o rç a. T in ha c erte za d e q ue S crim geo ur
acerta ra . C om o p oderia ev ita r re ceb er o p om o co m as m ão s n uas d ia n te d o
min is tr o ?
— V ocê n ão r e sp onde. T alv ez j á s a ib a o q ue o p om o c o nté m , n ão ?
— N ão — r e sp ondeu H arry , a in da p en sa n do c o m o p oderia f in gir q ue t o cav a
o pom o se m re alm en te fa zer is so . S e ele ao m en os so ubesse L eg ilim ên cia ,
so ubesse d e fa to , e p udesse le r a m en te d e H erm io ne: p ra tic am en te d av a p ara
ouvir a s e n gre n ag en s d o c ére b ro d ela t r a b alh an do a o s e u l a d o.

— P eg ue — d is se S crim geo ur c alm am en te .
Harry e n caro u o s o lh os a m are lo s d o m in is tr o e e n te n deu q ue n ão l h e r e sta v a
opção s e n ão o bed ecer. E ste n deu a m ão e S crim geo ur to rn ou a s e in clin ar p ara a
fre n te e d ep osito u o p om o n a p alm a d e s u a m ão l e n ta e d elib era d am en te .
Nad a a co nte ceu . Q uan do o s d ed os d e H arry s e f e ch ara m e m t o rn o d o p om o,
su as asin has can sa d as esv oaçara m e se im obiliz ara m . Scrim geo ur, R ony e
Herm io ne c o ntin uara m a o lh ar a n sio so s p ara a b ola , a g ora p arc ia lm en te o cu lta ,
co m o s e e sp era sse m q ue p udesse s o fre r a lg um a t r a n sfo rm ação .
— E ssa fo i d ra m átic a — c o m en to u H arry d esc o ntr a íd o. R ony e H erm io ne
rir a m j u nto s.
— E ntã o te rm in am os, n ão ? — p erg unto u H erm io ne, te n ta n do s e e rg uer d o
so fá a p erta d o.
— A in da n ão — r e sp ondeu S crim geo ur, q ue a g ora p are cia m al- h um ora d o.
— D um ble d ore l h e d eix ou o utr a h era n ça, P otte r.
— Q ual? — perg unto u ele , su a ag ita ção se re n ovan do. D esta vez
Scrim geo ur n ão s e d eu a o t r a b alh o d e l e r o t e sta m en to .
— A e sp ad a d e G odric G ry ff in dor.
Herm io ne e R ony e n rije cera m . H arry o lh ou p ara o s la d os, p ro cu ra n do u m
sin al d a b ain ha in cru sta d a d e ru bis , m as S crim geo ur n ão a tir o u d a b ols a d e
co uro q ue, d e t o do m odo, p are cia p eq uen a d em ais p ara c o ntê -la .
— E ntã o , o nde e stá ? — t o rn ou H arry d esc o nfia d o.
— In fe liz m en te — d is se S crim geo ur — , aq uela esp ad a n ão p erte n cia a
Dum ble d ore p ara q ue d is p use sse d ela . A e sp ad a d e G odric G ry ff in dor é u m a
im porta n te p eça h is tó ric a, e c o m o t a l p erte n ce...
— P erte n ce a H arry ! — co m ple to u H erm io ne ex alta d a. — A esp ad a o
esc o lh eu , f o i e le q uem a e n co ntr o u, s a iu d o C hap éu S ele to r p ara a s m ão s d ele ...
— D e a co rd o c o m f o nte s h is tó ric as c o nfiá v eis , a e sp ad a p ode s e a p re se n ta r
a q ualq uer a lu no d a G rif in ória q ue a m ere ça — r e tr u co u S crim geo ur. — I s to n ão
a to rn a p ro prie d ad e e x clu siv a d o s r. P otte r, s e ja o q ue f o r q ue D um ble d ore te n ha
decid id o. — O m in is tr o c o ço u o q ueix o m al b arb ead o, e stu dan do H arry . — P or
que a ch a...?
— Q ue D um ble d ore quis m e dar a esp ad a? — re sp ondeu H arry se
esfo rç an do p ara n ão ex plo dir. — T alv ez te n ha ach ad o q ue fic aria b onita n a
min ha p are d e.
— Is to n ão é b rin cad eir a , P otte r! — v ocif e ro u S crim geo ur. — T eria s id o
porq ue D um ble d ore acre d ita v a que so m en te a esp ad a de G odric G ry ff in dor
poderia d erro ta r o h erd eir o d e S ly th erin ? Q uis lh e d ar a q uela e sp ad a, P otte r,
porq ue a cre d ita v a, c o m o t a n to s, q ue v ocê e stá d estin ad o a d estr u ir E le -Q ue-N ão -
Dev e-S er- N om ead o?

— U m a te o ria in te re ssa n te . A lg uém já te n to u tr a n sp assa r V old em ort c o m
um a e sp ad a? O M in is té rio ta lv ez d ev esse e n carre g ar a lg uém d is so , e m v ez d e
perd er te m po d esm onta n do d esilu m in ad ore s o u ab afa n do fu gas em m assa d e
Azk ab an . E ntã o , é is so q ue o s e n hor e stá f a zen do, m in is tr o , s e tr a n can do e m s e u
gab in ete p ara te n ta r a b rir u m p om o? A s p esso as e stã o m orre n do, e u q uase fu i
um a d ela s, V old em ort a tr a v esso u tr ê s c o ndad os m e p ers e g uin do, m ato u O lh o-
Tonto , m as o M in is té rio n ão d is se u m a p ala v ra so bre a p erd a, d is se ? E a in da
esp era q ue c o opere m os c o m o s e n hor!
— V ocê está in do lo nge dem ais ! — grito u S crim geo ur, le v an ta n do-s e ;
Harry p ôs-s e d e p é ta m bém . O m in is tr o s e e n cam in hou p ara H arry , m an can do, e
lh e d eu u m a fo rte e sto cad a n o p eito c o m a v arin ha: o g olp e a b riu u m b ura co
co m o o d e u m a b ra sa d e c ig arro n a c am is e ta d o g aro to .
— E i! — ex cla m ou R ony, erg uen do-s e de um sa lto e em punhan do a
varin ha, m as H arry d is se :
— N ão ! V ocê q uer d ar a e le u m a d esc u lp a p ara n os p re n der?
— L em bro u-s e d e q ue n ão e stá n a e sc o la , n ão é ? — p erg unto u S crim geo ur,
bufa n do n o ro sto d e H arry . — L em bro u-s e d e q ue n ão so u D um ble d ore , q ue
perd oav a a s u a in so lê n cia e in su bord in ação ? V ocê p ode u sa r e ssa c ic atr iz c o m o
um a c o ro a, m as n ão c ab e a u m g aro to d e d ezesse te a n os m e d iz er c o m o d ir ig ir o
Min is té rio ! J á é h ora d e v ocê a p re n der a t e r r e sp eito .
— E d o s e n hor a p re n der a m ere cê-lo .
Ouviu -s e u m t r o pel d e p asso s, e m s e g uid a a p orta d a s a la d e v is ita s s e a b riu
de r e p en te e o s r. e a s ra . W easle y e n tr a ra m c o rre n do.
— Nós... nós pen sa m os te r ouvid o... — co m eço u o sr. W easle y,
ab so lu ta m en te a ssu sta d o a o v er H arry e o m in is tr o v ir tu alm en te s e e n fre n ta n do.
— ... v ozes a lte ra d as — o fe g ou a s ra . W easle y.
Scrim geo ur s e a fa sto u u ns d ois p asso s d e H arry , o lh an do p ara o b ura co q ue
ab rir a n a c am is e ta d o g aro to . P are ceu s e a rre p en der d e t e r p erd id o a c ab eça.
— N ão ... n ão fo i n ad a — ro sn ou o m in is tr o . — L am en to ... s u a a titu de —
dis se , e n cara n do H arry m ais u m a v ez. — P elo v is to , v ocê p en sa q ue o M in is té rio
não d ese ja o m esm o q ue v ocê, o q ue D um ble d ore d ese ja v a. D ev ía m os esta r
tr a b alh an do j u nto s.
— N ão g osto d os s e u s m éto dos, m in is tr o . E stá l e m bra d o?
Pela se g unda v ez, e le e rg ueu o p uls o d ir e ito e m ostr o u a S crim geo ur a s
cic atr iz es lív id as no dors o de su a m ão , em que se lia m
Não devo co nta r
men tir a s
. A e x pre ssã o d e S crim geo ur e n dure ceu . V ir o u-s e s e m d iz er m ais n ad a e
sa iu m an can do d a sa la . A sra . W easle y a p re sso u-s e e m a co m pan há-lo ; H arry
ouviu -a p ara r à p orta d os f u ndos. P assa d o p ouco m ais d e u m m in uto , e la f a lo u d a
co zin ha:

— E le f o i e m bora !
— E o q ue e le q ueria ? — p erg unto u o sr. W easle y, o lh an do p ara H arry ,
Rony e H erm io ne, n o m om en to e m q ue a s ra . W easle y v olta v a a s e r e u nir a e le s.
— E ntr e g ar o q ue D um ble d ore n os d eix ou — d is se H arry . -A cab ara m d e
lib era r o c o nte ú do d o t e sta m en to .
Lá n o ja rd im , o s tr ê s o bje to s q ue S crim geo ur d era a o s g aro to s p assa ra m
pela s m esa s d e m ão e m m ão . T odos a d m ir a ra m o d esilu m in ad or e
Os c o nto s d e
Beed le , o b ard o
, e la m en ta ra m q ue S crim geo ur tiv esse s e r e cu sa d o a e n tr e g ar a
esp ad a, m as n in guém fo i c ap az d e s u gerir o m otiv o p or q ue D um ble d ore te ria
le g ad o a Harry um velh o pom o. Quan do o sr. W easle y ex am in av a o
desilu m in ad or p ela t e rc eir a o u q uarta v ez, s u a m ulh er a rris c o u u m p alp ite :
— H arry , q uerid o, e sta m os m orto s d e fo m e, n ão q uis e m os c o m eçar se m
você... p osso s e rv ir o j a n ta r a g ora ?
Todos c o m era m r a p id am en te e , a o t e rm in are m d e c an ta r u m “ p ara b én s p ara
você” ig ualm en te rá p id o e d ev ora r o b olo , a fe sta fo i e n cerra d a. H ag rid , q ue
tin ha s id o c o nvid ad o p ara o c asa m en to n o d ia s e g uin te , m as e ra g ra n de d em ais
para d orm ir n ’A T oca s u perlo ta d a, s a iu p ara a rm ar s u a b arra ca e m u m c am po
viz in ho.
— E nco ntr e a gen te lá em cim a — su ssu rro u H arry para H erm io ne,
en quan to a ju dav a a s ra . W easle y a d ev olv er o ja rd im à n orm alid ad e. — D ep ois
que o p esso al f o r s e d eita r.
No q uarto d o s ó tã o , R ony e x am in ou s e u d esilu m in ad or e H arry e n ch eu a
bols a d e b rib a q ue H ag rid lh e d era , n ão c o m o uro m as c o m o s s e u s o bje to s m ais
pre cio so s, e m bora a lg uns a p are n te m en te n ão v ale sse m n ad a: o M ap a d o M aro to ,
o c aco d o e sp elh o d e S ir iu s e o m ed alh ão d e R .A .B . E le f e ch ou b em o s c o rd ões e
pre n deu a bols a ao pesc o ço , dep ois se n to u, se g ura n do o velh o pom o e
obse rv an do s u as a sin has e sv oaçare m d eb ilm en te . F in alm en te , H erm io ne b ate u à
porta e e n tr o u n as p onta s d os p és.

Abaffia to
— s u ssu rro u, a cen an do a v arin ha e m d ir e ção à e sc ad a.
— P en se i q ue v ocê n ão a p ro vasse e sse f e itiç o — i m plic o u R ony.
— O s t e m pos m udam — r e sp ondeu H erm io ne. — A gora m ostr e -n os a q uele
desilu m in ad or.
Rony a te n deu o s e u p ed id o n a m esm a h ora . E rg uen do-o à fre n te , c lic o u o
obje to . A ú nic a l u z q ue b rilh av a n o q uarto s e a p ag ou i m ed ia ta m en te .
— A q uestã o é — c o ch ic h ou H erm io ne n o e sc u ro — , p odería m os t e r o btid o
o m esm o e fe ito c o m a q uele P ó E sc u re ced or I n sta n tâ n eo d o P eru .
Ouviu -s e u m le v e e sta lo , e a c h am a d a lu z d o c an deeir o v oou d e v olta a o
te to e i lu m in ou-o s.
— M esm o a ssim é le g al — d is se R ony n a d efe n siv a. — E , p elo q ue d iz em ,

fo i o p ró prio D um ble d ore q ue o i n ven to u!
— E u s e i, m as c o m c erte za e le n ão t e ria m en cio nad o v ocê n o t e sta m en to s ó
para n os a ju dar a a p ag ar a s l u zes!
— V ocê a ch a q ue e le sa b ia q ue o M in is té rio c o nfis c aria o te sta m en to e
ex am in aria t u do q ue n os d eix ou? — p erg unto u H arry .
— S em a m en or d úvid a — r e sp ondeu H erm io ne. — N ão p odia n os d iz er n o
te sta m en to por que esta v a nos deix an do essa s co is a s, ain da assim is so não
ex plic a...
— ... p or q ue n ão p oderia te r n os d ad o u m a d ic a q uan do e sta v a v iv o? —
in dag ou R ony.
— E xata m en te — co nco rd ou H erm io ne, ag ora fo lh ean do
Os co nto s de
Beed le , o b ord o
. — S e e sse s o bje to s s ã o s u fic ie n te m en te im porta n te s p ara le g á-
lo s a n ós b em d eb aix o d o n ariz d o M in is té rio , s e ria d e e sp era r q ue d esse u m j e ito
de n os i n fo rm ar o p orq uê... a n ão s e r q ue a ch asse q ue e ra ó bvio .
— E le e n gan ou-s e , e n tã o , n ão f o i? — d is se R ony. — E u s e m pre d is se q ue
ele e ra d oid o. U m g ên io e tu do o m ais , m as p ir a d o. D eix ar a o H arry u m p om o
velh o... a fin al o q ue é q ue é i s so ?
— N ão fa ço id éia — d is se H erm io ne. — Q uan do S crim geo ur fe z v ocê
se g urá -lo , H arry , e sta v a c erta d e q ue a lg um a c o is a i a a co nte cer!
— É , b em — d is se H arry , s e u s b atim en to s s e a cele ra n do a o e rg uer o p om o
en tr e o s d ed os. — E u n ão i a m e e sfo rç ar m uito n a f re n te d e S crim geo ur, n ão é ?
— C om o a ssim ? — p erg unto u H erm io ne.
— O p om o q ue e u c ap tu re i n a p rim eir a p artid a q ue j o guei n a v id a? — d is se
Harry . — V ocê n ão l e m bra ?
Herm io ne p are ceu sim ple sm en te atu rd id a. R ony, n o en ta n to , so lto u u m a
ex cla m ação , ap onta n do fre n etic am en te d e H arry p ara o p om o e d e v olta até
re cu pera r a v oz.
— F oi e sse q ue v ocê q uase e n goliu !
— E xata m en te — d is se H arry , e , c o m o c o ra ção d is p ara d o, e n co sto u a b oca
no p om o.
O p eq uen o g lo bo a la d o n ão se a b riu . A fru str a ção e o d esa p onta m en to o
in vad ir a m : e le b aix ou o p om o d e o uro . E ntã o , f o i a v ez d e H erm io ne g rita r:
— L etr a s! T em u m a c o is a e sc rita n ele , d ep re ssa , o lh e!
Harry q uase d eix ou c air o p om o, d e su rp re sa e a g ita ção . A a m ig a tin ha
ra zão . G ra v ad as n a lis a su perfíc ie d oura d a, o nde, a p en as se g undos a n te s, n ão
ex is tia n ad a, a g ora se v ia m tr ê s p ala v ra s, n a c alig ra fia fin a e in clin ad a q ue o
garo to r e co nheceu s e r a d e D um ble d ore :
Abro n o f e ch o.
Mal a cab ara d e l e r, a s p ala v ra s t o rn ara m a d esa p are cer.


Abro no fe ch o
... Q ue se rá que is so sig nif ic a? H erm io ne e R ony
bala n çara m a c ab eça, p erp le x os.
— A bro n o f e ch o... n o
fe ch o
... A bro n o f e ch o...
Contu do, p or m ais q ue re p etis se m a s p ala v ra s, c o m d if e re n te s in fle x ões,
não f o ra m c ap azes d e e x tr a ir d ela s q ualq uer o utr o s ig nif ic ad o.
— E a e sp ad a — d is se R ony, p or fim , q uan do já tin ham a b an donad o a s
te n ta tiv as d e a d iv in har o s ig nif ic ad o d a in sc riç ão n o p om o. - P or q ue e le q uis d ar
a e sp ad a a o H arry ?
— E por que não pôde sim ple sm en te m e diz er? — co m en to u H arry ,
baix in ho. — E sta v a

, n a p are d e d o g ab in ete , b em à v is ta d ura n te to das as
nossa s c o nvers a s n o a n o p assa d o! S e q ueria d eix á-la p ara m im , p or q ue n ão m e
en tr e g ou a e sp ad a p esso alm en te ?
Ele te v e a se n sa ção d e e sta r se n ta d o, fa zen do u m a p ro va, d ia n te d e u m a
perg unta q ue s e u c ére b ro le rd o e in se n sív el d ev ia s e r c ap az d e r e sp onder. H av ia
alg um a c o is a q ue n ão e n te n dera n as lo ngas c o nvers a s c o m D um ble d ore n o a n o
an te rio r? S erá q ue d ev ia s a b er o q ue tu do a q uilo s ig nif ic av a? D um ble d ore tin ha
esp era d o q ue e le e n te n desse ?
— E q uan to a o liv ro — d is se H erm io ne —
Os c o nto s d e B eed le , o b ard o
...
eu n unca o uvi f a la r d ele s!
— V ocê n unca o uviu f a la r d e
Os c o nto s d e B eed le , o b ard o
? — p erg unto u
Rony i n cré d ulo . — V ocê e stá b rin can do, c erto ?
— N ão , n ão e sto u! — re sp ondeu H erm io ne su rp re sa . — E ntã o , v ocê o s
co nhece?
— C la ro q ue s im !
Harry e rg ueu o s o lh os s e d iv ertin do. R ony te r lid o u m liv ro q ue H erm io ne
não c o nhecia e ra u m f a to s e m p re ced en te s. R ony, n o e n ta n to , p are cia e sp an ta d o
co m a s u rp re sa d os a m ig os.
— A h, g en te , q ue é is so ! T odas a s h is tó ria s tr a d ic io nais p ara c ria n ças s ã o
su posta m en te de B eed le , não ?
O poço da so rte ... O m ago e o ca ld eir ã o
sa ltita nte ... B abbitty , a c o elh a, e o t o co q ue c a ca re ja va ...
— P erd ão ! — d is se H erm io ne r in do. — C om o é m esm o e ssa ú ltim a?
— A h, q ual é ! — e x cla m ou R ony, o lh an do p ara o s d ois s e m a cre d ita r. —
Vocês d ev em t e r o uvid o f a la r e m B ab bitty , a c o elh a...
— R ony, v ocê s a b e m uito b em q ue H arry e e u f o m os c ria d os p or tr o uxas!
— l e m bro u H erm io ne. — N ão o uvim os e ssa s h is tó ria s q uan do é ra m os p eq uen os,
ouvim os
Bra nca d e n eve e o s s e te a nões
e
Cin dere la
...
— Q ue é i s so , u m a d oen ça? — p erg unto u R ony.
— Entã o sã o his tó ria s para cria n ças? — perg unto u Herm io ne,
re ex am in an do a s r u nas.

— É — r e sp ondeu R ony, i n se g uro — , q uero d iz er, é o q ue c o nta v am p ara a
gen te , e n te n de, e to das e ssa s h is tó ria s a n tig as s ã o d o B eed le . N ão s e i c o m o s ã o
na v ers ã o o rig in al.
— M as p or q ue D um ble d ore a ch ou q ue e u d ev eria lê -la s? A lg um a c o is a
ra n geu a b aix o d o s ó tã o .
— P ro vav elm en te é o C arlin hos. A gora q ue m am ãe fo i d orm ir , d ev e e sta r
sa in do e sc o ndid o p ara f a zer o s c ab elo s c re sc ere m — d is se R ony n erv oso .
— M esm o q ue s e ja , d ev ía m os v olta r p ara a c am a — s u ssu rro u H erm io ne.
— N ão v ai p eg ar b em a g en te p erd er a h ora a m an hã.
— N ão m esm o — co nco rd ou R ony. — A m ãe do noiv o co m ete r um
hom ic íd io t r ip lo e b ru ta l p ode e str a g ar o c asa m en to . V ou a cen der a s l u zes.
E e le c lic o u o d esilu m in ad or m ais u m a v ez e n quan to H erm io ne i a s a in do d o
quarto .

8
O c a sa m en to
Às tr ê s h ora s d a ta rd e d o d ia s e g uin te , H arry , R ony, F re d e J o rg e e sta v am
p ara d os d ia n te d a g ra n de te n da b ra n ca n o p om ar, ag uard an do a ch eg ad a d os
c o nvid ad os p ara o c asa m en to . H arry to m ara u m a b oa d ose d e P oção P olis su co e
v ir a ra o d uplo d e u m t r o uxa r u iv o, m ora d or d a a ld eia l o cal, O tte ry S t. C atc h pole ,
d e q uem F re d r o ubara a lg uns f io s d e c ab elo u sa n do u m F eitiç o C onvocató rio . O
p la n o era ap re se n ta r H arry co m o o “p rim o B arn y” e co nfia r que o gra n de
n úm ero d e p are n te s d os W easle y o c am ufla sse .
Os q uatr o e sta v am s e g ura n do m ap as d a d is p osiç ão d as c ad eir a s p ara p oder
l e v ar o s c o nvid ad os a o s s e u s lu gare s. U m a le g iã o d e g arç o ns v estid os d e b ra n co
c h eg ara u m a h ora a n te s, a o m esm o te m po q ue u m a b an da d e p ale tó s d oura d os.
N o m om en to , to dos e sse s b ru xos e sta v am s e n ta d os a u m a p eq uen a d is tâ n cia s o b
u m a á rv ore ; H arry v iu u m a n uvem a zu la d a d e f u m aça d e c ach im bos s e e le v an do
d o l o cal.
Atr á s d o g aro to , a e n tr a d a d a te n da re v ela v a fila s e m ais fila s d e frá g eis
c ad eir a s d oura d as d is p osta s n as la te ra is d e u m lo ngo ta p ete ro xo. O s p oste s d e
s u ste n ta ção esta v am en fe ita d os co m g uir la n das d e flo re s b ra n cas e d oura d as.
F re d e Jo rg e tin ham p re n did o u m e n orm e b uquê d e b alõ es d oura d os so bre o
p onto e x ato e m q ue G ui e F le u r e m b re v e s e t o rn aria m m arid o e m ulh er. F ora d a
t e n da, a b elh as e b orb ole ta s p air a v am p re g uiç o sa m en te s o bre a g ra m a e a s e b e.
H arry se se n tia basta n te desc o nfo rtá v el. O garo to tr o uxa cu ja ap arê n cia ele
a ssu m ir a e ra lig eir a m en te m ais g ord o, e su as p ró pria s v este s a rig or e sta v am
q uen te s e a p erta d as à c la rid ad e o fu sc an te d o d ia d e v erã o .
— Q uan do e u m e c asa r — d is se F re d , r e p uxan do a g ola d e s u as v este s — ,
n ão v ou m e p re o cu par c o m n en hum a d essa s b obag en s. V ocês t o dos p odem v estir
o q ue q uis e re m , e la n çare i u m F eitiç o d o C orp o P re so n a m am ãe a té te rm in ar a
c erim ônia .
— E la n ão e ste v e tã o ru im a ssim h oje d e m an hã — c o m en to u Jo rg e. —
C horo u u m p ouco p orq ue P erc y n ão v eio , m as q uem q ueria a p re se n ça d ele ? A h,
c ara m ba, s e p re p are m ... a í v êm e le s, o lh em .
Vulto s m uito c o lo rid os v in ham s u rg in do d o a r, u m a u m , n a d is ta n te d iv is a
d o q uin ta l. E m m in uto s fo rm ou-s e u m a p ro cis sã o , q ue c o m eço u a s e rp ear p elo
j a rd im e m d ir e ção à te n da. F lo re s e x ótic as e p ássa ro s e n fe itiç ad os e sv oaçav am
n os c h ap éu s d as b ru xas, e p ed ra s p re cio sa s c in tila v am n as g ra v ata s d e m uito s

bru xos; o m urm úrio das co nvers a s an im ad as fo i cre sc en do cad a vez m ais ,
ab afa n do o z u m bid o d as a b elh as à m ed id a q ue a m ultid ão se a p ro xim av a d a
te n da.
— E xcele n te , ach o q ue esto u av is ta n do alg um as p rim as v eela s — d is se
Jo rg e, e sp ic h an do o p esc o ço p ara v er m elh or. — E la s v ão p re cis a r d e a ju da p ara
en te n der o s n osso s c o stu m es i n gle se s, p odem d eix ar q ue e u c u id o d ela s.
— C alm a a í, s e u m al- a m ad o — d is se F re d , p assa n do c o m o u m a f le ch a p elo
ban do d e b ru xas d e m eia -id ad e q ue v in ham à fre n te d a p ro cis sã o . — P or a q ui,
perm ette z-m oi d e a ssis te r v o us
— o fe re ceu -s e e le a d uas b ela s f ra n cesin has, q ue
aceita ra m e n tr e r is a d in has, q ue e le a s c o nduzis se à te n da. A J o rg e, c o ubera m a s
bru xas d e m eia -id ad e, R ony s e e n carre g ou d e u m v elh o c o le g a d o s r. W easle y n o
Min is té rio , P erk in s, e , p ara H arry , s o bro u u m c asa l u m t a n to s u rd o.
— E a í, b ele za? — d is se u m a v oz c o nhecid a q uan do H arry t o rn ou a e m erg ir
da te n da e d ep aro u c o m T onks e L upin à fre n te d a fila . E la v ir a ra lo ura p ara a
ocasiã o . — A rth ur d is se q ue v ocê e ra o d e c ab elo s c re sp os. D esc u lp e p ela n oite
passa d a — a cre sc en to u a b ru xa e m u m s u ssu rro , e n quan to o g aro to o s c o nduzia
pelo c o rre d or c en tr a l d a te n da. — N o m om en to , o M in is té rio e stá s e m ostr a n do
muito a n ti- lo bis o m em , e a ch am os q ue a n ossa p re se n ça p oderia p re ju dic ar v ocê.
— T udo b em , e u e n te n do — r e sp ondeu H arry m ais p ara L upin d o q ue p ara
Tonks. O b ru xo s o rriu b re v em en te , m as, a ssim q ue o s d ois v ir a ra m a s c o sta s, o
garo to p erc eb eu q ue o ro sto d o e x -p ro fe sso r re to m ou a s ru gas d e in fe lic id ad e.
Ele n ão esta v a en te n den do, m as n ão tin ha te m po p ara ap ro fu ndar o assu nto .
Hag rid e sta v a c au sa n do u m c erto t u m ulto . T en do e n te n did o m al a o rie n ta ção q ue
Fre d l h e d era , a co m odou-s e , n ão n a c ad eir a m ag ic am en te a u m en ta d a e r e fo rç ad a
que lh e p re p ara ra m n a ú ltim a fila , m as e m c in co c ad eir a s q ue a g ora p are cia m
um a m onta n ha d e p alito s d oura d os.
Enquan to o sr. W easle y re p ara v a o d an o e H ag rid g rita v a su as d esc u lp as
para q uan to s q uis e sse m o uvi- lo , H arry v olto u r a p id am en te à e n tr a d a e e n co ntr o u
Rony d ia n te d e u m b ru xo e x cep cio nalm en te e x cên tr ic o . U m t a n to v esg o, c ab elo s
bra n co s q ue le m bra v am a te x tu ra d o a lg odão -d oce e lh e d esc ia m p elo s o m bro s,
ele u sa v a u m b arre te c u ja b orla b ala n çav a d ia n te d o s e u n ariz e e ra c o r d e g em a
de o vo tã o b erra n te q ue f a zia d oer o s o lh os. U m s ím bolo e str a n ho, e m f o rm a d e
um o lh o t r ia n gula r, b rilh av a e m u m a c o rre n te d e o uro p en dura d a a o s e u p esc o ço .
— X en ofílio L oveg ood — a p re se n to u-s e , e ste n den do a m ão a H arry . —
Min ha filh a e e u m ora m os a li a tr á s d o m orro , fo i m uita g en tile za d os W easle y
nos c o nvid are m . M as a ch o q ue c o nhece a m in ha L una, n ão ? — a cre sc en to u p ara
Rony.
— C onheço . E la n ão v eio c o m o s e n hor?
— L una p aro u u m in sta n te n aq uele ja rd in zin ho e n can ta d or p ara d iz er a lô

ao s g nom os, q ue g lo rio sa in fe sta ção ! S ão m uito p ouco s o s b ru xos q ue e n te n dem
o q uan to p odem os a p re n der c o m e sse s p eq uen os g nom os s á b io s, o u, p ara c h am á-
lo s p elo s e u n om e c o rre to , o s
Gern um bli g ard en si
.
— O s n osso s sa b em re alm en te u m te so uro d e p ala v rõ es — acre sc en to u
Rony — , m as a ch o q ue a p re n dera m c o m F re d e J o rg e.
Dito is so , s a iu p ara le v ar u m g ru po d e b ru xos à te n da n o m om en to e m q ue
Luna o s a lc an çav a.
— A lô , H arry ! — c u m prim en to u-o a g aro ta .
— Ã h... m eu n om e é B arn y — r e sp ondeu e le , s u rp re so .
— A h, v ocê t r o co u o n om e t a m bém ? — r e p lic o u L una a n im ad a.
— C om o s o ube...?
— A h, a s u a e x pre ssã o .
Tal co m o o p ai, a g aro ta esta v a u sa n do v este s am are la s b erra n te s, q ue
co m ple m en ta ra c o m u m g ra n de g ir a sso l n os c ab elo s. U m a v ez q ue o s o lh os s e
aco stu m asse m c o m o e x cesso d e c o r, o e fe ito g era l e ra b em a g ra d áv el. P elo
men os d esta v ez n ão t r a zia r a b an ete s p en dura d os n as o re lh as.
Xen ofílio , q ue e sta v a a b so rto a c o nvers a r c o m u m c o nhecid o, p erd era o
diá lo go e n tr e L una e H arry . D esp ed in do-s e d o b ru xo, v ir o u-s e p ara a f ilh a, q ue,
erg uen do o d ed o, d is se :
— P ap ai, o lh e... u m d os g nom os m e m ord eu !
— Q ue m ara v ilh a! A sa liv a de gnom o é ex tr e m am en te ben éfic a! —
co m en to u o sr. Loveg ood, se g ura n do o ded o que a filh a lh e este n dia e
ex am in an do o s f u rin hos e n sa n güen ta d os. — L una, m eu a m or, s e h oje v ocê s e n tir
um n ovo t a le n to d esp onta r, t a lv ez u m a i n esp era d a v onta d e d e c an ta r ó pera o u d e
decla m ar e m se rê ia co , n ão se re p rim a! T alv ez te n ha re ceb id o u m a d ád iv a d os
Gern um blie s
! R ony q ue c ru zav a p or e le s, d esd en hou c o m u m a r is a d in ha.
— Rony, pode rir — co m en to u Luna se re n am en te , en quan to H arry
co nduzia e la e o sr. L oveg ood a o s se u s lu gare s — , m as m eu p ai fe z m uita s
pesq uis a s s o bre a m ag ia
Gern um bli
.
— S ério ?! — ex cla m ou H arry , q ue h á m uito te m po re so lv era p ara r d e
questio nar a s e x cên tr ic as o pin iõ es d e L una e s e u p ai. — M as te m c erte za q ue
não q uer p ôr a lg um a c o is a n essa m ord id a?
— A h, n ão s e p re o cu pe — d is se L una, c h upan do o d ed o, d is tr a id am en te , e
med in do H arry d e a lto a b aix o. — V ocê e stá e le g an te . E u d is se a p ap ai q ue a
maio ria d as p esso as p ro vav elm en te u sa ria v este s a r ig or, m as e le a cre d ita q ue s e
dev e u sa r c o re s s o la re s e m u m c asa m en to , p ara d ar s o rte , e n te n de.
Quan do e la s e a fa sto u p ara a co m pan har o p ai, R ony re ap are ceu c o m u m a
bru xa id osa ag arra d a ao se u b ra ço . S eu n ariz cu rv o, o s o lh os d e co nto rn os
verm elh os, e o c h ap éu ro sa e n fe ita d o c o m p en as lh e d av am a a p arê n cia d e u m

fla m in go m al- h um ora d o.
— ... e o s s e u s c ab elo s e stã o c o m prid os d em ais , p or u m m om en to c h eg uei a
pen sa r q ue v ocê e ra a G in ev ra . P ela s b arb as d e M erlim , q ue é q ue o X en ofílio
está v estin do? P are ce u m a o m ele te . E q uem é v ocê? — p erg unto u r is p id am en te a
Harry .
— A h, s im , t ia M urie l, e sse é o n osso p rim o B arn y.
— M ais u m W easle y ? V ocês s e r e p ro duzem c o m o g nom os. E H arry P otte r
não e stá a q ui? E u tin ha e sp era n ça d e c o nhecê-lo . P en se i q ue fo sse s e u a m ig o,
Ronald , o u v ocê a n dou a p en as s e g ab an do?
— N ão ... e le n ão p ôde v ir...
— H um m. D eu um a desc u lp a, fo i? E ntã o , não é tã o re ta rd ad o quan to
ap are n ta s e r n as f o to s d a i m pre n sa . E stiv e e n sin an do a n oiv a c o m o é m elh or u sa r
a m in ha tia ra — g rito u p ara H arry . — A rte sa n ato d os d uen des, sa b e, e stá n a
min ha fa m ília h á s é cu lo s. E la é u m a m oça b onita , m as...
fr a ncesa
. B em , b em ,
me a rra n je u m b om l u gar, R onald , t e n ho c en to e s e te a n os e n ão d ev o f ic ar e m p é
muito t e m po.
Ao passa r por H arry , R ony la n ço u-lh e um olh ar sig nif ic ativ o e não
re ap are ceu p or a lg um te m po; q uan do to rn ara m a s e e n co ntr a r n a e n tr a d a, H arry
tin ha le v ad o m ais d e d ez p esso as a o s s e u s lu gare s. A te n da e sta v a q uase c h eia
ag ora e , p ela p rim eir a v ez, n ão h av ia f ila d o l a d o d e f o ra .
— U m p esa d elo , e ssa M urie l! — e x cla m ou R ony, e n xugan do a te sta c o m a
man ga d a ro upa. — C ostu m av a v ir to do an o p assa r o N ata l co nosc o , en tã o ,
gra ças a D eu s, s e o fe n deu p orq ue F re d e J o rg e e sto ura ra m u m a b om ba d e b osta
em baix o d a c ad eir a d ela n a h ora d a c eia . P ap ai s e m pre c o m en ta q ue e la d ev e te r
ris c ad o o s d ois d o te sta m en to , c o m o s e e le s s e im porta sse m ; n esse ritm o, e le s
vão a cab ar s e n do o s m ais ric o s d a fa m ília ... u au — a cre sc en to u, p esta n eja n do
ra p id am en te q uan do v iu H erm io ne v in do a p re ssa d a a o e n co ntr o d os d ois . — Q ue
máx im o!
— S em pre o to m d e su rp re sa — re sp ondeu H erm io ne, em bora so rris se .
Usa v a u m e sv oaçan te v estid o l ilá s c o m s a p ato s a lto s d a m esm a c o r; s e u s c ab elo s
esta v am lis o s e se d oso s. — Sua tia -a v ó M urie l não co nco rd a, acab ei de
en co ntr á -la lá e m c im a e n tr e g an do a tia ra a F le u r: “ A i, n ão , e ssa é a m en in a q ue
nasc eu t r o uxa?”, e e m s e g uid a “ m á p ostu ra e t o rn ozelo s f in os d em ais ” .
— N ão s e o fe n da, e la é g ro sse ir a c o m t o do o m undo — d is se R ony.
— F ala n do d e M urie l? — p erg unto u J o rg e, e m erg in do d a te n da c o m F re d .
— É , e la a cab ou d e d iz er q ue a s m in has o re lh as e stã o d esig uais . M orc eg a v elh a.
Mas e u g osta ria q ue o tio A bílio a in da fo sse v iv o; e le e ra g arg alh ad a c erta e m
casa m en to s.
— N ão f o i e le q ue v iu u m S in is tr o e m orre u v in te e q uatr o h ora s d ep ois ? —

perg unto u H erm io ne.
— B em , fo i, e le fic o u m eio e sq uis ito m ais p ara o fim d a v id a -a d m itiu
Jo rg e.
— M as, a n te s d e f ic ar c ad uco , e le e ra a a lm a d as f e sta s — c o m en to u F re d .
— C ostu m av a b eb er u m a g arra fa i n te ir a d e u ís q ue d e f o go, d ep ois i a p ara o m eio
do s a lã o d e d an ça, l e v an ta v a a s v este s e c o m eçav a a t ir a r b uquês d e f lo re s d o...
— É , era re alm en te en can ta d or — in te rro m peu -o H erm io ne, en quan to
Harry s e a cab av a d e r ir.
— J a m ais c aso u, n ão s e i p or q uê — d is se R ony.
— V ocê m e e sp an ta — r e p lic o u H erm io ne.
Esta v am rin do ta n to q ue n en hum d ele s n oto u u m c o nvid ad o a tr a sa d o, u m
ra p az d e c ab elo s e sc u ro s c o m u m n arig ão c u rv o e g ro ssa s s o bra n celh as n eg ra s,
até e le a p re se n ta r o c o nvite a R ony e d iz er, c o m o s o lh os e m H erm io ne:
— V ocê e stá m arra v ilh osa !
— V íto r! — e x cla m ou e la , d eix an do c air a b ols in ha d e c o nta s, q ue p ro duziu
um b aq ue d esp ro porc io nal a o t a m an ho. A o s e a b aix ar, c o ra n do, p ara r e cu perá -la ,
dis se : — E u n ão s a b ia q ue v ocê f o i... n ossa ... q ue p ra zer v er... c o m o v ai?
As ore lh as de R ony tin ham m ais um a vez fic ad o m uito verm elh as.
Exam in an do o c o nvite d e K ru m c o m o s e n ão a cre d ita sse e m u m a p ala v ra d o q ue
via e sc rito , f a lo u, u m p ouco a lto d em ais :
— P or q ue e stá a q ui?
— F le u r m e c o nvid ou — r e sp ondeu K ru m , e rg uen do a s s o bra n celh as.
Harry , q ue n ão t in ha n ad a c o ntr a o b úlg aro , a p erto u a m ão d o r a p az; d ep ois ,
se n tin do q ue s e ria p ru den te re tir á -lo d as im ed ia çõ es d e R ony, o fe re ceu -s e p ara
lh e m ostr a r o nde s e n ta r.
— O se u am ig o não fic o u sa tis fe ito em m e verr — co m en to u K ru m ,
en tr a n do na te n da ag ora in te ir a m en te lo ta d a. — O u ele é se u parre n te ? —
acre sc en to u, r e p ara n do n os c ab elo s r u iv os e c re sp os d e H arry .
— P rim o — m urm uro u, m as K ru m p ara ra d e e sc u ta r. S ua a p ariç ão e sta v a
cau sa n do c erto re b uliç o , p artic u la rm en te e n tr e a s p rim as
veela s
: a fin al, e ra u m
fa m oso jo gad or d e q uad rib ol. E nquan to a s p esso as a in da s e e stic av am p ara d ar
um a b oa o lh ad a n ele , R ony, H erm io ne, F re d e Jo rg e v ie ra m , a p re ssa d os, p elo
co rre d or c en tr a l.
— H ora d e s e n ta r — d is se F re d a H arry — o u v am os s e r a tr o pela d os p ela
noiv a.
Harry , R ony e H erm io ne s e n ta ra m -s e n a s e g unda f ila a tr á s d e F re d e J o rg e.
A garo ta ain da esta v a m uito ro sa d a, e as ore lh as de R ony co ntin uav am
esc arla te s. P assa d os a lg uns i n sta n te s, e le r e sm ungou p ara H arry :
— V ocê v iu a b arb ic h a i d io ta q ue e le d eix ou c re sc er? H arry r e sp ondeu c o m

um g ru nhid o i n defin id o.
Um a s e n sa ção d e a n sie d ad e p erp assa v a a te n da q uen te , o s m urm úrio s e ra m
pontu ad os p or o casio nais r is a d as d e e x cita ção . O s r. e a s ra . W easle y e n tr a ra m n o
co rre d or s o rrin do e a cen an do p ara o s p are n te s; e la t r a ja n do u m c o nju nto n ovo d e
veste s a m etis ta s e u m c h ap éu d a m esm a c o r.
No m om en to s e g uin te , G ui e C arlin hos s e p osta ra m à fre n te d a te n da, o s
dois d e v este s a rig or c o m g ra n des ro sa s b ra n cas n as b oto eir a s; F re d d eu u m
asso vio d e a p ro vação , q ue fo i a co m pan had o p or n ova e ru pção d e ris in hos d as
prim as
veela s
.
Entã o a m ultid ão fe z silê n cio e o volu m e da m úsic a fo i au m en ta n do,
ap are n te m en te v in da d os b alõ es d oura d os.
— A aaah ! — ex cla m ou H erm io ne vir a n do-s e na cad eir a para olh ar a
en tr a d a.
Um su sp ir o co le tiv o se erg ueu dos bru xos e bru xas re u nid os quan do
Monsie u r Dela co ur e Fle u r en tr a ra m pelo co rre d or, ela desliz an do, ele
bala n çan do o c o rp o c o m u m la rg o s o rris o n o ro sto . A n oiv a u sa v a u m v estid o
bra n co sim ple s e pare cia desp re n der um a fo rte au ra pra te ad a. E m bora , por
co m para ção , s u a ra d iâ n cia n orm alm en te e m pan asse a d e q ualq uer p esso a, h oje
em bele zav a to dos so bre q uem in cid ia . G in a e G ab rie lle , a m bas u sa n do tr a je s
doura d os, pare cia m ain da m ais bonita s do que de co stu m e, e quan do F le u r
ch eg ou a o nde e sta v a G ui, e le p are ceu j a m ais t e r e n fre n ta d o L obo G re y back .
— S en hora s e s e n hore s — a n uncio u u m a v oz lig eir a m en te c an ta d a, e , c o m
um le v e c h oque, H arry re co nheceu o m esm o b ru xo fra n zin o c o m c ab elo s e m
tu fo s q ue p re sid ir a o fu nera l d e D um ble d ore , a g ora d ia n te d e G ui e F le u r. —
Esta m os a q ui r e u nid os p ara c ele b ra r a u niã o d e d ois f ié is ...
— D ecid id am en te , a m in ha tia ra v alo riz a to da a c erim ônia -c o m en to u tia
Murie l, c o m u m p odero so s u ssu rro . — M as é p re cis o q ue s e d ig a, o v estid o d e
Gin ev ra e stá d eco ta d o d em ais .
Gin a o lh ou p ara o la d o, s o rrin do, p is c o u p ara H arry e e m s e g uid a v ir o u-s e
de n ovo p ara a f re n te . O p en sa m en to d e H arry tr a n sp orto u-s e a g ra n de d is tâ n cia
da te n da, p ara a s ta rd es e m q ue p assa ra m a s ó s e m lu gare s is o la d os d os ja rd in s
da e sc o la . P are cia m te r sid o h á ta n to te m po; se m pre b ons d em ais p ara se re m
re ais , c o m o s e e le tiv esse fu rta d o h ora s e n so la ra d as d a v id a d e a lg uém n orm al,
alg uém s e m c ic atr iz e m f o rm a d e r a io n o m eio d a t e sta ...
— G uilh erm e A rth ur, v ocê a ceita F le u r I s a b elle ...?
Na p rim eir a f ila , a s ra . W easle y e M ad am e D ela co ur c h ora v am b aix in ho e m
le n cin hos d e r e n da. S ons d e tr o m beta a o f u ndo d a te n da a n uncia ra m q ue H ag rid
puxara do bols o um dos se u s le n ço s ta m an ho-to alh a. H erm io ne vir o u-s e
so rrid en te p ara H arry ; s e u s o lh os t a m bém e sta v am m are ja d os d e l á g rim as.

— ... e n tã o e u o s d ecla ro u nid os p ara t o da a v id a.
O b ru xo d e c ab elo s e m tu fo s e rg ueu a v arin ha s o bre a s c ab eças d e G ui e
Fle u r e u m a c h uva d e e str e la s c aiu s o bre o s n oiv os, e n volv en do e m e sp ir a is o s
se u s c o rp os a g ora e n tr e la çad os. E nquan to F re d e J o rg e p uxav am u m a s a lv a d e
palm as, o s b alõ es d oura d os n o a lto e sto ura ra m : f lu tu ara m n o a r a v es d o p ara ís o e
min úsc u lo s s in os d e p ra ta q ue s o m ara m s e u s c an to s e t in id os à z o ad a g era l.
— S en hora s e s e n hore s! — f a lo u o b ru xo d e c ab elo s e m t u fo s. — P or f a v or,
queir a m s e l e v an ta r!
Todos o bed ecera m , tia M urie l re sm ungan do au div elm en te ; ele acen ou a
varin ha. A s cad eir a s em q ue as p esso as tin ham esta d o se n ta d as se erg uera m
gra cio sa m en te n o a r, a o m esm o te m po q ue a s p are d es d a te n da d esa p are cia m ,
deix an do ag ora os co nvid ad os ap en as so b o to ld o su ste n ta d o pelo s poste s
doura d os, c o m u m a v is ta g lo rio sa d o p om ar e n so la ra d o e d o c am po a o r e d or. E m
se g uid a, u m a p oça d e o uro líq uid o se e sp alh ou d o c en tr o p ara a p erif e ria d a
te n da fo rm an do um a pis ta de dan ça re lu zen te ; as cad eir a s su sp en sa s se
ag ru para m e m to rn o d as m esin has, c o berta s c o m to alh as b ra n cas, o c o nju nto
flu tu ou s u av em en te d e v olta a o ja rd im , e a b an da d e p ale tó s d oura d os m arc h ou
em d ir e ção a u m p ódio .
— L eg al — a p ro vou R ony, e n quan to o s g arç o ns s u rg ia m d e to dos o s la d os,
alg uns tr a zen do b an deja s d e p ra ta c o m s u co d e a b óbora , c erv eja a m an te ig ad a e
uís q ue d e f o go, o utr o s e q uilib ra n do m onta n has d e t o rtin has e s a n duíc h es.
— T em os q ue ir c u m prim en tá -lo s! — d is se H erm io ne, fic an do n as p onta s
dos p és p ara lo caliz ar o nde G ui e F le u r tin ham d esa p are cid o c erc ad os p or u m a
multid ão q ue l h es d ese ja v a f e lic id ad es.
— B em , te re m os te m po d ep ois — d is se R ony d an do d e o m bro s, e , tir a n do
tr ê s c erv eja s a m an te ig ad as d e u m a b an deja q ue p assa v a, e n tr e g ou u m a a H arry .
— H erm io ne, é ag ora , v am os p eg ar u m a m esa ... ali n ão ! O m ais lo nge d a
Murie l...
Rony a tr a v esso u a p is ta d e d an ça v azia , o lh an do p ara o s la d os: H arry te v e
certe za d e q ue e le e sta v a a te n to a K ru m . Q uan do f in alm en te a lc an çara m o la d o
oposto d o to ld o, a m aio r p arte d as m esa s já e sta v a to m ad a: a m ais v azia e ra a
que L una o cu pav a s o zin ha.
— T udo b em s e a g en te s e n ta r c o m v ocê? — p erg unto u R ony.
— A h, c la ro — r e sp ondeu e la c o nte n te . — P ap ai f o i e n tr e g ar a G ui e F le u r
o n osso p re se n te .
— Q ue é ... u m e sto que d e ra íz es-d e-c u ia p ara a v id a to da? — p erg unto u
Rony.
Herm io ne d eu -lh e u m p onta p é p or b aix o d a m esa , m as a certo u e m H arry .
Com o s o lh os la crim eja n do d e d or, o g aro to p erd eu o f io d a c o nvers a p or a lg uns

mom en to s.
A b an da co m eçara a to car. G ui e F le u r fo ra m o s p rim eir o s n a p is ta d e
dan ça, s o b o s a p la u so s g era is ; p assa d o u m m om en to , o s r. W easle y c h eg ou c o m
Mad am e D ela co ur, n o q ue f o i s e g uid o p ela s ra . W easle y c o m o p ai d e F le u r.
— G osto d essa m úsic a — d is se L una, b ala n çan do-s e n o ritm o d e u m a
vals a , e s e g undos d ep ois e la se le v an to u e d esliz o u p ara a p is ta , o nde d an ço u
se m s a ir d o l u gar, s o zin ha, a g ita n do o s b ra ço s d e o lh os f e ch ad os.
— E la é ó tim a, n ão é ? — c o m en to u R ony c o m a d m ir a ção . - S em pre v ale a
pen a o lh ar.
O s o rris o , p oré m , a p ag ou-s e im ed ia ta m en te d o s e u r o sto : V íto r K ru m h av ia
se n ta d o n a cad eir a d eso cu pad a p or L una. H erm io ne p are ceu ag ra d av elm en te
pertu rb ad a, m as desta vez K ru m não vie ra cu m prim en tá -la . C om o ro sto
co ntr a íd o, e le p erg unto u:
— Q uem é a q uele h om em d e a m arre lo ?
— É o X en ofílio L oveg ood, p ai d e u m a a m ig a n ossa — re sp ondeu R ony.
Seu to m a g re ssiv o in dic av a q ue e le s n ão ir ia m r ir d e X en ofílio , a p esa r d a c la ra
pro vocação . — V am os d an çar — a cre sc en to u e le , b ru sc am en te , p ara H erm io ne.
Ela p are ceu s u rp re sa , m as ta m bém f e liz , e s e le v an to u: e le s d esa p are cera m
na p is ta d e d an ça q ue a g ora i a e n ch en do d e d an çarin os.
— A h, ele s estã o ju nto s ag ora ? — p erg unto u K ru m , m om en ta n eam en te
dis tr a íd o.
— A h... m ais o u m en os — r e sp ondeu H arry .
— E v ocê q uem é ? — t o rn ou K ru m .
— B arn y W easle y.
Ele s s e a p erta ra m a s m ão s.
— V ocê, B arn y... c o nhece b em e sse t a l L oveg ood?
— N ão , e u o c o nheci h oje . P or q uê?
Kru m fra n ziu o c en ho p or c im a d a b ord a d o c o po d e b eb id a, o bse rv an do
Xen ofílio , q ue c o nvers a v a c o m v ário s b ru xos d o l a d o o posto d a p is ta d e d an ça.
— P orrq ue — d is se K ru m — se e le n ão fo sse c o nvid ad o d a F le u r, e u o
desa fia rria p arra u m d uelo a q ui e a g orra , p orr u sa rr a q uele s ím bolo n oje n to n o
peito .
— S ím bolo ? — ad m ir o u-s e H arry , olh an do ta m bém para X en ofílio . O
estr a n ho o lh o t r ia n gula r b rilh av a e m s e u p eito . — P or q uê? Q ual é o p ro ble m a?
— G rrin delv ald . A quele é o s ím bolo d e G rrin delv ald .
— G rin delw ald ... o b ru xo d as t r e v as q ue D um ble d ore d erro to u?
— E xata m en te . — O s m úsc u lo s d o q ueix o d e K ru m s e m overa m c o m o s e
estiv esse m asc an do, e e le c o ntin uou: — G rrin delv ald m ato u m uita s p esso as, m eu
av ô, p orr e x em plo . N atu rra lm en te e le n unca fo i m uito p oderro so e m s e u p aís ,

diz ia m q ue te m ia D um ble d orre : e c o m r a zão , s a b en do c o m o f o i d erro ta d o. M as
is to ... — E le a p onto u p ara X en ofílio . — Is to é o sím bolo d ele , re co nheci n a
hora : G rrin delv ald g rra v ou-o e m u m a p arre d e d e D urrm str ra n g q uan do e stu dou
lá . A lg uns id io ta s o c o pia rra m n os liv ro s e n as ro upas, q uerre n do c h ocarr, se
fa zerr de im porrta n te s, até que aq uele s, co m o nós, que tín ham os perrd id o
fa m ilia rre s p orr c u lp a d e G rrin delv ald d em os u m a l iç ão n ele s.
Kru m e sta lo u a s ju nta s d os d ed os a m eaçad ora m en te , a m arra n do a c ara p ara
Xen ofílio . H arry f ic o u p erp le x o. P are cia -lh e e x tr e m am en te i m pro váv el q ue o p ai
de L una fo sse u m se g uid or d as A rte s d as T re v as, e n in guém m ais n a te n da
pare cia t e r r e co nhecid o o t r iâ n gulo , c u jo f o rm ato l e m bra v a u m a r u na.
— V ocê t e m , a h , c erte za q ue é d e G rin delw ald ...?
— N ão e sto u e n gan ad o — r e p lic o u K ru m c o m f rie za. — P asse i p orr a q uele
sím bolo d urra n te a n os, c o nheço -o b em .
— B em , t e m u m a p ro bab ilid ad e d e q ue X en ofílio n ão s a ib a o q ue o s ím bolo
re alm en te s ig nif ic a. O s L oveg ood s ã o m uito ... i n co m uns. E le p ode m uito b em t ê -
lo co m pra d o por aí, ach an do que é o co rte tr a n sv ers a l de um a cab eça de
Bufa d ore s d e C hif re E nru gad o o u o utr a c o is a q ualq uer.
— U m c o rrte t r ra n sv errs a l d o q uê?
— B om , n ão se i m uito b em o q ue sã o , m as a p are n te m en te e le e a filh a
via ja m n as f é ria s p ara p ro cu rá -lo s...
Harry s e n tiu q ue n ão e sta v a s e n do m uito c o nvin cen te a o e x plic ar L una e o
pai.
— É ela ali — dis se ap onta n do a garo ta , que ain da dan çav a so zin ha,
ag ita n do o s b ra ço s e m t o rn o d a c ab eça c o m o q uem t e n ta e sp an ta r m aru in s.
— P orr q ue e la e stá f a zen do a q uilo ? — p erg unto u K ru m .
— P ro vav elm en te e stá te n ta n do s e liv ra r d e u m z o nzó bulo - a rris c o u H arry ,
que r e co nheceu o s s in to m as.
Kru m n ão so ube d iz er se H arry e sta v a o u n ão g ozan do c o m a c ara d ele .
Puxou a v arin ha d e d en tr o d as v este s e b ate u -a a m eaçad ora m en te n a c o xa; d a
ponta s a lta ra m f a ís c as.
— G re g oro vitc h ! — e x cla m ou H arry e m v oz a lta , e K ru m s e s o bre ssa lto u,
mas o g aro to e sta v a e x cita d o d em ais p ara lig ar: le m bra ra -s e , a fin al, a o v er a
varin ha d e K ru m : O liv ara s a a p an hara e e x am in ara c u id ad osa m en te a n te s d o
Torn eio T rib ru xo.
— Q ue t e m e le ? — p erg unto u K ru m , d esc o nfia d o.
— É f a b ric an te d e v arin has!
— E u s e i.
— F ab ric o u su a varin ha! F oi por is so que pen se i... quad rib ol... K ru m
pare cia m ais e m ais d esc o nfia d o.

— C om o s a b e q ue f o i G re g oro vitc h q ue f a b rric o u a m in ha v arrin ha?
— L i... li e m a lg um lu gar, a ch o. E m u m ... u m fa n zin e — im pro vis o u s e m
pen sa r, e K ru m p are ceu m ais t r a n qüilo .
— E u n ão m e l e m brra v a d e t e r j a m ais d is c u tid o m in ha v arrin ha c o m o s f ã s.
— E ntã o ... ah ... onde an da G re g oro vitc h ultim am en te ? K ru m pare ceu
in tr ig ad o.
— E le s e a p ose n to u f a z a n os. F ui u m d os ú ltim os a c o m pra rr u m a v arrin ha
fa b rric ad a porr ele . São as m elh orre s, em bora eu sa ib a, é cla rro , que os
brritâ n ic o s d ão g rra n de v alo rr a O liv arra s.
Harry não re sp ondeu . Fin giu obse rv ar, ta l co m o K ru m , os pare s que
dan çav am , m as esta v a p en sa n do co m g ra n de co ncen tr a ção . E ntã o V old em ort
esta v a p ro cu ra n do u m c éle b re f a b ric an te d e v arin has, e o g aro to n ão p re cis a v a ir
muito l o nge p ara s a b er a r a zão : c erta m en te e ra p or c au sa d a r e ação d a v arin ha d e
Harry n a n oite e m q ue e le o p ers e g uir a p elo c éu . A v arin ha d e a zev in ho e p en a
de fê n ix tin ha v en cid o a q ue V old em ort to m ara e m pre sta d a, a lg o q ue O liv ara s
não tin ha p re v is to n em c o m pre en dia . G re g oro vitc h sa b eria e x plic ar? S eria , d e
fa to , m ais q ualif ic ad o q ue O liv ara s? C onheceria se g re d os so bre v arin has q ue
Oliv ara s i g nora v a?
— E ssa g aro ta é m uito b onita — c o m en to u K ru m , f a zen do H arry v olta r a o
pre se n te . K ru m e sta v a a p onta n do p ara G in a, q ue a cab ara d e s e ju nta r a L una. —
Tam bém é s u a p are n ta ?
— É — in fo rm ou H arry , re p en tin am en te ir rita d o — , e está n am ora n do
alg uém . U m cara ciu m en to . G ra n dalh ão . V ocê não ir ia quere r atr a v essa r o
cam in ho d ele .
Kru m r e sm ungou:
— Q ual é — d is se , e sv azia n do o c o po e s e p ondo d e p é — a v an ta g em d e
se r jo gad or in te rn acio nal de quad rib ol se to das as m oças bonita s já estã o
co m pro m etid as?
E s e a fa sto u, d eix an do H arry , q ue, d ep ois d e a p an har u m s a n duíc h e c o m u m
garç o m q ue ia p assa n do, co nto rn ou a p is ta d e d an ça ap in had a. Q ueria ach ar
Rony e lh e fa la r so bre G re g oro vitc h , m as o am ig o esta v a dan çan do co m
Herm io ne n o m eio d a m ultid ão . H arry s e e n co sto u e m u m d os p oste s d oura d os e
fic o u o bse rv an do G in a, q ue d an çav a c o m o a m ig o d e F re d e J o rg e, L in o J o rd an ,
te n ta n do n ão s e n tir r a iv a d a p ro m essa q ue f iz era a R ony.
Ele n unca f o ra a u m c asa m en to a n te s, p orta n to n ão e ra c ap az d e a v alia r a s
dif e re n ças en tr e as cele b ra çõ es d os b ru xos e as d os tr o uxas, em bora tiv esse
certe za d e q ue e ssa s ú ltim as n ão te ria m u m b olo d e c asa m en to c o ro ad o p or d uas
fê n ix f a ls a s q ue l e v an ta ra m v ôo q uan do o s n oiv os c o rta ra m a p rim eir a f a tia , n em
garra fa s d e c h am pan he q ue f lu tu av am e n tr e o s c o nvid ad os. A n oite f o i c h eg an do

e as m arip osa s co m eçara m a m erg ulh ar so b o to ld o, ag ora ilu m in ad o por
la n te rn as d oura d as s u sp en sa s n o a r, e a f e sta f o i s e to rn an do m ais d esc o ntr a íd a.
Fre d e J o rg e tin ham d esa p are cid o n a e sc u rid ão , h av ia m uito te m po, c o m d uas
prim as d e F le u r; C arlin hos, H ag rid e u m b ru xo a ta rra cad o c o m u m c h ap éu d e
ab as r e v ir a d as e n to av am , a u m c an to , “ O do, o h eró i” .
Andan do e n tr e o s c o nvid ad os p ara fu gir d e u m tio b êb ad o d e R ony q ue
pare cia n ão t e r c erte za s e H arry e ra o u n ão s e u f ilh o, o g aro to l o caliz o u u m v elh o
bru xo s e n ta d o s o zin ho a u m a m esa . A n uvem d e c ab elo s b ra n co s q ue e n volv ia
su a c ab eça lh e d av a a a p arê n cia d e u m d iá fa n o d en te -d e-le ão , e n cim ad o p or u m
fe z r o íd o d e tr a ças. A ch ou-o v ag am en te f a m ilia r: v asc u lh an do a m em ória , H arry
de r e p en te le m bro u q ue e ra E lif a s D oge, m em bro d a O rd em d a F ên ix e a u to r d o
obitu ário d e D um ble d ore .
Harry s e a p ro xim ou.
— P osso m e s e n ta r?
— C la ro , c la ro — re sp ondeu D oge. T in ha u m a v oz a g uda e c h ia d a. H arry
se i n clin ou p ara e le .
— S r. D oge, s o u H arry P otte r. D oge o fe g ou.
— M eu c aro ra p az! A rth ur m e d is se q ue v ocê e sta v a a q ui d is fa rç ad o... É
um a g ra n de a le g ria e u m a g ra n de h onra !
Em um arro ubo de pra zer e ag ita ção , D oge se rv iu -lh e um a ta ça de
ch am pan he.
— Pen se i em lh e esc re v er — su ssu rro u o bru xo — dep ois que
Dum ble d ore ... o c h oque... e p ara v ocê, t e n ho c erte za...
Os o lh in hos d e D oge s e e n ch era m d e r e p en tin as l á g rim as.
— L i o o bitu ário q ue o s e n hor e sc re v eu n o
Pro fe ta D iá rio
. N ão s a b ia q ue o
se n hor c o nhecia o p ro f. D um ble d ore t ã o b em .
— T ão b em q uan to q ualq uer o utr o — re p lic o u e le , se can do a s lá g rim as
co m um guard an ap o. — C om certe za co nheci- o por m ais te m po, se não
co nta rm os o ir m ão A berfo rth q ue, p or a lg um a r a zão , a s p esso as p are cem ja m ais
le v ar e m c o nta .
— V olta n do a o
Pro fe ta D iá rio
... N ão s e i s e v iu , s r. D oge...
— A h, p or f a v or m e c h am e d e E lif a s, c aro r a p az.
— Elif a s, não se i se viu a en tr e v is ta que Rita Skeete r deu so bre
Dum ble d ore .
Um a v erm elh id ão d e c ó le ra a flu iu a o r o sto d e D oge.
— A h, sim , H arry , vi. A quela m ulh er, ou uru bu se ria um te rm o m ais
ap ro pria d o, d ecid id am en te m e im portu nou p ara c o nvers a r c o m e la . E nverg onho-
me d e d iz er q ue fu i g ro sse ir o , c h am ei- a d e m etid a, e o re su lta d o, c o m o v ocê
pôde v er, f o ra m i n sin uaçõ es s o bre a m in ha s a n id ad e.

— B em , n aq uela e n tr e v is ta — c o ntin uou H arry — , R ita S keete r su geriu
que, n a j u ven tu de, o p ro f. D um ble d ore s e e n volv eu c o m a s A rte s d as T re v as.
— N ão a cre d ite e m u m a p ala v ra d o q ue le u ! — re tr u co u D oge n a m esm a
hora . — E m n en hum a, H arry ! N ão d eix e n ad a m acu la r a s l e m bra n ças q ue t e m d e
Alv o D um ble d ore !
Harry o lh ou p ara o ro sto sé rio e ato rm en ta d o d e D oge e n ão se se n tiu
co nfia n te , m as sim fru str a d o. S erá q ue D oge re alm en te p en sa v a q ue e ra fá cil,
que ele sim ple sm en te poderia
decid ir
não acre d ita r? Será que D oge não
co m pre en dia q ue H arry p re cis a v a t e r c erte za,
sa ber
d e t u do?
Talv ez D oge su sp eita sse dos se n tim en to s de H arry , porq ue pare ceu
pre o cu pad o e s e a p re sso u a e n fa tiz ar:
— H arry , R ita S keete r é u m a h orre n da...
Mas o b ru xo f o i i n te rro m pid o p or u m a g arg alh ad a a g uda.
— R ita S keete r? A h, e u a d oro a q uela m ulh er, e u se m pre le io o q ue e la
esc re v e!
Harry e D oge e rg uera m o s o lh os e d era m c o m a tia M urie l p ara d a a h , a s
pen as b ala n çan do n o c h ap éu , u m a t a ça d e c h am pan he n a m ão .
— E la e sc re v eu u m l iv ro s o bre D um ble d ore , s a b em !
— O lá , M urie l — cu m prim en to u-a D oge. — Sim , está v am os m esm o
dis c u tin do...
— V ocê a í! M e c ed a a s u a c ad eir a , t e n ho c en to e s e te a n os!
Outr o p rim o ru iv o d os W easle y sa lto u d e u m a cad eir a , assu sta d o, e tia
Murie l v ir o u-a c o m s u rp re en den te f o rç a e s e n to u-s e e n tr e D oge e H arry .
— O lá d e n ovo, B arry , o u q ue n om e te n ha — d is se e la p ara H arry . —
Entã o , q ue e sta v a d iz en do s o bre R ita S keete r, E lif a s? J á s a b e q ue e la e sc re v eu
um a b io gra fia d e D um ble d ore ? M al p osso e sp era r p ara le r, p re cis o m e le m bra r
de e n co m en dá-la n a F lo re io s e B orrõ es!
Doge s e to rn ou frio e g ra v e a o o uvir is so , m as tia M urie l e sv azio u a ta ça
que tr a zia e e sta lo u o s d ed os o ssu dos p ara u m g arç o m q ue ia p assa n do. T om ou
mais u m g ra n de g ole , a rro to u e a cre sc en to u:
— N ão pre cis a m fa zer cara de sa p os em palh ad os! A nte s de se to rn ar
re sp eita d o e re sp eitá v el e to da e ssa b ab ose ir a , c o rre ra m b oato s b em e sq uis ito s
so bre o A lv o!
— C alú nia s s e m fu ndam en to — re p lic o u D oge, fic an do o utr a v ez c o r d e
ra b an ete .
— É b em o q ue v ocê d ir ia , E lif a s — c acare jo u tia M urie l. — N ote i c o m o
você p ulo u o s p onto s c o ntr o vertid os n aq uele s e u o bitu ário !
— L am en to q ue p en se a ssim — d is se D oge, c o m a m aio r f rie za. - P osso l h e
asse g ura r q ue e sc re v i c o m o c o ra ção .

— A h, to do o m undo s a b e q ue v ocê v en era v a D um ble d ore ; o uso d iz er q ue
co ntin uará a a ch á-lo u m s a n to , m esm o s e r e v ela re m q ue e le m ato u a q uela b ru xa
ab orta d a q ue e ra a i r m ã d ele .

Murie l
! — e x cla m ou D oge.
Um a f ria ld ad e q ue n ão s e d ev ia a o c h am pan he g ela d o c o m eço u a in vad ir o
peito d e H arry .
— C om o a ssim ? — p erg unto u e le a M urie l. — Q uem d is se q ue a i r m ã d ele
era u m a b ru xa a b orta d a? P en se i q ue f o sse d oen te , n ão ?
— P ois p en so u e rra d o, n ão f o i, B arry ?! — e x cla m ou tia M urie l, p are cen do
sa tis fe ita c o m o e fe ito q ue c au sa ra . — E nfim , c o m o v ocê p oderia s a b er a lg um a
co is a so bre is so ? A co nte ceu há m uito s an os, an te s m esm o que você fo sse
co gita d o, m eu c aro , e a v erd ad e é q ue n ós q ue e stá v am os v iv os à é p oca n unca
so ubem os o q ue r e alm en te a co nte ceu . É p or is so q ue m al p osso e sp era r p ara le r
o q ue S keete r d ese n te rro u! D um ble d ore g uard ou s ilê n cio s o bre a q uela ir m ã p or
te m po d em ais !
— N ão é v erd ad e — c h io u D oge. — A bso lu ta m en te n ão é v erd ad e.
— E le n unca m e d is se q ue t e v e u m a i r m ã q ue e ra u m a b orto — d is se H arry
se m p en sa r, a in da f rio p or d en tr o .
— E p or q ue l h e d ir ia i s so ? — e sg an iç o u-s e M urie l, o sc ila n do u m p ouco n a
cad eir a , t e n ta n do f o caliz ar H arry .
— A r a zão p or q ue A lv o n unca f a la v a e m A ria n a — c o m eço u E lif a s, c o m a
voz em ocio nad a — é, im ag in o, m uito cla ra . F ic o u arra sa d o co m a m orte d a
ir m ã...
— P or q ue n in guém n unca a v ia , E lif a s? — g ra sn ou M urie l. — P or q ue
meta d e d e n ós se q uer so ube q ue e la e x is tia , a té o c aix ão sa ir d a c asa p ara o s
fu nera is ? O nde e sta v a o s a n to D um ble d ore , e n quan to A ria n a v iv eu tr a n cad a n o
porã o ? E sta v a b rilh an do e m H ogw arts s e m s e im porta r c o m o q ue a co nte cia e m
su a p ró pria c asa !
— C om o a ssim “ tr a n cad a n o p orã o ”? — p erg unto u H arry . — Q ue q uer
diz er c o m i s so ?
Doge e ra a im ag em d a in fe lic id ad e. T ia M urie l to rn ou a r e sp onder a H arry
co m s u a v oz a g uda.
— A m ãe de D um ble d ore era um a m ulh er ap av ora n te , sim ple sm en te
ap av ora n te . N asc eu t r o uxa, e m bora t e n ham m e d ito q ue e la f in gia n ão s e r...
— E la n unca fin giu n ad a! K en dra e ra u m a e x cele n te m ulh er! -s u ssu rro u
Doge a n gustia d o, m as t ia M urie l n ão l h e d eu a te n ção .
— ... org ulh osa e m uito dom in ad ora , o tip o de bru xa que se se n tir ia
mortif ic ad a d e p ro duzir u m a b orto d a n atu re za...
— A ria n a n ão e ra u m a b orto d a n atu re za! — c h io u D oge.

— É o q ue v ocê d iz , E lif a s, m as m e e x pliq ue, e n tã o , p or q ue e la n unca
fre q üen to u H ogw arts ! — E , v olta n do-s e p ara H arry . — N o n osso te m po, e ra
co m um a s f a m ília s e sc o ndere m o s b ru xos a b orta d os. E m bora c h eg ar a o e x tr e m o
de t r a n cafia r u m a m en in in ha e m c asa e f in gir q ue e la n ão e x is tia ...
— E sto u lh e a fir m an do q ue n ão fo i o q ue a co nte ceu ! — re to rq uiu D oge,
mas t ia M urie l p asso u d e r o lo c o m pre sso r e c o ntin uou a s e d ir ig ir a H arry .
— O s b ru xos a b orta d os n orm alm en te ia m p ara e sc o la s d e tr o uxas e e ra m
in cen tiv ad os a se in te g ra re m n a c o m unid ad e tr o uxa... m uito m ais c arid oso d o
que te n ta r e n co ntr a r u m lu gar p ara e le s n o m undo b ru xo, o nde s e ria m s e m pre
co nsid era d os in fe rio re s; m as n atu ra lm en te K en dra D um ble d ore n ão s o nharia e m
deix ar a f ilh a f re q üen ta r u m a e sc o la t r o uxa.
— A ria n a e ra d elic ad a! — a rg um en to u D oge d ese sp era d o. — A s a ú de d ela
se m pre f o i p re cária d em ais p ara l h e p erm itir...
— P erm itir s a ir d e c asa ? — c acare jo u M urie l. — N o e n ta n to , e la j a m ais f o i
le v ad a a o S t. M ungus e n en hum c u ra n deir o j a m ais f o i c h am ad o p ara a te n dê-la !
— F ra n cam en te , M urie l, c o m o é p ossív el v ocê s a b er s e ...
— P ara s u a in fo rm ação , E lif a s, m eu p rim o L an celo te e ra c u ra n deir o n o S t.
Mungus n aq uela ép oca e co nto u à m in ha fa m ília , em co nfia n ça, q ue A ria n a
nunca f o ra v is ta p or l á . T udo m uito s u sp eito , e ra o q ue o L an celo te p en sa v a!
Doge pare cia à beir a das lá g rim as. Tia M urie l, que pare cia esta r se
div ertin do im en sa m en te , esta lo u os ded os para que lh e tr o uxesse m m ais
ch am pan he. S em s e n tir , H arry p en so u n os D urs le y e c o m o, n o p assa d o, o t in ham
cala d o, t r a n cad o e m an tid o f o ra d e v is ta , t u do p elo c rim e d e s e r b ru xo. A i r m ã d e
Dum ble d ore te ria so frid o o re v ers o d o m esm o d estin o? P re sa p or lh e fa lta r
mag ia ? E D um ble d ore te ria re alm en te d eix ad o a ir m ã e n tr e g ue à p ró pria s o rte
en quan to p artia p ara H ogw arts , p ara p ro var s u a g en ia lid ad e e t a le n to ?
— A gora , s e K en dra n ão tiv esse m orrid o p rim eir o — re to m ou M urie l — ,
eu d ir ia q ue f o i e la q uem l iq uid ou A ria n a...
— C om o p ode d iz er is so , M urie l? — g em eu D oge. — U m a m ãe m ata r a
pró pria f ilh a? P en se n o q ue e stá d iz en do!
— S e a m ãe e m q uestã o f o sse c ap az d e m an te r a f ilh a p re sa d ura n te a n os,
por q ue n ão ? — re tr u co u M urie l sa cu din do o s o m bro s. -M as, co m o d ig o, a
his tó ria não se en caix a, porq ue K en dra m orre u an te s de A ria n a, porta n to ,
nin guém j a m ais s o ube d ir e ito ...
— A h, c o m c erte za A ria n a a ssa ssin ou a m ãe — re p lic o u D oge, te n ta n do
co ra jo sa m en te d esd en har. — P or q ue n ão ?
— É , A ria n a ta lv ez te n ha f e ito u m a d ese sp era d a te n ta tiv a p ara s e lib erta r e ,
no e sfo rç o , m ato u K en dra — c o nclu iu tia M urie l, p en sa tiv a. — P ode b ala n çar a
cab eça o q uan to q uis e r, E lif a s! V ocê e ste v e n os f u nera is d e A ria n a, n ão e ste v e?

— E stiv e — c o nfir m ou D oge, c o m o s l á b io s t r ê m ulo s. — E n ão m e l e m bro
de ocasiã o mais dese sp era d am en te tr is te . Alv o esta v a co m o co ra ção
desp ed açad o...
— E n ão e ra s ó o c o ra ção . A berfo rth n ão q ueb ro u o n ariz d e D um ble d ore
dura n te a e n co m en dação d o c o rp o?
Se D oge p are cera h orro riz ad o a n te s, n ão s e c o m para v a a o q ue d em onstr a v a
ag ora . E ra c o m o s e M urie l o tiv esse e sfa q uead o. A b ru xa r iu a lto e to m ou m ais
um g ole d e c h am pan he, q ue e sc o rre u p elo s e u q ueix o.
— C om o v ocê...? ! — e x cla m ou D oge r o uco .
— M in ha m ãe e ra a m ig a d a v elh a B atild a B ag sh ot — d is se e la , a le g re . —
Batild a c o nto u t u do a m in ha m ãe, e e u o uvi a tr á s d a p orta . U m a b rig a a o l a d o d o
caix ão . P elo q ue B atild a d esc re v eu , A berfo rth g rito u q ue e ra c u lp a d e A lv o q ue
Aria n a tiv esse m orrid o e , e m se g uid a, d eu -lh e u m m urro n a c ara . E la c o nto u
ain da q ue A lv o n em s e q uer s e d efe n deu , o q ue é e str a n ho, p orq ue p oderia te r
acab ad o c o m o i r m ão e m u m d uelo c o m a s m ão s a m arra d as n as c o sta s.
Murie l co ntin uou beb en do ch am pan he. A en um era ção desse s velh os
esc ân dalo s p are cia a n im á-la ta n to q uan to h orro riz av a D oge. H arry n ão s a b ia o
que pen sa r, em que acre d ita r: queria a verd ad e, co ntu do, D oge não re ag ia ,
ap en as b alia d eb ilm en te q ue A ria n a a d oecera . H arry n ão c o nse g uia a cre d ita r q ue
Dum ble d ore não tiv esse in te rv in do se estiv esse oco rre n do um a cru eld ad e
daq uela s e m s u a p ró pria c asa , m as, s e m d úvid a, h av ia a lg um a c o is a e str a n ha n a
his tó ria t o da.
— E vou lh e diz er m ais — co ntin uou M urie l, co m um le v e so lu ço ,
baix an do s u a ta ça. — A ch o q ue B atild a d eu c o m a lín gua n os d en te s p ara R ita
Skeete r. A quela s in sin uaçõ es q ue ela fe z n a en tr e v is ta so bre u m a im porta n te
fo nte ch eg ad a ao s D um ble d ore ... to dos sa b em q ue B atild a p re se n cio u o q ue
aco nte ceu c o m A ria n a, e s e e n caix aria p erfe ita m en te !
— B atild a j a m ais f a la ria c o m R ita S keete r! — m urm uro u D oge.
— B atild a B ag sh ot? — i n dag ou H arry . — A a u to ra d e
His tó ria d a m agia
?
O n om e e sta v a im pre sso n a c ap a d e u m d e s e u s liv ro s d e e sc o la , e m bora o
garo to r e co nhecesse q ue n ão e ra u m d os q ue e le t iv esse l id o c o m m uita a te n ção .
— É — co nfir m ou D oge, ag arra n do-s e à p erg unta d e H arry co m o u m
afo gad o s e a g arra a u m a b óia . — U m a ta le n to sa h is to ria d ora d a m ag ia e u m a
velh a a m ig a d e A lv o.
— E u ltim am en te b em g ag á, s e g undo o uvi d iz er — a cre sc en to u tia M urie l
an im ad a.
— S e is so é v erd ad e, fo i a in da m ais d eso nro so S keete r te r s e a p ro veita d o
dela — d is se D oge — , e n in guém p ode c o nfia r e m n ad a q ue B atild a p ossa te r
dito !

— H á m an eir a s d e se re cu pera r le m bra n ças, e te n ho c erte za d e q ue R ita
Skeete r co nhece to das. M as, m esm o que B atild a este ja co m ple ta m en te le lé ,
te n ho c erte za d e q ue a in da g uard a v elh as f o to s e ta lv ez a té c arta s. C onheceu o s
Dum ble d ore d ura n te a n os... o q ue v ale ria u m a v ia g em a G odric ’s H ollo w , n a
min ha o pin iã o .
Harry , que estiv era beb eric an do su a cerv eja am an te ig ad a, se en gasg ou.
Doge d eu -lh e p alm ad as n as c o sta s e n quan to o g aro to to ssia , o lh an do p ara tia
Murie l c o m o s o lh os c h eio s d e l á g rim as. Q uan do r e cu pero u a v oz, p erg unto u:
— B atild a B ag sh ot m ora e m G odric ’s H ollo w ?
— A h, s im , h á u m a e te rn id ad e! O s D um ble d ore s e m udara m p ara lá d ep ois
que P erc iv al f o i p re so , e e la f o i v iz in ha d a f a m ília .
— O s D um ble d ore m ora ra m e m G odric ’s H ollo w ?
— S im , B arry , f o i o q ue a cab ei d e d iz er — r e sp ondeu t ia M urie l i r rita d a.
Harry se se n tiu esg ota d o, vazio . N em um a vez, naq uele s se is an os,
Dum ble d ore lh e co nta ra que os dois tin ham m ora d o e perd id o fa m ilia re s
querid os e m G odric ’s H ollo w . P or q uê? S eu s p ais t e ria m s id o e n te rra d os p erto d a
mãe e d a i r m ã d e D um ble d ore ? D um ble d ore t e ria v is ita d o s e u s t ú m ulo s e , t a lv ez,
passa d o p elo s d e L ília n e T ia g o a c am in ho? E j a m ais c o nta ra a H arry ... j a m ais s e
pre o cu para e m d iz er...
E p or q ue e ra tã o im porta n te , H arry n ão s a b ia e x plic ar n em p ara s i m esm o,
co ntu do se n tia q ue eq uiv alia a u m a m en tir a n ão te r m en cio nad o q ue tin ham
aq uele l u gar e a q uela s e x periê n cia s e m c o m um . O g aro to f ic o u o lh an do d uro e m
fre n te , m al n ota n do o q ue e sta v a a co nte cen do a o s e u r e d or, e n ão p erc eb eu q ue
Herm io ne s e d esta cara d a m ultid ão d e c o nvid ad os, a té e la p uxar u m a c ad eir a e
se n ta r a o s e u l a d o.
— S im ple sm en te não co nsig o dan çar m ais — ofe g ou, tir a n do um dos
sa p ato s e esfre g an do a so la de um pé. — R ony fo i busc ar m ais cerv eja
am an te ig ad a. Q ue c o is a e str a n ha, a cab ei d e v er V íto r s e a fa sta n do e n fu re cid o d o
pai d e L una, p are cia q ue e stiv era m d is c u tin do... — E la b aix ou a v oz, o lh an do-o .
— H arry , v ocê e stá b em ?
O g aro to n ão sa b ia p or o nde co m eçar, m as n ão fe z d if e re n ça. N aq uele
mom en to , a lg o v olu m oso e p ra te ad o a tr a v esso u o to ld o s o bre a p is ta d e d an ça.
Gra cio so e re lu zen te , o lin ce ate rris so u co m le v eza en tr e os esp an ta d os
co nvid ad os. C ab eças se vir a ra m , e as pesso as que esta v am m ais pró xim as
co ngela ra m a b su rd am en te e m m eio a p asso s d e d an ça. E ntã o a b oca d o P atr o no
se a b riu d esm esu ra d am en te e e le a n uncio u n a v oz a lta , g ra v e e l e n ta d e K in gsle y
Shack le b olt:
— O M in is té rio c a iu . S crim geo ur e stá m orto . E le s e stã o v in do.

9
U m e sc o n derij o
A c en a p are ceu i m pre cis a e l e n ta . H arry e H erm io ne s a lta ra m d as c ad eir a s e
e m punhara m s u as v arin has. M uita g en te c o m eçav a a p en as a e n te n der q ue a lg o
e str a n ho a co nte cera ; a s c ab eças se m an tin ham v olta d as p ara o lin ce p ra te ad o
e n quan to e le s u m ia n o a r. O s ilê n cio s e p ro pag ou e m o ndas f ria s d esd e o p onto
e m q ue o P atr o no a te rris sa ra . E ntã o a lg uém g rito u.
Harry e H erm io ne se pre cip ita ra m para a m ultid ão em pân ic o . O s
c o nvid ad os d is p ara v am e m to das a s d ir e çõ es; m uito s e sta v am d esa p ara ta n do; o s
f e itiç o s q ue p ro te g ia m A T oca e s e u s a rre d ore s t in ham s id o a n ula d os.
— R ony! — g rito u H erm io ne. — C ad ê v ocê?
À m ed id a q ue a v an çav am p ela p is ta d e d an ça, H arry v iu v ulto s d e c ap a e
m ásc ara s u rg ir e m n a m ultid ão ; v iu ta m bém L upin e T onks d e v arin has e rg uid as,
e o uviu a m bos g rita re m : “
Pro te g o
!” , u m g rito q ue e co ou p or t o dos o s l a d os...
— R ony! R ony! — c h am av a H erm io ne, q uase s o lu çan do, e n quan to e la e
H arry e ra m e m purra d os p elo s c o nvid ad os a te rro riz ad os; o g aro to a g arro u a m ão
d ela p ara g ara n tir q ue n ão s e s e p ara sse m , a o m esm o te m po q ue u m ra io d e lu z
p asso u p or c im a d e su as c ab eças; se e ra u m fe itiç o d e p ro te ção o u a lg o m ais
s in is tr o e le s n ão s a b ia m d iz er...
Entã o R ony a p are ceu . S eg uro u o b ra ço liv re d e H erm io ne, e H arry s e n tiu -a
g ir a r n o m esm o lu gar; v is ã o e a u diç ão s e e x tin guir a m q uan do e le fo i e n golid o
p ela e sc u rid ão ; s u a ú nic a s e n sa ção e ra a m ão d e H erm io ne a o s e r c o m prim id o n o
e sp aço e n o t e m po, d is ta n cia n do-s e d ’A T oca, d is ta n cia n do-s e d os C om en sa is d a
M orte q ue d esc ia m , t a lv ez d o p ró prio V old em ort...
— O nde e sta m os? — p erg unto u a v oz d e R ony.
Harry a b riu o s o lh os. P or u m m om en to p en so u n em te r d eix ad o o lo cal d o
c asa m en to : c o ntin uav am c erc ad os d e p esso as.
— R ua T otte n ham C ourt — ofe g ou H erm io ne. — A nde, ap en as an de,
p re cis a m os e n co ntr a r u m l u gar p ara v ocê s e t r o car.
Harry o bed eceu . E le s m eio q ue a n dav am , m eio q ue c o rria m p ela la rg a r u a
e sc u ra , a p in had a d e g en te q ue s e d iv ertia n a n oite , la d ead a p or lo ja s f e ch ad as, a s
e str e la s b rilh an do lá n o a lto . U m ô nib us d e d ois a n dare s p asso u, b aru lh en to , e
u m a le g re g ru po d e b oêm io s f ic o u o lh an do d as ja n ela s p ara e le s; H arry e R ony
a in da u sa v am v este s a r ig or.
— H erm io ne, n ão te m os ro upas p ara tr o car — co m en to u R ony, q uan do

um a j o vem c aiu n a r is a d a a o v ê-lo s.
— P or q ue n ão v erif iq uei s e tin ha tr a zid o c o m ig o a C ap a d a I n vis ib ilid ad e?
— p erg unto u H arry , x in gan do m en ta lm en te a p ró pria b urric e. — C arre g uei- a
dura n te t o do o a n o p assa d o e ...
— T udo bem , eu tr o uxe a ca p a, tr o uxe ro upas para vocês dois -d is se
Herm io ne. — T en te m a p en as a g ir c o m n atu ra lid ad e a té ... a q ui v ai d ar.
Ela o s l e v ou a u m a r u a l a te ra l, e d ali a o r e fú gio d e u m a t r a v essa e sc u ra .
— Q uan do v ocê d iz q ue tr o uxe a c ap a e a s ro upas... — H arry c o m eço u a
diz er, fra n zin do a te sta p ara a a m ig a, q ue n ão le v av a n ad a n as m ão s, e x ceto a
bols in ha d e c o nta s, e m c u jo i n te rio r e la a g ora r e m ex ia .
— Is so m esm o, estã o aq ui — re sp ondeu ela e, para esp an to dos dois
garo to s, tir o u d a b ols a u m je an s, u m a c am is e ta , m eia s m arro ns e , fin alm en te , a
Cap a d a I n vis ib ilid ad e p ra te ad a.
— C ara ça, c o m o f o i...?
— Feitiç o In dete ctá v el de Exte n sã o — re sp ondeu Herm io ne. —
Com plic ad o, m as a ch o q ue o e x ecu te i c o rre ta m en te ; e n fim , c o nse g ui e n fia r a q ui
den tr o tu do q ue p re cis a m os. — E la d eu u m a s a cu did ela n a b ols in ha frá g il q ue
re sso ou c o m o u m p orã o d e c arg a, q uan do d en tr o r o la ra m v ário s o bje to s p esa d os.
— A h, d ro ga, d ev em s e r o s liv ro s — d is se H erm io ne d an do u m a e sp ia d a — , e u
tin ha e m pilh ad o t o dos p or a ssu nto ... a h , b om ... H arry , é m elh or f ic ar c o m a C ap a
da I n vis ib ilid ad e. R ony, d ep re ssa , s e t r o ca l o go...
— Q uan do f o i q ue v ocê f e z tu d o is so ? — p erg unto u H arry , e n quan to R ony
desp ia a s v este s.
— E u lh e f a le i n ’A T oca q ue tin ha e m paco ta d o o e sse n cia l, le m bra , c aso a
gen te p re cis a sse sa ir c o rre n do. A rru m ei a su a m och ila h oje d e m an hã, H arry ,
dep ois q ue v ocê s e t r o co u, e g uard ei t u do a q ui... t iv e u m p re sse n tim en to ...
— V ocê é u m a sso m bro , s ó é ! — e x cla m ou R ony, lh e e n tr e g an do a s v este s
en ro la d as.
— O brig ad a — d is se H erm io ne, se e sfo rç an do p ara so rrir a o g uard ar a s
veste s n a b ols in ha. — P or f a v or, H arry , c u bra -s e c o m a c ap a!
Harry atir o u a cap a so bre os om bro s e puxou-a para a cab eça,
desa p are cen do d e v is ta . C om eçav a, e n fim , a a v alia r o q ue a co nte cera .
— O s o utr o s... t o do o m undo n o c asa m en to ...
— N ão p odem os n os p re o cu par c o m is so a g ora — s u ssu rro u H erm io ne. —
É a tr á s d e v ocê q ue e le s e stã o , H arry , e d eix are m os to dos e m m aio r p erig o s e
volta rm os.
— E la te m ra zão — c o nfir m ou R ony, q ue p are ceu p erc eb er q ue H arry ia
co ntr a -a rg um en ta r, a in da q ue n ão p udesse v er o ro sto d o a m ig o. — A m aio r
parte d os m em bro s d a O rd em e sta v a p re se n te , e le s c u id arã o d e t o dos.

Harry a sse n tiu , m as l e m bro u q ue o s o utr o s n ão p odia m v ê-lo e a cre sc en to u:
— É . — P en so u, p oré m , e m G in a, e o m ed o b orb ulh ou c o m o u m á cid o e m
se u e stô m ag o.
— V am os, a ch o q ue t e m os d e c o ntin uar a n dan do — d is se H erm io ne.
Os tr ê s to rn ara m a s a ir d a r u a la te ra l e e n tr a r n a p rin cip al, o nde u m g ru po
de h om en s c an ta v a e a cen av a d a c alç ad a o posta .
— S ó p or c u rio sid ad e, p or q ue a r u a T otte n ham C ourt? — p erg unto u R ony
a H erm io ne.
— N ão f a ço id éia , o n om e s im ple sm en te m e o co rre u , m as te n ho c erte za d e
que e sta re m os m ais s e g uro s n o m undo d os t r o uxas, n ão é o nde e le s e sp era m q ue
este ja m os.
— V erd ad e — c o nco rd ou R ony, o lh an do p ara o s la d os — , m as v ocê n ão s e
se n te u m p ouco ... e x posta ?
— Q ue o utr a o pção n os re sta ? — p erg unto u H erm io ne, se en co lh en do
quan do o s h om en s d o o utr o la d o d a r u a c o m eçara m a a sso via r p ara e la . — N ão
daria p ara re se rv ar q uarto s n o C ald eir ã o F ura d o, n ão é ? E o la rg o G rim mau ld
está fo ra , se o S nap e a in da p ode e n tr a r lá ... su ponho q ue p odería m os te n ta r a
casa d os m eu s p ais , e m bora s e ja p ro váv el q ue e le s a re v is te m ... a h , e u g osta ria
que e le s c ala sse m a b oca!
— T udo b em , q uerid a? — g rito u o m ais b êb ad o d os h om en s n a o utr a
calç ad a. — Q uer to m ar u m d rin que? L arg a e sse ru iv o p ra lá e v em to m ar u m a
cerv eja !
— V am os n os s e n ta r e m a lg um lu gar — d is se H erm io ne d ep re ssa , q uan do
Rony a b riu a b oca p ara r e sp onder. — O lh e, e sse s e rv e, a í d en tr o !
Era u m c afé p eq uen o e e n card id o a b erto a n oite to da. U m a le v e c am ad a d e
gord ura c o bria a s m esa s c o m ta m po d e fó rm ic a, m as p elo m en os e sta v a v azio .
Harry f o i o p rim eir o a e n tr a r n o r e se rv ad o, e R ony s e n to u a o s e u l a d o, d efro nte a
Herm io ne, q ue f ic o u d e c o sta s p ara a e n tr a d a e n ão g osto u: e sp ia v a p or c im a d o
om bro c o m ta n ta fre q üên cia q ue p are cia te r u m tiq ue n erv oso . H arry ta m bém
não g osto u d e f ic ar p ara d o; a n dar lh e d era a ilu sã o d e q ue tin ham u m o bje tiv o.
Sob a c ap a, e le s e n tia o s ú ltim os v estíg io s d a P oção P olis su co s e d is p ers a re m ,
perm itin do q ue s u as m ão s re to m asse m o c o m prim en to e a fo rm a n orm ais . E le
tir o u o s ó cu lo s d o b ols o e c o lo co u-o s n o r o sto .
Passa d os u ns d ois m in uto s, R ony f a lo u:
— S ab em , n ão e sta m os m uito lo nge d o C ald eir ã o F ura d o, é lo go a li e m
Charin g C ro ss...
— R ony, n ão p odem os! — p ro te sto u H erm io ne i m ed ia ta m en te .
— N ão p ara s e h osp ed ar l á , m as p ara d esc o brir o q ue e stá a co nte cen do!
— V ocê s a b e o q ue e stá a co nte cen do! V old em ort to m ou o M in is té rio , q ue

mais v ocê p re cis a s a b er?
— T á, t á , f o i s ó u m a i d éia .
Os g aro to s re caír a m e m u m s ilê n cio in cô m odo. A g arç o nete q ue m asc av a
ch ic le te s e a rra sto u a té a m esa d ele s e H erm io ne p ed iu d ois c ap puccin os: c o m o
Harry e sta v a in vis ív el, te ria p are cid o e str a n ho e n co m en dar u m p ara e le . D ois
operá rio s c o rp ule n to s e n tr a ra m n o c afé e s e e sp re m era m n o r e se rv ad o c o ntíg uo.
Herm io ne f a lo u q uase s u ssu rra n do:
— S ugir o q ue p ro cu re m os u m l u gar s e m m ovim en to p ara d esa p ara ta r e s a ir
da c id ad e. U m a v ez l á , p odería m os m an dar u m a m en sa g em p ara a O rd em .
— E ntã o , v ocê s a b e f a zer u m P atr o no q ue f a la ? — p erg unto u R ony.
— A ndei p ra tic an do e a ch o q ue s e i — r e sp ondeu a g aro ta .
— B em , d esd e q ue n ão c au se p ro ble m as p ara e le s, e m bora , a e ssa a ltu ra ,
quem s a b e j á f o ra m p re so s. D eu s, i s so é r e p ugnan te — a cre sc en to u R ony, d ep ois
de to m ar u m g ole d o c afé c in zen to q ue f u m eg av a. A g arç o nete o uviu ; la n ço u a
Rony u m o lh ar fe io e s e a rra sto u p ara a n ota r o p ed id o d os n ovos fre g uese s. O
maio r d os d ois o perá rio s, lo uro e a v an ta ja d o, a g ora q ue H arry re p ara v a n ele ,
dis p en so u a g arç o nete . E la o e n caro u i n dig nad a.
— V am os a n dan do, e n tã o , n ão q uero b eb er e ssa á g ua s u ja — d is se R ony. —
Herm io ne, v ocê t e m d in heir o t r o uxa p ara p ag ar a c o nta ?
— T en ho, tir e i tu do q ue tin ha n a p oupan ça a n te s d e ir p ara A T oca. A posto
co m o to dos o s tr o cad os e stã o lá n o fu ndo — su sp ir o u a g aro ta , a p an han do a
bols in ha d e c o nta s.
Os dois operá rio s fiz era m movim en to s id ên tic o s, e Harry
in co nsc ie n te m en te o s im ito u: o s tr ê s sa cara m as v arin has. R ony, p erc eb en do,
co m alg uns se g undos d e atr a so , o q ue esta v a aco nte cen do, atir o u-s e so bre a
mesa , e m purra n do H erm io ne d e la d o so bre o b an co . A fo rç a d os fe itiç o s d os
Com en sa is da M orte estilh aço u os azu le jo s da pare d e no ponto em que
mom en to s an te s estiv era a cab eça d e R ony, en quan to H arry , ain da in vis ív el,
ord en av a: —
Estu pefa ça
!
O lo uro gra n dalh ão fo i atin gid o no ro sto pelo ja to de lu z verm elh a, e
desm onto u p ara u m la d o, in co nsc ie n te . S eu c o m pan heir o , in cap az d e v er q uem
la n çara o f e itiç o , d is p aro u o utr o c o ntr a R ony: r e lu zen te s c o rd as n eg ra s s a ír a m d a
ponta d e s u a v arin ha e a m arra ra m o g aro to d a c ab eça a o s p és — a g arç o nete s a iu
co rre n do ao s berro s em dir e ção à porta — , H arry la n ço u outr o Feitiç o
Estu pora n te n o C om en sa l d e c ara to rta q ue a m arra ra R ony, m as e rro u a p onta ria
e o f e itiç o , r ic o ch ete an do n a j a n ela , a tin giu a g arç o nete q ue c aiu j u nto à p orta .

Exp uls o
! — b erro u o C om en sa l d a M orte , e a m esa e m f re n te a H arry s e
desin te g ro u: a fo rç a d a e x plo sã o a tir o u o g aro to c o ntr a a p are d e e e le s e n tiu a
varin ha l h e e sc ap ar d a m ão e a c ap a e sc o rre g ar d o s e u c o rp o.


Petr ific u s To ta lu s
! — berro u H erm io ne, esc o ndid a, e o C om en sa l
to m bou p ara a fre n te c o m o u m a e stá tu a a te rris sa n do c o m u m b aq ue so bre o s
destr o ço s de lo uça, m esa e café . A garo ta en gatin hou de baix o do ban co ,
sa cu din do o s c aco s d e u m c in zeir o d e v id ro d os c ab elo s, o c o rp o t r ê m ulo .

D... D iffin do
— o rd en ou e la , a p onta n do a v arin ha p ara R ony, q ue u rro u
de d or q uan do e la ra sg ou s e u je an s n o jo elh o, fa zen do-lh e u m c o rte fu ndo n a
pern a. — A h, m e d esc u lp e, R ony, m in ha m ão e stá t r e m en do!
Diffin do
!
As co rd as co rta d as caír a m . R ony le v an to u-s e , sa cu din do o s b ra ço s p ara
re cu pera r a se n sib ilid ad e. H arry ap an hou su a v arin ha e p asso u p or cim a d o
en tu lh o a té o b an co e m q ue e sta v a e sp arra m ad o o C om en sa l d a M orte l o uro .
— E u d ev ia te r r e co nhecid o e sse , e sta v a lá q uan do D um ble d ore m orre u —
dis se . E le v ir o u o co rp o d o C om en sa l m ais m ore n o co m o p é; o s o lh os d o
hom em c o rre ra m d e H arry p ara R ony e H erm io ne.
— É o D olo hov — d is se R ony. — E u o re co nheci p elo s carta zes d os
crim in oso s p ro cu ra d os. A ch o q ue o g ra n dalh ão é T hor R ow le .
— N ão i n te re ssa q ual é o n om e d ele s! — e x cla m ou H erm io ne, l ig eir a m en te
his té ric a. — C om o f o i q ue n os e n co ntr a ra m ? Q ue v am os f a zer?
De a lg um m odo, o p ân ic o d a a m ig a c la re o u a c ab eça d e H arry .
— T ra n que a p orta — d is se a H erm io ne — , e , R ony, a p ag ue a s l u zes.
Ele co nte m plo u o para lis a d o D olo hov, pen sa n do rá p id o en quan to a
fe ch ad ura gir a v a e R ony usa v a o desilu m in ad or para m erg ulh ar o bar na
esc u rid ão . H arry o uvia a o lo nge o s h om en s q ue tin ham m ex id o c o m H erm io ne
mais c ed o, g rita n do p ara o utr a m oça.
— Q ue v am os f a zer c o m e le s? — s u ssu rro u R ony p ara H arry n o e sc u ro ; e
em t o m a in da m ais b aix o: — M atá -lo s? E le s n os m ata ria m . E q uase c o nse g uir a m
ag ora h á p ouco .
Herm io ne e str e m eceu e r e cu ou u m p asso . H arry s a cu diu a c ab eça.
— S ó p re cis a m os a p ag ar a m em ória d ele s. É m elh or a ssim , d esp is ta re m os
os d ois . S e o s m ata rm os, f ic aria ó bvio q ue e stiv em os a q ui.
— V ocê é q uem m an da — d is se R ony, p are cen do p ro fu ndam en te a liv ia d o.
— M as n unca l a n cei u m F eitiç o d e M em ória .
— N em e u — f a lo u H erm io ne — , m as c o nheço a t e o ria .
Ela in sp ir o u p ro fu ndam en te p ara s e a calm ar, a p onto u a v arin ha p ara a te sta
de D olo hov e o rd en ou: —
Obliv ia te
!
Na m esm a h ora , o s o lh os d o b ru xo s e t o rn ara m d esfo cad os e v ag os.
— G en ia l — a p la u diu H arry , d an do-lh e p alm ad in has n as c o sta s. - C uid e d o
outr o e d a g arç o nete , e n quan to R ony e e u l im pam os a b ag unça.
— L im par a b ag unça?! — ex cla m ou R ony co rre n do o s o lh os p elo b ar
parc ia lm en te d estr u íd o. — P or q uê?

— V ocê n ão a ch a q ue p odem fic ar im ag in an do o q ue a co nte ceu q uan do
re cu pera re m a co nsc iê n cia e se vir e m em um lu gar que pare ce que fo i
bom bard ead o?
— A h, c erto , é ...
Rony t e v e u m p ouco d e d if ic u ld ad e p ara s a car a v arin ha d o b ols o .
— N ão a d m ir a q ue e u n ão c o nsig a p uxar a v arin ha, H erm io ne, v ocê tr o uxe
o m eu j e an s v elh o, e stá p eq uen o.
— A h, sin to m uito — sib ilo u H erm io ne, e n quan to a rra sta v a a g arç o nete
para u m lu gar e m q ue n ão a v is se m d as ja n ela s. H arry a o uviu r e sm ungar o nde
Rony p odia e n fia r a v arin ha p ara f ic ar m ais à m ão .
Quan do o b ar v olto u à c o ndiç ão a n te rio r, e le s le v an ta ra m o s C om en sa is d a
Morte p ara r e co lo cá-lo s n o r e se rv ad o e e sc o ra ra m u m d e f re n te p ara o o utr o .
— M as co m o fo i que ele s nos en co ntr a ra m ? — perg unto u H erm io ne,
olh an do d e u m h om em i n erte p ara o utr o . — C om o s o ubera m o nde e stá v am os?
Ela s e v ir o u p ara H arry .
— S erá ... s e rá q ue v ocê a in da e stá c arre g an do o r a str e ad or, H arry ?
— N ão p ode e sta r — p ondero u R ony. — O ra str e ad or c ad uca q uan do s e
co m ple ta d ezesse te a n os, é a l e i b ru xa, n ão s e p ode c o lo cá-lo e m u m a d ulto .
— A té o nde s a b em os — re sp ondeu H erm io ne. — M as e s e o s C om en sa is
da M orte e n co ntr a ra m u m j e ito d e c o lo cá-lo e m u m a d ulto ?
— M as H arry n ão e ste v e p erto d e u m C om en sa l n as ú ltim as v in te e q uatr o
hora s. Q uem p oderia t e r r e co lo cad o u m r a str e ad or n ele ?
Herm io ne n ão re sp ondeu . H arry se n tiu -s e co nta m in ad o, m acu la d o: te ria
sid o r e alm en te a ssim q ue o s C om en sa is e n co ntr a ra m o s t r ê s?
— S e e u n ão p osso u sa r m ag ia e v ocês n ão p odem u sa r m ag ia p erto d e
mim , s e m r e v ela rm os a n ossa p osiç ão ... — c o m eço u e le .
— N ão v am os n os s e p ara r! — r e tr u co u H erm io ne c o m f ir m eza.
— P re cis a m os d e u m lu gar s e g uro p ara n os e sc o nder — le m bro u R ony. —
Nos d ê u m t e m po p ara p en sa r.
— L arg o G rim mau ld — d is se H arry . O s o utr o s d ois f ic ara m p asm os.
— N ão s e ja t o lo , H arry , o S nap e p ode e n tr a r l á .
— O p ai d e R ony d is se q ue p use ra m n a c asa f e itiç o s c o ntr a e le , e , m esm o
que n ão te n ham fu ncio nad o — co ntin uou, v en do q ue H erm io ne co m eçav a a
pro te sta r — , e d aí? J u ro q ue n ão h á n ad a q ue e u g osta sse m ais d o q ue t o par c o m
o S nap e!
— M as...
— H erm io ne, q ue o utr o lu gar n ós te m os? É a n ossa m elh or p ossib ilid ad e.
Snap e é a p en as u m C om en sa l. S e a in da e sto u c arre g an do o ra str e ad or, te re m os
hord as d ele s a tr á s d e n ós a o nde q uer q ue f o rm os.

A g aro ta n ão t e v e a rg um en to s, e m bora s e u r o sto d is se sse q ue g osta ria d e t e r
tid o. E nquan to d estr a n cav am a p orta d o b ar, R ony a cio nou o d esilu m in ad or p ara
re acen der a s lu zes d o lo cal. E ntã o , q uan do H arry c o nto u tr ê s, e le s r e v erte ra m o s
fe itiç o s n as tr ê s v ítim as e, an te s q ue a g arç o nete e o s C om en sa is d a M orte
acab asse m d e d esp erta r so nole n to s, o s g aro to s tin ham m ais u m a v ez g ir a d o e
desa p are cid o n a e sc u rid ão c o m pre sso ra .
Seg undos m ais t a rd e, o s p ulm ões d e H arry s e e x pan dir a m a g ra d ecid os e e le
ab riu o s o lh os: e sta v am p ara d os n o m eio d o p eq uen o la rg o m al c u id ad o q ue já
co nhecia m . C asa s a lta s e d ila p id ad as o s c erc av am d e to dos o s la d os. O n úm ero
doze e ra v is ív el a o s g aro to s, p orq ue t in ham s a b id o d e s u a e x is tê n cia p ela b oca d e
Dum ble d ore , o fie l d o se g re d o, e o s tr ê s c o rre ra m p ara a c asa v erif ic an do, a
in te rv alo s, se não esta v am se n do se g uid os ou obse rv ad os. Rap id am en te
galg ara m o s d eg ra u s d e p ed ra e H arry to co u a p orta u m a v ez c o m a v arin ha.
Ouvir a m u m a s é rie d e c liq ues m etá lic o s e o b aru lh o d e u m a c o rre n te , p or f im a
porta s e a b riu , r a n gen do, e e le s e n tr a ra m d ep re ssa .
Quan do H arry f e ch ou a p orta à s s u as c o sta s, a s v elh as lu m in ária s a g ás s e
acen dera m , l a n çan do u m a l u z b ru xule an te n o c o rre d or. O l u gar t in ha a a p arê n cia
que e le le m bra v a: lú gubre , c h eio d e te ia s, o s c o nto rn os d as c ab eças d os e lf o s
pen dura d as n a p are d e la n çan do s o m bra s m is te rio sa s s o bre a e sc ad a. C om prid as
co rtin as e sc u ra s o cu lta v am o re tr a to d a m ãe d e S ir iu s. A ú nic a c o is a fo ra d o
lu gar e ra o p orta -g uard a-c h uvas f e ito c o m p ern a d e tr a sg o, q ue e sta v a to m bad o
de l a d o, c o m o s e T onks t iv esse a cab ad o d e d erru bá-lo .
— A ch o q ue a lg uém e ste v e a q ui — s u ssu rro u H erm io ne, a p onta n do p ara o
obje to .
— Is so p ode te r a co nte cid o q uan do a O rd em d eix ou a c asa — m urm uro u
Rony e m r e sp osta .
— E ntã o , o nde e stã o o s fe itiç o s q ue la n çara m c o ntr a S nap e? -p erg unto u
Harry .
— T alv ez s ó s e ja m a tiv ad os s e e le a p are cer, n ão ? — a rris c o u R ony. E le s
perm an ecera m j u nto s a in da n o c ap ach o d a e n tr a d a, c o m a s c o sta s v olta d as p ara a
porta , r e cean do e n tr a r n o r e sto d a c asa .
— B em , n ão p odem os fic ar a q ui p ara se m pre — d is se H arry , d an do u m
passo à f re n te .
— S evero S nape?
A voz de Olh o-T onto su ssu rro u no esc u ro , fa zen do os tr ê s se
so bre ssa lta re m .
— N ão s o m os S nap e! — H arry a in da p ôde r e sp onder c o m a v oz r o uca, m as
um a e sp écie d e ja to d e a r frio fo i la n çad a c o ntr a e le e s u a lín gua e n ro lo u p ara
tr á s, im ped in do-o d e c o ntin uar. A nte s q ue tiv esse te m po d e se n tir a b oca p or

den tr o , n o e n ta n to , a l ín gua t o rn ou a d ese n ro la r.
Os o utr o s d ois p are cia m t e r e x perim en ta d o a m esm a s e n sa ção d esa g ra d áv el.
Rony e n gulh av a; H erm io ne g ag uejo u:
— D ev e t- te r s-s id o o F -fe itiç o d a L ín gua P re sa q ue O lh o-T onto a rm ou
co ntr a o S nap e!
Cau te lo so , H arry d eu m ais u m p asso à f re n te . A lg um a c o is a s e m ex eu n as
so m bra s d o f im d o c o rre d or, e , s e m lh es d ar te m po d e f a la r, u m v ulto s e e rg ueu
do ta p ete , a lto , c o r d e p oeir a e a m eaçad or. H erm io ne g rito u e f o i a co m pan had a
pela s ra . B la ck , p ois a s c o rtin as n eg ra s d o re tr a to re p en tin am en te s e a b rir a m ; o
vulto cin zen to d esliz o u p ara ele s, cad a v ez m ais rá p id o, se u s cab elo s até a
cin tu ra e a b arb a e sv oaçan do à s c o sta s, o ro sto fu ndo, d esc arn ad o, a s ó rb ita s
vazia s; h orriv elm en te fa m ilia r, p av oro sa m en te m udad o, ele erg ueu u m b ra ço
murc h o e a p onto u-o p ara H arry .
— N ão ! — g rito u o g aro to , e , e m bora tiv esse e rg uid o a v arin ha, n ão lh e
oco rre u n en hum f e itiç o . — N ão , n ão f o m os n ós! N ão o m ata m os...
A m en ção d a p ala v ra “ m ata m os” , o v ulto e x plo diu fo rm an do u m a g ra n de
nuvem d e p oeir a : to ssin do, o s o lh os la crim eja n do, H arry o lh ou p ara o s la d os e
viu H erm io ne a g ach ad a ju nto à p orta , c o brin do a c ab eça c o m o s b ra ço s, e R ony,
tr ê m ulo d a cab eça ao s p és, lh e d an do p alm ad in has d esa je ita d as n o o m bro e
diz en do:
— E stá t u do b -b em ... j á p -p asso u...
A p oeir a ro dopia v a e m to rn o d e H arry c o m o u m a n év oa, re fle tin do a lu z
azu la d a d o g ás, e n quan to a s ra . B la ck c o ntin uav a a b erra r.
— S angues-r u in s, lix o , e stig m as d e d eso nra , m anch as d e v erg onha s o bre a
ca sa d os m eu s p ais ...
— C A LA A B O CA ! — b erro u H arry a p onta n do a v arin ha p ara e la , e , c o m
um e sta m pid o e u m c la rã o d e fa ís c as v erm elh as, a c o rtin a to rn ou a se fe ch ar
sile n cia n do a m ulh er.
— A quele ... aq uele era ... — ch ora m in gou H erm io ne, en quan to R ony a
aju dav a a s e l e v an ta r.
— E ra — c o nfir m ou H arry — , m as n ão e ra re alm en te e le , e ra ? S ó u m a
co is a p ara a p av ora r o S nap e.
Teria dad o re su lta d o, perg unto u-s e H arry , ou Snap e te ria ex plo did o a
ap ariç ão horrip ila n te , dis p lic en te m en te , co m o fiz era co m o verd ad eir o
Dum ble d ore ? O s nerv os ain da vib ra n do, ele sa iu à fre n te dos am ig os pelo
co rre d or, à e sp era d e q ue u m n ovo t e rro r s e r e v ela sse , m as n ad a s e m ex eu e x ceto
um c am undongo c o rre n do p elo r o dap é.
— A nte s d e p ro sse g uir , a ch o m elh or fa zer u m a v erif ic ação — c o ch ic h ou
Herm io ne e , e rg uen do a v arin ha, o rd en ou: —
Hom en um r e velio !

Nad a a co nte ceu .
— B em , v ocê a cab ou d e le v ar u m g ra n de s u sto — d is se R ony g en tilm en te .
— P ara q ue s e rv iu e sse f e itiç o ?
— S erv iu p ara o q ue eu q ueria q ue se rv is se ! — re sp ondeu H erm io ne,
basta n te z an gad a. — E ra u m fe itiç o p ara re v ela r p re se n ça h um an a, e n ão te m
nin guém a q ui e x ceto n ós!
— E o v elh o P oeir ã o — a cre sc en to u R ony, o lh an do p ara o lu gar n o ta p ete
de o nde s a ír a o e sp ectr o .
— V am os s u bir — d is se H erm io ne a ssu sta d a, e , la n çan do u m o lh ar p ara o
mesm o ponto , su biu à fre n te a esc ad a ra n ged eir a para a sa la de vis ita s no
prim eir o a n dar.
Ao c h eg ar, a cen ou c o m a v arin ha p ara a cen der a s v elh as lu m in ária s a g ás.
Entã o , estr e m ecen do na sa la ven to sa , em pole ir o u-s e no so fá co m os bra ço s
ap erta d os e m v olta d o c o rp o. R ony f o i à ja n ela e a fa sto u u ns d ois c en tím etr o s a
pesa d a c o rtin a d e v elu do.
— N ão v ejo n in guém l á f o ra — i n fo rm ou. — E e u d ir ia q ue, s e H arry a in da
tiv esse o ra str e ad or, e le s te ria m n os se g uid o a té a q ui. E u se i q ue n ão p odem
en tr a r n a c asa , m as... q ue f o i, H arry ?
O g aro to so lta ra u m g rito d e d or: su a c ic atr iz re co m eçara a q ueim ar a o
mesm o te m po q ue a lg o la m pejo u p or s u a m en te c o m o u m a lu z fo rte in cid in do
so bre a á g ua. E le v iu u m a g ra n de so m bra e se n tiu u m a fú ria q ue n ão e ra su a
perc o rre r s e u c o rp o, v io le n ta e b re v e c o m o u m c h oque e lé tr ic o .
— Q ue f o i q ue v ocê v iu ? — p erg unto u R ony, a v an çan do p ara o a m ig o. —
Você o v iu n a m in ha c asa ?
— N ão , e u s ó s e n ti r a iv a, e le e stá r e alm en te e n ra iv ecid o...
— M as is so p oderia s e r n ’A T oca! — e x cla m ou R ony e m v oz a lta . — Q ue
mais ? N ão v iu m ais n ad a? E le e sta v a a m ald iç o an do a lg uém ?
— N ão , e u s ó s e n ti r a iv a... e n ão s a b eria d iz er...
Harry se se n tiu a to rm en ta d o, c o nfu so , e H erm io ne n ão a ju dou m uito a o
perg unta r a m ed ro nta d a:
— A s u a c ic atr iz n ovam en te ? A fin al, q ue e stá a co nte cen do? P en se i q ue e ssa
lig ação t iv esse s id o f e ch ad a!
— F ech ou, p or a lg um te m po — m urm uro u H arry ; s u a c ic atr iz a in da d oía
dif ic u lta n do a c o ncen tr a ção . — A ch o q ue r e co m eço u a a b rir , s e m pre q ue e le s e
desc o ntr o la , é c o m o c o stu m av a...
— E ntã o , v ocê te m q ue fe ch ar s u a m en te ! — d is se H erm io ne e sg an iç ad a.
— H arry , D um ble d ore n ão q ueria q ue v ocê u sa sse e ssa lig ação , q ueria q ue v ocê
a fe ch asse , é p ara is so q ue d ev ia u sa r a O clu m ên cia ! D o c o ntr á rio , V old em ort
pode p la n ta r f a ls a s i m ag en s e m s u a m en te , l e m bra ...

— L em bro , sim , obrig ad o — re sp ondeu o garo to en tr e os den te s; não
pre cis a v a q ue H erm io ne l h e d is se sse q ue V old em ort j á u sa ra e ssa m esm a l ig ação
en tr e e le s p ara a tr a í- lo a u m a a rm ad ilh a, n em q ue is so c au sa ra a m orte d e S ir iu s.
Dese jo u q ue n ão tiv esse c o nta d o a o s a m ig os o q ue s e n tir a e v ir a ; is so to rn ara
Vold em ort m ais a m eaçad or, c o m o s e e le e stiv esse fo rç an do a ja n ela d a s a la . A
dor e m s u a c ic atr iz e sta v a a u m en ta n do e e le a r e p elia : e ra c o m o s e r e sis tis se a o
im puls o d e e n jo ar.
Ele d eu a s c o sta s a R ony e H erm io ne, f in gin do e x am in ar a v elh a ta p eçaria
co m a árv ore gen ealó gic a da fa m ília B la ck pen dura d a na pare d e. Entã o
Herm io ne d eu u m g rito a g udo: H arry sa co u a v arin ha e se v ir o u, u m P atr o no
pra te ad o e n tr o u p ela ja n ela d a s a la d e v is ita s e a te rris so u n o c h ão d ia n te d ele s,
onde a ssu m iu a f o rm a d e u m a d onin ha e a v oz d o p ai d e R ony.
— F am ília a s a lv o , n ão r e sp onda, e sta m os s e n do v ig ia dos.
O P atr o no s e d is so lv eu n o a r. R ony d eix ou e sc ap ar u m s o m e n tr e u m c h oro
e u m g em id o e s e la rg ou n o s o fá : H erm io ne s e n to u-s e c o m e le , a p erta n do s e u
bra ço .
— E le s e stã o b em , e le s e stã o b em ! — su ssu rro u e la , e R ony a o m esm o
te m po r ia e a a b ra çav a.
— H arry — d is se e le p or c im a d o o m bro d e H erm io ne — , e u ...
— N ão t e m p ro ble m a — r e sp ondeu H arry n au se ad o d e d or n a c ab eça. — É
su a f a m ília , c la ro q ue e stá p re o cu pad o. E u s e n tir ia o m esm o. — L em bro u-s e d e
Gin a. — E u
sin to
o m esm o.
A d or e m s u a c ic atr iz f o i a tin gin do o a u ge, q ueim an do c o m o n o ja rd im d ’A
Toca. A o l o nge, e le o uviu H erm io ne d iz er:
— E u não quero fic ar so zin ha. P odem os usa r os sa co s de dorm ir que
tr o uxem os e a cam par a q ui h oje à n oite ?
Ele o uviu R ony c o nco rd ar. N ão c o nse g uir ia re sis tir à d or p or m ais te m po:
tin ha q ue s e e n tr e g ar.
— B an heir o — m urm uro u e s a iu d a s a la o m ais d ep re ssa q ue p ôde, s e m
co rre r.
Quase n ão c h eg ou lá . T ra n can do a p orta c o m a s m ão s tr ê m ula s, e le a g arro u
a c ab eça l a te ja n te e s e l a rg ou n o c h ão . E ntã o , e m u m a e x plo sã o d e a g onia , s e n tiu
a ra iv a q ue n ão lh e p erte n cia s e a p odera r d e s u a a lm a, v iu u m a s a la c o m prid a,
ilu m in ad a ap en as pela la re ir a , e o C om en sa l gra n dalh ão e lo uro no ch ão ,
berra n do e se co nto rc en do, e um vulto m ais le v e em pé ao la d o dele ,
em punhan do a v arin ha, e H arry f a la n do c o m u m a v oz f ria e c ru el.
— M ais , R ow le , o u v am os e n cerra r lo go e d ar v ocê p ara N ag in i c o m er?
Lord V old em ort n ão te m c erte za s e d esta v ez ir á lh e p erd oar... F oi p ara is so q ue
me c h am ou, p ara m e d iz er q ue H arry P otte r t o rn ou a e sc ap ar? D ra co , d ê a R ow le

mais u m a a m ostr a d o n osso d esa g ra d o... f a ça i s so o u s in ta p esso alm en te a m in ha
ir a !
Um a to ra d e m ad eir a c aiu n a la re ir a : a s c h am as s e a v iv ara m , s u a c la rid ad e
bate u n o r o sto p álid o, a te rro riz ad o e f in o... c o m a s e n sa ção d e e m erg ir d e á g uas
pro fu ndas, H arry a rq uejo u v ária s v ezes e a b riu o s o lh os.
Esta v a e sta te la d o n o f rio p is o d e m árm ore n eg ro , s e u n ariz a c en tím etr o s d e
um d os r a b os d e s e rp en te p ra te ad os q ue s u ste n ta v am a g ra n de b an heir a . S en to u-
se . O r o sto m ag ro e p etr if ic ad o d e M alf o y p are cia g ra v ad o e m s u a r e tin a. H arry
se se n tiu nau se ad o co m a cen a que vir a , co m o uso que V old em ort esta v a
fa zen do d e D ra co .
Houve u m a f o rte b atid a n a p orta e H arry s e s o bre ssa lto u a o o uvir a v oz d e
Herm io ne.
— H arry , v ocê q uer a s u a e sc o va d e d en te s? E u a t r o uxe.
— Q uero , bele za, obrig ad o — dis se ele , pro cu ra n do m an te r a voz
desc o ntr a íd a a o s e l e v an ta r p ara d eix ar a a m ig a e n tr a r.

1 0
A h is tó ria d e m on str o
Harry a co rd ou n a m an hã s e g uin te , d en tr o d e u m s a co d e d orm ir n o c h ão d a
s a la d e v is ita s. V iu u m a l a sc a d e c éu e n tr e a s p esa d as c o rtin as: e ra u m a zu l f rio e
c la ro d e tin ta a g uad a, e n tr e a n oite e a a lv ora d a, e tu do e sta v a s ile n cio so , e x ceto
p ela re sp ir a ção le n ta e p ro fu nda d e H erm io ne e R ony. H arr y o lh ou p ara as
s o m bra s e sc u ra s q ue e le s p ro je ta v am n o c h ão a o s e u la d o. R ony te v e u m a cesso
d e g ala n te ria e in sis tiu q ue H erm io ne d orm is se s o bre a s a lm ofa d as d o s o fá , p or
i s so a s ilh ueta d ela e sta v a a cim a d a d ele . O b ra ço d a g aro ta f o rm av a u m a rc o a té
o c h ão , s e u s d ed os a c en tím etr o s d os d e R ony. H arry f ic o u i m ag in an do s e t e ria m
a d orm ecid o d e m ão s d ad as. A id éia fe z co m q ue se se n tis se estr a n ham en te
s o litá rio .
Ele e rg ueu o s o lh os p ara o te to so m bre ad o, o lu str e c o berto d e te ia s d e
a ra n ha. A m en os d e v in te e q uatr o h ora s, e stiv era p ara d o à e n tr a d a e n so la ra d a d e
u m a te n da, ag uard an do p ara co nduzir o s co nvid ad os d o casa m en to ao s se u s
l u gare s. P are cia q ue tin ha s id o e m o utr a v id a. Q ue ir ia a co nte cer a g ora ? D eita d o
a li n o c h ão , e le p en so u n as H orc ru xes, n a m is sã o a ssu sta d ora e c o m ple x a q ue
D um ble d ore l h e d eix ara ... D um ble d ore ...
O p esa r q ue o p ossu ír a d esd e a m orte d o d ir e to r a g ora e ra d if e re n te . A s
a cu sa çõ es que ouvir a de M urie l na fe sta pare cia m te r se an in had o em se u
c ére b ro , c o m o c o is a s d oen tia s q ue in fe cta v am su as le m bra n ças d o b ru xo q ue
i d ola tr a v a. T eria D um ble d ore d eix ad o a q uela s c o is a s a co nte cere m ? T eria a g id o
c o m o D uda, co nte n te em o bse rv ar o ab an dono e o ab uso d esd e q ue n ão o
a fe ta sse m ? P oderia t e r d ad o a s c o sta s a u m a i r m ã q ue e sta v a p re sa e e sc o ndid a?
Harry p en so u e m G odric ’s H ollo w , n os tú m ulo s q ue D um ble d ore ja m ais
m en cio nara ; pen so u nos obje to s m is te rio so s deix ad os, se m ex plic ação , no
t e sta m en to d o d ir e to r, e o se u re sse n tim en to c re sc eu n a o bsc u rid ad e. P or q ue
D um ble d ore n ão lh e c o nta ra ? P or q ue n ão lh e e x plic ara ? T eria tid o r e al a fe iç ão
p or e le ? O u H arry t in ha s id o a p en as u m i n str u m en to a s e r p olid o e a fin ad o, s e m ,
n o e n ta n to , m ere cer c o nfia n ça o u c o nfid ên cia s?
O g aro to n ão s u porto u fic ar d eita d o a li, te n do p or c o m pan hia a p en as s e u s
p en sa m en to s a m arg ura d os. D ese sp era d o p ara a rra n ja r o q ue fa zer e s e d is tr a ir ,
d esliz o u p ara f o ra d o s a co d e d orm ir , a p an hou a v arin ha e s a iu f u rtiv am en te d a
s a la . N o c o rre d or, su ssu rro u: “
Lum us
”, e co m eço u a su bir a esc ad a à lu z d a
v arin ha.

No s e g undo p ata m ar f ic av a o q uarto e m q ue e le e R ony tin ham d orm id o n a
últim a v ez q ue e stiv era m n a c asa ; e le e sp io u p ara d en tr o . A s p orta s d os g uard a-
ro upas e sta v am a b erta s e a s ro upas d e c am a tin ham s id o a rra n cad as. H arry s e
le m bro u d a p ern a d e tr a sg o c aíd a n o c h ão d a e n tr a d a. A lg uém re v is ta ra a c asa
desd e q ue a O rd em a d eix ara . S nap e? O u ta lv ez M undungo, q ue a fa n ara m uita
co is a a n te s e d ep ois d a m orte d e S ir iu s? O o lh ar d e H arry v ag ueo u a té o p orta -
re tr a to s o nde p or v ezes a p are cia F in eu s N ig ellu s B la ck , o te tr a v ô d e S ir iu s, m as
esta v a v azio , ex ib ia ap en as u m p ed aço d e fo rro en card id o. E ra ev id en te q ue
Fin eu s N ig ellu s e sta v a p assa n do a n oite n o g ab in ete d o d ir e to r d e H ogw arts .
Harry c o ntin uou a s u bir a e sc ad a a té o ú ltim o p ata m ar o nde h av ia a p en as
duas p orta s. A q ue e sta v a à s u a f re n te tin ha u m a p la q uin ha e m q ue s e lia
Sir iu s
.
O g aro to j a m ais e n tr a ra n o q uarto d o p ad rin ho. E le e m purro u a p orta , e rg uen do a
varin ha n o a lto p ara p oder i lu m in ar a m aio r á re a p ossív el.
O q uarto e ra e sp aço so e , a n tig am en te , d ev ia te r sid o b onito . H av ia u m a
la rg a c am a c o m a c ab eceir a d e m ad eir a e n ta lh ad a, u m a j a n ela a lta s o m bre ad a p or
co m prid as c o rtin as d e v elu do e u m l u str e c o berto p or u m a e sp essa c am ad a d e p ó,
co m to co s d e v ela s a in da n os s u porte s, a c era g ro ssa p en den do c o m o p in gos d e
gelo . U m a f in a p elíc u la d e p oeir a c o bria o s q uad ro s n as p are d es e a c ab eceir a d a
cam a; u m a te ia d e a ra n ha s e e ste n dia d o lu str e a o to po d o g ra n de g uard a-ro upa,
e, q uan do H arry e n tr o u n o q uarto , o uviu o t r o pel d e c am undongos a ssu sta d os.
O a d ole sc en te S ir iu s tin ha c o la d o n as p are d es ta n to s p ôste re s e fo to s q ue
deix ara v is ív el m uito p ouco d a s e d a c in za-p ra te ad o q ue a f o rra v a. H arry s ó p ôde
su por q ue o s p ais d e S ir iu s n ão tin ham c o nse g uid o re m over o F eitiç o A desiv o
Perm an en te q ue o s m an tin ha c o la d os à p are d e, p orq ue d if ic ilm en te e le s te ria m
ap re cia d o o g osto d o filh o m ais v elh o e m m até ria d e d eco ra ção . S ir iu s p are cia
te r sa íd o d o cam in ho p ara ab orre cer o s p ais . H av ia u m a co le ção d e g ra n des
flâ m ula s d a G rif in ória , v erm elh o d esb ota d o e o uro , s o m en te p ara e n fa tiz ar c o m o
ele e ra d if e re n te d o re sto d a fa m ília S onse rin a. H av ia m uita s fo to s d e m oto s
tr o uxas e ta m bém ( H arry tin ha q ue a d m ir a r a c o ra g em d e S ir iu s) v ário s p ôste re s
de g aro ta s tr o uxas d e b iq uín i; H arry sa b ia q ue era m tr o uxas p orq ue n ão se
mex ia m n as fo to s, s e u s s o rris o s e ra m d esb ota d os e o s o lh os v id ra d os p are cia m
co ngela d os n o p ap el. F azia m u m c o ntr a ste c o m a ú nic a f o to b ru xa q ue h av ia n as
pare d es, a d e q uatr o a lu nos d e H ogw arts e m p é, d e b ra ço s d ad os, rin do p ara o
fo tó gra fo .
Com u m a sso m o d e p ra zer, H arry r e co nheceu s e u p ai; c o m c ab elo s r e b eld es
no a lto d a c ab eça c o m o o s d ele , t a m bém u sa v a ó cu lo s c o m o e le . A o l a d o, e sta v a
Sir iu s d is p lic en te m en te b onito , se u ro sto , lig eir a m en te arro gan te , m uito m ais
jo vem e fe liz d o q ue H arry ja m ais o v ir a e m v id a. A d ir e ita d e S ir iu s, e sta v a
Pettig re w , m ais d e u m a c ab eça m ais b aix o, g ord uch o, o s o lh os a g uad os, r a d ia n te

de p ra zer p or se r in clu íd o em u m a tu rm a tã o le g al, co m o s re b eld es m uito
ad m ir a d os q ue tin ham s id o T ia g o e S ir iu s. A e sq uerd a d e T ia g o e sta v a L upin ,
mesm o e n tã o m alv estid o, m as c o m o m esm o a r d e p ra zero sa s u rp re sa p or s e v er
ap re cia d o e in clu íd o... ou se ria sim ple sm en te porq ue H arry sa b ia o que
aco nte cera , q ue e le v ia tu do is so n a fo to ? T en to u d esta cá-la d a p are d e; a fin al,
ag ora lh e p erte n cia — S ir iu s lh e d eix ara tu do — , m as a fo to n ão so lto u. S eu
pad rin ho n ão c o rre ra r is c o s p ara i m ped ir q ue o s p ais r e d eco ra sse m o s e u q uarto .
Harry o lh ou p ara o c h ão . O c éu lá fo ra e sta v a c la re an do: u m ra io d e lu z
re v elo u p ed acin hos d e p ap el, liv ro s e p eq uen os o bje to s e sp alh ad os p elo ta p ete .
Era ev id en te q ue o q uarto d e S ir iu s ta m bém fo ra re v is ta d o, em bora d esse a
im pre ssã o de que se u co nte ú do fo ra co nsid era d o quase to do, se não to do,
im pre stá v el. A lg uns d os liv ro s tin ham s id o s a cu did os o s u fic ie n te p ara s o lta re m
as c ap as, e o c h ão e sta v a j u ncad o d e p ág in as s o lta s.
Harry se ab aix ou, ap an hou uns ped aço s de pap el e ex am in ou-o s.
Reco nheceu u m d ele s c o m o p arte d e u m a v elh a e d iç ão d e
His tó ria d a m agia
, d e
Batild a B ag sh ot, e o utr o c o m o u m a p ág in a d e u m m an ual d e m an ute n ção d e
moto s. O t e rc eir o e sta v a e sc rito a m ão e a m assa d o: a lis o u-o .
Caro A lm ofa d in has,
Muito , m uito o brig ad a p elo p re se n te d e a n iv ers á rio q ue m an dou
para H arry ! F oi o q ue e le m ais g osto u a té a g ora . U m a n in ho d e i d ad e e
já d is p ara p ela casa m onta d o em u m a v asso ura d e b rin qued o, tã o
vaid oso q ue e sto u e n via n do u m a f o to p ara v ocê v er. S ab e, a v asso ura
só le v an ta u ns s e sse n ta c en tím etr o s d o c h ão , m as e le q uase m ato u o
gato e q ueb ro u u m v aso h orrív el q ue P etú nia m e m an dou n o N ata l
(n ad a c o ntr a ). E c la ro q ue T ia g o a ch ou m uito e n gra çad o, d iz q ue e le
vai se r u m g ra n de jo gad or d e q uad rib ol, m as tiv em os q ue g uard ar
to dos o s e n fe ite s d a c asa e d ar u m je ito d e f ic ar s e m pre d e o lh o n ele
quan do b rin ca.
Tiv em os u m c h á d e a n iv ers á rio m uito tr a n qüilo , s ó n ós e a v elh a
Batild a q ue s e m pre n os tr a to u c o m c arin ho e v iv e m im an do o H arry .
Fic am os c o m p en a q ue v ocê n ão te n ha p odid o v ir , m as a O rd em v em
em p rim eir o lu gar e H arry n ão te m id ad e p ara s a b er q ue e stá f a zen do
an os! T ia g o e stá s e s e n tin do u m p ouco f ru str a d o t r a n cad o e m c asa , e le
pro cu ra n ão d em onstr a r, m as e u p erc eb o — a lé m d is so , D um ble d ore
fic o u c o m a C ap a d a I n vis ib ilid ad e d ele , e n tã o n ão h á p ossib ilid ad e d e
peq uen os passe io s. S e você pudesse lh e fa zer um a vis ita , is so o
an im aria m uito . R ab ic h o este v e aq ui no fim de se m an a passa d o,
ach ei- o m eio d ep rim id o, m as p ro vav elm en te fo ra m a s n otíc ia s s o bre

os M cK in non; c h ore i a n oite i n te ir a q uan do s o ube.
Batild a p assa p or a q ui q uase to do d ia , é u m a v elh ota fa sc in an te
que co nta as h is tó ria s m ais su rp re en den te s so bre D um ble d ore , n ão
te n ho m uita certe za se ele gosta ria dis so caso so ubesse ! F ic o em
dúvid a se d ev o re alm en te a cre d ita r, p orq ue m e p are ce in acre d itá v el
que D um ble d ore .
As ex tr e m id ad es de H arry pare cera m te r ad orm ecid o. E le fic o u m uito
quie to , s e g ura n do o m ila g ro so p ap el e m s e u s d ed os d ese n erv ad os e n quan to , p or
den tr o , u m a e sp écie d e e ru pção s ile n cio sa f a zia a f e lic id ad e e a d or ir ro m pere m
em i g ual m ed id a e m s u as v eia s. A tir a n do-s e n a c am a, e le s e s e n to u.
Rele u a c arta , m as n ão c o nse g uiu a ssim ila r m ais sig nif ic ad os d o q ue d a
prim eir a v ez, e f o i r e d uzid o a c o nte m pla r a c alig ra fia e m s i. S ua m ãe f a zia o s g ês
ig uais a o s d ele ; e le o s p ro cu ro u u m a u m n a c arta , e c ad a u m lh e p are ceu u m a
maro la a m ig a v is lu m bra d a p or tr á s d e u m v éu . A c arta e ra u m in crív el te so uro ,
pro va d e q ue L ília n P otte r v iv era , r e alm en te v iv era , q ue s u a m ão q uen te u m d ia
perc o rre ra a q uele p erg am in ho, t r a çan do a q uela s l e tr a s, a q uela s p ala v ra s, p ala v ra s
a r e sp eito d ele , H arry , s e u f ilh o.
Afa sta n do a s lá g rim as d os o lh os, im pacie n te , e le re le u a c arta , d esta v ez
co ncen tr a n do-s e m ais no co nte ú do. E ra co m o ouvir um a voz parc ia lm en te
le m bra d a.
Ele s tin ham u m g ato ... ta lv ez ele tiv esse m orrid o, co m o se u s p ais , em
Godric ’s H ollo w ... o u ta lv ez tiv esse fu gid o q uan do n ão h ouve m ais q uem o
alim en ta sse ... Sir iu s co m pra ra para ele a prim eir a vasso ura ... se u s pais
co nhecera m Batild a Bag sh ot; Dum ble d ore te ria ap re se n ta d o os tr ê s?
Dum ble d ore fic o u co m a C apa da In vis ib ilid ade dele ...
hav ia alg um a co is a
estr a n ha a li...
Harry p aro u, re fle tin do so bre as p ala v ra s d a m ãe. P or q ue D um ble d ore
guard ara a C ap a d a In vis ib ilid ad e d e T ia g o? H arry s e le m bra v a n itid am en te d o
dir e to r lh e d iz en do, a n os a tr á s:
“N ão p re cis o d e u m a c a pa p ara fic a r in vis ív el.”
Talv ez a lg um m em bro d a O rd em m en os t a le n to so t iv esse p re cis a d o d esse a u xílio
e D um ble d ore s e rv ir a d e i n te rm ed iá rio ? H arry p ro sse g uiu ...
Rabic h o e ste ve a qui
... P ettig re w , o tr a id or, p are cera “ d ep rim id o”, é ? T eria
co nsc iê n cia d e q ue e sta v a v en do T ia g o e L ília n v iv os p ela ú ltim a v ez?
E, p or f im , r e to rn am os a B atild a, q ue c o nta v a h is tó ria s in acre d itá v eis s o bre
Dum ble d ore :
pare ce i n acre d itá vel q ue D um ble d ore
...
Que D um ble d ore o quê? H av ia , poré m , um a quan tid ad e de co is a s que
pare cia m in crív eis s o bre D um ble d ore ; q ue u m d ia e le tiv esse re ceb id o a s n ota s
mais b aix as em u m a p ro va d e T ra n sfig ura ção , p or ex em plo , o u q ue tiv esse

en fe itiç ad o b odes c o m o f a zia A berfo rth ...
Harry le v an to u-s e e esq uad rin hou o ch ão : ta lv ez o re sta n te da carta
estiv esse p or a li. E le a g arro u p ap éis , tr a ta n do-o s, e m su a a n sie d ad e, c o m tã o
pouca c o nsid era ção q uan to a p esso a q ue o s e n co ntr a ra p rim eir o ; a b riu g av eta s,
sa cu diu liv ro s, su biu e m u m a c ad eir a p ara p assa r a m ão e m c im a d o g uard a-
ro upa e e n tr o u e m baix o d a c am a e d a p oltr o na.
Por f im , d e c ara n o c h ão , lo caliz o u o q ue lh e p are ceu u m p ed aço d e p ap el
ra sg ad o e m baix o d a c ô m oda. Q uan do o r e sg ato u, e ra a m aio r p arte d a f o to q ue
Lília n d esc re v era n a c arta . U m b eb ê d e c ab elo s e sc u ro s v oan do p ara d en tr o e
para f o ra d o p ap el, m onta d o e m u m a m in úsc u la v asso ura , à s g arg alh ad as, e u m
par d e p ern as q ue d ev ia m p erte n cer a T ia g o c o rre n do a tr á s d ele . H arry g uard ou a
fo to e a c arta d a m ãe n o b ols o , e c o ntin uou a p ro cu ra r a s e g unda f o lh a.
Passa d os m ais u ns q uin ze m in uto s, n o e n ta n to , f o i f o rç ad o a c o nclu ir q ue o
re sto d a c arta já n ão e x is tia . T eria s im ple sm en te s e p erd id o n os d ezesse is a n os
tr a n sc o rrid os d esd e q ue fo ra e sc rita , o u fo ra le v ad a p ela p esso a q ue re v is ta ra o
quarto ? H arry to rn ou a le r a p rim eir a fo lh a, d esta v ez p ro cu ra n do p is ta s p ara o
que p oderia te r to rn ad o a s e g unda fo lh a v alio sa . A v asso ura d e b rin qued o n ão
te ria in te re sse a lg um p ara o s C om en sa is ... a ú nic a c o is a p ote n cia lm en te ú til q ue
via a li e ra a p ossív el in fo rm ação s o bre D um ble d ore .
Pare ce in acre d itá vel q ue
Dum ble d ore
... o q uê?
— H arry ! H arry ! H arry !
— E sto u a q ui! — g rito u e le . — Q ue a co nte ceu ?
Ele o uviu u m a z o ad a d e p asso s d o la d o d e f o ra , e H erm io ne ir ro m peu p elo
quarto .
— N ós aco rd am os e n ão sa b ía m os o nde v ocê esta v a — d is se o fe g an te .
Vir a n do-s e , g rito u p or c im a d o o m bro : — R ony! E nco ntr e i e le !
A v oz a b orre cid a d e R ony r e sso ou a d is tâ n cia d e v ário s a n dare s a b aix o.
— Ó tim o! E ntã o d ig a p or m im q ue e le é u m b obalh ão !
— H arry , n ão d esa p are ça a ssim , p or fa v or, fic am os a te rro riz ad os! A fin al,
por q ue v eio a q ui e m c im a? — E la p erc o rre u c o m o o lh ar o q uarto s a q uead o. —
Que a n dou f a zen do?
— O lh e o q ue a cab ei d e e n co ntr a r.
E e ste n deu -lh e a c arta d e s u a m ãe. H erm io ne a p an hou-a e le u -a o bse rv ad a
pelo g aro to . Q uan do c h eg ou a o f im d a f o lh a, o lh ou p ara e le .
— A h, H arry ...
— E t e m m ais i s so .
Entr e g ou a f o to r a sg ad a, e H erm io ne s o rriu p ara o b eb ê q ue e n tr a v a e s a ía
monta d o n a v asso ura d e b rin qued o.
— E stiv e p ro cu ra n do o r e sto d a c arta — d is se H arry — , m as n ão e stá a q ui.

A a m ig a c o rre u o o lh ar p elo q uarto .
— V ocê fe z e ssa b ag unça to da, o u u m a p arte d ela já e sta v a fe ita q uan do
você e n tr o u?
— A lg uém r e v is to u o q uarto a n te s d e m im .
— F oi o q ue p en se i. T odos o s c ô m odos e m q ue o lh ei a c am in ho d aq ui
fo ra m r e v ir a d os. Q ue a ch a q ue e sta v am p ro cu ra n do?
— I n fo rm açõ es s o bre a O rd em , s e f o i o S nap e.
— M as s e ria d e p en sa r q ue e le já tiv esse tu do q ue p re cis a v a, q uero d iz er,
ele f a zia
parte
d a O rd em , n ão é ?
— B em , en tã o — dis se H arry , an sio so para dis c u tir su a te o ria — ,
in fo rm açõ es s o bre D um ble d ore ? A s e g unda f o lh a d esta c arta , p or e x em plo . S ab e
essa B atild a q ue m in ha m ãe m en cio na, s a b e q uem e la é ?
— Q uem ?
— B atild a B ag sh ot, a a u to ra d e...

His tó ria d a m agia
— c o m ple to u H erm io ne, m ostr a n do in te re sse . - E ntã o
os s e u s p ais a c o nhecia m ? E la f o i u m a i n crív el h is to ria d ora d a m ag ia .
— E a in da e stá v iv a, e m ora e m G odric ’s H ollo w , a tia M urie l, d o R ony,
este v e fa la n do s o bre e la n o c asa m en to . E la c o nheceu a fa m ília d e D um ble d ore
ta m bém . S eria b em i n te re ssa n te c o nvers a r c o m e la , n ão ?
Para o g osto d e H arry , h ouve u m e x cesso d e c o m pre en sã o n o so rris o d e
Herm io ne. E le tir o u a carta e a fo to de su as m ão s e guard ou-a s na bols a
pen dura d a a o p esc o ço , p ara n ão p re cis a r o lh ar p ara a a m ig a e s e t r a ir.
— E u e n te n do p or q ue v ocê g osta ria d e c o nvers a r c o m e la s o bre s u a m ãe e
se u pai, e D um ble d ore ta m bém — dis se H erm io ne. — M as is to não ir ia
re alm en te n os a ju dar a a ch ar a s H orc ru xes, n ão é ? -H arry n ão re sp ondeu e e la
pro sse g uiu : — H arry , e u s e i q ue v ocê r e alm en te q uer ir a G odric ’s H ollo w , m as
esto u c o m m ed o... e sto u c o m m ed o d a f a cilid ad e c o m q ue a q uele s C om en sa is d a
Morte n os e n co ntr a ra m o nte m . M ais q ue n unca, is so m e f a z s e n tir q ue d ev em os
ev ita r o lu gar onde se u s pais estã o en te rra d os. Ten ho certe za que esta rã o
esp era n do a s u a v is ita .
— N ão é s ó i s so — r e sp ondeu H arry , a in da e v ita n do o lh ar p ara a a m ig a. —
Murie l d is se u m as co is a s so bre D um ble d ore n o casa m en to . E q uero sa b er a
verd ad e...
Ele c o nto u, e n tã o , a H erm io ne t u do q ue M urie l d is se ra . Q uan do t e rm in ou, a
garo ta c o m en to u:
— É c la ro q ue e n te n do p or q ue i s so o p ertu rb ou, H arry ...
— N ão e sto u p ertu rb ad o — m en tiu . — E u s ó g osta ria d e s a b er s e é o u n ão
verd ad e o u...
— H arry , v ocê ach a m esm o q ue v ai ch eg ar à v erd ad e o uvin do fo fo cas

malic io sa s d e u m a v elh ota co m o a M urie l, o u d e R ita S keete r? C om o p ode
acre d ita r n ela s? V ocê c o nheceu D um ble d ore !
— P en se i q ue c o nhecia — m urm uro u o g aro to .
— M as v ocê s a b e o q uan to h av ia d e v erd ad e e m tu do q ue a R ita e sc re v eu
so bre v ocê! D oge e stá c erto , c o m o p ode d eix ar e ssa g en te m acu la r a s l e m bra n ças
que v ocê t e m d e D um ble d ore ?
Harry d esv io u o o lh ar, te n ta n do n ão r e v ela r o r a n co r q ue s e n tia . A li e sta v a
outr a v ez o im passe : e sc o lh er n o q ue a cre d ita r. E le q ueria a v erd ad e. P or q ue
esta v am t o dos t ã o d ecid id os a c o nven cê-lo d e q ue n ão d ev ia p ro cu rá -la ?
— V am os d esc er p ara a c o zin ha? — su geriu H erm io ne a p ós u m a b re v e
pau sa . — A rra n ja r a lg um a c o is a p ara c o m er?
Ele c o nco rd ou, m as d e m á v onta d e, e s e g uiu -a a o c o rre d or o nde p assa ra m
em f re n te a u m a s e g unda p orta . H arry n oto u q ue h av ia f u ndos a rra n hões n a tin ta
so b u m p eq uen o a v is o q ue tin ha p assa d o d esp erc eb id o n o e sc u ro . P aro u, e n tã o ,
no a lto d a e sc ad a p ara lê -lo . E ra u m a v is o b re v e e p om poso , c ap ric h osa m en te
esc rito à m ão , o tip o d e c o is a q ue P erc y W easle y p oderia te r c o la d o n a p orta d o
pró prio q uarto .
Não e n tr e
se m a e x pre ssa p erm is sã o d e
Rég ulo A rtu ro B la ck
A a g ita ção fo i se in filtr a n do e m H arry , m as e le n ão te v e im ed ia ta m en te
certe za d o p orq uê. T orn ou a le r o a v is o . H erm io ne já e sta v a u m la n ce d e e sc ad a
ab aix o.
— H erm io ne — d is se e le , su rp re so q ue su a v oz e stiv esse tã o c alm a. —
Volta a q ui e m c im a.
— Q ue f o i?
— R .A .B . A ch o q ue o e n co ntr e i.
Ouviu -s e u m a e x cla m ação , e H erm io ne c o rre u e sc ad a a cim a.
— N a c arta d e s u a m ãe? M as n ão v i...
Harry b ala n ço u a c ab eça, a p onta n do p ara o a v is o n a p orta d e R eg ulo . A
garo ta le u -o e a p erto u o b ra ço d e H arry c o m ta n ta f o rç a q ue e le f e z u m a c are ta
de d or.
— O i r m ão d e S ir iu s? — s u ssu rro u.
— E le f o i u m C om en sa l d a M orte , S ir iu s m e c o nto u a h is tó ria d ele , R eg ulo
se a lis to u q uan do a in da e ra m uito m oço e d ep ois se a co vard ou e te n to u sa ir ;
en tã o , e le s o m ata ra m .
— I s so f a z s e n tid o! — e x cla m ou H erm io ne. — S e e le f o i u m C om en sa l d a

Morte , te v e acesso a V old em ort, e q uan do se d ese n can to u d ev e te r q uerid o
derru bar V old em ort!
Ela l a rg ou H arry , d eb ru ço u-s e n o c o rrim ão d a e sc ad a e b erro u:
— R ony! R O NY! V em a q ui e m c im a, d ep re ssa !
O g aro to a p are ceu , o fe g an te , u m m in uto d ep ois , e m punhan do a v arin ha.
— Q ue a co nte ceu ? S e é o utr o a ta q ue m aciç o d e a ra n has, e u q uero o m eu
café d a m an hã a n te s d e...
Ele f ra n ziu a te sta a o v er o a v is o n a p orta d o q uarto , p ara o q ual H erm io ne
ap onta v a s ile n cio sa m en te .
— Q uê? E sse e ra o ir m ão d e S ir iu s, n ão e ra ? R ég ulo A rtu ro ... R ég ulo ...
R.
A. B
! O m ed alh ão ... v ocê a ch a... ?
— V am os d esc o brir — d is se H arry . E le e m purro u a p orta ; e sta v a t r a n cad a à
ch av e. H erm io ne a p onto u a v arin ha p ara a m açan eta e d is se : —
Alo rro m ora
! —
Ouviu -s e u m c liq ue e a p orta a b riu .
Ele s c ru zara m o p orta l ju nto s, o lh an do p ara o s la d os. O q uarto d e R ég ulo
era lig eir a m en te m en or q ue o d e S ir iu s, e m bora tr a n sm itis se a m esm a s e n sa ção
de an tig o esp le n dor. Enquan to o ir m ão tin ha pro cu ra d o an uncia r su a
desse m elh an ça c o m o r e sto d a f a m ília , R ég ulo t in ha s e e sfo rç ad o p ara r e ssa lta r o
oposto . As co re s da Sonse rin a, verd e e pra ta esta v am por to da parte ,
guarn ecen do a cam a, as pare d es e ja n ela s. O bra sã o da fa m ília B la ck fo ra
la b orio sa m en te p in ta d o p or c im a d a c am a c o m a d iv is a
To ujo urs P ur
. A baix o
um a c o le ção d e r e co rte s d e j o rn al, p re so s u ns a o s o utr o s f o rm an do u m a c o la g em
ir re g ula r. H erm io ne a tr a v esso u o q uarto p ara e x am in á-lo s.
— S ão to dos s o bre V old em ort — d is se e la . — P elo v is to , R ég ulo já e ra f ã
dele a n os a n te s d e s e r e u nir a o s C om en sa is d a M orte ...
Um a n uven zin ha d e p ó s e e rg ueu d a c o lc h a d a c am a q uan do H erm io ne s e
se n to u p ara le r o s r e co rte s. N esse in te rv alo , H arry tin ha r e p ara d o e m u m a f o to :
um tim e d e q uad rib ol d e H ogw arts s o rria e a cen av a d o e sp aço e m old ura d o. E le
se ap ro xim ou m ais um pouco e viu as se rp en te s nos bra sõ es no peito dos
garo to s: S onse rin os. R ég ulo e ra in sta n ta n eam en te re co nhecív el c o m o o g aro to
que esta v a se n ta d o no cen tr o da prim eir a file ir a : tin ha os m esm os cab elo s
esc u ro s e o ar lig eir a m en te arro gan te do ir m ão , em bora fo sse m en or, m ais
fra n zin o e m en os b onito d o q ue S ir iu s.
— E le j o gav a n a p osiç ão d e a p an had or — c o m en to u H arry .
— Q uê?! — ex cla m ou H erm io ne dis tr a íd a; ela co ntin uav a ab so rta nos
re co rte s s o bre V old em ort.
— E le e stá se n ta d o n o c en tr o d a p rim eir a fila , é o nde o a p an had or... a h ,
esq uece — fa lo u H arry a o p erc eb er q ue n in guém lh e p re sta v a a te n ção ; R ony
esta v a d e q uatr o p ro cu ra n do a lg um a c o is a e m baix o d o a rm ário . H arry o lh ou a o

se u re d or, p ro cu ra n do e sc o nderijo s p ro váv eis , e s e a p ro xim ou d a e sc riv an in ha.
Mais u m a v ez, a lg uém j á a r e v is ta ra . O c o nte ú do d as g av eta s tin ha s id o r e v ir a d o
re cen te m en te , a p oeir a d eslo cad a, m as n ão h av ia n ad a d e v alo r a li: p en as v elh as,
liv ro s d e e sc o la a n tiq uad os q ue e x ib ia m o s v estíg io s d os m au s-tr a to s, u m t in te ir o
re cen te m en te q ueb ra d o, se u re síd uo p eg ajo so d erra m ad o so bre o s o bje to s n a
gav eta .
— H á u m je ito m ais fá cil — d is se H erm io ne, e n quan to H arry lim pav a o s
ded os su jo s de tin ta no je an s. E la erg ueu a varin ha e ord en ou:
— A ccio
med alh ão
!
Nad a aco nte ceu . R ony, q ue estiv era p ro cu ra n do n as d obra s d as co rtin as
desb ota d as, p are ceu d esa p onta d o.
— E ntã o é i s so ? N ão e stá a q ui?
— A h, poderia até esta r aq ui, m as pro te g id o por co ntr a fe itiç o s —
re sp ondeu a g aro ta . — F eitiç o s p ara i m ped ir q ue s e p ossa c o nvocá-lo p or m ag ia ,
en te n de.
— C om o o q ue V old em ort la n ço u n a b acia d e p ed ra n a c av ern a -a fir m ou
Harry , l e m bra n do q ue n ão c o nse g uir a c o nvocar o f a ls o m ed alh ão .
— C om o v am os e n co ntr á -lo , e n tã o ? — p erg unto u R ony.
— P ro cu ra n do c o m a s m ão s — r e sp ondeu H erm io ne.
— É u m a b oa i d éia — d is se R ony, v ir a n do o s o lh os p ara o t e to e r e to m an do
o e x am e d as c o rtin as. E le s v erif ic ara m c ad a c en tím etr o d o q uarto d ura n te m ais
de u m a h ora , m as f o ra m f o rç ad os a c o nclu ir q ue o m ed alh ão n ão e sta v a a li.
Agora o s o l já n asc era ; a lu z o s o fu sc av a m esm o a tr a v és d as c o rtin as s u ja s
dos c o rre d ore s.
— M as p oderia e sta r e m q ualq uer o utr o l u gar d a c asa — s u geriu H erm io ne,
em u m to m d e c o nvocação , a o d esc ere m a s e sc ad as. E nquan to o s d ois g aro to s
tin ham fic ad o m ais d esa n im ad os, e la fic ara m ais d ecid id a. — Q uer e le te n ha
co nse g uid o o u n ão d estr u ir o m ed alh ão , i r ia q uere r e sc o ndê-lo d e V old em ort, n ão
ach am ? L em bra m a q uela s lix aria s to das d e q ue p re cis a m os n os liv ra r q uan do
estiv em os a q ui n a ú ltim a v ez? A quele r e ló gio q ue la n çav a r a io s e a q uela s v este s
velh as q ue te n ta ra m e str a n gula r R ony; R ég ulo ta lv ez a s tiv esse p osto lá p ara
pro te g er o e sc o nderijo d o m ed alh ão , a in da q ue a g en te n ão te n ha e n te n did o à ...
à...
Harry e R ony o lh ara m p ara H erm io ne. E la e sta v a p ara d a c o m u m p é n o a r e
a e x pre ssã o a b obad a d e a lg uém q ue a cab ou d e s e r o bliv ia d o; s e u s o lh os tin ham
até s a íd o d e f o co .
— ... a é p oca — t e rm in ou e la e m u m s u ssu rro .
— A lg um p ro ble m a? — p erg unto u R ony.
— H av ia u m m ed alh ão .

— Q uê?! — e x cla m ara m o s d ois g aro to s a o m esm o t e m po.
— N o a rm ário d a s a la d e v is ita s. N in guém c o nse g uiu a b ri- lo . E n ós... n ós...
Harry te v e a s e n sa ção d e q ue u m tijo lo tin ha e sc o rre g ad o d o s e u p eito p ara
o e stô m ag o. L em bro u-s e : tin ha a té m an use ad o o o bje to q uan do p asso u d e m ão
em m ão , t o dos e x perim en ta n do a b ri- lo . P or f im , f o ra a tir a d o e m u m s a co d e l ix o,
ju nto c o m a c aix a d e p ó d e v erru gueir a e a c aix a d e m úsic a q ue d eix ou to do
mundo c o m s o no...
— M onstr o p eg ou m onte s d essa s c o is a s e sc o ndid o d e n ós — d is se H arry .
Era a ú nic a c h an ce, a ú nic a e tê n ue e sp era n ça q ue lh es r e sta v a, e o g aro to ia s e
ap eg ar a e la a té q ue fo sse fo rç ad o a a b an doná-la . — E le tin ha u m v erd ad eir o
te so uro e sc o ndid o n o a rm ário d a c o zin ha. V am os.
Harry d esc eu c o rre n do a e sc ad a d e d ois e m d ois d eg ra u s, c o m o s a m ig os
em s u a c o la fa zen do a e sc ad a re b oar. O b aru lh o fo i ta m an ho q ue a co rd ara m o
re tr a to d a m ãe d e S ir iu s a o a tr a v essa re m o c o rre d or d a e n tr a d a.

Lix o ! S angues-r u in s! R alé
! — g rito u a b ru xa p ara o s g aro to s q uan do
desc era m d ese m besta d os p ara a c o zin ha d o p orã o e b ate ra m a p orta a o e n tr a r.
Harry c o ntin uou su a c o rrid a p elo a p ose n to , p aro u d erra p an do à p orta d o
arm ário d e M onstr o e a b riu -o c o m v io lê n cia . L á e sta v a o n in ho d e s u je ir a , a s
man ta s v elh as e m q ue o e lf o c o stu m av a d orm ir , m as o a rm ário já n ão b rilh av a
co m a s q uin quilh aria s q ue M onstr o s a lv ara . H av ia a p en as u m v elh o e x em pla r d e
A n obre za n atu ra l: u m a g en ea lo gia d os b ru xo s
. R ecu sa n do-s e a c re r n o q ue v ia ,
Harry p uxou a s c o berta s e sa cu diu -a s. D ela s c aiu u m c am undongo m orto q ue
ro lo u lu gubre m en te p elo ch ão . R ony g em eu ao se atir a r em u m a cad eir a d a
co zin ha; H erm io ne f e ch ou o s o lh os.
— A in da não te rm in ou — dis se H arry , e erg uen do a voz berro u: —
Monstr o
!
Ouvir a m u m fo rte esta lo e o elf o d om éstic o , q ue re lu ta n te m en te H arry
herd ara d e S ir iu s, a p are ceu d e r e p en te d ia n te d a la re ir a v azia e f ria : m in úsc u lo ,
meta d e d a a ltu ra d e u m h om em , a p ele p álid a e m p ela n cas, o s c ab elo s b ra n co s
bro ta n do e m tu fo s d as o re lh as d e m orc eg o. A in da u sa v a o s tr a p os im undos e m
que o tin ham c o nhecid o, e o o lh ar d e d esp re zo q ue la n ço u a H arry d em onstr o u
que s u a a titu de, c o m a tr a n sfe rê n cia d e d ono, ta l c o m o o s s e u s tr a je s, n ão h av ia
mudad o.
— M eu s e n hor — c o ax ou M onstr o c o m a s u a v oz d e r ã -to uro , e e le f e z u m a
pro fu nda r e v erê n cia , r e sm ungan do p ara o s p ró prio s jo elh os — , d e v olta à v elh a
casa d a m in ha s e n hora c o m o t r a id or d o s a n gue W easle y e a s a n gue-ru im ...
— P ro íb o v ocê d e c h am ar q uem q uer q ue s e ja d e “ tr a id or d o s a n gue” o u d e
“sa n gue-ru im ” — r o sn ou H arry . T eria a ch ad o M onstr o , c o m s e u n ariz tr o m budo
e s e u s o lh os in je ta d os, u m o bje to d ecid id am en te r e p uls iv o m esm o s e o e lf o n ão

tiv esse e n tr e g ad o S ir iu s a V old em ort.
— Ten ho um a perg unta a lh e fa zer — co ntin uou H arry , o co ra ção
acele ra n do ao olh ar para o elf o — , e ord en o que m e re sp onda a verd ad e.
Ente n deu ?
— S im , m eu s e n hor — r e sp ondeu M onstr o f a zen do n ova r e v erê n cia : H arry
viu s e u s lá b io s s e m overe m e m s ilê n cio , s e m d úvid a m astig an do o s in su lto s q ue
fo ra p ro ib id o d e p ro fe rir.
— D ois a n os a tr á s — d is se H arry , s e u c o ra ção a g ora r e b oan do n as c o ste la s
—, h av ia u m m ed alh ão d e o uro n a s a la d e v is ita s lá e m c im a. N ós o jo gam os
fo ra . V ocê o p eg ou d e v olta ?
Houve u m m om en to d e s ilê n cio e m q ue M onstr o s e a p ru m ou p ara e n cara r
Harry . E m s e g uid a r e sp ondeu :
— P eg uei.
— O nde e stá o m ed alh ão a g ora ? — to rn ou o g aro to e x ulta n do, s o b o o lh ar
an im ad o d e R ony e H erm io ne.
Monstr o f e ch ou o s o lh os c o m o s e n ão p udesse s u porta r v er a q uela s r e açõ es
à s u a r e sp osta .
— F oi- s e .
— F oi- s e ? — r e p etiu H arry , a e u fo ria s e d is sip an do. — Q ue q uer d iz er c o m
esse “ fo i- s e ”?
O e lf o e str e m eceu . C am bale o u.
— M onstr o — d is se H arry a m eaçad or — , o rd en o q ue v ocê...
— M undungo F le tc h er r o ubou t u do: o s r e tr a to s d a s rta . B ela e d a s rta . C iç a,
as lu vas d a m in ha se n hora , a O rd em d e M erlim , P rim eir a C la sse , a s ta ças d e
vin ho c o m o b ra sã o d a f a m ília e , e ...
Monstr o te n ta v a re cu pera r o fô le g o: se u peito cav ad o su bia e desc ia
ra p id am en te , e n tã o s e u s o lh os s e a rre g ala ra m e e le s o lto u u m g rito d e c o ngela r o
sa n gue.
— ... e o m ed alh ão, o m ed alh ão d o m eu s e n hor R ég ulo , M onstr o a giu m al,
Monstr o d eso bed eceu à s o rd en s d ele !
Harry re ag iu in stin tiv am en te : q uan do M onstr o m erg ulh ou p ara a p an har o
atiç ad or n a g re lh a d a la re ir a , e le s e a tir o u s o bre o e lf o e a ch ato u-o n o c h ão . O
grito d e H erm io ne s e m is tu ro u a o d e M onstr o , m as H arry b erro u m ais a lto q ue
os d ois :
— M onstr o , o rd en o q ue v ocê f iq ue p ara d o!
Ele s e n tiu o e lf o s e im obiliz ar e s o lto u-o . M onstr o f ic o u e sta te la d o n o p is o
frio , a s l á g rim as s a lta n do d os s e u s o lh os e m pap uçad os.
— H arry , d eix e e le l e v an ta r! — s u ssu rro u H erm io ne.
— Para ele poder se esp an car co m o atiç ad or? — bufo u H arry , se

ajo elh an do a o la d o d o e lf o . — A ch o q ue n ão . C erto , M onstr o , q uero a v erd ad e:
co m o s a b e q ue M undungo F le tc h er r o ubou o m ed alh ão ?
— M onstr o v iu ! — e x cla m ou e le , a s lá g rim as e sc o rre n do d o n ariz p ara a
boca c h eia d e d en te s c in zen to s. — M onstr o v iu e le s a in do d o a rm ário , a s m ão s
ch eia s co m os te so uro s de M onstr o . M onstr o m an dou o la rá p io para r, m as
Mundungo F le tc h er r iu e c -c o rre u ...
— V ocê d is se q ue o m ed alh ão e ra d o s e u s e n hor R ég ulo . P or q uê? D e o nde
veio o m ed alh ão ? Q ual e ra a l ig ação d e R ég ulo c o m e le ? M onstr o , s e n te -s e e m e
co nte t u do q ue s a b e s o bre a q uele m ed alh ão , t u do q ue o l ig av a a R ég ulo !
O e lf o s e n to u, e n ro sc ad o c o m o u m a b ola , a p oio u o r o sto m olh ad o e n tr e o s
jo elh os e c o m eço u a s e b ala n çar p ara a f re n te e p ara tr á s. Q uan do f a lo u, s u a v oz
sa iu a b afa d a, m as b asta n te c la ra n o s ilê n cio d a c o zin ha v azia .
— M eu s e n hor S ir iu s fu giu , a in da b em , p orq ue e le e ra u m g aro to ru im e
desp ed aço u o c o ra ção d a m in ha s e n hora c o m a s u a re b eld ia . M as m eu s e n hor
Rég ulo tin ha o rg ulh o; sa b ia re v ere n cia r o n om e B la ck e a d ig nid ad e d o se u
sa n gue p uro . D ura n te a n os e le f a lo u d o L ord e d as T re v as, q ue ia tir a r o s b ru xos
da c la n destin id ad e e d om in ar o s tr o uxas e o s n asc id os tr o uxas... e q uan do fe z
dezesse is an os, m eu se n hor R ég ulo se re u niu ao Lord e das Tre v as. Tão
org ulh oso , t ã o o rg ulh oso , t ã o f e liz d e s e rv ir...
“E u m d ia , u m a n o d ep ois q ue s e a lis to u, m eu s e n hor R ég ulo v eio à c o zin ha
ver M onstr o . M eu se n hor R ég ulo se m pre g osto u d e M onstr o . E m eu se n hor
Rég ulo d is se ... d is se ...”
O v elh o e lf o b ala n ço u-s e m ais r á p id o q ue n unca.
— ... d is se q ue o L ord e d as T re v as p re cis a v a d e u m e lf o .
— V old em ort p re cis a v a d e u m
elfo
? — r e p etiu H arry , o lh an do p ara R ony e
Herm io ne, q ue p are cera m t ã o i n tr ig ad os q uan to e le .
— A h, fo i — g em eu M onstr o . — E m eu se n hor R ég ulo tin ha o fe re cid o
Monstr o . E ra u m a h onra , d is se m eu s e n hor R ég ulo , u m a h onra p ara e le e p ara
Monstr o ; q ue t in ha d e f a zer t u do q ue o L ord e d as T re v as m an dasse ... e d ep ois v -
volta r p ara c asa .
Monstr o b ala n ço u-s e a in da m ais r á p id o, e x pir a n do e m s o lu ço s.
— E ntã o M onstr o f o i p ro cu ra r o L ord e d as T re v as. O L ord e d as T re v as n ão
dis se a M onstr o o q ue ia m f a zer, m as le v ou M onstr o c o m e le p ara u m a c av ern a
ju nto a o m ar. E p ara a lé m d a c av ern a h av ia o utr a c av ern a, e n a c av ern a h av ia u m
en orm e l a g o p re to ...
Os p elin hos d a n uca d e H arry s e e riç ara m . A v oz r o uca d e M onstr o p are cia
ch eg ar a ele vin da da outr a m arg em daq uela ág ua esc u ra . E le viu o que
aco nte cera t ã o c la ra m en te q uan to s e t iv esse e sta d o p re se n te .
— ... h av ia u m b arc o ...

É c la ro q ue h ouvera u m b arc o ; H arry c o nhecia o b arc o , m in úsc u lo e v erd e
esp ectr a l, e n fe itiç ad o p ara tr a n sp orta r u m b ru xo e u m a v ítim a a té a ilh a n o m eio
do la g o. E ntã o fo ra assim q ue V old em ort te sta ra as d efe sa s q ue cerc av am a
Horc ru x; p ed in do e m pre sta d a u m a c ria tu ra d is p en sá v el, u m e lf o d om éstic o ...
— H av ia u m a b -b acia c h eia d e p oção n a ilh a. O L ord e d as T -tr e v as fe z
Monstr o b eb er...
O e lf o t r e m eu d a c ab eça a o s p és.
— M onstr o b eb eu , e e n quan to b eb ia , v iu c o is a s te rrív eis ... A s e n tr a n has d e
Monstr o q ueim ara m ... M onstr o g rito u p ara o s e n hor R ég ulo ir s a lv ar e le , g rito u
por s u a s e n hora B la ck , m as o L ord e d as T re v as ria ... e le fe z M onstr o b eb er a
poção to da... e le p ôs u m m ed alh ão n a b acia v azia ... to rn ou a e n ch er a b acia c o m
mais p oção .
“E ntã o o L ord e d as T re v as f o i e m bora e d eix ou M onstr o n a i lh a...”
Harry v ia a c en a s e d ese n ro la n do. O r o sto b ra n co e s e rp en tin o d e V old em ort
desa p are cen do n a e sc u rid ão , a q uele s o lh os v erm elh os c ru elm en te fix os n o e lf o
que s e d eb atia e c u ja m orte o co rre ria d en tr o d e m in uto s, q uan do e le s u cu m bis se
à se d e d ese sp era d a q ue a p oção c au stic an te c au sa v a n a v ítim a... m as d aí e m
dia n te a im ag in ação de H arry não pôde pro sse g uir , porq ue não co nse g uiu
vis u aliz ar c o m o M onstr o e sc ap ara .
— M onstr o p re cis a v a d e á g ua, a rra sto u-s e a té a o rla d a ilh a e b eb eu a á g ua
do la g o p re to ... e m ão s, m ão s m orta s s a ír a m d a á g ua e a rra sta ra m M onstr o p ara
baix o...
— C om o f o i q ue v ocê e sc ap ou? — p erg unto u H arry , e n ão s e s u rp re en deu
ao p erc eb er q ue e sta v a s u ssu rra n do.
Monstr o erg ueu a cab eça fe ia e en caro u H arry co m se u s g ra n des o lh os
verm elh os.
— M eu s e n hor R ég ulo d is se a M onstr o p ara v olta r.
— E u s e i... m as c o m o v ocê f u giu d os I n fe ri? M onstr o p are ceu n ão e n te n der.
— M eu s e n hor R ég ulo d is se a M onstr o p ara v olta r — r e p etiu e le .
— E u s e i, m as...
— O ra é ó bvio , n ão é , H arry ? — i n te rv eio R ony. — E le d esa p ara to u!
— M as... n ão s e p odia a p ara ta r e d esa p ara ta r n a c av ern a — d is se H arry — ,
do c o ntr á rio , D um ble d ore ...
— A m ag ia d os e lf o s n ão é c o m o a m ag ia d os b ru xos, é ? — p erg unto u
Rony. — Q uero d iz er, e le s p odem a p ara ta r e d esa p ara ta r e m H ogw arts e n ós n ão .
Fez-s e silê n cio en quan to H arry dig eria a in fo rm ação . C om o V old em ort
poderia te r c o m etid o u m e rro d esse ? E nquan to p en sa v a, p oré m , H erm io ne f a lo u,
e s u a v oz e sta v a g élid a.
— É ó bvio , V old em ort te ria c o nsid era d o o s c o stu m es d os e lf o s d om éstic o s

in dig nos d e s u a a te n ção , e x ata m en te c o m o o s s a n gues-p uro s q ue o s t r a ta m c o m o
an im ais . N unca te ria lh e o co rrid o q ue e le s p udesse m s e r c ap azes d e u m a m ag ia
que e le n ão d om in asse .
— A l e i m áx im a p ara u m e lf o d om éstic o é a o rd em d o s e u s e n hor — e n to ou
Monstr o . — M an dara m M onstr o v olta r p ara c asa , e n tã o M onstr o v olto u p ara
casa .
— B em , e n tã o v ocê f a zia o q ue lh e m an dav am , n ão é ? — d is se H erm io ne
bondosa m en te . — N ão d eso bed ecia a o rd em a lg um a!
Monstr o f e z q ue n ão c o m a c ab eça, s e b ala n çan do f u rio sa m en te .
— E ntã o q ue a co nte ceu q uan do v ocê v olto u? — p erg unto u H arry .
— Q ue d is se R ég ulo q uan do v ocê c o nto u o q ue t in ha a co nte cid o?
— M eu se n hor R ég ulo fic o u m uito pre o cu pad o, m uito pre o cu pad o —
cro cito u M onstr o . — M eu s e n hor R ég ulo m an dou M onstr o f ic ar e sc o ndid o e n ão
sa ir d e c asa . E e n tã o ... fo i u m p ouco d ep ois d is so ... m eu se n hor R ég ulo v eio
pro cu ra r M onstr o n o a rm ário u m a n oite , e m eu s e n hor R ég ulo e sta v a e sq uis ito ,
fo ra d o n orm al, p ertu rb ad o, M onstr o p erc eb eu ... e e le p ed iu a M onstr o p ara l e v á-
lo a té a c av ern a, a c av ern a o nde M onstr o t in ha i d o c o m o L ord e d as T re v as...
E e n tã o tin ham p artid o. H arry p ôde v is u aliz á-lo s m uito c la ra m en te , o v elh o
elf o a m ed ro nta d o e o a p an had or m ag ro e m ore n o q ue ta n to se p are cera c o m
Sir iu s... M onstr o s a b ia c o m o a b rir a e n tr a d a o cu lta p ara a c av ern a s u bte rrâ n ea,
sa b ia co m o erg uer o b arq uin ho; d esta v ez fo i o se u am ad o R ég ulo q uem o
aco m pan hou à i lh a c o m a b acia d e v en en o...
— E e le fe z v ocê b eb er a p oção ? — p erg unto u H arry e n oja d o. M onstr o ,
poré m , s a cu diu a c ab eça e c h oro u. H erm io ne le v ou a s m ão s à b oca: p are cia te r
co m pre en did o a lg um a c o is a .
— M -m eu s e n hor R ég ulo t ir o u d o b ols o u m m ed alh ão i g ual a o q ue o L ord e
das T re v as tin ha — d is se M onstr o , a s lá g rim as e sc o rre n do p elo s la d os d o s e u
nariz tr o m budo. — E e le d is se a M onstr o p ara p eg ar e , q uan do a b acia e stiv esse
vazia , t r o car o s m ed alh ões...
Os s o lu ço s d e M onstr o a g ora s a ía m e m g ra n des g uin ch os; H arry p re cis o u
se c o ncen tr a r p ara e n te n dê-lo .
— E ele d eu o rd em ... p ara M onstr o ir em bora ... se m ele . E ele d is se a
Monstr o ... p ara ir p ara c asa ... e n unca c o nta r à m in ha s e n hora ... o q ue e le tin ha
fe ito ... m as p ara d estr u ir... o p rim eir o m ed alh ão . E e le b eb eu ... a p oção to da... e
Monstr o tr o co u o s m ed alh ões... e fic o u o lh an do... m eu s e n hor R ég ulo ... e le fo i
arra sta d o p ara b aix o d ’á g ua... e ...
— A h, M onstr o ! — g em eu H erm io ne, q ue e sta v a c h ora n do. E la c aiu d e
jo elh os a o l a d o d o e lf o e t e n to u a b ra çá-lo . N a m esm a h ora , e le f ic o u d e p é, f u giu
dela , d eix an do ó bvia a s u a r e p uls a .

— A s a n gue-ru im e n co sto u e m M onstr o , e le n ão v ai p erm itir , q ue ir ia d iz er
a s e n hora d ele ?
— E u lh e d is se p ara n ão c h am á-la d e “ sa n gue-ru im ”! — v ocif e ro u H arry ,
mas o elf o já esta v a se castig an do: atir o u-s e ao ch ão e b ate u co m a cab eça
re p etid am en te .
— F aça e le p ara r, f a ça e le p ara r! — e x cla m ou H erm io ne. — A h, e stá v en do
ag ora c o m o i s so é d oen tio , a o brig ação q ue e le s t ê m d e o bed ecer?
— M onstr o : p ára , p ára ! — g rito u H arry .
O e lf o fic o u d eita d o n o c h ão , o fe g an do e tr e m en do, u m a se cre ção v erd e
brilh an do e m to rn o d o n ariz , u m h em ato m a já s e fo rm an do n a te sta p álid a n o
ponto e m q ue a b ate ra , s e u s o lh os in ch ad os e in je ta d os tr a n sb ord an do lá g rim as.
Harry n unca v ir a n ad a t ã o d ig no d e p en a.
— E ntã o v ocê tr o uxe o m ed alh ão p ara c asa — d is se e le in fle x ív el, p orq ue
esta v a r e so lv id o a c o nhecer a h is tó ria c o m ple ta . — E t e n to u d estr u í- lo ?
— N ad a q ue M onstr o t e n to u f e z m ossa n o m ed alh ão — l a m en to u-s e o e lf o .
— M onstr o te n to u tu do, tu do que sa b ia , m as nad a, nad a ad ia n to u... de tã o
podero so s o s f e itiç o s q ue e sta v am n ele . M onstr o tin ha c erte za q ue, p ara d estr u ir
o m ed alh ão , pre cis a v a ch eg ar den tr o dele , m as ele não ab ria ... M onstr o se
castig ou, te n to u o utr a v ez, s e c astig ou, te n to u o utr a v ez. M onstr o n ão c o nse g uiu
obed ecer à o rd em , M onstr o n ão c o nse g uiu d estr u ir o m ed alh ão ! E s u a s e n hora
en lo uqueceu d e tr is te za, p orq ue m eu s e n hor R ég ulo d esa p are ceu , e M onstr o n ão
pôde c o nta r a e la o q ue tin ha a co nte cid o, n ão , p orq ue m eu s e n hor R ég ulo tin ha
p-p ro ib id o M onstr o d e co nta r p ara a f-fa m ília o q ue tin ha aco nte cid o n a c-
cav ern a...
Monstr o co m eço u a so lu çar ta n to que su as pala v ra s deix ara m de fa zer
se n tid o. A s lá g rim as e sc o rria m p elo r o sto d e H erm io ne, q ue o bse rv av a M onstr o ,
mas e la n ão s e a tr e v eu a to cá-lo n ovam en te . A té R ony, q ue n ão e ra fã d o e lf o ,
pare cia p ertu rb ad o. H arry se re co sto u e sa cu diu a c ab eça, te n ta n do c la re ar o s
pen sa m en to s.
— N ão esto u en te n den do você, M onstr o — dis se ele fin alm en te . -
Vold em ort te n to u m ata r v ocê, R ég ulo m orre u p ara d erru bar V old em ort, a in da
assim v ocê f ic o u f e liz e m e n tr e g ar S ir iu s a V old em ort? F ic o u f e liz e m p ro cu ra r
Narc is a e B ela tr iz e p or m eio d ela s p assa r i n fo rm açõ es a V old em ort...
— H arry , n ão é a ssim q ue M onstr o r a cio cin a — d is se H erm io ne e n xugan do
as lá g rim as c o m o d ors o d a m ão . — E le é u m e sc ra v o; e lf o s d om éstic o s e stã o
aco stu m ad os a s e r m altr a ta d os e a té b ru ta liz ad os; o q ue V old em ort f e z a M onstr o
não fo i m uito d if e re n te d is so . Q ue sig nif ic am a s g uerra s b ru xas p ara u m e lf o
co m o M onstr o ? E le é le al à q uele s q ue s ã o b ons p ara e le , e a s ra . B la ck d ev e te r
sid o b oa, e R ég ulo c erta m en te o fo i, p orta n to e le o s se rv ia d e b oa v onta d e e

re p etia a s c re n ças d ele s. S ei o q ue v ocê v ai m e d iz er — c o ntin uou e la , q uan do
Harry c o m eço u a p ro te sta r — , q ue R ég ulo m udou d e id éia ... m as, p elo v is to , e le
não e x plic o u is so a M onstr o , n ão é ? E a ch o q ue s e i a r a zão . M onstr o e a f a m ília
de R ég ulo e sta ria m m ais se g uro s se c o ntin uasse m fié is a o v elh o c o nceito d o
sa n gue p uro . R ég ulo e sta v a t e n ta n do p ro te g er a t o dos.
— S ir iu s...
— S ir iu s e ra m uito m au c o m M onstr o , H arry , e n ão a d ia n ta m e o lh ar a ssim ,
você s a b e q ue é v erd ad e. M onstr o tin ha p assa d o m uito te m po s o zin ho q uan do
Sir iu s v eio m ora r aq ui, e p ro vav elm en te esta v a fa m in to p or alg um a afe iç ão .
Ten ho c erte za q ue a “ srta . C iç a” e a “ srta . B ela ” e ra m a b so lu ta m en te s im pátic as
co m M onstr o q uan do e le a p are cia p or l á , e n tã o e le l h es f a zia u m f a v or e c o nta v a
tu do q ue q ueria m s a b er. S em pre d is se q ue o s b ru xos u m d ia ir ia m p ag ar p elo
modo c o m q ue tr a ta m o s e lf o s d om éstic o s. B em , V old em ort p ag ou... e S ir iu s
ta m bém .
Harry n ão t e v e o q ue r e to rq uir. E nquan to o bse rv av a M onstr o a o s s o lu ço s n o
ch ão , ele se le m bro u d o q ue D um ble d ore lh e d is se ra , p oucas h ora s an te s d e
Sir iu s m orre r: “
Ach o que Sir iu s nunca en ca ro u M onstr o co m o um se r co m
se n tim en to s t ã o s u tis q uanto o s d e u m s e r h um ano
...”
— M onstr o — d is se H arry a lg um te m po d ep ois — , q uan do tiv er v onta d e,
ãh ... p or f a v or, s e s e n te .
Passa ra m -s e v ário s m in uto s a té M onstr o c ala r s e u s s o lu ço s. S en to u e n tã o ,
esfre g an do o s o lh os c o m o s n ós d os d ed os, c o m o u m a c ria n cin ha.
— M onstr o , v ou lh e p ed ir p ara f a zer u m a c o is a — d is se -lh e H arry . E o lh ou
para H erm io ne ped in do aju da: queria dar um a ord em gen tilm en te , m as ao
mesm o te m po n ão p oderia fin gir q ue n ão e ra u m a o rd em . C ontu do, a m udan ça
no se u to m de voz pare cia te r re ceb id o a ap ro vação da am ig a: ela so rriu
en co ra ja n do-o .
“M onstr o , eu quero que você, por fa v or, en co ntr e M undungo F le tc h er.
Pre cis a m os d esc o brir o nde o m ed alh ão , o m ed alh ão d o s e u s e n hor R ég ulo , e stá .
É re alm en te im porta n te . Q uere m os te rm in ar a ta re fa q ue o se u se n hor R ég ulo
co m eço u, q uere m os... ã h ... g ara n tir q ue e le n ão t e n ha m orrid o e m v ão .”
Monstr o b aix ou o s p unhos e e rg ueu o s o lh os p ara H arry P otte r.
— E nco ntr a r M undungo F le tc h er? — r e p etiu r o uco .
— E tr a zê-lo a q ui, a o la rg o G rim mau ld — a cre sc en to u H arry . -V ocê a ch a
que p oderia f a zer i s so p ara n ós?
Ao v er M onstr o a sse n tir e f ic ar e m p é, o g aro to te v e u m a s ú bita in sp ir a ção .
Apan hou a b ols a q ue H ag rid lh e d era e tir o u a fa ls a H orc ru x, o m ed alh ão
su bstitu to e m q ue R ég ulo c o lo cara o b ilh ete p ara V old em ort.
— M onstr o , eu ... ãh ... gosta ria que você fic asse co m is so — dis se ,

co lo can do o m ed alh ão n as m ão s d o e lf o . — Is to p erte n ceu a R ég ulo , e te n ho
certe za q ue e le g osta ria d e l h e d ar c o m o p ro va d e g ra tid ão p elo q ue v ocê...
— D estr u iu , c o le g a — d is se R ony, q uan do o e lf o , d an do u m a o lh ad a n o
med alh ão , d eix ou e sc ap ar u m u iv o d e c h oque e d ese sp ero e to rn ou a s e a tir a r a o
ch ão .
Lev ara m q uase m eia h ora p ara a calm ar M onstr o , q ue fic o u tã o c o m ovid o
em re ceb er d e p re se n te u m a h era n ça d a fa m ília B la ck q ue se n tiu o s jo elh os
fra co s d em ais p ara s e m an te r e m p é. Q uan do f in alm en te p ôde d ar a lg uns p asso s,
os g aro to s o a co m pan hara m a o s e u a rm ário , v ir a m -n o g uard ar o m ed alh ão n as
co berta s su ja s, e tr a n qüiliz ara m o e lf o d e q ue a p ro te ção d o o bje to se ria su a
maio r prio rid ad e en quan to ele estiv esse au se n te . Entã o M onstr o fe z duas
re v erê n cia s p ro fu ndas p ara R ony e H arry , e a té u m a le v e c o ntr a ção g aia ta e m
dir e ção a H erm io ne q ue ta lv ez f o sse u m a te n ta tiv a d e s a u dá-la r e sp eito sa m en te ,
an te s d e d esa p ara ta r c o m o c o stu m eir o e sta lo .

1 1
O S uborn o
Se m onstr o p odia e sc ap ar d e u m la g o c h eio d e I n fe ri, H arry c o nfia v a q ue a
c ap tu ra d e M undungo le v aria n o m áx im o a lg um as h ora s, e e le a n dou p ela c asa a
m an hã in te ir a e m e sta d o d e g ra n de e x pecta tiv a. C ontu do, M onstr o n ão v olto u
a q uela m an hã n em à ta rd e. Q uan do a n oite ceu , H arry se se n tiu d esa n im ad o e
a n sio so , e o j a n ta r c o m posto p rin cip alm en te d e p ão b olo re n to , n o q ual H erm io ne
t e n ta ra u m a v arie d ad e d e m als u ced id as t r a n sfig ura çõ es, n ão a ju dou e m n ad a.
Monstr o n ão re to rn ou n o d ia se g uin te , n em n o p ró xim o. A pare cera m , n o
e n ta n to , dois hom en s de cap a no la rg o em fre n te ao núm ero doze, e ali
p erm an ecera m n oite a d en tr o , o lh an do e m d ir e ção à c asa q ue n ão p odia m v er.
— N a c erta , C om en sa is d a M orte — d is se R ony, e n quan to e le , H arry e
H erm io ne o bse rv av am d as j a n ela s d a s a la d e v is ita s. - A ch am q ue e le s s a b em q ue
e sta m os a q ui?
— A ch o q ue n ão — re sp ondeu H erm io ne, e m bora p are cesse a m ed ro nta d a
— , o u t e ria m m an dad o S nap e a tr á s d e n ós, n ão ?
— V ocês a ch am q ue e le e ste v e a q ui e o f e itiç o d e M oody p re n deu a lín gua
d ele ? — s u geriu R ony.
— A ch o — re sp ondeu H erm io ne — , do co ntr á rio , te ria podid o co nta r
à q uele b an do c o m o e n tr a r, n ão ? M as e le s p ro vav elm en te e stã o v ig ia n do p ara v er
s e a p are cem os. S ab em q ue a c asa é d o H arry .
— C om o p udera m ...? — c o m eço u H arry .
— O s te sta m en to s bru xos sã o ex am in ad os pelo M in is té rio , le m bra m ?
S ab erã o q ue S ir iu s d eix ou a c asa p ara v ocê.
A pre se n ça de C om en sa is da M orte ali fo ra in te n sif ic o u a atm osfe ra
a g oure n ta no núm ero doze. O s garo to s não tin ham ouvid o nad a de pesso a
a lg um a fo ra d o la rg o G rim mau ld d esd e o P atr o no d o sr. W easle y, e a te n sã o
e sta v a c o m eçan do a s e m an if e sta r. I n quie to e ir ritá v el, R ony tin ha d ese n volv id o
o in cô m odo háb ito de brin car co m o desilu m in ad or den tr o do bols o : is to
e n fu re cia p artic u la rm en te H erm io ne, q ue p assa v a o te m po e m q ue a g uard av am
M onstr o e stu dan do
Os c o nto s d e B eed le , o b ard o
e n ão e sta v a g osta n do q ue a s
l u zes p is c asse m .
— Q uer p ara r co m is so ! — ex cla m ou, n a te rc eir a n oite d a au sê n cia d e
M onstr o , q uan do a l u z d a s a la d e v is ita f o i a p ag ad a m ais u m a v ez.
— D esc u lp e, desc u lp e! — dis se R ony, acio nan do o desilu m in ad or e

acen den do a s l u zes. — N ão e sto u f a zen do i s so c o nsc ie n te m en te !
— B em , n ão p ode p ro cu ra r a lg um a c o is a ú til p ara s e o cu par?
— O q uê, l e r h is tó ria s e sc rita s p ara c ria n cin has?
— D um ble d ore m e d eix ou o l iv ro , R ony...
— ... e m e d eix ou o d esilu m in ad or, q uem s a b e e sp era v a q ue e u o u sa sse !
In cap az de su porta r essa s brig uin has, H arry sa iu da sa la se m os dois
perc eb ere m . D esc eu à co zin ha, que ele não para v a de vis ita r, porq ue tin ha
certe za d e q ue era ali q ue M onstr o p ro vav elm en te re ap are ceria . N o m eio d a
esc ad a p ara a e n tr a d a, n o e n ta n to , e le o uviu u m a b atid a n a p orta d a f re n te , e e m
se g uid a c liq ues m etá lic o s e a c o rre n te .
Sen tiu c ad a n erv o d o s e u c o rp o s e r e te sa r: s a co u a v arin ha e s e o cu lto u n as
so m bra s a o la d o d as c ab eças d os e lf o s d ecap ita d os, o nde fic o u a g uard an do. A
porta a b riu : e le e n tr e v iu o la rg o ilu m in ad o e u m v ulto d e c ap a e n tr o u s o rra te ir o
na c asa e fe ch ou a p orta . O in tr u so d eu u m p asso à fre n te e a v oz d e M oody
perg unto u:

Severo S nape
?
Entã o , o v ulto d e p ó s e e rg ueu n o fin al d o c o rre d or e a v an ço u p ara e le , a
mão c ad av éric a e rg uid a.
— N ão f u i e u q ue o m ate i, A lv o — r e sp ondeu a v oz b aix a.
O fe itiç o s e d esfe z, o v ulto d e p ó e x plo diu e fo i im possív el v er o re cém -
ch eg ad o a tr a v és d a d en sa n uvem c in zen ta q ue o e sp ectr o d eix ou a o d esa p are cer.
Harry a p onto u a v arin ha p ara o m eio d a n uvem .
— N ão s e m ex a!
Ele e sq uecera , p oré m , o re tr a to d a sra . B la ck : a o so m d e su a o rd em , a s
co rtin as q ue a o cu lta v am s e a b rir a m r e p en tin am en te e a b ru xa c o m eço u a g rita r:

Sangues-r u in s e e sc ó ria d eso nra ndo m in ha c a sa
...
Rony e H erm io ne desc era m atr á s de H arry re b oan do pela esc ad a, as
varin has a p onta d as p ara o e str a n ho n o c o rre d or, a s m ão s p ara o a lto .
— G uard em a s v arin has, s o u e u , R em o!
— A h, g ra ças a o s c éu s — e x cla m ou H erm io ne e m v oz b aix a, d ir ig in do a
varin ha p ara a s ra . B la ck ; c o m u m e sta m pid o, a s c o rtin as to rn ara m a fe ch ar e
fe z-s e s ilê n cio . R ony t a m bém b aix ou a v arin ha, m as H arry n ão .
— A pare ça! — f a lo u.
Lupin d eu u m p asso p ara a lu z, a s m ão s a in da n o a lto e m u m g esto d e
re n diç ão .
— S ou R em o Jo ão L upin , lo bis o m em , ta m bém c o nhecid o c o m o A lu ad o,
um dos quatr o cria d ore s do m ap a do m aro to , casa d o co m N in fa d ora , m ais
co nhecid a c o m o T onks, e o e n sin ei a p ro duzir u m P atr o no, H arry , q ue a ssu m e a
fo rm a d e u m v ead o.

— A h, tu do b em — d is se H arry , b aix an do a v arin ha — , m as e u tin ha q ue
verif ic ar, n ão ?
— N a q ualid ad e d e se u an tig o p ro fe sso r d e D efe sa co ntr a as A rte s d as
Tre v as, c o nco rd o p le n am en te q ue p re cis a sse v erif ic ar. R ony, H erm io ne, v ocês
não d ev ia m t e r b aix ad o a g uard a t ã o r a p id am en te .
Os g aro to s d esc era m o re sto d a e sc ad a e c o rre ra m p ara o re cém -c h eg ad o.
Pro te g id o por um a gro ssa cap a de via g em pre ta , ele pare cia ex au sto , m as
sa tis fe ito e m r e v ê-lo s.
— E ntã o , n em s in al d e S ev ero ? — p erg unto u.
— N ão — r e sp ondeu H arry . — Q ue e stá a co nte cen do? E stã o t o dos b em ?
— E stã o — c o nfir m ou L upin — , m as v ig ia d os. H á u ns d ois C om en sa is d a
Morte n o l a rg o a í e m f re n te ...
— ... s a b em os...
— ... p re cis e i a p ara ta r e x ata m en te n o ú ltim o d eg ra u à fre n te d a p orta p ara
gara n tir q ue n ão m e v is se m . N ão s a b em q ue v ocês e stã o a q ui, o u te n ho c erte za
que p osta ria m m ais g en te lá fo ra ; estã o to caia n do to dos o s lu gare s q ue tê m
alg um a lig ação c o m v ocê, H arry . V am os d esc er, te n ho m uito q ue lh es c o nta r e
quero s a b er o q ue a co nte ceu d ep ois q ue s a ír a m d ’A T oca.
Ele s d esc era m à c o zin ha, o nde H erm io ne a p onto u a v arin ha p ara a la re ir a .
As ch am as su bir a m in sta n ta n eam en te : d era m a ilu sã o d e aco nch eg o às fria s
pare d es d e p ed ra e s e re fle tir a m n a s u perfíc ie d a m esa d e m ad eir a . L upin tir o u
alg um as c erv eja s a m an te ig ad as d eb aix o d a c ap a d e v ia g em , e t o dos s e s e n ta ra m .
— E u te ria c h eg ad o a q ui h á tr ê s d ia s, m as p re cis e i m e liv ra r d o C om en sa l
que e sta v a m e s e g uin do — c o m en to u L upin . — E ntã o , v ocês v ie ra m d ir e to p ara
cá d ep ois d o c asa m en to ?
— N ão — r e sp ondeu H arry — , s ó d ep ois d e t o parm os c o m d ois C om en sa is
em u m b ar n a T otte n ham C ourt.
Lupin d erra m ou q uase t o da a c erv eja n o p eito .
— Q uê?
Os g aro to s e x plic ara m o q ue h av ia a co nte cid o; q uan do te rm in ara m , L upin
esta v a h orro riz ad o.
— M as c o m o e n co ntr a ra m v ocês tã o d ep re ssa ? É im possív el ra str e ar u m a
pesso a q ue a p ara ta , a n ão s e r q ue a a g arre m a n te s d e d esa p are cer!
— E é p ouco p ro váv el q ue e stiv esse m a p en as p asse an do p ela T otte n ham
Court n a h ora , c o nco rd a? — c o m en to u H arry .
— P en sa m os — a rris c o u H erm io ne — q ue ta lv ez H arry a in da tiv esse o
ra str e ad or, q ue a ch a?
— I m possív el — r e sp ondeu L upin . R ony f e z c ara d e q uem a certo u, e H arry
se se n tiu im en sa m en te aliv ia d o. — Sem m e ap ro fu ndar, se H arry ain da

carre g asse o r a str e ad or, e le s te ria m c erte za a b so lu ta d e s u a p re se n ça a q ui, n ão é
mesm o? M as n ão v ejo c o m o p oderia m te r s e g uid o v ocês a T otte n ham C ourt, e
is so m e p re o cu pa, r e alm en te m e p re o cu pa.
Ele p are ceu p ertu rb ad o, m as, s e d ep en desse d e H arry , a p erg unta p oderia
esp era r.
— C onte o q ue a co nte ceu d ep ois q ue s a ím os, n ão s o ubem os d e n ad a d esd e
que o p ai d e R ony n os a v is o u q ue a f a m ília e sta v a b em .
— B em , K in gsle y n os sa lv ou — d is se L upin . — G ra ças a o se u a v is o , a
maio r p arte d os c o nvid ad os p ôde d esa p ara ta r a n te s d a i n vasã o .
— E ra m C om en sa is d a M orte o u g en te d o M in is té rio ? — in te rro m peu -o
Herm io ne.
— O s d ois ; p ara to dos o s e fe ito s, a g ora o s d ois s ã o a m esm a c o is a — d is se
Lupin . — E ra m u ns d oze, m as n ão sa b ia m q ue v ocê e sta v a lá , H arry . A rth ur
ouviu um boato que pro cu ra ra m desc o brir o se u para d eir o , to rtu ra n do
Scrim geo ur a n te s d e m atá -lo ; s e f o r v erd ad e, e le n ão o t r a iu .
Harry o lh ou p ara R ony e H erm io ne; se u s ro sto s re fle tia m a m esc la d e
ch oque e g ra tid ão q ue e le s e n tia . J a m ais g osta ra m uito d e S crim geo ur, m as, s e o
que L upin d iz ia f o sse v erd ad e, o ú ltim o g esto d o h om em f o ra p ro te g ê-lo .
— O s C om en sa is re v is ta ra m A T oca d e c im a a b aix o — c o ntin uou L upin .
— E nco ntr a ra m o vam pir o , m as não quis e ra m ch eg ar m uito perto ; dep ois
in te rro gara m h ora s s e g uid as o s q ue p erm an ecera m n a c asa . E sta v am q uere n do
obte r i n fo rm açõ es s o bre v ocê, H arry , m as, n atu ra lm en te , n in guém m ais a lé m d os
mem bro s d a O rd em s a b ia q ue v ocê t in ha e sta d o l á .
“A o m esm o te m po e m q ue a cab av am c o m o c asa m en to , o utr o s C om en sa is
esta v am in vad in do a s c asa s n o c am po q ue tin ham lig ação c o m a O rd em . N ão
mata ra m n in guém ”, acre sc en to u, d ep re ssa , p re v en do a p erg unta , “m as fo ra m
vio le n to s. Q ueim ara m a c asa d e D éd alo D ig gle , m as, c o m o v ocê s a b e, e le n ão
esta v a, e u sa ra m a M ald iç ão C ru cia tu s n a fa m ília d e T onks, te n ta n do d esc o brir
ao nde você tin ha id o dep ois de vis itá -lo s. Ele s estã o bem ... obvia m en te
ab ala d os... m as, s o b o utr o s a sp ecto s, b em .”
— O s C om en sa is d a M orte ro m pera m to dos o s fe itiç o s d e p ro te ção ? —
perg unto u H arry , le m bra n do-s e d e s u a e fic ácia n a n oite e m q ue e le s e a cid en ta ra
no j a rd im d os T onks.
— O q ue v ocê p re cis a c o m pre en der, H arry , é q ue o s C om en sa is a g ora t ê m o
Min is té rio to do n a m ão — d is se L upin . — T êm o p oder d e u sa r fe itiç o s c ru éis
se m m ed o d e s e re m id en tif ic ad os o u p re so s. C onse g uir a m p en etr a r c ad a fe itiç o
defe n siv o q ue l a n çam os c o ntr a e le s e , u m a v ez d en tr o , a g ir a m a b erta m en te .
— E p or q ue e stã o s e d an do o t r a b alh o d e i n ven ta r d esc u lp as p ara d esc o brir
o p ara d eir o d e H arry p or m eio d e to rtu ra ? — p erg unto u H erm io ne, c o m u m f io

de i r rita ção n a v oz.
— B em ... — c o m eço u L upin . H esito u u m m om en to , e n tã o t ir o u d a c ap a u m
ex em pla r d obra d o d o
Pro fe ta D iá rio
. — L eia — d is se , e m purra n do o j o rn al p ara
Harry d o o utr o la d o d a m esa — , v ocê ir á s a b er m ais c ed o o u m ais ta rd e. É o
pre te x to q ue e stã o u sa n do p ara p ro cu ra r v ocê.
Harry ab riu o jo rn al. U m a en orm e fo to gra fia su a ocu pav a a prim eir a
pág in a. L eu a m an ch ete .
PR O CU RA DO P A RA D EPO R S O BRE A M ORT E D E A LV O
DUM BLED ORE
Rony e H erm io ne g rita ra m in dig nad os, m as H arry f ic o u c ala d o. E m purro u
o j o rn al p ara l o nge; n ão q ueria l e r m ais n ad a: s a b ia o q ue d iz ia . N in guém , e x ceto
os que esta v am no alto da to rre quan do D um ble d ore m orre u , sa b ia quem
re alm en te o m ata ra , e, co m o R ita S keete r já d iv ulg ara p ara o m undo b ru xo,
Harry f o ra v is to f u gin do d o l o cal m om en to s d ep ois d a q ued a d e D um ble d ore .
— L am en to , H arry — d is se L upin .
— E ntã o o s C om en sa is d a M orte t o m ara m o P ro fe ta D iá rio t a m bém ?
— p erg unto u H erm io ne, f u rio sa .
Lupin a sse n tiu .
— M as c o m c erte za a s p esso as p erc eb em o q ue e stá a co nte cen do, n ão ?
— O g olp e f o i h áb il e v ir tu alm en te s ile n cio so — r e sp ondeu L upin .
— A v ers ã o o fic ia l p ara o a ssa ssin ato d e S crim geo ur é q ue e le re n uncio u;
fo i su bstitu íd o por P io T hic k nesse , que está so b a in flu ên cia da M ald iç ão
Im periu s.
— P or q ue V old em ort n ão se d ecla ro u m in is tr o d a M ag ia ? — p erg unto u
Rony.
Lupin r iu .
— N ão p re cis a , R ony. E le é
de fa to
o m in is tr o d a M ag ia , e n tã o , p ara q ue
ir ia s e s e n ta r a tr á s d e u m a m esa n o M in is té rio ? S eu fa n to ch e, T hic k nesse , e stá
cu id an do da buro cra cia diá ria , deix an do V old em ort liv re para este n der su a
in flu ên cia p ara a lé m d o M in is té rio .
“N atu ra lm en te m uita s p esso as d ed uzir a m o q ue a co nte ceu : n os ú ltim os d ia s
houve um a acen tu ad a mudan ça na dir e tr iz min is te ria l, e muito s estã o
murm ura n do que V old em ort dev e esta r por tr á s dis so . C ontu do, aí re sid e o
pro ble m a: m urm ura m a p en as. N ão o usa m tr o car c o nfid ên cia s, n ão sa b em e m
quem co nfia r; tê m m ed o de se m an if e sta r, porq ue su as su sp eita s podem se
co nfir m ar e s u as f a m ília s s e re m a tin gid as. S im , V old em ort e stá f a zen do u m jo go
in te lig en te . E xpor- s e p oderia te r p ro vocad o u m a r e b eliã o a b erta : n os b astid ore s,

crio u c o nfu sã o , i n certe za e m ed o.”
— E e ssa m udan ça a cen tu ad a n a d ir e tr iz m in is te ria l — in dag ou H arry —
in clu i a le rta r o m undo b ru xo c o ntr a m im e n ão c o ntr a V old em ort?
— C om c erte za, e é u m g olp e d e m estr e . A gora q ue D um ble d ore m orre u ,
você, O -M en in o-Q ue-S obre v iv eu , certa m en te se ria o sím bolo e o núcle o de
qualq uer re sis tê n cia c o ntr a V old em ort. M as, a o s u gerir q ue v ocê p artic ip ou n a
morte d o v elh o h eró i, ele n ão só p ôs a su a cab eça a p rê m io co m o ta m bém
se m eo u a d úvid a e o m ed o e n tr e a q uele s q ue o t e ria m d efe n did o.
“N esse m eio -te m po, o M in is té rio sa iu em cam po co ntr a os nasc id os
tr o uxas.”
Lupin a p onto u p ara o
Pro fe ta D iá rio
.
— V eja m a p ág in a d ois .
Herm io ne v ir o u a s p ág in as d o jo rn al c o m a m esm a e x pre ssã o d e n ojo c o m
que s e g ura ra o s S eg re d os d as a rte s m ais t e n eb ro sa s. E l e u e m v oz a lta :
— R eg is tr o p ara o s N asc id os T ro uxa s
“O M in is té rio da M agia está pro ced en do a um cen so dos ch am ados
‘n asc id os tr o uxa s’ p ara m elh or c o m pre en der c o m o se to rn ara m d ete n to re s d e
se g re d os d a m agia .
“P esq uis a s r e cen te s fe ita s p elo D ep arta m en to d e M is té rio s r e vela m q ue a
magia só pode se r tr a nsm itid a de um a pesso a a outr a quando os bru xo s
pro cria m . P orta nto , n os c a so s e m q ue n ão h á c o m pro va çã o d e
ancestr a lid ade
bru xa , o s c h am ados n asc id os t r o uxa s p ro va velm en te o btiv era m s e u s p odere s p or
meio d o r o ubo o u u so d e f o rç a .
“O M in is té rio to m ou a d ecis ã o d e e xtir p ar e sse s u su rp adore s d a m agia e ,
co m e ssa f in alid ade, e n vio u u m c o nvite p ara q ue s e a pre se n te m a u m a e n tr e vis ta
co m a r e cém -n om ea da C om is sã o d e R eg is tr o d os N asc id os T ro uxa s.”
— A s p esso as n ão v ão d eix ar i s so a co nte cer — d is se R ony.
— J á
está
a co nte cen do — in fo rm ou L upin . — O s n asc id os tr o uxas e stã o
se n do a rre b an had os, p or a ssim d iz er.
— M as c o m o s u põem q ue e le s p ossa m te r “ ro ubad o” a m ag ia ? I s so é p ura
deb ilid ad e, se fo sse p ossív el ro ubar m ag ia n ão h av eria b ru xos a b orta d os, n ão
ach am ?
— C onco rd o — d is se L upin . — C ontu do, a n ão s e r q ue v ocê p ossa p ro var
que te m , n o m ín im o, u m p are n te p ró xim o q ue s e ja b ru xo, c o nclu ir ã o q ue o bte v e
o s e u p oder i le g alm en te e s e rá p assív el d e p uniç ão .
Rony o lh ou p ara H erm io ne e d is se :
— E s e o s s a n gues-p uro s e o s m estiç o s ju ra re m q ue u m n asc id o tr o uxa f a z
parte d a f a m ília ? E u d ir e i a t o do m undo q ue H erm io ne é m in ha p rim a...
Herm io ne p ôs a m ão s o bre a m ão d e R ony e a p erto u-a .

— O brig ad a R ony, m as e u n ão p oderia d eix ar...
— V ocê n ão te rá e sc o lh a — d is se R ony im petu osa m en te , s e g ura n do a m ão
dela . — E u a e n sin o a re co nhecer a m in ha á rv ore g en ealó gic a e v ocê p oderá
re sp onder à s p erg unta s d ele s.
Herm io ne d eu u m a r is a d a g osto sa .
— R ony, c o m o e sta m os f u gin do c o m H arry , a p esso a m ais p ro cu ra d a d este
país , a ch o q ue is so n ão te m im portâ n cia . S e e u fo sse v olta r p ara a e sc o la s e ria
dif e re n te . E q uais s ã o o s p la n os d e V old em ort p ara H ogw arts ? — p erg unto u e la a
Lupin .
— A fre q üên cia ag ora é ob rig ató ria para to das as cria n ças bru xas.
Anuncia ra m onte m . É um a m udan ça, porq ue an te s nunca fo i obrig ató ria .
Natu ra lm en te quase to dos os bru xos da G rã -B re ta n ha fo ra m ed ucad os em
Hogw arts , m as o s p ais tin ham o d ir e ito d e e n sin ar- lh es e m c asa o u m an dá-lo s
estu dar n o e x te rio r, s e p re fe ris se m . C om is so , V old em ort te rá to da a p opula ção
bru xa so b vig ilâ n cia desd e m uito jo vem . E é outr a m an eir a de ex tir p ar os
nasc id os tr o uxas, porq ue os alu nos dev em re ceb er um re g is tr o sa n güín eo ,
in dic an do q ue p ro vara m a o M in is té rio s u a a sc en dên cia b ru xa, a n te s d e p odere m
se m atr ic u la r.
Harry s e n tiu re p ugnân cia e ra iv a: n aq uele m om en to c ria n ças d e o nze a n os
ex cita d as esta ria m ex am in an do p ilh as d e liv ro s d e fe itiç o s re cém -c o m pra d os,
se m s a b er q ue j a m ais v eria m H ogw arts o u t a lv ez n em a s p ró pria s f a m ília s.
— É ... é ... — m urm uro u, te n ta n do e n co ntr a r p ala v ra s q ue fiz esse m ju stiç a
ao s p en sa m en to s h orrip ila n te s q ue lh e p assa v am p ela c ab eça, m as L upin d is se -
lh e b ra n dam en te :
— E u s e i.
O e x -p ro fe sso r h esito u.
— E u c o m pre en dere i se v ocê n ão p uder c o nfir m ar, H arry , m as a O rd em
está d esc o nfia d a d e q ue D um ble d ore l h e c o nfio u u m a m is sã o .
— C onfio u, e R ony e H erm io ne a c o nhecem e v ão m e a co m pan har.
— V ocê p ode m e c o nta r q ual é a m is sã o ?
Harry e n caro u a q uele ro sto p re m atu ra m en te e n ru gad o, c o m a s u a m old ura
de c ab elo s b asto s, m as g ris a lh os, e d ese jo u q ue p udesse lh e d ar u m a re sp osta
dif e re n te .
— N ão p osso , R em o, la m en to . S e D um ble d ore n ão lh e re v elo u, a ch o q ue
ta m bém n ão p osso .
— S upus q ue e ssa se ria a su a re sp osta — d is se L upin , d esa p onta d o. —
Ain da a ssim , e u p oderia l h e s e r ú til. V ocê m e c o nhece e s a b e o q ue s o u c ap az d e
fa zer. Eu poderia aco m pan há-lo para lh e fo rn ecer pro te ção . N ão hav eria
necessid ad e d e m e d iz er e x ata m en te o q ue p re te n dem .

Harry hesito u. E ra um a ofe rta te n ta d ora , em bora ele não co nse g uis se
im ag in ar c o m o ir ia m p oder g uard ar s e g re d o s e L upin e stiv esse c o m e le s to do o
te m po.
Herm io ne, n o e n ta n to , p are ceu i n tr ig ad a.
— E T onks? — p erg unto u.
— Q ue t e m e la ?
— B em — to rn ou H erm io ne, e n ru gan do a te sta — , v ocês s ã o c asa d os! O
que e la e stá a ch an do d essa s u a v ia g em c o nosc o ?
— T onks e sta rá p erfe ita m en te s e g ura . N a c asa d os p ais d ela .
O to m d e L upin fo i e str a n ho; q uase frio . H av ia a lg o e sq uis ito n a id éia d e
Tonks f ic ar e sc o ndid a n a c asa d os p ais ; a fin al, e la e ra m em bro d a O rd em e , p elo
que H arry c o nhecia , a a u ro r p ro vav elm en te i r ia q uere r p artic ip ar d a a ção .
— R em o — p erg unto u H erm io ne h esita n te — , e stá tu do b em ... e n te n de...
en tr e v ocê e ...
— T udo e stá ó tim o, o brig ad o — re sp ondeu e le , e n fa tic am en te . H erm io ne
co ro u.
Houve um a se g unda pau sa , in oportu na e co nstr a n ged ora , en tã o L upin
acre sc en to u c o m a r d e q uem e ra f o rç ad o a a d m itir a lg o d esa g ra d áv el:
— T onks v ai t e r u m b eb ê.
— A h, q ue m ara v ilh oso ! — g uin ch ou H erm io ne.
— E xcele n te ! — d is se R ony, e n tu sia sm ad o.
— P ara b én s — a cre sc en to u H arry .
Lupin la n ço u ao s g aro to s u m so rris o fo rç ad o, m ais p are cia u m a care ta ,
an te s d e p erg unta r:
— E ntã o ... aceita m a m in ha ofe rta ? O s tr ê s poderã o se r quatr o ? N ão
acre d ito q ue D um ble d ore d esa p ro vasse , a fin al f o i e le q ue m e n om eo u p ro fe sso r
de D efe sa co ntr a as A rte s das Tre v as. E, co nfe sso , cre io que esta m os
en fre n ta n do u m a m ag ia q ue m uito s d e n ós ja m ais e n co ntr a ra m o u im ag in ara m
ex is tir.
Rony e H erm io ne o lh ara m p ara H arry .
— S ó... s ó p ara d eix ar b em c la ro — d is se o g aro to . — V ocê q uer d eix ar
Tonks n a c asa d os p ais e n os a co m pan har?
— T onks esta rá perfe ita m en te se g ura , ele s cu id arã o dela — re sp ondeu
Lupin , c o m u m a f ir m eza q ue b eir a v a a in dif e re n ça. — H arry , te n ho c erte za q ue
Tia g o i r ia q uere r q ue e u e stiv esse a o s e u l a d o.
— B em — d is se H arry , l e n ta m en te — , e u n ão . T en ho c erte za q ue o m eu p ai
ir ia q uere r s a b er p or q ue v ocê n ão v ai f ic ar a o l a d o d o s e u p ró prio f ilh o.
A c o r s u m iu d o r o sto d e L upin . A te m pera tu ra d a c o zin ha p are cia te r c aíd o
dez g ra u s. R ony co rre u o o lh ar p elo ap ose n to co m o se o tiv esse m m an dad o

mem oriz ar c ad a d eta lh e, e n quan to o s o lh os d e H erm io ne i a m e v in ham d e H arry
para L upin .
— V ocê n ão e n te n de — d is se L upin , f in alm en te .
— E xpliq ue, e n tã o . L upin e n goliu e m s e co .
— C om eti u m g ra v e e rro m e c a sa n do c o m T onks. A gi c o ntr a ria n do o m eu
bom s e n so , e t e n ho m e a rre p en did o m uito d esd e e n tã o .
— E nte n do, e n tã o v ocê v ai sim ple sm en te a b an donar a m oça e o filh o e
fu gir c o nosc o ?
Lupin se pôs re p en tin am en te de pé: a cad eir a to m bou para tr á s e ele
en caro u o s g aro to s c o m ta n ta fe ro cid ad e q ue H arry v iu , p ela p rim eir a v ez n a
vid a, a s o m bra d o l o bo e m s e u r o sto h um an o.
— V ocê n ão e n te n de o q ue fiz à m in ha m ulh er e a o m eu filh o q ue v ai
nasc er? E u ja m ais d ev ia te r c asa d o c o m T onks, e u a tr a n sfo rm ei e m u m a p ária !
— L upin c h uto u p ara o l a d o a c ad eir a q ue d erru bara .
“V ocê a té h oje s ó m e v iu n a O rd em , o u s o b a p ro te ção d e D um ble d ore , e m
Hogw arts ! V ocê n ão s a b e c o m o a m aio ria d o m undo b ru xo e n cara a s c ria tu ra s
co m o eu ! Q uan do d esc o bre m a m in ha d esg ra ça, n em co nse g uem m ais fa la r
co m ig o! V ocê n ão p erc eb e o q u e e u f iz ? A té a f a m ília d ela s e d esg osto u c o m o
nosso c asa m en to , q ue p ais q uere m v er a ú nic a f ilh a c asa d a c o m u m lo bis o m em ?
E o f ilh o... o f ilh o...”
Lupin ch eg ou a arra n car tu fo s dos pró prio s cab elo s; pare cia m uito
desc o ntr o la d o.
— A m in ha esp écie n orm alm en te n ão p ro cria ! E le se rá co m o eu , esto u
co nven cid o. C om o p odere i m e p erd oar, q uan do c o nsc ie n te m en te c o rri o r is c o d e
tr a n sm itir a m in ha d efic iê n cia a u m a c ria n ça i n ocen te ? E s e , p or m ila g re , e la n ão
fo r c o m o e u , e n tã o e sta rá m elh or, m il v ezes m elh or s e m u m p ai d o q ual s e m pre
se e n verg onhará !
— R em o! — s u ssu rro u H erm io ne, o s o lh os m are ja d os d e lá g rim as. — N ão
dig a i s so , c o m o u m a c ria n ça p oderia t e r v erg onha d e v ocê?
— A h, n ão s e i, H erm io ne — d is se H arry . — E u t e ria m uita v erg onha d ele .
Ele n ão sa b ia d e o nde v in ha a su a ra iv a, m as o se n tim en to o fiz era se
le v an ta r t a m bém . A e x pre ssã o d e L upin e ra a d e q uem t in ha s id o e sb ofe te ad o p or
Harry .
— S e o n ovo r e g im e a ch a q ue o s q ue n asc era m t r o uxas s ã o c rim in oso s, q ue
fa rá c o m u m m estiç o d e l o bis o m em c u jo p ai p erte n ce à O rd em ? M eu p ai m orre u
te n ta n do pro te g er a m im e m in ha m ãe, e você ach a que ele lh e dir ia para
ab an donar s e u f ilh o e n os a co m pan har e m u m a a v en tu ra ?
— C om o... c o m o s e a tr e v e? — d is se L upin . — N ão s e tr a ta d e u m d ese jo
de... c o rre r r is c o s o u o bte r g ló ria p esso al... c o m o s e a tr e v e a i n sin uar u m a...

— A ch o que você está se n do au dacio so — dis se H arry . — Q uere n do
ocu par o l u gar d e S ir iu s...
— H arry , n ão ! — s u plic o u H erm io ne, m as e le c o ntin uou a e n cara r o r o sto
lív id o d e L upin .
— E u n unca te ria a cre d ita d o — c o ntin uou H arry . — O h om em q ue m e
en sin ou a c o m bate r d em en ta d ore s... u m c o vard e.
Lupin s a co u a v arin ha tã o rá p id o q ue H arry m al te v e te m po d e a p an har a
pró pria ; s e g uiu -s e u m f o rte e sta m pid o e e le s e s e n tiu a rre m essa d o p ara t r á s c o m o
se tiv esse le v ad o u m m urro ; a o b ate r c o ntr a a p are d e d a c o zin ha e e sc o rre g ar
para o c h ão , v iu a p onta d a c ap a d e L upin d esa p are cer p ela p orta .
— R em o, R em o, v olte ! — g rito u H erm io ne, m as L upin n ão re sp ondeu .
In sta n te s d ep ois o uvir a m a p orta d a fre n te b ate r. — H arry ! -g rito u, c h oro sa . —
Com o p ôde f a zer i s so ?
— F oi f á cil — r e sp ondeu H arry .
Ele se le v an to u; se n tiu u m g alo cre sc en do n o lu gar em q ue su a cab eça
bate ra n a p are d e. S ua r a iv a e ra t a n ta q ue o f a zia t r e m er.
— N ão o lh e p ara m im d esse j e ito ! — d is se r is p id am en te a H erm io ne.
— N ão s e v ir e c o ntr a e la ! — r o sn ou R ony.
— N ão ... n ão ... n ão d ev em os b rig ar! — d is se H erm io ne a tir a n do-s e e n tr e o s
dois .
— V ocê n ão d ev ia t e r d ito a q uilo a L upin — d is se R ony a H arry .
— Ele esta v a ped in do — re sp ondeu Harry . Im ag en s fra g m en ta d as
so bre p unham -s e cele re m en te em su a m en te : Sir iu s atr a v essa n do o véu ;
Dum ble d ore s u sp en so , d esc o nju nta d o, n o a r; u m l a m pejo d e l u z v erd e e a v oz d e
su a m ãe p ed in do m is e ric ó rd ia ...
— O s p ais — d is se H arry — n ão d ev em a b an donar o s f ilh os, a n ão s e r... a
não s e r q ue n ão p ossa m e v ita r.
— H arry ... — d is se H erm io ne, e stic an do a m ão p ara c o nso lá -lo , m as e le
re p eliu -a e s e a fa sto u, f ix an do a s c h am as q ue a g aro ta tin ha c o nju ra d o. U m a v ez
fa la ra c o m L upin p or a q uela la re ir a , b usc an do c o nso lo p or c au sa d o p ai, e o
pro fe sso r o a ju dara . A gora o ro sto to rtu ra d o e p álid o d e L upin p are cia flu tu ar
dia n te d e s e u s o lh os. E le s e n tiu u m a o nda n au se an te d e r e m ors o . N em R ony n em
Herm io ne f a la ra m , m as e le t in ha c erte za d e q ue e sta v am s e e n tr e o lh an do à s s u as
co sta s, c o m unic an do-s e e m s ilê n cio .
Harry s e v ir o u e s u rp re en deu -o s v olta n do r a p id am en te a s c o sta s u m p ara o
outr o .
— S ei q ue n ão d ev ia t ê -lo c h am ad o d e c o vard e.
— N ão , n ão d ev ia — c o nco rd ou R ony, i m ed ia ta m en te .
— M as é c o m o e le e stá a g in do.

— M esm o a ssim ... — d is se H erm io ne.
— E u s e i. M as s e i s to o f iz er v olta r p ara T onks, t e rá v alid o a p en a, n ão ?
Ele não pôde ev ita r o to m de sú plic a em su a voz. H erm io ne pare ceu
re cep tiv a, R ony, in se g uro . H arry o lh ou p ara o s p ró prio s p és p en sa n do n o p ai.
Tia g o te ria a p oia d o o q ue e le d is se ra a L upin o u te ria s e z an gad o c o m o filh o
pelo m odo c o m q ue t r a ta ra s e u v elh o a m ig o?
A c o zin ha sile n cio sa p are ceu v ib ra r c o m o im pacto d a c en a re cen te e a
re p ro vação m uda d e R ony e H erm io ne. O
Pro fe ta D iá rio
que L upin tr o uxera
co ntin uav a s o bre a m esa , a f o to d e H arry n a p rim eir a p ág in a v ir a d a p ara o te to .
Ele s e a p ro xim ou e s e s e n to u, a b riu o jo rn al a e sm o e f in giu le r. N ão c o nse g uia
en te n der as p ala v ra s, su a m en te ain da arre b ata d a p elo co nfro nto co m L upin .
Sab ia q ue R ony e H erm io ne tin ham re to m ad o s u a c o m unic ação s ile n cio sa p or
tr á s d o P ro fe ta . E le v ir o u a p ág in a c o m v io lê n cia , e o n om e d e D um ble d ore
sa lto u a o s s e u s o lh os. H arry le v ou a lg uns in sta n te s p ara e n te n der o s ig nif ic ad o
da f o to e m q ue h av ia u m a f a m ília . S ob a f o to a le g en da: A f a m ília D um ble d ore :
da esq uerd a p ara a d ir e ita , A lv o, P erc iv al, se g ura n do A ria n a re cém -n asc id a,
Ken dra e A berfo rth .
Ate n to , H arry p aro u p ara e x am in ar a f o to . O p ai d e D um ble d ore , P erc iv al,
era u m h om em b onito , c o m o lh os q ue p are cia m c in tila r m esm o n a v elh a fo to
desb ota d a. O b eb ê, A ria n a, e ra p ouco m aio r q ue u m a f o rm a d e p ão e i g ualm en te
desp ro vid o d e tr a ço s m arc an te s. A m ãe, K en dra , tin ha cab elo s m uito n eg ro s
pre so s e m u m c o que. S eu r o sto p are cia e sc u lp id o. A pesa r d o v estid o d e s e d a d e
gola alta q ue u sa v a, H arry le m bro u-s e d e ín dio s am eric an os ao estu dar se u s
olh os e sc u ro s, m ala re s a lto s e n ariz r e to . A lv o e A berfo rth u sa v am p ale tó s i g uais
co m g ola d e re n da e c o rte s id ên tic o s n os c ab elo s a té o s o m bro s. A lv o p are cia
vário s a n os m ais v elh o, m as s o b o utr o s a sp ecto s, o s d ois m en in os e ra m m uito
se m elh an te s, p orq ue a fo to fo ra tir a d a a n te s d e A lv o te r o n ariz fra tu ra d o o u
co m eçar a u sa r ó cu lo s.
A f a m ília p are cia b em f e liz e n orm al e s o rria s e re n am en te . O b eb ê a cen av a,
se m d ir e ção , c o m o b ra ço f o ra d a m an ta . H arry o lh ou p ara o a lto d a f o to e le u a
man ch ete :
TR EC H O EX CLU SIV O DA BIO GRA FIA DE ALV O
DUM BLED ORE A S E R L A NÇA DA E M B REV E p or R ita S keete r
Pen sa n do q ue n ão p oderia s e s e n tir p io r d o q ue já s e s e n tia , H arry c o m eço u
a l e r:
Org ulh osa e a rro gan te , K en dra D um ble d ore n ão p oderia s u porta r

perm an ecer e m M ould -o n-th e-W old d ep ois d a c o m en ta d a d ete n ção d o
marid o P erc iv al e s u a p ris ã o e m A zk ab an . E la d ecid iu , p orta n to , c o rta r
esse s la ço s e s e m udar p ara G odric ’s H ollo w , a a ld eia q ue a n os m ais
ta rd e s e to rn aria f a m osa c o m o c en ário d o a ta q ue d e V ocê-S ab e-Q uem
a H arry P otte r e a i n ex plic áv el s o bre v iv ên cia d o m en in o.
Godric ’s H ollo w , ta l c o m o M ould -o n-th e-W old , e ra o r e fú gio d e
muita s fa m ília s b ru xas, m as, n ão as co nhecen do, K en dra esta ria a
sa lv o d a c u rio sid ad e q ue o c rim e d e P erc iv al d esp erta ra e m s u a a n tig a
ald eia . R ep elin do a s te n ta tiv as d e a p ro xim ação d os v iz in hos b ru xos,
em p ouco t e m po e la g ara n tiu q ue s u a f a m ília f o sse d eix ad a e m p az.
“K en dra b ate u a p orta n a m in ha c ara q uan do p asse i p ara lh e d ar
as b oas-v in das le v an do u m ta b ule ir o d e b olo s d e cald eir ã o ”, co nta
Batild a B ag sh ot. “ N o p rim eir o a n o e m q ue m ora ra m lá , s ó v i o s d ois
men in os. N ão s a b eria q ue h av ia u m a filh a s e n ão e stiv esse c o lh en do
pla n gen tin as a o lu ar n o in vern o d ep ois d a m udan ça e v is se K en dra
sa in do c o m A ria n a p ara o ja rd im d os fu ndos. D eu u m a v olta c o m a
cria n ça se g ura n do-a co m fir m eza, d ep ois to rn ou a en tr a r. E u n em
so ube o q ue p en sa r d aq uilo .”
Apare n te m en te , K en dra a ch ou q ue m udar p ara G odric ’s H ollo w
se ria a o portu nid ad e p erfe ita d e e sc o nder A ria n a p ara se m pre , c o is a
que pro vav elm en te vin ha pla n eja n do hav ia an os. O m om en to era
oportu no. A ria n a a in da n ão c o m ple ta ra s e te a n os q uan do d eix ou d e s e r
vis ta , e se te a n os é a id ad e e m q ue, se e x is tir , a m ag ia se re v ela rá ,
se g undo a m aio ria d os e stu dio so s. N en hum a d as p esso as a in da v iv as
se le m bra d e A ria n a d em onstr a r o m en or p en dor p ara a m ag ia . P are ce
ev id en te , p orta n to , q ue K en dra te n ha d ecid id o e sc o nder a e x is tê n cia
da filh a p ara n ão so fre r a v erg onha d e a d m itir q ue d era à lu z u m a
bru xa ab orta d a. A fa sta r- s e dos am ig os e viz in hos que co nhecia m
Aria n a, n atu ra lm en te , t o rn aria a s u a p ris ã o e m c asa t a n to m ais f á cil. O
peq uen o núm ero de pesso as que a partir daí co nhecera m su a
ex is tê n cia guard aria o se g re d o, in clu siv e se u s dois ir m ão s, que
co nto rn av am a s p erg unta s e m bara ço sa s c o m a r e sp osta q ue a m ãe l h es
en sin ara : “ M in ha i r m ã é m uito d oen tin ha p ara f re q üen ta r a e sc o la .”
Na pró xim a se m an a: A lv o D um ble d ore em H ogw arts — os
prê m io s e o f in gim en to .
Harry tin ha s e e n gan ad o: o q ue a cab ara d e le r f e z c o m q ue s e s e n tis se p io r.
Ele to rn ou a c o nte m pla r a fo to d a fa m ília a p are n te m en te fe liz . S eria v erd ad e?

Com o p oderia d esc o brir ? Q ueria ir a G odric ’s H ollo w , a in da q ue B atild a n ão
estiv esse e m c o ndiç õ es d e c o nvers a r c o m e le ; q ueria v is ita r o lu gar e m q ue e le e
Dum ble d ore tin ham p erd id o e n te s q uerid os. Já e sta v a b aix an do o jo rn al, p ara
perg unta r a o pin iã o d e R ony e H erm io ne, q uan do u m e sta lo e n su rd eced or e co ou
pela c o zin ha.
Pela prim eir a vez em tr ê s dia s, Harry tin ha esq uecid o M onstr o
co m ple ta m en te . N o p rim eir o m om en to , p en so u q ue L upin e stiv esse ir ro m pen do
de v olta a o a p ose n to e , p or u m a fra ção d e s e g undo, n ão p erc eb eu o n úm ero d e
pern as q ue a p are cera m s e d eb ate n do n a c o zin ha a o la d o d e s u a c ad eir a . E rg ueu -
se d e u m s a lto e n quan to M onstr o , q ue s e d esv en cilh av a e l h e f a zia u m a p ro fu nda
re v erê n cia , c ro cito u:
— M onstr o r e to rn ou c o m o l a d rã o M undungo F le tc h er, m eu s e n hor.
Mundungo le v an to u-s e c o m d if ic u ld ad e e sa co u a v arin ha; H erm io ne, n o
en ta n to , f o i m ais r á p id a q ue e le .
— E xp ellia rm us!
A v arin ha d e M undungo s a iu v oan do p elo a r e a g aro ta a r e co lh eu . D e o lh os
arre g ala d os, o bru xo se atir o u em dir e ção à esc ad a: R ony derru bou-o e
Mundungo b ate u n o p is o d e p ed ra c o m u m r u íd o a b afa d o.
— Q uê? — b erro u, c o nto rc en do-s e e m te n ta tiv as p ara s e liv ra r d as g arra s
de R ony. — Q ue f o i q ue e u f iz ? M an dan do u m d esg ra çad o d e u m e lf o d om éstic o
atr á s d e m im , q ue b rin cad eir a é e ssa , q ue f o i q ue e u f iz , m e s o lte , m e s o lte , o u...
— V ocê n ão e stá e m p osiç ão d e f a zer a m eaças — d is se H arry . E , a tir a n do o
jo rn al p ara o la d o, a tr a v esso u a c o zin ha e m p ouco s p asso s e s e a jo elh ou a o la d o
de M undungo, q ue p aro u d e lu ta r a te rro riz ad o. R ony s e le v an to u, o fe g an do, e
fic o u obse rv an do H arry ap onta r delib era d am en te a varin ha para o nariz do
bru xo. M undungo f e d ia a s u or v elh o e f u m aça d e ta b aco : s e u s c ab elo s e sta v am
em bara çad os e a s v este s m an ch ad as.
— M onstr o p ed e d esc u lp as p ela d em ora e m tr a zer o la d rã o , m eu s e n hor —
cro cito u o elf o . — Fle tc h er sa b e co m o ev ita r se r cap tu ra d o, te m m uito s
esc o nderijo s e c ú m plic es. M esm o a ssim , M onstr o a cab ou e n cu rra la n do o l a d rã o .
— V ocê fe z u m ó tim o s e rv iç o , M onstr o — d is se H arry , e o e lf o fe z n ova
re v erê n cia .
“C erto , t e m os a lg um as p erg unta s a l h e f a zer” , d is se H arry a M undungo, q ue
im ed ia ta m en te g rito u:
— E ntr e i e m p ân ic o , o .k .? N unca q uis i r , s e m q uere r o fe n der, c o le g a, n unca
me o fe re ci p ara m orre r p or v ocê, e o in fe liz d o V ocê-S ab e-Q uem v eio v oan do
dir e to p ara m im , q ualq uer p esso a te ria s e m an dad o, e u d is se o te m po to do q ue
não q ueria f a zer...
— P ara su a in fo rm ação , n en hum d os o utr o s d esa p ara to u -in te rro m peu -o

Herm io ne.
— O ra , v ocês s ã o m etid os a h eró is , é o q ue s ã o , m as e u n unca fin gi q ue
pre te n dia m e m ata r...
— N ão e sta m os i n te re ssa d os e m s u as r a zõ es p ara a b an donar O lh o-T onto —
dis se H arry , c h eg an do a v arin ha m ais p erto d os o lh os e m pap uçad os e v erm elh os
do b ru xo. — N ós j á s a b ía m os q ue v ocê n ão p re sta v a.
— E ntã o , p or q ue d ia b os e sto u s e n do c açad o p or e lf o s d om éstic o s? O u é
aq uela h is tó ria d as ta ças n ovam en te ? N ão te n ho m ais n en hum a c o m ig o, s e n ão
você p oderia f ic ar c o m e la s...
— T am bém n ão q uere m os f a la r d e ta ças, e m bora v ocê e ste ja e sq uen ta n do.
Cale a b oca e o uça — d is se H arry .
Era u m a s e n sa ção m ara v ilh osa te r o q ue fa zer, te r a lg uém d e q uem e x ig ir
um a p eq uen a p arc ela d e v erd ad e. A v arin ha d e H arry a g ora e sta v a tã o p ró xim a
da p onte d o n ariz d e M undungo q ue o b ru xo f ic ara v esg o te n ta n do n ão p erd ê-la
de v is ta .
— Q uan do v ocê lim pou e sta c asa d e tu do q ue tin ha v alo r... — c o m eço u
Harry , m as M undungo i n te rro m peu -o o utr a v ez.
— S ir iu s n unca l ig ou p ara a q uela l ix aria ...
Ouvir a m u m s o m d e p ezin hos a p re ssa d os, u m la m pejo d e c o bre re lu zen te ,
um a b atid a m etá lic a e re sso nan te e u m g rito d e d or: M onstr o tin ha c o rrid o a té
Mundungo, a certa n do-o n a c ab eça c o m u m a c açaro la .
— T ir a ele d aí, tir a ele d aí, ele d ev ia se r p re so ! — b erro u o b ru xo, se
en co lh en do q uan do M onstr o t o rn ou a e rg uer a c açaro la d e f u ndo p esa d o.
— M onstr o , n ão ! — g rito u H arry .
Os b ra ço s fin os d e M onstr o estr e m ecera m so b o p eso d a caçaro la q ue
se g ura v a n o a lto .
— S ó m ais u m a v ez, m eu s e n hor H arry , p ara d ar s o rte . R ony r iu .
— P re cis a m os d ele c o nsc ie n te , M onstr o , m as, se h ouver n ecessid ad e d e
pers u ad i- lo , v ocê f a rá a s h onra s d a c asa — d is se H arry .
— M uito , m uito obrig ad o, m eu se n hor — dis se M onstr o co m um a
re v erê n cia , e r e cu ou a lg uns p asso s, s e u s g ra n des o lh os c la ro s a in da p re g ad os e m
Mundungo, c o m r e p ugnân cia .
— Q uan do você lim pou esta casa de to dos os valo re s que co nse g uiu
en co ntr a r — co m eço u H arry novam en te — , le v ou um m onte de co is a s do
arm ário da co zin ha. H av ia ali um m ed alh ão . — A boca de H arry fic o u
re p en tin am en te s e ca: e le s e n tiu a te n sã o e a e x cita ção e m R ony e H erm io ne. —
Que f o i q ue v ocê f e z c o m e le ?
— P or q uê? — p erg unto u M undungo. — T in ha v alo r?
— V ocê o g uard ou! — g rito u H erm io ne.

— N ão , não guard ou — dis se R ony co m pers p ic ácia . — Ele está
im ag in an do s e p oderia t e r p ed id o m ais d in heir o p or e le .
— M ais ? — r e sp ondeu o b ru xo. — P ô, te ria s id o d if íc il... e n tr e g uei a q uele
tr o ço d e g ra ça. N ão t iv e e sc o lh a.
— C om o a ssim ?
— E sta v a v en den do c o is a s n o B eco D ia g onal e a m ulh er c h eg a p ra m im e
perg unta s e e u te n ho lic en ça p ara n eg ocia r a rte fa to s m ág ic o s. U m a d esg ra çad a
metid a. Ia m e m ulta r, m as g osto u d o m ed alh ão e d is se q ue ia le v ar e d eix ar
bara to d aq uela v ez e q ue e u m e d esse p or f e liz .
— Q uem e ra a m ulh er? — p erg unto u H arry .
— N ão s e i, u m a m eg era d o M in is té rio .
Mundungo p aro u p ara p en sa r u m i n sta n te , e n ru gan do a t e sta .
— M ulh er p eq uen a. L aço d e f ita n a c ab eça.
Ele f ra n ziu m ais u m p ouco a t e sta e a cre sc en to u:
— C ara d e s a p a.
Harry d eix ou c air a v arin ha: o o bje to b ate u n o n ariz d e M undungo e s o lto u
fa ís c as v erm elh as n as s o bra n celh as d ele , q ue p eg ara m f o go.

Aguam en ti
! — g rito u H erm io ne, e u m j a to d e á g ua s a iu d e s u a v arin ha e
co briu o b ru xo, q ue c u sp ia á g ua e s e e n gasg av a. H arry e rg ueu o s o lh os e v iu o
se u p ró prio c h oque re fle tid o n os ro sto s d e R ony e H erm io ne. A s c ic atr iz es n o
dors o d e s u a m ão d ir e ita p are cia m e sta r f o rm ig an do o utr a v ez.

1 2
M agia é p od er
À m ed id a q ue a g osto fo i p assa n do, o q uad ra d o d e c ap im a lto n o m eio d o
l a rg o G rim mau ld fo i se can do ao so l até se to rn ar m arro m e q ueb ra d iç o . O s
h ab ita n te s d o n úm ero d oze n unca e ra m v is to s p or n in guém d as c asa s v iz in has,
n em o n úm ero d oze e m s i. O s t r o uxas q ue m ora v am n o l a rg o h av ia m uito t e m po
t in ham a ceita d o o d iv ertid o e rro d e n um era ção q ue d eix ara o n úm ero o nze a o
l a d o d o n úm ero t r e ze.
E, n o e n ta n to , o la rg o, a o s p ouco s, v in ha a tr a in do v is ita n te s q ue p are cia m
a ch ar a a n om alia m uito c u rio sa . N ão s e p assa v a u m d ia s e m q ue u m a o u d uas
p esso as c h eg asse m a o lu gar s e m o utr o o bje tiv o, o u a ssim p are cia , q ue n ão o d e
s e d eb ru çar n as g ra d es d ia n te d os n úm ero s o nze e tr e ze, p ara o bse rv ar a e m en da
d as d uas c asa s. N ão e ra m se m pre o s m esm os, d ois d ia s se g uid os, e m bora se
p are cesse m na av ers ã o por ro upas co m uns. A m aio ria dos lo ndrin os que
p assa v am pelo s vis ita n te s esta v am aco stu m ad os a tr a je s ex cên tr ic o s e nem
r e p ara v am , ain da que, ocasio nalm en te , um dele s pudesse olh ar para tr á s
i m ag in an do p or q ue a lg uém u sa ria c ap as t ã o c o m prid as n aq uele c alo r.
Os cu rio so s não pare cia m ex tr a ir gra n de sa tis fa ção de su a vig ília . P or
v ezes, u m d ele s p artia e m d ir e ção à c asa , a g ita d o, c o m o s e , e n fim , tiv esse v is to
a lg o i n te re ssa n te , a p en as p ara a cab ar r e cu an do, d esa p onta d o.
No p rim eir o d ia d e s e te m bro , h av ia m ais p esso as r o ndan do o la rg o d o q ue
j a m ais h ouvera . M eia d úzia d e h om en s co m lo ngas cap as p ara ra m ate n to s e
s ile n cio so s, o bse rv an do, c o m o s e m pre , a s c asa s o nze e tr e ze, m as a c o is a q ue
e sp era v am v er c o ntin uav a a lh es e sc ap ar. À m ed id a q ue a n oite fo i c ain do e
t r a zen do, pela prim eir a vez em se m an as, in esp era d as ra ja d as de ch uva fria ,
o co rre u u m d esse s m om en to s in ex plic áv eis e m q ue e le s tiv era m a im pre ssã o d e
t e r v is to a lg o i n te re ssa n te . O h om em d e c ara t o rta a p onto u-o p ara o c o m pan heir o
m ais pró xim o, um hom em pálid o e gord uch o, e am bos av an çara m , m as,
m om en to s d ep ois , r e to m ara m a d esc o ntr a íd a in ativ id ad e a n te rio r, c o m u m a r d e
c o ntr a rie d ad e e d ecep ção .
Entr e m en te s, no in te rio r do núm ero doze, H arry acab ara de en tr a r no
c o rre d or. Q uase p erd era o eq uilíb rio q uan do ap ara to u n o d eg ra u à fre n te d a
p orta , e ach ou que os C om en sa is da M orte pudesse m te r perc eb id o o se u
c o to velo m om en ta n eam en te à m ostr a . F ech an do c o m c u id ad o a p orta a o p assa r,
t ir o u a C ap a da In vis ib ilid ad e, pen duro u-a no bra ço e co rre u pelo co rre d or

lú gubre e m d ir e ção a o p orã o , a p erta n do n a m ão o e x em pla r d o
Pro fe ta D iá rio
que r o ubara .
O s u ssu rro h ab itu al d e “
Severo S nape
?” sa u dou-o , o v en to g ela d o p asso u
por e le e s u a l ín gua e n ro lo u p or u m i n sta n te .
— E u n ão o m ate i — re sp ondeu , q uan do p ôde, e p re n deu a re sp ir a ção
en quan to o esp ectr o p oeir e n to ex plo dia . A guard ou até alc an çar a m eta d e d a
esc ad a d a c o zin ha, fo ra d o a lc an ce d a sra . B la ck e d a n uvem d e p oeir a , p ara
grita r: — T ro uxe n otíc ia s, e v ocês n ão v ão g osta r.
A co zin ha esta v a quase ir re co nhecív el. Todas as su perfíc ie s ag ora
brilh av am : a s p an ela s e ta ch os d e c o bre tin ham s id o p olid os a té a d quir ir e m u m
brilh o r o sa d o, o t a m po d a m esa d e m ad eir a l u zia , a s t a ças e p ra to s, j á p osto s p ara
o ja n ta r, cin tila v am à lu z das ch am as viv as que dan çav am na la re ir a , onde
fu m eg av a u m c ald eir ã o . N ad a n o a p ose n to , p oré m , a p re se n ta v a u m a m udan ça
mais d ra m átic a d o q ue o e lf o d om éstic o , q ue a g ora v eio c o rre n do r e ceb er H arry ,
vestid o c o m u m a a lv ís sim a to alh a, o s p êlo s d e s u a o re lh a lim pos e fo fo s c o m o
alg odão , o m ed alh ão d e R ég ulo b ala n çan do n o p eito m ag ro .
— T ir e o s s a p ato s, p or fa v or, m eu s e n hor H arry , e la v e a s m ão s a n te s d o
ja n ta r — c ro cito u M onstr o , a p an han do a C ap a d a In vis ib ilid ad e e s a cu din do-a
para p en dura r e m u m g an ch o n a p are d e, a o la d o d e v ária s v este s a n tiq uad as
re cém -la v ad as.
— Q ue aco nte ceu ? — perg unto u R ony, ap re en siv o. Ele e H erm io ne
estiv era m e stu dan do u m m aço d e a n ota çõ es e m ap as f e ito s à m ão , e q ue c o bria m
um a d as e x tr e m id ad es d a lo nga m esa d a c o zin ha. A gora , n o e n ta n to , p ara ra m
para obse rv ar a ap ro xim ação de H arry , que atir o u o jo rn al em cim a dos
perg am in hos e sp alh ad os.
Um a g ra n de fo to d e u m h om em d e cab elo s n eg ro s, n ariz cu rv o, m uito
co nhecid o dos tr ê s, en caro u-o s so b a man ch ete :
SE VERO SN APE
CO NFIR M AD O D IR ETO R D E H OGW ARTS.
— N ão ! — e x cla m ara m R ony e H erm io ne.
A g aro ta f o i m ais r á p id a; a g arro u o jo rn al e c o m eço u a le r a n otíc ia e m v oz
alta .
— Severo Snape, há anos pro fe sso r de P oçõ es na E sc o la de M agia e
Bru xa ria d e H ogw arts , fo i h oje n om ea do d ir e to r n a m udança m ais im porta nte
en tr e a s q ue fo ra m re a liz a das n o c o rp o d ocen te d a tr a dic io nal e sc o la . A le to
Carro w a ssu m ir á a f u nçã o d e p ro fe sso ra d e E stu dos d os T ro uxa s f a ce a o p ed id o
de d em is sã o d a t itu la r, e n quanto s e u i r m ão, A m ic o , o cu pará o p osto d e p ro fe sso r
de D efe sa c o ntr a a s A rte s d as T re va s.
“A gra deço a o portu nid ade d e d efe n der o s m elh ore s va lo re s e tr a diç õ es
bru xo s...”

— S uponho q ue se ja m m ata r e c o rta r o re lh as! S nap e, d ir e to r! S nap e n o
gab in ete de D um ble d ore : pela s calç as de M erlim ! — guin ch ou H erm io ne,
so bre ssa lta n do H arry e R ony. E la se le v an to u da m esa de um sa lto e se
pre cip ito u p ara f o ra d a c o zin ha, g rita n do: - V olto e m u m m in uto !
— P ela s c alç as d e M erlim ? — re p etiu R ony, a ch an do g ra ça. — E la d ev e
esta r b em p ertu rb ad a.
Ele p uxou o j o rn al p ara p erto e c o rre u o s o lh os p elo a rtig o s o bre S nap e.
— O s o utr o s p ro fe sso re s n ão v ão aceita r is so . M cG onag all, F litw ic k e
Spro ut sa b em a v erd ad e, sa b em co m o D um ble d ore m orre u . N ão v ão aceita r
Snap e c o m o d ir e to r. E q uem s ã o e sse s C arro w ?
— C om en sa is d a M orte — r e sp ondeu H arry . — T em f o to s d ele s a í d en tr o .
Esta v am n o a lto d a to rre q uan do S nap e m ato u D um ble d ore , é a re u niã o d os
am ig os. E — c o ntin uou H arry , a m arg ura d o, p uxan do u m a c ad eir a — n ão v ejo
opção para os outr o s pro fe sso re s se n ão perm an ecere m nos carg os. Se o
Min is té rio e V old em ort e stã o a p oia n do S nap e, te rã o d e e sc o lh er e n tr e fic ar e
en sin ar o u p assa r u ns a n in hos e m A zk ab an , is to é , s e tiv ere m s o rte . C alc u lo q ue
fic arã o , p ara t e n ta r p ro te g er o s a lu nos.
Monstr o v eio a p re ssa d o e m d ir e ção à m esa , tr a zen do u m a g ra n de te rrin a
nas m ão s, e s e rv iu a s o pa n os p ra to s i m acu la d os, a sso -v ia n do e n tr e o s d en te s.
— O brig ad o, M onstr o — d is se H arry , f e ch an do o P ro fe ta p ara n ão p re cis a r
olh ar p ara a c ara d e S nap e. — B em , p elo m en os s a b em os e x ata m en te o nde e le
está a g ora .
Harry c o m eço u a l e v ar a c o lh er d e s o pa à b oca. A q ualid ad e d a c u lin ária d e
Monstr o tin ha m elh ora d o dra stic am en te desd e que gan hara o m ed alh ão de
Rég ulo : a s o pa d e c eb ola d e h oje e ra a m elh or q ue H arry j á p ro vara .
— A in da te m u m a p á d e C om en sa is d a M orte v ig ia n do a c asa - d is se e le a
Rony en quan to co m ia — , m ais do que de co stu m e. E co m o se estiv esse m
esp era n do q ue a g en te sa ís se carre g an do o s m alõ es d a esc o la p ara to m ar o
Expre sso d e H ogw arts .
Rony c o nsu lto u o r e ló gio .
— E stiv e p en sa n do n is so o d ia t o do. O e x pre sso p artiu f a z u m as s e is h ora s.
É e sq uis ito n ão e sta r a b ord o, n ão é ?
Harry p are ceu r e v er e m im ag in ação a M aria F um aça, q uan do e le e R ony a
se g uir a m p elo a r, tr e m elu zin do p or c am pos e m onta n has, u m a la g arta v erm elh a
ondula n do so bre tr ilh os. T in ha c erte za d e q ue G in a, N ev ille e L una e sta v am
se n ta d os ju nto s neste m om en to , ta lv ez se perg unta n do onde ele , R ony e
Herm io ne e sta ria m , o u d is c u tin do a m elh or m an eir a d e s a b ota r o n ovo r e g im e d e
Snap e.
— E le s q uase m e v ir a m v olta n do p ara c asa , a g ora h á p ouco - d is se H arry . —

Ate rris se i d e m au j e ito n o d eg ra u d a p orta , e a c ap a e sc o rre g ou u m p ouco .
— F aço i s so t o das a s v ezes. A h, a í v em e la — a cre sc en to u R ony, e stic an do-
se na cad eir a para ver H erm io ne en tr a n do na co zin ha. — E em nom e dos
cu ecõ es f o lg ad os d e M erlim , q ue a co nte ceu ?
— M e l e m bre i d is to a q ui — H erm io ne o fe g av a.
Tra zia n a m ão s u m e n orm e re tr a to e m old ura d o, q ue a p oio u n o c h ão a n te s
de a p an har a b ols in ha d e c o nta s n o a p ara d or d a c o zin ha. A brin do-a , t e n to u f o rç ar
o q uad ro p ara d en tr o , e , e m bora e le f o sse v is iv elm en te g ra n de d em ais p ara c ab er
naq uela bols in ha m in úsc u la , em se g undos desa p are ceu , co m o ta n ta s outr a s
co is a s, e m s u as a m pla s p ro fu ndezas.
— F in eu s N ig ellu s — ex plic o u H erm io ne, atir a n do a b ols a n a m esa d a
co zin ha, c o m o e str o ndo m etá lic o h ab itu al.
— D esc u lp e? — perg unto u R ony, m as H arry en te n deu . A im ag em de
Fin eu s N ig ellu s e ra c ap az d e s a ir d o r e tr a to n o l a rg o G rim mau ld e v is ita r o o utr o
que h av ia p en dura d o n o g ab in ete d o d ir e to r d e H ogw arts : a s a la c ir c u la r n o a lto
da to rre onde, se m dúvid a, S nap e esta v a se n ta d o neste m om en to , na posse
tr iu nfa l da co le ção de delic ad os obje to s m ág ic o s de pra ta que perte n cera a
Dum ble d ore : a P en se ir a , o C hap éu S ele to r e , a n ão s e r q ue a tiv esse m le v ad o
para o utr o l u gar, a e sp ad a d e G ry ff in dor.
— S nap e p oderia m an dar F in eu s N ig ellu s d ar u m a o lh ad a a q ui e m c asa
para e le — e x plic o u H erm io ne a R ony, t o rn an do a o cu par o s e u l u gar à m esa . —
Que e x perim en te f a zer is so a g ora , s ó o q ue F in eu s v ai v er é o in te rio r d a m in ha
bols a .
— B em p en sa d o! — e x cla m ou R ony, i m pre ssio nad o.
— O brig ad a — s o rriu H erm io ne, p uxan do o p ra to d e s o pa p ara p erto . —
Entã o , H arry , q ue m ais a co nte ceu h oje ?
— N ad a. V ig ie i a e n tr a d a d o M in is té rio d ura n te s e te h ora s. N em s in al d ela .
Mas v i s e u p ai, R ony. E stá c o m ó tim a a p arê n cia .
Rony a g ra d eceu , c o m a c ab eça, a n otíc ia . E le s tin ham c o nco rd ad o q ue e ra
perig oso d em ais te n ta r s e c o m unic ar c o m o s r. W easle y e n tr a n do o u s a in do d o
Min is té rio , porq ue esta v a se m pre cerc ad o por outr o s fu ncio nário s.
Tra n qüiliz av a, p oré m , v ê-lo n esse s r á p id os r e la n ces, m esm o q ue p are cesse m uito
an sio so e e sg ota d o.
— P ap ai n os c o nto u q ue a m aio ria d os fu ncio nário s d o M in is té rio u sa a
Red e d e F lu p ara ir tr a b alh ar — d is se R ony — É p or is so q ue n ão te m os v is to a
Um brid ge, q ue j a m ais a n daria a p é. E la s e a ch a m uito i m porta n te .
— E aq uela velh a bru xa en gra çad a e o bru xo m iú do de veste s azu l-
marin ho? — p erg unto u H erm io ne.
— A h, é , o c ara d a M an ute n ção M ág ic a — r e sp ondeu R ony.

— C om o sa b e que ele tr a b alh a na M an ute n ção M ág ic a? — to rn ou
Herm io ne, c o m a c o lh er d e s o pa s u sp en sa n o a r.
— P ap ai f a lo u q ue to do o m und o q ue tr a b alh a n o d ep arta m en to u sa v este s
azu l- m arin ho.
— M as v ocê n unca n os d is se i s so !
Herm io ne la rg ou a c o lh er e p uxou p ara p erto o m aço d e a n ota çõ es e m ap as
que e la e R ony e sta v am e x am in an do q uan do H arry e n tr o u n a c o zin ha.
— N ão h á n ad a a q ui q ue fa le e m v este s a zu l- m arin ho, n ad a! -d is se e la ,
fo lh ean do o s p ap éis f e b rilm en te .
— O ra , f a z m esm o d if e re n ça?
— R ony,
tu do
fa z d if e re n ça! S e v am os e n tr a r n o M in is té rio s e m n os tr a ir ,
sa b en do que ele s estã o su pera te n to s ao s in tr u so s, cad a deta lh ezin ho fa z
dif e re n ça! Já re p assa m os is so m il v ezes, q uero d iz er, d e q ue ad ia n ta m to das
essa s v ia g en s d e r e co nhecim en to s e v ocê n em s e d á o t r a b alh o d e n os d iz er...
— C ara m ba, H erm io ne, e sq ueci u m a c o is in ha...
— V ocê e n te n de, n ão , q ue n o m om en to é p ro váv el q ue n ão e x is ta lu gar
mais p erig oso p ara n ós n o m undo d o q ue o M in is té rio d a...
— A ch o q ue d ev ía m os a g ir a m an hã — d is se H arry . H erm io ne p aro u d e
fa la r, o q ueix o c aíd o; R ony e n gasg ou-s e u m p ouco c o m a s o pa.
— A m an hã? — re sp ondeu H erm io ne. — V ocê não está fa la n do sé rio ,
Harry !
— E sto u. A ch o q ue n ão esta re m os m elh or p re p ara d os d o q ue esta m os,
mesm o s e c o ntin uarm os a r o ndar a e n tr a d a d o M in is té rio m ais u m m ês. Q uan to
mais a d ia rm os, m ais d is ta n te o m ed alh ão f ic ará . E s e m pre h á u m a b oa c h an ce d e
que a U m brid ge o t e n ha j o gad o f o ra ; a c o is a n ão a b re .
— A n ão s e r — le m bro u R ony — q ue e la te n ha a rra n ja d o u m je ito d e a b rir
e e ste ja p ossu íd a.
— N ão f a ria a m en or d if e re n ça, e la j á e ra m alig na d esd e o c o m eço — d is se
Harry , s a cu din do o s o m bro s.
Herm io ne m ord ia o s l á b io s, a b so rta e m s e u s p en sa m en to s.
— Já sa b em os tu do q ue é im porta n te — c o ntin uou H arry , d ir ig in do-s e à
am ig a. — Sab em os que para ra m de ap ara ta r e desa p ara ta r no M in is té rio .
Sab em os q ue s ó o s f u ncio nário s m ais g ra d uad os p odem te r s u as c asa s lig ad as à
Red e de Flu , porq ue R ony ouviu aq uele s dois in om in áv eis re cla m an do. E
sa b em os, m ais o u m en os, o nde f ic a a s a la d a U m brid ge, p or a q uela c o nvers a q ue
você o uviu d o c ara c o m o c o le g a...
— “ E sta re i n o N ív el u m , a D olo re s q uer m e v er” — re p etiu -a H erm io ne
im ed ia ta m en te .
— E xato — d is se H arry . — E sa b em os q ue ele s en tr a m u sa n do u m as

moed as e n gra çad as, o u f ic h as, o u o q ue s e ja m , p orq ue v i a q uela b ru xa p ed in do
um a e m pre sta d a à a m ig a...
— M as n ão t e m os n en hum a!
— S e o p la n o f u ncio nar, a rra n ja re m os — c o ntin uou H arry , c alm am en te .
— N ão s e i n ão , H arry ... te m u m m ontã o d e c o is a s q ue p odem d ar e rra d o,
sã o t a n ta s a s q ue d ep en dem d a s o rte ...
— Is so não vai m udar, m esm o que a gen te gaste m ais tr ê s m ese s se
pre p ara n do — r e p lic o u H arry . — A h ora é e ssa .
Ele p erc eb eu p ela s cara s d e R ony e H erm io ne q ue o s am ig os esta v am
am ed ro nta d os; e e le p ró prio n ão s e s e n tia tã o c o nfia n te a ssim , m as tin ha c erte za
de q ue c h eg ara a h ora d e p ôr o p la n o e m a ção .
Tin ham g asta d o a s q uatr o s e m an as a n te rio re s s e re v ezan do s o b a C ap a d a
In vis ib ilid ad e p ara e sp io nar a e n tr a d a o fic ia l d o M in is té rio , q ue R ony, g ra ças a o
sr. W easle y, c o nhecia d esd e a i n fâ n cia . O s g aro to s t in ham s e g uid o f u ncio nário s a
cam in ho do M in is té rio , ouvid o su as co nvers a s e desc o berto , atr a v és de
cu id ad osa o bse rv ação , q uais d ele s a p are cia m in fa liv elm en te s o zin hos, à m esm a
hora to dos o s d ia s. D e v ez e m q uan do, tin ham tid o o portu nid ad e d e fu rta r u m
Pro fe ta D iá rio
d a p asta d e a lg uém . A os p ouco s, f o ra m p re p ara n do o s d ia g ra m as
e a n ota çõ es a g ora e m pilh ad os d ia n te d e H erm io ne.
— T udo b em — d is se R ony, le n ta m en te — , d ig am os q ue a g en te te n te
am an hã... a ch o q ue d ev ía m os i r s ó o H arry e e u .
— A h, n ão c o m ece c o m is so o utr a v ez! — s u sp ir o u H erm io ne. - P en se i q ue
is so j á e sta v a d ecid id o.
— U m a c o is a é fic ar p ara d o n as e n tr a d as p ro te g id o p ela c ap a, m as d esta
vez a co is a é dif e re n te , H erm io ne. — R ony ap onto u para um ex em pla r do
Pro fe ta D iá rio
d e d ez d ia s a n te s. — V ocê e stá n a lis ta d os n asc id os tr o uxas q ue
não s e a p re se n ta ra m p ara o i n te rro gató rio !
— E v ocê s u posta m en te e stá m orre n do d e s a ra p in to se n ’A T oca! S e a lg uém
dev e fic ar, é o H arry , a n uncia ra m u m p rê m io d e d ez m il g ale õ es p ela c ab eça
dele ...
— Ó tim o, fic are i aq ui. N ão se esq ueçam d e m e av is a r se co nse g uir e m
derro ta r V old em ort, t á ?
Enquan to R ony e H erm io ne r ia m , a d or a tr a v esso u a c ic atr iz e m s u a te sta .
Harry e rg ueu s u bita m en te a m ão : v iu a a m ig a a p erta r o s o lh os, e t e n to u d is fa rç ar
o m ovim en to , a fa sta n do o s c ab elo s d a t e sta .
— B em , s e n ós tr ê s fo rm os, te re m os q ue d esa p ara ta r s e p ara d os -R ony fo i
diz en do. — N ão c ab em os m ais e m baix o d a c ap a j u nto s.
A d or n a c ic atr iz d e H arry f o i s e i n te n sif ic an do. E le s e le v an to u. N a m esm a
hora , M onstr o c o rre u p ara e le .

— O m eu s e n hor n ão te rm in ou a s o pa, o m eu s e n hor p re fe re u m e n so pad o
gosto so , o u e n tã o a t o rta d e c ara m elo q ue o m eu s e n hor g osta t a n to ?
— O brig ad o, M onstr o , m as v olta re i e m u m m in uto ... ã h ... b an heir o .
Consc ie n te de que H erm io ne o obse rv av a desc o nfia d a, H arry su biu
co rre n do a esc ad a até o co rre d or d e en tr a d a e d ali ao p rim eir o an dar, o nde
em bara fu sto u p elo b an heir o e tr a n co u a p orta . G em en do d e d or, d eb ru ço u-s e n a
pia p re ta c o m t o rn eir a s e m f o rm a d e s e rp en te s d e b ocas e sc an cara d as e f e ch ou o s
olh os...
Ele e sta v a d esliz an do p or u m a r u a a o c re p úsc u lo . D e c ad a la d o, o s p ré d io s
tin ham t e lh ad os a lto s d e d uas á g uas; p are cia m c asa s d e b is c o ito s.
Ao se ap ro xim ar d e u m d ele s v iu a b ra n cu ra d a p ró pria m ão d e d ed os
lo ngos e n co sta r n a p orta . B ate u . S en tiu u m a c re sc en te a g ita ção ...
A p orta a b riu : à e n tr a d a, s u rg iu u m a m ulh er s o rrid en te . S eu r o sto a p are n to u
desa p onta m en to a o v er H arry , o b om h um or s u m iu s u bstitu íd o p elo t e rro r...
— G re g oro vitc h ? — d is se a v oz a g uda e f ria .
A m ulh er s a cu diu a c ab eça: e sta v a te n ta n do fe ch ar a p orta . A m ão b ra n ca
se g uro u-a c o m f ir m eza, i m ped in do q ue a m ulh er o d eix asse d e f o ra ...
— P ro cu ro G re g oro vitc h .

Er w ohnt h ie r n ic h t m eh r
! — e x cla m ou e la , b ala n çan do a c ab eça. -E le
não m ora r a q ui! E le n ão m ora r a q ui! N ão c o nhecer e le !
Aban donan do a t e n ta tiv a d e f e ch ar a p orta , e la c o m eço u a r e cu ar p ara o h all
esc u ro , e H arry e n tr o u, d esliz an do a o se u e n co ntr o ; a s m ão s d e lo ngos d ed os
sa cara m a v arin ha.
— O nde e stá e le ?

Das w eis s i c h n ic h t
! E le m udar! N ão s a b er, n ão s a b er!
Ele e rg ueu a v arin ha. E la g rito u. D uas c ria n ças e n tr a ra m c o rre n do n o h all.
Ela t e n to u p ro te g ê-la s c o m o s b ra ço s. H ouve u m l a m pejo d e l u z v erd e...
— H arry ! H ARRY !
Ele a b riu o s o lh os; d esfa le cera n o c h ão . H erm io ne b atia c o m f o rç a n a p orta .
— H arry , a b ra !
Tin ha b erra d o, s a b ia q ue s im . L ev an to u-s e e d estr a n co u a p orta ; H erm io ne
en tr o u a o s tr o peço s, re cu pero u o e q uilíb rio e o lh ou p ara o s la d os, d esc o nfia d a.
Rony v in ha l o go a tr á s, p are cen do n erv oso a o a p onta r a v arin ha p ara o s c an to s d o
ban heir o g ela d o.
— Q ue e sta v a f a zen do? — p erg unto u H erm io ne c o m s e v erid ad e.
— Q ue a ch a q ue e u e sta v a fa zen do? — re sp ondeu H arry e m u m a d éb il
te n ta tiv a d e d esa fio .
— V ocê e sta v a a o s b erro s! — e x plic o u R ony.
— A h s im ... d ev o t e r c o ch ila d o o u...

— H arry , p or fa v or n ão in su lte a n ossa in te lig ên cia — to rn ou H erm io ne,
in sp ir a n do p ro fu ndam en te v ária s v ezes. — S ab em os q ue a s u a c ic atr iz d oeu lá
em baix o, e v ocê e stá b ra n co f e ito c al.
Harry s e s e n to u n a b ord a d a b an heir a .
— Ó tim o. A cab ei d e v er V old em ort m ata n do u m a m ulh er. A e ssa a ltu ra , e le
pro vav elm en te já m ato u a f a m ília to da. E n ão p re cis a v a. F oi a m orte d e C ed ric o
re v iv id a, a s p esso as e sta v am
ali
...
— H arry , você não dev ia deix ar is so aco nte cer m ais ! — ex cla m ou
Herm io ne, su a v oz eco an do p elo b an heir o . — D um ble d ore q ueria q ue v ocê
usa sse a O clu m ên cia ! E le a ch ou q ue a l ig ação e ra p erig osa : V old em ort p ode u sá -
la , H arry ! Q ue p ode h av er d e b om e m v ê-lo m ata r e to rtu ra r, d e q ue lh e a d ia n ta
is so ?
— M ostr a o q ue e le a n da f a zen do — r e sp ondeu H arry .
— E ntã o , v ocê n ão v ai n em a o m en os t e n ta r f e ch ar a l ig ação ?
— H erm io ne, n ão c o nsig o. V ocê sa b e q ue so u p éssim o e m O clu m ên cia ,
nunca a p re n di d ir e ito .
— V ocê n unca t e n to u d e v erd ad e! — r e tr u co u a m en in a e x alta d a. — E u n ão
en te n do, H arry , v ocê
gosta
de te r e ssa lig ação , o u r e la ção e sp ecia l, o u s e ja lá o
que f o r...
Ela v acilo u s o b o o lh ar q ue o a m ig o l h e l a n ço u a o s e l e v an ta r d o c h ão .
— G osto ? — d is se e m v oz b aix a. —
Vo cê
g osta ria ?
— E u... n ão ... d esc u lp e, H arry , n ão q uis ...
— O deio , o deio q ue e le s e ja c ap az d e p en etr a r m in ha m en te , q ue e u te n ha
de o bse rv á-lo q uan do é m ais p erig oso . M as v ou u sa r i s so .
— D um ble d ore ...
— E sq ueça D um ble d ore . A e sc o lh a é m in ha, d e m ais n in guém . Q uero s a b er
por q ue e stá a tr á s d e G re g oro vitc h .
— Q uem ?
— U m fa b ric an te e str a n geir o d e v arin has. F oi q uem fa b ric o u a v arin ha d e
Kru m , e K ru m o c o nsid era g en ia l.
— M as, s e g undo v ocê — le m bro u R ony — , V old em ort m an té m O liv ara s
pre so e m a lg um lu gar. E , s e já te m u m f a b ric an te d e v arin has, p ara q ue e le q uer
outr o ?
— Talv ez ele co nco rd e co m K ru m , ta lv ez pen se que G re g oro vitc h é
melh or... o u ta lv ez p en se q ue G re g oro vitc h s e ja c ap az d e e x plic ar o q ue a m in ha
varin ha f e z q uan do e le m e p ers e g uiu , u m a v ez q ue O liv ara s n ão f o i.
Harry o lh ou p ara o e sp elh o p artid o e e m poeir a d o e v iu R ony e H erm io ne
tr o can do o lh are s c étic o s à s s u as c o sta s.
— H arry , você fa la o te m po to do do que a su a varin ha fe z — dis se

Herm io ne — , m as fo i
vo cê
q ue fe z a q uilo a co nte cer! P or q ue te im a ta n to e m
re je ita r a r e sp onsa b ilid ad e p or s e u p ró prio p oder?
— P orq ue s e i q ue n ão fu i e u ! E V old em ort ta m bém s a b e, H erm io ne! N ós
dois s a b em os o q ue r e alm en te a co nte ceu !
Os d ois s e e n cara ra m . H arry s a b ia q ue n ão c o nven cera H erm io ne e q ue e la
se p re p ara v a p ara c o ntr a -a rg um en ta r su as te o ria s: so bre a p ró pria v arin ha e a
in sis tê n cia e m v er a m en te d e V old em ort. P ara s e u a lív io , R ony i n te rv eio .
— D eix a p ra lá — a co nse lh ou-a . — E le é q uem d ecid e. E , se v am os a o
Min is té rio a m an hã, n ão a ch a b om r e p assa rm os o p la n o?
Com u m a re lu tâ n cia v is ív el, H erm io ne p aro u d e d is c u tir , em bora H arry
estiv esse se g uro d e q ue e la v olta ria a a ta car n a p rim eir a o portu nid ad e. N esse
meio -te m po, e le s v olta ra m à c o zin ha, o nde M onstr o s e rv iu a to d os o e n so pad o e
a t o rta d e c ara m elo .
Os tr ê s s ó f o ra m d orm ir ta rd e d a n oite , d ep ois d e p assa re m h ora s r e v en do e
to rn an do a r e v er o p la n o, a té s e re m c ap azes d e r e p eti- lo , u ns p ara o s o utr o s, s e m
erro s. H arry , q ue a g ora o cu pav a o q uarto d e S ir iu s, d eito u-s e e f ic o u a p onta n do a
lu z d a v arin ha p ara a v elh a fo to d e s e u p ai, S ir iu s, L upin e P ettig re w , e g asto u
mais d ez m in uto s m urm ura n do o p la n o p ara s i m esm o. A o a p ag ar a v arin ha, n o
en ta n to , n ão e sta v a p en sa n do n a P oção P olis su co , n em n as V om itilh as, n em n as
veste s azu l- m arin ho da M an ute n ção M ág ic a; pen sa v a em G re g oro vitc h , o
fa b ric an te d e v arin has, e p or q uan to te m po e le te ria e sp era n ça d e s e e sc o nder d e
Vold em ort, q ue o p ro cu ra v a c o m t a n ta d ete rm in ação .
O a m an hecer s e s e g uiu à m eia -n oite c o m i n decen te r a p id ez.
— V ocê está co m um a cara horrív el. — F oi o cu m prim en to de R ony
quan do e n tr o u n o q uarto p ara a co rd ar H arry .
— N ão s e rá p or m uito t e m po — r e sp ondeu e le , b oceja n do.
Os d ois e n co ntr a ra m H erm io ne n a c o zin ha. M onstr o lh e se rv ia c afé c o m
pães fre sc o s, e a g aro ta tin ha n o ro sto aq uela ex pre ssã o m an ía ca q ue H arry
asso cia v a à s r e v is õ es p ara a s p ro vas.
— V este s... — d is se e la b aix in ho, r e g is tr a n do a p re se n ça d os d ois c o m u m
acen o d e c ab eça n erv oso e c o ntin uan do a m ex er n a b ols in ha d e c o nta s — P oção
Polis su co ... C ap a d a In vis ib ilid ad e... D eto nad ore s-C ham ariz ... le v em u ns d ois
por p re cau ção ... V om itilh as, N ugá S an gra -N ariz , O re lh as E xte n sív eis ...
Os g aro to s e n golir a m o c afé d a m an hã e to rn ara m a su bir , M onstr o lh es
fa zen do r e v erê n cia s e p ro m ete n do e sp erá -lo s c o m u m e m pad ão d e c arn e e r in s.
— A ben ço ad o se ja — d is se R ony, carin hosa m en te — , e p en sa r q ue já
im ag in ei d ecep ar a c ab eça d ele e p en durá -la n a p are d e!
Ele s s e d ir ig ir a m a o d eg ra u d a p orta c o m im en so c u id ad o: d ali v ir a m u ns
dois C om en sa is d a M orte d e o lh os in ch ad os v ig ia n do a c asa d o o utr o la d o d o

la rg o e n ev oad o. H erm io ne d esa p ara to u c o m R ony p rim eir o , e m s e g uid a, v olto u
para a p an har H arry .
Passa d a a m om en tâ n ea e sc u rid ão e q uase su fo cação d e se m pre , H arry se
viu e m u m a m in úsc u la tr a v essa o nde d ev ia m e x ecu ta r a p rim eir a p arte d o p la n o.
Ain da e sta v a v azia , e x ceto p or d ois la tõ es d e lix o; o s p rim eir o s f u ncio nário s d o
Min is té rio , e m g era l, n ão a p are cia m a li a n te s d as o ito d a m an hã.
— C erto , en tã o — d is se H erm io ne, co nsu lta n do o re ló gio . — E la d ev e
ch eg ar d en tr o d e c in co m in uto s. D ep ois q ue e u a e stu pora r...
— H erm io ne, já sa b em os — d is se R ony c o m ris p id ez. — E p en se i q ue
ía m os a b rir a p orta a n te s d e a b ru xa c h eg ar, n ão ?
Herm io ne d eu u m g ritin ho a g udo.
— Q uase m e e sq ueci! P ara t r á s...
Ela ap onto u a varin ha para a porta de in cên dio a um la d o, fe ch ad a a
cad ead o e t o ta lm en te r a b is c ad a, e e la s e a b riu c o m e str o ndo. O c o rre d or e sc u ro à
mostr a co nduzia , co m o hav ia m re g is tr a d o em su as cu id ad osa s via g en s de
re co nhecim en to , a u m te atr o v azio . H erm io ne to rn ou a p uxar a p orta p ara f a zer
pare cer q ue c o ntin uav a f e ch ad a.
— A gora — c o ntin uou, v ir a n do-s e p ara e n cara r o s a m ig os n a tr a v essa — ,
nos c o brim os n ovam en te c o m a c ap a...
— ... e esp era m os — co m ple to u R ony, atir a n do-a so bre a cab eça de
Herm io ne, co m o se fo sse um a cap a para gaio la de periq uito au str a lia n o, e
re v ir a n do o s o lh os.
Um m in uto d ep ois o u p ouco m ais , o uvir a m u m esta lid o m ín im o e u m a
bru xa m iú da d o M in is té rio , c o m o s c ab elo s g ris a lh os re v olto s, d esa p ara to u a
meio m etr o , p is c an do u m p ouco n a c la rid ad e r e p en tin a; o s o l a cab ara d e s a ir d e
tr á s d e u m a n uvem . E la , n o e n ta n to , n ão te v e te m po d e a p ro veita r o in esp era d o
calo r, p orq ue lo go o sile n cio so F eitiç o E stu pora n te d e H erm io ne a a tin giu n o
peito , e e la d esa b ou.
— P erfe ito , H erm io ne — d is se R ony, e m erg in do d e t r á s d e u m l a tã o à p orta
do te atr o , en quan to H arry desp ia a Cap a da In vis ib ilid ad e. Ju nto s, ele s
carre g ara m a b ru xa p ara o c o rre d or e sc u ro q ue le v av a a o s b astid ore s d o p alc o .
Herm io ne a rra n co u-lh e u ns f io s d e c ab elo d a c ab eça e a d ic io nou-o s a u m f ra sc o
co m a p ard a P oção P olis su co q ue tir a ra d a b ols in ha d e c o nta s. R ony p ro cu ro u
alg um a c o is a n a b ols a d a b ru xa.
— É M afa ld a H opkir k — in fo rm ou ele , le n do u m p eq uen o cra ch á q ue
id en tif ic av a a v ítim a c o m o a ssis te n te d a S eção d e C ontr o le d o U so I n dev id o d a
Mag ia . — É m elh or v ocê l e v ar i s so , H erm io ne, e t o m e a s f ic h as.
Ele lh e e n tr e g ou u m as p eq uen as fic h as d oura d as q ue re tir a ra d a b ols a d a
bru xa, o nde h av ia g ra v ad as a s l e tr a s M .O .M .

Herm io ne b eb eu a P oção P olis su co , a g ora e m u m b elo t o m d e h elio tr ó pio , e
em s e g undos s u rg iu d ia n te d os g aro to s u m d uplo d e M afa ld a H opkir k . Q uan do
ela r e tir o u o s ó cu lo s d a b ru xa e c o lo co u-o s n o r o sto , H arry v erif ic o u o r e ló gio .
— E stá fic an do ta rd e, o sr. M an ute n ção M ág ic a v ai ch eg ar a q ualq uer
se g undo.
Ele s s e a p re ssa ra m e m f e ch ar a p orta p ara e sc o nder a v erd ad eir a M afa ld a;
Harry e R ony s e c o brir a m c o m a C ap a d a I n vis ib ilid ad e, m as H erm io ne f ic o u à
vis ta , a g uard an do. S eg undos d ep ois , o uvir a m u m n ovo
pop
, e u m b ru xo f ra n zin o
co m c ara d e f u rã o a p are ceu d ia n te d ele s.
— A h, o lá , M afa ld a.
— A lô ! — re sp ondeu H erm io ne c o m u m a v oz tr e m id a. — C om o e sta m os
hoje ?
— Nad a bem , para se r fra n co — re p lic o u o bru xo, que pare cia
ex tr e m am en te d ep rim id o.
Herm io ne e o b ru xo ru m ara m p ara a ru a p rin cip al, H arry e R ony e m s u a
co la .
— L am en to s a b er q ue n ão e stá b em — fa lo u H erm io ne c o m fir m eza p or
cim a d a c ab eça d o b ru xo, q uan do e le c o m eço u a e x plic ar o s s e u s p ro ble m as; e ra
esse n cia l d etê -lo a n te s d e c h eg are m à r u a. - T om e, c o m a u m a b ala .
— E h? A h, n ão , o brig ad o...
— E u in sis to ! — to rn ou H erm io ne a g re ssiv am en te , sa cu din do o sa co d e
pastilh as e m s e u r o sto . C om u m a r a ssu sta d o, o b ru xo f ra n zin o s e s e rv iu d e u m a.
O e fe ito f o i i n sta n tâ n eo . A ssim q ue a c o lo co u s o bre a l ín gua, e le c o m eço u a
vom ita r ta n to q ue n em re p aro u q uan do H erm io ne lh e a rra n co u u m p unhad o d e
cab elo s d o a lto d a c ab eça.
— A h, c o ita d o! — e x cla m ou e la , e n quan to o b ru xo su ja v a a tr a v essa d e
vôm ito . — T alv ez s e ja m elh or t ir a r o d ia d e f o lg a!
— N ão ... n ão ! — O h om em tin ha e n gasg os e â n sia s, te n ta n do p ro sse g uir
em bora e stiv esse i n cap az d e a n dar d ir e ito . — T en ho q ue... h oje ... t e n ho q ue i r...
— M as is so é u m a to lic e! — d is se H erm io ne a la rm ad a. — V ocê n ão p ode
tr a b alh ar n esse e sta d o: a ch o q ue d ev ia ir a o S t. M ungus e p ed ir p ara d are m u m
je ito e m v ocê!
O b ru xo c aír a d e q uatr o , a rq ueja n te , a in da t e n ta n do c h eg ar à r u a p rin cip al.
— V ocê s im ple sm en te n ão p ode i r t r a b alh ar a ssim ! — e x cla m ou H erm io ne.
Por fim , e le p are ceu a ceita r q ue a c o le g a tin ha ra zão . A garra n do-s e a u m a
Herm io ne e n oja d a p ara s e p ôr d e p é, e le r o dopio u e d esa p are ceu s e m d eix ar n ad a
ex ceto a p asta q ue R ony tir a ra d e su a m ão e n quan to e le a n dav a c o m a lg uns
ped aço s d e v ôm ito n o a r.
— A rrrre — e x cla m ou H erm io ne, le v an ta n do a s a ia d as v este s p ara e v ita r

as p oças d e v ôm ito . — A s u je ir a te ria s id o b em m en or s e e u tiv esse e stu pora d o
ele t a m bém .
— É — f a lo u R ony, s a in do d eb aix o d a c ap a c o m a p asta d o b ru xo — , m as
ain da a ch o q ue u m m onte d e g en te d esa co rd ad a t e ria c h am ad o m ais a te n ção . E le
gosta m uito d e t r a b alh ar, n ão ? E ntã o , j o ga l o go e ssa p oção c o m o c ab elo .
Em d ois m in uto s, R ony e sta v a d ia n te d ele s, fra n zin o e c o m c ara d e fu rã o
co m o o b ru xo, tr a ja n do a s v este s a zu l- m arin ho q ue e sta v am d obra d as d en tr o d a
pasta d ele .
— E sq uis ito que ele não estiv esse usa n do as veste s hoje , não , pela
an sie d ad e q ue d em onstr a v a e m c h eg ar a o tr a b alh o. E nfim , s o u R eg C atte rm ole ,
se g undo a e tiq ueta n as m in has c o sta s.
— A gora , e sp ere a q ui — d is se H erm io ne a H arry , q ue c o ntin uav a so b a
Cap a d a I n vis ib ilid ad e — , v olta re m os c o m a lg uns c ab elo s p ara v ocê.
O g aro to t e v e q ue e sp era r d ez m in uto s, q ue l h e p are cera m b em m ais l o ngos,
ro ndan do so zin ho a tr a v essa su ja d e v ôm ito , a o la d o d a p orta q ue o cu lta v a a
Mafa ld a e stu pora d a. F in alm en te , R ony e H erm io ne r e ap are cera m .
— N ão s a b em os q uem e le é — d is se H erm io ne, e n tr e g an do a H arry v ário s
fio s de cab elo s cre sp os e neg ro s — , m as fo i para casa co m um horrív el
sa n gra m en to n o n ariz ! T om e a q ui, e le é b em a lto , v ocê v ai p re cis a r d e v este s
maio re s...
Ela tir o u d a b ols a u m c o nju nto d e v este s a n tig as q ue M onstr o la v ara p ara
ele s, e H arry s e r e tir o u p ara t o m ar a p oção e s e t r o car.
Um a v ez c o m ple ta d a a d olo ro sa tr a n sfo rm ação , H arry p asso u a m ed ir m ais
de u m m etr o e o ite n ta e , p elo q ue p ôde se n tir p elo s se u s b ra ço s m usc u lo so s,
tin ha u m fís ic o a v an ta ja d o. T in ha ta m bém u m a b arb a. G uard an do a C ap a d a
In vis ib ilid ad e e o s ó cu lo s s o b a s n ovas v este s, e le s e r e u niu a o s o utr o s d ois .
— C ara m ba, is so é a ssu sta d or — e x cla m ou R ony, e rg uen do a c ab eça p ara
Harry , a g ora m ais a lto q ue e le .
— A pan he u m a d as fic h as d a M afa ld a — d is se H erm io ne a H arry — , e
vam os l o go, s ã o q uase n ove h ora s.
Ele s s a ír a m d a t r a v essa j u nto s. A u ns c in qüen ta m etr o s n a c alç ad a a p in had a,
hav ia gra d es pontia g udas e pre ta s la d ean do duas esc ad as, um a destin ad a a
Cav alh eir o s e o utr a a D am as.
— E ntã o , v ejo v ocês d aq ui a p ouco — d is se H erm io ne n erv osa , e d esc eu
hesita n te a e sc ad a p ara o b an heir o f e m in in o. H arry e R ony s e ju nta ra m a v ário s
hom en s c o m ro upas e str a n has q ue d esc ia m p ara o q ue p are cia s e r u m s im ple s
ban heir o p úblic o d e m etr ô , a zu le ja d o e m p re to e b ra n co e n card id o.
— D ia , R eg ! — cu m prim en to u o utr o b ru xo d e v este s azu l- m arin ho ao
in se rir a f ic h a d oura d a n a r a n hura d a p orta d e u m c u bíc u lo o nde e n tr o u. — U m

pé n o s a co , h ein ? O brig ar a g en te a e n tr a r n o M in is té rio d essa m an eir a ! Q uem
estã o e sp era n do q ue a p are ça, H arry P otte r?
O b ru xo d eu g arg alh ad as c o m a p ró pria p ia d a. R ony f o rç o u u m a r is a d a.
— É , é m uita i m becilid ad e, n ão ?
E e le e H arry e n tr a ra m e m c u bíc u lo s c o ntíg uos. A e sq uerd a e à d ir e ita ,
Harry o uviu b aru lh o d e d esc arg as. A gach ou-s e e e sp io u p elo v ão in fe rio r d o
cu bíc u lo e m te m po d e v er a s b ota s d e a lg uém e n tr a n do n o v aso a o la d o. O lh ou
para a e sq uerd a e v iu R ony p is c an do p ara e le .
— T em os q ue d ar d esc arg a p ara e n tr a r? — s u ssu rro u.
— É o q ue p are ce — s u ssu rro u H arry e m re sp osta ; s u a v oz s a iu g ra v e e
so le n e.
Os d ois s e le v an ta ra m . S en tin do-s e e x cep cio nalm en te to lo , H arry e n tr o u n o
vaso .
Perc eb eu im ed ia ta m en te q ue fiz era a c o is a c erta ; e m bora p are cesse e sta r
den tr o d a ág ua, se u s sa p ato s, p és e v este s co ntin uara m se co s. E le estic o u o
bra ço , p uxou a c o rre n te e , n o m om en to s e g uin te , d esc eu v elo z p or u m c an o c u rto
e e m erg iu e m u m a l a re ir a n o M in is té rio d a M ag ia .
Lev an to u-s e desa je ita d o; ag ora tin ha m uito m ais co rp o do que esta v a
aco stu m ad o. O g ra n de á tr io p are ceu m ais so m brio d o q ue H arry se le m bra v a.
Antig am en te , u m a g ra n de f o nte d oura d a o cu pav a o c en tr o d o s a g uão , p ro je ta n do
fo co s tr e m elu zen te s n o so alh o e n as p are d es d e m ad eir a lu str o sa . A gora , u m a
gig an te sc a está tu a de ped ra neg ra dom in av a o am bie n te . Era um ta n to
ap av ora n te e ssa e n orm e e sc u ltu ra d e u m a b ru xa e u m b ru xo s e n ta d os e m tr o nos
en ta lh ad os, c o nte m pla n do o s f u ncio nário s e je ta d os d as l a re ir a s a b aix o.
Gra v ad as e m le tr a s d e tr in ta c en tím etr o s d e a ltu ra n a b ase d a e stá tu a, h av ia
as p ala v ra s: M AGIA É P O DER .
Harry r e ceb eu u m a f o rte p an cad a a tr á s d as p ern as: o utr o b ru xo a cab ara d e
voar p ara f o ra d a l a re ir a à s s u as c o sta s.
— S ai d o c am in ho, n ão ... a h , d esc u lp e, R unco rn ! V is iv elm en te a ssu sta d o, o
bru xo c are ca a fa sto u-s e d ep re ssa .
Apare n te m en te o h om em d e q uem H arry u su rp ara a id en tid ad e, R unco rn ,
in tim id av a o s o utr o s.
— P siu ! — o uviu e le e , a o o lh ar p ara o s l a d os, a v is to u u m a b ru xa m iu din ha
e u m b ru xo d a M an ute n ção M ág ic a c o m c ara d e f u rã o g estic u la n do p ara e le d o
outr o l a d o d a e stá tu a. R áp id o, H arry f o i s e r e u nir a o s d ois .
— V ocê e n te n deu t u do, e n tã o ? — c o ch ic h ou H erm io ne p ara e le .
— N ão , H arry a in da e stá p re so n a b osta — d is se R ony.
— A h, m uito e n gra çad o... é h orrív el n ão é ? — c o m en to u e la p ara H arry ,
que e stu dav a a e stá tu a. — V ocê v iu n o q ue e le s e stã o s e n ta d os?

Harry o lh ou c o m m ais a te n ção e p erc eb eu q ue a q uilo q ue im ag in ou s e re m
tr o nos o rn am en ta d os e ra m , n a r e alid ad e, e sc u ltu ra s h um an as: c en te n as d e c o rp os
nus, h om en s, m ulh ere s e c ria n ças, to dos c o m fe iç õ es id io ta s e fe ia s, to rc id os e
co m prim id os p ara s u ste n ta r o s b ru xos c o m b elo s t r a je s.
— T ro uxas — s u ssu rro u H erm io ne. — N o lu gar q ue re alm en te lh es c ab e.
Andem , v am os i n do.
Ele s s e j u nta ra m a o f lu xo d e b ru xos e b ru xas q ue s e d ir ig ia m p ara a s g ra d es
doura d as n o f im d o s a g uão , e sp ia n do a t o da v olta o m ais d is c re ta m en te p ossív el,
mas n ão v ir a m sin al d o v ulto cara cte rís tic o d e D olo re s U m brid ge. P assa ra m
pelo s p ortõ es e e n tr a ra m e m u m h all, o nde s e fo rm av am fila s d ia n te d as v in te
gra d es d oura d as q ue e n cerra v am ig ual n úm ero d e e le v ad ore s. T in ham a cab ad o
de e n tr a r n a m ais p ró xim a, q uan do u m a v oz c h am ou:

Catte rm ole
!
Olh ara m : o e stô m ag o d e H arry re v ir o u. U m d os C om en sa is d a M orte q ue
pre se n cia ra a m orte d e D um ble d ore v in ha a la rg os p asso s e m s u a d ir e ção . O s
fu ncio nário s d o M in is té rio , p ró xim os a o s g aro to s, f ic ara m e m s ilê n cio , d e o lh os
baix os; H arry se n tiu o m ed o que perp assa v a por ele s, em ondas. O ro sto
carra n cu do e lig eir a m en te ab ru ta lh ad o do hom em desto av a de su as veste s
mag níf ic as e a m pla s, b ord ad as c o m fio s d e o uro . A lg uém n a m ultid ão à v olta
dos e le v ad ore s c u m prim en to u-o , b aju la d or:
— D ia , Y ax le y ! — O h om em i g noro u t o dos.
— P ed i a lg uém d a M an ute n ção M ág ic a p ara d ar u m je ito n a m in ha s a la ,
Catte rm ole . A in da e stá c h oven do l á d en tr o .
Rony o lh ou p ara o s la d os c o m o s e e sp era sse q ue m ais a lg uém in te rv ie sse ,
mas n in guém f a lo u.
— C hoven do... n a s u a s a la ? I s so ... é m au , n ão ?
Rony d eu u m a r is a d a n erv osa . O s o lh os d e Y ax le y s e a rre g ala ra m .
— V ocê e stá a ch an do g ra ça, C atte rm ole , é ?
Um as d uas b ru xas s a ír a m d a f ila d o e le v ad or e s e a fa sta ra m a fo bad as.
— N ão — r e sp ondeu R ony — , é c la ro q ue n ão ...
— V ocê se d á c o nta d e q ue e sto u d esc en do p ara in te rro gar su a m ulh er,
Catte rm ole ? N a v erd ad e, e sto u m uito s u rp re so q ue v ocê n ão e ste ja lá e m baix o
se g ura n do a m ão dela en quan to esp era . Já desis tiu de aju dá-la porq ue se
co nven ceu d e q ue n ão v ale a p en a? P ro vav elm en te te m r a zão . D a p ró xim a v ez,
certif iq ue-s e d e q ue e stá c asa n do c o m a lg uém d e s a n gue p uro .
Herm io ne d eix ou e sc ap ar u m g ritin ho d e h orro r. Y ax le y v ir o u-s e . E la t o ssiu
baix in ho e s e a fa sto u.
— E u... e u ... — g ag uejo u R ony.
— M as s e
min ha
m ulh er f o sse a cu sa d a d e te r s a n gue r u im — d is se Y ax le y

—, n ão q ue a lg um a m ulh er c o m q uem e u te n ha c asa d o p udesse s e r c o nfu ndid a
co m essa ra lé , e o ch efe d o D ep arta m en to d e E xecu ção d as L eis d a M ag ia
pre cis a sse d e u m s e rv iç o , e u d aria p rio rid ad e a e sse s e rv iç o , C atte rm ole . V ocê
está m e e n te n den do?
— E sto u.
— Entã o vá cu id ar dis so , C atte rm ole , e se m in ha sa la não estiv er
co m ple ta m en te s e ca d en tr o d e u m a h ora , o R eg is tr o S an güín eo d e s u a m ulh er
esta rá s o b u m a d úvid a m aio r d o q ue j á e stá .
A g ra d e d oura d a d ia n te d ele s a b riu e str e p ito sa m en te . C om u m a cen o d e
cab eça e u m s o rris o d esa g ra d áv el a H arry , q ue e le e v id en te m en te e sp era v a q ue
ap re cia sse o tr a ta m en to d is p en sa d o a C atte rm ole , Y ax le y sa iu m aje sto sa m en te
em d ir e ção a o utr o e le v ad or. H arry , R ony e H erm io ne e n tr a ra m n o o utr o , q ue
ag uard av am , m as n in guém o s aco m pan hou: p are cia q ue tin ham u m a d oen ça
co nta g io sa . A s g ra d es s e f e ch ara m c o m u m r u íd o m etá lic o e o e le v ad or c o m eço u
a s u bir.
— Q ue v ou f a zer? — p erg unto u R ony, n a m esm a h ora , a o s o utr o s d ois ; e le
pare cia in cap acita d o. — S e a p are ço , m in ha m ulh er, q uero d iz er, a m ulh er d e
Catte rm ole ...
— I re m os c o m v ocê, d ev em os f ic ar ju nto s... — c o m eço u H arry , m as R ony
sa cu diu a c ab eça f e b rilm en te .
— I s so é lo ucu ra , n ão te m os ta n to te m po a ssim . V ocês d ois v ão p ro cu ra r a
Um brid ge, e e u v ou r e so lv er o p ro ble m a n a s a la d e Y ax le y... m as c o m o v ou f a zer
para r d e c h over?
— E xperim en te
Fin ite I n ca ntu te m
— r e sp ondeu H erm io ne, im ed ia ta m en te .
— I s so d ev e f a zer p ara r a c h uva, s e e la f o r u m f e itiç o ; s e n ão p ara r, é p orq ue d eu
defe ito em alg um F eitiç o A tm osfé ric o , o q ue se rá m ais d if íc il d e co nse rta r.
Entã o , e x perim en te
Im perv iu s
, p ara p ro te g er o s p erte n ces d ele p ro vis o ria m en te ...
— R ep ete is so , d ev ag ar — d is se R ony p ro cu ra n do, d ese sp era d o, u m a p en a
nos b ols o s, m as n aq uele m om en to o e le v ad or p aro u c o m u m tr a n co . U m a v oz
fe m in in a in co rp óre a an uncio u:
“N ív el quatr o , Dep arta m en to para
Reg ula m en ta çã o e C ontr o le d as C ria tu ra s M ágic a s, q ue in clu i a s D iv is õ es d e
Fera s, Sere s e E sp ír ito s, Seçã o de L ig açã o co m os D uen des, E sc ritó rio de
Orie n ta çã o s o bre P ra gas”
; a s g ra d es to rn ara m a s e a b rir e e n tr a ra m d ois b ru xos
e v ário s a v iõ es d e p ap el lilá s-c la ro q ue e sv oaçara m e m to rn o d a lu z n o te to d o
ele v ad or.
— D ia , A lb erto — cu m prim en to u um hom em de co ste le ta s pelu das,
so rrin do para H arry . E le deu um a olh ad a em H erm io ne e R ony quan do o
ele v ad or re co m eço u a su bir ra n gen do; Herm io ne ag ora co ch ic h av a,
fre n etic am en te , in str u çõ es p ara R ony. O b ru xo s e c u rv ou p ara H arry , m alic io so ,

e m urm uro u: — D ir k C re ssw ell, h ein ? D a L ig ação c o m o s D uen des? U m a b oa
div is ã o , A lb erto . A gora e sto u s e g uro d e q ue v ou c o nse g uir o e m pre g o d ele !
O b ru xo d eu u m a p is c ad ela . H arry r e tr ib uiu o s o rris o , e sp era n do q ue f o sse
su fic ie n te . O e le v ad or p aro u; a s g ra d es s e a b rir a m .
“N ív el d ois , D ep arta m en to
de E xecu çã o d as L eis d a M agia , q ue i n clu i a S eçã o d e C ontr o le d o U so I n devid o
da M agia , o Q uarte l- G en era l dos Auro re s e Serv iç o s Adm in is tr a tiv o s da
Supre m a C orte d os B ru xo s”
, a n uncio u a v oz i n co rp óre a.
Harry v iu H erm io ne d ar u m d is c re to e m purrã o e m R ony e o a m ig o sa iu
lo go do ele v ad or se g uid o por outr o s bru xos, deix an do os dois a só s. N o
mom en to e m q ue a p orta d oura d a f e ch ou, H erm io ne d is se d ep re ssa :
— H arry , a ch o q ue é m elh or e u i r a tr á s d ele , a ch o q ue R ony n ão s a b e o q ue
está f a zen do e , s e f o r a p an had o, o p la n o t o do...
“N ív el u m , m in is tr o d a M agia e S erv iç o s A uxilia re s.”
As g ra d es d oura d as to rn ara m a s e a b rir e H erm io ne o fe g ou. V ir a m q uatr o
bru xos à su a fre n te , d ois a b so rto s e m c o nvers a ; u m b ru xo d e c ab elo s lo ngos
tr a ja n do m ag níf ic as v este s p re ta s e d oura d as e u m a b ru xa a ta rra cad a, c o m c ara
de s a p o e u m la ço d e v elu do n os c ab elo s c u rto s, s e g ura n do u m a p ra n ch eta a o
peito .

1 3
A C om is sã o d e R eg is tr o d os N asc id os T ro u xas
— A h, M afa ld a! — e x cla m ou U m brid ge, o lh an do p ara H erm io ne. - T ra v ers
m an dou-a ?
— F -fo i — c h io u H erm io ne.
— Q ue b om , v ocê s e rv ir á p erfe ita m en te . — U m brid ge s e d ir ig iu a o b ru xo
e m o uro e p re to . — A quele p ro b le m a e stá r e so lv id o, M in is tr o , s e M afa ld a p uder
s e r d is p en sa d a p ara s e cre ta ria r a s e ssã o , p odere m os c o m eçar im ed ia ta m en te . —
E la co nsu lto u a pra n ch eta . -D ez pesso as hoje , e um a dela s m ulh er de um
f u ncio nário d o M in is té rio ! T sc , ts c ... até aq ui, n o co ra ção d o M in is té rio ! —
U m brid ge e n tr o u n o e le v ad or c o m H erm io ne, e o m esm o f iz era m o s d ois b ru xos
q ue t in ham e sta d o a te n to s à c o nvers a d ela c o m o m in is tr o . - V am os d esc er d ir e to ,
M afa ld a, v ocê e n co ntr a rá tu do q ue p re cis a n o tr ib unal. B om -d ia , A lb erto , v ocê
n ão v ai s a ir ?
— V ou, é c la ro — r e sp ondeu H arry , n a v oz g ra v e d e R unco rn .
O g aro to s a iu d o e le v ad or. A s g ra d es d oura d as fe ch ara m ru id osa m en te à s
s u as c o sta s. O lh an do p or c im a d o o m bro , e le v iu o ro sto a n sio so d e H erm io ne
d esa p are cer d e v is ta , u m b ru xo alto d e cad a la d o d ela , o la ço d e v elu do n a
c ab eça d e U m brid ge à a ltu ra d o s e u o m bro .
— O q ue o tr a z a q ui e m c im a, R unco rn ? — p erg unto u o n ovo m in is tr o d a
M ag ia . S eu s lo ngos c ab elo s e b arb a n eg ro s e ra m ra ia d os d e fio s p ra te ad os e a
g ra n de te sta p ro em in en te s o m bre av a s e u s o lh os b rilh an te s, le m bra n do a H arry
u m c ara n guejo e sp ia n do d eb aix o d e u m a p ed ra .
— P re cis a v a d ar u m a p ala v rin ha c o m — H arry h esito u p or u m a fra ção d e
s e g undo — A rth ur W easle y. A lg uém m e in fo rm ou q ue e le e sta ria a q ui n o N ív el
u m .
— Ah — dis se Pio Thic k nesse . — Apan hara m -n o co nta ta n do um
I n dese já v el?
— N ão — r e sp ondeu H arry , c o m a g arg an ta s e ca. — N ão , n ad a d is so .
— A h. É s ó u m a q uestã o d e te m po — c o m en to u T hic k nesse . — S e q uer a
m in ha o pin iã o , o s tr a id ore s d o s a n gue s ã o tã o n ociv os q uan to o s s a n gues-ru in s.
B om -d ia , R unco rn .
— B om -d ia , M in is tr o .
Harry o bse rv ou o b ru xo se a fa sta r p elo e sp esso c arp ete d o c o rre d or. N o
m om en to e m q ue e le d esa p are ceu , o g aro to p uxou a C ap a d a In vis ib ilid ad e d e

so b a p esa d a c ap a p re ta , a tir o u-a s o bre o c o rp o e s a iu e m d ir e ção o posta a d o
min is tr o . R unco rn e ra tã o a lto q ue H arry fo i fo rç ad o a s e c u rv ar p ara g ara n tir
que s e u s e n orm es p és f ic asse m c o berto s.
O p ân ic o v ib ra v a n a b oca d o s e u e stô m ag o. A o p assa r p ela s e q üên cia d e
porta s d e m ad eir a e n vern iz ad as, c ad a u m a c o m u m a p la q uin ha i n dic an do o n om e
do o cu pan te e a r e sp ectiv a f u nção , o p oder d o M in is té rio , s u a c o m ple x id ad e, s u a
im pen etr a b ilid ad e, p are cera m e sm ag á-lo , f a zen do c o m q ue o p la n o q ue e stiv era
cu id ad osa m en te p re p ara n do c o m R ony e H erm io ne, n as ú ltim as q uatr o s e m an as,
pare cesse ris iv elm en te in fa n til. T in ham c o ncen tr a d o to dos o s se u s e sfo rç o s n a
tá tic a p ara e n tr a r s e m s e re m p eg os: n ão tin ham d ed ic ad o u m in sta n te s e q uer a
pen sa r n o q ue f a ria m s e f o sse m o brig ad os a s e s e p ara r. A gora H erm io ne e sta v a
pre sa e m u m a s e ssã o d o t r ib unal, q ue, s e m d úvid a, d em ora ria h ora s; R ony e sta v a
se e sfa lf a n do p ara fa zer u m a m ág ic a, q ue, H arry tin ha c erte za, e sta v a a cim a d e
su a c ap acid ad e — e , p ossiv elm en te , a lib erd ad e d e u m a m ulh er d ep en dia d o
re su lta d o q ue o btiv esse -; e ele , H arry , esta v a v ag uean do p elo ú ltim o an dar,
sa b en do p erfe ita m en te q ue s u a p re sa a cab ara d e d esc er n o e le v ad or.
Ele p aro u d e c am in har, e n co sto u-s e n a p are d e e te n to u r e so lv er o q ue f a zer.
O silê n cio o o prim iu : ali n ão h av ia m ovim en to , n em co nvers a s, n em p asso s
ap re ssa d os; o s co rre d ore s acarp eta d os d e ro xo era m sile n cio so s co m o se u m
Abaffia to
t iv esse s id o l a n çad o s o bre o l o cal.
A s a la d ela d eve s e r a qui e m c im a, p en so u H arry.
Era m uito im pro váv el q ue U m brid ge g uard asse a s jó ia s e m su a sa la ; p or
outr o la d o, pare cia to lic e não dar um a busc a para se certif ic ar. O garo to ,
porta n to , re co m eço u a a n dar p elo c o rre d or, s e m e n co ntr a r n in guém , e x ceto u m
bru xo d e te sta fra n zid a, m urm ura n do in str u çõ es p ara u m a p en a q ue flu tu av a à
su a f re n te , e sc re v en do e m u m l o ngo p erg am in ho.
Agora , p re sta n do a te n ção a o s n om es n as p orta s, H arry v ir o u u m c an to . N a
meta d e d o c o rre d or s e g uin te , d ese m boco u e m u m e sp aço a b erto , o nde u m a d úzia
de b ru xos e b ru xas e sta v am s e n ta d os a p eq uen as e sc riv an in has e n file ir a d as q ue
le m bra v am a s d a e sc o la , e m bora m uito m ais lu str o sa s e se m ra b is c o s. H arry
paro u p ara o bse rv á-lo s, p orq ue o efe ito era h ip notiz an te . E m sin cro nia , ele s
gestic u la v am c o m a s v arin has fa zen do q uad ra d os d e p ap el c o lo rid o v oare m e m
to das as dir e çõ es co m o peq uen as pip as co r- d e-ro sa . A pós alg uns se g undos,
Harry p erc eb eu q ue h av ia ritm o n essa c o re o gra fia , q ue o s p ap éis fo rm av am o
mesm o dese n ho, e, em se g uid a, perc eb eu que a cen a que obse rv av a era a
pro dução d e p an fle to s, q ue o s q uad ra d os d e p ap el era m fo lh as q ue, q uan do
re u nid as, d obra d as e b aix ad as m ag ic am en te , c aía m e m p ilh as o rd en ad as a o la d o
de c ad a f u ncio nário .
Harry s e a p ro xim ou, e m bora o s fu ncio nário s e stiv esse m tã o c o ncen tr a d os

naq uele s e rv iç o q ue e le d uvid av a q ue n ota sse m p asso s a b afa d os p elo ta p ete , e
fe z d esliz ar u m p an fle to p ro nto d a p ilh a d e u m a jo vem b ru xa. E xam in ou-o p or
baix o d a C ap a d a I n vis ib ilid ad e. A c ap a c o r- d e-ro sa d o p an fle to e sta v a a d orn ad a
co m u m t ítu lo d oura d o:
SA NGUES-R U IN S
e o s p erig os q ue o fe re cem o u m a s o cie d ad e p acíf ic a d e s a n gues-
puro s
Sob o títu lo , h av ia a fo to d e u m a ro sa v erm elh a, e , e n tr e s u as p éta la s, u m
ro sto a fe ta n do u m s o rris o e str a n gula d o p or u m a e rv a v erd e c o m p re sa s e a sp ecto
fe ro z. N ão h av ia n om e d e a u to r n o p an fle to , m as a s c ic atr iz es n o d ors o d e s u a
mão d ir e ita p are cera m n ovam en te fo rm ig ar q uan do e le o e x am in ou. E ntã o , a
jo vem b ru xa a o s e u la d o c o nfir m ou s u as s u sp eita s a o p erg unta r, a in da a cen an do
e g ir a n do a v arin ha:
— A lg uém s a b e d iz er s e a b ru xa v elh a v ai p assa r o d ia i n te ir o i n te rro gan do
sa n gues-ru in s?
— C uid ad o — d is se o b ru xo m ais p ró xim o, o lh an do n erv oso p ara o s la d os;
um a d e s u as f o lh as e sc o rre g ou e c aiu n o c h ão .
— S erá q ue a g ora , a lé m d o o lh o, e la t e m o re lh as m ág ic as t a m bém ? A b ru xa
olh ou p ara a lu str o sa p orta d e m ogno d efro nte a o e sp aço q ue o cu pav am ; H arry
aco m pan hou se u o lh ar, e a ra iv a se e rg ueu e m se u p eito c o m o u m a se rp en te
arm an do o b ote . N o lu gar e m q ue h av eria u m o lh o m ág ic o n a p orta d e u m a c asa
tr o uxa, f o ra e m butid o, n a m ad eir a , u m g ra n de o lh o r e d ondo c o m u m a b rilh an te
ír is a zu l; u m o lh o e sc an dalo sa m en te fa m ilia r a q uem tiv esse c o nhecid o A la sto r
Moody.
Por um a fra ção de se g undo, H arry esq ueceu quem era e o que esta v a
fa zen do a li: e sq ueceu a té q ue e sta v a i n vis ív el. D ir ig iu -s e à p orta p ara e x am in ar o
olh o. E sta v a i m óvel: v ir a d o p ara o a lto , c o ngela d o. N a p la ca, s o b o o lh o, l ia -s e :
Dolo re s U m brid ge
Subse cre tá ria S ên io r d o M in is tr o
Abaix o, u m a p la q ueta n ova u m p ouco m ais r e lu zen te i n fo rm av a:
Chefe d a C om is sã o d e R eg is tr o d os N asc id os T ro uxas
Harry se vir o u para olh ar o gru po de pro duto re s de pan fle to s: em bora
co ncen tr a d os n o q ue fa zia m , e le s d if ic ilm en te d eix aria m d e n ota r s e a p orta d e

um esc ritó rio v azio se ab ris se à su a fre n te . P or is so , ap an hou em u m b ols o
in te rn o u m e str a n ho o bje to c o m p ern in has q ue s a cu dia m e u m c h if re b ulb oso d e
borra ch a à g uis a d e co rp o. A gach an do-s e so b a cap a, co lo co u o D eto nad or-
Cham ariz n o c h ão .
No m esm o in sta n te , o o bje to s a iu c o rre n do e n tr e a s p ern as d os b ru xos n a
sa la . D ep ois , e n quan to H arry a g uard av a c o m a m ão n a m açan eta , o uviu -s e u m
fo rte e sta m pid o e e le v ou-s e u m a n uvem d e f u m aça a cre e e sc u ra a u m c an to . A
jo vem b ru xa n a p rim eir a f ila s o lto u u m g rito : f o lh as c o r- d e-ro sa v oara m p ara o s
la d os q uan do to dos, so bre ssa lta d os, p ro cu ra v am à v olta a o rig em d o tu m ulto .
Harry g ir o u a m açan eta , e n tr o u n a s a la d e U m brid ge e f e ch ou a p orta .
Tev e a se n sa ção d e re g re d ir n o te m po. A sa la era ex ata m en te ig ual ao
esc ritó rio d a b ru xa e m H ogw arts : c o rtin as d e r e n da, p an in hos b ord ad os e f lo re s
se cas c o bria m to das a s s u perfíc ie s d is p onív eis . A s p are d es e x ib ia m o s m esm os
pra to s o rn am en ta is , c ad a u m d ele s c o m u m g ato m uito c o lo rid o e la çaro te d e
fita , a o s s a lto s e c am balh ota s, e n jo ativ am en te b onitin ho. S obre a e sc riv an in ha,
hav ia u m a to alh a flo rid a a rre m ata d a c o m b ab ad os. P or tr á s d o o lh o d e O lh o-
Tonto , u m a cessó rio te le sc ó pic o p erm itia a U m brid ge e sp io nar o s fu ncio nário s
do o utr o la d o d a p orta . H arry d eu u m a o lh ad a e v iu q ue ain da ro deav am o
Deto nad or- C ham ariz . E le a rra n co u o te le sc ó pio d a p orta , d eix an do u m b ura co ,
so lto u o o lh o e g uard ou-o n o b ols o . T orn ou, e n tã o , a s e v ir a r p ara a s a la , e rg ueu
a v arin ha e m urm uro u:

Accio m ed alh ão
.
Nad a aco nte ceu , m as ele não esp era ra que aco nte cesse ; se m dúvid a,
Um brid ge c o nhecia to dos o s fe itiç o s d e p ro te ção q ue h av ia . P orta n to , c o rre u à
esc riv an in ha e c o m eço u a a b rir a s g av eta s. V iu p en as, c ad ern os e m ag id esiv o;
clip es e n can ta d os q ue s e rp eav am p ara f o ra d a g av eta f e ito c o bra s e s ó v olta v am
a ta p a; u m a c aix in ha d e re n da c o nte n do la çaro te s e p re silh as p ara o s c ab elo s;
mas n em s in al d e m ed alh ão .
Hav ia u m a rq uiv o a tr á s d a e sc riv an in ha: H arry c o m eço u a re v is tá -lo . T al
co m o o a rq uiv o d e F ilc h , e m H ogw arts , e sta v a c h eio d e p asta s, c ad a u m a c o m
um n om e n a e tiq ueta . S om en te q uan do H arry c h eg ou à ú ltim a g av eta , v iu a lg o
que o d is tr a iu d e s u a b usc a: a p asta d o s r. W easle y.
Puxou-a p ara f o ra e a b riu -a .
Arth ur W ea sle y
Reg is tr o San güín eo : San gue-p uro , mas co m in aceitá v eis
i n clin açõ es p ró -tr o uxas. M em bro n otó rio d a O rd em d a F ên ix .

Fam ília : M ulh er (s a n gue-p uro ), s e te filh os, o s d ois m en ore s e m
Hogw arts .
NB: O filh o m ais jo vem n o m om en to em casa acam ad o co m
gra v e d oen ça, c o nfir m ad a p or i n sp eto re s d o M in is té rio .
Seg ura n ça: R A ST R EA DO. Todos os se u s m ovim en to s estã o
se n do m onito ra d os. F orte p ro bab ilid ad e q ue I n dese já v el n º 1 o c o nta te
(h osp ed ou-s e c o m a f a m ília W easle y a n te rio rm en te ).
— I n dese já v el N úm ero U m — m urm uro u H arry c o m s e u s b otõ es, a o r e p or
a p asta d o s r. W easle y e f e ch ar a g av eta . T in ha id éia d e q ue s a b ia q uem s e ria e ,
co m efe ito , ao se erg uer e co rre r o olh ar pela sa la à pro cu ra de outr o s
esc o nderijo s, viu na pare d e um pôste r co m su a im ag em e as pala v ra s
IN DESE JÁ VEL N ° 1 g ra v ad as n o p eito . N ele h av ia p re so u m b ilh etin ho ro sa
co m u m g atin ho n o c an to . H arry a p ro xim ou-s e p ara lê -lo e v iu q ue U m brid ge
tin ha e sc rito “
A s e r p unid o
”.
Mais e n ra iv ecid o q ue n unca, c o m eço u a a p alp ar o s f u ndos d os v aso s e d as
cesta s d e f lo re s s e cas, m as n ão s e s u rp re en deu q ue o m ed alh ão n ão e stiv esse a li.
Deu u m a ú ltim a o lh ad a n a s a la , e s e u c o ra ção p aro u d e b ate r p or u m s e g undo.
Dum ble d ore o f ita v a d e u m p eq uen o e sp elh o r e ta n gula r, a p oia d o e m u m a e sta n te
de l iv ro s a o l a d o d a e sc riv an in ha.
Harry a tr a v esso u a s a la c o rre n do e a g arro u-o , m as p erc eb eu , n o m om en to
em q ue se u s d ed os o to cara m , q ue n ão era u m esp elh o. D um ble d ore so rria
mela n co lic am en te da cap a acetin ad a de um liv ro . Harry não nota ra
im ed ia ta m en te o re b usc ad o títu lo em verd e so bre se u ch ap éu :
A vid a e as
men tir a s d e A lv o D um ble d ore
, n em n os d iz ere s lig eir a m en te m en ore s so bre o
se u p eito :
de R ita S keete r, a uto ra d o b ests e lle r
A rm an do D ip pet: p ró cer o u
pale rm a?
Harry ab riu o liv ro a esm o e viu um a fo to de pág in a in te ir a de dois
ad ole sc en te s a b ra çad os, à s g arg alh ad as. D um ble d ore , e n tã o c o m o s c ab elo s n a
altu ra d os c o to velo s, tin ha d eix ad o c re sc er u m a b arb a ra la q u e le m bra v a a d e
Kru m , q ue ta n to ir rita ra R ony. O g aro to q ue g arg alh av a e m s ilê n cio a o la d o d e
Dum ble d ore tin ha u m a r a le g re e r e b eld e. S eu s c ab elo s lo uro s c aía m e m c ach os
so bre o s o m bro s. H arry f ic o u im ag in an do s e s e ria o jo vem D oge, m as, a n te s q ue
pudesse l e r a l e g en da, a p orta d o e sc ritó rio s e a b riu .
Se T hic k nesse n ão e stiv esse e sp ia n do p or c im a d o o m bro a o e n tr a r, H arry
não te ria tid o te m po de se co brir co m a Cap a da In vis ib ilid ad e. N as
cir c u nstâ n cia s, pare ceu -lh e que o m in is tr o ta lv ez tiv esse perc eb id o alg um
movim en to , p orq ue p or u m m om en to o b ru xo p aro u m uito q uie to , o bse rv an do,
cu rio so , o lu gar o nde H arry a cab ara d e s u m ir. C onclu in do, ta lv ez, q ue tiv esse

vis to a p en as D um ble d ore c o çan do o n ariz n a c ap a d o liv ro q ue H arry re p use ra
ra p id am en te n a p ra te le ir a , o b ru xo f in alm en te f o i a té a e sc riv an in ha e a p onto u a
varin ha p ara a p en a m erg ulh ad a n o tin te ir o . A p en a s a lto u e c o m eço u a e sc re v er
um b ilh ete p ara U m brid ge. M uito d ev ag ar, m al s e a tr e v en do a r e sp ir a r, H arry f o i
re cu an do p ara f o ra d a s a la , d e v olta a o e sp aço a b erto e m f re n te .
Os p ro duto re s d e p an fle to s c o ntin uav am a g ru pad os e m to rn o d os r e sto s d o
Deto nad or- C ham ariz , ain da ap ita n do fra cam en te e so lta n do fu m aça. H arry
co rre u p elo c o rre d or e o uviu a b ru xa j o vem c o m en ta r:
— A posto q ue v eio , s e m n in gu ém s a b er, d os F eitiç o s E xperim en ta is , e le s
sã o t ã o d esc u id ad os, l e m bra m a q uele p ato v en en oso ?
Na co rrid a para os ele v ad ore s, H arry re v iu su as opçõ es. S em pre fo ra
im pro váv el q ue o m ed alh ão e stiv esse n o M in is té rio , e n ão h av ia e sp era n ça d e
desc o brir , p or m ag ia , o s e u p ara d eir o , e n quan to U m brid ge e stiv esse s e n ta d a e m
um tr ib unal lo ta d o. A p rio rid ad e d ele s a g ora e ra s a ir d o M in is té rio a n te s q ue o s
desc o bris se m e te n ta r n ovam en te e m o utr o d ia . O p rim eir o p asso e ra e n co ntr a r
Rony, e n tã o p oderia m c o m bin ar u m m odo d e t ir a r H erm io ne d o t r ib unal.
O e le v ad or e sta v a v azio q uan do c h eg ou. H arry e n tr o u r á p id o e t ir o u a C ap a
da In vis ib ilid ad e q uan do o v eíc u lo c o m eço u a d esc er. P ara se u im en so a lív io ,
quan do o e le v ad or p aro u a o s tr a n co s n o N ív el d ois , e n tr o u u m R ony e n ch arc ad o
e d e o lh os a rre g ala d os.
— D ia — g ag uejo u p ara H arry , q uan do o ele v ad or to rn ou a se p ôr em
movim en to .
— R ony, s o u e u , H arry !
— H arry ! C ara m ba, e sq ueci a s u a c ara ... p or q ue H erm io ne n ão e stá c o m
você?
— T ev e q ue i r a o t r ib unal c o m a U m brid ge, n ão p ôde r e cu sa r e ... A nte s q ue
Harry p udesse t e rm in ar a f ra se , o e le v ad or t o rn ara a p ara r: a s p orta s s e a b rir a m e
o s r. W easle y e n tr o u, c o nvers a n do c o m u m a v elh a b ru xa, c u jo s c ab elo s lo uro s
esta v am t ã o e riç ad os p ara o a lto q ue l e m bra v am u m f o rm ig ueir o .
— ... e n te n do b em o q ue e stá d iz en do, W ak an da, m as a ch o q ue n ão p odere i
me e n volv er c o m ...
O s r. W easle y p aro u d e f a la r; r e p ara ra e m H arry . E ra m uito e sq uis ito v er o
sr. W easle y o lh ar p ara e le c o m t a n ta a n tip atia . A s p orta s d o e le v ad or s e f e ch ara m
e o s q uatr o r e co m eçara m a d esc er.
— A h, olá , R eg — dis se o sr. W easle y, vir a n do-s e ao ouvir a ág ua
esc o rre n do s e m p ara r d as v este s d e R ony. — S ua m ulh er n ão v eio a o M in is té rio
hoje p ara o in te rro gató rio ? A h... q ue aco nte ceu co m v ocê? P or q ue está tã o
molh ad o?
— E stá c h oven do n a s a la d e Y ax le y — r e sp ondeu e le e m d ir e ção a o o m bro

do sr. W easle y, e H arry en te n deu que o am ig o re ceav a que o pai pudesse
re co nhecê-lo s e o s s e u s o lh os s e e n co ntr a sse m . — N ão c o nse g ui e sta n car, e n tã o
me m an dara m b usc ar B ern ie ... P ills w orth , a ch o q ue f o i e sse o n om e...
— U ltim am en te te m c h ovid o e m m uito s e sc ritó rio s — d is se o s r. W easle y.
— V ocê e x perim en to u o
mete o lo jin x r e ca nto
? F uncio nou n a s a la d o B le tc h le y.

Mete o lo jin x re ca nto
? — su ssu rro u R ony. — N ão , n ão ex perim en te i.
Obrig ad o, p ..., q uero d iz er, A rth ur.
As porta s do ele v ad or ab rir a m ; a velh a bru xa co m o pen te ad o de
fo rm ig ueir o s a iu , e R ony d is p aro u a tr á s d ela e d esa p are ceu d e v is ta .
Harry f e z m en ção d e s e g ui- lo , m as v iu s e u c am in ho b lo quead o p ela e n tr a d a
de P erc y W easle y, d e n ariz e n te rra d o e m u ns p ap éis q ue e sta v a l e n do.
Só d ep ois q ue a s p orta s fe ch ara m fo i q ue P erc y p erc eb eu q ue e sta v a n o
ele v ad or c o m o p ai. E rg ueu o s o lh os, v iu o s r. W easle y, f ic o u v erm elh o c o m o u m
pim en tã o e d ese m barc o u n o in sta n te e m q ue a s p orta s re ab rir a m . P ela s e g unda
vez, H arry te n to u sa ir , m as, a g ora , su a sa íd a fo i b lo quead a p elo b ra ço d o sr.
Weasle y.
— U m m om en to , R unco rn .
Quan do a s p orta s d o e le v ad or fe ch ara m e e le s d esc era m , s a cu din do, m ais
um a n dar, o s r. W easle y f a lo u:
— O uvi d iz er q ue v ocê d en uncio u D ir k C re ssw ell.
Harry t e v e a im pre ssã o d e q ue o b re v e e n co ntr o c o m P erc y n ão d im in uír a a
ir a d o s r. W easle y. C onclu iu q ue s u a m elh or c h an ce e ra s e f a zer d e d ese n te n did o.
— D esc u lp e?
— N ão f in ja , R unco rn — r e to rq uiu o s r. W easle y, c o m f e ro cid ad e. — V ocê
cap tu ro u o b ru xo q ue f a ls if ic o u a á rv ore g en ealó gic a d ele , n ão f o i?
— E u... e s e c ap tu re i? — d esa fio u H arry .
— D ir k C re ssw ell é d ez v ezes m ais b ru xo q ue v ocê — d is se o s r. W easle y
em v oz b aix a, e n quan to o e le v ad or c o ntin uav a a d esc er. — E , s e s o bre v iv er a
Azk ab an , v ocê te rá c o nta s a p re sta r a e le , is so s e m fa la r à m ulh er, a o s filh os e
ao s a m ig os...
— Arth ur — Harry in te rro m peu -o — , você sa b e que está se n do
monito ra d o, n ão s a b e?
— I s so é u m a a m eaça, R unco rn ? — i n te rp elo u-o o s r. W easle y.
— N ão — dis se H arry — , é um fa to ! E stã o vig ia n do to dos os se u s
movim en to s...
As p orta s d o e le v ad or a b rir a m . T in ham c h eg ad o a o á tr io . O sr. W easle y
la n ço u a H arry u m o lh ar fu lm in an te e s a iu rá p id o d o e le v ad or. H arry fic o u a li,
tr e m en do. G osta ria d e t e r a ssu m id o o p ap el d e o utr o b ru xo q ue n ão R unco rn ... a s
porta s d o e le v ad or f e ch ara m c o m o f ra g or h ab itu al.

Harry a p an hou a C ap a d a I n vis ib ilid ad e e v estiu -a . T en ta ria l iv ra r H erm io ne
so zin ho, e n quan to R ony r e so lv ia o p ro ble m a d a s a la e m q ue c h ovia . Q uan do a s
porta s re ab rir a m , ele dese m barc o u em um co rre d or co m pis o de ped ra ,
ilu m in ad o p or a rc h ote s, m uito d if e re n te d os c o rre d ore s c o m p ain éis d e m ad eir a e
carp ete s, n os n ív eis a cim a. Q uan do o e le v ad or p artiu c h ocalh an do, H arry s e n tiu
um l e v e a rre p io a o a v is ta r, a o l o nge, a p orta p re ta q ue a ssin ala v a a e n tr a d a p ara o
Dep arta m en to d e M is té rio s.
Ele f o i a n dan do, s e u d estin o n ão e ra a p orta p re ta , m as o p orta l à e sq uerd a,
que, s e g undo le m bra v a, le v av a à e sc ad a e à s c âm ara s d os tr ib unais . A o d esc er,
deb ate u m en ta lm en te su as p ossib ilid ad es: ain da tin ha u ns d ois D eto nad ore s-
Cham ariz , m as ta lv ez fo sse m elh or bate r na porta do tr ib unal, en tr a r co m o
Runco rn e p ed ir p ara d ar u m a p ala v rin ha r á p id a c o m M afa ld a. N atu ra lm en te , e le
ig nora v a s e o b ru xo s e ria s u fic ie n te m en te im porta n te p ara a g ir a ssim , e m esm o
que e le , H arry , f o sse b em -s u ced id o, a p ro lo ngad a a u sê n cia d e H erm io ne p oderia
dese n cad ear u m a b usc a, a n te s q ue p udesse m d eix ar o M in is té rio ...
Abso rto em se u s pen sa m en to s, ele não re g is tr o u im ed ia ta m en te o frio
an orm al q ue c o m eço u a e n volv ê-lo c o m o s e p en etr a sse u m n ev oeir o . E fo i s e
to rn an do m ais f o rte a c ad a p asso q ue d av a: u m f rio q ue e n tr a v a p or s u a g arg an ta
e fo rç av a se u s pulm ões. Entã o so bre v eio aq uela se n sa ção su b-re p tíc ia de
dese sp ero , u m a d ese sp era n ça q ue f o i s e e x pan din do d en tr o d ele ...
Dem en ta dore s
, p en so u.
Quan do a lc an ço u o p é d a e sc ad a e v ir o u à d ir e ita , d ep aro u c o m u m a c en a
pav oro sa . O c o rre d or e sc u ro a o lo ngo d as c âm ara s ju dic ia is e sta v a re p le to d e
vulto s a lto s e e n cap uzad os, se u s ro sto s c o m ple ta m en te o cu lto s, su a re sp ir a ção
en tr e co rta d a o ú nic o s o m q ue s e o uvia . P ara lis a d os d e t e rro r, o s n asc id os t r o uxas
tr a zid os p ara in te rro gató rio tr e m ia m a p erta d os n os b an co s d uro s d e m ad eir a . A
maio ria e sc o ndia o s ro sto s n as m ão s, n um g esto in stin tiv o p ara s e p ro te g er d as
bocas v ora zes d os d em en ta d ore s. A lg uns esta v am em co m pan hia d a fa m ília ,
outr o s se n ta v am -s e so zin hos. O s d em en ta d ore s d esliz av am d e u m la d o p ara
outr o d ia n te d ele s, e o f rio e a d ese sp era n ça q ue im pre g nav am o lo cal a tin gir a m
Harry c o m o u m a m ald iç ão ...
Resis ta , d is se a s i m esm o, m as s a b ia q ue n ão p oderia c o nju ra r u m P atr o no,
ali, s e m r e v ela r in sta n ta n eam en te s u a id en tid ad e. E ntã o , c o ntin uou a v an çan do, o
mais s ile n cio sa m en te q ue p ôde, e , a c ad a p asso , a d orm ên cia p are cia s e a p odera r
fu rtiv am en te d o s e u c ére b ro . E le fa zia u m e sfo rç o p ara p en sa r e m H erm io ne e
Rony, q ue p re cis a v am d ele .
Cam in har e n tr e o s a lto s v ulto s n eg ro s e ra a te rra d or: o s ro sto s s e m o lh os,
ocu lto s s o b o s c ap uzes, s e v ir a ra m q uan do e le p asso u, d an do-lh e a c erte za d e
que o se n tia m , se n tia m ta lv ez um a pre se n ça hum an a que ain da possu ía

esp era n ça, r e siliê n cia ...
Entã o , d e m odo a b ru pto e c h ocan te , n o s ilê n cio g ela d o, u m a d as p orta s d a
masm orra , à e sq uerd a, a b riu -s e v io le n ta m en te , d eix an do e co ar o s g rito s e m s e u
in te rio r.
— N ão , n ão , so u m estiç o , so u m estiç o , e sto u lh es d iz en do! M eu p ai e ra
bru xo,
era
, v erif iq uem , A rk ie A ld erto n, u m c o nhecid o p ro je tis ta d e v asso ura s,
verif iq uem , e sto u l h es d iz en do, t ir e m a s m ão s d e m im , t ir e m a s m ão s d e...
— E ste é o se u ú ltim o av is o . — O uviu -s e a v oz su av e d e U m brid ge,
mag ic am en te am plif ic ad a de m odo a se so bre p or co m cla re za ao s grito s
dese sp era d os d o h om em . — S e r e sis tir , s e rá s u bm etid o a o b eijo d o d em en ta d or.
Os g rito s d o h om em c essa ra m , m as s e u s s o lu ço s s e co s c o ntin uara m a e co ar
pelo c o rre d or.
— L ev em -n o — o rd en ou U m brid ge.
Dois d em en ta d ore s ap are cera m à p orta d a câm ara , su as m ão s p odre s e
en cro sta d as a p erta n do o s b ra ço s d o b ru xo q ue p are cia d esfa le cer. D esliz ara m
pelo co rre d or co m o p ris io neir o , e a esc u rid ão q ue d eix ara m em se u ra str o
en goliu o h om em f a zen do-o d esa p are cer.
— P ró xim o: M aria C atte rm ole — c h am ou U m brid ge.
Um a m ulh er m iú da se erg ueu ; tr e m ia d a cab eça ao s p és. S eu s cab elo s
neg ro s e sta v am p uxad os p ara tr á s e m u m c o que e e la u sa v a v este s lo ngas e
sim ple s. Seu ro sto esta v a co m ple ta m en te ex an gue. Ao passa r pelo s
dem en ta d ore s, H arry a v iu e str e m ecer.
Ele a g iu in stin tiv am en te , s e m p la n o fo rm ad o, p orq ue d ete sto u v ê-la e n tr a r
so zin ha n a m asm orra : q uan do a p orta co m eço u a se fe ch ar, esc o rre g ou p ara
den tr o d o r e cin to .
Não e ra a m esm a s a la e m q ue e le fo ra in te rro gad o p or u so im pró prio d a
mag ia . E ra b em m en or; e m bora o te to tiv esse ig ual a ltu ra , d eu -lh e a s e n sa ção
cla u str o fó bic a d e e sta r p re so n o f u ndo d e u m c o m prid o p oço .
Hav ia o utr o s d em en ta d ore s a li, c o brin do o lo cal c o m s u a a u ra c o ngela n te ;
esta v am posta d os co m o se n tin ela s se m ro sto nos can to s m ais afa sta d os da
im ponen te p la ta fo rm a. A li, a tr á s d e u m a b ala u str a d a, s e n ta v a-s e U m brid ge c o m
Yax le y, d e u m la d o, e H erm io ne, c o m o ro sto q uase tã o lív id o q uan to o d a s ra .
Catte rm ole , d o o utr o . A o p é d a p la ta fo rm a, u m g ato d e p êlo s lo ngos e p ra te ad os
an dav a d e u m la d o p ara o utr o , e H arry p erc eb eu q ue s u a f u nção e ra p ro te g er o s
pro m oto re s d o d ese sp ero q ue e m an av a d os d em en ta d ore s: a q uilo e ra p ara a fe ta r
os a cu sa d os e n ão o s a cu sa d ore s.
— S en te -s e — d is se U m brid ge, c o m s u a v oz s u av e e s e d osa .
A sra . C atte rm ole en cam in hou-s e ao s tr o peço s p ara o ú nic o asse n to n o
cen tr o d a s a la a b aix o d a p la ta fo rm a. N o m om en to e m q ue s e s e n to u, a s c o rre n te s

tilin ta ra m n os b ra ço s d a c ad eir a e a p re n dera m .
— V ocê é M aria E liz ab eth C atte rm ole ? — in dag ou U m brid ge. A m ulh er
acen ou u m a ú nic a v ez c o m a c ab eça t r ê m ula .
— É c asa d a c o m R eg in ald C atte rm ole , d o D ep arta m en to d e M an ute n ção
Mág ic a?
A s ra . C atte rm ole c aiu n o c h oro .
— N ão s e i o nde e le e stá , d ev ia t e r v in do s e e n co ntr a r c o m ig o a q ui!
Um brid ge i g noro u-a .
— É m ãe d e M ais ie , É lia e A lf re d o C atte rm ole ? A m ulh er s o lu ço u a in da
mais .
— E le s e stã o a p av ora d os, a ch am q ue e u t a lv ez n ão v olte p ara c asa ...
— P oupe-n os — d is se Y ax le y, c o m r is p id ez. — O s p ir ra lh os d os s a n gues-
ru in s n ão n os i n sp ir a m s im patia .
Os so lu ço s da sra . C atte rm ole m asc ara ra m os passo s de H arry , que se
dir ig ia cau te lo sa m en te ao s d eg ra u s d a p la ta fo rm a. N o m om en to em q ue ele
passo u pelo lu gar que o gato Patr o no patr u lh av a, se n tiu a m udan ça de
te m pera tu ra : a li e ra c álid o e c o nfo rtá v el. O P atr o no c erta m en te e ra d e U m brid ge,
e b rilh av a in te n sa m en te , p orq ue a b ru xa e sta v a m uito fe liz , e m se u e le m en to ,
ap lic an do le is detu rp ad as que ela pró pria aju dara a re d ig ir. Len ta , m as
cu id ad osa m en te , H arry c o nto rn ou a p la ta fo rm a p or tr á s d e U m brid ge, Y ax le y e
Herm io ne, e se se n to u às co sta s da am ig a. Esta v a pre o cu pad o em não
so bre ssa ltá -la . P en so u e m la n çar u m
Abaffia to
e m U m brid ge e Y ax le y, m as a té
mesm o o m urm úrio d o e n can ta m en to p oderia f a zer H erm io ne s e a ssu sta r. E ntã o
Um brid ge a lte o u a v oz p ara s e d ir ig ir à s ra . C atte rm ole , e H arry a p ro veito u a
oportu nid ad e.
— E sto u a tr á s d e v ocê — su ssu rro u a o o uvid o d e H erm io ne. C onfo rm e
pre v ir a , e la le v ou u m s u sto tã o v io le n to q ue q uase d erru bou o tin te ir o q ue d ev ia
usa r p ara r e g is tr a r o in te rro gató rio , m as o s d ois b ru xos e sta v am c o ncen tr a d os n a
sra . C atte rm ole e o m ovim en to b ru sc o l h es p asso u d esp erc eb id o.
— A v arin ha q ue tin ha e m s e u p oder q uan do c h eg ou h oje a o M in is té rio ,
sra . C atte rm ole , fo i co nfis c ad a — ia diz en do U m brid ge. — V in te e dois
cen tím etr o s e d ois d écim os, c ere je ir a , n úcle o d e p êlo d e u nic ó rn io . R eco nhece a
desc riç ão ?
A s ra . C atte rm ole a sse n tiu , e n xugan do o s o lh os n a m an ga.
— P ode, p or f a v or, n os d iz er d e q ue b ru xa o u b ru xo t ir o u e ssa v arin ha?
— T-tir e i? — so lu ço u a sra . C atte rm ole . — N ão t- tir e i de nin guém .
Com pre i- a a o s o nze a n os d e i d ad e. E la ... e la ... e la m e e sc o lh eu .
E c h oro u a in da m ais .
Um brid ge d eu u m a r is a d in ha s u av e e in fa n til q ue f e z H arry te r v onta d e d e

ata cá-la . In clin ou-s e p ara o b ala ú str e , p ara m elh or o bse rv ar su a v ítim a, e u m
obje to d oura d o b ala n ço u p ara f re n te e f ic o u f lu tu an do n o e sp aço : o m ed alh ão .
Herm io ne o v iu e d eix ou e sc ap ar u m g ritin ho, m as U m brid ge e Y ax le y,
ain da a te n to s à s u a p re sa , e sta v am s u rd os a t o do o r e sto .
— N ão — re p lic o u U m brid ge — , n ão , ach o q ue n ão , sra . C atte rm ole .
Varin has s ó e sc o lh em b ru xos. A s e n hora n ão é b ru xa. T en ho a q ui a s r e sp osta s a o
questio nário q ue l h e f o i e n via d o; M afa ld a, p asse -a s p ara m im .
Um brid ge este n deu a m ão peq uen a: ela pare cia tã o batr á q uia naq uele
mom en to q ue H arry se su rp re en deu c o m a a u sê n cia d e m em bra n as e n tr e se u s
ded os c u rto s. A s m ão s d e H erm io ne tr e m ia m d e e sp an to . E la p ro cu ro u e m u m a
pilh a d e d ocu m en to s e q uilib ra d os e m u m a c ad eir a a o s e u l a d o, e , p or f im , r e tir o u
um r o lo d e p erg am in ho c o m o n om e d a s ra . C atte rm ole .
— Q ue... q ue b onito , D olo re s — c o m en to u H erm io ne, a p onta n do p ara o
med alh ão q ue b rilh av a e n tr e o s b ab ad os d a b lu sa d e U m brid ge.
— Q uê? — e x cla m ou U m brid ge a b ru pta m en te , b aix an do o s o lh os. — A h,
sim : u m a v elh a h era n ça d e f a m ília — d is se , le v an do a m ão a o m ed alh ão s o bre o
busto a v an ta ja d o. — O “ S ” é d e S elw yn... s o u p are n ta d os S elw yn... n a v erd ad e,
há p oucas f a m ília s d e s a n gue-p uro c o m q uem e u n ão s e ja a p are n ta d a... u m a p en a
— c o ntin uou e la e m v oz m ais a lta , f o lh ean do o q uestio nário d a s ra . C atte rm ole
— que não se possa diz er o m esm o so bre a se n hora . P ro fis sã o dos pais :
verd ure ir o s.
Yax le y deu um a ris a d a de desd ém . E m baix o, o pelu do gato pra te ad o
patr u lh av a d e l á p ara c á, e o s d em en ta d ore s a g uard av am p osta d os n os c an to s.
Foi a m en tir a d e U m brid ge q ue fe z o sa n gue su bir à c ab eça d e H arry e
oblite ra r to da a s u a c au te la ; q ue e la e stiv esse u sa n do o m ed alh ão q ue a ch acara
de u m m arg in alz in ho p ara le g itim ar s u as c re d en cia is d e s a n gue-p uro . E le e rg ueu
a v arin ha, se m se d ar o tr a b alh o d e o cu ltá -la so b a C ap a d a In vis ib ilid ad e, e
ord en ou:
— E stu pefa ça !
Houve u m c la rã o v erm elh o: U m brid ge d esm onto u e b ate u c o m a te sta n a
bord a d o b ala ú str e ; o s p ap éis d a s ra . C atte rm ole e sc o rre g ara m d o s e u c o lo n o
ch ão e , e m baix o, o g ato p ra te ad o d esa p are ceu . U m a r g élid o a tin giu -o s c o m o s e
fo sse u m a v en ta n ia . Y ax le y, a tu rd id o, o lh ou p ara o s la d os, à p ro cu ra d a o rig em
do p ro ble m a e v iu a m ão in co rp óre a d e H arry a p onta n do u m a v arin ha e m s u a
dir e ção . T en to u s a car a p ró pria v arin ha, m as t a rd e d em ais .
— E stu pefa ça !
Yax le y e sc o rre g ou d a c ad eir a e c aiu d obra d o n o c h ão .
— H arry !
— H erm io ne, s e v ocê a ch a q ue e u i a f ic ar p ara d o a q ui v en do e la f in gir...

— H arry , a s ra . C atte rm ole !
O garo to se vir o u, arra n can do a C ap a da In vis ib ilid ad e; em baix o os
dem en ta d ore s sa ír a m d os se u s c an to s; d esliz av am p ara a m ulh er a co rre n ta d a:
fo sse p orq ue o P atr o no d esa p are cera , fo sse p orq ue s e u s s e n hore s n ão e sta v am
mais n o c o m an do, p are cia m te r a b an donad o o c o m ed im en to . A s ra . C atte rm ole
deix ou e sc ap ar u m te rrív el g rito d e m ed o q uan do a m ão p eg ajo sa e e n cro sta d a
ag arro u s e u q ueix o e e m purro u s u a c ab eça p ara t r á s.
— E XPEC TO P A TR O NU M !
O v ead o p ra te ad o v oou d a p onta d a v arin ha d e H arry e a v an ço u c o ntr a o s
dem en ta d ore s, q ue re cu ara m e to rn ara m a s e fu ndir c o m a s s o m bra s. A lu z d o
vead o, m ais fo rte e m ais q uen te d o q ue a p ro te ção d o g ato , en ch eu to da a
masm orra a o c o rre r r e p etid am en te p elo s e u p erím etr o .
— A pan he a H orc ru x — d is se H arry a H erm io ne.
Desc eu , en tã o , os deg ra u s, co rre n do, en quan to guard av a a Cap a da
In vis ib ilid ad e e m s u a p asta , e s e a p ro xim ou d a s ra . C atte rm ole .
— V ocê? — s u ssu rro u e la , f ita n do-o n o r o sto . — M as... R eg d is se q ue f o i
você q ue m e d en uncio u p ara s e r i n te rro gad a!
— F iz is so ? — m urm uro u H arry , p uxan do a s c o rre n te s q ue p re n dia m o s
bra ço s d a m ulh er. — B em , m udei d e o pin iã o . D if f in do! — N ad a a co nte ceu . —
Herm io ne, c o m o m e l iv ro d essa s c o rre n te s?
— E sp ere , e sto u t e n ta n do u m a c o is a a q ui e m c im a...
— H erm io ne, e sta m os c erc ad os p or d em en ta d ore s!
— Eu se i, Harry , m as se Um brid ge aco rd ar e o m ed alh ão tiv er
desa p are cid o... pre cis o fa zer um a duplic ata ...
Gem in io
! Pro nto ... is to dev e
en gan á-la ...
Herm io ne d esc eu d a p la ta fo rm a c o rre n do.
— V eja m os...
Rela xo
!
As c o rre n te s re tin ir a m e s o lta ra m o s b ra ço s d a c ad eir a . A s ra . C atte rm ole
pare cia t ã o a m ed ro nta d a q uan to e stiv era a n te s.
— N ão e sto u e n te n den do — s u ssu rro u.
— A s e n hora v ai s a ir d aq ui c o nosc o — d is se H arry , e rg uen do-a d a c ad eir a .
— V olte p ara c asa , a p an he s e u s f ilh os e v á e m bora , s a ia d o p aís , s e f o r p re cis o .
Dis fa rc em -s e e fu ja m . A se n hora já viu co m o é, aq ui não te rá nem m eia
au diê n cia i m parc ia l.
— H arry — p erg unto u H erm io ne — , c o m o v am os sa ir d aq ui c o m to dos
esse s d em en ta d ore s n o c o rre d or?
— P atr o nos — r e sp ondeu o g aro to , a p onta n do a v arin ha p ara o s e u p ró prio :
o v ead o p aro u d e c o rre r e s e e n cam in hou, a in da b rilh an do in te n sa m en te , p ara a
porta . — T odos q ue p uderm os r e u nir ; c o nju re o s e u , H erm io ne.


Exp ec-e xp ecto p atr o num
— d is se a g aro ta . N ad a a co nte ceu .
— É o ú nic o f e itiç o c o m q ue e la s e m pre t e v e p ro ble m a — d is se H arry à s ra .
Catte rm ole c o m ple ta m en te b estif ic ad a. — É re alm en te u m a p en a... a n da lo go
Herm io ne...
— E xp ecto p atr o num !
Um a lo ntr a p ra te ad a ir ro m peu d a p onta d a v arin ha d a g aro ta e flu tu ou
gra cio sa m en te n o a r p ara s e j u nta r a o v ead o.
— V am os — c h am ou e le , e c o nduziu H erm io ne e a s ra . C atte rm ole p ara a
porta .
Quan do os Patr o nos desliz ara m para o co rre d or, ouvir a m -s e grito s
assu sta d os das pesso as que ag uard av am ali. H arry olh ou: os dem en ta d ore s
co m eçav am a re cu ar de am bos os la d os, fu ndin do-s e co m a esc u rid ão ,
dis p ers a n do-s e a n te o a v an ço d as c ria tu ra s p ra te ad as.
— Fic o u decid id o que vocês dev em volta r para casa e en tr a r na
cla n destin id ad e c o m s u as f a m ília s — d is se H arry a o s n asc id os t r o uxas o fu sc ad os
pelo b rilh o d os P atr o nos e a in da le v em en te e n co lh id os d e m ed o. — V ão p ara o
ex te rio r, se p udere m . F iq uem b em lo nge d o M in is té rio . E ssa é ... a h ... a n ova
posiç ão o fic ia l. A gora , s e a co m pan hare m o s P atr o nos, p oderã o s a ir p elo á tr io .
O g ru po c o nse g uiu s u bir a e sc ad a d e p ed ra s e m s e r i n te rc ep ta d o, m as, a o s e
ap ro xim ar d os e le v ad ore s, H arry c o m eço u a fic ar a p re en siv o. P erc eb eu q ue, s e
ch eg asse m a o á tr io c o m u m v ead o d e p ra ta , u m a l o ntr a v oan do a s e u l a d o e v in te
e ta n ta s p esso as, m eta d e d ela s a cu sa d as d e te re m n asc id o tr o uxas, e le s a tr a ir ia m
um a in dese já v el ate n ção . A cab ara de ch eg ar a essa desa g ra d áv el co nclu sã o
quan do o e le v ad or p aro u c o m u m t r a n co d ia n te d ele s.
— R eg ! — g rito u a sra . C atte rm ole se a tir a n do n os b ra ço s d e R ony. —
Runco rn m e t ir o u d aq ui, e le a ta co u U m brid ge e Y ax le y e n os d is se p ara f u gir m os
do p aís , a ch o q ue é o m elh or a fa zer, R eg , a ch o m esm o. V am os d ep re ssa p ara
casa a p an har a s c ria n ças e ... p or q ue e stá t ã o m olh ad o?
— Á gua — r e sm ungou R ony, d esv en cilh an do-s e . — H arry , e le s s a b em q ue
há in tr u so s n o M in is té rio , e stã o f a la n do a lg um a c o is a s o bre u m b ura co n a p orta
da U m brid ge, c alc u lo q ue t e m os c in co m in uto s, s e t a n to ...
O P atr o no d e H erm io ne d esa p are ceu c o m u m e sta lo q uan do e la v ir o u o
ro sto h orro riz ad o p ara H arry .
— H arry , e sta m os p re so s a q ui...!
— N ão e sta re m os s e n os m ex erm os d ep re ssa . — E le s e d ir ig iu à s p esso as
sile n cio sa s q ue o s a co m pan hav am b oquia b erta s. — Q uem t e m v arin ha?
Meta d e d ela s l e v an to u a s m ão s.
— O .k ., c ad a u m d e v ocês q ue n ão t e m v arin ha p re cis a a co m pan har a lg uém
que t e n ha. P re cis a m os s e r r á p id os: a n te s q ue n os d ete n ham . V am os.

Ele s co nse g uir a m se ap erta r em dois ele v ad ore s. O P atr o no de H arry
monto u g uard a d ia n te d as g ra d es d oura d as en quan to ela s se fe ch av am , e o s
ele v ad ore s c o m eçav am a s u bir.
“ Nív el o ito
”, d is se a v oz t r a n qüila d a b ru xa. “
Átr io
.”
Harry p erc eb eu im ed ia ta m en te q ue esta v am en cre n cad os. O átr io esta v a
ch eio d e g en te c o rre n do d e u m a l a re ir a à o utr a p ara l a crá -la s.
— H arry ! — g uin ch ou H erm io ne. — Q ue v am os...?
— P A REM ! — tr o vejo u H arry , e a v oz p ote n te d e R unco rn e co ou p elo
átr io : o s b ru xos q ue e sta v am la cra n do a s la re ir a s s e im obiliz ara m . — V en ham
co m ig o — su ssu rro u ele para os nasc id os tr o uxas ate rro riz ad os que se
ad ia n ta ra m j u nto s, p asto re ad os p or R ony e H erm io ne.
— Q ue a co nte ceu , A lb erto ? — p erg unto u o m esm o b ru xo c are ca q ue s a ír a
co m H arry d a l a re ir a m ais c ed o. P are cia n erv oso .
— E sse p esso al p re cis a s a ir a n te s d e v ocês la cra re m a s s a íd as - d is se H arry ,
co m t o da a a u to rid ad e q ue c o nse g uiu r e u nir.
O g ru po d e b ru xos d o M in is té rio s e e n tr e o lh ou.
— M an dara m l a cra r t o das a s s a íd as e n ão d eix ar n in guém ...

Vo cê e stá m e c o ntr a diz e n do
? — v ocif e ro u H arry . — Q uer q ue e u m an de
ex am in ar a árv ore gen ealó gic a de su a fa m ília , co m o fiz co m a de D ir k
Cre ssw ell?
— D esc u lp e! — o fe g ou o b ru xo c are ca, re cu an do. — N ão q uis o fe n der,
Alb erto , m as p en se i... p en se i q ue e le s e sta v am a q ui p ara s e r i n te rro gad os e ...
— O sa n gue dele s é puro — dis se H arry , e su a voz gra v e eco ou
im pre ssio nan te m en te p elo á tr io . — D ir ia q ue m ais p uro d o q ue o d e m uito s d e
vocês. A gora v ão s a in do — tr o vejo u e le p ara o s n asc id os tr o uxas, q ue c o rre ra m
para a s la re ir a s e c o m eçara m a su m ir a o s p are s. O s b ru xos d o M in is té rio se
man tiv era m a fa sta d os, a lg uns p are cen do c o nfu so s, o utr o s e x pre ssa n do m ed o o u
ra iv a. E ntã o ...
— M aria !
A s ra . C atte rm ole o lh ou p or c im a d o o m bro . O v erd ad eir o R eg C atte rm ole ,
que p ara ra d e v om ita r, m as c o ntin uav a p álid o e fra co , a cab ara d e s a ir c o rre n do
de u m e le v ad or.
— R -R eg ? — E la olh ou do m arid o para R ony, que so lto u um so noro
pala v rã o .
O b ru xo c are ca fic o u d e b oca a b erta , s u a c ab eça g ir a n do a b su rd am en te d e
um R eg C atte rm ole p ara o utr o .
— E i... q ue e stá a co nte cen do? Q ue é i s so ?
— L acre m a s s a íd as! L A CREM !
Yax le y ir ro m pera d e o utr o e le v ad or e a g ora v in ha c o rre n do p ara o g ru po

ju nto às la re ir a s pela s quais os nasc id os tr o uxas, ex ceto a sra . C atte rm ole ,
hav ia m d esa p are cid o. Q uan do o b ru xo c are ca e m punhou a v arin ha, H arry e rg ueu
se u p unho e n orm e e a rre m esso u-o l o nge c o m u m m urro .
— E le e ste v e a ju dan do o s n asc id os t r o uxas a f u gir , Y ax le y ! — g rito u H arry .
Os c o le g as d o b ru xo c are ca p ro te sta ra m a o s g rito s, m as, a p ro veita n do a
co nfu sã o , R ony a g arro u a s ra . C atte rm ole , p uxou-a p ara d en tr o d a la re ir a a in da
ab erta e su m iu . A tu rd id o, Y ax le y o lh av a d e H arry p ara o b ru xo esm urra d o,
en quan to o v erd ad eir o R eg C atte rm ole b erra v a:
— M in ha m ulh er! Q uem era aq uele co m a m in ha m ulh er? Q ue está
aco nte cen do?
Harry v iu Y ax le y g ir a r a c ab eça, e a p erc ep ção d a v erd ad e c o m eçar a s e
esp alh ar n aq uele r o sto b ru ta l.
— V am os! — b erro u H arry p ara H erm io ne; a g arro u a m ão d ela e ju nto s
pula ra m d en tr o d a l a re ir a n o m om en to e m q ue a m ald iç ão d e Y ax le y p assa v a p or
cim a d e s u a c ab eça. O s d ois ro dopia ra m p or a lg uns s e g undos a n te s d e e m erg ir
no v aso d o c u bíc u lo . H arry e sc an caro u a p orta ; e n co ntr o u R ony d ia n te d as p ia s,
ain da s e d eb ate n do c o m a s ra . C atte rm ole .
— R eg , n ão e sto u e n te n den do...
— M e l a rg ue, n ão s o u o s e u m arid o, a s e n hora t e m q ue i r p ara c asa !
Ouviu -s e u m b aru lh o n o cu bíc u lo às co sta s d ele s; H arry o lh ou; Y ax le y
acab ara d e a p are cer.
— V A M OS! — b erro u. E le a g arro u H erm io ne p ela m ão e R ony p elo b ra ço
e r o dopio u.
A e sc u rid ão e n golf o u-o s a o m esm o te m po q ue a s e n sa ção d e c o m pre ssã o ,
mas a lg um a c o is a e sta v a e rra d a... a m ão d e H erm io ne p are cia e sta r e sc o rre g an do
da s u a...
Harry p en so u q ue ia su fo car, n ão co nse g uia re sp ir a r n em en xerg ar e as
únic as c o is a s s ó lid as n o m undo e ra m o b ra ço d e R ony e o s d ed os d e H erm io ne,
que l e n ta m en te i a m l h e f u gin do...
Entã o e le v iu a p orta d e n úm ero d oze, n o la rg o G rim mau ld , c o m a a ld ra b a
em fo rm a d e se rp en te , m as, a n te s q ue p udesse to m ar fô le g o, o uviu u m g rito
se g uid o d e u m c la rã o ro xo; a m ão d e H erm io ne p re n deu -o c o m fir m eza e tu do
esc u re ceu .

1 4
O l a d rã o
Harry a b riu o s o lh os e s e s e n tiu o fu sc ad o p or u m a c la rid ad e o uro e v erd e;
n ão tin ha id éia do que aco nte cera , só sa b ia que esta v a deita d o no que lh e
p are cia m fo lh as e g ra v eto s. L uta n do p ara in su fla r a r n os p ulm ões q ue se n tia
a ch ata d os, ele p is c o u o s o lh os e co m pre en deu q ue a lu m in osid ad e ex cessiv a
v in ha d o s o l s e in filtr a n do p or u m d osse l d e f o lh as. E ntã o , u m o bje to s e m ex eu
p ró xim o ao se u ro sto . E le se ap oio u nas m ão s e nos jo elh os, pro nto para
e n fre n ta r u m a n im al p eq uen o e fe ro z, m as v iu q ue e ra a p en as o p é d e R ony.
O lh an do ao re d or, perc eb eu que os tr ê s esta v am deita d os no ch ão de um a
f lo re sta , a p are n te m en te s o zin hos.
O prim eir o pen sa m en to de H arry fo i a Flo re sta Pro ib id a e, por um
m om en to , m esm o s a b en do c o m o s e ria to lo e p erig oso a p are cere m n os te rre n os
d e H ogw arts , s e u c o ra ção p ulo u d e a le g ria à id éia d e a tr a v essá -la fu rtiv am en te
a té a c ab an a d e H ag rid . C ontu do, n os p ouco s in sta n te s q ue R ony le v ou p ara
g em er b aix in ho e H arry c o m eçar a r a ste ja r a té o a m ig o, e le n oto u q ue n ão e ra a
F lo re sta P ro ib id a: a s á rv ore s p are cia m m ais jo ven s, m ais e sp açad as e o c h ão
m ais l im po.
Dep aro u co m H erm io ne, ta m bém de quatr o , ju nto à cab eça de R ony.
Q uan do s e u o lh ar r e caiu s o bre o a m ig o, t o das a s o utr a s p re o cu paçõ es f u gir a m d e
s u a m en te , p orq ue o sa n gue e n ch arc av a to do o la d o e sq uerd o d e R ony e se u
r o sto se desta cav a, bra n co -a cin zen ta d o, na te rra fo rra d a de fo lh as. A P oção
P olis su co ia s e d is sip an do a g ora : n a a p arê n cia , R ony e ra u m m eio -te rm o e n tr e
C atte rm ole e e le p ró prio , s e u s c ab elo s c ad a v ez m ais r u iv os e o r o sto p erd en do a
p ouca c o r q ue l h e r e sta v a.
— Q ue a co nte ceu c o m e le ?
— E str u nch ou — r e sp ondeu H erm io ne, o s d ed os o cu pad os c o m a m an ga d o
a m ig o, o nde o s a n gue e sta v a m ais p ro fu so e e sc u ro .
Harry o bse rv ou-a , h orro riz ad o, r a sg ar a c am is a d e R ony. S em pre p en sa ra n o
e str u nch am en to c o m o a lg o c ô m ic o , m as is so ... su as e n tr a n has se c o nto rc era m
d esa g ra d av elm en te a o v er H erm io ne e x por p arte d o b ra ço d e R ony o nde f a lta v a
u m n aco d e c arn e, r e m ovid o p or i n te ir o c o m o s e o t iv esse m c o rta d o a f a ca.
— H arry , d ep re ssa , n a m in ha b ols a , te m u m fra sq uin ho co m a etiq ueta
E ssê n cia d e D ita m no
...
— B ols a ... c erto ...

Harry c o rre u p ara o l u gar o nde H erm io ne a te rris sa ra , a p an hou a b ols in ha d e
co nta s e e n fio u a m ão n ela . N a m esm a h ora , o bje to s a p ós o bje to s c o m eçara m a
se a p re se n ta r a o s e u t o que: e le s e n tiu a s l o m bad as d e c o uro d os l iv ro s, a s m an gas
de l ã d os s u éte re s, s a lto s d e s a p ato s...

Dep re ssa
!
Ele ap an hou su a varin ha no ch ão e, ap onta n do para o fu ndo da bols a
mág ic a, o rd en ou:
— A ccio d ita m no!
Um f ra sq uin ho m arro m v oou d a b ols a ; e le o a p aro u e v olto u c o rre n do p ara
Herm io ne e R ony, c u jo s o lh os a g ora e sta v am se m ic erra d os: tr a ço s d e c ó rn eas
bra n cas e ra t u do o q ue s e v ia e n tr e s u as p álp eb ra s.
— E le d esm aio u — d is se H erm io ne, q ue ta m bém e sta v a m uito p álid a; já
não s e p are cia c o m M afa ld a, e m bora s e u s c ab elo s a in da c o nse rv asse m a lg um as
mech as gris a lh as. — D esta m pe-o para m im , H arry , m in has m ão s estã o
tr e m en do.
O g aro to a rra n co u a ta m pa d o fra sq uin ho e e n tr e g ou-o a H erm io ne, q ue
ap lic o u tr ê s g ota s d a p oção n a fe rid a e n sa n güen ta d a. E rg ueu -s e u m a n uvem d e
fu m aça e sv erd ead a e , q uan do s e d is sip ou, H arry v iu q ue o s a n gra m en to c essa ra .
O f e rim en to a g ora p are cia t e r o co rrid o h á v ário s d ia s; u m a p ele n ova s e e ste n dia
so bre a c arn e a n te s e x posta .
— U au ! — e x cla m ou H arry .
— E s ó o q ue c o nsig o f a zer s e m c o rre r r is c o s — d is se H erm io ne, tr ê m ula .
— H á f e itiç o s q ue o d eix aria m n ovo e m f o lh a, m as n ão m e a tr e v o a u sá -lo s p or
med o d e e rra r e c au sa r m ais e str a g o... e le j á p erd eu m uito s a n gue...
— C om o f o i q ue e le s e m ach uco u? Q uero d iz er — H arry s a cu diu a c ab eça,
te n ta n do c la re ar a s id éia s e c o m pre en der s e ja lá o q ue tiv esse a co nte cid o — , p or
que e sta m os a q ui? P en se i q ue e stá v am os v olta n do p ara o l a rg o G rim mau ld , n ão ?
Herm io ne i n sp ir o u p ro fu ndam en te . P are cia à b eir a d as l á g rim as.
— H arry , a ch o q ue n ão p odem os v olta r p ara l á .
— Q ue f o i q ue v ocê...?
— Q uan do d esa p ara ta m os, Y ax le y m e a g arro u e n ão p ude m e liv ra r d ele ,
fo i m ais fo rte e co ntin uav a m e se g ura n do quan do ch eg am os ao la rg o
Grim mau ld , a í... b em , a ch o q ue e le d ev e t e r v is to a p orta , e p en so u q ue f ô sse m os
en tr a r, e n tã o a fro uxou a m ão e c o nse g ui m e d esv en cilh ar, e t r o uxe t o dos p ara c á!
— M as c ad ê e le ? E sp ere a í... v ocê n ão q uer d iz er q ue Y ax le y e stá n o la rg o
Grim mau ld ? E le n ão p ode e n tr a r l á , p ode?
Os o lh os d a g aro ta c in tila ra m c o m a s l á g rim as a cu m ula d as q uan do a sse n tiu .
— H arry , a ch o q ue e le p ode. E u... e u o f o rc ei a m e la rg ar c o m u m F eitiç o
Rep ele n te , m as já o d eix ara p en etr a r a p ro te ção d o F eitiç o F id eliu s. D esd e q ue

Dum ble d ore f a le ceu , s o m os f ié is d o s e g re d o, p orta n to e n tr e g uei a e le o s e g re d o,
não ?
Era im possív el fin gir. H arry sa b ia q ue a a m ig a tin ha ra zão . O g olp e e ra
acach ap an te . S e Y ax le y a g ora p odia e n tr a r n a c asa , n ão h av ia c o m o r e g re ssa re m .
Naq uele e x ato m om en to , e le p oderia e sta r le v an do o utr o s C om en sa is d a M orte
por ap ara ta ção . E m bora a casa fo sse so m bria e dep rim en te , fo ra se u únic o
re fú gio : e , a g ora q ue M onstr o e sta v a m ais fe liz e a m ig o, u m a e sp écie d e la r.
Com u m a p onta d a d e p esa r q ue n ão e sta v a lig ad a p ro pria m en te à c o m id a, H arry
im ag in ou o e lf o d om éstic o o cu pad o e m p re p ara r o e m pad ão d e c arn e e r in s q ue
Harry , R ony e H erm io ne j a m ais p ro varia m .
— H arry , s in to m uito , s in to m uito !
— N ão s e ja id io ta , n ão f o i s u a c u lp a! S e f o i d e a lg uém , f o i m in ha... H arry
le v ou a m ão ao bols o e tir o u o olh o m ág ic o de O lh o-T onto . H erm io ne se
en co lh eu , h orro riz ad a.
— U m brid ge t in ha c ra v ad o o o lh o n a p orta d a s a la p ara e sp io nar a s p esso as.
Eu n ão p odia d eix á-lo l á ... m as f o i a ssim q ue e le s s o ubera m q ue h av ia i n tr u so s.
Ante s q ue H erm io ne p udesse re sp onder, R ony g em eu e ab riu o s o lh os.
Contin uav a c in zen to , e o s u or b rilh av a e m s e u r o sto .
— C om o e stá s e s e n tin do? — s u ssu rro u H erm io ne.
— P éssim o — r e sp ondeu R ony r o uco , f a zen do u m a c are ta a o to car o b ra ço
fe rid o. — O nde e sta m os?
— N a f lo re sta o nde f o i r e aliz ad a a C opa M undia l d e Q uad rib ol - in fo rm ou
Herm io ne. — E u q ueria u m l u gar f e ch ad o, e sc o ndid o e e sse f o i...
— ... o prim eir o em que pen so u. — H arry te rm in ou a fra se por ela ,
co rre n do os olh os pela cla re ir a ap are n te m en te dese rta . N ão pôde deix ar de
le m bra r o q ue a co nte cera n a ú ltim a v ez q ue tin ham a p ara ta d o n o p rim eir o lu gar
que o co rre ra a H erm io ne; c o m o tin ham sid o e n co ntr a d os p elo s C om en sa is d a
Morte em pouco s m in uto s. T eria sid o L eg ilim ên cia ? V old em ort ou os se u s
cap an gas j á s a b eria m o nde H erm io ne o s l e v ara ?
— V ocê a ch a q ue d ev em os i r p ara o utr o l u gar? — p erg unto u R ony a H arry ,
que p erc eb eu n o r o sto d o a m ig o q ue l h e o co rre ra o m esm o p en sa m en to .
— N ão s e i.
Rony a in da e sta v a p álid o e su ad o. N ão tin ha fe ito a m en or te n ta tiv a d e
se n ta r e , p elo se u a sp ecto , p are cia fra co d em ais p ara te n ta r. A p ers p ectiv a d e
re m ovê-lo e ra a ssu sta d ora .
— P or e n quan to , v am os f ic ar a q ui — r e sp ondeu H arry . C om u m a e x pre ssã o
de a lív io , H erm io ne s e p ôs d e p é.
— A onde e stá i n do? — p erg unto u R ony.
— S e v am os fic ar aq ui, d ev ía m os la n çar alg uns fe itiç o s d e p ro te ção ao

nosso r e d or — r e p lic o u e la e , e rg uen do a v arin ha, c o m eço u a c am in har e m u m
am plo c ír c u lo e m to rn o d e H arry e R ony, m urm ura n do e n can ta m en to s. O g aro to
obse rv ou p eq uen as tu rb ulê n cia s n o a r e m to rn o; e ra c o m o s e H erm io ne tiv esse
la n çad o u m a n év oa d e c alo r s o bre a c la re ir a .

Salv io h exia ... P ro te g o to ta lu m ... R ep ello tr o uxa tu m ... A baffia to
... V ocê
podia i r a p an han do a b arra ca, H arry ...
— B arra ca?
— N a b ols a !
— N a... é c la ro — d is se e le .
Desta v ez, e le n ão s e d eu o tr a b alh o d e m ete r a m ão n a b ols a , m as u so u
outr o F eitiç o C onvocató rio . A b arra ca s a iu e m u m d is fo rm e b olo d e l o na, c o rd a e
pau s. H arry r e co nheceu , e m p arte p elo c h eir o d e g ato s, q ue e ra a m esm a b arra ca
em q ue t in ham d orm id o n a n oite d a T aça M undia l d e Q uad rib ol.
— P en se i q ue p erte n cesse à q uele c ara d o M in is té rio , o P erk in s.
— A pare n te m en te e le n ão a q uis m ais , s e u lu m bag o e stá d oen do d em ais —
re sp ondeu H erm io ne, e x ecu ta n do c o m a v arin ha u m a f ig ura c o m plic ad a e m o ito
movim en to s — , en tã o o p ai d e R ony d is se q ue eu p odia p eg ar em pre sta d a.
Ere cto
! — a cre sc en to u e la , a p onta n do a v arin ha p ara o a m onto ad o d e lo na, q ue,
em u m m ovim en to f lu id o, s e e rg ueu n o a r e s e a co m odou, i n te ir a m en te m onta d o,
no c h ão d ia n te d o s u rp re so H arry , d e c u ja m ão v oou u m e sp eq ue q ue a te rris so u
co m u m b aq ue f in al n a p onta d e u m a c o rd a.
“C ave in im ic u m
”, te rm in ou H erm io ne, c o m u m f lo re io p ara o a lto . “ Is so é
o m áx im o q ue s e i fa zer. N o m ín im o, n os a v is a rã o d a c h eg ad a d ele s; n ão p osso
gara n tir q ue i m ped ir ã o a e n tr a d a d e V ol...”
— N ão dig a o nom e! — in te rro m peu -a R ony, ris p id am en te . H arry e
Herm io ne s e e n tr e o lh ara m .
— D esc u lp em — to rn ou e le , g em en do u m p ouco a o s e e rg uer p ara e n cara r
os a m ig os — , m as d á u m a s e n sa ção d e... a zara ção o u c o is a p are cid a. S erá q ue
não p odem os c h am á-lo d e V ocê-S ab e-Q uem ... p or f a v or?
— D um ble d ore d iz ia q ue o t e m or d e u m n om e... — c o m eço u H arry .
— C aso v ocê n ão te n ha re p ara d o, c o le g a, c h am ar V ocê-S ab e-Q uem p elo
nom e, a fin al, n ão d eu m uito c erto p ara D um ble d ore -re tr u co u R ony. — Q uer...
quer... p elo m en os d em onstr a r a lg um r e sp eito p or V ocê-S ab e-Q uem ?

Resp eito
? — re p etiu H arry , m as H erm io ne lh e la n ço u um olh ar
av is a n do-o p ara n ão d is c u tir c o m R ony e n quan to o a m ig o e stiv esse t ã o f ra co .
Harry e H erm io ne c arre g ara m e , a o m esm o te m po, a rra sta ra m R ony p ela
en tr a d a d a b arra ca. O i n te rio r e ra e x ata m en te o q ue H arry l e m bra v a: u m p eq uen o
ap arta m en to , c o m ple to , c o m b an heir o e u m a m in ic o zin ha. E le e m purro u u m a
velh a p oltr o na p ara o la d o e d ep osito u o a m ig o c o m c u id ad o n a c am a d e b aix o

de u m b elic h e. M esm o esse p erc u rs o tã o p eq uen o d eix ara R ony ain da m ais
pálid o, e , q uan do te rm in ara m d e a co m odá-lo n o c o lc h ão , e le to rn ou a f e ch ar o s
olh os e f ic o u a lg um t e m po c ala d o.
— V ou p re p ara r u m p ouco d e c h á — d is se H erm io ne, s e m fô le g o, tir a n do
um a c h ale ir a e c an ecas d o f u ndo d a b ols a e s e d ir ig in do à c o zin ha.
Harry a ch ou a b eb id a q uen te tã o p ro vid en cia l q uan to o u ís q ue d e fo go n a
noite e m q ue O lh o-T onto tin ha m orrid o; p are ceu q ueim ar u m p o uco o m ed o q ue
se a g ita v a e m s e u p eito . M in uto s d ep ois , R ony q ueb ro u o s ilê n cio .
— Q ue a ch am q ue a co nte ceu c o m o s C atte rm ole ?
— C om u m p ouco d e so rte , te rã o co nse g uid o fu gir — d is se H erm io ne,
ap erta n do a c an eca p ara s e tr a n qüiliz ar. — D esd e q ue te n ha m an tid o a p re se n ça
de e sp ír ito p or a lg um te m po, o sr. C atte rm ole te rá tr a n sp orta d o a m ulh er p or
Apara ta ção A co m pan had a e e sta rã o f u gin do d o p aís c o m a s c ria n ças n este e x ato
mom en to . F oi e sse o c o nse lh o d e H arry à m ulh er.
— C ara m ba, e sp ero q ue te n ham e sc ap ad o — d is se R ony, to rn an do a b aix ar
a c ab eça n os tr a v esse ir o s. O c h á p are cia e sta r lh e fa zen do b em ; re cu pera ra u m
arz in ho d e c o r. — M as tiv e a im pre ssã o d e q ue R eg C atte rm ole n ão e ra m uito
in te lig en te , p ela m an eir a c o m q ue a s p esso as s e d ir ig ia m a m im e n quan to f u i e le .
Deu s, e sp ero q ue te n ham c o nse g uid o... s e e le s a cab are m e m A zk ab an p or n ossa
cau sa ...
Harry o lh ou p ara H erm io ne e a p erg unta q ue tin ha n a p onta d a lín gua — s e
a fa lta d e v arin ha im ped ir ia a sra . C atte rm ole d e ap ara ta r co m o m arid o —
morre u e m s u a b oca. H erm io ne e sta v a v en do R ony s e p re o cu p ar c o m o d estin o
dos C atte rm ole , e h av ia ta n ta te rn ura e m s e u r o sto q ue H arry te v e a s e n sa ção d e
quase s u rp re en dê-la b eija n do o a m ig o.
— E ntã o , p eg ou? — p erg unto u H arry , e m p arte p ara le m bra r H erm io ne d e
su a p re se n ça.
— P eg ou... p eg ou o q uê? — p erg unto u e la , u m p ouquin ho a ssu sta d a.
— P ara q ue fo i q ue p assa m os p or tu do is so ? O m ed alh ão ! O nde e stá o
med alh ão ?

Vo cê peg ou
? — grito u Rony, erg uen do-s e um pouco m ais nos
tr a v esse ir o s. — N in guém m e c o nta n ad a! C ara m ba, p odia m t e r f a la d o!
— O ra , e stiv em os c o rre n do d os d em en ta d ore s p ara n ão m orre r, n ão f o i? —
ju stif ic o u-s e H erm io ne. — T om e a q ui.
E, t ir a n do o m ed alh ão d o b ols o d as v este s, e n tr e g ou-o a R ony.
Era g ra n de c o m o u m o vo d e g alin ha. U m a le tr a “ S ” flo re ad a, e n gasta d a
co m p ed rin has v erd es, l a m pejo u s o m bria m en te à l u z d if u sa q ue s e i n filtr a v a p elo
te to d e l o na d a b arra ca.
— H á a lg um a c h an ce d e a lg uém tê -la d estr u íd o d esd e q ue e ste v e n a p osse

de M onstr o ? — p erg unto u R ony e sp era n ço so . — Q uero d iz er, te m os c erte za d e
que c o ntin ua a s e r u m a H orc ru x?
— A ch o q ue s im — r e sp ondeu H erm io ne, r e to m an do o m ed alh ão d as m ão s
dele e e x am in an do-o a te n ta m en te . — H av eria a lg um s in al d e d an o s e o c o nte ú do
tiv esse s id o m ag ic am en te d estr u íd o.
Ela p asso u-o a H arry , q ue v ir o u e r e v ir o u o m ed alh ão n os d ed os. O o bje to
pare cia p erfe ito , in ta cto . L em bro u-s e d os re sto s estr a çalh ad os d o d iá rio e d a
ped ra n o a n el- H orc ru x q ue f e n dera a o s e r d estr u íd a p or D um ble d ore .
— A ch o q ue M onstr o tin ha ra zão . T em os q ue d esc o brir c o m o a b rir e ssa
co is a p ara p oderm os d estr u í- la .
A sú bita co nsc iê n cia d o q ue se g ura v a, d o q ue esta v a v iv o p or tr á s d as
portin has d e o uro , a tin giu H arry e n quan to fa la v a. M esm o d ep ois d e to dos o s
esfo rç o s p ara e n co ntr á -lo , e le s e n tiu u m v io le n to im puls o d e a rre m essa r lo nge o
med alh ão . C ontr o la n do-s e , te n to u a b ri- lo c o m o s d ed os, d ep ois e x perim en to u o
fe itiç o q ue H erm io ne u sa ra p ara a b rir a p orta d o q uarto d e R ég ulo . N en hum d os
dois d eu re su lta d o. D ev olv eu , e n tã o , o m ed alh ão a R ony e H erm io ne, c ad a u m
fe z o q ue p ôde, m as n ão t iv era m m aio r s u cesso .
— M as v ocê c o nse g ue s e n tir ? — p erg unto u R ony c o m a v oz a b afa d a, a o
ap erta r o o bje to n a m ão .
— C om o a ssim ?
Rony p asso u-lh e a H orc ru x. I n sta n te s d ep ois , H arry p en so u te r e n te n did o o
que e le q ueria d iz er. E sta ria s e n tin do o s a n gue p uls a r e m s u as v eia s, o u h av ia
alg um a c o is a n o m ed alh ão b ate n do c o m o u m m in úsc u lo c o ra ção m etá lic o ?
— Q ue v ai f a zer c o m i s so ? — p erg unto u H erm io ne.
— G uard á-lo e m se g ura n ça a té d esc o brir m os c o m o d estr u í- lo -re sp ondeu
Harry e, p or m en os q ue is so lh e ag ra d asse , p re n deu a co rre n te ao p esc o ço ,
deix an do o m ed alh ão p en der, o cu lto , s o b s u as v este s, o nde re p ouso u s o bre s e u
peito , a o l a d o d a b ols a q ue H ag rid l h e d era .
— A ch o que dev ía m os nos re v ezar para vig ia r a barra ca por fo ra —
acre sc en to u H erm io ne, s e p ondo d e p é e s e e sp re g uiç an do. — E t a m bém t e re m os
que pen sa r em alg um a co is a para co m er. Você fic a aq ui — acre sc en to u,
ra p id am en te , q uan do R ony te n to u s e le v an ta r e s e u ro sto a d quir iu u m fe io to m
verd oso .
Equilib ra n do c o m c u id ad o s o bre a b arra ca o b is b ilh osc ó pio q ue H erm io ne
dera d e p re se n te a H arry e m se u a n iv ers á rio , o s d ois p assa ra m o re sto d o d ia
div id in do os tu rn os de vig ia . O bis b ilh osc ó pio , no en ta n to , perm an eceu
sile n cio so e p ara d o o te m po to do, e , fo sse p or c au sa d os fe itiç o s d e p ro te ção e
Feitiç o s A ntitr o uxas que H erm io ne la n çara ao re d or, ou porq ue as pesso as
ra ra m en te se av en tu ra v am naq uela s para g en s, a cla re ir a perm an eceu dese rta

ex ceto p or r a ro s p ássa ro s e e sq uilo s. A n oite n ão tr o uxe a lte ra ção a lg um a; H arry
acen deu a varin ha ao su bstitu ir H erm io ne às dez hora s e co nte m plo u um a
pais a g em d ese rta , r e g is tr a n do o s m orc eg os q ue v oav am m uito a lto n o r e ta lh o d e
céu e str e la d o q ue s e a v is ta v a d a c la re ir a p ro te g id a.
Sen tia fo m e, ag ora , e um pouco de to ntu ra . H erm io ne não esto cara
alim en to s n a b ols in ha m ág ic a, p ois s u puse ra q ue e le s fo sse m re to rn ar a o la rg o
Grim mau ld naq uela noite . Não hav ia , porta n to , co m id a, ex ceto alg uns
co gum elo s silv estr e s q ue a g aro ta co lh era en tr e as árv ore s m ais p ró xim as e
co zin hara e m u m a v asilh a. D ep ois d e c o m er d ois b ocad os, R ony a fa sta ra su a
porç ão , p are cen do e n jo ad o; H arry s ó p ers is tir a p ara n ão m ag oar H erm io ne.
O silê n cio cir c u ndan te era queb ra d o por so ns in dis tin to s ocasio nais e,
ta lv ez, g ra v eto s e sta la n do. H arry a ch ou q ue fo sse m p ro duzid os p or a n im ais e
não p or g en te , c o ntu do, e m punhou c o m f ir m eza a v arin ha, p ro nta p ara u so . S uas
en tr a n has, já av aria d as pela porç ão in su fic ie n te de co gum elo s borra ch udos,
tr e m ia m , c au sa n do-lh e m al- e sta r.
Pen sa ra q ue se n tir ia e u fo ria se c o nse g uis se m re av er a H orc ru x, m as p or
alg um a r a zão i s so n ão a co nte cera ; t u do q ue s e n tia , s e n ta d o n aq uela e sc u rid ão , d a
qual s u a v arin ha i lu m in av a u m a í n fim a p arte , e ra a p re en sã o p elo q ue a co nte ceria
a se g uir. Pare cia que estiv era se pre cip ita n do velo zm en te até aq uele lu gar
dura n te s e m an as, m ese s, t a lv ez a n os, m as a g ora e sta cara a b ru pta m en te , e ra o f im
da e str a d a.
Hav ia o utr a s H orc ru xes lá f o ra e m a lg um lu gar, m as e le n ão f a zia a m en or
id éia d e o nde p oderia m e sta r. N em m esm o s a b ia o q ue e ra m . N esse m eio -te m po,
não lh e oco rria co m o destr u ir a únic a que en co ntr a ra : a H orc ru x que, no
mom en to , ja zia s o bre s e u p eito n u. C urio sa m en te , o o bje to n ão r o ubara c alo r d o
se u co rp o, esta v a tã o frio ali, so bre su a p ele , q ue p oderia te r sa íd o d a ág ua
gela d a. D e v ez em q uan do, H arry p en sa v a, o u ta lv ez im ag in asse , q ue p odia
se n tir u m b atim en to d e c o ra ção m ín im o, n o m esm o c o m passo q ue o s e u .
Pre sse n tim en to s in om in áv eis o a ssa lta v am , a li n o e sc u ro : te n ta v a re sis tir -
lh es, afa stá -lo s, co ntu do ele s re co rria m se m d esc an so .
Nen hum p oderá viv er
en quanto o o utr o s o bre viv er
. R ony e H erm io ne, a g ora c o nvers a n do b aix in ho n a
barra ca à s su as c o sta s, p oderia m ir e m bora se q uis e sse m : e le n ão p oderia . E
pare cia -lh e, n aq uela im obilid ad e e m q ue te n ta v a d om in ar o m ed o e a e x au stã o ,
que a H orc ru x so bre se u p eito m arc av a o te m po q ue lh e re sta v a...
Que id éia
id io ta
, d is se a s i m esm o,
não p en se i s so
...
Sua cic atr iz esta v a re co m eçan do a fo rm ig ar. Receav a que estiv esse
pro vocan do a q uilo a o e n tr e te r t a is p en sa m en to s, e t e n to u r e d ir e cio ná-lo s. P en so u
no pobre M onstr o , esp era n do a ch eg ad a dele s em casa e, em vez dis so ,
re ceb en do Y ax le y. O e lf o g uard aria s ilê n cio o u c o nta ria a o C om en sa l d a M orte

tu do q ue s a b ia ? H arry q ueria a cre d ita r q ue M onstr o m udara s u a r e la ção c o m e le
dura n te o m ês q ue p assa ra , q ue se m an te ria le al, m as q uem sa b ia o q ue ir ia
aco nte cer? E se o s C om en sa is d a M orte to rtu ra sse m o e lf o ? Im ag en s té tr ic as
fe rv ilh ara m e m s u a m en te e e le t e n to u a fa stá -la s t a m bém , p orq ue n ão h av ia n ad a
que p udesse f a zer p or M onstr o : e le e H erm io ne j á t in ham d ecid id o n ão c o nvocá-
lo ; e se alg uém do M in is té rio vie sse ju nto ? E le s não podia m co nta r que a
ap ara ta ção d e e lf o s f o sse is e n ta d a f a lh a q ue le v ara Y ax le y a o la rg o G rim mau ld
ag arra d o à m an ga d e H erm io ne.
A c ic atr iz d e H arry a g ora q ueim av a. L em bro u q ue h av ia ta n ta c o is a q ue
ig nora v am : L upin esta v a certo quan do fa la ra em m ag ia que ja m ais tin ham
en fre n ta d o o u im ag in ad o. P or q ue D um ble d ore n ão lh e e x plic ara m ais ? T eria
pen sa d o q ue h av eria te m po; q ue v iv eria a n os, s é cu lo s ta lv ez, c o m o s e u a m ig o
Nic o la u F la m el? S e assim fo sse , en gan ara -s e ... S nap e se en carre g ara d is so ...
Snap e, a s e rp en te a d orm ecid a, q ue a ta cara n o a lto d a T orre ...
E D um ble d ore c aír a ... c aír a ...
— E ntr e g ue-m e, G re g oro vitc h .
A v oz d e H arry s a iu a g uda, c la ra e f ria : s u a v arin ha e ste n did a à f re n te p or
um a m ão bra n ca de ded os lo ngos. O hom em para quem ap onta v a esta v a
su sp en so n o a r d e c ab eça p ara b aix o, e m bora n ão h ouvesse c o rd as s e g ura n do-o ;
ele b ala n çav a, in vis ív el e s in is tr a m en te p re so , o s m em bro s e n ro la d os n o c o rp o,
se u ro sto a te rro riz ad o, n o m esm o n ív el q ue o d e H arry , v erm elh o p or c au sa d o
sa n gue q ue lh e a flu ír a à c ab eça. T in ha c ab elo s a b so lu ta m en te b ra n co s e u m a
barb a c erra d a d e p êlo s e sp esso s: u m P ap ai N oel n o e sp eto .
— N ão a t e n ho, n ão a t e n ho m ais ! R oubara m -m e h á m uito s a n os!
— N ão m in ta p ara L ord V old em ort, G re g oro vitc h . E le sa b e... e le se m pre
sa b e.
As p upila s d o h om em p en dura d o e sta v am g ra n des, d ila ta d as d e m ed o, e
pare cia m i n ch ar, c ad a v ez m ais , a té q ue s e u n eg ru m e e n goliu H arry i n te ir o ...
E a gora e le s e v ia c o rre n do p or u m c o rre d or e sc u ro a tr á s d o a ta rra ca do
Gre g oro vitc h , que se g ura va um a la nte rn a no alto : o bru xo aden tr o u um
apose n to n o fin al d o c o rre d or e s u a la nte rn a ilu m in ou o q ue lh e p are ceu u m a
ofic in a; a para s d e m adeir a e o uro re lu zia m n o fo co tr ê m ulo d e lu z, e a li, n o
peito ril d a ja nela , a ch ava -s e , e m pole ir a do, c o m o u m a g ra nde a ve, u m jo vem d e
ca belo s d oura dos. N a fr a çã o d e se g undo q ue a lu z d a la nte rn a in cid iu n ele ,
Harry viu pra ze r em se u belo ro sto , en tã o o in tr u so la nço u um Feitiç o
Estu pora nte d e su a v a rin ha e sa lto u, d e c o sta s, d o p eito ril c o m u m g rito d e
tr iu nfo .
E H arry s e v iu r e cu an do v elo zm en te d aq uela s p upila s e n orm es c o m o t ú neis ,
o r o sto d e G re g oro vitc h a te rro riz ad o.

— Q uem f o i o l a d rã o , G re g oro vitc h ? — p erg unto u a v oz a g uda e f ria .
— N ão s e i, n unca s o ube, u m j o vem ... n ão ... p or f a v or... P O R F A V OR!
Um g rito i n te rm in áv el s e g uid o d e u m l a m pejo v erd e...
— H arry !
Ele a b riu o s o lh os, o fe g an te , a te sta la te ja n do. T in ha d esm aia d o c o ntr a a
pare d e d a b arra ca: e sc o rre g ara d e la d o p ela lo na e s e e sta te la ra n o c h ão . E rg ueu
os o lh os p ara H erm io ne, c u jo s c ab elo s c h eio s o bsc u re cia m o re ta lh in ho d e c éu
vis ív el a tr a v és d a e sc u ra r a m ag em a cim a.
— S onho — d is se e le , s e n ta n do-s e d ep re ssa e t e n ta n do e n fre n ta r a c arra n ca
de H erm io ne c o m u m a r d e i n ocên cia . — D ev o t e r c o ch ila d o, d esc u lp e.
— S ei q ue f o i a s u a c ic atr iz ! P erc eb o n o s e u r o sto ! V ocê e sta v a e sp ia n do a
men te d e V ol...
— N ão d ig a esse n om e! — O uvir a m a v oz ir rita d a d e R ony v in da d as
pro fu ndezas d a b arra ca.

Ótim o
— r e to rq uiu H erm io ne. — E ntã o , a m en te d e V ocê-S ab e-Q uem !
— N ão q uis q ue a co nte cesse ! — d efe n deu -s e H arry . — F oi u m s o nho!
Vo cê
co nse g ue c o ntr o la r o q ue s o nha, H erm io ne?
— S e você ao m en os tiv esse ap re n did o a usa r a O clu m ên cia ... H arry ,
poré m , n ão e sta v a i n te re ssa d o e m l e v ar u m a d esc o m postu ra d e H erm io ne; q ueria
dis c u tir o q ue a cab ara d e v er.
— E le e n co ntr o u G re g oro vitc h , H erm io ne, e a ch o q ue o m ato u, m as, a n te s
de m ata r, l e u a m en te d o h om em e v i...
— A ch o q ue é m elh or e u a ssu m ir a v ig ia , s e o s e u c an sa ço é t a n to q ue v ocê
está c o ch ila n do — d is se H erm io ne f ria m en te .
— E u p osso t e rm in ar a v ig ia !
— N ão , o bvia m en te v ocê e stá e x au sto . V á s e d eita r.
Ela se la rg ou n a e n tr a d a d a b arra ca, d ecid id a. A borre cid o, m as q uere n do
ev ita r u m a b rig a, H arry e n tr o u.
O r o sto a in da p álid o d e R ony s e e rg ueu , c u rio so , d o b elic h e; H arry s u biu n a
cam a d e c im a, d eito u-s e e fic o u o lh an do p ara o te to e sc u ro d e lo na. P assa d os
vário s m in uto s, R ony f a lo u m uito b aix in ho p ara H erm io ne n ão o uvir , e n co lh id a
na e n tr a d a.
— Q ue é q ue V ocê-S ab e-Q uem e stá f a zen do?
Harry ap erto u o s o lh os se esfo rç an do p ara re co rd ar cad a d eta lh e, en tã o
su ssu rro u n o e sc u ro :
— E nco ntr o u G re g oro vitc h . A m arro u-o e e sta v a t o rtu ra n do o h om em .
— C om o é q ue G re g oro vitc h v ai fa zer u m a n ova v arin ha p ara e le s e e stá
am arra d o?
— N ão s e i... é e sq uis ito , n ão é ?

Harry fe ch ou o s o lh os, p en sa n do e m tu do q ue v ir a e o uvir a . Q uan to m ais
le m bra v a, m en os s e n tid o f a zia ... V old em ort n ão tin ha d ito n ad a s o bre a v arin ha
de H arry , nad a so bre os núcle o s gêm eo s, nad a so bre a id éia de m an dar
Gre g oro vitc h f a zer u m a v arin ha n ova e m ais p odero sa p ara d erro ta r a d e H arry ...
— Q ueria a lg um a c o is a d e G re g oro vitc h — d is se H arry , a in da c o m o s o lh os
bem f e ch ad os. — P ed iu q ue lh e e n tr e g asse , m as G re g oro vitc h d is se q ue tin ham
lh e r o ubad o... e e n tã o ... e n tã o ...
Harry le m bro u c o m o e le , n o c o rp o d e V old em ort, p are cera in vad ir o s o lh os
de G re g oro vitc h a té s u a m em ória ...
— L eu a m en te d e G re g oro vitc h e v iu u m ra p az lo uro , e m pole ir a d o n o
peito ril d a j a n ela , q ue l a n ço u u m f e itiç o e m G re g oro vitc h e , d an do u m s a lto p ara
tr á s, desa p are ceu . E le ro ubou, ro ubou se ja o que fo r que V ocê-S ab e-Q uem
pro cu ra . E e u ... e u a ch o q ue j á v i o r a p az e m a lg um l u gar...
Harry d ese jo u p oder d ar m ais u m a o lh ad a n aq uele ro sto ris o nho. O ro ubo
aco nte cera h av ia m uito s a n os, s e g undo G re g oro vitc h . P or q ue o j o vem l a d rã o l h e
pare cia f a m ilia r?
Os r u íd os d a m ata s o av am a b afa d os n o in te rio r d a b arra ca; s ó o q ue H arry
esc u ta v a e ra a r e sp ir a ção d o a m ig o. P assa d o a lg um t e m po, R ony s u ssu rro u:
— V ocê n ão v iu o q ue o l a d rã o e sta v a s e g ura n do?
— N ão ... d ev ia s e r a lg um a c o is a p eq uen a.
— H arry ?
As rip as d e m ad eir a d a cam a d e R ony ra n gera m q uan do ele m udou d e
posiç ão .
— H arry , v ocê n ão a ch a q ue V ocê-S ab e-Q uem e sta v a a tr á s d e o utr o o bje to
para t r a n sfo rm ar e m H orc ru x?
— N ão s e i — r e sp ondeu e le , l e n ta m en te . — T alv ez. M as n ão s e ria p erig oso
cria r m ais u m a? H erm io ne n ão d is se q ue e le j á t in ha f o rç ad o a a lm a a o m áx im o?
— É , m as e le t a lv ez n ão s a ib a d is so .
— É ... t a lv ez — d is se H arry .
Tiv era certe za de que V old em ort an dav a pro cu ra n do um a m an eir a de
co nto rn ar o p ro ble m a d os n úcle o s g êm eo s, c erte za d e q ue b usc av a u m a s o lu ção
co m o v elh o f a b ric an te d e v arin has... c o ntu do, m ata ra -o , a p are n te m en te s e m lh e
fa zer u m a ú nic a p erg unta s o bre v arin has.
Que é q ue V old em ort e sta v a te n ta n do e n co ntr a r? P or q ue, c o m o M in is té rio
da M ag ia e o m undo b ru xo a s e u s p és, e le fo i p ara lo nge, d ecid id o a e n co ntr a r
um o bje to q ue n o p assa d o p erte n ceu a G re g oro vitc h e lh e fo i ro ubad o p or u m
la d rã o d esc o nhecid o?
Harry a in da v ia o r o sto d o r a p az lo uro , e ra a le g re e r e b eld e; h av ia n ele u m
ar à la F re d e J o rg e e s e u s b em -s u ced id os lo gro s. E le v oara d o p eito ril d a ja n ela

co m o u m p ássa ro , e H arry j á o v ir a a n te s, m as n ão c o nse g uia l e m bra r o nde...
Com G re g oro vitc h m orto , e ra u m la d rã o d e ro sto a le g re q ue a g ora c o rria
perig o, e fo i n ele q ue s e d etiv era m o s p en sa m en to s d e H arry q uan do o s ro nco s
de R ony co m eçara m a eco ar da cam a de baix o e ele pró prio re co m eço u
le n ta m en te a a d orm ecer.

1 5
A v in gan ça d o d uen de
Ced o n a m an hã s e g uin te , a n te s q ue o s o utr o s a co rd asse m , H arry d eix ou a
b arra ca e m b usc a d a á rv ore m ais a n tig a e d e a p arê n cia m ais n odosa e e lá stic a
q ue p udesse e n co ntr a r. A li, à su a so m bra , e le e n te rro u o o lh o d e O lh o-T onto
M oody e m arc o u o lo cal g ra v an do, c o m a su a v arin ha, u m a p eq uen a c ru z n a
c asc a. N ão e ra m uita c o is a , m as H arry s e n tiu q ue O lh o-T onto t e ria p re fe rid o i s so
a fic ar en gasta d o n a p orta d e D olo re s U m brid ge. V olto u, en tã o , à b arra ca e
e sp ero u o s o utr o s a co rd are m p ara d is c u tir o q ue f a ria m a s e g uir.
Harry e H erm io ne a ch ara m q ue e ra m elh or n ão p ara re m e m lu gar a lg um
m uito te m po, e R ony co nco rd ou, co m a únic a re ssa lv a de que o pró xim o
d eslo cam en to o s d eix asse p ró xim os a u m s a n duíc h e d e b aco n. H erm io ne d esfe z,
p orta n to , os fe itiç o s que la n çara so bre a cla re ir a , en quan to os dois am ig os
a p ag av am to das as m arc as e im pre ssõ es no so lo que pudesse m in dic ar que
h av ia m acam pad o ali. E m se g uid a, desa p ara ta ra m para a perif e ria de um a
p eq uen a c id ad e c o m erc ia l.
Dep ois de arm are m a barra ca ao ab rig o de um peq uen o arv ore d o que
c erc ara m c o m fe itiç o s d efe n siv os, H arry a rris c o u u m a su rtid a so b a C ap a d a
I n vis ib ilid ad e p ara p ro cu ra r a lim en to s. S ua te n ta tiv a, p oré m , n ão s a iu c o nfo rm e
p la n eja ra . M al a cab ara d e e n tr a r n a c id ad e q uan do u m f rio a n orm al, u m a n év oa
b aix a e u m r e p en tin o e sc u re cim en to d o c éu o f iz era m e sta car, c o ngela d o.
— M as v ocê s a b e c o nju ra r u m P atr o no g en ia l! — p ro te sto u R ony, q uan do
H arry v olto u à b arra ca d e m ão s v azia s, s e m f ô le g o, d iz en do u m a ú nic a p ala v ra :
“ d em en ta d ore s” .
— N ão c o nse g ui... p ro duzir u m — a rq uejo u, c o m prim in do u m a p onta d a n o
l a d o d o c o rp o. — N ão q uis ... a p are cer.
As ex pre ssõ es de pesa r e desa p onta m en to dos am ig os deix ara m -n o
e n verg onhad o. F ora u m a e x periê n cia a te rro riz an te v er a o lo nge o s d em en ta d ore s
d esliz an do d a n év oa, e c o m pre en der, q uan do o f rio p ara lis a n te o bstr u iu o s s e u s
p ulm ões e g rito s d is ta n te s e n ch era m s e u s o uvid os, q ue e le n ão ia c o nse g uir s e
p ro te g er. H arry p re cis o u d e to da a su a fo rç a d e v onta d e p ara se d esp re g ar d o
c h ão e co rre r, d eix an do o s d em en ta d ore s se m o lh os se d eslo care m en tr e o s
t r o uxas q ue ta lv ez n ão o s v is se m , m as q ue, c erta m en te , s e n tir ia m o d ese sp ero
q ue e le s l a n çav am p or o nde q uer q ue p assa sse m .
— C ontin uam os, e n tã o , s e m c o m id a.

— C ala a b oca, R ony — c o rto u-o H erm io ne. — H arry , q ue a co nte ceu ? P or
que ach a que não co nse g uiu co nju ra r o se u P atr o no? O nte m você fe z is so
perfe ita m en te !
— N ão s e i.
Harry a fu ndou-s e e m u m a d as v elh as p oltr o nas d e P erk in s, s e n tin do-s e , a
cad a m om en to , m ais h um ilh ad o . R eceav a q ue a lg um a c o is a tiv esse d esa b ilita d o
den tr o d ele . O d ia d e o nte m p are cia te r s id o m uito s s é cu lo s a tr á s: h oje , s e n tia -s e
novam en te co m tr e ze an os, o únic o garo to que desm aia ra no E xpre sso de
Hogw arts .
Rony c h uto u o p é d e u m a c ad eir a .
— Q uê? — ro sn ou p ara H erm io ne. — E sto u m orre n do d e fo m e! D ep ois
que q uase m orri d e t a n to s a n gra r, s ó c o m i u ns d ois c o gum elo s!
— E ntã o v á e ab ra cam in ho à fo rç a en tr e o s d em en ta d ore s — re tr u co u
Harry , m ord id o.
— E u ir ia , m as esto u co m um bra ço na tip óia , caso você não te n ha
re p ara d o!
— M uito c o nven ie n te .
— E q ue q uer d iz er...
— É c la ro ! — e x cla m ou H erm io ne, d an do u m t a p in ha n a t e sta e f a zen do o s
dois se cala re m de su sto . — H arry , m e dá o m ed alh ão ! -p ed iu im pacie n te ,
esta la n do o s d ed os p ara o g aro to a o v er q ue n ão re ag ir a . — V ocê a in da e stá
usa n do a H orc ru x!
Ela e ste n deu a s m ão s e H arry tir o u a c o rre n te d e o uro p ela c ab eça. N o
mom en to e m q ue o o bje to d ese n co sto u d e s u a p ele , o g aro to s e s e n tiu liv re e
estr a n ham en te le v e. N ão tin ha p erc eb id o q ue e sta v a s u ad o e q ue h av ia u m p eso
co m prim in do s e u e stô m ag o a té a s d uas s e n sa çõ es d esa p are cera m .
— M elh or? — p erg unto u H erm io ne.
— N ossa , m uito m elh or!
— H arry — to rn ou e la , a g ach an do-s e à s u a f re n te e u sa n do u m to m d e v oz
que o g aro to a sso cia v a a v is ita s a g en te m uito d oen te — , v ocê n ão a ch a q ue f o i
possu íd o, a ch a?
— Q uê? N ão ! — e x cla m ou e le , n a d efe n siv a. — L em bro -m e d e tu do q ue
fiz em os en quan to estiv e usa n do o m ed alh ão . E u não sa b eria o que fiz se
estiv esse p ossu íd o, n ão é ? G in a m e c o nto u q ue, à s v ezes, e la n ão c o nse g uia s e
le m bra r d e n ad a.
— H um — dis se H erm io ne, co nte m pla n do o pesa d o m ed alh ão . -B em ,
ta lv ez se ja m elh or n ão o u sa rm os. P odem os sim ple sm en te g uard á-lo aq ui n a
barra ca.
— N ão v am os d eix ar e ssa H orc ru x p or a í — d is se H arry , c o m f ir m eza. —

Se a p erd erm os, s e a r o ubare m ...
— A h, tá b em , tá b em — r e sp ondeu e la , c o lo can do o m ed alh ão n o p ró prio
pesc o ço e e sc o nden do-o p or b aix o d a b lu sa . — M as v am os n os re v ezar, a ssim
nin guém i r á u sá -la p or m uito t e m po.
— Ó tim o — d is se R ony, i r rita d o — , e a g ora q ue j á a certa m os i s so , s e rá q ue
podem os c o m er a lg um a c o is a ?
— T udo b em , m as v am os p ro cu ra r e m o utr o lu gar — p ro pôs H erm io ne,
la n çan do u m o lh ar rá p id o p ara H arry . — N ão te m s e n tid o fic ar a q ui, s a b en do
que o s d em en ta d ore s e stã o a ta can do.
Ele s a cab ara m p ern oita n do e m u m e x te n so c am po d e u m a p ro prie d ad e r u ra l
is o la d a, n a q ual o btiv era m o vos e p ão .
— N ão esta m os ro uban do, não é? — perg unto u H erm io ne, em to m
pre o cu pad o, e n quan to d ev ora v am o vos m ex id os c o m to rra d a. - N ão s e e u d eix ei
um d in heir o n o g alin heir o , c o nco rd am ?
Rony v ir o u o s o lh os p ara o a lto e d is se c o m a b oca e stu fa d a:
— E r-m i- n e, c ê p re cu pa d em ais . E la xa !
E, de fa to , fic o u m uito m ais fá cil re la x ar dep ois de esta re m bem
alim en ta d os: a d is c u ssã o so bre o s d em en ta d ore s fo i esq uecid a en tr e ris o s, e
Harry s e s e n tiu a n im ad o, e a té e sp era n ço so , q uan do a ssu m iu a p rim eir a d as tr ê s
vig ia s d a n oite .
Esta fo i a p rim eir a v ez q ue c o n sta ta ra m q ue u m a b arrig a c h eia g era b om
hum or; e , u m a v azia , d ese n te n dim en to e tr is te za. A H arry , is so n ão s u rp re en deu
muito , p orq ue c h eg ara v ária s v ezes à b eir a d a in an iç ão n a c asa d os D urs le y.
Herm io ne s u porto u r a zo av elm en te b em a s n oite s e m q ue s ó c o nse g uia m a rra n ja r
fru tin has e b is c o ito s v elh os, s u a p aciê n cia ta lv ez u m p ouco m ais c u rta d o q ue o
norm al e s e u s s ilê n cio s m ela n có lic o s. R ony, n o e n ta n to , f o ra a co stu m ad o a tr ê s
delic io sa s re fe iç õ es p or d ia , c o rte sia d e su a m ãe o u d os e lf o s d om éstic o s d e
Hogw arts , e a fo m e o to rn av a ir ra cio nal e ir a sc ív el. S em pre q ue a fa lta d e
co m id a c o in cid ia c o m s u a v ez d e u sa r a H orc ru x, e le s e to rn av a d ecid id am en te
desa g ra d áv el.
— E ag ora ? — E ra o se u co nsta n te re frã o . N ão pare cia te r id éia s a
co ntr ib uir , m as e sp era v a q ue H arry e H erm io ne s u geris se m p la n os, e n quan to e le
fic av a para d o, re m oen do a esc asse z de co m id a. A ssim , H arry e H erm io ne
passa v am h ora s in fru tíf e ra s, te n ta n do d ecid ir o nde p ro cu ra r a s o utr a s H orc ru xes
e c o m o d estr u ir a q ue t in ham e m s e u p oder, s u as c o nvers a s s e t o rn an do c ad a v ez
mais r e p etitiv as, p ois n ão t in ham n ovas i n fo rm açõ es.
Um a v ez q ue D um ble d ore d is se ra a H arry q ue a cre d ita v a q ue V old em ort
tiv esse e sc o ndid o a s H orc ru xes e m lu gare s q ue ju lg av a im porta n te s, o s d ois n ão
para v am d e d esfia r, e m u m a e sp écie d e la d ain ha e n fa d onha, o s lu gare s o nde

sa b ia m que o lo rd e viv era ou vis ita ra . O orfa n ato onde nasc era e cre sc era ,
Hogw arts o nde fo ra e d ucad o, B org in & B urk es, o nde tr a b alh ara a o te rm in ar a
esc o la , d ep ois a A lb ân ia , o nde p assa ra o s a n os d e e x ílio : e ssa e ra a b ase d e s u as
esp ecu la çõ es.
— É , v am os à A lb ân ia . N ão v am os g asta r m ais d o q ue u m a ta rd e p ara
vasc u lh ar o p aís i n te ir o — d is se R ony, s a rc astic am en te .
— N ão p ode h av er n ad a lá . E le já tin ha c ria d o c in co d as H orc ru xes q uan do
fo i p ara o e x ílio , e D um ble d ore tin ha c erte za d e q ue a c o bra e ra a se x ta —
co ntr a p ôs H erm io ne. — S ab em os q ue a c o bra n ão e stá n a A lb ân ia , n orm alm en te
aco m pan ha V ol...

Eu n ão p ed i p ara v o cê p ara r d e d iz e r i s so
?
— Ó tim o! A c o bra n orm alm en te e stá c o m
Vo cê-S abe-Q uem
... f e liz a g ora ?
— N em t a n to .
— N ão c o nsig o v ê-lo e sc o nden do n ad a n a B org in & B urk es -d is se H arry ,
que já d efe n dera e sse p onto d e v is ta m uita s v ezes, m as re p etiu -o a p en as p ara
queb ra r o in cô m odo s ilê n cio . — B org in e B urk e e ra m e sp ecia lis ta s e m o bje to s
das T re v as, t e ria m r e co nhecid o u m a H orc ru x i m ed ia ta m en te .
Rony bocejo u acin to sa m en te . R ep rim in do um fo rte im puls o de atir a r
alg um a c o is a n o a m ig o, H arry c o ntin uou:
— A in da a ch o q ue e le p oderia t e r e sc o ndid o a lg um a c o is a e m H ogw arts .
Herm io ne s u sp ir o u.
— M as D um ble d ore a t e ria e n co ntr a d o, H arry !
O g aro to re p etiu o a rg um en to q ue se m pre tr a zia à b aila e m fa v or d e su a
te o ria .
— D um ble d ore c o nfe sso u a m im q ue n unca p re su m iu c o nhecer to dos o s
se g re d os d e H ogw arts . E e sto u l h e d iz en do q ue s e h av ia u m l u gar q ue V ol...
— O i!
— V OCÊ-S A BE-Q UEM , e n tã o ! — g rito u H arry , i r rita d o a lé m d a c o nta . —
Se h av ia u m lu gar q ue V ocê-S ab e-Q uem c o nsid era v a re alm en te im porta n te e ra
Hogw arts !
— A h, c o rta e ssa — c aço ou R ony. — A
esc o la
d ele ?
— É , a e sc o la d ele ! F oi o p rim eir o l a r v erd ad eir o q ue e le t e v e, o l u gar q ue o
to rn av a e sp ecia l, q ue s ig nif ic av a t u do p ara e le , e m esm o d ep ois q ue s a iu ...
— É d e V ocê-S ab e-Q uem q ue e sta m os f a la n do, c erto ? N ão é d e v ocê, é ? —
in dag ou R ony. Puxav a a co rre n te da H orc ru x em se u pesc o ço : H arry fo i
assa lta d o p elo d ese jo d e a g arra r a c o rre n te e u sá -la p ara e str a n gula r o a m ig o.
— V ocê n os c o nto u q ue V ocê-S ab e-Q uem p ed iu a D um ble d ore p ara lh e d ar
em pre g o d ep ois q ue s a iu d a e sc o la — d is se H erm io ne.
— I s so .

— E D um ble d ore ach ou q ue ele só q ueria v olta r p ara p ro cu ra r alg um a
co is a , p ro vav elm en te u m o bje to d e o utr o d os f u ndad ore s p ara tr a n sfo rm á-lo e m
um a H orc ru x?
— É .
— M as e le n ão c o nse g uiu o e m pre g o, c erto ? — c o nfe riu H erm io ne. —
Entã o , e le n unca te v e o portu nid ad e d e p ro cu ra r lá o o bje to d e u m fu ndad or e
esc o ndê-lo n a e sc o la !
— O .k ., e n tã o — c o nco rd ou H arry , v en cid o. — E sq ueça H ogw arts . S em
outr a s p is ta s, e le s v ia ja ra m a L ondre s e , p ro te g id os p ela C ap a d a I n vis ib ilid ad e,
pro cu ra ra m o o rfa n ato o nde V old em ort fo ra c ria d o. H erm io ne e n tr o u e sc o ndid a
em um a bib lio te ca e desc o briu , pelo s re g is tr o s, que o esta b ele cim en to fo ra
dem olid o hav ia an os. V is ita ra m o lo cal e dep ara ra m co m um a to rre de
esc ritó rio s.
— P odería m os t e n ta r c av ar n as f u ndaçõ es? — s u geriu H erm io ne s e m m uita
co nvic ção .
— E le n ão te ria esc o ndid o u m a H orc ru x aq ui — d is se H arry , q ue, n a
verd ad e, s e m pre s o ubera d is so : o o rfa n ato f o ra o lu gar d e q ue V old em ort e sta v a
decid o a fu gir ; e le ja m ais te ria e sc o ndid o u m a p arte d a a lm a lá . D um ble d ore
mostr a ra a H arry q ue o l o rd e b usc av a g ra n dio sid ad e o u m is tic is m o n a e sc o lh a d e
se u s esc o nderijo s; esse can to d eso la d o e cin zen to d e L ondre s n em d e lo nge
poderia le m bra r H ogw arts o u o M in is té rio o u u m e d if íc io c o m o G rin gote s, o
ban co d os b ru xos, c o m s u as p orta s d e o uro e s e u s p is o s d e m árm ore .
Mesm o se m n ovas id éia s, e le s c o ntin uara m a v ia ja r p elo c am po, a c ad a
noite a rm an do a b arra ca e m u m lu gar d if e re n te , p or m ed id a d e s e g ura n ça. T oda
man hã, e le s se c ertif ic av am d e te r re m ovid o a s p is ta s d e su a p re se n ça, e n tã o
partia m em busc a de outr o lu gar is o la d o e pro te g id o, deslo can do-s e por
ap ara ta ção a outr a s m ata s, a fe n das so m bria s em ro ch ed os ju nto ao m ar, a
ch arn ecas a rro xead as, a e n co sta s d e m onta n has c o berta s d e to jo s e , u m a v ez, a
um a e n se ad a p ed re g osa . A c ad a d oze h ora s, m ais o u m en os, e le s p assa v am a
Horc ru x d e u m p ara o utr o , c o m o s e e stiv esse m jo gan do e m c âm ara le n ta u m a
partid a p erv ers a d e p assa r o a n el, te m en do a h ora e m q ue, s e e rra sse m , a p re n da
se ria m d oze h ora s d e m ais a n sie d ad e e m ed o.
A cic atr iz de H arry não para v a de fo rm ig ar. A co nte cia co m m aio r
fre q üên cia , s e g undo o bse rv ou, q uan do e sta v a u sa n do a H orc ru x. P or v ezes, e le
não c o nse g uia e v ita r d em onstr a r a d or.
— Q uê? Q ue fo i q ue v ocê v iu ? — in dag av a R ony, s e m pre q ue v ia H arry
fa zer c are ta s.
— U m ro sto — m urm ura v a H arry , to das a s v ezes. — O m esm o ro sto . O
la d rã o q ue r o ubou G re g oro vitc h .

E R ony lh e d av a a s c o sta s se m fa zer e sfo rç o a lg um p ara e sc o nder o se u
desa p onta m en to . H arry sa b ia q ue o am ig o esta v a esp era n do n otíc ia s d e su a
fa m ília o u d os m em bro s re sta n te s d a O rd em d a F ên ix , m as, a fin al, e le , H arry ,
não e ra u m a a n te n a d e te le v is ã o ; s ó p odia v er o q ue V old em ort e sta v a p en sa n do
no m om en to , e n ão s in to niz ar o q ue l h e a g ra d asse . E , p elo q ue v ia , o l o rd e e sta v a
re fle tin do d em ora d am en te s o bre o jo vem d esc o nhecid o d e r o sto s o rrid en te , c u jo
nom e e p ara d eir o H arry tin ha c erte za d e q ue V old em ort s a b ia ta n to q uan to e le .
Um a v ez q ue su a c ic atr iz c o ntin uav a a a rd er e o ra p az so rrid en te d e c ab elo s
doura d os ta n ta liz av a s u a m em ória , e le a p re n deu a r e p rim ir q ualq uer s in al d e d or
ou m al- e sta r, p orq ue o s o utr o s d ois m an if e sta v am i m paciê n cia à s im ple s m en ção
do la d rã o . N ão p odia cu lp á-lo s in te ir a m en te , v en do-o s tã o d ese sp era d os p ara
en co ntr a r u m a p is ta q ue o s l e v asse à s H orc ru xes.
À m ed id a que os dia s se alo ngav am em se m an as, H arry co m eço u a
su sp eita r q ue R ony e H erm io ne e stiv esse m c o nvers a n do se m e le e so bre e le .
Vária s v ezes t in ham p ara d o a b ru pta m en te d e f a la r q uan do e le e n tr a ra n a b arra ca,
e, e m o utr a s d uas, H arry o s e n co ntr a ra p or a caso , c o nvers a n do e m s e g re d o a u m a
peq uen a d is tâ n cia , a s c ab eças j u nta s, f a la n do r a p id am en te ; e m a m bas, o s a m ig os
tin ham se cala d o ao perc eb er su a ap ro xim ação e se ap re ssa d o a fin gir que
esta v am o cu pad os e m a p an har l e n ha o u á g ua.
Harry não podia deix ar de se perg unta r se te ria m co nco rd ad o em
aco m pan há-lo n essa v ia g em , q ue a g ora ju lg av am s e m o bje tiv o e e rrá tic a, a p en as
porq ue pen sa ra m que tin ha um pla n o se cre to de que ele s to m aria m
co nhecim en to n o d ev id o te m po. R ony n ão e sta v a f a zen do o m en or e sfo rç o p ara
esc o nder o s e u m au h um or, e H arry c o m eçav a a re cear q ue H erm io ne ta m bém
estiv esse d esa p onta d a co m a su a fa lta d e lid era n ça. D ese sp era d o, ele te n to u
pen sa r em o utr o s lo cais p ara H orc ru xes, m as o ú nic o q ue co ntin uav a a lh e
oco rre r e ra H ogw arts , e , c o m o o s a m ig os n ão a ch av am q ue fo sse p ro váv el, e le
paro u d e s u geri- lo .
O outo no fo i desd obra n do-s e so bre os cam pos à m ed id a que ele s se
deslo cav am : ag ora , esta v am m onta n do a b arra ca so bre p alh as se cas e fo lh as
caíd as. N év oas n atu ra is s e m is tu ra v am à q uela s la n çad as p elo s d em en ta d ore s; o
ven to e a c h uva a u m en ta v am s e u s p ro ble m as. O f a to d e q ue H erm io ne e stiv esse
id en tif ic an do m elh or os co gum elo s co m estív eis não ch eg av a a co m pen sa r
in te ir a m en te o s e u is o la m en to c o ntín uo, a f a lta d a c o m pan hia d e o utr a s p esso as,
ou su a to ta l ig norâ n cia so bre o que esta v a aco nte cen do na guerra co ntr a
Vold em ort.
— M in ha m ãe — d is se R ony c erta n oite , q uan do s e a ch av am n a b arra ca, à
marg em d e u m rio em G ale s — é cap az d e co nju ra r d o n ad a u m a co m id a
gosto sa .

Ele c u tu cav a, ra b ugen to , o s p ed aço s d e p eix e c arb oniz ad o e m se u p ra to .
Harry o lh ou a u to m atic am en te p ara o p esc o ço d e R ony e v iu , c o nfo rm e e sp era v a,
o b rilh o d a c o rre n te d e o uro d a H orc ru x. C onse g uiu r e fre ar o im puls o d e x in gar
o am ig o, cu ja atitu de m elh ora ria um pouco no m om en to em que tir a sse o
med alh ão .
— S ua m ãe n ão c o nju ra c o m id a d o n ad a — d is se H erm io ne. -N in guém
pode fa zer is so . C om id a é a p rim eir a d as c in co p rin cip ais e x ceçõ es à L ei d e
Gam p s o bre a T ra n sfig ura ção E le m en ...
— A h, v ê s e f a la e m lín gua d e g en te , tá ! — r e to rq uiu R ony, e x tr a in do u m a
esp in ha d e p eix e p re sa e n tr e o s d en te s — É im possív el p re p ara r c o m id a b oa d o
nad a! V ocê p ode c o nvocá-la s e s o uber o nde a ch ar, v ocê p ode t r a n sfo rm á-la , v ocê
pode a u m en ta r a q uan tid ad e s e j á t e m a lg um a...
— ... p ois n ão s e d ê o tr a b alh o d e a u m en ta r e sta a q ui, tá u m a p orc aria —
re tr u co u e le .
— H arry a p an hou o p eix e e e u f iz o m elh or q ue p ude! E sto u n ota n do q ue
se m pre so u e u q ue a cab o re so lv en do o p ro ble m a d a c o m id a; p orq ue so u u m a
men in a
, s u ponho!
— N ão , p orq ue a g en te s u põe q ue v ocê s e ja m elh or e m m ag ia ! -d is p aro u
Rony.
Herm io ne se le v an to u de re p en te e os ped aço s de peix e assa d o
esc o rre g ara m d o s e u p ra to d e e sta n ho p ara o c h ão .
— V o cê
pode c o zin har a m an hã, R ony,
vo cê
p ode p ro cu ra r o s in gre d ie n te s e
te n ta r tr a n sfo rm á-lo s e m a lg um a c o is a q ue v alh a a p en a c o m er, e e u v ou m e
se n ta r a q ui e f a zer c ara f e ia e r e cla m ar e v ocê v ai p oder v er...
— C ale m a b oca! — e x cla m ou H arry , l e v an ta n do-s e d e u m s a lto e e rg uen do
as m ão s. — C ale m

a b oca!
Herm io ne f e z c ara d e i n dig nação .
— C om o v ocê p ode a p oia r o R ony? E le q uase n unca c o zin ha...
— H erm io ne, f ic a q uie ta , e sto u o uvin do a lg uém !
Harry fic o u m uito a te n to , a s m ão s a in da e rg uid as, a le rta n do-o s p ara n ão
fa la re m . E ntã o , s o bre p ondo-s e à c o rre n te za d o rio e sc u ro a o la d o, e le to rn ou a
ouvir v ozes. V ir o u-s e p ara o b is b ilh osc ó pio . N ão s e m ex era .
— Você la n ço u o
Abaffia to
so bre nós, certo ? — su ssu rro u ele para
Herm io ne.
— L an cei t u do — s u ssu rro u e la e m r e sp osta — , o
Abaffia to
, o A nti- tr o uxas
e o d a D esilu sã o , t o dos. S eja m q uem f o r, n ão d ev em p oder n os v er n em o uvir.
Passo s arra sta n do e atr ita n do n o so lo , so m ad os ao ru íd o d e g ra v eto s e
ped ra s d eslo cad os, in dic av am q ue v ária s p esso as d esc ia m a e n co sta ín gre m e e
arb oriz ad a em dir e ção ao estr e ito barra n co do rio , onde os garo to s tin ham

arm ad o a b arra ca. E le s a p an hara m a s v arin has e a g uard ara m . O s fe itiç o s q ue
tin ham la n çad o a o r e d or d ev ia m b asta r n a e sc u rid ão q uase to ta l p ara p ro te g ê-lo s
da c u rio sid ad e d os tr o uxas e d os b ru xos n orm ais . S e e sse s f o sse m C om en sa is d a
Morte , e n tã o , p ela p rim eir a v ez, s u as d efe sa s ir ia m s e r te sta d as p ela s A rte s d as
Tre v as.
As v ozes fo ra m a lte an do, m as c o ntin uara m in in te lig ív eis à m ed id a q ue o s
hom en s alc an çav am a m arg em . H arry estim av a q ue se u s d onos estiv esse m a
men os d e s e is m etr o s d e d is tâ n cia , m as o rio e n cach oeir a d o o s im ped ia d e te r
certe za. H erm io ne p asso u a m ão n a b ols in ha d e c o nta s e c o m eço u a re m ex er
nela ; u m m om en to d ep ois , p uxou tr ê s O re lh as E xte n sív eis e jo gou u m a p ara
cad a garo to , que im ed ia ta m en te in se riu as ponta s dos fio s co r da pele nos
ouvid os e p ôs a s o utr a s p onta s f o ra d a e n tr a d a d a b arra ca.
Em s e g undos, H arry o uviu u m a p re o cu pad a v oz m asc u lin a.
— D ev ia h av er s a lm ão a q ui o u a ch am q ue a in da e stá m uito n o in íc io d a
te m pora d a?
Accio s a lm on
!
Ouvir a m -s e cla ra m en te os peix es esp ad an an do e, em se g uid a, bate n do
co ntr a c o rp os. A lg uém re sm ungou a p re cia tiv am en te . H arry e m purro u a O re lh a
Exte n sív el m ais fu ndo n o o uvid o: a cim a d o m urm úrio d o rio , d is tin guiu o utr a s
vozes, m as n ão esta v am fa la n do in glê s n em o utr o id io m a q ue ele já tiv esse
ouvid o. E ra um a lín gua dura e pouco m elo dio sa , um a se q üên cia de ru íd os
ra sc an te s e gutu ra is , e, ap are n te m en te , hav ia dois hom en s, um co m a voz
lig eir a m en te m ais g ra v e e l e n ta q ue a d o o utr o .
Um a fo gueir a fo i acen did a do outr o la d o da lo na; gra n des so m bra s
passa ra m en tr e a b arra ca e as ch am as. O aro m a d elic io so d e sa lm ão assa d o
flu tu ou to rtu ra n te em su a d ir e ção . E m se g uid a, o uvir a m o tin id o d e ta lh ere s
so bre p ra to s, e o p rim eir o h om em t o rn ou a f a la r.
— T om e a q ui, G ra m po, G orn ope.

Duen des
! — artic u lo u H erm io ne, sile n cio sa m en te , para H arry , que
ap en as a sse n tiu .
— O brig ad o — a g ra d ecera m o s d uen des, a o m esm o t e m po, e m i n glê s.
— E ntã o , h á q uan to te m po v ocês tr ê s e stã o f u gin do? — o uvir a m u m a n ova
voz m elo dio sa e a g ra d áv el; e ra v ag am en te fa m ilia r a H arry , q ue im ag in ou u m
hom em b arrig udo d e r o sto j o via l.
— S eis se m an as... se te ... n ão le m bro — d is se o h om em c an sa d o. -T opei
co m G ra m po n os p rim eir o s d ois d ia s e u nim os f o rç as c o m G orn ope l o go d ep ois .
É bom te r alg um a co m pan hia . — H ouve um a pau sa , en quan to os ta lh ere s
ra sp av am o s p ra to s e c an ecas e ra m e rg uid as e r e p osta s n o c h ão . — O q ue o f e z
fu gir , T ed ? — c o ntin uou o h om em .
— S ab ia q ue v in ham m e p re n der — re sp ondeu T ed , o h om em d e v oz

melo dio sa , e H arry re p en tin am en te id en tif ic o u-o : e ra o p ai d e T onks. — T in ha
ouvid o fa la r q ue o s C om en sa is d a M orte e sta v am n a á re a a s e m an a p assa d a, e
co nclu í que era m elh or su m ir. R ecu se i- m e a fa zer o re g is tr o para nasc id os
tr o uxas p or p rin cíp io , e n te n de, p orta n to sa b ia q ue e ra u m a q uestã o d e te m po,
sa b ia q ue, n o fin al, te ria q ue p artir. M in ha m ulh er d ev e esta r b em , ela te m
sa n gue p uro . E nco ntr e i, e n tã o , o D in o h á, o q uê, a lg uns d ia s, f ilh o?
— É — c o nfir m ou o utr a v oz, e H arry , R ony e H erm io ne s e e n tr e o lh ara m
em s ilê n cio , m as t r a n sb ord an do d e c o nte n ta m en to a o r e co nhecere m , s e m s o m bra
de d úvid a, a v oz d e D in o T hom as, s e u c o le g a n a G rif in ória .
— N asc id o t r o uxa, h ein ? — p erg unto u o p rim eir o h om em .
— N ão te n ho c erte za — re sp ondeu D in o. — M eu p ai a b an donou m in ha
mãe q uan do e u e ra p eq uen o. N ão t e n ho p ro va d e q ue e le f o sse b ru xo.
O gru po fic o u em silê n cio por um te m po, ex ceto pelo s ru íd os de
mastig ação ; e n tã o T ed t o rn ou a f a la r.
— D ev o c o nfe ssa r, D ir k , e sto u s u rp re so d e e n co ntr a r v ocê. S atis fe ito , m as
su rp re so . C orre u a n otíc ia d e q ue v ocê t in ha s id o p re so .
— Fui. E sta v a a cam in ho de A zk ab an quan do te n te i fu gir , estu pore i
Daw lis h e r o ubei a v asso ura d ele . F oi m ais f á cil d o q ue s e p oderia e sp era r. A ch o
que e le n ão e stá m uito n orm al n o m om en to . T alv ez te n ha s id o c o nfu ndid o. S e
fo i, e u g osta ria d e a p erta r a m ão d o b ru xo q ue fe z is so , p orq ue p ro vav elm en te
sa lv ou a m in ha v id a.
Houve m ais u m a p au sa em q ue a fo gueir a esta le jo u e o rio co rre u em
cach oeir a . E ntã o , T ed p erg unto u:
— E v ocês d ois c o m o se e n caix am ? E u, a h , tiv e a im pre ssã o d e q ue a
maio ria d os d uen des a p oia v a V ocê-S ab e-Q uem .
— T ev e u m a im pre ssã o f a ls a — d is se o d uen de d e v oz m ais a g uda. — N ão
to m am os p artid o. É u m a g uerra d e b ru xos.
— P or q ue e stã o n a c la n destin id ad e, e n tã o ?
— P or p ru dên cia — re sp ondeu o d uen de d e v oz m ais g ra v e. -R ecu se i u m
ped id o q ue c o nsid ere i im pertin en te , e p erc eb i q ue tin ha p osto e m r is c o a m in ha
se g ura n ça p esso al.
— Q ual f o i o p ed id o q ue l h e f iz era m ? — r e to rn ou T ed .
— T are fa s q ue n ão sã o co ndiz en te s co m a d ig nid ad e d a m in ha ra ça —
in fo rm ou o d uen de, s u a v oz m ais á sp era e m en os h um an a q uan do a cre sc en to u:
— N ão s o u u m e lf o d om éstic o .
— E v ocê, G ra m po?
— R azõ es se m elh an te s — dis se o duen de de voz m ais ag uda. — O
Grin gote s n ão está m ais so b o co ntr o le to ta l d a m in ha ra ça. N ão re co nheço
se n hore s b ru xos.

E a cre sc en to u a lg um a c o is a e n tr e d en te s, e m g ru gulê s, q ue f e z G orn ope r ir.
— Q ual f o i a p ia d a? — p erg unto u D in o.
— E le d is se — r e sp ondeu D ir k — q ue h á c o is a s q ue o s b ru xos t a m bém n ão
re co nhecem .
Fez-s e u m b re v e s ilê n cio .
— N ão e n te n di — t o rn ou D in o.
— F ui à f o rra a n te s d e p artir — d is se G ra m po, e m i n glê s.
— G ra n de hom em ... gra n de duen de, m elh or diz en do — em en dou T ed ,
ra p id am en te . — C onse g uiu p re n der u m C om en sa l d a M orte e m u m a d as c aix as-
fo rte s, i m ag in o.
— S e tiv esse c o nse g uid o, a e sp ad a n ão o te ria a ju dad o a s a ir — re p lic o u
Gra m po. G orn ope t o rn ou a r ir e a té D ir k d eu u m a r is a d a s e ca.
— D in o e e u n ão e sta m os e n te n den do m uito b em — d is se T ed .
— S ev ero S nap e ta m bém n ão , em bora ele n ão sa ib a d is so — afir m ou
Gra m po, e o s d ois d uen des s o lta ra m g arg alh ad as m alic io sa s.
Na barra ca, a re sp ir a ção de H arry sa ía ofe g an te de ex cita ção : ele e
Herm io ne s e e n tr e o lh av am , p re sta n do a m aio r a te n ção p ossív el.
— V ocê n ão o uviu e ssa h is tó ria , T ed ? — a d m ir o u-s e D ir k . — D os g aro to s
que t e n ta ra m r o ubar a e sp ad a d e G ry ff in dor d o g ab in ete d e S nap e e m H ogw arts ?
Um a c o rre n te e lé tr ic a p are ceu a tr a v essa r H arry , fa zen do v ib ra r c ad a n erv o
do s e u c o rp o p re g ad o n o c h ão .
— N unca o uvi u m a p ala v ra . N ão s a iu n o
Pro fe ta
, s a iu ?
— D if ic ilm en te sa ir ia — c o m en to u D ir k , e n tr e ris a d in has. — O G ra m po
aq ui m e c o nto u, s o ube p elo G ui W easle y, q ue tr a b alh a n o b an co . U m d os jo ven s
que t e n to u s e a p ossa r d a e sp ad a f o i a i r m ã m ais n ova d ele .
Harry o lh ou p ara H erm io ne e R ony, q ue esta v am ag arra d os às O re lh as
Exte n sív eis c o m o s e f o sse m c o rd as s a lv a-v id as.
— E la e u ns d ois a m ig os e n tr a ra m n o g ab in ete d e S nap e e q ueb ra ra m a
re d om a d e v id ro e m q ue e le , a p are n te m en te , g uard av a a e sp ad a. S nap e a g arro u-
os q uan do d esc ia m a e sc ad a t e n ta n do l e v á-la .
— A h, q ue D eu s o s a b en ço e — e x cla m ou T ed . — Q ue p en sa v am fa zer,
usa r a e sp ad a c o ntr a V ocê-S ab e-Q uem ? O u c o ntr a o p ró prio S nap e?
— B em , se ja o q ue fo r q ue p en sa ra m , S nap e d ecid iu q ue a e sp ad a n ão
esta v a s e g ura e m H ogw arts — c o nto u D ir k . — U ns d ois d ia s m ais t a rd e, q uan do
re ceb eu p erm is sã o d e V ocê-S ab e-Q uem , im ag in o, e n vio u-a a L ondre s, p ara s e r
guard ad a n o G rin gote s.
Os d uen des r e co m eçara m a r ir.
— A in da n ão e sto u e n te n den do a g ra ça — d is se T ed .
— É u m a i m ita ção — e x plic o u G ra m po, r o uco .

— A e sp ad a d e G ry ff in dor!
— Sim , se n hor. É um a có pia : um a ex cele n te có pia , é verd ad e, m as
fa b ric ad a p or b ru xos. A o rig in al fo i fo rja d a s é cu lo s a tr á s p elo s d uen des e te m
certa s p ro prie d ad es q ue s o m en te a s a rm as f a b ric ad as p or n ós p ossu em . S eja o nde
fo r q ue este ja , a esp ad a v erd ad eir a d e G ry ff in dor n ão está n a caix a-fo rte d o
Ban co d e G rin gote s.
— E nte n di — dis se T ed . — E ach o que não se dera m o tr a b alh o de
in fo rm ar i s so a o s C om en sa is d a M orte .
— N ão vi nen hum a ra zão para in co m odá-lo s co m essa in fo rm ação —
co m en to u G ra m po, p re su nço so , e a g ora T ed e D in o fiz era m c o ro à s ris a d as d e
Gorn ope e D ir k .
No in te rio r da barra ca, H arry fe ch ou os olh os, dese ja n do que alg uém
fiz esse a p erg unta q ue p re cis a v a se r re sp ondid a, e , d eco rrid o m ais u m m in uto
que lh e p are cera m d ez, D in o lh e fe z e sse fa v or: o g aro to ta m bém tin ha sid o
(le m bro u-s e H arry , a ssu sta d o) n am ora d o d e G in a.
— Q ue a co nte ceu c o m G in a e o s o utr o s? O s q ue t e n ta ra m r o ubar a e sp ad a?
— A h, fo ra m castig ad os, e cru elm en te — re sp ondeu G ra m po co m
in dif e re n ça.
— M as e le s e stã o o .k ., n ão ? — p erg unto u T ed , e m s e g uid a. — Q uero d iz er,
os W easle y n ão p re cis a m d e m ais u m f ilh o a le ija d o, n ão é ?
— E le s n ão so fre ra m n en hum fe rim en to g ra v e, p elo q ue se i — to rn ou
Gra m po.
— S orte a d ele s. C om o h is tó ric o d e S nap e, su ponho q ue d ev em os n os
ale g ra r q ue a in da e ste ja m v iv os.
— V ocê acre d ita nessa his tó ria , en tã o , T ed ? — perg unto u D ir k . -V ocê
acre d ita q ue S nap e m ato u D um ble d ore ?
— C la ro q ue s im . V ocê n ão v ai f ic ar a í m e d iz en do q ue P otte r te v e a lg um a
partic ip ação n is so , v ai?
— É d if íc il h oje e m d ia s a b er n o q ue a cre d ita r — r e sm ungou D ir k .
— C onheço H arry P otte r — d is se D in o. — E c o nsid ero q ue e le é a u tê n tic o ,
o E le ito , o u o n om e q ue q uis e re m l h e d ar.
— É , te m m uita g en te q ue g osta ria d e a cre d ita r q ue é , f ilh o - re p lic o u D ir k .
— E u, in clu siv e. M as c ad ê e le ? F ugiu p ara s e s a lv ar, p elo q ue p are ce. E u d ir ia
que, se ele so ubesse alg um a co is a que ig nora m os, ou tiv esse alg um dom
esp ecia l, e sta ria a í lu ta n do, c o nvocan do a r e sis tê n cia , e m v ez d e s e e sc o nder. E ,
co m o v ocê s a b e, o
Pro fe ta
f e z a cu sa çõ es b em p la u sív eis c o ntr a e le ...
— O
Pro fe ta
? — c aço ou T ed . — V ocê m ere ce q ue lh e m in ta m , s e a in da lê
aq uele l ix o, D ir k . S e q uer s a b er d os f a to s, e x perim en te l e r
O P asq uim
.
Houve u m a sú bita e x plo sã o d e e n gasg os e e n gulh os, e m uita s b atid as d e

pés; p elo b aru lh o, D ir k e n golir a u m a e sp in ha d e p eix e. P or f im , e n gro lo u:

O P asq uim
?, a q uela r e v is tin ha d elir a n te d o X en o L oveg ood?
— N ão e stá tã o d elir a n te , u ltim am en te . V ocê e stá p re cis a n do d ar u m a lid a.
Xen o e stá p ublic an do tu do q ue o
Pro fe ta
te m o m itid o, e n ão fe z u m a ú nic a
men ção a B ufa d ore s d e C hif re E nru gad o n a ú ltim a e d iç ão . M as, e n te n da, q uan to
te m po v ão d eix á-lo l iv re p ara f a zer i s so , n ão s e i. X en o d iz , n a p rim eir a p ág in a d e
to da e d iç ão , q ue a p rio rid ad e n úm ero u m d e q ualq uer b ru xo c o ntr á rio a V ocê-
Sab e-Q uem d ev eria s e r a ju dar H arry P otte r.
— É d if íc il a ju dar u m g aro to q ue d esa p are ceu d a f a ce d a T erra - d is se D ir k .
— E sc u te m , o fa to d e n ão o te re m a p an had o a in da, c ara m ba, é u m fe ito e
ta n to — d efe n deu -o T ed . — E u te ria p ra zer e m re ceb er u m as d ic as. É is so q ue
esta m os t e n ta n do f a zer, n ão é , c o ntin uar l iv re s?
— É , b em , v ocê t e m r a zão — c o nced eu D ir k . — C om o M in is té rio e m p eso
e to dos o s in fo rm an te s p ro cu ra n do p or e le , e ra d e e sp era r q ue já o tiv esse m
cap tu ra d o. M as, v eja b em , q uem p ode a fir m ar q ue já n ão o te n ham p re n did o e
mata d o n a s u rd in a?
— A h, n ão d ig a i s so , D ir k — m urm uro u T ed .
Houve outr a lo nga pau sa pre en ch id a pelo ru íd o dos ta lh ere s. Q uan do
alg uém re co m eço u a fa la r fo i p ara d is c u tir se d ev ia m d orm ir n o b arra n co o u
re cu ar p ara u m a áre a arb oriz ad a n a en co sta . D ecid in do q ue as árv ore s lh es
ofe re ceria m m aio r p ro te ção , ele s ap ag ara m a fo gueir a e to rn ara m a su bir o
morro , s u as v ozes m orre n do a o l o nge.
Harry , R ony e H erm io ne en ro la ra m as O re lh as E xte n sív eis . H arry , que
ach ara a n ecessid ad e d e f ic ar c ala d o m ais d if íc il q uan to m ais e sc u ta v a, a g ora s ó
fo i c ap az d e d iz er:
— G in a... a e sp ad a...
— E u s e i! — d is se H erm io ne.
E s e p re cip ito u p ara a b ols in ha d e c o nta s, d esta v ez e n fia n do n ela o b ra ço
in te ir o a té a a x ila .
— P ro nto ... p ro nto ... a q ui... — d is se e la c o m o s d en te s c erra d os, e tir o u u m
obje to q ue e v id en te m en te e sta v a n o f u ndo d a b ols a . L en ta m en te , s u rg iu a b ord a
de u m a m old ura o rn am en ta d a. H arry co rre u a aju dá-la . A o d ese n re d are m d a
bols a a m old ura vazia do re tr a to de F in eu s N ig ellu s, H erm io ne ap onto u a
varin ha p ara o q uad ro , p ro nta p ara e n tr a r e m a ção a q ualq uer m om en to .
“S e a lg uém tr o co u a e sp ad a v erd ad eir a p or u m a fa ls a q uan do e sta v a n o
esc ritó rio d e D um ble d ore ”, o fe g ou ela , en quan to o q uad ro era ap ru m ad o n a
pare d e d a b arra ca, “ F in eu s N ig ellu s te ria v is to , p orq ue e stá p en dura d o b em a o
la d o d a r e d om a!”
— A não se r que estiv esse dorm in do — le m bro u H arry , m as ain da

pre n den do a re sp ir a ção ; H erm io ne se a jo elh ou d ia n te d a te la v azia , p ara c u jo
cen tr o a p onta v a a v arin ha, p ig arre o u e d is se :
— A h... F in eu s? F in eu s N ig ellu s? N ad a a co nte ceu .
— Fin eu s N ig ellu s! — re p etiu ela . — Pro fe sso r B la ck ? Por fa v or,
podería m os f a la r c o m o s e n hor? P or f a v or?
— “ P or f a v or” s e m pre a ju da — d is se u m a v oz f ria e d ep re cia tiv a, e F in eu s
Nig ellu s d esliz o u p ara a t e la . N o m esm o i n sta n te , H erm io ne e x cla m ou:
— O bsc u ro !
Um a v en da p re ta a p are ceu s o bre o s o lh os e sc u ro s e in te lig en te s d o b ru xo,
fa zen do-o b ate r c o ntr a a m old ura e g rita r d e d or.
— Q uê... c o m o s e a tr e v e... q ue é q ue v ocê...?
— S in to m uito , p ro f. B la ck — d is se H erm io ne — , m as é u m a p re cau ção
necessá ria !
— Rem ova esse acré sc im o noje n to im ed ia ta m en te ! Rem ova-o , esto u
diz en do! V ocê e stá e str a g an do u m a g ra n de o bra d e a rte ! O nde e sto u! Q ue e stá
aco nte cen do?
— N ão f a z d if e re n ça o nde e sta m os — r e sp ondeu H arry , e F in eu s c o ngelo u,
ab an donan do s u as t e n ta tiv as d e r e m over a v en da p in ta d a.
— S erá p ossív el q ue s e ja a v oz d o i n ta n gív el s r. P otte r?
— T alv ez — r e sp ondeu H arry , s a b en do q ue is to m an te ria s e u in te re sse . —
Tem os u m as p erg unta s p ara l h e f a zer s o bre a e sp ad a d e G ry ff in dor.
— A h — d is se F in eu s N ig ellu s, a g ora v ir a n do a c ab eça p ara c á e p ara lá ,
esfo rç an do-s e para vis lu m bra r Harry — , sim . Aquela to lin ha fo i m uito
im pru den te ...
— N ão fa le d a m in ha ir m ã — d is se R ony, ris p id am en te . F in eu s N ig ellu s
erg ueu a s s o bra n celh as c o m s u perio rid ad e.
— Q uem m ais e stá a í? — p erg unto u, v ir a n do a c ab eça p ara o s la d os. — O
se u to m de voz m e desa g ra d a. Aquela m en in a e se u s am ig os fo ra m
ex tr e m am en te t e m erá rio s. R oubar u m d ir e to r!
— N ão esta v am ro uban do — arg um en to u H arry . — A quela esp ad a n ão
perte n ce a o S nap e.
— P erte n ce à e sc o la d o p ro f. S nap e — c o rrig iu o b ru xo. — E xata m en te
qual e ra o d ir e ito d a m en in a W easle y s o bre a e sp ad a? E la m ere ceu o c astig o q ue
re ceb eu , b em c o m o o i d io ta L ongbotto m e a e sq uis ita L oveg ood!
— N ev ille n ão é i d io ta e L una n ão é e sq uis ita ! — p ro te sto u H erm io ne.
— A fin al, onde esto u? — re p etiu F in eu s N ig ellu s, re co m eçan do a se
deb ate r c o m a v en da. — O nde m e tr o uxera m ? P or q ue m e tir a ra m d a c asa d os
meu s a n te p assa d os?
— I s so n ão f a z d if e re n ça! Q ue c astig o S nap e d eu a G in a, N ev ille e L una?

— p erg unto u H arry , a n sio so .
— O p ro fe sso r S nap e m an dou-o s p ara a F lo re sta P ro ib id a, p ara fa zer u m
se rv iç o c o m o i m becil d o H ag rid .
— H ag rid n ão é i m becil! — e sg an iç o u-s e H erm io ne.
— E S nap e ta lv ez te n ha p en sa d o q ue is so f o sse c astig o — d is se H arry — ,
mas G in a, N ev ille e L una p ro vav elm en te d era m b oas g arg alh ad as c o m H ag rid . A
Flo re sta P ro ib id a... ele s já en fre n ta ra m co is a m uito pio r do que a F lo re sta
Pro ib id a, g ra n de c o is a !
O g aro to se se n tiu aliv ia d o; estiv era im ag in an do h orro re s, n o m ín im o a
Mald iç ão C ru cia tu s.
— O q ue re alm en te q uería m os s a b er, p ro f. B la ck , é s e m ais a lg uém , h um ,
alg um d ia r e tir o u a e sp ad a d o g ab in ete ? T alv ez a te n ham le v ad o p ara s e r lim pa
ou... o utr a c o is a a ssim ? — d is se H erm io ne.
Fin eu s N ig ellu s fe z nova pau sa em se u s esfo rç o s para ver e deu um a
ris a d in ha.

Gen te nasc id a tr o uxa
— desd en hou. — A s arm as fa b ric ad as por
duen des n ão p re cis a m d e lim peza, m en in a s im pló ria . A p ra ta d os d uen des r e p ele
a s u je ir a m undan a, a b so rv e a p en as o q ue a f o rta le ce.
— N ão c h am e H erm io ne d e s im pló ria — p ro te sto u H arry .
— A s c o ntr a d iç õ es m e c an sa m — r e cla m ou F in eu s. — T alv ez s e ja h ora d e
eu v olta r a o g ab in ete d o d ir e to r, n ão ?
Ain da d e o lh os v en dad os, e le c o m eço u a ta te ar p ela m old ura , p ro cu ra n do
sa ir d esse q uad ro e r e to rn ar a o d e H ogw arts . H arry t e v e u m a s ú bita i n sp ir a ção .
— D um ble d ore ! O s e n hor p ode n os t r a zer D um ble d ore ?
— P erd ão ? — e x cla m ou F in eu s N ig ellu s.
— O re tr a to d o p ro f. D um ble d ore ... n ão p oderia tr a zê-lo c o nsig o p ara a
mesm a m old ura ?
Fin eu s N ig ellu s v ir o u o r o sto n a d ir e ção d a v oz d e H arry .
— E vid en te m en te n ão s ã o a p en as o s n asc id os tr o uxas q ue s ã o ig nora n te s,
Potte r. O s r e tr a to s d e H ogw arts p odem s e c o m unic ar u ns c o m o s o utr o s, m as n ão
podem v ia ja r p ara f o ra d o c aste lo , e x ceto p ara v is ita r o p ró prio r e tr a to p en dura d o
em o utr o lu gar. D um ble d ore n ão p ode v ir c o m ig o, e , d ep ois d o tr a ta m en to q ue
re ceb i e m s u as m ão s, p osso l h e a sse g ura r q ue n ão f a re i u m a n ova v is ita !
Lig eir a m en te d esc o ncerta d o, H arry o bse rv ou F in eu s N ig ellu s r e d obra r s e u s
esfo rç o s p ara a b an donar a m old ura .
— P ro f. B la ck — d is se H erm io ne — , o s e n hor p oderia n os d iz er, p or f a v or,
qual fo i a ú ltim a v ez q ue a e sp ad a fo i re tir a d a d a re d om a? A nte s d e G in a tê -la
ap an had o, q uero d iz er?
Fin eu s b ufo u i m pacie n te .

— C re io q ue a ú ltim a v ez q ue v i a e sp ad a d e G ry ff in dor s a ir d a r e d om a f o i
quan do o p ro f. D um ble d ore a u so u p ara r a ch ar u m a n el.
Herm io ne v ir o u-s e p ara o lh ar H arry . N en hum d os d ois o uso u d iz er m ais
nad a d ia n te d e F in eu s N ig ellu s, q ue, f in alm en te , c o nse g uir a l o caliz ar a s a íd a.
— B em , b oa n oite p ara v ocês — d is se o b ru xo, u m ta n to ir a sc ív el, e
co m eço u a d esa p are cer m ais u m a v ez. S om en te u m p ed acin ho d a a b a d o se u
ch ap éu a in da e ra v is ív el q uan do H arry s o lto u s u bita m en te u m g rito .
— E sp ere ! O s e n hor d is se a S nap e q ue v iu i s so ?
O b ru xo t o rn ou a e n fia r a c ab eça c o m a v en da n a m old ura .
— O p ro f. S nap e te m c o is a s m ais im porta n te s e m q ue p en sa r d o q ue a s
muita s e x cen tr ic id ad es d e A lv o D um ble d ore .
Adeu s
, P otte r!
E diz en do is so , su m iu in te ir a m en te , deix an do atr á s ap en as o fu ndo
en card id o d o r e tr a to .
— H arry ! — e x cla m ou H erm io ne.
— E u s e i! — g rito u H arry , e m re sp osta . In cap az d e s e c o nte r, e le d eu u m
so co n o a r: e ra m ais d o q ue s e a tr e v era a e sp era r. A ndou d e u m l a d o p ara o o utr o
na b arra ca, se n tin do q ue p oderia te r co rrid o d ois q uilô m etr o s; já n em se n tia
fo m e. H erm io ne e sta v a c o m prim in do o q uad ro d e F in eu s N ig ellu s o utr a v ez n a
bols in ha d e c o nta s; d ep ois d e fe ch á-la , a tir o u a b ols a p ara o la d o e e rg ueu u m
ro sto r a d ia n te p ara H arry .
— A e sp ad a p ode d estr u ir H orc ru xes! L âm in as fa b ric ad as p or d uen des s ó
ab so rv em o q ue a s f o rta le ce: H arry , a q uela e sp ad a e stá i m pre g nad a d e v en en o d e
basilis c o !
— E D um ble d ore n ão a e n tr e g ou a m im p orq ue a in da p re cis a v a d ela , q ueria
usá -la n o m ed alh ão ...
— ... e d ev e te r p erc eb id o q ue n ão d eix aria m v ocê fic ar co m ela se a
in clu ís se n o t e sta m en to ...
— ... e n tã o f e z u m a c ó pia ...
— ... e c o lo co u a f a ls a n a r e d om a...
— ... e d eix ou a v erd ad eir a ... o nde?
Ele s s e e n tr e o lh ara m ; H arry s e n tiu q ue a re sp osta p air a v a, in vis ív el, s o bre
su as c ab eças, te rriv elm en te p ró xim a. P or q ue D um ble d ore n ão lh e d is se ra ? O u,
na r e alid ad e, d is se ra , m as H arry , n a h ora , n ão t in ha e n te n did o?
— P en se ! — s u ssu rro u H erm io ne. — P en se ! O nde a t e ria d eix ad o?
— N ão e m H ogw arts — a fir m ou H arry , r e co m eçan do a a n dar.
— A lg um l u gar e m H ogsm ead e? — s u geriu H erm io ne.
— N a C asa d os G rito s? — a rris c o u H arry . — N in guém n unca v ai l á .
— M as S nap e s a b e c o m o e n tr a r, n ão s e ria u m p ouco a rris c ad o?
— D um ble d ore c o nfia v a e m S nap e — l e m bro u H arry .

— N ão o s u fic ie n te p ara l h e c o nta r q ue t in ha t r o cad o a s e sp ad as.
— É , v ocê te m r a zão ! — d is se H arry , s e n tin do-s e a in da m ais a n im ad o e m
pen sa r q ue D um ble d ore f iz era r e ssa lv as, a in da q ue m ín im as, à c o nfia b ilid ad e d e
Snap e. — T eria , e n tã o , e sc o ndid o a e sp ad a b em l o nge d e H ogsm ead e? Q ue a ch a,
Rony? R ony?
Harry o lh ou e m v olta . D esn orte ad o p or u m in sta n te , p en so u q ue o a m ig o
tiv esse s a íd o d a b arra ca, e n tã o v iu q ue e sta v a d eita d o n o b elic h e, à s o m bra d a
cam a d e c im a, p are cen do c h ap ad o.
— A h, s e l e m bra ra m d e m im , f o i? — r e sp ondeu e le . — Q uê?
Rony b ufo u, c o m o s o lh os f ix os n o f u ndo d a c am a d o a lto .
— V ocê d ois p odem c o ntin uar. N ão q uero e str a g ar o s e u p ra zer. P erp le x o,
Harry olh ou para Herm io ne ped in do aju da, m as ela ab an ou a cab eça,
ap are n te m en te t ã o p asm a q uan to e le .
— Q ual é o p ro ble m a? — p erg unto u H arry .
— P ro ble m a? N ão te m p ro ble m a — re p lic o u R ony, re cu sa n do-s e a o lh ar
para o a m ig o. — P elo m en os v ocê n ão a ch a q ue t e n ha.
Ouvir a m v ário s
plo ques
n o t e to d e l o na d a b arra ca. C om eçara a c h over.
— B em , o bvia m en te v ocê te m — d is se H arry . — Q uer d ese m buch ar d e
um a v ez?
Rony g ir o u a s lo ngas p ern as p ara fo ra d a c am a e se n to u. P are cia h ostil,
dif e re n te d o n orm al.
— M uito bem , vou dese m buch ar. N ão esp ere m que eu fiq ue dan do
sa ltin hos n a b arra ca p orq ue te m m ais u m a d ro ga q ue a g en te p re cis a p ro cu ra r. É
só j u nta r m ais e ssa à l is ta d o q ue v ocê i g nora .
— E u i g noro ? — r e sp ondeu H arry . — E u é q ue i g noro ?
Plo que, p lo que, p lo que
: a c h uva c aía m ais f o rte e p esa d a; c h ap in hav a n o r io
e n a m arg em c o berta d e fo lh as a to da v olta , m atr a q uean do p ela e sc u rid ão . O
med o arre fe ceu o gra n de co nte n ta m en to de H arry : Rony esta v a diz en do
ex ata m en te o q ue H arry s u sp eita ra e r e ceara q ue e stiv esse p en sa n do.
— N ão é q ue e u n ão e ste ja m e d iv ertin do a v ale r a q ui — r e p lic o u R ony. —
Sab em , c o m e sse b ra ço a le ija d o e n ad a p ara c o m er, e o ra b o c o ngela n do to da
noite . E u só e sp era v a, e n te n de, d ep ois d e fic ar a n dan do e m c ír c u lo s a lg um as
se m an as, q ue a g en te t iv esse c o nse g uid o a lg um a c o is a .
— R ony — d is se H erm io ne, m as e m v oz tã o b aix a q ue o g aro to p oderia
fin gir q ue n ão tin ha o uvid o p or c au sa d a fo rte p erc u ssã o d a c h uva n a lo na d a
barra ca.
— P en se i q ue v ocê s o ubesse n o q ue e sta v a s e e n gaja n do — d is se H arry .
— É , e u t a m bém p en se i.
— E ntã o , q ual é a p arte q ue n ão e stá c o rre sp onden do à s s u as e x pecta tiv as?

— p erg unto u H arry . A r a iv a s o bre v eio a g ora e m s u a d efe sa . — V ocê a ch ou q ue
ía m os n os h osp ed ar e m h oté is c in co e str e la s? E nco ntr a r u m a H orc ru x p or d ia ?
Ach ou q ue v olta ria p ara p assa r o N ata l c o m m am ãe e p ap ai?
— P en sa m os q ue v ocê s o ubesse o q ue e sta v a f a zen do! — b erro u R ony, s e
pondo d e p é; e s u as p ala v ra s a tin gir a m H arry c o m o f a cas e m b ra sa . — P en sa m os
que D um ble d ore tiv esse lh e d ito o q ue fa zer, p en sa m os q ue v ocê tiv esse u m
pla n o d e v erd ad e!
— R ony! — c h am ou H erm io ne, d esta v ez c la ra m en te a u dív el, a p esa r d a
ch uva r e tu m ban do n o t e to d a b arra ca, m as n ovam en te e le a i g noro u.
— B em , la m en to d esa p onta r v ocê — d is se H arry , a v oz c alm a, e m bora e le
se s e n tis se v azio e i n ep to . — F ui f ra n co c o m v ocê d esd e o i n íc io , l h e c o nte i t u do
que D um ble d ore m e d is se . E , caso v ocê n ão te n ha re p ara d o, ach am os u m a
Horc ru x...
— É , e e sta m os tã o p ró xim os d e n os liv ra r d ela c o m o e sta m os d e e n co ntr a r
as o utr a s: e m o utr a s p ala v ra s, n ão e sta m os p ró xim os d e n en hum a!
— T ir e o m ed alh ão , R ony — d is se H erm io ne, s u a v oz a n orm alm en te a lta .
— P or f a v or, t ir e . V ocê n ão e sta ria f a la n do a ssim s e n ão o e stiv esse u sa n do o d ia
to do.
— E sta ria , sim — re to rq uiu H arry , que não queria que ela arra n ja sse
desc u lp as p ara R ony. — V ocês a ch am q ue n ão n ote i o s d ois c o ch ic h an do à s
min has c o sta s? A ch am q ue e u n ão p erc eb i q ue e ra i s so q ue p en sa v am ?
— H arry , n ão e stá v am os...
— N ão m in ta ! — R ony j o gou n a c ara d e H erm io ne. — V ocê t a m bém d is se ,
dis se q ue e sta v a d esa p onta d a, d is se q ue p en so u q ue e le tiv esse m ais e m q ue s e
base ar d o q ue...
— N ão d is se i s so a ssim ... H arry , n ão d is se ! — g rito u e la .
A ch uva m arte la v a a barra ca, as lá g rim as esc o rria m pelo ro sto de
Herm io ne, e a e x cita ção d e m in uto s a n te s d esa p are cera c o m o s e n unca tiv esse
ex is tid o, um fo go de artif íc io de cu rta dura ção que esp oucara e m orre ra ,
deix an do tu do e sc u ro , m olh ad o e f rio . A e sp ad a d e G ry ff in dor e sta v a e sc o ndid a
e d esc o nhecia m o nde, e ra m tr ê s a d ole sc en te s, e m u m a b arra ca, c u jo ú nic o f e ito ,
até o m om en to , e ra n ão t e re m m orrid o.
— E ntã o , p or q ue a in da e stá a q ui? — H arry i n te rp elo u R ony.
— N ão t e n ho a m ín im a i d éia .
— E ntã o , v olte p ara c asa .
— É , e u ta lv ez v olte ! — g rito u R ony, e d eu v ário s p asso s e m d ir e ção a
Harry , q ue n ão re cu ou. — V ocê n ão o uviu o q ue d is se ra m s o bre m in ha ir m ã?
Mas v ocê n ão e stá n em a í, n ão é , é s ó a F lo re sta P ro ib id a, H arry
Já -E nfr e n to u-
Pio r
P otte r n ão s e im porta c o m o q ue a co nte cer a G in a lá , p ois e u m e im porto ,

tá , a ra n has g ig an te s e p ir a ção ...
— E u s ó q uis d iz er q ue... e la e sta v a c o m o s o utr o s, e e sta v am c o m H ag rid ...
-... é , e n te n do, v ocê n ão s e im porta ! E c o m o re sto d a m in ha fa m ília , “ o s
Weasle y n ão p re cis a m d e o utr o f ilh o a le ija d o”, v ocê o uviu ?
— O uvi, e u ...
— M as n ão s e p re o cu pou c o m o s ig nif ic ad o d is so , n ão é ?
— R ony! — d is se H erm io ne, s e i n te rp ondo a o s d ois à f o rç a. - A ch o q ue n ão
sig nif ic a q ue te n ha a co nte cid o n ad a d e n ovo, n ad a q ue a g en te n ão s a ib a; p en se ,
Rony, G ui j á e stá c h eio d e c ic atr iz es, a e ssa a ltu ra m uita g en te d ev e t e r v is to q ue
Jo rg e p erd eu u m a o re lh a, e v ocê, s u posta m en te , e stá m orre n do d e s a ra p in to se ,
te n ho c erte za d e q ue f o i a i s so q ue e le s e r e fe riu ...
— A h, v ocê te m c erte za, n ão é ? E ntã o , e stá b em , n ão v ou m e p re o cu par
co m e le s. T udo b em p ara v ocês d ois , n ão é , c o m o s s e u s p ais e m s e g ura n ça e
fo ra d o c am in ho...
— M eu s p ais e stã o
morto s
! — b erro u H arry .
— E o s m eu s p odem e sta r i n do p elo m esm o c am in ho! — b erro u R ony.
— E ntã o V A I! — u rro u H arry . — V olte p ara e le s, f in ja q ue s e c u ro u d a s u a
sa ra p in to se e m am ãe p oderá e n ch ê-lo d e c o m id a e ...
Rony fe z um m ovim en to re p en tin o: H arry re ag iu , m as, an te s que ele s
sa casse m a s v arin has d os b ols o s, H erm io ne j á e rg uera a d ela .

Pro te g o
! — o rd en ou, e u m esc u do in vis ív el se ex pan diu en tr e ela e
Harry , d e u m la d o, e R ony d o o utr o ; to dos fo ra m fo rç ad os a re cu ar alg uns
passo s, p or fo rç a d o fe itiç o , e o s g aro to s s e e n cara ra m c ad a u m d e u m la d o d a
barre ir a c o m o s e e stiv esse m s e v en do c la ra m en te p ela p rim eir a v ez. H arry s e n tiu
um ó dio c o rro siv o d e R ony: a lg um a c o is a s e r o m pera e n tr e e le s.
— D eix e a H orc ru x — l e m bro u H arry .
Rony arra n co u a co rre n te pela cab eça e atir o u o m ed alh ão so bre um a
cad eir a p ró xim a. V ir o u-s e p ara H erm io ne.
— Q ue v ai f a zer?
— C om o a ssim ?
— V ocê v ai f ic ar, o u o q uê?
— E u... — E la p are ceu a n gustia d a. — V ou... v ou s im . R ony, n ós d is se m os
que v ir ía m os c o m H arry , d is se m os q ue a ju daría m os...
— E nte n di. V ocê e sc o lh e f ic ar c o m e le .
— R ony, n ão ... p or f a v or... v olte a q ui, v olte a q ui!
Ela fo i im ped id a p elo p ró prio F eitiç o E sc u do; a té re m ovê-lo , o g aro to já
sa ír a fu rio so n oite ad en tr o . H arry fic o u m uito q uie to e sile n cio so , esc u ta n do
Herm io ne s o lu çar e c h am ar p or R ony e n tr e a s á rv ore s.
Deco rrid o alg um te m po, ela volto u, os cab elo s esc o rre n do, co la d os no

ro sto .
— E le f -f-fo i e m bora ! D esa p ara to u!
Ela s e a tir o u e m u m a p oltr o na, s e e n ro sc o u e c aiu n o c h oro .
Harry s e s e n tiu a tu rd id o. A baix ou-s e , re co lh eu a H orc ru x e c o lo co u-a e m
to rn o do pró prio pesc o ço . P uxou os co berto re s da cam a de R ony e co briu
Herm io ne. D ep ois s u biu n o b elic h e d e c im a e f ic o u o lh an do p ara a lo na e sc u ra
do t e to , e sc u ta n do a c h uva b ate r.

1 6
G od ric s H ollo w
Quan do H arry a co rd ou n o d ia s e g uin te , l e v ou v ário s s e g undos a té l e m bra r o
q ue a co nte cera . D ep ois d ese jo u, in fa n tilm en te , q ue tiv esse s o nhad o, q ue R ony
c o ntin uasse ali e ja m ais tiv esse partid o. C ontu do, ao vir a r a cab eça no
t r a v esse ir o , v iu a c am a d o a m ig o v azia . E la p are cia a tr a ir o s e u o lh ar c o m o u m
c ad áv er o f a ria . H arry p ulo u d e s u a c am a, e v ita n do o lh ar a d e R ony. H erm io ne,
j á o cu pad a n a c o zin ha, n ão d ese jo u a H arry u m b om d ia , m as v ir o u d ep re ssa o
r o sto q uan do e le p asso u.
Ele p artiu
, d is se H arry d e si p ara si.
Ele p artiu
. S en tiu n ecessid ad e d e
r e p etir a fra se m en ta lm en te , e n quan to s e la v av a e s e v estia , c o m o s e c o m is so
p udesse e m bota r o a b alo q ue s o fre ra .
Ele p artiu e n ão v a i v o lta r
. E e ssa e ra a
v erd ad e p ura e s im ple s. H arry s a b ia q ue o s f e itiç o s d e p ro te ção i m possib ilita ria m
q ue R ony o s r e en co ntr a sse , q uan do s a ís se m d esse l u gar.
Ele e H erm io ne to m ara m c afé e m s ilê n cio . O s o lh os d ela e sta v am in ch ad os
e v erm elh os; p are cia n ão te r d orm id o. D ep ois , e le s g uard ara m se u s p erte n ces,
H erm io ne d em ora n do-s e . H arry s a b ia p or q ue a a m ig a q ueria p ro lo ngar o te m po
à m arg em d o r io ; v iu -a v ária s v ezes e rg uer a c ab eça, e sp era n ço sa , e te v e c erte za
d e q ue se ilu dia , p en sa n do q ue o uvir a p asso s ap esa r d a ch uva p esa d a, m as
n in guém d e c ab elo s ru iv os a p are cera e n tr e a s á rv ore s. T oda v ez q ue H arry a
i m ita v a, o lh an do p ara o s l a d os ( p ois n ão p odia d eix ar d e a lim en ta r e sp era n ças), e
n ad a via ex ceto a m ata la v ad a pela ch uva, outr a peq uen a parc ela de fú ria
e x plo dia e m se u p eito . O uvia R ony d iz en do: “
Pen sa m os q ue v o cê so ubesse o
q ue e sta va fa ze n do
!” , e re to m av a a a rru m ação d as c o is a s s e n tin do u m b olo n a
b oca d o e stô m ag o.
O rio b arre n to a o la d o e sta v a su bin do ra p id am en te , e lo go tr a n sb ord aria
p elo barra n co . Dem ora ra m -s e um a boa hora alé m do horá rio em que
n orm alm en te d eix aria m o a cam pam en to . P or fim , te n do re arru m ad o a b ols in ha
d e c o nta s tr ê s v ezes, H erm io ne p are ceu in cap az d e e n co ntr a r o utr a s r a zõ es p ara
r e ta rd ar a p artid a: e la e H arry s e d era m a s m ão s e d esa p ara ta ra m , r e ap are cen do
e m u m u rz al, n a e n co sta d e u m m orro a sso la d o p elo v en to .
No in sta n te e m q ue c h eg ara m , H erm io ne la rg ou a m ão d ele e s e a fa sto u,
s e n ta n do-s e , p or f im , e m u m p ed re g ulh o, o r o sto n os j o elh os, o c o rp o s a cu din do,
H arry sa b ia , por so lu ço s. Paro u para obse rv á-la , im ag in an do que dev eria
c o nso la r a a m ig a, m as a lg um a c o is a o m an te v e p re g ad o n o c h ão . P or d en tr o ,

se n tia -s e frio e te n so : re v ia a e x pre ssã o d e d esp re zo n o ro sto d e R ony. S aiu ,
en tã o , c am in han do p elo u rz al, d esc re v en do u m la rg o c ír c u lo e m to rn o d a a flita
Herm io ne, la n çan do o s fe itiç o s d e q ue ela n orm alm en te se en carre g av a p ara
gara n tir a p ro te ção d e t o dos.
Nos d ia s q ue s e s e g uir a m , e le s n ão f a la ra m e m R ony. H arry e sta v a d ecid id o
a ja m ais v olta r a m en cio nar o n om e d ele , e H erm io ne p are cia e n te n der q ue n ão
ad ia n ta v a f o rç ar o a ssu nto , e m bora , p or v ezes, à n oite , q uan do a ch av a q ue H arry
esta v a d orm in do, e le a o uvis se c h ora r. N esse m eio -te m po, e le s e h ab itu ou a tir a r
da m och ila o m ap a do m aro to e ex am in á-lo à lu z da varin ha. E sp era v a o
mom en to e m q ue o p ontin ho c o m o n om e d e R ony r e ap are ceria n os c o rre d ore s
de H ogw arts , c o m pro van do q ue re to rn ara a o c o nfo rtá v el c aste lo , p ro te g id o p or
su a c o ndiç ão d e sa n gue-p uro . C ontu do, R ony n ão a p are cia e , p assa d o a lg um
te m po, H arry v iu -s e e x am in an do o m ap a s im ple sm en te p ara v er o n om e d e G in a
no dorm itó rio fe m in in o, se perg unta n do se a in te n sid ad e co m que o fita v a
poderia p en etr a r o so no d a g aro ta , se d e a lg um a fo rm a e la p oderia sa b er q ue
esta v a p en sa n do n ela , d ese ja n do q ue e stiv esse b em .
Dura n te o dia , ele s se ocu pav am co m te n ta tiv as para dete rm in ar os
possív eis e sc o nderijo s d a e sp ad a d e G ry ff in dor, m as q uan to m ais d is c u tia m o nde
Dum ble d ore p oderia tê -la g uard ad o, ta n to m ais d ese sp era d as e im pro váv eis s e
to rn av am a s s u as e sp ecu la çõ es. P or m ais q ue v asc u lh asse o c ére b ro , H arry n ão
co nse g uia se le m bra r d e D um ble d ore m en cio nan do a lg um lu gar o nde p udesse
esc o nder a lg um a c o is a . H av ia m om en to s e m q ue e le n ão s a b ia s e e sta v a m ais
zan gad o c o m R ony o u c o m D um ble d ore .
Pen sa m os q ue v o cê so ubesse o q ue
esta va fa ze n do... pen sa m os que D um ble d ore tiv esse lh e dito o que fa ze r...
pen sa m os q ue v o cê t iv esse u m p la no d e v erd ade!
Harry n ão p odia e sc o nder d e s i m esm o: R ony tin ha r a zão . D um ble d ore n ão
lh e d eix ara v ir tu alm en te n ad a. T in ham d esc o berto u m a H orc ru x, m as n ão o s
meio s para destr u í- la ; as outr a s co ntin uav am tã o in atin gív eis co m o se m pre
tin ham esta d o. A d ese sp era n ça am eaçav a en golf á -lo . E sp an ta v a-s e , ag ora , ao
pen sa r em su a pre su nção quan do aceito u o ofe re cim en to dos am ig os para
aco m pan há-lo n essa v ia g em to rtu osa e in útil. N ad a sa b ia , n ad a lh e o co rria , e
esta v a co nsta n te e dolo ro sa m en te ale rta ao m en or sin al de que H erm io ne
ta m bém e stiv esse p re ste s a l h e d iz er q ue e sta v a f a rta , q ue i a e m bora .
Passa v am m uita s n oite s p ra tic am en te e m s ilê n cio , e H erm io ne a d quir iu o
háb ito d e t ir a r o r e tr a to d e F in eu s N ig ellu s e a p ru m á-lo e m u m a c ad eir a , c o m o s e
ele p udesse p re en ch er u m a p arte d o e n orm e v azio q ue a p artid a d e R ony d eix ara .
Apesa r d a a fir m ação a n te rio r d e q ue ja m ais to rn aria a v is itá -lo s, F in eu s N ig ellu s
pare cia in cap az d e r e sis tir à o portu nid ad e d e d esc o brir m ais s o bre a s a tiv id ad es
de H arry , e c o nse n tia e m r e ap are cer, d e o lh os v en dad os, a in te rv alo s ir re g ula re s.

O g aro to s e n tia -s e a té s a tis fe ito d e v ê-lo , p orq ue e ra u m a c o m pan hia , a in da q ue
do tip o dep re cia tiv o e sa rc ástic o . Tin ham pra zer em sa b er o que esta v a
aco nte cen do em H ogw arts , em bora Fin eu s não fo sse o in fo rm an te id eal.
Ven era v a S nap e, o p rim eir o d ir e to r d a S onse rin a, d ep ois d ele p ró prio , a a ssu m ir
a e sc o la , e o s g aro to s p re cis a v am s e c u id ar p ara n ão c ritic ar n em f a zer p erg unta s
im pertin en te s s o bre S nap e, o u F in eu s a b an donaria i m ed ia ta m en te o r e tr a to .
Contu do, ele deix av a fra g m en to s de notíc ia s. P elo vis to , S nap e esta v a
en fre n ta n do u m a in su bord in ação m en or, m as c o nsta n te , d e u m n úcle o d e a lu nos
ir re d utív eis . G in a f o ra p ro ib id a d e ir a H ogsm ead e. S nap e r e sta b ele cera o v elh o
decre to d e U m brid ge d e p ro ib ir re u niõ es d e tr ê s o u m ais a lu nos o u q uais q uer
asso cia çõ es e stu dan tis i n fo rm ais .
De tu do is so , H arry d ed uzia q ue G in a e , p ro vav elm en te , N ev ille e L una
esta v am fa zen do o p ossív el p ara d ar c o ntin uid ad e à A rm ad a d e D um ble d ore .
Essa s m ín im as n otíc ia s fa zia m H arry d ese ja r re v er G in a c o m ta n ta in te n sid ad e
que c h eg av a a l h e d oer o e stô m ag o; m as o f a zia m t a m bém p en sa r e m R ony, e e m
Dum ble d ore , e n a p ró pria H ogw arts , d a q ual se n tia ta n ta fa lta q uan to d a e x -
nam ora d a. D e fa to , quan do F in eu s N ig ellu s fa la v a das m ed id as ra d ic ais do
dir e to r, H arry s e n tia u m a lo ucu ra , q ue d ura v a u m a fra ção d e s e g undo, e m q ue
sim ple sm en te im ag in av a v olta r à e sc o la p ara s e e n gaja r n a d ese sta b iliz ação d o
re g im e d e S nap e: se r a lim en ta d o, te r u m a c am a m acia e o utr o s n o c o m an do
pare cia -lh e, n o m om en to , a p ers p ectiv a m ais m ara v ilh osa d o m undo. L em bra v a-
se , e n tã o , d e q ue e ra o I n dese já v el N úm ero U m , q ue h av ia u m p rê m io d e d ez m il
gale õ es p or s u a c ap tu ra , e q ue e n tr a r e m H ogw arts e sse s d ia s e ra tã o p erig oso
quan to e n tr a r n o M in is té rio d a M ag ia . N a v erd ad e, F in eu s N ig ellu s e n fa tiz av a
esse fa to in volu nta ria m en te quan do in se ria perg unta s im porta n te s so bre o
para d eir o d e H arry e H erm io ne. S em pre q ue fa zia is so , a g aro ta e n fia v a-o n a
bols in ha d e c o nta s. F in eu s N ig ellu s, in varia v elm en te , s e re cu sa v a a re ap are cer
por v ário s d ia s d ep ois d essa s d esp ed id as p ouco c erim onio sa s.
O c lim a f o i e sfria n do g ra d ativ am en te . P or n ão o usa re m p erm an ecer e m á re a
alg um a p or m uito te m po, e m v ez d e a cam pare m n o su l d a In gla te rra , o nde o
co ngela m en to d o so lo se ria a p io r d e su as p re o cu paçõ es, ele s co ntin uara m a
via ja r e m z ig uezag ue p elo p aís , e n fre n ta n do u m a e n co sta m onta n hosa , o nde o
gra n iz o a ço ita v a a b arra ca, u m b re jo p la n o, o nde a b arra ca f o i i n undad a p or á g ua
gela d a, e u m a m in úsc u la ilh a n o m eio d e u m la g o e sc o cês, o nde a n ev e s o te rro u
meta d e d a b arra ca d ura n te a n oite .
Ele s já h av ia m e n co ntr a d o á rv ore s d e N ata l p is c an do n as ja n ela s d e s a la s
das v is ita s, a n te s d a n oite e m q ue H arry r e so lv eu s u gerir , m ais u m a v ez, a ú nic a
av en id a in ex plo ra d a q ue lh es re sta v a. T in ham a cab ad o d e c o m er u m a re fe iç ão
ex cep cio nalm en te boa: H erm io ne fo ra a um su perm erc ad o co m a C ap a da

In vis ib ilid ad e ( e , a o s a ir , e sc ru pulo sa m en te d eix ara o p ag am en to e m u m a c aix a
ab erta ) e H arry a ch ou q ue e la p oderia s e r m ais p ers u asív el c o m a b arrig a c h eia
de e sp ag uete à b olo nhesa e p era s e n la ta d as. T om ara ta m bém a p re cau ção d e
su gerir q ue, d ura n te a lg um as h ora s, n ão u sa sse m a H orc ru x, q ue p en dura ra m n o
belic h e a o l a d o d ele .
— H erm io ne?
— H um ? — E la e sta v a e n ro sc ad a e m u m a d as p oltr o nas fu ndas le n do
Os
co nto s d e B eed le , o b ard o
. H arry n ão c o nse g uia im ag in ar o q uan to m ais a a m ig a
poderia e x tr a ir d aq uele liv ro , q ue, a fin al, n em e ra tã o lo ngo; m as e ra e v id en te
que e sta v a d ecif ra n do a lg um a c o is a , p orq ue t in ha o
Sila bário d e S pellm an
a b erto
so bre o b ra ço d a p oltr o na.
Harry pig arre o u. Sen tiu -s e re p etin do ex ata m en te o que fiz era quan do,
vário s a n os a n te s, p erg unta ra à p ro fº M cG onag all se p oderia ir a H ogsm ead e,
ap esa r d e n ão t e r c o nse g uid o p ers u ad ir o s D urs le y a a ssin are m a p erm is sã o .
— H erm io ne, e stiv e p en sa n do e ...
— H arry , v ocê p oderia m e a ju dar a q ui?
Apare n te m en te , e la n ão o e sc u ta ra . C urv ou-s e p ara f re n te e e ste n deu -lh e o
liv ro .
— O lh e e sse s ím bolo — d is se , a p onta n do p ara o a lto d a p ág in a. A cim a d o
que H arry su pôs se r o títu lo d o c o nto (n ão p odia a fir m ar, p ois n ão sa b ia le r
ru nas), h av ia u m s ím bolo q ue le m bra v a u m o lh o tr ia n gula r, a p upila c o rta d a p or
um a l in ha.
— E u n unca e stu dei R unas A ntig as, H erm io ne.
— S ei d is so , m as n ão é u m a r u n a e n ão c o nsta n o s ila b ário , t a m pouco . T odo
esse t e m po p en se i q ue f o sse u m o lh o, m as a ch o q ue n ão é ! F oi f e ito à t in ta , o lh e,
alg uém o d ese n hou a q ui, n ão f a z r e alm en te p arte d o l iv ro . P en se , v ocê j á v iu i s so
an te s?
— N ão ... n ão , e sp ere a í. — H arry o lh ou m ais a te n ta m en te . — N ão é o
mesm o s ím bolo q ue o p ai d e L una e sta v a u sa n do p en dura d o a o p esc o ço ?
— B em , f o i i s so q ue p en se i t a m bém !
— E ntã o é a m arc a d e G rin delw ald . E la e n caro u-o , b oquia b erta .
— Q uê?
— K ru m m e c o nto u q ue...
Harry re p etiu a h is tó ria q ue V íto r K ru m lh e co nta ra n o casa m en to . E la
pare ceu p erp le x a.
— A m arc a d e
Grin delw ald
?
Herm io ne o lh ou d e H arry p ara o e str a n ho s ím bolo e n ovam en te p ara e le .
— N unca so ube que G rin delw ald tiv esse um a m arc a. N ão vi is so
men cio nad o e m n ad a q ue t e n ha l id o a r e sp eito d ele .

— B em , c o m o e u d is se , K ru m f a lo u q ue e sse s ím bolo f o i g ra v ad o e m u m a
pare d e d e D urm str a n g e q ue a ch av a q ue G rin delw ald o t e ria p osto l á .
— É m uito e sq uis ito . S e fo r u m s ím bolo d as A rte s d as T re v as, q ue e sta rá
fa zen do e m u m l iv ro d e h is tó ria s p ara c ria n ças?
— É , é b iz arro — c o nco rd ou H arry . — E s e ria d e e sp era r q ue S crim geo ur o
re co nhecesse . E ra m in is tr o , t in ha q ue s e r e sp ecia lis ta e m m ag ia d as T re v as.
— E u s e i... t a lv ez e le a ch asse q ue e ra a p en as u m o lh o, e x ata m en te c o m o e u .
Todos o s o utr o s c o nto s t ê m p eq uen os d ese n hos s o bre o s t ítu lo s. — E la s e c alo u e
co ntin uou a e x am in ar a e str a n ha m arc a. H arry f e z n ova t e n ta tiv a.
— H erm io ne?
— H um ?
— E stiv e p en sa n do. Q uero ... q uero i r a G odric ’s H ollo w .
Ela e rg ueu a c ab eça, m as tin ha o s o lh os d esfo cad os e is so d eu a H arry a
certe za d e q ue a in da e sta v a p en sa n do n a m is te rio sa m arc a.
— S im . S im , e stiv e p en sa n do n is so ta m bém . A ch o re alm en te q ue te re m os
de i r.
— V ocê m e o uviu d ir e ito ?
— C la ro q ue o uvi. V ocê q uer ir a G odric ’s H ollo w . C onco rd o. A ch o q ue
dev ía m os. I s to é , t a m bém n ão c o nsig o p en sa r e m m ais n en hum l u gar o nde p ossa
esta r. S erá p erig oso , m as, q uan to m ais p en so , m ais p ro váv el m e p are ce q ue
este ja l á .
— A h... o
quê
e stá l á ? — p erg unto u H arry .
Ao o uvir i s so , H erm io ne p are ceu t ã o c o nfu sa q uan to e le .
— B em , a esp ad a, H arry ! D um ble d ore certa m en te sa b ia que você ir ia
quere r volta r lá , quero diz er, G odric ’s H ollo w fo i onde G odric o G ry ff in dor
nasc eu ...
— S ério ? G ry ff in dor e ra d e G odric ’s H ollo w ?
— H arry , a lg um d ia v ocê a o m en os a b riu
His tó ria d a m agia
?
— Ã h — d is se e le , se n tin do q ue so rria p ela p rim eir a v ez e m m ese s: o s
músc u lo s d o s e u r o sto lh e p are cera m e str a n ham en te r íg id os. — E u ta lv ez te n ha
ab erto , s a b e, q uan do o c o m pre i... s ó u m a v ez...
— B em , c o m o a a ld eia te m o n om e d ele , im ag in ei q ue v ocê ta lv ez tiv esse
fe ito a lig ação — re tr u co u H erm io ne. S eu to m d e v oz a g ora e sta v a m uito m ais
pare cid o c o m o d a v elh a H erm io ne d o q ue u ltim am en te ; H arry q uase e sp ero u
que e la a n uncia sse q ue ia à b ib lio te ca. — N o liv ro , te m u m tr e ch in ho s o bre a
ald eia , e sp ere a í...
Ela a b riu a b ols in ha d e c o nta s e p ro cu ro u u m m om en to , p or f im , t ir o u o s e u
ex em pla r do liv ro -te x to de B atild a B ag sh ot, pelo qual co rre u o pole g ar até
en co ntr a r a p ág in a q ue q ueria .

— C om a assin atu ra do E sta tu to In te rn acio nal de S ig ilo em
Mag ia e m 1 689, o s b ru xos e n tr a ra m p ara s e m pre n a c la n destin id ad e.
Talv ez f o sse n atu ra l q ue f o rm asse m p eq uen as c o m unid ad es d en tr o d e
um a c o m unid ad e. M uita s a ld eia s e p eq uen os p ovoad os a tr a ír a m v ária s
fa m ília s b ru xas q ue s e u nir a m p ara m útu o a p oio e p ro te ção . A s a ld eia s
de T in w orth n a C orn ualh a, U pper F la g le y e m Y ork sh ir e e O tte ry S t.
Catc h pole na co sta su l da In gla te rra desta cara m -s e co m o la r para
gru pos d e f a m ília s b ru xas q ue c o nviv ia m c o m t r o uxas t o le ra n te s e p or
vezes c o nfu ndid os. O m ais fa m oso d esse s lu gare s s e m ib ru xos ta lv ez
se ja G odric ’s H ollo w , u m a a ld eia n o o este d a I n gla te rra o nde n asc eu o
gra n de m ag o G odric o G ry ff in dor e o nde B ow m an W rig ht, u m f e rre ir o
bru xo, fa b ric o u o prim eir o pom o de ouro . O cem ité rio lo cal está
re p le to de nom es de an tig as fa m ília s bru xas, e is to , se m dúvid a,
ex plic a as his tó ria s de asso m bra çõ es que há sé cu lo s asso la m su a
peq uen a i g re ja .
— V ocê e s e u s p ais n ão s ã o m en cio nad os — d is se H erm io ne, fe ch an do o
liv ro — , p orq ue a p ro fe sso ra B ag sh ot a b ord a a p en as o s e v en to s a té o fim d o
sé cu lo X IX . M as v ocê e stá e n te n den do? G odric ’s H ollo w , G odric o G ry ff in dor, a
esp ad a d e G ry ff in dor; v ocê n ão a ch a q ue D um ble d ore te ria e sp era d o q ue v ocê
fiz esse a l ig ação ?
— A h, é ...
Harry n ão q uis a d m itir q ue n em s e q uer p en sa ra n a e sp ad a q uan do s u geriu
que f o sse m a G odric ’s H ollo w . P ara e le , a a tr a ção d a a ld eia r e sid ia n os tú m ulo s
de se u s p ais , a c asa o nde, p or u m tr iz , e le e sc ap ara d a m orte , e n a p esso a d e
Batild a B ag sh ot.
— L em bra -s e d o q ue a M urie l d is se ? — p erg unto u e le , a p ós a lg um t e m po.
— Q uem ?
— V ocê s a b e. — H arry h esito u: n ão q ueria m en cio nar o n om e d e R ony. —
A tia -a v ó d e G in a. N o c asa m en to . A q ue fa lo u q ue v ocê tin ha to rn ozelo s fin os
dem ais .
— A h — d is se H erm io ne.
Foi u m m om en to d if íc il: H arry s a b ia q ue e la p re sse n tir a a m en ção d o n om e
de R ony. C ontin uou d ep re ssa :
— M urie l d is se q ue B atild a B ag sh ot a in da v iv e e m G odric ’s H ollo w .
— B atild a B ag sh ot — m urm uro u H erm io ne, p assa n do o d ed o in dic ad or
pelo n om e d a e sc rito ra e m r e le v o n a c ap a d o l iv ro d e h is tó ria d a m ag ia . — B em ,
su ponham os...
Ela ofe g ou tã o fo rte m en te que as en tr a n has de H arry dera m um a

cam balh ota ; e le sa co u a v arin ha, o lh an do p ara a e n tr a d a, q uase e sp era n do v er
um a m ão f o rç an do a a b a d e l o na d a b arra ca, m as n ão h av ia n ad a a li.
— Q uê? — e x cla m ou e le , e n tr e z an gad o e a liv ia d o. — P or q ue fe z is so ?
Pen se i q ue, n o m ín im o, tiv esse v is to u m C om en sa l d a M orte a b rin do o z íp er d a
barra ca...
— H arry , e s e
Batild a t iv er a e sp ada
? E s e D um ble d ore a c o nfio u a e la ?
Harry c o nsid ero u a p ossib ilid ad e. A e ssa a ltu ra , e la e sta ria e x tr e m am en te
id osa e , se g undo M urie l, g ag á. S eria p ro váv el q ue D um ble d ore e sc o ndesse a
esp ad a d e G ry ff in dor c o m e la ? N esse c aso , e le a ch av a q ue D um ble d ore r e le g ara
muita c o is a a o a caso : ja m ais re v ela ra q ue tiv esse s u bstitu íd o a e sp ad a p or u m a
fa ls if ic ação , e ta m pouco m en cio nara su a a m iz ad e c o m B atild a. A gora , p oré m ,
não e ra o m om en to d e la n çar d úvid as s o bre a te o ria d e H erm io ne, n ão q uan do
esta v a d is p osta , d e m odo s u rp re en den te , a c o nco rd ar c o m o s e u m aio r d ese jo .
— É p ossív el. E ntã o v am os a G odric ’s H ollo w ?
— V am os, m as te re m os q ue p la n eja r a v ia g em co m m uito cu id ad o. —
Herm io ne e m pertig ou-s e n a p oltr o na, e H arry p erc eb eu q ue a p ers p ectiv a d e te r
novam en te u m o bje tiv o d efin id o m elh ora ra o â n im o d ela ta n to q uan to o d ele . —
Para co m eçar, pre cis a m os pra tic ar desa p ara ta ção a dois so b a Cap a da
In vis ib ilid ad e e , p or p ru dên cia , u ns F eitiç o s d a D esilu sã o ta m bém , a n ão s e r q ue
você a ch e q ue d ev em os b ota r p ara q ueb ra r e u sa r a P oção P olis su co . N esse c aso
pre cis a ría m os re co lh er fio s d e c ab elo s d e a lg uém . N a v erd ad e, a ch o q ue is so
se ria m elh or, H arry , q uan to m ais i m pen etr á v eis o s n osso s d is fa rc es, m elh or...
Harry deix ou-a fa la r, asse n tin do e co nco rd an do se m pre que hav ia um a
pau sa , m as su a m en te se alh eara d a co nvers a . P ela p rim eir a v ez d esd e q ue
desc o brir a q ue a e sp ad a n o G rin gote s e ra f a ls a , s e n tia -s e e stim ula d o.
Esta v a e m v ia s d e ir à s u a te rra , e m v ia s d e re to rn ar a o lu gar o nde tiv era
um a f a m ília . S e n ão f o sse p or V old em ort, e m G odric ’s H ollo w e le te ria c re sc id o
e p assa d o to das a s fé ria s e sc o la re s. P oderia te r c o nvid ad o a m ig os a s u a c asa ...
poderia a té te r tid o ir m ão s e ir m ãs... su a m ãe é q ue te ria fe ito o se u b olo d e
dezesse te a n os. A v id a q ue e le p erd era n unca lh e p are cera tã o re al c o m o n este
mom en to , e m q ue s a b ia e sta r p re ste s a c o nhecer o lu gar e m q ue tu do a q uilo lh e
fo ra ro ubad o. A quela n oite , d ep ois q ue H erm io ne fo i s e d eita r, s ile n cio sa m en te
Harry tir o u a m och ila d a b ols in ha d e c o nta s e a p an hou o á lb um d e fo to gra fia s
que H ag rid l h e d era t a n to s a n os a tr á s.
Pela p rim eir a v ez e m m ese s, e x am in ou e m d eta lh e a s v elh as f o to s d os s e u s
pais , so rrin do e a cen an do p ara e le e m im ag em , q ue e ra só o q ue lh e re sta v a
dele s.
Harry te ria , d e b om g ra d o, p artid o p ara G odric ’s H ollo w n o d ia s e g uin te ,
mas H erm io ne tin ha o utr a s id éia s. C onven cid a d e q ue V old em ort e sp era ria q ue

Harry v olta sse à c en a d a m orte d os p ais , e la d ecid ir a q ue s ó v ia ja ria m d ep ois d e
asse g ura r q ue t iv esse m o s m elh ore s d is fa rc es p ossív eis . P orta n to , s ó u m a s e m an a
mais ta rd e — a p ós o bte re m fio s d e c ab elo s d e tr o uxas in ocen te s q ue fa zia m
co m pra s de N ata l, e pra tic ar ap ara ta ção e desa p ara ta ção so b a C ap a da
In vis ib ilid ad e — , H erm io ne c o nco rd ou e m v ia ja r.
Dev ia m a p ara ta r a té a a ld eia p ro te g id os p ela e sc u rid ão d a n oite , p orta n to , a
ta rd e ia a d ia n ta d a q uan do fin alm en te b eb era m a P oção P olis su co , e H arry se
tr a n sfo rm ou e m u m tr o uxa d e m eia -id ad e, c o m o s c ab elo s r a re an do, e H erm io ne
em u m a e sp osa p eq uen a e a p ag ad a. A b ols in ha d e c o nta s c o m to dos o s se u s
perte n ces (a fo ra a H orc ru x q ue H arry u sa v a a o p esc o ço ) e sta v a g uard ad a n o
bols o in te rn o d o c asa co d e H erm io ne, a b oto ad o a té e m c im a. H arry c o briu -o s
co m a C ap a d a In vis ib ilid ad e, e e le s p en etr a ra m m ais u m a v ez n a su fo can te
esc u rid ão .
Sen tin do o c o ra ção b ate r n a g arg an ta , H arry a b riu o s o lh os. A ch av am -s e
para d os d e m ão s d ad as e m u m a e str a d in ha c o berta d e n ev e, s o b u m c éu a zu l-
esc u ro e m q ue a s p rim eir a s e str e la s d a n oite c o m eçav am a p is c ar p alid am en te .
Hav ia c h alé s d e a m bos o s l a d os d a v ia e str e ita , e d eco ra çõ es d e N ata l c in tila v am
às ja n ela s. U m p ouco a d ia n te , u m c la rã o d oura d o d e la m piõ es d e r u a in dic av a o
cen tr o d a a ld eia .
— Q uan ta nev e! — su ssu rro u H erm io ne so b a cap a. — P or que não
pen sa m os n a n ev e? D ep ois d e to das a s p re cau çõ es q ue to m am os, v am os d eix ar
peg ad as! T em os q ue n os l iv ra r d ela s: v ocê v ai n a f re n te e e u c u id o d is so ...
Harry n ão q ueria e n tr a r n a a ld eia c o m o u m c av alo d e p an to m im a, te n ta n do
man tê -lo s in vis ív eis ao m esm o te m po em que ocu lta v am m ag ic am en te os
vestíg io s d e s u a p assa g em .
— V am os tir a r a c ap a — s u geriu H arry e , a o v er o ro sto a m ed ro nta d o d e
Herm io ne, co m ple to u — , ah , vam os, não pare cem os nós m esm os e não há
nin guém p or a q ui.
Ele g uard ou a cap a so b o p ale tó e p ro sse g uir a m d ese m bara çad os, o ar
gélid o b elis c an do s e u ro sto a o p assa re m p or o utr o s c h alé s: q ualq uer u m d ele s
poderia s e r a q uele e m q ue T ia g o e L ília n tin ham v iv id o o u o q ue B atild a v iv ia
ag ora . H arry obse rv ou as porta s, os te to s carre g ad os de nev e, os pórtic o s,
im ag in an do s e a in da s e l e m bra ria d e a lg um d ele s, s a b en do, i n tim am en te , q ue e ra
im possív el, tin ha p ouco m ais d e u m a n o q uan do d eix ara a a ld eia p ara s e m pre .
Não s a b ia a o c erto s e c o nse g uir ia v er o c h alé ; n em o q ue a co nte cia q uan do o s
porta d ore s d o F eitiç o F id eliu s m orria m . E ntã o , a e str a d in ha e m q ue ia m f e z u m a
cu rv a p ara a e sq uerd a, e o c o ra ção d a a ld eia , u m a p ra cin ha, su rg iu a o s se u s
olh os.
A to do r e d or h av ia lâ m pad as c o lo rid as p en dura d as, e , n o c en tr o , o q ue lh e

pare ceu u m m em oria l d e g uerra , p arc ia lm en te so m bre ad o p or u m a á rv ore d e
Nata l sa cu did a p elo v en to . H av ia d iv ers a s lo ja s, u m co rre io , u m b ar e u m a
ig re jin ha c u jo s v itr a is b rilh av am c o m o jó ia s d o la d o o posto d a p ra ça. A n ev e a li
se c o m pacta ra : e sta v a d ura e e sc o rre g ad ia p or o nde a s p esso as tin ham p assa d o o
dia to do. A ld eõ es cru zav am a su a fre n te em to das as dir e çõ es, se u s vulto s
bre v em en te ilu m in ad os p elo s la m piõ es d e r u a. E le s o uvir a m f ra g m en to s d e r is o s
e m úsic a p op q uan do a p orta d o b ar s e a b riu e f e ch ou; d ep ois o uvir a m u m c o ra l
nata lin o c o m eçan do a c an ta r n a i g re ja .
— H arry , a ch o q ue é n oite d e N ata l! — e x cla m ou H erm io ne. — É ?
Perd era a n oção d a d ata ; h av ia s e m an as q ue n ão v ia m u m j o rn al.
— T en ho c erte za d e q ue é — to rn ou H erm io ne, c o m o s o lh os n a ig re ja . —
Ele s... ele s esta rã o lá , não ? S ua m ãe e se u pai? E sto u ven do o cem ité rio
paro quia l.
Harry se n tiu um a em oção in defin id a que tr a n sc en dia a ex cita ção ,
asse m elh av a-s e m ais ao m ed o. A gora , tã o p erto , esta v a em d úvid a se q ueria
mesm o v er. T alv ez H erm io ne s o ubesse o q ue e le e sta v a s e n tin do, p orq ue p eg ou-
o p ela m ão e a ssu m iu a lid era n ça p ela p rim eir a v ez, p uxan do-o p ara p ro sse g uir.
No m eio d a p ra ça, n o e n ta n to , e la p aro u s u bita m en te .
— H arry , o lh a!
Ela a p onta v a p ara o m em oria l d e g uerra . A o p assa re m p elo m onum en to , e le
se t r a n sfo rm ara . E m v ez d e u m o belis c o c o berto d e n om es, h av ia u m a e stá tu a d e
tr ê s p esso as: u m h om em d e c ab elo s re b eld es e ó cu lo s, u m a m ulh er d e c ab elo s
lo ngos e ro sto b onito e b ondoso , e u m m en in in ho a n in had o n os b ra ço s d ela . A
nev e s e d ep osita ra e m s u as c ab eças, c o m o g orro s b ra n co s e f o fo s.
Harry ap ro xim ou-s e fita n do os ro sto s dos pais . N unca im ag in ara que
hav eria u m a está tu a... co m o era estr a n ho v er- s e re p re se n ta d o em p ed ra , u m
men in in ho f e liz s e m c ic atr iz n a t e sta ...
— V am os — d is se H arry , a o s e d ar p or s a tis fe ito , e o s d ois re to m ara m o
cam in ho p ara a ig re ja . A o a tr a v essa re m a r u a, e le e sp io u p or c im a d o o m bro : a
está tu a s e t r a n sfo rm ara m ais u m a v ez e m u m m em oria l d e g uerra .
A c an to ria fo i s e e le v an do à m ed id a q ue s e a p ro xim av am . H arry s e n tiu a
garg an ta ap erta r, le m bro u-s e co m ta n ta in te n sid ad e de H ogw arts , de P ir ra ça
berra n do p aró dia s g ro sse ir a s d as can çõ es d e d en tr o d as arm ad ura s, d as d oze
árv ore s d e N ata l n o S alã o P rin cip al, d e D um ble d ore u sa n do a to uca q ue g an hara
em u m a b ala d e e sta lo , d e R ony c o m o s u éte r t r ic o ta d o a m ão ...
Hav ia u m p ortã o q ue d av a p assa g em a u m a p esso a p or v ez, n a e n tr a d a d o
cem ité rio . H erm io ne o a b riu , o m ais s ile n cio sa m en te p ossív el, e o s d ois e n tr a ra m
de la d o. N as la te ra is d o c am in ho e sc o rre g ad io q ue le v av a à s p orta s d a ig re ja , a
nev e e sta v a a lta e in to cad a. E le s a tr a v essa ra m a n ev e, d eix an do p ro fu ndas v ala s

ao c o nto rn are m o p ré d io , m an te n do-s e à s o m bra d as j a n ela s i lu m in ad as.
No a d ro d a ig re ja , f ile ir a s e m ais f ile ir a s d e tú m ulo s n ev ad os e m erg ia m d e
um m an to azu l m uito cla ro co m ofu sc an te s m alh as verm elh as, am are la s e
verd es, q ue e ra m a lu z d os v i tr a is in cid in do s o bre a n ev e. A perta n do a v arin ha
no b ols o d o p ale tó , H arry s e d ir ig iu a o t ú m ulo m ais p ró xim o.
— O lh e e sse , é d e u m A bbott, ta lv ez s e ja u m p are n te d a A na fa le cid o h á
muito t e m po!
— F ale b aix o — p ed iu H erm io ne.
Ele s fo ra m se em bre n han do no cem ité rio , cav an do, ao passa r, peg ad as
esc u ra s na nev e, in clin an do-s e para esp ia r as in sc riç õ es nas velh as lá p id es,
ap erta n do d e v ez e m q uan do o s o lh os p ara e n xerg ar n a e sc u rid ão c ir c u ndan te e
se c ertif ic ar p le n am en te d e q ue e sta v am s o zin hos.
— H arry , a q ui!
Herm io ne esta v a a duas file ir a s de dis tâ n cia ; ele pre cis o u volta r até a
am ig a, s e u c o ra ção d ecid id am en te r ib om ban do n o p eito . — É ...?
— N ão , m as v en ha v er!
Ela ap onto u p ara u m a p ed ra esc u ra . H arry se ab aix ou e v iu , n o g ra n ito
co ngela d o e m an ch ad o d e l iq uen s, a s p ala v ra s
Ken dra D um ble d ore
, e a b aix o d as
data s d e s e u n asc im en to e m orte ,
e s u a f ilh a A ria na
. H av ia t a m bém u m a c ita ção :

Porq ue o nde e stiv er o v o sso t e so uro , a í e sta rá t a m bém o v o sso c o ra çã o.

Entã o R ita S keete r e M urie l tin h am e n te n did o a lg uns f a to s c o rre ta m en te . A
fa m ília D um ble d ore v iv era r e alm en te a li, e p arte d ela m orre ra a li.
Ver o tú m ulo e ra p io r d o q ue o uvir fa la r n ele . H arry n ão p ôde d eix ar d e
pen sa r q ue D um ble d ore e e le tin ham p ro fu ndas ra íz es n este c em ité rio , e q ue o
dir e to r dev ia te r lh e dito is so ; en tr e ta n to , ja m ais pen sa ra em partilh ar ta l
co nex ão . P oderia m te r vis ita d o o lu gar ju nto s; por um m om en to , H arry se
im ag in ou v in do a li c o m o d ir e to r, o v ín cu lo q ue te ria m fo rm ad o, o q uan to is to
te ria s ig nif ic ad o p ara e le . P are cia , p oré m , q ue, p ara D um ble d ore , o f a to d e s u as
fa m ília s ja zere m la d o a la d o no m esm o cem ité rio fo sse um a co in cid ên cia
in sig nif ic an te , ir re le v an te , ta lv ez, para o tr a b alh o que dese ja v a ver H arry
re aliz ar.
Herm io ne o bse rv av a-o , e H arry fic o u c o nte n te q ue a s s o m bra s o cu lta sse m
se u ro sto . E le to rn ou a le r a s p ala v ra s n a lá p id e.
Porq ue o nde e stiv er o v o sso
te so uro , aí esta rá ta m bém o vo sso co ra çã o
. Não co m pre en dia o que
sig nif ic av am . C om c erte za tin ham sid o e sc o lh id as p or D um ble d ore , p or se r o
mem bro m ais v elh o d a f a m ília a p ós a m orte d a m ãe.
— V ocê t e m c erte za d e q ue e le n unca m en cio nou...? — c o m eço u H erm io ne.

— N ão — r e sp ondeu H arry , s e cam en te , e e m s e g uid a: — V am os c o ntin uar
olh an do. — E lh e d eu a s c o sta s, d ese ja n do n ão te r v is to a lá p id e; n ão q ueria q ue
a s u a i n te n sa v ib ra ção f o sse c o nta m in ad a p elo r a n co r.
— A qui! — t o rn ou a e x cla m ar H erm io ne, d a e sc u rid ão , i n sta n te s d ep ois . —
Ah, n ão , d esc u lp e! P en se i t e r l id o P otte r.
Ela esta v a esfre g an do um a lá p id e esfa re la d a, co berta de m usg o, e a
estu dav a c o m u m a p eq uen a r u ga n o r o sto .
— H arry , v olte a q ui u m m om en to .
Ele n ão q ueria s e r n ovam en te d esv ia d o d e s u a b usc a e f o i r e sm ungan do q ue
re to rn ou p ela n ev e a té H erm io ne. — Q uê?
— O lh e s ó i s so !
O tú m ulo e ra e x tr a o rd in aria m en te v elh o, d esin te g ra d o p ela s in te m périe s, e
ele q uase n ão c o nse g uia e n xerg ar o n om e. H erm io ne m ostr o u-lh e o s ím bolo l o go
ab aix o.
— H arry , é a m arc a q ue e sta v a n o l iv ro !
Ele o lh ou p ara o p onto q ue a a m ig a in dic av a: a p ed ra e sta v a tã o g asta q ue
era d if íc il v er a g ra v ação , e m bora p are cesse h av er u m a m arc a tr ia n gula r s o b o
nom e q uase i le g ív el.
— É ... p oderia s e r...
Herm io ne a cen deu a v arin ha e i lu m in ou o n om e n a l á p id e.
— D iz a q ui I g -Ig noto , a ch o...
— V ou c o ntin uar p ro cu ra n do o s m eu s p ais , tá ? — re sp ondeu H arry , c o m
certa r is p id ez n a v oz, e t o rn ou a s e a fa sta r, d eix an do-a a g ach ad a a o l a d o d o v elh o
tú m ulo .
De vez em quan do, ele re co nhecia um so bre n om e que, co m o A bbott,
en co ntr a ra em H ogw arts . À s v ezes h av ia v ária s g era çõ es d a m esm a fa m ília
bru xa r e p re se n ta d as n o c em ité rio ; H arry p erc eb ia p ela s d ata s q ue a f a m ília o u s e
ex tin guir a o u se u s m em bro s a tu ais tin ham se m udad o d e G odric ’s H ollo w . E
pro sse g uia a v an çan do e n tr e o s tú m ulo s e , c ad a v ez q ue e n co ntr a v a u m a lá p id e
nova, s e n tia u m a p erto d e a p re en sã o o u d e e x pecta tiv a.
A esc u rid ão e o silê n cio pare cera m se to rn ar, de re p en te , m uito m ais
pro fu ndos. H arry o lh ou a o re d or p re o cu pad o, p en sa n do n os d em en ta d ore s, e s e
deu c o nta d e q ue o c o ra l h av ia te rm in ad o, q ue a c o nvers a e o a lv oro ço d os f ié is
ia m m orre n do à m ed id a q ue s e d ir ig ia m à p ra ça. A lg uém n a ig re ja a cab ara d e
ap ag ar a s l u zes.
Entã o , d as tr e v as, v eio a v oz d e H erm io ne p ela te rc eir a v ez, a lta e c la ra , a
pouco s m etr o s d e d is tâ n cia .
— H arry , e le s e stã o a q ui... b em a q ui.
E ele so ube pelo se u to m de voz que desta vez era m os se u s pais :

ap ro xim ou-s e s e n tin do q ue u m p eso c o m prim ia -lh e o p eito , a m esm a s e n sa ção
que tiv era lo go d ep ois d a m orte d e D um ble d ore , u m a d or q ue c h eg av a a p esa r
em s e u c o ra ção e s e u s p ulm ões.
A lá p id e e sta v a a p en as d uas file ir a s a tr á s d a d e K en dra e A ria n a. E ra d e
márm ore , ta l c o m o a d e D um ble d ore , e is so fa cilita v a a le itu ra , p ois p are cia
brilh ar n o e sc u ro . H arry n ão p re cis o u s e a jo elh ar n em c h eg ar m uito p erto p ara
le r a s p ala v ra s a li g ra v ad as.
Tia g o P otte r, n asc id o 2 7 d e m arç o 1 960, fa le cid o 3 1 d e o utu bro
1981
Lília n P otte r, n asc id a 3 0 d e ja n eir o 1 960, f a le cid a 3 1 d e o utu bro
1981
Ora , o ú ltim o i n im ig o q ue h á d e s e r a n iq uila d o é a m orte .
Harry le u as p ala v ra s d ev ag ar, co m o se fo sse te r u m a ú nic a ch an ce d e
en te n der s e u s ig nif ic ad o, e l e u a s ú ltim as e m v oz a lta .
— “
Ora , o últim o in im ig o que há de se r aniq uila do é a m orte
”... —
Oco rre u -lh e u m p en sa m en to h orrív el, a co m pan had o d e u m a e sp écie d e p ân ic o .
— E ssa n ão é a i d éia d os d em en ta d ore s? P or q ue e stá a li?
— N ão s ig nif ic a a n iq uila r a m orte c o m o q uere m o s d em en ta d ore s, H arry —
dis se H erm io ne, e m to m m eig o. — S ig nif ic a... e n te n de... v iv er a lé m d a m orte .
Viv er a p ós a m orte .
Ele s, en tr e ta n to , n ão esta v am v iv os, p en so u H arry : esta v am m orto s. A s
pala v ra s v azia s n ão p odia m d is fa rç ar q ue o s re sto s d os s e u s p ais ja zia m s o b a
nev e e o m árm ore , in dif e re n te s, in co nsc ie n te s. E a s lá g rim as v ie ra m a n te s q ue
ele p udesse c o ntê -la s, e sc ald an te s e in sta n ta n eam en te c o ngela d as e m s e u ro sto ,
de q ue a d ia n ta v a e n xugá-la s o u f in gir ? D eix ou-a s c air , s e u s lá b io s c o ntr a íd os, o s
olh os f ix os n a n ev e e sp essa q ue o cu lta v a o lu gar e m q ue ja zia m o s d esp ojo s d os
se u s pais , ag ora , certa m en te ap en as osso s ou pó, se m sa b ere m nem se
im porta re m q ue s e u filh o s o bre v iv en te s e a ch asse tã o p erto , s e u c o ra ção a in da
palp ita n do, v iv o p or c au sa d o s e u s a crif íc io e q uase d ese ja n do, n este m om en to ,
que e stiv esse d orm in do c o m e le s s o b a n ev e.
Herm io ne p eg ara s u a m ão e a a p erta v a c o m f o rç a. E le n ão c o nse g uia f itá -la ,
mas re tr ib uiu o a p erto , e a g ora in sp ir a v a h au sto s p ro fu ndos e c o rta n te s d o a r
notu rn o, te n ta n do s u porta r, te n ta n do s e c o ntr o la r. E le d ev eria te r tr a zid o a lg um a
co is a p ara lh es o fe re cer e n ão p en sa ra n is so , e to das a s p la n ta s n o c em ité rio
esta v am d esfo lh ad as e c o ngela d as. H erm io ne, p oré m , e rg ueu a v arin ha, fe z u m
cír c u lo n o a r e , d ia n te d os s e u s o lh os, f e z b ro ta r u m a c o ro a d e h elé b oro s. H arry

ap an hou-a e d ep osito u-a n o t ú m ulo d os p ais .
Assim q ue s e le v an to u, q uis ir e m bora : a ch av a q ue n ão a g üen ta ria f ic ar a li
nem m ais u m m in uto . H arry p asso u o b ra ço p elo s o m bro s d e H erm io ne, e e la
passo u o d ela p or s u a c in tu ra , v ir a ra m -s e e m s ilê n cio , s e a fa sta ra m p ela n ev e,
deix an do p ara tr á s o tú m ulo d a m ãe e d a ir m ã d e D um ble d ore , e v olta ra m e m
dir e ção à i g re ja e a o p ortã o e str e ito e p ouco v is ív el.

1 7
O s e g re d o d e B atild a
— H arry , p are .
— Q ue f o i?
Tin ham a cab ad o d e a lc an çar o t ú m ulo d o A bbott d esc o nhecid o.
— T em a lg uém a li. A lg uém n os o bse rv an do. S in to . A li, p erto d os a rb usto s.
Ele s fic ara m m uito q uie to s, ab ra çad os, o lh an do a d en sa se b e esc u ra em
t o rn o d o c em ité rio . H arry n ão c o nse g uia e n xerg ar n ad a.
— T em c erte za?
— V i u m a c o is a s e m ex er. P oderia ju ra r q ue v i... E la o la rg ou p ara d eix ar
l iv re a m ão d a v arin ha.
— E sta m os p are cen do t r o uxas — l e m bro u H arry .
— T ro uxas q ue a cab ara m d e d ep osita r flo re s n o tú m ulo d os p ais ! H arry ,
t e n ho c erte za d e q ue h á a lg uém a li!
Harry pen so u no H is tó ria da m ag ia ; diz ia m que o cem ité rio era m al-
a sso m bra d o: e s e ...? E ntã o , e le o uviu u m ru íd o a b afa d o e v iu u m m ontin ho d e
n ev e deslo cad a no arb usto para o qual H erm io ne ap onta ra . F an ta sm as não
d eslo cam n ev e.
— É u m g ato — d is se H arry , a p ós a lg uns s e g undos — o u u m p ássa ro . S e
f o sse u m C om en sa l d a M orte já e sta ría m os m orto s. M as v am os sa ir d aq ui e
p odere m os t o rn ar a v estir a c ap a.
Ele s olh ara m para tr á s vária s vezes en quan to se dir ig ia m à sa íd a do
c em ité rio . H arry , q ue n ão se se n tia tã o co ra jo so q uan to fin gia esta r q uan do
t r a n qüiliz o u H erm io ne, f ic o u f e liz d e a lc an çar o p ortã o e a c alç ad a e sc o rre g ad ia .
T orn ara m , e n tã o , a s e c o brir c o m a C ap a d a In vis ib ilid ad e. O b ar e sta v a m ais
c h eio d o q ue a n te s: v ozes e m s e u in te rio r a g ora c an ta v am a c an ção n ata lin a q ue
t in ham o uvid o a o s e a p ro xim ar d a ig re ja . P or u m m om en to , H arry p en so u e m
s u gerir que se re fu gia sse m ali, m as, an te s que pudesse fa la r, H erm io ne
m urm uro u:
— V am os p or a q ui. — E p uxou-o p ela ru a e sc u ra , q ue s a ía d a a ld eia , n a
d ir e ção o posta à q uela d a q ual tin ham v in do. H arry d iv is o u a o lo nge o p onto e m
q ue os ch alé s te rm in av am e a estr a d in ha en tr a v a em cam po ab erto . E le s
c am in hara m o m ais rá p id o q ue o usa ra m , p assa ra m p or o utr a s ta n ta s ja n ela s e m
q ue c in tila v am lu zes m ultic o lo rid as, o s c o nto rn os d e á rv ore s d e N ata l e rg uen do
s o m bra s a tr a v és d as c o rtin as.

— C om o v am os e n co ntr a r a c asa d a B atild a? — p erg unto u H erm io ne, q ue
tr e m ia u m p ouco e n ão p ara v a d e e sp ia r p or c im a d o o m bro . — H arry ? Q ue
ach a? H arry ?
Ela p uxou-o p elo b ra ço , m as H arry n ão a e sc u ta ra . E sta v a o lh an do p ara
um a m assa e sc u ra o nde a cab av am a s c asa s. N o m om en to s e g uin te , e le a cele ro u o
passo , a rra sta n do H erm io ne; e la e sc o rre g ou u m p ouco n o g elo .
— H arry ...
— O lh e... o lh e a q uilo , H erm io ne...
— N ão e sto u... a h !
Ele e sta v a v en do; o F eitiç o F id eliu s d ev ia te r s e e x tin guid o c o m T ia g o e
Lília n . A s e b e c re sc era liv re m en te n os d ezesse is a n os d esd e q ue H ag rid r e tir a ra
Harry d os e sc o m bro s a in da e sp alh ad os p elo c ap im , q ue c h eg av a à c in tu ra . A
maio r p arte d o c h alé p erm an ecia d e p é, e m bora in te ir a m en te c o berta d e h era
esc u ra e n ev e, m as o la d o d ir e ito d o a n dar su perio r e x plo dir a ; p or a li, H arry
esta v a se g uro , o fe itiç o se volta ra co ntr a quem o la n çara . E le e H erm io ne
para ra m a o p ortã o , c o nte m pla n do a s ru ín as d o q ue tin ha s id o, n o p assa d o, u m a
casa e x ata m en te c o m o a s v iz in has.
— P or q ue s e rá q ue n in guém a r e co nstr u iu ? — s u ssu rro u H erm io ne.
— T alv ez não se possa re co nstr u í- la ? T alv ez se ja co m o os fe rim en to s
pro duzid os p ela s A rte s d as T re v as q ue n ão s ã o c u rá v eis ?
Ele p asso u a m ão p ara f o ra d a c ap a e s e g uro u o p ortã o m uito e n fe rru ja d o e
co berto d e n ev e, s e m q uere r a b ri- lo , m as te n ta n do, s im ple sm en te , to car a lg um a
parte d a c asa .
— V ocê n ão v ai e n tr a r, v ai? P are ce p erig oso , p ode... a h , H arry , o lh e! S eu
to que n o p ortã o p are cia te r b asta d o. E rg uera -s e u m a p la ca d ia n te d ele s, a tr a v és
do e m ara n had o d e u rtig as e e rv as d an in has, c o m o u m a f lo r b iz arra q ue c re sc esse
in sta n ta n eam en te e , n a i n sc riç ão d oura d a n a m ad eir a , e le l e u :
Neste lo cal, n a n oite d e 3 1 d e o utu bro d e 1 981, L ília n e T ia g o
Potte r p erd era m a v id a.
Seu f ilh o, H arry , é o ú nic o b ru xo a t e r s o bre v iv id o à M ald iç ão d a
Morte .
Esta c asa , in vis ív el a o s tr o uxas, f o i m an tid a e m r u ín as c o m o u m
monum en to a o s P otte r e u m a le m bra n ça d a v io lê n cia q ue d estr u iu s u a
fa m ília .
A to da v olta d esse te x to c o ncis o , h av ia ra b is c o s fe ito s p or o utr o s b ru xos
que tin ham vis ita d o o lo cal em que O -M en in o-Q ue-S obre v iv eu re aliz ara ta l
fe ito . A lg uns assin ara m se u s nom es em tin ta perp étu a; outr o s gra v ara m as

in ic ia is n a m ad eir a , o utr o s, a in da, d eix ara m m en sa g en s. A s m ais r e cen te s, q ue s e
desta cav am , re lu zen te s, so bre o s d ezesse is an os d e g ra fito s m ág ic o s, d iz ia m
mais o u m en os o m esm o:

“B oa s o rte , H arry, o nde q uer q ue e ste ja .” “ Se le r e sta m en sa gem , H arry,
sa ib a q ue e sta m os c o m v o cê!” “ Viv a H arry P otte r.”

— Ele s não dev ia m te r ra b is c ad o a pla ca! — co m en to u H erm io ne,
in dig nad a.
Harry , p oré m , s o rriu p ara e la .
— É g en ia l. F ic o f e liz q ue t e n ham e sc rito . E u...
E s e c alo u. U m v ulto m uito a g asa lh ad o c ap en gav a p ela e str a d in ha e m s u a
dir e ção , re co rta d o pela ilu m in ação cla ra , na pra ça ao lo nge. H arry ach ou,
em bora fo sse d if íc il ju lg ar, q ue e ra o v ulto d e u m a m ulh er. E la s e m ovia c o m
le n tid ão , possiv elm en te re ceo sa de esc o rre g ar no ch ão nev ad o. S uas co sta s
cu rv ad as, s u a c o rp ulê n cia , s e u a n dar a rra sta d o, tu do in dic av a u m a id ad e m uito
av an çad a. Ele s obse rv ara m su a ap ro xim ação em silê n cio . Harry esta v a
ag uard an do p ara v er s e e la e n tr a ria e m u m d os c h alé s p elo c am in ho, m as s a b ia ,
in stin tiv am en te , q ue n ão f a ria is so . P or f im , e la p aro u a u ns p ouco s m etr o s d os
dois e , s im ple sm en te , f ic o u a li n o m eio d a r u a c o ngela d a, e n cara n do-o s.
Ele n ão p re cis o u q ue H erm io ne b elis c asse se u b ra ço . P ra tic am en te n ão
hav ia c h an ce d e q ue a m ulh er f o sse tr o uxa: e sta v a p ara d a d e o lh os p re g ad os e m
um a casa que lh e se ria in te ir a m en te in vis ív el se não
fo sse
bru xa. M esm o
su pondo q ue f o sse u m a b ru xa, n o e n ta n to , e ra u m c o m porta m en to e str a n ho s a ir
em u m a n oite tã o fria , sim ple sm en te p ara c o nte m pla r u m a v elh a ru ín a. P ela s
re g ra s d a m ag ia n orm al, e la n ão d ev eria p oder v ê-lo s. C ontu do, H arry tin ha a
estr a n ha im pre ssã o d e q ue sa b ia d a p re se n ça d ele s a li, e ta m bém sa b ia q uem
era m . N o m om en to e m q ue e le c h eg ou a e ssa in quie ta n te c o nclu sã o , a m ulh er
erg ueu a m ão e n lu vad a e f e z s in al p ara q ue s e a p ro xim asse m .
Herm io ne s e a ch eg ou a H arry s o b a c ap a, s e u b ra ço c o m prim in do o d ele .
— C om o é q ue e la s a b e?
Ele s a cu diu a c ab eça. A m ulh er to rn ou a c h am á-lo s, m ais e n erg ic am en te .
Harry poderia pen sa r em m uita s ra zõ es para não obed ecer, co ntu do, su as
su sp eita s a re sp eito d a id en tid ad e d ela to rn av am -s e m ais fo rte s a c ad a s e g undo
em q ue c o ntin uav am p ara d os, s e e n cara n do n a r u a d ese rta .
Seria p ossív el q ue e stiv esse e sp era n do p or e le s to dos e sse s lo ngos m ese s?
Que Dum ble d ore lh e tiv esse dito para esp era r porq ue Harry acab aria
ap are cen do? N ão s e ria p ro váv el q ue f o sse a c o is a q ue s e m ex era n as s o m bra s d o
cem ité rio e o s se g uir a a té a li? A té a su a c ap acid ad e d e se n ti- lo s su geria u m

poder à l a D um ble d ore , q ue e le j a m ais e n co ntr a ra . H arry , p or f im , f a lo u, f a zen do
Herm io ne o fe g ar s o bre ssa lta d a.
— A s e n hora é B atild a?
O vulto ag asa lh ad o asse n tiu e to rn ou a lh es fa zer sin al para se
ap ro xim are m .
Sob a c ap a, H arry e H erm io ne s e e n tr e o lh ara m . E le e rg ueu a s s o bra n celh as;
Herm io ne f e z u m a cen o b re v e e n erv oso c o m a c ab eça.
Os d ois f o ra m a o e n co ntr o d a m ulh er e , n a m esm a h ora , e la d eu m eia -v olta
e sa iu m an queja n do pelo cam in ho que vie ra . C onduzin do-o s pela file ir a de
casa s, e n tr o u p or u m p ortã o . O s g aro to s a s e g uir a m p or u m c am in ho l a d ead o p or
um ja rd im q uase tã o c re sc id o q uan to o q ue tin ham a cab ad o d e d eix ar. E la se
atr a p alh ou u m in sta n te c o m a c h av e à p orta , a b riu -a e s e a fa sto u p ara d eix á-lo s
en tr a r.
A b ru xa ch eir a v a m al, o u ta lv ez fo sse a casa : H arry to rc eu o n ariz ao
passa re m p or e la , e tir o u a c ap a. A gora a o s e u la d o, o g aro to p erc eb eu c o m o e ra
miú da; c u rv ad a p ela i d ad e, m al a lc an çav a o s e u p eito . A b ru xa f e ch ou a p orta , a s
ju nta s d os d ed os a zu is e m an ch ad os c o ntr a a tin ta d esc asc ad a, e n tã o s e v ir o u e
esp io u o ro sto d e H arry . S eu s o lh os tin ham c ata ra ta s e p re g as fu ndas d e p ele
tr a n sp are n te , e to do o se u ro sto era ris c ad o de peq uen as veia s ro m pid as e
man ch as m arro ns. E le fic o u e m d úvid a s e a m ulh er re alm en te p oderia v ê-lo ; e ,
mesm o q ue p udesse , o q ue v eria se n ão o tr o uxa care ca cu ja id en tid ad e ele
ro ubara ?
O o dor d e v elh ic e, d e p oeir a , d e ro upas s u ja s e d e c o m id a ra n ço sa p io ro u
quan do e la r e tir o u o x ale p re to r o íd o d e t r a ças, r e v ela n do u m a c ab ele ir a b ra n ca e
ra la q ue d eix av a v is ív el o c o uro c ab elu do.
— B atild a? — r e p etiu H arry .
Ela to rn ou a a sse n tir. H arry p erc eb eu a p re se n ça d o m ed alh ão c o ntr a s u a
pele ; a c o is a a li d en tr o , q ue p or v ezes b atia , a cab ara d e d esp erta r; e le a s e n tia
puls a r a tr a v és d o o uro f rio . S erá q ue e n te n dia q ue a c o is a q ue a d estr u ir ia e sta v a
tã o p erto ?
Batild a p asso u p or e le s a rra sta n do o s p és, e m purra n do H erm io ne p ara o
la d o c o m o s e n ão a tiv esse v is to e d esa p are ceu , p ro vav elm en te e m u m a s a la d e
vis ita s.
— H arry , n ão m e s in to m uito s e g ura — s u ssu rro u H erm io ne.
— O lh e o ta m an ho d ela ; a ch o q ue p odería m os d om in á-la , s e f o sse p re cis o
— co m en to u H arry . — E sc u te , d ev ia te r lh e d ito , eu já sa b ia q ue n ão está
bate n do b em d a b ola . M urie l c h am ou-a d e g ag á.
— E ntr e ! — co nvid ou B atild a d a sa la v iz in ha. H erm io ne se assu sto u e
ag arro u o b ra ço d e H arry .

— T udo b em — d is se e le , tr a n qüiliz an do-a , e e n tr o u à s u a fre n te . B atild a
an dav a vacila n te pela sa la , acen den do vela s, m as o lu gar co ntin uav a m uito
esc u ro , p ara n ão f a la r d e s u a e x tr e m a s u je ir a . O s p és d e H arry e sm ag av am u m a
gro ssa c am ad a d e p oeir a e s e u n ariz s e n tia , s o b o o dor d e m ofo e u m id ad e, a lg o
pio r, ta lv ez c arn e e str a g ad a. P erg unto u-s e q uan do te ria sid o a ú ltim a v ez q ue
alg uém v ie ra à c asa d e B atild a p ara v erif ic ar s e e sta v a tu do b em . E la p are cia te r
esq uecid o s e u s d ote s d e m ag ia , p orq ue s e a tr a p alh av a a cen den do a s v ela s, s e u s
punhos d e r e n da e m c o nsta n te r is c o d e p eg ar f o go.
— D eix e-m e a ju dá-la — o fe re ceu -s e H arry , t ir a n do o s f ó sfo ro s d e s u a m ão .
Ela o o bse rv ou te rm in ar d e a cen der o s to co s d e v ela s o bre p ir e s p or to da a s a la ,
pre caria m en te e q uilib ra d os s o bre p ilh as d e liv ro s e m esin has la te ra is c h eia s d e
co pos r a ch ad os e b olo re n to s.
A ú ltim a su perfíc ie em q ue H arry lo caliz o u u m a v ela fo i u m a cô m oda
bom bée
, e m q ue h av ia u m g ra n de n úm ero d e fo to gra fia s. A o a cen der a v ela , a
ch am a se re fle tiu n os v id ro s e p orta -re tr a to s d e p ra ta e m poeir a d os. E le v iu a s
fo to s s e m ex ere m b re v em en te . E nquan to B atild a a p an hav a u m as a ch as d e le n ha
para a la re ir a , H arry m urm uro u “
Terg eo
”. A p oeir a d esa p are ceu d as fo to s e e le
viu im ed ia ta m en te q ue fa lta v a u m a m eia d úzia d ela s n os p orta -re tr a to s m ais
tr a b alh ad os. F ic o u em d úvid a se B atild a o u o utr a p esso a as te ria re m ovid o.
Entã o , a v is ã o d e u m a f o to m ais a o f u ndo d a c o le ção a tr a iu s u a a te n ção , e e le a
ap an hou.
Era o la d rã o de cab elo s doura d os e ro sto ris o nho, o ra p az que se
em pole ir a ra n o p eito ril d a ja n ela d e G re g oro vitc h , s o rrin do in dole n te m en te p ara
Harry , e m s e u p orta -re tr a to d e p ra ta . E o co rre u -lh e in sta n ta n eam en te o nde o v ir a
an te s: em
A vid a e as m en tir a s de A lv o D um ble d ore
de bra ço dad o co m
Dum ble d ore , e d ev ia s e r l á q ue e sta v am a s f o to s d esa p are cid as: n o l iv ro d e R ita .
— S ra ... s rta . B ag sh ot? — d is se e le , e s u a v oz tr e m eu u m p ouco . - Q uem é
ele ?
Batild a e sta v a p ara d a n o m eio d a s a la o bse rv an do H erm io ne a cen der o f o go
para e la .
— S rta . B ag sh ot? — r e p etiu H arry , e a d ia n to u-s e c o m a f o to n as m ão s, n o
in sta n te e m q ue a s a ch as p eg av am fo go n a la re ir a . B atild a e rg ueu o s o lh os a o
ouvi- lo , e a H orc ru x b ate u m ais r á p id o e m s e u p eito .
“Q uem é e sse ra p az?”, p erg unto u H arry , e ste n den do a fo to . B atild a o lh ou
so le n em en te p ara a f o to e e m s e g uid a p ara H arry .
— A s e n horita s a b e q uem é ? — i n sis tiu e m u m t o m m ais l e n to e a lto d o q ue
o n orm al. — E sse r a p az? A s e n horita o c o nhece? C om o é o n om e d ele ?
Batild a tin ha u m a r h esita n te . H arry s e n tiu u m a h orrív el fru str a ção . C om o
Rita f iz era a flo ra r a s l e m bra n ças d a b ru xa?

— Q uem é e sse r a p az? — p erg unto u, m ais u m a v ez, e m v oz a lta .
— H arry , q ue e stá f a zen do? — i n dag ou H erm io ne.
— A fo to , H erm io ne, é d o la d rã o , o la d rã o q ue ro ubou G re g oro vitc h ! P or
fa v or! — p ed iu e le a B atild a. — Q uem é ?
Ela , p oré m , c o ntin uou o lh an do c ala d a.
— P or q ue a s e n hora n os p ed iu p ara a co m pan há-la , s ra ... s rta ... B ag sh ot? —
perg unto u H erm io ne, ta m bém a lte an do a v oz. — A se n hora q ueria n os d iz er
alg um a c o is a ?
Sem d ar sin al d e te r o uvid o H erm io ne, B atild a ag ora se ad ia n to u p ara
Harry . C om u m p eq uen o m ovim en to d e c ab eça, e la e sp io u p ara o h all d e e n tr a d a.
— Q uer q ue a g en te v á e m bora ? — p erg unto u e le .
Ela re p etiu o g esto , d esta v ez a p onta n do p rim eir o p ara e le , d ep ois p ara s i
mesm a e , e m s e g uid a, p ara o t e to .
— A h, c erto ... H erm io ne, a ch o q ue e la q uer q ue e u s u ba c o m e la .
— E stá b em , v am os.
Quan do, p oré m , H erm io ne c o m eço u a a n dar, B atild a s a cu diu a c ab eça c o m
su rp re en den te en erg ia , e m ais um a vez ap onto u para H arry , dep ois para si
mesm a.
— Q uer q ue e u v á c o m e la , s o zin ho.
— P or q uê? — p erg unto u H erm io ne, e s u a v oz s o ou a lta e rís p id a n a s a la
ilu m in ad a a vela s; a velh a sa cu diu le v em en te a cab eça de le v e ao ouvir o
baru lh o.
— T alv ez D um ble d ore t e n ha d ito p ara e n tr e g ar a e sp ad a a m im e s o m en te a
mim ?
— V ocê r e alm en te a ch a q ue e la s a b e q uem v ocê é ?
— A ch o — re sp ondeu H arry , o lh an do p ara o s o lh os e sb ra n quiç ad os fix os
nos d ele . — A ch o q ue s a b e.
— B em , e n tã o o .k ., m as s e ja r á p id o, H arry .
— V á n a f re n te — d is se H arry a B atild a.
Ela p are ceu e n te n der, p orq ue p asso u p or e le e s e e n cam in hou p ara a p orta .
Harry o lh ou p ara tr á s e s o rriu q uere n do tr a n qüiliz ar H erm io ne, m as n ão s a b ia s e
a a m ig a te ria v is to o s e u g esto ; e la p aro u a p erta n do o c o rp o c o m o s b ra ço s e m
meio à s u je ir a ilu m in ad a a v ela s, o o lh ar n a e sta n te . Q uan do H arry f o i s a in do d a
sa la , se m q ue H erm io ne o u B atild a v is se m , ele g uard ou, n o p ale tó , o p orta -
re tr a to d e p ra ta c o m a f o to d o l a d rã o d esc o nhecid o.
Os d eg ra u s e ra m a lto s e e str e ito s: H arry s e s e n tiu t e n ta d o a c o lo car a s m ão s
nas n ád eg as d a c o rp ule n ta B atild a p ara g ara n tir q ue n ão c aís se d e c o sta s p or
cim a dele , o que pare cia ex tr e m am en te pro váv el. D ev ag ar, arq ueja n do um
pouco , e la s u biu a o p rim eir o a n dar, v ir o u à d ir e ita e le v ou-o p ara u m q uarto d e

te to b aix o.
Esta v a m uito e sc u ro e f e d ia h orriv elm en te : H arry a cab ara d e d iv is a r a b ord a
de u m p en ic o e m baix o d a c am a q uan do B atild a fe ch ou a p orta e a té is so fo i
en golid o p ela e sc u rid ão .

Lum os
— d is se H arry , e s u a v arin ha a cen deu . L ev ou u m s u sto : B atild a
se a p ro xim ara d ele n aq uele s s e g undos d e e sc u rid ão , e e le n em a o uvir a .
— V ocê é P otte r? — s u ssu rro u e la .
— S im , s o u.
Ela a sse n tiu le n ta e s o le n em en te . H arry s e n tiu a H orc ru x b ate n do d ep re ssa ,
mais d ep re ssa d o q ue o s e u p ró prio c o ra ção : fo i u m a s e n sa ção d esa g ra d áv el e
en erv an te .
— A s e n hora t e m a lg um a c o is a p ara m im ? — p erg unto u H arry , m as a b ru xa
pare ceu s e d is tr a ir c o m a p onta a cesa d e s u a v arin ha.
“A s e n hora t e m a lg um a c o is a p ara m im ?”, r e p etiu e le .
Entã o , e la f e ch ou o s o lh os e v ária s c o is a s a co nte cera m a o m esm o te m po: a
cic atr iz d e H arry a rd eu d olo ro sa m en te ; a H orc ru x v ib ro u ta n to q ue o p eito d o
su éte r do garo to ch eg ou a m ex er; o quarto esc u ro e fé tid o se dis so lv eu
mom en ta n eam en te . E le s e n tiu u m a s ú bita s e n sa ção d e a le g ria e fa lo u c o m u m a
voz a g uda e f ria : s e g ure -o !
Harry o sc ilo u se m sa ir d o lu gar: o q uarto e sc u ro e m alc h eir o so p are ceu
to rn ar a s e f e ch ar a o s e u r e d or; e le n ão s a b ia o q ue a cab ara d e a co nte cer.
— A s e n hora te m a lg um a c o is a p ara m im ? — p erg unto u, p ela te rc eir a v ez,
bem m ais a lto .
— A qui — s u ssu rro u e la , a p onta n do p ara u m c an to . H arry e rg ueu a v arin ha
e v iu o s c o nto rn os d e u m a p en te ad eir a m uito c h eia s o b u m a j a n ela c o m c o rtin as.
Desta v ez, B atild a n ão f o i à f re n te . H arry p asso u e n tr e e la e a c am a d esfe ita ,
a v arin ha e rg uid a. N ão q ueria t ir a r o s o lh os d ela .
— Q ue é ? — in dag ou a o c h eg ar à p en te ad eir a e m q ue h av ia u m a p ilh a d e
alg um a c o is a q ue, p elo c h eir o e a sp ecto , p are cia r o upa d e c am a s u ja .
— A li — d is se e la a p onta n do p ara a m assa i n fo rm e.
E, n o in sta n te e m q ue e le v ir o u a c ab eça e v arre u c o m o o lh ar o a m onto ad o
co nfu so à p ro cu ra d e u m p unho d e esp ad a, u m ru bi, ela fe z u m m ovim en to
estr a n ho: H arry p erc eb eu -o p elo c an to d o o lh o; o p ân ic o f e z c o m q ue s e v olta sse
e o h orro r o p ara lis o u a o v er o v elh o c o rp o s e d esp oja r e u m a g ra n de c o bra s a ir
do l u gar o nde f o ra o p esc o ço d a b ru xa.
A c o bra a ta co u-o q uan do e le e rg ueu a v arin ha: a f o rç a d a m ord id a e m s e u
bra ço fe z a v arin ha g ir a r p ara o a lto e m d ir e ção a o te to , s u a lu z ro dopio u s e m
dir e ção p elo q uarto e se a p ag ou: e n tã o , u m p odero so g olp e d e c au da e m se u
dia fra g m a deix ou-o co m ple ta m en te se m ar: ele to m bou de co sta s so bre a

pen te ad eir a , n o m eio d o m onte d e r o upa i m unda...
Harry ro lo u para o la d o, ev ita n do, por um tr iz , o ra b o da co bra , que
golp eav a a p en te ad eir a o nde e le e stiv era u m s e g undo a n te s; c aco s d a s u perfíc ie
de v id ro ch overa m so bre ele q uan do b ate u n o ch ão . L á d e b aix o, ele o uviu
Herm io ne c h am ar:
— H arry ?
Não co nse g uiu , p oré m , re p or ar su fic ie n te n os p ulm ões p ara re sp onder:
en tã o u m a m assa lis a e p esa d a e sm ag ou-o c o ntr a o c h ão e e le a s e n tiu d esliz ar
por c im a d ele , f o rte , m usc u lo sa ...
— N ão ! — o fe g ou, p re so a o c h ão .

Sim
— s u ssu rro u a v oz. —
Sssim ... s e g uro v o cê... s e g uro v o cê...
— A ccio ... A ccio v a rin ha...
Nad a a co nte ceu , p oré m , e e le p re cis a v a d as m ão s p ara te n ta r e m purra r p ara
lo nge a co bra que se en ro la v a em to rn o do se u tr o nco , tir a n do-lh e o ar,
co m prim in do a H orc ru x c o ntr a se u p eito , u m c ír c u lo d e g elo q ue p uls a v a d e
vid a, a c en tím etr o s d o s e u p ró prio c o ra ção d is p ara d o, e s e u c ére b ro s e in undav a
de lu z b ra n ca e fria , o blite ra n do to do p en sa m en to , su a re sp ir a ção su fo cad a,
passo s d is ta n te s, t u do i n do...
Um c o ra ção d e m eta l b atia fo ra d o s e u p eito , e a g ora e le e sta v a v oan do,
voan do se n tin do o tr iu nfo e m se u c o ra ção , se m p re cis a r d e v asso ura n em d e
te str á lio ...
Harry fo i b ru sc am en te a co rd ad o n a e sc u rid ão fe d ore n ta ; N ag in i o s o lta ra .
Ele s e le v an to u c o m a ju da d os b ra ço s e v iu a c o bra re co rta d a c o ntr a a lu z d o
co rre d or: e la a ta co u, e H erm io ne a tir o u-s e p ara o la d o c o m u m g rito . S eu f e itiç o
se d esv io u e b ate u n a ja n ela c o rtin ad a, d esp ed açan do-a . O a r g ela d o e n ch eu o
quarto n o m om en to e m q ue H arry m erg ulh ou p ara e v ita r m ais u m a c h uva d e
caco s d e v id ro e s e u p é e sc o rre g ou e m u m o bje to c ilín dric o — s u a v arin ha...
Ele se ab aix ou e ap an hou-a , m as ag ora o q uarto esta v a d om in ad o p ela
co bra , que golp eav a co m o ra b o; H erm io ne não esta v a à vis ta e, por um
mom en to , H arry p en so u o p io r, m as o uviu , e n tã o , u m e sta m pid o a lto e u m c la rã o
verm elh o, e a c o bra v oou p elo a r a tin gin do c o m f o rç a o r o sto d o g aro to ; a o s u bir ,
volta a v olta , o a n im al fo i d ese n ro la n do, e m d ir e ção a o te to . H arry e rg ueu a
varin ha, m as, ao fa zê-lo , su a cic atr iz queim ou m ais dolo ro sa m en te , m ais
in te n sa m en te d o q ue f iz era e m a n os.
— E le e stá v in do!
Herm io ne, e le e stá v in do
!
Enquan to H arry b erra v a, a c o bra c aiu , s ib ila n do f e ro zm en te . I n sta u ro u-s e o
cao s: a c o bra d estr u iu a s p ra te le ir a s n a p are d e e c aco s d e p orc ela n a v oara m p ara
to do la d o n o m om en to e m q ue H arry sa lta v a p or c im a d a c am a e a g arra v a a
fo rm a e sc u ra q ue e le s a b ia s e r H erm io ne...

Ela g rito u d e d or a o s e r p uxad a p or c im a d a c am a: a c o bra to rn ou a a rm ar
um b ote , m as H arry s a b ia q ue a lg o p io r d o q ue o a n im al e sta v a a c am in ho, t a lv ez
já e stiv esse n o p ortã o , s u a c ab eça i a r a ch ar d e d or n a c ic atr iz ...
A co bra av an ço u q uan do ele d eu u m sa lto v elo z, arra sta n do H erm io ne
ju nto ; q uan do N ag in i a ta co u, H erm io ne g rito u: “
Confr in go
!” , e o fe itiç o v oou
pelo q uarto , e x plo din do o e sp elh o d o g uard a-ro upa e r ic o ch ete an do c o ntr a e le s,
quic an do d o c h ão a o t e to ; H arry s e n tiu o c alo r d o f e itiç o q ueim ar o d ors o d e s u a
mão . C aco s do esp elh o co rta ra m -lh e a fa ce no m om en to em que, puxan do
Herm io ne, s a lto u d a c am a p ara a p en te ad eir a d esm an te la d a e , d ali, d ir e to p ara a
ja n ela estilh açad a e o vácu o, o grito dela eco an do pela noite en quan to
ro dopia v am p elo a r...
Entã o , s u a c ic atr iz s e ro m peu e e le e ra V old em ort e e sta v a c o rre n do p elo
quarto fé tid o, as m ão s lo ngas e bra n cas ag arra n do o peito ril da ja n ela ao
vis lu m bra r o h om em c are ca e a m ulh er m iú da g ir a re m e d esa p are cere m , e e le
grito u e n fu re cid o, u m g rito q ue se fu ndiu a o d a g aro ta e e co ou p elo s ja rd in s
esc u ro s e s e s o bre p ôs a o r e p iq ue d os s in os d a i g re ja n o d ia d e N ata l.
E se u g rito fo i o g rito d e H arry , su a d or, a d or d e H arry ... q ue p udesse
aco nte cer a li, o nde a co nte cera a n te s... a li, à v is ta d a c asa o nde e le c h eg ara tã o
perto d e s a b er o q ue e ra m orre r... m orre r... a d or e ra t ã o t e rrív el... i r ro m pia d o s e u
co rp o... m as, s e n ão tin ha c o rp o, p or q ue s u a c ab eça d oía ta n to , s e e sta v a m orto ,
co m o p oderia s e n ti- la d e f o rm a t ã o i n su portá v el, a d or n ão c essa v a c o m a m orte ,
não i a ...
A noite úm id a de ven ta nia , duas cria nça s vestid as de abóbora s
atr a vessa va m a p ra ça b am bole a ndo, e a s v itr in es d as lo ja s c o berta s d e a ra nhas
de p apel, t o dos o s a dorn os b ara to s e k its c h d os t r o uxa s s im boliz a ndo u m m undo
em que ele s não acre d ita va m ... e ele se g uia desliz a ndo, aquele se n so de
pro pósito e p oder e c o rre çã o q ue s e m pre e xp erim en ta va n essa s o ca siõ es... n ão
ra iv a ... is so e ra p ara a lm as m ais fr a ca s q ue e le ... m as tr iu nfo , s im ... e sp era ra
por i s so , d ese ja ra i s so ...
— B onita f a nta sia , m oço !
Ele v iu o s o rris o d o m en in o v a cila r q uando s e a pro xim ou o s u fic ie n te p ara
esp ia r so b o c a puz d a c a pa, v iu o m ed o a nuvia r o ro stin ho p in ta do: e n tã o a
cria nça d eu m eia -v o lta e fu giu c o rre n do... p or b aix o d a v este , e le a ca ric io u o
punho d a v a rin ha... u m s im ple s m ovim en to e a c ria nça ja m ais c h eg aria à m ãe...
mas d esn ecessá rio , m uito d esn ecessá rio ...
E, a o lo ngo d e u m a ru a m ais e sc u ra , e le c a m in hou, e a gora s e u d estin o
esta va fin alm en te à vis ta , o F eitiç o F id eliu s d esfe ito , em bora o s m ora dore s
ain da n ão so ubesse m ... e ele fe z m en os ru íd o d o q ue a s fo lh as m orta s q ue
esv o aça va m p ela c a lç a da q uando s e e m pare lh ou c o m a s e b e e sc u ra e e sp io u p or

cim a...
Ele s n ão t in ham f e ch ado a s c o rtin as, v iu -o s c la ra m en te n a p eq uen a s a la d e
vis ita s, o h om em a lto d e c a belo s n eg ro s e ó cu lo s, fa ze n do b afo ra das d e fu m aça
co lo rid a s a ír e m d e s u a v a rin ha p ara d iv ertir o m en in in ho d e c a belo s n eg ro s e
pija m a a zu l. A c ria nça r ia e t e n ta va p eg ar a f u m aça , s e g urá -la e m s u a m ãozin ha
fe ch ada...
Uma p orta a briu e a m ãe e n tr o u, d iz e n do p ala vra s q ue e le n ão p ôde o uvir ,
se u s lo ngos c a belo s a ca ju c a in do p elo ro sto . O p ai e rg ueu o filh o d o c h ão e
en tr e g ou-o à m ãe. A tir o u a v a rin ha s o bre o s o fá e s e e sp re g uiç o u, b oceja ndo...
O p ortã o ra ngeu u m p ouco q uando ele o a briu , m as T ia go P otte r n ão
ouviu . S ua m ão b ra nca tir o u a v a rin ha d e s o b a c a pa e a ponto u-a p ara a p orta
que s e a briu c o m v io lê n cia .
Já c ru za ra a p orta q uando T ia go c h eg ou c o rre n do a o h all. F oi fá cil, fá cil
dem ais , e le n em c h eg ara a a panhar a v a rin ha...
— L ília n, p eg ue H arry e v á ! É e le ! V á! C orra ! E u o a tr a so ...
Detê -lo , s e m u m a v a rin ha n a m ão!... E le r iu a nte s d e l a nça r a m ald iç ã o...
— A va da K ed avra !
O cla rã o verd e in undou o h all a perta do, ilu m in ou o ca rrin ho d e b eb ê
en co sta do à p are d e, fe z o s b ala ústr e s d a e sc a da la m peja re m c o m o r a io s e T ia go
Potte r c a iu c o m o u m a m ario nete c u jo s c o rd ões t iv esse m s id o c o rta dos...
Ele o uviu a m ulh er g rita r n o p rim eir o a ndar, e n cu rra la da, m as, e n quanto
tiv esse b om se n so , e la , p elo m en os, n ada te ria a te m er... e le su biu a e sc a da,
ach ando g ra ça n os e sfo rç o s q ue e la f a zia p ara s e e n tr in ch eir a r n o... e la t a m bém
não tin ha va rin ha... co m o era m id io ta s e co nfia nte s em ju lg ar que su a
se g ura nça e ra m o s a m ig os, q ue a s a rm as p oderia m s e r p osta s d e la do m esm o
por i n sta nte s...
Ele arro m bou a porta , atir o u para o la do a ca deir a e as ca ix a s
apre ssa dam en te em pilh adas para defe n dê-la co m um dis p lic en te acen o da
va rin ha... e a li e sta va e la , a c ria nça n os b ra ço s. A o v ê-lo , L ília n la rg ou o filh o
no b erç o à s s u as c o sta s e a briu b em o s b ra ço s, c o m o s e is so p udesse a dia nta r,
co m o s e o cu lta ndo-o e sp era sse s e r e sc o lh id a c o m o a lv o ...
— O H arry n ão, o H arry n ão, p or f a vo r, o H arry n ão!
— A fa ste -s e , s u a t o la ... a fa ste -s e , a gora ...
— H arry n ão, p or f a vo r, n ão, m e l e ve, m e m ate n o l u gar d ele ...
— E ste é o m eu ú ltim o a vis o ...
— H arry n ão! P or fa vo r... te n ha p ie d ade... te n ha p ie d ade... H arry n ão!
Harry n ão! P or f a vo r... f a re i q ualq uer c o is a ...
— A fa ste -s e ... a fa ste -s e , g aro ta ...
Ele p oderia t ê -la a fa sta do d o b erç o à f o rç a , m as l h e p are ceu m ais p ru den te

liq uid ar t o dos...
O c la rã o v erd e la m pejo u p elo q uarto e e la to m bou c o m o o m arid o. T o do
esse te m po, a c ria nça n ão g rita ra : s a bia fic a r e m p é s e g ura ndo a s g ra des d o
berç o , e erg ueu o s o lh os p ara o ro sto d o in tr u so co m u m a esp écie d e viv o
in te re sse , ta lv ez a ch ando q ue fo sse se u p ai e sc o ndid o so b a c a pa, e q ue e le
pro duzir ia m ais lu ze s b onita s, e su a m ãe re a pare ceria a q ualq uer m om en to ,
rin do...
Ele a ponto u a v a rin ha c erte ir a m en te p ara o ro sto d o m en in o: q ueria v er
aco nte cer, a d estr u iç ã o d esse p erig o in exp lic á vel. A c ria nça c o m eço u a c h ora r:
nota ra q ue e le n ão e ra T ia go. N ão g osta va d e b eb ê c h ora ndo, n unca fo ra c a paz
de s u porta r a s c ria ncin has c h ora m in gando n o o rfa nato ...
— A va da K ed avra !
Entã o e le s u cu m biu : n ão e ra m ais n ada e xceto d or e te rro r e p re cis a va s e
esc o nder, n ão a qui n os d estr o ço s d a ca sa em ru ín as, o nde a cria nça esta va
pre sa , a os b erro s, m as l o nge... l o nge...
— N ão — g em eu e le .
A co bra se a rra sto u p elo ch ão im undo e a tr a va nca do, e ele m ata ra o
garo to , c o ntu do e le e ra o g aro to ...
— N ão...
Agora e sta va p ara do á ja nela e stilh aça da d a c a sa d e B atild a, a bso rto n as
le m bra nça s d e s u a m aio r p erd a, e a s e u s p és a e n orm e c o bra r a ste ja va p elo s
ca co s de porc ela na e vid ro ... ele baix o u os olh os e viu alg o... alg o
in acre d itá vel...
— N ão...
— H arry, e stá t u do b em , v o cê e stá b em !
Ele se abaix o u e apanhou a fo to am assa da. A li esta va ele , o la drã o
desc o nhecid o, o l a drã o q ue e le e sta va p ro cu ra ndo...
— N ão ... e u a d eix ei c air... e u a d eix ei c air...
— H arry , t u do b em , a co rd e, a co rd e!
Ele era H arry ... H arry , e não V old em ort... e a co is a que fa zia o ru íd o
ab afa d o n ão e ra u m a c o bra . A briu o s o lh os.
— H arry — s u ssu rro u H erm io ne. — V ocê e stá s e s e n tin do... b em ?
— E sto u — m en tiu e le .
Esta v a n a b arra ca, d eita d o e m u m a d as c am as b aix as d o b elic h e, s o b u m a
monta n ha d e c o berto re s. P erc eb ia q ue e ra q uase m an hã p ela q uie tu de e f ria g em ,
a l u z p álid a a lé m d o t e to d a b arra ca. E le e sta v a e n ch arc ad o d e s u or; s e n tia o s u or
nos l e n çó is e c o berto re s.
— E sc ap am os.
— S im — d is se H erm io ne. — P re cis e i u sa r o F eitiç o d e L ev ita ção p ara

deita r v ocê n o b elic h e, n ão c o nse g ui le v an tá -lo . V ocê e ste v e... b em , v ocê n ão
este v e m uito ...
Hav ia o lh eir a s a rro xead as s o b s e u s o lh os c asta n hos e e le v iu u m a p eq uen a
esp onja e m s u a m ão : H erm io ne e stiv era e n xugan do o r o sto d ele .
— V ocê e ste v e d oen te — e la t e rm in ou a f ra se . — M uito d oen te .
— Q uan to t e m po f a z q ue p artim os?
— H ora s. E stá q uase a m an hecen do.
— E e u e stiv e... o q uê, i n co nsc ie n te ?
— N ão , ex ata m en te — re sp ondeu H erm io ne co nstr a n gid a. — Este v e
grita n do e g em en do e ... c o is a s — a cre sc en to u e m u m to m q ue d eix ou H arry
in quie to . Q ue te ria fe ito ? B erra ra m ald iç õ es c o m o V old em ort; c h ora ra c o m o o
beb ê n o b erç o ?
“N ão c o nse g ui r e tir a r a H orc ru x d e v ocê”, d is se H erm io ne, e e le p erc eb eu
que a a m ig a q ueria m udar d e a ssu nto . “ F ic o u p re sa , p re sa n o s e u p eito . D eix ou
um a m arc a; la m en to . T iv e d e u sa r o F eitiç o d e C orte p ara so ltá -la . A co bra
ta m bém o m ord eu , m as l im pei o f e rim en to e a p liq uei u m p ouco d e d ita m no...”
Ele arra n co u d o co rp o a cam is e ta su ad a q ue u sa v a e o lh ou p ara b aix o.
Hav ia u m a o val e sc arla te s o bre s e u c o ra ção , o nde o m ed alh ão o q ueim ara . V iu
ta m bém a s m arc as d e f u ro s q uase c ic atr iz ad as e m s e u b ra ço .
— O nde g uard ou a H orc ru x?
— N a m in ha b ols a . A ch o q ue n ão d ev ía m os u sá -la p or u m te m po. E le s e
re co sto u n os t r a v esse ir o s e f ito u o r o sto a to rm en ta d o e c in zen to d e H erm io ne.
— N ão d ev ía m os t e r i d o a G odric ’s H ollo w . F oi m in ha c u lp a, m in ha i n te ir a
cu lp a, s in to m uito .
— N ão f o i s u a c u lp a. E u q uis i r t a m bém ; r e alm en te p en se i q ue D um ble d ore
tiv esse d eix ad o a e sp ad a l á p ara v ocê.
— É , b em ... e n te n dem os m al, n ão f o i?
— Q ue a co nte ceu , H arry ? Q ue a co nte ceu q uan do e la o le v ou p ra c im a? A
co bra e sta v a e sc o ndid a e m a lg um l u gar? E s im ple sm en te s a iu e a m ato u e a ta co u
você?
— N ão .
Ela
e ra a c o bra ... o u a c o bra e ra e la ... t o do o t e m po.
— Q -q uê?
Ele f e ch ou o s o lh os. A in da p odia s e n tir o c h eir o d a c asa d e B atild a e m s e u
co rp o: i s so t o rn av a o e p is ó dio p av oro sa m en te v iv id o.
— B atild a d ev ia e sta r m orta h av ia a lg um te m po. A c o bra e sta v a... e sta v a
den tr o d ela . V ocê-S ab e-Q uem le v ou-a p ara G odric ’s H ollo w p ara e sp era r. V ocê
tin ha r a zão . E le s a b ia q ue e u v olta ria .
— A c o bra e sta v a
den tr o
d ela ?
Ele r e ab riu o s o lh os: H erm io ne p are cia r e v olta d a, n au se ad a.

— L upin dis se que hav eria m ag ia que ja m ais im ag in ára m os ex is tir —
re sp ondeu H arry . — E la n ão q uis f a la r n a s u a f re n te p orq ue e ra a lin guag em d as
co bra s, p ura o fid io glo ssia , e n ão p erc eb i, m as é c la ro q ue a e n te n di. U m a v ez n o
quarto , a c o bra m an dou u m a m en sa g em a V ocê-S ab e-Q uem , o uvi a tr a n sm is sã o
em m in ha c ab eça, s e n ti- o e x cita d o, d is se p ara m e s e g ura r l á ... e n tã o ...
Lem bro u-s e da co bra sa in do do pesc o ço de Batild a: H erm io ne não
pre cis a v a c o nhecer o s d eta lh es.
— ... e la s e t r a n sfo rm ou, s e t r a n sfo rm ou e m u m a c o bra e m e a ta co u.
Harry b aix ou o s o lh os p ara a s m arc as d os f u ro s.
— N ão e ra p ara m e m ata r, só p ara m e se g ura r a li a té V ocê-S ab e-Q uem
ch eg ar.
Se ele ao m en os tiv esse co nse g uid o m ata r a co bra , te ria v alid o a p en a
tu do... D esg osto so , s e n to u-s e e a tir o u a s c o berta s p ara o l a d o.
— H arry , n ão , t e n ho c erte za q ue p re cis a d esc an sa r!
— V ocê é q ue p re cis a d orm ir. S em q uere r o fe n der, v ocê e stá c o m u m a c ara
horrív el. E sto u ótim o. V ou fa zer a vig ia por um te m po. O nde está m in ha
varin ha?
Ela n ão r e sp ondeu , o lh ou-o a p en as.
— O nde e stá m in ha v a rin ha?
Ela m ord eu o s l á b io s e a s l á g rim as e n ch era m s e u s o lh os.
— H arry ...
— O nde e stá m in ha v arin ha?
Herm io ne s e a b aix ou p ara a p an há-la a o l a d o d a c am a e e n tr e g ou-a .
A v arin ha d e a zev in ho e f ê n ix e sta v a q uase p artid a a o m eio . U m f rá g il f io
de pen a de fê n ix m an tin ha as m eta d es pen dura d as. A m ad eir a ra ch ara
in te ir a m en te . H arry a p an hou o o bje to c o m o se fo sse u m o rg an is m o v iv o q ue
tiv esse s o frid o u m g ra v e f e rim en to .
Não c o nse g uiu p en sa r d ir e ito : tu do p are ceu u m a fu sã o d e p ân ic o e m ed o.
Este n deu , e n tã o , a v arin ha p ara H erm io ne.
— C onse rte -a . P or f a v or.
— H arry , a ch o q ue q uan do s e p arte a ssim ...
— P or f a v or, H erm io ne, t e n te !
— R -r e p aro .
A p arte p en dura d a d a v arin ha t o rn ou a e m en dar. H arry e m punhou-a .
— L um us!
A varin ha so lto u um a fa is q uin ha e se ap ag ou. H arry ap onto u-a para
Herm io ne.
— E xp ellia rm us!
A v arin ha d e H erm io ne sa cu diu , m as n ão se so lto u d e su a m ão . A fra ca

te n ta tiv a d e m ag ia fo i d em ais p ara a v arin ha, q ue to rn ou a se p artir e m d ois .
Harry c o nte m plo u-a , c o nste rn ad o, in cap az d e a b so rv er o q ue e sta v a v en do... a
varin ha q ue s o bre v iv era a t a n to ...
— H arry — H erm io ne s u ssu rro u t ã o b aix in ho q ue e le q uase n ão p ôde o uvi-
la . — S in to m uito m esm o. A ch o q ue fu i e u . Q uan do e stá v am os in do e m bora ,
en te n de, a co bra av an ço u p ara n ós, en tã o la n cei u m F eitiç o D eto nad or e ele
ric o ch ete o u p ara t o do l a d o e d ev e t e r... d ev e t e r a tin gid o...
— Foi um acid en te — dis se H arry , m aq uin alm en te . Sen tia -s e vazio ,
ato rd oad o. — E nco ntr a re m os... e n co ntr a re m os u m j e ito d e c o nse rtá -la .
— H arry , ach o q ue n ão co nse g uir e m os — d is se H erm io ne, as lá g rim as
esc o rre n do p elo r o sto . — L em bra ... le m bra o R ony? Q uan do p artiu a v arin ha n o
acid en te c o m o c arro ? N unca m ais f o i a m esm a, e le t e v e q ue c o m pra r u m a n ova.
Harry pen so u em O liv ara s, se q üestr a d o e re fé m de Vold em ort, em
Gre g oro vitc h , q ue e sta v a m orto . C om o i r ia e n co ntr a r u m a v arin ha n ova?
— B em — re p lic o u H arry , e m u m to m fa ls a m en te o bje tiv o — , b em , a ch o
que p or o ra p re cis a re i p ed ir a s u a e m pre sta d a. E nquan to v ig io .
O ro sto b rilh an do d e lá g rim as, H erm io ne e n tr e g ou a v arin ha e H arry s a iu ,
deix an do-a s e n ta d a ju nto à c am a d ele , n ad a m ais d ese ja n do s e n ão f ic ar lo nge d a
am ig a.

1 8
A v id a e a s m en tir a s d e A lv o D um ble d ore
O s o l e sta v a n asc en do: a im en sid ão d esc o lo rid a d o c éu s e e ste n dia s o bre
H arry , in dif e re n te a e le e a o s e u s o frim en to . S en to u-s e à e n tr a d a d a b arra ca e
i n sp ir o u p ro fu ndam en te o a r lim po. O s im ple s fa to d e e sta r v iv o p ara v er o s o l
s u bir a e n co sta c o berta d e n ev e c in tila n te d ev eria s e r o m aio r te so uro d a te rra ,
c o ntu do n ão c o nse g uia a p re ciá -lo : se u s se n tid os tin ham sid o b lo quead os p ela
c ala m id ad e q ue e ra a p erd a d e s u a v arin ha. C onte m plo u o v ale c o berto d e n ev e,
o s s in os d e i g re ja e co an do d is ta n te s n o e sp le n doro so s ilê n cio .
Sem perc eb er, H arry esta v a en te rra n do os ded os nos bra ço s co m o se
t e n ta sse re sis tir à d or fís ic a. D erra m ara s e u s a n gue m ais v ezes d o q ue p oderia
c o nta r; p erd era to dos o s o sso s d o b ra ço d ir e ito u m a v ez; e ssa v ia g em já lh e
r e n dera c ic atr iz es n o p eito e n os b ra ço s p ara s e s o m ar à s d a m ão e d a te sta , m as
n unca, a té a q uele m om en to , s e n tir a -s e tã o le ta lm en te e n fra q uecid o, v uln erá v el e
n u, c o m o s e l h e t iv esse m a rra n cad o a m elh or p arte d o s e u p oder e m m ag ia . S ab ia
e x ata m en te o que Herm io ne dir ia se ele ex pre ssa sse qualq uer desse s
p en sa m en to s: a varin ha é tã o boa quan to o bru xo. E la , no en ta n to , esta v a
e n gan ad a; e m se u c aso , e ra d if e re n te . E la n ão se n tir a a v arin ha g ir a r c o m o a
a g ulh a d e u m a b ússo la e d is p ara r la b are d as d oura d as c o ntr a o in im ig o. H arry
p erd era a p ro te ção d os n úcle o s g êm eo s, e só ag ora , q ue já n ão ex is tia , ele
e n te n dia o q uan to s e f ia ra n ela .
Tir o u d o b ols o o s p ed aço s d a v arin ha p artid a e , s e m o lh ar, g uard ou-o s n a
b ols a d e H ag rid , q ue l e v av a p en dura d a a o s e u p esc o ço . E sta v a, a g ora , d em asia d o
c h eia d e o bje to s q ueb ra d os e in úte is p ara r e ceb er m ais u m . A tr a v és d o c o uro d e
b rib a, s u a m ão ro ço u p elo v elh o p om o e , p or u m m om en to , p re cis o u re sis tir à
t e n ta ção d e a p an har o o bje to e a tir á -lo lo nge. I m pen etr á v el, a d vers o , in útil c o m o
t o do o r e sto q ue D um ble d ore d eix ara ...
A f ú ria c o ntr a o d ir e to r ir ro m peu n ele c o m o la v a, q ueim an do-o p or d en tr o ,
e lim in an do qualq uer outr o se n tim en to . Por ab so lu to dese sp ero , ele s tin ham
a cre d ita d o q ue G odric ’s H ollo w g uard av a a s re sp osta s e s e c o nven cid o d e q ue
d ev ia m re to rn ar, que tu do fa zia parte de um cam in ho se cre to tr a çad o por
D um ble d ore ; m as n ão h av ia m ap a n em p la n o. D um ble d ore o s d eix ara à s c eg as
n o esc u ro , p ara en fre n ta r te rro re s d esc o nhecid os e n ão so nhad os, so zin hos e
d esa m para d os: n ad a lh es fo i ex plic ad o, n ad a o fe re cid o v olu nta ria m en te , n ão
t in ham e sp ad a e H arry n ão tin ha m ais v arin ha. D eix ara c air a f o to d o la d rã o , e ,

se m d úvid a, a g ora se ria fá cil V old em ort d esc o brir q uem e le e ra ... a g ora tin ha
to das a s i n fo rm açõ es.
— H arry ?
Herm io ne p are cia re ceo sa d e q ue e le p udesse e n fe itiç á-la c o m s u a p ró pria
varin ha. O ro sto ris c ad o d e lá g rim as, e la s e a g ach ou d o la d o d ele , d uas x íc ara s
de c h á t r e m en do e m s u as m ão s e a lg um a c o is a v olu m osa s o b o b ra ço .
— O brig ad o — d is se e le , a p an han do u m a d as x íc ara s.
— P osso f a la r c o m v ocê?
— P ode — r e sp ondeu e le , p orq ue n ão q ueria m ag oá-la .
— H arry , v ocê q ueria s a b er q uem e ra o h om em n a f o to . B em ... l h e t r o uxe o
liv ro .
Tim id am en te , e m purro u-o p ara o c o lo d ele , u m e x em pla r in ta cto d e
A v id a
e a s m en tir a s d e A lv o D um ble d ore
.
— O nde... c o m o...
— E sta v a n a s a la d e v is ita s d e B atild a, à v is ta ... e sse b ilh ete s a in do e n tr e a s
fo lh as, n a p arte d e c im a d o l iv ro .
Herm io ne le u e m v oz a lta a s p oucas lin has e m tin ta v erd e-á cid o e le tr a
garra n ch osa .

Querid a B atty , o brig ada p or s u a a ju da. E nvio -lh e u m e xem pla r d o l iv ro ,
esp ero q ue g oste . V o cê m e c o nto u tu do, m esm o q ue n ão s e le m bre . R ita .
A ch o
que d ev e te r c h eg ad o q uan do a v erd ad eir a B atild a a in da e sta v a v iv a, m as ta lv ez
ela n ão e stiv esse e m c o ndiç õ es d e l ê -lo .
— N ão , p ro vav elm en te n ão e sta v a.
Harry c o nte m plo u c o m d esp re z o o ro sto d e D um ble d ore e e x perim en to u
um a o nda d e se lv ag em p ra zer: ag ora ir ia co nhecer tu do q ue o d ir e to r n unca
pen sa ra q ue v ale ria a p en a l h e c o nta r, q uer e le q uis e sse o u n ão .
— Você co ntin ua re alm en te ab orre cid o co m ig o, não ? — perg unto u
Herm io ne; H arry e rg ueu o s o lh os e v iu n ovas lá g rim as e sc o rre n do d os o lh os d a
garo ta , e p erc eb eu q ue a i r a d ev ia e sta r e v id en te e m s e u r o sto .
— N ão — r e sp ondeu , b aix in ho. — N ão , H erm io ne, s e i q ue f o i u m a cid en te .
Esta v a te n ta n do n os tir a r d e lá , v iv os, e v ocê fo i in crív el. E u e sta ria m orto s e
você n ão t iv esse e sta d o l á p ara m e a ju dar.
Ele te n to u re tr ib uir o s o rris o la crim oso d e H erm io ne e v olto u s u a a te n ção
para o liv ro . A lo m bad a e sta v a ríg id a; e ra ó bvio q ue n unca fo ra a b erto a n te s.
Harry v ir o u r a p id am en te a s p ág in as, p ro cu ra n do a s f o to gra fia s. E nco ntr o u a q ue
pro cu ra v a quase in sta n ta n eam en te , o jo vem Dum ble d ore e se u belo
co m pan heir o , à s g arg alh ad as p or c au sa d e u m a p ia d a h av ia m uito e sq uecid a.
Harry b aix ou o s o lh os p ara a le g en da.
Dum ble d ore p ouco d ep ois d a m orte d a
mãe c o m s e u a m ig o G era rd o G rin delw ald .

Harry boquia b riu -s e co m a últim a pala v ra da fra se dura n te lo ngos
mom en to s. G rin delw ald . Seu am ig o, G rin delw ald . O lh ou de esg uelh a para
Herm io ne, q ue c o ntin uav a a f ix ar o n om e c o m o s e n ão c o nse g uis se a cre d ita r n o
que v ia . L en ta m en te , v ir o u-s e p ara H arry .
— G rin delw ald ?
Desc o nsid era n do as fo to gra fia s re sta n te s, H arry pro cu ro u nas pág in as
pró xim as u m a r e co rrê n cia d o n om e f a tíd ic o . L ogo d esc o briu -a e l e u v ora zm en te ,
mas se p erd eu : p re cis a ria le r o s p ará g ra fo s a n te rio re s p ara a in fo rm ação fa zer
alg um s e n tid o e , f in alm en te , s e v iu n o in íc io d e u m c ap ítu lo in titu la d o “ O B em
Maio r” . J u nto s, e le e H erm io ne c o m eçara m a l e r...
Pró xim o a o s e u a n iv ers á rio d e d ezo ito a n os, D um ble d ore d eix ou
Hogw arts c erc ad o d e g ló ria s — m onito r- c h efe , m onito r, d ete n to r d o
prê m io B arn ab us F in kle y p or ex cep cio nal p ro fic iê n cia em fe itiç o s,
re p re se n ta n te d a ju ven tu de b ritâ n ic a n a S upre m a C orte d os B ru xos,
med alh a de ouro por co ntr ib uiç ão pio neir a à Confe rê n cia
In te rn acio nal d e A lq uim ia n o C air o . D um ble d ore p re te n dia , en tã o ,
fa zer u m a g ra n de v ia g em c o m E lif a s “ B afo d e C ão ” D oge, o d ed ic ad o
mas p ouco i n te lig en te c o le g a c o m q uem s e a sso cia ra n a e sc o la .
Os d ois jo ven s esta v am h osp ed ad os n o C ald eir ã o F ura d o, em
Londre s, p re p ara n do-s e p ara p artir p ara a G ré cia n a m an hã s e g uin te ,
quan do c h eg ou u m a c o ru ja tr a zen do a n otíc ia d o f a le cim en to d a m ãe
de D um ble d ore . “B afo de Cão ” D oge, que se re cu so u a dar
dep oim en to p ara e ste liv ro , p ublic o u su a v ers ã o se n tim en ta l d o q ue
aco nte ceu a se g uir. D esc re v eu a m orte d e K en dra co m o u m g olp e
tr á g ic o , e a d ecis ã o to m ad a p or D um ble d ore d e c an cela r s u a v ia g em
co m o u m a to d e n obre a b neg ação .
Sem dúvid a, D um ble d ore re to rn ou im ed ia ta m en te a G odric ’s
Hollo w , pre su m e-s e que para “cu id ar” do ir m ão e da ir m ã m ais
jo ven s. E ntr e ta n to , q ual fo i o c u id ad o q ue re alm en te d is p en so u a o s
dois ?
“E le n ão b atia b em , aq uele A berfo rth ”, d iz E nid S m eek , cu ja
fa m ília v iv ia n os a rre d ore s d e G odric ’s H ollo w , à é p oca. “ V iv ia s o lto .
Cla ro q ue, s e m m ãe n em p ai, e u te ria m e c o ndoíd o d ele , m as o g aro to
não p ara v a d e a tir a r e x cre m en to d e b ode n a m in ha c ab eça. N ão c re io
que A lv o s e p re o cu passe c o m e le , e n fim , n unca o s v i j u nto s.”
Entã o , q ue fa zia A lv o, se n ão e sta v a c o nso la n do se u se lv ag em
ir m ão m ais m oço ? A re sp osta , p elo v is to , é : c o ntin uav a a m an te r a
ir m ã pre sa . E m bora se u prim eir o carc ere ir o tiv esse m orrid o, não

houve a lte ra ção n a la m en tá v el situ ação d e A ria n a D um ble d ore . S ua
ex is tê n cia c o ntin uav a a s e r c o nhecid a a p en as p or e str a n hos c o nfiá v eis
co m o “ B afo d e C ão ” D oge, c ap azes d e a cre d ita r n a h is tó ria d a “ sa ú de
pre cária ”.
Outr o am ig o da fa m ília fa cilm en te pers u asív el fo i Batild a
Bag sh ot, a f a m osa h is to ria d ora d a m ag ia q ue h á m uito s a n os v iv e e m
Godric ’s Hollo w . Ken dra , natu ra lm en te , re p elir a su as prim eir a s
te n ta tiv as d e d ar a s b oas-v in das à f a m ília . E ntr e ta n to , a n os m ais t a rd e,
a au to ra en vio u u m a co ru ja a A lv o em H ogw arts , fa v ora v elm en te
im pre ssio nad a p or s e u e n sa io s o bre a tr a n sfo rm ação d e tr a n se sp écie s
na
Tra nsfig ura çã o H oje .
Este c o nta to i n ic ia l l e v ou-a a c o nhecer t o da a
fa m ília D um ble d ore . Q uan do K en dra fa le ceu , B atild a era a únic a
pesso a e m G odric ’s H ollo w q ue f a la v a c o m a m ãe d e D um ble d ore .
In fe liz m en te , o b rilh o in te le ctu al d em onstr a d o p or B atild a em
ép ocas an te rio re s h oje está m orre n do. “O fo gão está aceso , m as o
cald eir ã o e stá v azio ”, m e d is se I v or D illo nsb y, o u n a f ra se u m p ouco
mais lite ra l d e E nid S m eek : “ E la e stá c o m ple ta m en te c ad uca.” A in da
assim , a co m bin ação d e té cn ic as d e re p orta g em co m pro vad am en te
efic azes m e p erm itiu o bte r s u fic ie n te s p éro la s p ara m onta r u m c o la r
de e sc ân dalo s.
Tal co m o a m aio ria d o m undo b ru xo, B atild a atr ib ui a m orte
pre m atu ra d e K en dra a u m “fe itiç o q ue ric o ch ete o u”, u m a h is tó ria
re p etid a p or A lv o e A berfo rth a n os m ais ta rd e. B atild a ta m bém r e p ete
a h is tó ria f a m ilia r s o bre A ria n a, d iz en do-a “ frá g il” e “ d elic ad a”. S obre
um a ssu nto , p oré m , B atild a c o m pen so u o s m eu s e sfo rç o s p ara o bte r
um p ouco d e so ro d a v erd ad e, p orq ue e la , e so m en te e la , c o nhece
in te g ra lm en te a h is tó ria d o se g re d o m ais b em g uard ad o d a v id a d e
Alv o D um ble d ore . R ev ela d o p ela p rim eir a v ez, ele p õe em d úvid a
tu do q ue o s a d m ir a d ore s a cre d ita ra m a re sp eito d e D um ble d ore : s e u
su posto ó dio à s A rte s d as T re v as, s u a o posiç ão à o pre ssã o d os t r o uxas
e a té s u a d ev oção à p ró pria f a m ília .
No m esm o verã o em que D um ble d ore volto u para casa em
Godric ’s H ollo w , já e n tã o ó rfã o e c h efe d e fa m ília , B atild a B ag sh ot
co nco rd ou em aceita r em su a casa o so brin ho-n eto Gera rd o
Grin delw ald .
O n om e d e G rin delw ald é m ere cid am en te fa m oso : e m u m a lis ta
dos B ru xos d as T re v as M ais F am oso s d e T odos o s T em pos, e le só
perd e o p rim eir o lu gar p orq ue, u m a g era ção m ais ta rd e, s u rg iu V ocê-
Sab e-Q uem p ara ro ubar- lh e a c o ro a. N a m ed id a e m q ue G rin d elw ald

ja m ais e ste n deu s u a c am pan ha d e te rro r à G rã -B re ta n ha, o s d eta lh es
de s u a a sc en sã o a o p oder n ão s ã o m uito d iv ulg ad os e m n osso p aís .
Educad o e m D urm str a n g, u m a e sc o la f a m osa p or s u a la m en tá v el
to le râ n cia co m as Arte s das Tre v as, Grin delw ald mostr o u-s e
pre co cem en te tã o g en ia l q uan to D um ble d ore . E m v ez d e can aliz ar
su as h ab ilid ad es p ara a c o nquis ta d e p rê m io s e m ed alh as, n o e n ta n to ,
Gera rd o G rin delw ald d ed ic o u-s e a o utr a s ativ id ad es. A os d ezesse is
an os, m esm o D urm str a n g c o nclu iu q ue n ão p oderia c o ntin uar a fa zer
vis ta g ro ssa à s s u as e x periê n cia s v ic io sa s, e e x puls o u-o .
Dali em d ia n te , o q ue se so ube d os m ovim en to s se g uin te s d e
Grin delw ald é q ue p asso u a lg uns m ese s n o e x te rio r. S ab em os a g ora
que e le d ecid iu v is ita r a t ia -a v ó e m G odric ’s H ollo w , e q ue a li, e m bora
possa p are cer e x tr e m am en te c h ocan te a m uita g en te , G rin delw ald f e z
um a g ra n de a m iz ad e c o m A lv o D um ble d ore .
“E le m e p are ceu u m r a p az e n can ta d or” , ta rta m udeo u B atild a, “ a
desp eito d o q ue te n ha s e to rn ad o m ais ta rd e. N atu ra lm en te a p re se n te i-
o a o p obre A lv o, q ue se n tia fa lta d a c o m pan hia d e ra p azes d e su a
id ad e. O s d ois i m ed ia ta m en te t o rn ara m -s e a m ig os.”
Sem a m en or d úvid a. B atild a m e m ostr a u m a c arta q ue g uard ou,
en via d a p or A lv o D um ble d ore a G era rd o G rin delw ald a lta s h ora s d a
noite .
“S im , m esm o d ep ois d e p assa re m o d ia to do d is c u tin do — o s
dois r a p azes m uito b rilh an te s d av am -s e tã o b em q uan to u m c ald eir ã o
em f o go — , à s v ezes e u o uvia u m a c o ru ja b ate r n a j a n ela d o q uarto d e
Gera rd o p ara e n tr e g ar u m a c arta d e A lv o! O co rre ra -lh e u m a id éia e
pre cis a v a c o ntá -la a G era rd o s e m d em ora !”
E q ue id éia s! P or m ais c h ocan te s q ue p ossa m p are cer a o s f ã s d e
Alv o D um ble d ore , v eja m o s p en sa m en to s d o s e u h eró i a o s d ezesse te
an os, ta l c o m o fo ra m re la ta d os a o s e u n ovo e m elh or a m ig o (v eja o
fa c-s ím ile d a c arta o rig in al n a p ág in a 4 63):
Gera rd o,
O se u arg um en to de que a dom in ação dos bru xos vis a ao
PR Ó PR IO B EM D OS T R O UXAS é , a m eu v er, c rític o . S im , fo m os
dota d os d e p oder e , s im , e sse p oder n os d á o d ir e ito d e g overn ar, m as
is to ta m bém n os d á r e sp onsa b ilid ad es s o bre o s g overn ad os. D ev em os
en fa tiz ar e ste p onto , p ois se rá a p ed ra a n gula r d a n ossa c o nstr u ção .
Onde d is c o rd arm os, c o m o c erta m en te o co rre rá , e la d ev erá s e r a b ase
dos nosso s co ntr a -a rg um en to s. A ssu m im os o poder PE LO B EM

MAIO R. E s e g ue-s e d aí q ue, o nde e n co ntr a rm os r e sis tê n cia , d ev em os
usa r a p en as a fo rç a n ecessá ria . (E ste fo i o s e u e rro e m D urm str a n g!
Não m e q ueix o, p oré m , p orq ue se v ocê n ão fo sse ex puls o , ja m ais
te ría m os n os c o nhecid o.)
Alv o
Apesa r d o e sp an to e c o nste rn ação q ue v en ha a c au sa r a o s s e u s
num ero so s a d m ir a d ore s, e ssa c arta é u m a p ro va d e q ue, n o p assa d o,
Alv o D um ble d ore s o nhou d erru bar o E sta tu to d e S ig ilo e e sta b ele cer o
dom ín io b ru xo s o bre o s t r o uxas. Q ue c h oque p ara a q uele s q ue s e m pre
vir a m e m D um ble d ore o m aio r c am peão d os n asc id os tr o uxas! C om o
pare cem v azio s a q uele s d is c u rs o s s o bre a p ro m oção d os d ir e ito s d os
tr o uxas à lu z dessa nova ev id ên cia que o co nden a! C om o A lv o
Dum ble d ore pare ce desp re zív el co nsp ir a n do para assu m ir o poder
quan do d ev eria e sta r p ra n te an do a m ãe e c u id an do d a i r m ã!
Sem d úvid a, o s q ue e stã o d ecid id os a m an te r D um ble d ore e m s e u
ped esta l d esm oro nad iç o g ag ueja rã o q ue ele n ão ch eg ou a ex ecu ta r
esse s pla n os, que dev e te r m udad o de opin iã o , que caiu em si.
Contu do, a v erd ad e p are ce a in da m ais c h ocan te .
Quase d ois m ese s d ep ois d e in ic ia re m s u a n ova g ra n de a m iz ad e,
Dum ble d ore e G rin delw ald s e s e p ara ra m e n unca m ais s e v eria m a té o
se u le n dário d uelo (v eja d eta lh es n o c ap ítu lo 2 2). Q ue te rá c au sa d o
esse a b ru pto ro m pim en to ? D um ble d ore re co bra ra o ju íz o ? D is se ra a
Grin delw ald q ue n ão p artic ip aria d os s e u s p la n os? I n fe liz m en te , n ão .
“A ch o q ue f o i a m orte d a p obre zin ha d a A ria n a q ue p ro voco u a
se p ara ção ”, d iz B atild a. “ F oi u m te rrív el c h oque. G era rd o e sta v a n a
casa d e D um ble d ore q uan do a co nte ceu , e v olto u à m in ha c asa m uito
pertu rb ad o e m e d is se q ue q ueria r e g re ssa r à s u a t e rra n o d ia s e g uin te .
Extr e m am en te a n gustia d o, e n te n de. P ro vid en cie i, e n tã o , u m a C hav e
de P orta l e f o i a ú ltim a v ez q ue o v i.
“A lv o fic o u tr a n sto rn ad o co m a m orte d e A ria n a. F oi te rrív el
para o s d ois ir m ão s. T in ham p erd id o to da a fa m ília , e x ceto u m a o
outr o . N ão ad m ir a q ue te n ham se d esc o ntr o la d o. A berfo rth cu lp ou
Alv o, en te n de, co m o co stu m am fa zer as p esso as em cir c u nstâ n cia s
aflitiv as. M as A berfo rth se m pre fo i u m p ouco d esc o nex o, co ita d o.
Ain da a ssim , fra tu ra r o n ariz d e A lv o n o e n te rro n ão fo i u m a a titu de
decen te . V er o s f ilh os b rig an do d aq uele je ito d ia n te d o c o rp o d a f ilh a
te ria d estr u íd o K en dra . U m a p en a q ue G era rd o n ão p udesse f ic ar p ara

o f u nera l... p elo m en os t e ria s id o u m c o nso lo p ara A lv o...”
Essa esp an to sa brig a ao la d o do caix ão , de que só tê m
co nhecim en to os que co m pare cera m ao en te rro de Aria n a
Dum ble d ore , le v an ta v ária s q uestõ es. E xata m en te p or q ue A berfo rth
cu lp ou D um ble d ore pela m orte da ir m ã? T eria sid o, co m o su põe
Batild a, a p en as u m e x tr a v asa m en to d e p esa r? O u h av eria r a zõ es m ais
co ncre ta s p ara su a fú ria ? G rin delw ald , ex puls o d e D urm str a n g p or
ata q ues q uase fa ta is a c o le g as e stu dan te s, fu giu d o p aís h ora s d ep ois
da m orte d a m oça, e A lv o ( p or v erg onha o u m ed o?) n unca m ais o v iu ,
até s e r f o rç ad o p elo c la m or d o m undo b ru xo.
Nem D um ble d ore n em G rin delw ald ja m ais se re fe rir a m a e ssa
bre v e a m iz ad e d e a d ole sc en te m ais ta rd e n a v id a. C ontu do, n ão se
pode d uvid ar d e q ue D um ble d ore a d io u, d ura n te u ns c in co a n os d e
tu m ulto s, fa ta lid ad es e desa p are cim en to s, o se u ata q ue a G era rd o
Grin delw ald . T eria sid o u m re sq uíc io d e a fe iç ão p elo h om em o u o
te m or da re v ela ção dessa gra n de am iz ad e do passa d o que le v ou
Dum ble d ore a h esita r? E t e ria s id o c o m r e lu tâ n cia q ue D um ble d ore s e
dis p ôs a c ap tu ra r o h om em q ue n o p assa d o se n tir a ta n to p ra zer e m
co nhecer?
E co m o m orre u a m is te rio sa A ria n a? Teria sid o a vítim a
in volu ntá ria de alg um rito das Tre v as? Teria casu alm en te
su rp re en did o o q ue n ão d ev eria , e n quan to o s d ois ra p azes tr e in av am
para a su a fu tu ra te n ta tiv a d e g ló ria e d om in ação ? É p ossív el q ue
Aria n a D um ble d ore te n ha s id o a p rim eir a p esso a a m orre r “ p elo b em
maio r” ?
O c ap ítu lo te rm in av a a li, e H arry e rg ueu o s o lh os. H erm io ne c h eg ara a n te s
dele à ú ltim a lin ha. T ir o u o liv ro d e s u as m ão s, p are cen do u m p ouco a ssu sta d a
co m a e x pre ssã o n o r o sto d o a m ig o, e f e ch ou-o s e m o lh ar, c o m o s e e sc o ndesse
um a c o is a i n decen te .
— H arry ...
Ele , p oré m , b ala n ço u a cab eça. A lg um a certe za re cô ndita ru ír a em se u
ín tim o; a m esm a s e n sa ção q ue e x perim en ta ra a p ós a p artid a d e R ony. C onfia ra
em D um ble d ore , a cre d ita ra q ue e ra a p ers o nif ic ação d a b ondad e e d a s a b ed oria .
Tudo e ra m c in zas: q uan to m ais p oderia p erd er? R ony, D um ble d ore , a v arin ha d e
fê n ix ...
— H arry . — H erm io ne p are cia te r o uvid o s e u s p en sa m en to s. — M e e sc u te .
Não ... n ão é u m a l e itu ra m uito a g ra d áv el...
— ... é , p ode-s e d iz er q ue n ão ...

— ... m as, n ão e sq ueça, H arry , é u m a h is tó ria d a R ita S keete r.
— V ocê l e u a q uela c arta p ara o G rin delw ald , n ão ?
— L i... l i. — E la h esito u, p are cen do p ertu rb ad a, a n in han do a c an eca d e c h á
nas m ão s f ria s. — A ch o q ue f o i o p io r. S ei q ue B atild a a ch ou q ue f o sse a p en as
co nvers a fia d a, m as “ P elo B em M aio r” to rn ou-s e o le m a d e G rin delw ald , su a
ju stif ic ativ a p ara to das a s a tr o cid ad es q ue c o m ete u m ais ta rd e. E ... p ela c arta ...
pare ce q ue fo i D um ble d ore q ue lh e d eu a id éia . D iz em q ue “ P elo B em M aio r”
fo i g ra v ad o n a e n tr a d a d e N urm en gard .
— Q ue é N urm en gard ?
— A p ris ã o q ue G rin delw ald m an dou c o nstr u ir p ara se u s o ponen te s. F oi
onde e le p ró prio te rm in ou, q uan do D um ble d ore o c ap tu ro u. E nfim , é ... h orrív el
pen sa r que as id éia s de D um ble d ore possa m te r aju dad o a asc en sã o de
Grin delw ald a o p oder. P or o utr o la d o, n em m esm o a R ita p ode fin gir q ue e le s
te n ham co nviv id o m ais do que uns pouco s m ese s no verã o , quan do era m
re alm en te m uito j o ven s e ...
— A ch ei q ue v ocê d ir ia i s so — i n te rro m peu -a H arry . N ão q ueria e x tr a v asa r
su a r a iv a n a a m ig a, m as f o i d if íc il m an te r a v oz f ir m e. — A ch ei q ue v ocê d ir ia
que “ ele s e ra m m uito j o ven s” . T in ham a m esm a i d ad e q ue n ós, a g ora . E e sta m os
aq ui a rris c an do n ossa s v id as p ara c o m bate r a s A rte s d as T re v as, e e le e sta v a lá ,
de s e g re d in hos c o m o s e u n ovo m elh or a m ig o, c o nsp ir a n do p ara a ssu m ir o p oder
e d om in ar o s t r o uxas.
Harry n ão c o nse g uir ia re fre ar p or m ais te m po a su a fú ria ; le v an to u-s e e
an dou u m p ouco , t e n ta n do d esc arre g á-la .
— N ão e sto u d efe n den do o q ue D um ble d ore e sc re v eu — d is se H erm io ne.
— T oda a q uela b este ir a so bre o “ d ir e ito d e g overn ar” se re p ete e m “ M ag ia é
Poder” . M as, H arry , e le t in ha a cab ad o d e p erd er a m ãe, e sta v a c o nfin ad o e m c asa
so zin ho...
— S ozin ho? E le n ão e sta v a so zin ho! T in ha a c o m pan hia d o ir m ão e d a
ir m ã, d a b ru xa a b orta d a q ue e le e sta v a m an te n do p re sa ...
— N ão a cre d ito — re p lic o u H erm io ne. E la s e p ôs d e p é ta m bém . — S eja
qual f o r o p ro ble m a d aq uela g aro ta , n ão a ch o q ue f o sse u m a b ru xa a b orta d a. O
Dum ble d ore q ue c o nhecem os j a m ais , j a m ais , t e ria p erm itid o...
— O D um ble d ore q ue p en sa m os c o nhecer n ão q ueria c o nquis ta r o s tr o uxas
à fo rç a! — b erro u H arry , s u a v oz e co an do p elo e rm o to po d o m orro , fa zen do
vário s m elr o s n eg ro s l e v an ta re m v ôo, g rita n do e m c ír c u lo s p elo c éu p ero la d o.
— E le m udou, H arry , ele m ud ou! É m uito sim ple s! T alv ez acre d ita sse
naq uela s c o is a s q uan do tin ha d ezesse te a n os, m as d ed ic o u to do o r e sto d a v id a a
co m bate r a s A rte s d as T re v as! F oi D um ble d ore q uem d ete v e G rin delw ald , f o i e le
que se m pre voto u pela pro te ção dos tr o uxas e pelo s dir e ito s dos nasc id os

tr o uxas, f o i e le q ue c o m bate u V ocê-S ab e-Q uem d esd e o p rin cíp io e q ue m orre u
te n ta n do d erru bá-lo !
O liv ro d e R ita S keete r ja zia n o c h ão e n tr e o s d ois , d e m odo q ue o r o sto d e
Alv o D um ble d ore s o rria m ela n co lic am en te p ara a m bos.
— H arry , m e d esc u lp e, m as a ch o q ue a v erd ad eir a ra zão p or q ue e stá tã o
fu rio so é q ue D um ble d ore n unca l h e c o nto u n ad a d is so .
— V ai v er é ! — b erro u H arry , e a tir o u o s b ra ço s p ara o a lto , s e m s a b er s e
esta v a te n ta n do r e p rim ir a r a iv a o u s e p ro te g er d o p eso d a p ró pria d esilu sã o . —
Veja o q ue e le m e p ed iu , H erm io ne! A rris q ue s u a v id a, H arry ! O utr a v ez! M ais
um a! E n ão e sp ere q ue e u lh e e x pliq ue tu do, c o nfie c eg am en te e m m im , c o nfie
que s e i o q ue e sto u f a zen do, c o nfie e m m im a in da q ue e u n ão c o nfie e m v ocê!
Nunca a v erd ad e p or i n te ir o ! N unca!
Sua v oz q ueb ro u c o m o e sfo rç o e o s d ois fic ara m p ara d os se fita n do n a
cla rid ad e e n a s o lid ão , e H arry s e n tiu q ue e ra m in sig nif ic an te s c o m o in se to s s o b
aq uele v asto c éu .
— E le o a m av a — s u ssu rro u H erm io ne. — E u s e i q ue a m av a. H arry d eix ou
cair o s b ra ço s.
— N ão s e i q uem e le a m av a, H erm io ne, m as n unca a m im . I s to n ão é a m or,
a c o nfu sã o e m q ue m e d eix ou. E le d iv id iu m uito m ais o q ue r e alm en te p en sa v a
co m G era rd o G rin delw ald , p ô, d o q ue j a m ais d iv id iu c o m ig o.
Harry a p an hou a v arin ha d e H erm io ne, q ue d eix ara c air n a n ev e, e to rn ou a
se s e n ta r n a e n tr a d a d a b arra ca.
— O brig ad o p elo c h á. T erm in are i a v ig ia . V olte p ara o c alo r a í d en tr o .
Ela h esito u, m as r e co nheceu q ue f o ra d is p en sa d a. A pan hou o liv ro e v olto u
para a barra ca, m as, ao fa zê-lo , passo u le v em en te a m ão pela cab eça dele .
Àquele to que, H arry fe ch ou o s o lh os e o dio u-s e p or d ese ja r q ue o q ue a a m ig a
tin ha d ito f o sse v erd ad e: q ue D um ble d ore r e alm en te g osta v a d ele .

1 9
A c o rça p ra te a d a
Esta v a n ev an do q uan do H erm io ne a ssu m iu a v ig ia à m eia -n oite . O s s o nhos
d e H arry f o ra m c o nfu so s e p ertu rb ad ore s: N ag in i e n tr a v a e s a ía , p rim eir o , d e u m
g ig an te sc o a n el r a ch ad o, d ep ois , d e u m a c o ro a d e h elé b oro s. E le a co rd ou v ária s
v ezes, e m p ân ic o , c o nven cid o d e q ue a lg uém o c h am ara a o lo nge, im ag in an do
q ue o v en to a a ço ita r a b arra ca f o sse m p asso s o u v ozes.
Por fim , le v an to u-s e n o esc u ro e fo i se ju nta r a H erm io ne, q ue esta v a
e n co lh id a n a e n tr a d a d a b arra ca le n do
His tó ria d a m agia
à lu z d a v arin ha. A
n ev e c o ntin uav a a c air p ro fu sa m en te , e e la re ceb eu c o m a lív io a su gestã o d e
g uard are m t u do c ed o e c o ntin uar v ia g em .
— V am os para alg um lu gar m ais ab rig ad o — co nco rd ou ela , tr ê m ula ,
v estin do u m su éte r d e a tle tis m o p or c im a d o p ija m a. — P asse i o te m po to do
a ch an do q ue o uvia g en te a n dar a q ui fo ra . E tiv e a té a im pre ssã o d e te r v is to
a lg uém u m a o u d uas v ezes.
Harry p aro u n o a to d e v estir u m s u éte r e d eu u m a o lh ad a n o s ile n cio so e
i m óvel b is b ilh osc ó pio s o bre a m esa .
— T en ho certe za d e q ue fo i im ag in ação — d is se H erm io ne, p are cen do
n erv osa . — N o e sc u ro , a n ev e p re g a p eças a o s n osso s o lh os... m as ta lv ez s e ja
b om d esa p ara ta rm os c o m a C ap a d a I n vis ib ilid ad e, s ó p or p re cau ção .
Meia hora dep ois , a barra ca já guard ad a, H arry usa n do a H orc ru x e
H erm io ne s e g ura n do a b ols in ha d e c o nta s, d esa p ara ta ra m . F ora m e n golid os p ela
h ab itu al c o m pre ssã o ; o s p és d o g aro to d eix ara m o c h ão f o fo d e n ev e e b ate ra m
c o m f o rç a e m t e rra c o ngela d a e c o berta d e f o lh as, o u e ssa f o i s u a i m pre ssã o .
— O nde e sta m os? — p erg unto u e le , c o rre n do o s o lh os p or u m a rv ore d o
d if e re n te e n quan to H erm io ne a b ria a b ols in ha e c o m eçav a a p uxar lá d e d en tr o
o s p au s d a b arra ca.
— N a F lo re sta d o D eão . A cam pei a q ui u m a v ez c o m o s m eu s p ais . A li,
t a m bém , a n ev e c o bria a s á rv ore s e m to rn o e fa zia u m frio c o rta n te , m as, p elo
m en os, esta v am ab rig ad os d o v en to . E le s p assa ra m a m aio r p arte d o d ia n a
b arra ca, b usc an do c alo r j u nto à s f o rte s c h am as a zu is q ue H erm io ne e ra p erita e m
p ro duzir , e q ue p odia m s e r r e co lh id as e t r a n sp orta d as e m u m j a rro . H arry t in ha a
s e n sa ção -q ue era re fo rç ad a pela so lic itu de de Herm io ne — de esta r
c o nvale sc en do d e u m a d oen ça b re v e, m as a g uda. N aq uela ta rd e, a n ev e to rn ou a
c air , e , e m c o nse q üên cia , a té a c la re ir a a b rig ad a re ceb eu n ova c am ad a d a n ev e

fin a c o m o p ó.
Após duas noite s de pouco so no, os se n tid os de H arry pare cia m m ais
ag uçad os d o q ue o n orm al. S ua fu ga d e G odric ’s H ollo w , p or u m fio , fiz era
Vold em ort p are cer m ais p ró xim o q ue a n te s, m ais a m eaçad or. Q uan do a n oite
desc eu , H arry r e cu so u a o fe rta d e H erm io ne d e f a zer a v ig ia e l h e d is se p ara i r s e
deita r.
O g aro to le v ou u m a a lm ofa d a v elh a p ara a e n tr a d a d a b arra ca e s e s e n to u,
usa n do to dos os su éte re s que possu ía e, ain da assim , se n tiu frio . C om a
passa g em das hora s, a esc u rid ão fo i ad en sa n do até se to rn ar vir tu alm en te
im pen etr á v el. E le já ia tir a r o m ap a d o m aro to p ara esp ia r o p ontin ho q ue
re p re se n ta sse G in a q uan do le m bro u q ue e ra m a s fé ria s d e N ata l e q ue e la te ria
re g re ssa d o à T oca.
O m ín im o m ovim en to p are cia se am plif ic ar n a v astid ão d a m ata . H arry
sa b ia q ue o lu gar d ev ia e sta r p ulu la n do d e s e re s v iv os, m as d ese jo u q ue to dos s e
man tiv esse m im óveis e sile n cio so s p ara e le p oder d if e re n cia r su as c o rrid as e
passo s fu rtiv os d os ru íd os q ue p udesse m a n uncia r o utr o s m ovim en to s s in is tr o s.
Lem bro u-s e d o s o m d e u m a c ap a d esliz an do s o bre fo lh as m orta s h av ia m uito s
an os, e im ed ia ta m en te p en so u tê -lo o uvid o a n te s d e s e s a cu dir m en ta lm en te . O s
fe itiç o s de pro te ção tin ham fu ncio nad o dura n te se m an as; por que ir ia m se
ro m per a g ora ? C ontu do, e le n ão c o nse g uiu s e liv ra r d a s e n sa ção d e q ue h av ia
alg um a c o is a d if e re n te e ssa n oite .
Vária s vezes ele se le v an to u bru sc am en te , o pesc o ço doen do porq ue
ad orm ecera e r e la x ara o c o rp o e m u m â n gulo t o rto c o ntr a a p are d e d a b arra ca. A
noite a tin giu ta l d en sid ad e d e a v elu dad o n eg ro r q ue e le p oderia e sta r flu tu an do
no lim bo e n tr e a d esa p ara ta ção e a a p ara ta ção . T in ha a cab ad o d e e rg uer a m ão
dia n te d o r o sto p ara v erif ic ar s e c o nse g uir ia v er o s d ed os q uan do a co nte ceu .
Um a lu z p ra te ad a ap are ceu lo go à fre n te , m oven do-s e en tr e as árv ore s.
Qualq uer q ue f o sse s u a o rig em , e la s e d eslo cav a s ile n cio sa m en te . A lu z p are cia
sim ple sm en te e sta r v in do e m s u a d ir e ção .
Ele s e p ôs d e p é c o m u m s a lto , a v oz c o ngela d a n a g arg an ta , e e rg ueu a
varin ha de H erm io ne. A perto u os olh os quan do a lu z am eaço u ceg á-lo , as
árv ore s à s u a f re n te s ilh ueta s n eg ra s, e e la s e m pre a s e a p ro xim ar...
Entã o a fo nte d a lu z s a iu d e tr á s d e u m c arv alh o. E ra u m a c o rç a b ra n co -
pra te ad a, u m lu ar q ue b rilh av a e o fu sc av a, p is a n do c o m c au te la , e m silê n cio ,
se m d eix ar ra str o s n a fin a p oeir a d e n ev e. E la v eio ao se u en co ntr o , a b ela
cab eça a ltiv a, c o m o lh os r a sg ad os e l o ngas p esta n as, n o a lto .
Harry fito u o an im al, asso m bra d o, n ão p or su a estr a n heza, m as p or su a
in ex plic áv el f a m ilia rid ad e. S en tiu q ue e stiv era à s u a e sp era , m as q ue e sq uecera ,
até a q uele m om en to , q ue tin ham c o m bin ad o s e e n co ntr a r. S eu im puls o d e g rita r

por H erm io ne, tã o f o rte in sta n te s a n te s, d esa p are cera . E le s a b ia , te ria a p osta d o a
vid a, q ue e la v ie ra b usc á-lo , e a m ais n in guém .
Ele s se c o nte m pla ra m p or lo ngos m om en to s e , e n tã o , a c o rç a lh e d eu a s
co sta s e s e a fa sto u.
— N ão — e x cla m ou e le , e s u a v oz q ueb ro u p or f a lta d e u so . - V olte a q ui!
A c o rç a c o ntin uou a a v an çar d elib era d am en te e n tr e a s á rv ore s, e s e u f u lg or
não ta rd ou a s e lis tr a r c o m a s s o m bra s d os tr o nco s g ro sso s e e sc u ro s. P or u m
in sta n te , e le h esito u, t r ê m ulo . A c au te la l h e s u ssu rro u: p oderia s e r u m t r u que, u m
en godo, u m a a rm ad ilh a. O in stin to , p oré m , o in stin to so bera n o lh e d is se q ue
aq uilo n ão e ra m ag ia d as T re v as. E le p artiu e m s e u e n calç o .
A n ev e r a n gia s o b s e u s p és, m as a c o rç a n ão f a zia r u íd o a o p assa r e n tr e a s
árv ore s, p orq ue e ra a p en as lu z. S em pre m ais f u ndo p ela m ata , e la o c o nduzia , e
Harry an dav a dep re ssa , certo de que, quan do para sse , ela o deix aria se
ap ro xim ar. E H arry l h e f a la ria , e a v oz d ir ia a e le o q ue p re cis a v a s a b er.
Fin alm en te , e la p aro u. T orn ou a v ir a r a b ela c ab eça p ara e le , e H arry c o rre u
ao s e u e n co ntr o , u m a p erg unta a rd en do e m s e u í n tim o, m as, a o a b rir a b oca p ara
fa zê-la , a c o rç a d esa p are ceu .
Em bora a esc u rid ão a tiv esse en golid o in te ir a , su a im ag em re lu zen te
co ntin uav a g ra v ad a n a r e tin a d o g aro to ; o bsc u re cia s u a v is ã o , m ais i n te n sa m en te
quan do e le b aix av a a s p álp eb ra s, d eso rie n ta n do-o . S obre v eio , e n tã o , o m ed o: a
pre se n ça d a c o rç a s ig nif ic ara s e g ura n ça.

Lum os
! — s u ssu rro u e le , e a p onta d a v arin ha s e a cen deu .
A im ag em d a c o rç a fo i d esa p are cen do a c ad a v ez q ue p is c av a a li p ara d o,
esc u ta n do o s so ns d a flo re sta , o s d is ta n te s esta lid os d e g ra v eto s, o fa rfa lh ar
su av e d a n ev e. E sta ria e m v ia s d e se r a ta cad o? A c o rç a o te ria a tr a íd o a u m a
arm ad ilh a? E le e sta ria im ag in an do q ue h av ia a lg uém p ara d o, à e sp re ita , a lé m d o
alc an ce d a v arin ha?
Erg ueu -a m ais a lto . N in guém a v an ço u p ara e le , n ão h ouve c la rã o d e lu z
verd e d etr á s d e á rv ore a lg um a. P or q ue, e n tã o , e la o c o nduzir a à q uele l u gar?
Alg um a c o is a la m pejo u à lu z d a v arin ha, e H arry s e v ir o u p ara e x am in á-la ,
mas viu ap en as um peq uen o poço co ngela d o, a su perfíc ie neg ra ra ch ad a,
cin tila n do à c la rid ad e d a v arin ha n o a lto .
Ele s e a p ro xim ou c o m c erta c au te la e e sp io u. O g elo re fle tiu s u a s o m bra
dis to rc id a e o f e ix e d e l u z d a v arin ha, m as, n o f u ndo, s o bre a c ara p aça c in zen ta e
dif u sa , o utr a c o is a b rilh ou. U m a g ra n de c ru z p ra te ad a...
Seu c o ra ção sa lto u à b oca; e le c aiu d e jo elh os à b eir a d o p oço e v ir o u a
varin ha em ân gulo p ara in undar o fu ndo co m o m áx im o d e lu z. U m b rilh o
verm elh o-e sc u ro ... u m a esp ad a co m ru bis b rilh an te s n o p unho... a esp ad a d e
Gry ff in dor e sta v a n o f u ndo d o p oço .

Mal re sp ir a n do, o lh ou-a e sp an ta d o. C om o e ra p ossív el? C om o v ie ra p ara r
em u m p oço n a m ata , tã o p erto d o lu gar e m q ue e sta v am a cam pad os? T eria u m a
mag ia d esc o nhecid a a tr a íd o H erm io ne a e sse lu gar, o u a c o rç a, q ue e le to m ara
por u m P atr o no, s e ria u m a e sp écie d e g uard iã d o p oço ? O u te ria a e sp ad a s id o
co lo cad a a li d ep ois d e su a c h eg ad a, p re cis a m en te p orq ue e sta v am a li? N esse
caso , o nde e sta ria a p esso a q ue tin ha q uerid o p assá -la a H arry ? M ais u m a v ez,
ele d ir ig iu a v arin ha p ara a s á rv ore s e a rb usto s c ir c u ndan te s, p ro cu ra n do u m a
silh ueta h um an a, o b rilh o d e u m o lh o, m as n ão v iu n in guém . S en tiu , c o ntu do,
um p ouco m ais d e m ed o f e rm en ta r s u a e u fo ria a o v olta r a a te n ção p ara a e sp ad a
que r e p ousa v a n o f u ndo d o p oço c o ngela d o.
Aponto u a v arin ha p ara a f o rm a p ra te ad a e m urm uro u:
— A ccio e sp ada!
A a rm a n ão se m ex eu . N ão e sp era ra q ue o fiz esse . S e fo sse tã o fá cil, a
esp ad a e sta ria c aíd a n o c h ão , a g uard an do q ue e le a r e co lh esse , e n ão n o f u ndo d e
um poço co ngela d o. E le co nto rn ou o cír c u lo de gelo , fa zen do esfo rç o para
le m bra r a ú ltim a v ez q ue a e sp ad a v ie ra à s s u as m ão s. E le c o rria , e n tã o , e x tr e m o
perig o e p ed ir a a ju da.
— S oco rro — m urm uro u, m as a esp ad a co ntin uou no fu ndo do poço ,
in dif e re n te , i m óvel.
Que era m esm o, H arry perg unto u a si m esm o (v olta n do a an dar), que
Dum ble d ore lh e d is se ra d a ú ltim a v ez q ue ele tiv era a esp ad a?
Som en te u m
verd adeir o m em bro d a G rifin ória p oderia te r tir a do is to d o c h apéu
. E q uais
era m as q ualid ad es q ue d efin ia m u m g rif in ório ? U m a v ozin ha n a cab eça d e
Harry re sp ondeu :
a audácia , a co ra gem e o ca va lh eir is m o dis tin guem os
grifin ório s.
Harry paro u de an dar e deix ou esc ap ar um lo ngo su sp ir o , se u hálito
esfu m açad o d is p ers a n do-s e r a p id am en te n o a r g élid o. S ab ia o q ue t in ha d e f a zer.
Para se r sin cero , im ag in ara q ue ch eg aria a esse p onto n o m om en to em q ue
lo caliz ara a e sp ad a n o g elo .
Ele c o rre u o o lh ar p ela s á rv ore s a o r e d or, m as e sta v a c o nven cid o, a g ora , d e
que nin guém ia ata cá-lo . Tin ham tid o oportu nid ad e quan do ele cam in hara
so zin ho p ela m ata , tin ham tid o m uito te m po e n quan to e x am in av a o p oço . A e ssa
altu ra , a únic a ra zão para su a dem ora era a pers p ectiv a im ed ia ta se r
pro fu ndam en te d esc o nvid ativ a.
Com o s d ed os p ouco á g eis , H arry c o m eço u a tir a r s u as v ária s c am ad as d e
ro upa. O nde en tr a v a o “cav alh eir is m o” n is so , la m en to u-s e , n ão esta v a m uito
se g uro , a n ão s e r q ue c av alh eir is m o f o sse n ão c h am ar H erm io ne p ara f a zer is so
por e le .
Um a co ru ja p io u em alg um lu gar en quan to se d esp ia , e ele p en so u em

Edw ig es c o m u m a p erto n o c o ra ção . T re m ia d e frio a g ora , s e u s d en te s b atia m
se m para r, m as ele co ntin uou a se desp ir até fic ar ap en as de cu eca e pés
desc alç o s n a n ev e. C olo co u a b ols a c o nte n do a s m eta d es d e s u a v arin ha, a c arta
de s u a m ãe, o c aco d o e sp elh o d e S ir iu s e o v elh o p om o p or c im a d as ro upas,
en tã o a p onto u a v arin ha d e H erm io ne p ara o g elo .
— D iffin do!
O fe itiç o e sta lo u n o s ilê n cio c o m o o e sta m pid o d e u m a a rm a: a s u perfíc ie
do p oço ra ch ou e p ed aço s d e g elo e sc u ro flu tu ara m n a á g ua a g ita d a. P elo q ue
Harry p ôde calc u la r, n ão era fu ndo, m as, p ara re cu pera r a esp ad a, te ria q ue
su bm erg ir d e c o rp o i n te ir o .
Refle tir s o bre a ta re fa à fre n te n ão a to rn aria m ais fá cil, n em a á g ua m ais
quen te . E le se a cerc o u d o p oço e d ep osito u a v arin ha d e H erm io ne n o c h ão ,
ain da acesa . D ep ois , te n ta n do não im ag in ar a te m pera tu ra ex tr e m a a que
ch eg aria n em a v io lê n cia c o m q ue l o go e sta ria s e s a cu din do, p ulo u.
Cad a p oro d o s e u c o rp o g rito u e m p ro te sto : o p ró prio a r e m s e u s p ulm ões
pare ceu c o ngela r q uan do su bm erg iu , a té a a ltu ra d os o m bro s, n a á g ua g ela d a.
Mal co nse g uia re sp ir a r; tr e m en do co m ta n ta fo rç a que ch eg av a a pro vocar
maro la s n a b ord a d o p oço ; e le p ro cu ro u s e n tir a e sp ad a c o m o s p és d orm en te s.
Só q ueria m erg ulh ar u m a v ez.
Harry a d io u o m om en to d a t o ta l i m ers ã o d e s e g undo a s e g undo, o fe g an do e
se s a cu din do, a té s e c o nven cer d e q ue a q uilo p re cis a v a s e r fe ito . E ntã o , re u niu
to da a s u a c o ra g em e m erg ulh ou.
O f rio e x tr e m o f o i a n gustia n te : q ueim ou-o c o m o f o go. S eu p ró prio c ére b ro
pare ceu c o ngela r q uan do e le c o rto u a á g ua e sc u ra a té o f u ndo e e stic o u a s m ão s
ao e n co ntr o d a e sp ad a. S eu s d ed os s e f e ch ara m e m to rn o d o p unho: e le a p uxou
para c im a.
Entã o a lg um a c o is a s e f e ch ou e m t o rn o d o s e u p esc o ço . P en so u q ue f o sse m
pla n ta s a q uátic as, e m bora n ad a tiv esse ro çad o n ele q uan do m erg ulh ara , e e le
erg ueu a m ão liv re p ara s e d esv en cilh ar. N ão e ra p la n ta : a c o rre n te d a H orc ru x
ap erta v a e l e n ta m en te c o m prim ia s u a t r a q uéia .
Harry b ate u o s p és c o m f o rç a, te n ta n do v olta r à s u perfíc ie , m as c o nse g uiu
ap en as s e im pelir c o ntr a o la d o ro ch oso d o p oço . D eb ate n do-s e , s u fo can do, e le
esg ra v ato u o p esc o ço , s e u s d ed os c o ngela d os in cap azes d e s o lta r a c o rre n te , e
ag ora s u rg ia m p ontin hos lu m in oso s e m s e u c ére b ro , e e le ia s e a fo gar, n ão h av ia
mais n ad a, n ad a q ue p udesse f a zer, e o s b ra ço s q ue s e f e ch ara m e m t o rn o d o s e u
peito c erta m en te e ra m o s d a M orte ...
Engasg an do e e n gulh an do, e n ch arc ad o e m ais g ela d o d o q ue já e stiv era n a
vid a, e le re co bro u o s s e n tid os, d e c ara n a n ev e. P erto , o utr a p esso a o fe g av a e
to ssia e c am bale av a. H erm io ne v ie ra e m s e u s o co rro , c o m o v ie ra q uan do a c o bra

ata cara ... c o ntu do, n ão p are cia s e r e la , n ão c o m a q uela s to ssid as c o m prid as, n ão
a j u lg ar p elo p eso d os p asso s...
Harry n ão t e v e f o rç as p ara l e v an ta r a c ab eça e c o nhecer a i d en tid ad e d o s e u
sa lv ad or. S ó c o nse g uiu le v ar a m ão tr ê m ula à g arg an ta e s e n tir o lu gar e m q ue o
med alh ão c o rta ra f u ndo s u a c arn e. N ão e sta v a a li: a lg uém o r e tir a ra . E ntã o , u m a
voz o fe g an te f a lo u d o a lto :
— V ocê... é ... m alu co ?
Nad a a lé m d o c h oque d e o uvir a q uela v oz p oderia te r d ad o a H arry e n erg ia
para se le v an ta r. T re m en do v io le n ta m en te , e le se p ôs d e p é, v acila n te . D ia n te
dele , v iu R ony, c o m ple ta m en te v estid o, m as e n ch arc ad o a té o s o sso s, o s c ab elo s
co la d os no ro sto , a esp ad a de G ry ff in dor em um a das m ão s e a H orc ru x
pen dura d a n a c o rre n te p artid a n a o utr a .
— P or q ue n ão tir o u e ssa c o is a a n te s d e m erg ulh ar, p ô? — o fe g ou R ony,
se g ura n do a H orc ru x, q ue b ala n çav a p ara f re n te e p ara tr á s n a c o rre n te c u rta e m
um a p aró dia d e h ip nose .
Harry não co nse g uiu re sp onder. A co rç a pra te ad a não era nad a, nad a
co m para d a a o re ap are cim en to d e R ony, n em c o nse g uia a cre d ita r. T re m en do d e
frio , a p an hou o m onte d e ro upas a in da n a b eir a d o p oço e c o m eço u a s e v estir.
Enfia n do s u éte r a p ós s u éte r p ela c ab eça, H arry fita v a R ony, c o m o s e e sp era sse
vê-lo d esa p are cer c ad a v ez q ue o p erd ia d e v is ta . E ntr e ta n to , e le tin ha q ue s e r
re al: a cab ara d e m erg ulh ar n o p oço , s a lv ara a v id a d e H arry .
— F oi v -v ocê? — p erg unto u e le p or fim , o s d en te s c asta n hola n do, a v oz
mais f ra ca d o q ue o n orm al p or c au sa d o q uase e str a n gula m en to .
— B em , f o i — r e sp ondeu R ony, p are cen do l ig eir a m en te a to rd oad o.
— V -v ocê c o nju ro u a q uela c o rç a?
— Q uê? N ão , c la ro q ue n ão ! P en se i q ue v ocê é q ue e stiv esse c o nju ra n do!
— M eu P atr o no é u m v ead o.
— A h, é . A ch ei q ue e sta v a d if e re n te . S em g alh ad a.
Harry pen duro u a bols a de H ag rid no pesc o ço , vestiu o últim o su éte r,
ab aix ou-s e p ara r e co lh er a v arin ha d e H erm io ne e e n caro u R ony.
— C om o v eio p ara r a q ui?
Apare n te m en te , R ony tiv era e sp era n ça d e q ue e ssa q uestã o f o sse le v an ta d a
mais t a rd e, o u n unca.
— B em , e u ... v ocê e n te n de... v olte i. S e... — e le p ig arre o u. — E nte n de.
Vocês a in da m e q uis e re m .
Houve u m s ilê n cio e m q ue o a ssu nto d a p artid a d e R ony p are ceu s e l e v an ta r
co m o u m a m ura lh a e n tr e o s d ois . C ontu do, e le e sta v a a li. V olta ra . A cab ara d e
sa lv ar a v id a d e H arry .
Rony b aix ou o s o lh os p ara a s m ão s. P are ceu m om en ta n eam en te s u rp re so a o

ver o s o bje to s q ue c arre g av a.
— A h, sim ; tir e i- a d o p oço — d is se d esn ecessa ria m en te , este n den do a
esp ad a p ara H arry e x am in á-la . — F oi p or i s so q ue v ocê p ulo u a í d en tr o , c erto ?
— F oi — re sp ondeu H arry — M as n ão e sto u e n te n den do. C om o fo i q ue
você c h eg ou a q ui? C om o n os e n co ntr o u?
— É u m a lo nga h is tó ria . P asse i h ora s p ro cu ra n do v ocês, a m ata é b em
gra n de, n ão é? E esta v a p en sa n do q ue te ria d e m e en to car em baix o d e u m a
árv ore e e sp era r a m an hecer, q uan do v i a q uela c o rç a v in do e v ocê a tr á s.
— V ocê n ão v iu m ais n in guém ?
— N ão . E u...
Ele h esito u o lh an do p ara d uas á rv ore s q ue c re sc ia m ju nta s a a lg uns m etr o s
de o nde e sta v am .
— A ch ei q ue tin ha v is to a lg um a c o is a s e m ex en do lá a d ia n te , m as n a h ora
esta v a c o rre n do p ara o p oço , p orq ue v ocê t in ha m erg ulh ad o e n ão t in ha v olta d o à
to na, e n tã o e u n ão i a m e d esv ia r p ara ... e i!
Harry já e sta v a c o rre n do p ara o lu gar q ue R ony in dic ara . O s d ois c arv alh os
cre sc ia m m uito ju nto s; h av ia a p en as u m v ão d e u ns p ouco s c en tím etr o s, à a ltu ra
dos o lh os, e n tr e s e u s tr o nco s, u m lu gar id eal p ara v er s e m s e r v is to . O s o lo e m
to rn o d as ra íz es, p oré m , n ão tin ha n ev e, e H arry n ão v iu m arc as d e p és. E le
volto u p ara o nde R ony f ic ara e sp era n do a in da s e g ura n do a e sp ad a e a H orc ru x.
— V iu a lg um a c o is a l á ? — p erg unto u R ony. — N ão .
— E ntã o , c o m o f o i q ue a e sp ad a a p are ceu n o p oço ?
— A p esso a q ue c o nju ro u o P atr o no d ev e t ê -la c o lo cad o l á .
Os d ois o lh ara m p ara a b ain ha la v ra d a d a e sp ad a, o p unho c ra v eja d o d e
ru bis r e fu lg ia f ra cam en te à l u z d a v arin ha d e H erm io ne.
— V ocê a ch a q ue e sta é a v erd ad eir a ? — p erg unto u R ony.
— S ó h á u m j e ito d e d esc o brir , n ão é ?
A H orc ru x ain da bala n çav a na m ão de Rony. O m ed alh ão vib ra v a
lig eir a m en te . H arry s a b ia q ue a c o is a a li d en tr o s e a g ita v a o utr a v ez. S en tir a a
pre se n ça d a e sp ad a e te n ta ra m ata r H arry p ara n ão d eix ar q ue e le a p ossu ís se .
Agora n ão era o m om en to p ara lo ngas d is c u ssõ es; ag ora era o m om en to d e
destr u ir o m ed alh ão d e u m a v ez p or to das. H arry o lh ou p ara o s l a d os, s e g ura n do
a v arin ha n o a lto e v iu o nde: u m a p ed ra a ch ata d a s o b a c o pa d e u m s ic ô m oro .
— V em c o m ig o — d is se e le , e s a iu a n dan do, l im pou a n ev e d a s u perfíc ie d a
ped ra e e ste n deu a m ão p ara a H orc ru x. Q uan do R ony lh e o fe re ceu a e sp ad a, n o
en ta n to , H arry b ala n ço u a c ab eça.
— N ão , v ocê é q ue t e m d e f a zer i s so .
— E u? — e sp an to u-s e R ony. — P or q uê?
— P orq ue v ocê t ir o u a e sp ad a d o p oço . A ch o q ue e la e sc o lh eu v ocê.

Não e sta v a s e n do b om n em g en ero so . C om a m esm a c erte za c o m q ue s o ube
que a c o rç a e ra b en év ola , sa b ia q ue R ony é q uem tin ha d e b ra n dir a e sp ad a.
Dum ble d ore e n sin ara a H arry p elo m en os a lg um a c o is a so bre c erto s tip os d e
mag ia , d o p oder i n calc u lá v el d e d ete rm in ad os a to s.
— V ou a b ri- lo — d is se H arry — e v ocê o tr a n sp assa . I m ed ia ta m en te , o .k .?
Porq ue o q ue e stiv er a í d en tr o o fe re cerá re sis tê n cia . O p ed acin ho d e R id dle n o
diá rio t e n to u m e m ata r.
— C om o v ocê v ai a b rir ? — i n dag ou R ony. E le p are cia a te rro riz ad o.
— V ou p ed ir q ue s e a b ra , u sa n do a o fid io glo ssia . — A re sp osta v eio tã o
fa cilm en te a o s se u s lá b io s q ue e le p en so u q ue, n o ín tim o, se m pre a so ubera ;
ta lv ez p re cis a sse d o r e cen te c o nfro nto c o m N ag in i p ara to m ar c o nsc iê n cia d is so .
Ele o lh ou p ara o “ S ” s e rp en tin o, c ra v eja d o d e c in tila n te s p ed rin has v erd es: e ra
fá cil v is u aliz á-lo c o m o u m a m in úsc u la c o bra , e n ro sc ad a s o bre a r o ch a f ria .
— N ão ! — d is se R ony — , n ão , n ão a b re i s so ! E sto u f a la n do s é rio !
— P or q ue n ão ? — p erg unto u H arry . — V am os n os liv ra r d essa d ro ga, já
fa z m ese s...
— N ão p osso , H arry , e sto u f a la n do s é rio ... f a z v ocê...
— M as p or q uê?
— Porq ue essa co is a m e fa z m al! — ale g ou R ony, se afa sta n do do
med alh ão so bre a ro ch a. — N ão co nsig o en fre n tá -la ! N ão esto u d an do u m a
desc u lp a, H arry , p elo m eu c o m porta m en to , m as e la m e a fe to u m ais d o q ue a
você o u H erm io ne, m e fe z p en sa r co is a s, co is a s q ue d e q ualq uer je ito eu já
esta v a pen sa n do, m as fic ara m pio re s, não se i ex plic ar, en tã o eu tir a v a esse
med alh ão e m in ha c ab eça v olta v a a o n orm al, e q uan do e u to rn av a a p ôr e ssa
bosta ... n ão p osso f a zer i s so , H arry !
Ele r e cu ara , a e sp ad a c aíd a d e u m l a d o, b ala n çan do a c ab eça.
— V ocê p ode — r e tr u co u H arry — , s e i q ue p ode! V ocê a cab ou d e p eg ar a
esp ad a, s e i q ue é v ocê q uem t e m d e u sá -la . P or f a v or, d estr u a o m ed alh ão , R ony.
O s o m d o s e u n om e p are ceu te r a g id o c o m o u m e stim ula n te . E ngoliu e m
se co , re sp ir o u c o m fo rç a p elo se u c o m prid o n ariz e to rn ou a se a p ro xim ar d a
ped ra .
— M e d ig a q uan do — p ed iu R ony, r o uco .
— Q uan do e u d is se r “ tr ê s” — r e sp ondeu H arry , v olta n do s u a a te n ção p ara
o m ed alh ão e e str e ita n do o s o lh os, c o ncen tr a n do-s e n a le tr a “ S ”, im ag in an do
um a c o bra , e n quan to o c o nte ú do d o o bje to d eb atia -s e c o m o u m a b ara ta p re sa .
Teria s id o f á cil s e n tir p en a, e x ceto q ue o c o rte n o p esc o ço d e H arry a in da a rd ia .
— U m ... d ois ... t r ê s...
abra
.
A ú ltim a p ala v ra s a iu c o m o u m s ilv o e u m r o sn ad o e a s p ortin has d oura d as
do m ed alh ão s e a b rir a m , p ar a p ar, c o m u m e sta lid o.

Sob c ad a ja n elin ha d e v id ro e m s e u in te rio r p is c av a u m o lh o v iv o, e sc u ro e
bonito c o m o o s d e T om R id dle tin ham s id o a n te s d e s e to rn are m v erm elh os e
te re m f e n das e m v ez d e p upila s.
— F ure e le c o m a e sp ad a — d is se H arry , m an te n do o m ed alh ão p ara d o
so bre a r o ch a.
Rony e rg ueu a e sp ad a n as m ão s tr ê m ula s: a p onta o sc ilo u s o bre o s o lh os
que gir a v am fre n etic am en te , e H arry se g uro u o m ed alh ão co m fo rç a, se
pre p ara n do, j á i m ag in an do o s a n gue e sc o rre n do d as j a n elin has v azia s.
Entã o a v oz s ib ilo u d a H orc ru x.
— V i o s e u c o ra çã o, e e le é m eu .
— N ão d ê o uvid os a e le ! — f a lo u H arry , c o m r is p id ez. — P erfu re -o !
— V i o s s e u s s o nhos, R ony W ea sle y, e v i o s s e u s te m ore s. T udo q ue v o cê
dese ja ê p ossív el, m as t u do q ue v o cê t e m e t a m bém é p ossív el...
— P erfu re -o ! — b erro u H arry ; s u a v oz e co ou p ela á rv ore s a o r e d or, a p onta
da e sp ad a o sc ilo u, e R ony c o nte m plo u o s o lh os d e R id dle .
— Sem pre o m en os am ado pela m ãe que dese ja va um a filh a... m en os
am ado a gora p ela g aro ta q ue p re fe re o s e u a m ig o... s e m pre s e g undo, s e m pre ,
ete rn am en te n a s o m bra ...
— R ony, p erfu re -o a g ora ! — u rro u H arry ; s e n tia o m ed alh ão e str e m ecen do
em s u as m ão s e s e n tia m ed o d o q ue s o bre v ir ia . R ony e rg ueu a e sp ad a a in da m ais
alto e , a o f a zer i s so , o s o lh os d e R id dle r u tila ra m .
Das ja n elin has do m ed alh ão , dos olh os, bro ta ra m , co m o duas bolh as
gro te sc as, a s c ab eças d e H arry e H erm io ne, e str a n ham en te d efo rm ad as.
Rony b erro u c h ocad o e r e cu ou a o v er a s f ig ura s d esa b ro ch an do p ara f o ra d o
med alh ão , p rim eir o o s tr o nco s, d ep ois a s c in tu ra s, p or fim a s p ern as, q ue se
erg uera m d o m ed alh ão , la d o a la d o c o m o á rv ore s d e u m a ú nic a r a iz , b ala n çan do
so bre o R ony e o H arry re al, que re tir a ra rá p id o os ded os do m ed alh ão
in esp era d am en te i n can desc en te .
— R ony! — g rito u H arry m as o R id dle -H arry a g ora e sta v a f a la n do c o m a
voz d e V old em ort, e R ony o lh ou h ip notiz ad o p ara o r o sto d o a m ig o.
— P or q ue v o lto u? E stá va m os m uito b em s e m v o cê, m ais fe liz e s s e m v o cê,
co nte n te s co m a su a ausê n cia ... rim os de su a burric e, su a co va rd ia , su a
pre su nçã o...
— P re su nçã o!
— e co ou R id dle -H erm io ne, a g ora m ais b onita e m ais t e rrív el
do que a H erm io ne re al: ela bala n ço u garg alh an do, dia n te de R ony, que
ex pre ssa v a h orro r, m as esta v a p etr if ic ad o, a esp ad a p en den do in utilm en te ao
la d o d o c o rp o.
— Q uem p oderia o lh ar p ara v o cê, q uem ja m ais o lh aria p ara
vo cê a o la do d e H arry P otte r? Q ue fo i q ue v o cê já fe z, c o m para do a O E le ito ?
Quem é v o cê c o m para do a o M en in o-Q ue-S obre viv eu ?

— R ony, p erfu re -o , P E R FU RE-O ! — b erro u H arry , m as o a m ig o n ão se
mex eu : s e u s o lh os e sta v am a rre g ala d os, e n ele s s e r e fle tia m o R id dle -H arry e o
Rid dle -H erm io ne, o s c ab elo s d os d ois ro dopia n do c o m o la b are d as, se u s o lh os
verm elh os e b rilh an te s, s u as v ozes r e sso an do e m u m d ueto m alig no.

Sua m ãe co nfe sso u
— desd en hou R id dle -H arry , en quan to R id dle -
Herm io ne d eb och av a —
que p re fe ria q ue e u fo sse filh o d ela , q ue fa ria a tr o ca
sa tis fe ita
...

Quem n ão i r ia p re fe rir e le , q ue m ulh er a ceita ria v o cê? V o cê n ão é n ada,
nada, n ada p erto d ele
— c an ta ro la v a R id dle -H erm io ne, e stic an do-s e c o m o u m a
co bra e s e e n ro la n do e m R id dle -H arry , e n volv en do-o e m u m a b ra ço : s e u s lá b io s
se t o cara m .
No c h ão à f re n te , R ony e rg ueu o r o sto a n gustia d o: b ra n diu a e sp ad a n o a lto ,
os b ra ço s t r ê m ulo s.
— V am os, R ony! — b erro u H arry .
Rony o lh ou p ara e le e H arry p en so u te r v is to u m la iv o v erm elh o n os o lh os
do a m ig o.
— R ony...?
A esp ad a la m pejo u, m erg ulh ou: H arry atir o u-s e para lo nge, houve um
cla n gor de m eta l e um grito que pare ceu in te rm in áv el. H arry se vir o u,
esc o rre g an do n a n ev e, a v arin ha e m punhad a p ara se d efe n der: m as n ão h av ia
co ntr a o q ue l u ta r.
As m onstr u osa s vers õ es dele e H erm io ne tin ham desa p are cid o: hav ia
ap en as R ony, p ara d o, a e sp ad a fro uxa n a m ão , c o nte m pla n do o s fra g m en to s d o
med alh ão d estr u íd o s o bre a p ed ra a ch ata d a.
Len ta m en te , H arry s e e n cam in hou p ara e le , s e m s a b er o q ue d iz er o u f a zer.
Rony a rq ueja v a. S eu s o lh os n ão e sta v am m ais v erm elh os, m as n o t o m n orm al d e
azu l; e e sta v am t a m bém ú m id os.
Harry s e a b aix ou, f in gin do n ão te r v is to , e a p an hou o s p ed aço s d a H orc ru x.
Rony perfu ra ra os vid ro s das duas ja n elin has: os olh os de R id dle tin ham
desa p are cid o e a s e d a m an ch ad a q ue fo rra v a o m ed alh ão d esp re n dia u m a le v e
fu m aça. A c o is a q ue v iv ia n a H orc ru x tin ha s u m id o; to rtu ra r R ony fo ra o s e u
últim o a to .
A e sp ad a b ate u c o m e str é p ito q uan do R ony a la rg ou n o c h ão . E le c aír a d e
jo elh os, a c ab eça n os b ra ço s. S eu c o rp o s a cu dia , m as n ão d e f rio , p erc eb eu s e u
am ig o. H arry e n fio u o m ed alh ão p artid o n o b ols o , a jo elh ou-s e a o l a d o d e R ony e
co lo co u a m ão c au te lo sa m en te e m s e u o m bro . E nte n deu c o m o u m b om s in al q ue
Rony n ão a t iv esse e m purra d o.
— D ep ois q ue v ocê fo i e m bora — d is se H arry b aix in ho, fe liz q ue o ro sto
do a m ig o e stiv esse e sc o ndid o — , e la c h oro u u m a s e m an a. P ro vav elm en te m ais ,

só q ue n ão q ueria q ue e u v is se . T ev e m uita s n oite s e m q ue n em n os fa la m os.
Com a s u a p artid a...
Não p ôde te rm in ar; s o m en te a g ora c o m a v olta d e R ony é q ue c o m pre en dia
in te ir a m en te o q uan to l h es c u sta ra a a u sê n cia d o a m ig o.
— E la é c o m o u m a ir m ã — c o ntin uou e le . — E u a a m o c o m o u m a ir m ã e
ach o q ue e la s e n te o m esm o c o m r e la ção a m im . S em pre f o i a ssim . P en se i q ue
você s o ubesse .
Rony n ão re sp ondeu , o lh ou p ara o o utr o la d o e e n xugou a u div elm en te o
nariz n a m an ga. H arry to rn ou a s e le v an ta r e s e d ir ig iu a o lu gar e m q ue e sta v a a
en orm e m och ila d e R ony, a m etr o s d e d is tâ n cia , la rg ad a p elo a m ig o a o c o rre r
para o p oço e im ped ir H arry d e s e a fo gar. L ev ou-a à s c o sta s e v olto u p ara R ony,
que, à s u a a p ro xim ação , s e l e v an to u c o m o s o lh os i n je ta d os, m as r e co m posto .
— M e d esc u lp e — d is se c o m a v oz g ra v e. — M e d esc u lp e p or te r id o
em bora . S ei q ue fu i u m ... u m ... — E le c o rre u o s o lh os p ela e sc u rid ão q ue o
ro deav a, c o m o s e e sp era sse q ue u m a p ala v ra s u fic ie n te m en te p ejo ra tiv a c aís se
do c éu e o d efin is se .
— V ocê c o m pen so u is so h oje à n oite — re sp ondeu H arry . — A pan hou a
esp ad a. D estr u iu a H orc ru x. S alv ou m in ha v id a.
— I s so m e f a z p are cer b em m elh or d o q ue f u i — m urm uro u R ony.
— C ois a s d esse tip o s e m pre p are cem m ais le g ais f a la d as d o q ue r e alm en te
fo ra m — a fir m ou H arry . — É o q ue v en ho t e n ta n do l h e d iz er h á a n os.
Sim ulta n eam en te , o s d ois s e a d ia n ta ra m e s e a b ra çara m . H arry a p erto u a s
co sta s e n ch arc ad as d e R ony.
— E a g ora — d is se H arry , a o se se p ara re m — só p re cis a m os e n co ntr a r
outr a v ez a b arra ca.
Não fo i d if íc il, p oré m . E m bora a c am in had a p ela m ata , a co m pan han do a
co rç a, tiv esse p are cid o lo nga, c o m R ony a o s e u la d o a v ia g em d e v olta p are ceu
su rp re en den te m en te c u rta . H arry m al p ôde e sp era r p ara a co rd ar H erm io ne, e f o i
co m c re sc en te a g ita ção q ue e n tr o u n a b arra ca s e g uid o p or R ony m ais a tr á s.
Esta v a g lo rio sa m en te q uen te d ep ois d o p oço e d a m ata . A ú nic a ilu m in ação
vin ha das ch am as azu is que ain da tr e m elu zia m em um a tig ela no ch ão .
Herm io ne e sta v a fe rra d a n o so no, e n ro sc ad a p or b aix o d as c o berta s, e n ão se
mex eu a té q ue H arry a c h am ou v ária s v ezes.
— H erm io ne!
Ela a co rd ou e s e n to u-s e d ep re ssa , a fa sta n do o s c ab elo s d o r o sto .
— Q ue a co nte ceu ? H arry ? V ocê e stá b em ?
— C alm a, t u do e stá b em . M ais d o q ue b em . E sto u ó tim o. T em a lg uém a q ui.
— C om o a ssim ? Q uem ...?
Ela v iu R ony p ara d o a li, se g ura n do a e sp ad a, e sc o rre n do á g ua n o ta p ete

puíd o. H arry r e cu ou p ara u m c an to m en os ilu m in ad o, tir o u a m och ila d e R ony e
te n to u s e f u ndir c o m a l o na d a b arra ca.
Herm io ne desliz o u do belic h e e fo i ao en co ntr o de R ony co m o um a
so nâm bula , o s o lh os p re g ad os n o r o sto p álid o d o g aro to . P aro u b em d ia n te d ele ,
se u s lá b io s e n tr e ab erto s, se u s o lh os a rre g ala d os. R ony d eu u m so rris o d éb il e
esp era n ço so , e c o m eço u a e rg uer o s b ra ço s.
Herm io ne a tir o u-s e p ara f re n te e c o m eço u a s o car c ad a c en tím etr o d o c o rp o
dele a o s e u a lc an ce.
— A i... ui... m e la rg a! Q ue...? H erm io ne... A I! — V ocê... ab so lu to ...
palh aço ... R onald ... W easle y !
Ela p ontu av a c ad a p ala v ra c o m u m s o co : R ony r e cu ou, p ro te g en do a c ab eça
co ntr a o a ssa lto d e H erm io ne.
— V ocê... s e a rra sta ... a q ui... d ep ois d e... s e m an as... e ... m ais ... s e m an as...
ah ,
ca dê a m in ha v a rin ha
?
Pare cia dis p osta a arra n car a varin ha das m ão s de H arry , e ele re ag iu
in stin tiv am en te .
— P ro te g o!
Um e sc u do in vis ív el ir ro m peu e n tr e R ony e H erm io ne: a v io lê n cia fo i ta l
que a jo gou d e c o sta s n o c h ão . C usp in do o s c ab elo s n a b oca, e la to rn ou a se
le v an ta r.
— H erm io ne! — d is se H arry . — C alm ...
— N ão vou m e acalm ar! — berro u ela . N unca an te s ele a vir a se
desc o ntr o la r d aq uele je ito ; p are cia e n lo uquecid a. — D ev olv a a m in ha v arin ha!
Devo lv a j á
!
— H erm io ne, p or f a v or...
— N ão m e d ig a o q ue fa zer, H arry P otte r — g uin ch ou e la . — N ão o use !
Dev olv a-m e a g ora m esm o! E V OCÊ!
Ela ap onta v a p ara R ony em fu nesta acu sa ção : p are cia u m a m ald iç ão , e
Harry n ão p ôde c u lp ar R ony p or r e cu ar v ário s p asso s.
— C orri a tr á s d e v ocê! C ham ei v ocê! P ed i p ara v ocê v olta r!
— E u s e i — r e sp ondeu R ony. — H erm io ne, e u l a m en to , e u r e alm en te ...
— A h, v ocê
la m en ta
!
Ela d eu u m a g arg alh ad a, ag uda, d esc o ntr o la d a; R ony o lh ou p ara H arry
ped in do a ju da, m as o a m ig o a p en as f e z u m a c are ta i n dic an do s u a i n cap acid ad e.
— V ocê v olta a q ui d ep ois d e s e m an as...
se m anas
... e a ch a q ue t u do v ai f ic ar
bem s e v ocê d is se r q ue
la m en ta
?
— E q ue m ais e u p osso d iz er? — g rito u R ony, e H arry fic o u c o nte n te d e
vê-lo r e ag ir.
— A h, n ão s e i! — b erro u H erm io ne, s a rc ástic a. — V asc u lh e o s e u c ére b ro ,

Rony, s ó v ai p re cis a r d e u ns s e g undin hos...
— H erm io ne — in te rro m peu -a H arry , c o nsid era n do a q uilo u m g olp e b aix o
—, e le a cab ou d e s a lv ar a m in ha...
— E e u c o m is so ! — g rito u e la . — N ão q uero s a b er o q ue f o i q ue e le f e z!
Sem an as e m ais s e m an as, p or e le p odería m os e sta r
morto s
...
— E u s a b ia q ue n ão e sta v am m orto s! — u rro u R ony, a b afa n do a v oz d e
Herm io ne p ela p rim eir a v ez, p ra tic am en te e n co sta n do n o e sc u do e n tr e e le s. — O
Pro fe ta
s ó fa la n o H arry , o rá d io s ó fa la n o H arry , e stã o p ro cu ra n do p or v ocês
em to da p arte , u m m onte d e b oato s e h is tó ria s m alu cas, e u s a b ia q ue n a m esm a
hora t e ria n otíc ia s, s e v ocês m orre sse m , v ocê n ão s a b e o q ue e u p asse i...
— O q ue
vo cê
p asso u?
A v oz d a g aro ta esta v a tã o ag uda q ue m ais u m p ouco só o s m orc eg os
co nse g uir ia m ouvi- la , m as atin gir a um ta l nív el de in dig nação que fic o u
te m pora ria m en te m uda, e R ony a p ro veito u a o portu nid ad e.
— E u q uis v olta r n o m in uto e m q ue d esa p ara te i, m as to pei d ir e to c o m u m a
quad rilh a d e s e q üestr a d ore s, H erm io ne, e n ão p ude i r a l u gar a lg um !
— U m a q uad rilh a d e q uê? — p erg unto u H arry , en quan to H erm io ne se
atir a v a e m u m a p oltr o na c o m o s b ra ço s e a s p ern as c ru zad os c o m t a n ta f o rç a q ue
lh e p are ceu q ue f o sse l e v ar a n os p ara d esc ru zá-lo s.
— S eq üestr a d ore s — dis se R ony. — E stã o por to da parte , quad rilh as
te n ta n do g an har d in heir o p re n den do n asc id os tr o uxas e tr a id ore s d o sa n gue, o
Min is té rio e stá o fe re cen do u m a r e co m pen sa p elo s c ap tu ra d os. E u e sta v a s o zin ho
e m e ach ara m co m cara de estu dan te , en tã o fic ara m re alm en te an im ad os,
pen sa n do q ue e u f o sse u m n asc id o tr o uxa s e e sc o nden do. T iv e q ue f a la r r á p id o
para n ão m e a rra sta re m a té o M in is té rio .
— Q ue f o i q ue d is se a e le s?
— Q ue e ra o L ala u S hunpik e. F oi o p rim eir o n om e q ue m e o co rre u .
— E e le s a cre d ita ra m ?
— N ão e ra m m uito b rilh an te s. U m d ele s, d ecid id am en te , e ra m eio t r a sg o, o
ch eir o d ele ...
Rony o lh ou p ara H erm io ne, v is iv elm en te e sp era n ço so d e q ue e la p udesse s e
en te rn ecer c o m e ssa p ita d a d e h um or, m as s u a f is io nom ia c o ntin uav a in fle x ív el
acim a d os j o elh os c ru zad os.
— E nfim , tiv era m a m aio r d is c u ssã o p ra d ecid ir s e e u e ra o u n ão o L ala u .
Para se r fra n co , fo i m eio p até tic o , m as e ra m c in co e e u a p en as u m , e tin ham
tir a d o a m in ha v arin ha. E ntã o , d ois d ele s se a tr a cara m e , e n quan to o s o utr o s
esta v am dis tr a íd os, co nse g ui dar um so co no estô m ag o do que esta v a m e
se g ura n do, a g arre i a v arin ha d ele , d esa rm ei o o utr o c ara q ue e sta v a s e g ura n do a
min ha e d esa p ara te i. N ão f iz is so m uito b em e to rn ei a m e e str u nch ar... — R ony

le v an to u a m ão dir e ita para m ostr a r que esta v am lh e fa lta n do duas unhas;
Herm io ne e rg ueu a s so bra n celh as c o m frie za — e fu i p ara r a q uilô m etr o s d o
lu gar e m q ue v ocês e sta v am . Q uan do f in alm en te c h eg uei à m arg em d o r io o nde
acam pam os... v ocês t in ham p artid o.
— Q ue h is tó ria a rre b ata d ora ! — e x cla m ou H erm io ne, n aq uele t o m s u perio r
que ad ota v a quan do queria m ag oar. — V ocê dev e te r fic ad o sim ple sm en te
ate rro riz ad o. N esse m eio -te m po, fo m os a G odric ’s H ollo w e , v eja m os, q ue fo i
que a co nte ceu , H arry ? A h, s im , a c o bra d e V ocê-S ab e-Q uem a p are ceu p or lá e
quase n os liq uid ou, e en tã o ch eg ou V ocê-S ab e-Q uem em p esso a e p or u m a
fra ção d e s e g undo n ão n os a g arro u.
— Q uê? — e x cla m ou R ony, o lh an do b oquia b erto d e H erm io ne p ara H arry ,
mas e la o i g noro u.
— Im ag in e perd er as unhas, H arry ! Is to re alm en te põe os nosso s
so frim en to s e m p ers p ectiv a, n ão ?
— H erm io ne — d is se H arry , e m v oz b aix a — , R ony a cab ou d e sa lv ar a
min ha v id a.
Ela p are ceu n ão o uvi- lo .
— M as t e m u m a c o is a q ue e u g osta ria d e s a b er — d is se e la , f ix an do o o lh ar
uns tr in ta c en tím etr o s a cim a d a c ab eça d e R ony. — E xata m en te , c o m o fo i q ue
nos e n co ntr o u h oje à n oite ? Is to é im porta n te . Q uan do s o uberm os, p odere m os
nos certif ic ar de que não esta m os re ceb en do a vis ita de alg uém que não
quere m os v er.
Rony a m arro u a c ara p ara e la e p uxou u m p eq uen o o bje to d e p ra ta d o b ols o
da j e an s.
— C om i s to .
Herm io ne p re cis o u e n cara r R ony p ara v er o q ue e sta v a m ostr a n do a o s d ois .
— O desilu m in ad or? — perg unto u, tã o ad m ir a d a que se esq ueceu de
dem onstr a r f rie za e f e ro cid ad e.
— N ão s e rv e s ó p ara a cen der e a p ag ar l u zes. N ão s e i c o m o f u ncio na o u p or
que a co nte ceu d essa v ez e n en hum a o utr a , p orq ue e sto u q uere n do v olta r d esd e
que fu i. M as e u e sta v a e sc u ta n do o rá d io , m uito c ed o n a m an hã d e N ata l, e
ouvi... o uvi v ocê.
Rony e sta v a o lh an do p ara H erm io ne.
— V ocê m e o uviu p elo r á d io ? — p erg unto u e la , i n cré d ula .
— N ão , o uvi v ocê s a in do d o m eu b ols o . A s u a v oz — e le to rn ou a e rg uer o
desilu m in ad or — s a iu d aq ui.
— E e x ata m en te o q ue f o i q ue e u d is se ? — p erg unto u H erm io ne, s e u to m
um a m esc la d e c etic is m o e c u rio sid ad e.
— M eu n om e. “ R ony.” E d is se ... a lg um a c o is a s o bre u m a v arin ha...

O ro sto d e H erm io ne a ssu m iu u m a fo guead o e sc arla te . H arry le m bro u-s e :
tin ha s id o a p rim eir a v ez q ue q ualq uer d os d ois tin ha p ro nuncia d o o n om e d e
Rony e m v oz a lta d esd e q ue e le p artir a ; H erm io ne fa la ra q uan do d is c u tia m o
co nse rto d a v arin ha d e H arry .
— E ntã o , t ir e i- o d o b ols o — c o ntin uou R ony, o lh an do p ara o d esilu m in ad or
— e n ão m e p are ceu d if e re n te n em n ad a, m as e u tin ha c erte za q ue tin ha o uvid o
su a v oz. E ntã o o l ig uei. E a l u z s e a p ag ou n o m eu q uarto , m as o utr a l u z a p are ceu
fo ra d a j a n ela .
Rony e rg ueu a m ão v azia e a p onto u p ara f re n te , s e u s o lh os f o caliz ad os e m
alg um a c o is a q ue n em H arry n em H erm io ne e sta v am v en do.
— E ra u m a b ola l u m in osa , m eio p uls a n te e a zu la d a, c o m o a l u z q ue a p are ce
ao r e d or d e u m a C hav e d e P orta l, e n te n dem ?
— S im — d is se ra m H arry e H erm io ne j u nto s, a u to m atic am en te .
— S en ti q ue o m om en to e ra a q uele . A pan hei a s m in has c o is a s, a rru m ei- a s
na m och ila e s a í c o m e la p ara o j a rd im .
“A b olin ha lu m in osa e sta v a p air a n do lá , e sp era n do p or m im , e , q uan do e u
sa í, e la o sc ilo u u m p ouco e e u a a co m pan hei a tr á s d o b arra co e n tã o ... b em , e la
en tr o u e m m im .”
— D esc u lp e? — e str a n hou H arry , c erto d e q ue n ão o uvir a d ir e ito .
— F oi c o m o s e e la flu tu asse a o m eu e n co ntr o — d is se R ony, ilu str a n do o
movim en to c o m o d ed o in dic ad or liv re — , d ir e to p ara o m eu p eito e e n tã o ...
en tr o u. F oi a q ui — e le in dic o u u m p onto ju nto a o c o ra ção — , e u a s e n ti, e ra
quen te . E , u m a v ez d en tr o d e m im , e u s o ube o q ue d ev ia f a zer, s o ube q ue e la ia
me le v ar a o nde e u p re cis a v a ir. E ntã o d esa p ara te i e m e v i n a e n co sta d e u m
morro . H av ia n ev e p ara t o do l a d o...
— E stiv em os lá — dis se H arry . — A cam pam os duas noite s lá , e, na
se g unda, p asse i o te m po to do p en sa n do q ue o uvia a lg uém a n dar n o e sc u ro e
ch am ar!
— É , b em , d ev e t e r s id o e u — d is se R ony. — P elo v is to , o s s e u s f e itiç o s d e
pro te ção fu ncio nam , p orq ue n ão v i n em o uvi v ocês. M as tin ha c erte za d e q ue
esta v am p or p erto , e n tã o a cab ei m e e n fia n do n o m eu s a co d e d orm ir e e sp ere i
que u m d e v ocês a p are cesse . P en se i q ue te ria m d e se to rn ar v is ív eis q uan do
guard asse m a b arra ca.
— N a v erd ad e, n ão — d is se H erm io ne. — T em os d esa p ara ta d o c o m a C ap a
da I n vis ib ilid ad e, p or p re cau ção . E p artim os r e alm en te c ed o, p orq ue, c o m o d is se
Harry , t ín ham os o uvid o a lg uém a n dan do à s t o nta s p or l á .
— B em , passe i o dia in te ir o naq uele m orro — co ntin uou R ony. -N a
esp era n ça q ue v ocês a p are cesse m . M as, q uan do c o m eço u a e sc u re cer, e u p erc eb i
que d ev ía m os te r n os d ese n co ntr a d o, e n tã o to rn ei a c lic ar o d esilu m in ad or, a lu z

azu l s a iu e e n tr o u e m m im , d esa p ara te i e a cab ei c h eg an do a e sta m ata . M as n ão
os v i, e n tã o s ó m e r e sto u a e sp era n ça d e q ue u m o u o utr o a cab asse a p are cen do: e
o H arry a p are ceu . B em , v i p rim eir o a c o rç a, o bvia m en te .
— V ocê v iu o q uê? — p erg unto u H erm io ne, r ís p id a.
Os d ois g aro to s e x plic ara m o q ue a co nte cera e , à m ed id a q ue ia m c o nta n do
a h is tó ria d a c o rç a p ra te ad a e d a e sp ad a n o p oço , H erm io ne fra n zia a te sta o ra
para u m , o ra p ara o utr o , tã o c o ncen tr a d a q ue s e e sq ueceu d e m an te r a s p ern as
tr a v ad as.
— M as d ev e te r s id o u m P atr o n o! — e x cla m ou. — V ocês n ão c o nse g uir a m
ver q uem o c o nju ro u? N ão v ir a m n in guém ? N ão a cre d ito ! E a c o rç a l e v ou v ocês
à e sp ad a! É i n acre d itá v el! E o q ue a co nte ceu d ep ois ?
Rony e x plic o u q ue o bse rv ara H arry p ula r n o p oço e a g uard ara q ue o a m ig o
volta sse à to na; e, p erc eb en do q ue h av ia alg um a co is a erra d a, m erg ulh ara e
sa lv ara o a m ig o, d ep ois v olta ra p ara p eg ar a e sp ad a. E le c o nto u a té a a b ertu ra d o
med alh ão , e n tã o h esito u e H arry i n te rv eio .
— ... e R ony p erfu ro u-o c o m a e sp ad a.
— E ... e a H orc ru x s u m iu ? A ssim ? — s u ssu rro u e la .
— B em , e la ... g rito u — r e sp ondeu H arry , o lh an do d e s o sla io p ara R ony. —
Veja .
Harry atir o u o m ed alh ão no co lo dela ; cau te lo sa m en te , H erm io ne o
ap an hou e e x am in ou a s j a n elin has f u ra d as.
Decid in do q ue f in alm en te e ra s e g uro , H arry r e m oveu o F eitiç o E sc u do c o m
um a cen o d a v arin ha d e H erm io ne e v ir o u-s e p ara R ony.
— A gora h á p ouco v ocê fa lo u q ue fu giu d os se q üestr a d ore s co m u m a
varin ha a m ais ?
— Q uê? — d is se R ony, q ue o bse rv av a H erm io ne e x am in ar o m ed alh ão . —
Ah... f a le i s im .
Ele d esa fiv elo u a m och ila e tir o u u m a v arin ha c u rta e e sc u ra d e u m d os
bols o s.
— T om e. C alc u le i q ue é s e m pre b om a g en te t e r u m a s o bre ssa le n te .
— E c alc u lo u b em — d is se H arry , e ste n den do a m ão . — A m in ha q ueb ro u.
— Você está brin can do? — perg unto u R ony, m as naq uele m om en to
Herm io ne s e l e v an to u e e le p are ceu m ais u m a v ez a p re en siv o.
Herm io ne g uard ou a H orc ru x d estr u íd a n a b ols in ha d e c o nta s, v olto u p ara a
cam a e s e a co m odou s e m d iz er m ais n ad a. R ony p asso u a n ova v arin ha a H arry .
— F oi o m elh or q ue s e p oderia e sp era r, i m ag in o — m urm uro u H arry .
— É . P oderia te r sid o p io r. L em bra aq uele s p assa rin hos q ue ela la n ço u
co ntr a m im ?
— A in da n ão e lim in ei e ssa p ossib ilid ad e — re sp ondeu a v oz a b afa d a d e

Herm io ne d eb aix o d as c o berta s, m as H arry v iu R ony s o rrin do q uan do tir o u o s
pija m as m arro ns d a m och ila .

2 0
X en ofílio L oveg ood
Harry n ão e sp era v a q ue a ir a d e H erm io ne s e a b ra n dasse d a n oite p ara o
d ia , p orta n to n ão se su rp re en deu q ue ela se co m unic asse p rin cip alm en te p or
o lh are s in dig nad os e silê n cio s co ntu nden te s n a m an hã se g uin te . R ony re ag iu
m an te n do u m c o m porta m en to a n orm alm en te s é rio n a p re se n ça d ela , c o m o u m
s in al e x te rn o d e s e u c o ntin uad o r e m ors o . D e f a to , q uan do o s t r ê s e sta v am j u nto s,
H arry se se n tia co m o o únic o não en lu ta d o em um en te rro co m pouco s
a co m pan han te s. Nos ra ro s mom en to s que passa v a so zin ho co m Harry
( a p an han do á g ua e p ro cu ra n do c o gum elo s n o m ato r a ste ir o ), n o e n ta n to , R ony s e
m ostr a v a d esc ara d am en te a le g re .
— A lg uém n os a ju dou — e le n ão p ara v a d e d iz er. — A lg uém m an dou
a q uela c o rç a. A lg uém e stá d o n osso l a d o. U m a H orc ru x a m en os, c o le g a!
Estim ula d os pela destr u iç ão do m ed alh ão , ele s co m eçara m a deb ate r a
p ossív el lo caliz ação das dem ais H orc ru xes, e, em bora tiv esse m dis c u tid o o
a ssu nto ta n ta s v ezes a n te rio rm en te , H arry s e s e n tia o tim is ta , c erto d e q ue o utr o s
a v an ço s se se g uir ia m a o p rim eir o . O m au h um or d e H erm io ne n ão c o nse g uia
e str a g ar o s e u a lto a str a l: a s ú bita v ir a d a e m s u a s o rte , a a p ariç ão d a m is te rio sa
c o rç a, a re cu pera ção d a e sp ad a d e G ry ff in dor e , p rin cip alm en te , o re to rn o d e
R ony f a zia m H arry t ã o f e liz q ue e ra a té d if íc il f ic ar d e c ara s é ria .
No f in al d a t a rd e, e le e R ony f u g ir a m m ais u m a v ez d a p re se n ça n eg ativ a d e
H erm io ne e, a pre te x to de pro cu ra r am ora s silv estr e s nos esp in heir o s
d esfo lh ad os, co ntin uara m a in te rm in áv el tr o ca de notíc ia s. H arry co nse g uir a
f in alm en te c o nta r a o a m ig o a s v ária s v ia g en s q ue e le e H erm io ne tin ham fe ito
a té a h is tó ria co m ple ta d o q ue aco nte cera em G odric ’s H ollo w ; ag ora R ony
e sta v a p ondo H arry a o c o rre n te d e tu do q ue d esc o brir a s o bre u m m undo b ru xo
m ais a m plo n as s e m an as q ue e stiv era f o ra .
— ... e c o m o fo i q ue v ocê d esc o briu a re sp eito d o T ab u? — p erg unto u a
H arry , d ep ois d e e x plic ar a s n u m ero sa s e d ese sp era d as te n ta tiv as d e n asc id os
t r o uxas p ara f u gir d o M in is té rio .
— O q uê?
— V ocê e H erm io ne p ara ra m d e d iz er o n om e d e V ocê-S ab e-Q uem !
— A h, sim . F oi u m m au h áb ito q ue a d quir im os — re sp ondeu H arry . —
M as n ão t e n ho p ro ble m a e m c h am á-lo d e V ..
— N ÃO! — b erro u R ony, f a zen do H arry p ula r p ara d en tr o d as a m ore ir a s e

Herm io ne ( d e n ariz e n te rra d o e m u m liv ro à e n tr a d a d a b arra ca) o lh ar f e io p ara
os dois . — D esc u lp e — dis se R ony, puxan do H arry para fo ra dos galh os
esp in hoso s — , m as o n om e fo i a zara d o, H arry , é a ssim q ue e le s ra str e ia m a s
pesso as! U sa r o n om e d ele r o m pe o s f e itiç o s d e p ro te ção , p ro voca u m a e sp écie
de p ertu rb ação m ág ic a... f o i c o m o n os e n co ntr a ra m n a T otte n ham C ourt!
— P orq ue u sa m os o
nom e
d ele ?
— E xata m en te ! V ocê te m q ue d ar a e le s o m ere cid o c ré d ito , fa z s e n tid o.
Som en te a s p esso as q ue s e o punham s e ria m en te a e le , c o m o D um ble d ore , é q ue
se a tr e v ia m a u sa r o n om e d e V ocê-S ab e-Q uem . A gora q ue im puse ra m u m T ab u
ao n om e, q ualq uer p esso a q ue o d ig a é ra str e áv el: u m m odo rá p id o e fá cil d e
en co ntr a r m em bro s d a O rd em . Q uase a p an hara m o K in gsle y...
— V ocê e stá b rin can do!
— F oi, G ui m e c o nto u q ue u m g ru po d e C om en sa is d a M orte o e n cu rra lo u,
mas e le d eu c o m bate e e sc ap ou. A gora e stá f u gin do c o m o n ós. — R ony c o ço u o
queix o co m a p onta d a v arin ha, p en sa tiv o. — V ocê n ão ach a q ue K in gsle y
poderia t e r m an dad o a q uela c o rç a?
— O P atr o no d ele é u m lin ce, n ós o v im os n o c asa m en to , le m bra ? — A h,
é...
Os d ois fo ra m a co m pan han do a s a m ore ir a s e s e d is ta n cia n do d a b arra ca e
de H erm io ne.
— H arry ... v ocê a ch a q ue p oderia t e r s id o o D um ble d ore ?
— D um ble d ore o q uê?
Rony f ic o u u m p ouco s e m g ra ça, m as d is se e m v oz b aix a:
— D um ble d ore ... a c o rç a. Q uero d iz er — R ony o bse rv av a H arry p elo c an to
do o lh o — , f o i e le q uem t e v e a e sp ad a v erd ad eir a p or ú ltim o, n ão f o i?
Harry n ão r iu d e R ony, p orq ue e n te n deu b em d em ais o d ese jo im plíc ito n a
perg unta . A id éia de que D um ble d ore co nse g uir a volta r, que os esta v a
pro te g en do, s e ria i n diz iv elm en te c o nfo rta d ora . H arry b ala n ço u a c ab eça.
— D um ble d ore e stá m orto . V i a co nte cer, v i o c o rp o. E le p artiu p ara s e m pre .
Mas, s e ja c o m o f o r, o P atr o no d ele e ra u m a f ê n ix e n ão u m a c o rç a.
— M as o s P atr o nos p odem m udar, n ão ? — p erg unto u R ony. — O d a T onks
mudou, n ão f o i?
— É , m as s e D um ble d ore e stiv esse v iv o, p or q ue n ão s e m ostr a ria ? P or q ue
sim ple sm en te n ão n os e n tr e g aria a e sp ad a?
— A í v ocê m e p eg ou. P ela m esm a r a zão p or q ue n ão lh e e n tr e g ou q uan do
esta v a v iv o? A m esm a ra zão p or q ue lh e d eix ou u m v elh o p om o d e o uro e à
Herm io ne u m l iv ro d e h is tó ria s p ara c ria n ças?
— E q ual é a r a zão ? — p erg unto u H arry , s e v ir a n do p ara e n cara r R ony d e
fre n te , d ese sp era d o p or u m a r e sp osta .

— N ão se i. À s v ezes, q uan do esta v a m eio ab orre cid o, p en sa v a q ue ele
esta v a s e d iv ertin do o u... o u q ueria d if ic u lta r a s c o is a s. M as a ch o q ue n ão , n ão
mais . E le sa b ia o que esta v a fa zen do quan do m e deix ou o desilu m in ad or,
co nco rd a? E le ... b em — a s o re lh as d e R ony f ic ara m v erm elh ís s im as, e o g aro to
fin giu e sta r a b so rto e m u m t u fo d e c ap im a s e u s p és, q ue c u tu co u c o m a p onta d o
calç ad o — , e le d ev ia s a b er q ue e u a b an donaria v ocês.
— N ão — c o rrig iu -o H arry . — E le d ev ia s a b er q ue v ocê s e m pre i r ia q uere r
volta r.
Rony o lh ou-o a g ra d ecid o, m as a in da d esc o ncerta d o. E m p arte p ara m udar
de a ssu nto , H arry d is se :
— P or fa la r em D um ble d ore , v ocê o uviu fa la r d a b io gra fia d ele , q ue a
Skeete r e sc re v eu ?
— A h, c la ro — re sp ondeu e le , im ed ia ta m en te — , é só o q ue a s p esso as
estã o c o m en ta n do. L ógic o , s e a s c o is a s f o sse m d if e re n te s, s e ria u m g ra n de f u ro a
am iz ad e d e D um ble d ore e G rin delw ald , m as, n o m om en to , é s ó u m a p ia d a p ara
quem n ão g osta v a d e D um ble d ore e u m ta p a n a c ara d e to dos q ue a ch av am q ue
ele e ra u m c ara le g al. M as n ão c re io q ue s e ja n ad a d e m ais . E le e ra re alm en te
jo vem q uan do...
— D a n ossa i d ad e — i n te rp ôs H arry , d a m esm a f o rm a c o m q ue r e to rq uir a a
Herm io ne, e a lg um a c o is a e m s e u r o sto p are ceu f a zer R ony e n cerra r o a ssu nto .
Hav ia um a gra n de ara n ha para d a no m eio de um a te ia co ngela d a no
esp in heir o . H arry f e z p onta ria c o m a v arin ha q ue R ony l h e d era n a n oite a n te rio r
e q ue H erm io ne tin ha c o ndesc en did o e m e x am in ar e c o nclu ir q ue e ra fe ita d e
am eix eir a -b ra v a.
— E ngorg io !
A a ra n ha e str e m eceu , b ala n çan do d e le v e a te ia . H arry te n to u n ovam en te .
Desta v ez, a a ra n ha c re sc eu m ais u m p ouco .
— P are c o m is so — d is se R ony, c o m a sp ere za. — D esc u lp e te r d ito q ue
Dum ble d ore e ra j o vem , o .k .?
Harry e sq uecera o h orro r d e R ony a a ra n has.
— D esc u lp e...
Red ucio
!
A a ra n ha n ão e n co lh eu . H arry o lh ou p ara a v arin ha d e a m eix eir a -b ra v a.
Cad a p eq uen o fe itiç o q ue la n çara a té o m om en to lh e p are cera m en os e fic az d o
que o s q ue p ro duzia c o m a v arin ha d e f ê n ix . A n ova v arin ha l h e d av a a s e n sa ção
de s e r u m a p ên dic e e str a n ho, c o m o s e tiv esse m c o stu ra d o a m ão d e a lg uém a o
se u b ra ço .
— Você só pre cis a pra tic ar — dis se H erm io ne, que se ap ro xim ara
sile n cio sa m en te p or tr á s e fic ara o bse rv an do H arry te n ta r a u m en ta r e re d uzir a
ara n ha. — É s ó u m a q uestã o d e c o nfia n ça, H arry .

Ele s a b ia p or q ue a a m ig a q ueria q ue d esse c erto : a in da s e s e n tia c u lp ad a
por te r q ueb ra d o s u a v arin ha. E le r e p rim iu a r e sp osta q ue lh e s u bir a a o s lá b io s:
que ela poderia fic ar co m a varin ha de am eix eir a se ach av a que não fa zia
dif e re n ça, e ele aceita ria a d ela em tr o ca. D ese jo so d e q ue v olta sse m a se r
am ig os, no en ta n to , ele co nco rd ou; quan do R ony en sa io u um so rris o para
Herm io ne, p oré m , e la s e a fa sto u e d esa p are ceu p or t r á s d o l iv ro m ais u m a v ez.
Os tr ê s v olta ra m à b arra ca a o c air d a n oite , e H arry c u m priu a p rim eir a
vig ia . S en ta d o à en tr a d a, ex perim en to u fa zer co m q ue a v arin ha le v ita sse as
ped rin has a o s s e u s p és: m as s u a m ag ia c o ntin uav a a p are cer m ais i n ep ta e m en os
pote n te d o q ue fo ra a n te s. H erm io ne e sta v a d eita d a n a c am a le n do, e n quan to
Rony, d ep ois d e lh e la n çar m uito s o lh are s a n sio so s, a p an hou u m p eq uen o r á d io
de m ad eir a n a m och ila e t e n to u s in to niz á-lo .
— T em u m p ro gra m a — d is se a H arry , e m v oz b aix a — q ue ir ra d ia a s
notíc ia s c o m o r e alm en te s ã o . T odos o s o utr o s e stã o d o la d o d e V ocê-S ab e-Q uem
e s e g uem a d ir e tr iz d o M in is té rio , m as e ste ... e sp ere a té o uvir , é o m áx im o. S ó
que n ão p ode ir a o a r to da n oite , o p esso al te m q ue m udar c o nsta n te m en te d e
lu gar p ara n ão se r p eg o, e a g en te p re cis a d e u m a se n ha p ara sin to niz ar... o
pro ble m a é q ue p erd i o ú ltim o...
Ele deu le v es batid as no rá d io co m a varin ha, m urm ura n do, baix in ho,
pala v ra s so lta s. D eu o lh ad ela s fu rtiv as p ara H erm io ne, v is iv elm en te te m en do
nova e x plo sã o d e f ú ria , m as, p ela a te n ção q ue a g aro ta l h e d av a, e ra c o m o s e e le
nem e stiv esse p re se n te . D ura n te u ns d ez m in uto s, m ais o u m en os, R ony b ate u e
murm uro u, H erm io ne v ir a v a p ág in a a p ág in a o s e u liv ro , e H arry c o ntin uav a a
pra tic ar c o m a v arin ha d e a m eix eir a -b ra v a.
Fin alm en te H erm io ne d esc eu d a c am a. R ony p aro u d e b atu car n a m esm a
hora .
— S e e stiv er i n co m odan do v ocê, e u p aro ! — d is se n erv oso a H erm io ne.
Ela n em s e d ig nou a r e sp onder, e s e d ir ig iu a H arry .
— P re cis a m os c o nvers a r — f a lo u.
O g aro to o lh ou p ara o l iv ro q ue e la a in da s e g ura v a:
A v id a e a s m en tir a s d e
Alv o D um ble d ore .
— Q uê? — e x cla m ou, a p re en siv o. O co rre u -lh e p or u m in sta n te q ue h av ia
um c ap ítu lo s o bre e le ; c erta m en te n ão e sta v a c o m d is p osiç ão p ara o uvir a v ers ã o
de R ita so bre su a am iz ad e co m D um ble d ore . A re sp osta de H erm io ne fo i
co m ple ta m en te i n esp era d a.
— Q uero v is ita r X en ofílio L oveg ood. H arry a rre g alo u o s o lh os.
— D esc u lp e?
— X en ofílio L oveg ood. O p ai d e L una. Q uero f a la r c o m e le !
— A h... p or q uê?

Ela i n sp ir o u p ro fu ndam en te , c o m o s e t o m asse c o ra g em e d is se :
— A quela m arc a, a m arc a n o
Beed le , o b ard o
. O lh e p ara i s to !
Ela em purro u
A vid a e as m en tir a s de A lv o D um ble d ore
so b os olh os
re lu ta n te s de H arry , e ele viu a fo to do orig in al da carta que D um ble d ore
esc re v era a G rin delw ald , n a c alig ra fia f in a e in clin ad a d o d ir e to r. H arry d ete sto u
ver a p ro va in dis c u tív el d e q ue D um ble d ore e sc re v era a q uela s p ala v ra s, q ue n ão
tin ham s id o i n ven ção d e R ita S keete r.
— A a ssin atu ra — d is se H erm io ne. — V eja a a ssin atu ra , H arry !
Ele o bed eceu . P or u m m om en to , n ão e n te n deu o q ue a a m ig a q ueria d iz er,
mas, ex am in an do a fo to m ais ate n ta m en te co m au xílio da varin ha, viu que
Dum ble d ore su bstitu ír a o “ A ” d e A lv o p or u m a m in úsc u la v ers ã o d a m esm a
marc a t r ia n gula r i n sc rita e m
Os c o nto s d e B eed le , o b ard o
.
— A h... q ue é q ue v ocês...? — e n sa io u R ony, m as H erm io ne o fe z c ala r
co m u m o lh ar, e v olto u-s e p ara H arry .
— N ão p ára d e a p are cer, n ão é ? S ei q ue V íto r d is se q ue e ra a m arc a d e
Grin delw ald , m as, se m a m en or dúvid a, esta v a naq uele velh o tú m ulo em
Godric ’s H ollo w , e a s d ata s n a lá p id e e ra m m uito a n te rio re s a o n asc im en to d e
Grin delw ald ! E a g ora is to ! B em , n ão p odem os p erg unta r a D um ble d ore n em a
Grin delw ald o q ue s ig nif ic a, n em s e i s e e le a in da e stá v iv o, m as p osso p erg unta r
ao s r. L oveg ood. E le e sta v a u sa n do o s ím bolo n o c asa m en to . T en ho c erte za d e
que i s to é i m porta n te , H arry !
Harry não re sp ondeu lo go. O lh ou para o ro sto veem en te e an sio so de
Herm io ne e , e m s e g uid a, p ara a e sc u rid ão a o re d or, re fle tin do. D ep ois d e u m a
lo nga p au sa , d is se :
— H erm io ne, n ão p re cis a m os d e o utr a G odric ’s H ollo w . N os c o nven cem os
de i r l á e ...
— M as i s so n ão p ára d e a p are cer, H arry ! D um ble d ore m e d eix ou
Os c o nto s
de B eed le , o bard o
, co m o sa b er se não queria que desc o brís se m os m ais a
re sp eito d o s ím bolo ?
— L á v am os n ós o utr a v ez! — H arry s e s e n tiu lig eir a m en te e x asp era d o. —
Fic am os to do o te m po te n ta n do n os c o nven cer d e q ue D um ble d ore n os d eix ou
sin ais e p is ta s s e cre to s...
— O d esilu m in ad or a cab ou s e n do m uito ú til — fa lo u R ony. — A ch o q ue
Herm io ne t e m r a zão , a ch o q ue d ev em os p ro cu ra r L oveg ood.
Harry la n ço u-lh e um olh ar mal- h um ora d o. Perc eb era co m ab so lu ta
se g ura n ça que o ap oio de R ony a H erm io ne não tin ha m uito a ver co m o
sig nif ic ad o d a r u na t r ia n gula r.
— N ão s e rá c o m o G odric ’s H ollo w — a cre sc en to u R ony. — L oveg ood e stá
do se u la d o, H arry ,
O P asq uim
te m ap oia d o você desd e o co m eço , viv e

ap re g oan do q ue t o do m undo t e m d e a ju dá-lo !
— T en ho c erte za d e q ue i s so é i m porta n te ! — i n sis tiu H erm io ne.
— M as v ocê n ão a ch a q ue s e f o sse , D um ble d ore t e ria m e d ito a lg um a c o is a
an te s d e m orre r?
— T alv ez... ta lv ez s e ja a lg um a c o is a q ue v ocê p re cis a d esc o brir s o zin ho —
re sp ondeu H erm io ne, c o m u m l e v e a r d e q uem s e a g arra a u m a p alh a.
— É — c o nco rd ou R ony, b aju la n do-a — , i s so f a z s e n tid o.
— N ão , n ão fa z — re to rq uiu H erm io ne — , m as co ntin uo ach an do q ue
dev ía m os c o nvers a r c o m o sr. L oveg ood. U m sím bolo q ue lig a D um ble d ore ,
Grin delw ald e G odric ’s H ollo w ? H arry , te n ho c erte za d e q ue a g en te p re cis a
sa b er o q ue é !
— A ch o q ue d ev ía m os v ota r — s u geriu R ony. — O s q ue s ã o a fa v or d e
pro cu ra r L oveg ood...
A m ão d ele s e e rg ueu a n te s d a d e H erm io ne. O s lá b io s d ela tr e m era m d e
fo rm a s u sp eita q uan do l e v an to u a m ão .
— P erd eu a v ota ção , H arry , l a m en to — d is se R ony, d an do-lh e p alm ad in has
nas c o sta s.
— Ó tim o — r e sp ondeu H arry , e n tr e ir rita d o e d iv ertid o. — M as d ep ois d e
verm os L oveg ood, q ue t a l t e n ta rm os e n co ntr a r m ais a lg um as H orc ru xes? A fin al,
onde m ora m o s L oveg ood? A lg um d e v ocês s a b e?
— S ei, n ão é m uito lo nge d a m in ha c asa — d is se R ony. — N ão s e i o lu gar
ex ato , m as m in ha m ãe e m eu p ai s e m pre a p onta m p ara o s m orro s q uan do f a la m
nele s. N ão d ev e s e r d if íc il d esc o brir.
Quan do H erm io ne v olto u p ara a c am a, H arry b aix ou a v oz:
— V ocê s ó c o nco rd ou p ara t e n ta r s a ir d a l is ta n eg ra d a H erm io ne.
— V ale tu do n o a m or e n a g uerra — r e sp ondeu R ony, a n im ad o — , e is to é
um p ouco d os d ois . A nim e-s e , s ã o a s f é ria s d e N ata l, L una e sta rá e m c asa !
Tiv era m u m a e x cele n te v is ta d a a ld eia d e O tte ry S t. C atc h pole d a e n co sta
ex posta a o v en to n a q ual d esa p ara ta ra m n a m an hã se g uin te . D o a lto , a a ld eia
pare cia u m a c o le ção d e c asa s d e b rin qued o, r a io s d e s o l s e a lo ngav am a té a t e rra
nos in te rv alo s d as n uven s. P ara ra m u ns m in utin hos p ara o lh ar A T oca, a s m ão s
so m bre an do o s o lh os, m as c o nse g uir a m d iv is a r a p en as a s s e b es a lta s e a s á rv ore s
do p om ar, q ue p ro te g ia m a c asin ha t o rta d os o lh are s d os t r o uxas.
— É e sq uis ito e sta r t ã o p erto , m as n ão f a zer u m a v is ita — d is se R ony.
— B em , a té p are ce q ue v ocê n ão a cab ou d e v ê-lo s. P asso u lá o N ata l —
co m en to u H erm io ne c o m f rie za.
— N ão e stiv e n ’A T oca! — p ro te sto u e le c o m u m a r is a d a d e in cre d ulid ad e.
— A ch am q ue e u ia v olta r lá e c o nta r q ue a b an donei v ocês? É , F re d e Jo rg e
te ria m f ic ad o m uito e n tu sia sm ad os. E G in a t e ria s id o r e alm en te c o m pre en siv a.

— E ntã o o nde e ste v e? — p erg unto u H erm io ne, s u rp re sa .
— N a n ova c asa d e G ui e F le u r. C halé d as C onch as. G ui s e m pre f o i c o rre to
co m ig o. E le ... e le n ão f ic o u b em im pre ssio nad o q uan do s o ube o q ue e u f iz , m as
não fic o u fa la n do. E nte n deu q ue e u e sta v a re alm en te a rre p en did o. O re sto d a
fa m ília n ão s o ube q ue e stiv e lá . G ui d is se a m am ãe q ue e le s n ão ia m p assa r o
Nata l e m c asa p orq ue q ueria m p assá -lo so zin hos. A p rim eir a fe sta d ep ois d e
casa d os, e n te n de-s e . A ch o q ue F le u r n ão se im porto u. V ocês sa b em c o m o e la
dete sta C ele stin a W arb eck . R ony d eu a s c o sta s A T oca.
— V am os te n ta r a li e m c im a — d is se e le , s u bin do à fre n te p ara o a lto d a
monta n ha.
Cam in hara m alg um as h ora s, H arry , p or in sis tê n cia d e H erm io ne, o cu lto
pela C ap a d a I n vis ib ilid ad e. O g ru po d e m orro te s p are cia d esa b ita d o e x ceto p or
um p eq uen o c h alé , e m q ue n ão s e v ia m m ora d ore s.
— A ch am q ue é o d os L oveg ood e e le s f o ra m v ia ja r n o N ata l? - p erg unto u
Herm io ne, esp ia n do pela ja n ela de um a co zin ha peq uen a e arru m ad a co m
gerâ n io s n o p ara p eito . R ony b ufo u.
— E sc u te , te n ho a im pre ssã o d e q ue v ocê s a b eria q uem s ã o o s d onos d a
casa se esp ia sse pela ja n ela dos L oveg ood. V am os te n ta r o outr o gru po de
morro s.
Ele s d esa p ara ta ra m , e n tã o , p ara a lg uns q uilô m etr o s m ais a o n orte .
— A h-a h ! — g rito u R ony, q uan do o v en to a ço ito u c ab elo s e ro upas. E le
ap onta v a p ara o to po d o m orro n o q ual tin ham a p ara ta d o, o nde h av ia u m a c asa
estr a n hís sim a q ue se erg uia v ertic alm en te co ntr a o céu d a ta rd e, u m cilin dro
neg ro c o m u m a lu a fa n ta sm ag óric a p or tr á s. — T em q ue se r a c asa d a L una,
quem m ais m ora ria e m u m l u gar d esse ? P are ce u m r o que c o lo ssa l!
— N ão e sto u o uvin do ro ck n en hum — c o m en to u H erm io ne, fra n zin do a
te sta , i n tr ig ad a.
— E sto u f a la n do d e u m r o que d e x ad re z — r e sp ondeu R ony. — P ara v ocê,
um a t o rre .
As p ern as d e R ony e ra m a s m ais c o m prid as, e e le c h eg ou a o t o po d o m orro
prim eir o . Q uan do H arry e H erm io ne o a lc an çara m , s e m f ô le g o, c o m prim in do a s
ponta d as n os m úsc u lo s d o a b dom e, e n co ntr a ra m -n o r in do d e o re lh a a o re lh a.
— É d ele s — d is se R ony. — O lh em .
Trê s le tr e ir o s p in ta d os à m ão e sta v am p re so s a u m p ortã o d esm an te la d o. O
prim eir o d iz ia “
O P asq uim . E dito r: X . L oveg ood
”, o se g undo “
Tra ga o se u
pró prio v is g o
”, e o t e rc eir o “
Não s e a pro xim e d as a m eix a s d ir ig ív eis
”.
O p ortã o r a n geu q uan do o a b rir a m . O c am in ho e m z ig uezag ue q ue l e v av a à
porta d a c asa tin ha u m e m ara n had o d e p la n ta s e str a n has, in clu siv e u m a rb usto
co berto c o m o s fru to s c o r d e la ra n ja , s e m elh an te s a o ra b an ete q ue, p or v ezes,

Luna u sa v a c o m o b rin co . H arry p en so u t e r r e co nhecid o u m A ra p uco so , e p asso u
ao la rg o do to co se co . D uas velh as m acie ir a s-b ra v as, verg ad as pelo ven to ,
desfo lh ad as, m as a in da c arre g ad as d e fru tin has v erm elh as, e d en sa s c o ro as d e
vis g o c o m b olin has b ra n cas m onta v am g uard a d os la d os d a p orta d e e n tr a d a.
Um a c o ru ja c o m a c ab eça lig eir a m en te a ch ata d a, le m bra n do u m g av iã o , e sp io u-
os d e u m g alh o.
— É m elh or v ocê tir a r a C ap a d a I n vis ib ilid ad e, H arry — d is se H erm io ne
—, é v ocê q ue o s r. L oveg ood q uer a ju dar, e n ão a n ós.
Harry a ceito u a s u gestã o e lh e e n tr e g ou a c ap a p ara g uard ar n a b ols in ha d e
co nta s. E la , e n tã o , b ate u tr ê s v ezes n a g ro ssa p orta p re ta c ra v eja d a d e p re g os d e
fe rro c o m u m a a ld ra b a e m f o rm a d e á g uia .
Não d em oro u n em d ez s e g undos, a p orta s e e sc an caro u e v ir a m X en ofílio
Loveg ood, d esc alç o , c o m u m a ro upa q ue p are cia u m c am is ã o d e d orm ir to do
man ch ad o. S eu s lo ngos c ab elo s d e a lg odão -d oce e sta v am s u jo s e m alc u id ad os.
Decid id am en te , X en ofílio e stiv era m ais e le g an te n o c asa m en to d e G ui e F le u r.
— Q uê? Q ue é is so ? Q uem s ã o v ocês? Q ue q uere m ? — in dag ou c o m u m a
voz a g uda e ra b ugen ta , o lh an do p rim eir o p ara H erm io ne, d ep ois p ara R ony e
fin alm en te p ara H arry , a o q ue s u a b oca s e a b riu e m u m p erfe ito e c ô m ic o “ o ”.
— O lá , sr. L oveg ood — d is se H arry , e ste n den do a m ão . — S ou H arry ,
Harry P otte r.
Xen ofílio n ão a p erto u a m ão d e H arry , e m bora o o lh o q ue n ão a p onta v a
vesg am en te p ara o n ariz c o rre sse d ir e to p ara a c ic atr iz n a t e sta d e H arry .
— O s e n hor n os d eix aria e n tr a r? — p erg unto u H arry . — T em u m a c o is a
que g osta ría m os d e l h e p erg unta r.
— N ão ... n ão te n ho certe za d e q ue is to se ja aco nse lh áv el — su ssu rro u
Xen ofílio . E le e n goliu e m s e co e d eu u m a rá p id a o lh ad a p elo ja rd im . — É u m
ch oque... p ala v ra ... e u ... e u r e ceio q ue n ão d ev ia r e alm en te ...
— N ão v am os d em ora r — r e sp ondeu H arry , lig eir a m en te d esa p onta d o c o m
a r e cep ção p ouco c alo ro sa .
— E u... a h , e stá b em , e n tã o . E ntr e m r á p id o.
Rápid o
!
Mal tin ham cru zad o o porta l e X en ofílio batia a porta às su as co sta s.
Esta v am n a c o zin ha m ais e sq uis ita q ue H arry j á v ir a n a v id a.
O c ô m odo e ra p erfe ita m en te c ir c u la r, d an do a im pre ssã o d e q ue s e e sta v a
den tr o de um gig an te sc o pim en te ir o . T udo era cu rv o para se en caix ar nas
pare d es: o fo gão , a p ia e o s arm ário s, e tu do tin ha sid o p in ta d o co m flo re s,
in se to s e p ássa ro s e m fo rte s c o re s p rim ária s. H arry p en so u te r re co nhecid o o
estilo d e L una: o e fe ito e m e sp aço t ã o p eq uen o e ra l ig eir a m en te a v assa la d or.
No m eio d o p is o , u m a esc ad a d e fe rro em cara co l le v av a ao s an dare s
su perio re s. O uvia m -s e m uita s batid as e atr ito s vin dos de cim a: H arry fic o u

im ag in an do o q ue L una p oderia e sta r f a zen do.
— É m elh or su bir e m — dis se X en ofílio , ain da m uito co nstr a n gid o,
mostr a n do o c am in ho. O c ô m odo s u perio r p are cia u m a c o m bin ação d e s a la d e
esta r e o fic in a e , c o m o t a l, e ra m ais a tr a v an cad o d o q ue a c o zin ha. E m bora m uito
men or e in te ir a m en te cir c u la r, a sa la le m bra v a u m p ouco a S ala P re cis a n a
ocasiã o in esq uecív el em que se tr a n sfo rm ara em um gig an te sc o la b ir in to
fo rm ad o p or s é cu lo s d e o bje to s e sc o ndid os. H av ia p ilh as e m ais p ilh as d e liv ro s
e p ap éis so bre to das a s su perfíc ie s. M odelo s d elic ad os d e c ria tu ra s q ue H arry
não r e co nheceu p en dia m d o te to , to das b ate n do a s a sa s e a b rin do e f e ch an do o s
max ila re s.
Luna n ão e sta v a a li: a o rig em d o e sta rd alh aço e ra u m o bje to d e m ad eir a
co m r o das d en ta d as q ue g ir a v am m ag ic am en te . P are cia u m a c ria b iz arra d e u m a
ban cad a d e o fic in a c o m u m a v elh a e sta n te , m as, p assa d o u m in sta n te , H arry
ded uziu q ue d ev ia se r u m a a n tiq uad a p re n sa tip ográ fic a, u m a v ez q ue e sta v a
pro duzin do e x em pla re s d ’O P asq uim .
— C om lic en ça — d is se X en ofílio e , d ir ig in do-s e à m áq uin a, p uxou u m a
to alh a d e m esa s u ja d eb aix o d e u m a im en sa q uan tid ad e d e liv ro s e p ap éis q ue
ro la ra m n o ch ão e atir o u-a so bre a p re n sa , ab afa n do u m p ouco as b atid as e
atr ito s. V ir o u-s e , e n tã o , p ara H arry .
“P or q ue v eio a q ui? ”
Ante s q ue H arry p udesse re sp onder, p oré m , H erm io ne d eix ou e sc ap ar u m
gritin ho a ssu sta d o.
— S r. L oveg ood... q ue é a q uilo ?
Ela e sta v a a p onta n do p ara u m e n orm e c h if re e sp ir a l e c in zen to , n ão m uito
dif e re n te d o c h if re d e u m u nic ó rn io , q ue f o ra m onta d o n a p are d e e s e p ro je ta v a
mais d e u m m etr o s a la a d en tr o .
— É o c h if re d e u m B ufa d or d e C hif re E nru gad o.
— N ão , n ão é ! — c o nte sto u H erm io ne.
— H erm io ne — m urm uro u H arry , co nstr a n gid o — , ag ora não é o
mom en to ...
— M as, H arry , é u m c h if re d e e ru m pen te ! É m ate ria l c o m erc iá v el c la sse B ,
e é u m o bje to e x tr a o rd in aria m en te p erig oso p ara s e t e r e m c asa !
— C om o sa b e que é um ch if re de eru m pen te ? — perg unto u R ony
afa sta n do-s e d o c h if re o m ais r á p id o q ue p ôde, d ad o o e x tr e m o a tr a v an cam en to
da s a la .
— T em u m a d esc riç ão d ele e m
Anim ais fa ntá stic o s & o nde h abita m
! S r.
Loveg ood, o s e n hor p re cis a s e l iv ra r d is so i m ed ia ta m en te , o s e n hor n ão s a b e q ue
pode e x plo dir a o m en or t o que?
— O B ufa d or d e C hif re E nru gad o — re tr u co u X en ofílio c la ra m en te , c o m

um a e x pre ssã o d e te im osia n o r o sto — é u m a n im al tím id o e e x cep cio nalm en te
mág ic o , e s e u c h if re ...
— S r. L oveg ood, e sto u re co nhecen do o s su lc o s e m to rn o d a b ase , é u m
ch if re de eru m pen te e é in criv elm en te perig oso ; não se i onde o se n hor o
co nse g uiu ...
— C om pre i- o — d is se X en ofílio , d ogm átic o — h á d uas s e m an as, d e u m
jo vem b ru xo e n can ta d or q ue so ube d o m eu in te re sse p elo ra ro B ufa d or. U m a
su rp re sa d e N ata l p ara a m in ha L una. E ntã o -p erg unto u, v ir a n do-s e p ara H arry
—, p or q ue e x ata m en te o s e n hor v eio a q ui, s r. P otte r?
— P re cis a m os d e a ju da — re sp ondeu H arry , a n te s q ue H erm io ne p udesse
re co m eçar.
— A h — d is se X en ofílio . — A ju da. H um . — S eu o lh o p erfe ito g ir o u m ais
um a vez para a cic atr iz de H arry . O bru xo pare ceu , ao m esm o te m po,
ate rro riz ad o e h ip notiz ad o. — S ei. O p ro ble m a é ... a ju dar H arry P otte r... m uito
perig oso ...
— N ão é o s e n hor q ue v iv e d iz en do a t o dos q ue s e u p rim eir o d ev er é a ju dar
Harry ? — p erg unto u R ony. — N aq uela s u a r e v is ta ?
Xen ofílio o lh ou p ara tr á s o nde s e a ch av a a p re n sa c o berta , a in da b ate n do e
pro duzin do a tr ito s s o b a t o alh a.
— Ã h... s im , e x pre sse i e sse p onto d e v is ta . E ntr e ta n to ...
— ... e sta v a s e r e fe rin do a o s d em ais e n ão à s u a p esso a? — c o m en to u R ony.
Xen ofílio n ão re sp ondeu . N ão p ara v a d e e n golir e m se co , se u o lh ar ia e
vin ha e n tr e o s m en in os. H arry te v e a im pre ssã o d e q ue e le e sta v a s e d eb ate n do
em u m d olo ro so c o nflito i n te rio r.
— O nde e stá L una? — p erg unto u H erm io ne. — V eja m os o q ue e la a ch a.
Xen ofílio e n goliu ru id osa m en te . P are cia e sta r to m an do c o ra g em . P or fim ,
dis se c o m u m a v oz q uase i n au dív el p or c au sa d o b aru lh o d a p re n sa .
— L una e stá lá e m baix o n o rio , p esc an do d ilá te x d e á g ua d oce. E la ... e la
gosta rá d e v er v ocês. V ou c h am á-la e e n tã o ... s im , m uito b em . V ou te n ta r a ju dá-
lo s.
O b ru xo d esa p are ceu p ela esc ad a em cara co l e ele s o uvir a m a p orta d a
fre n te a b rir e f e ch ar. E ntr e o lh ara m -s e .
— M uquir a n a c o vard e — d is se R ony. — L una te m d ez v ezes m ais p eito
que e le .
— E le p ro vav elm en te e stá p re o cu pad o c o m o q ue p ode a co nte cer se o s
Com en sa is d a M orte d esc o brir e m q ue e stiv e a q ui — l e m bro u H arry .
— C onco rd o co m o R ony — dis se H erm io ne. — U m velh o hip ócrita
noje n to , d iz en do a to do o m undo p ara a ju dar v ocê e te n ta n do fu gir d a ra ia . E ,
pelo a m or d e D eu s, f iq uem l o nge d esse c h if re .

Harry f o i a té a ja n ela d o la d o o posto d a s a la . V iu o r io , u m a f ita e str e ita e
lu m in osa lá e m baix o n o so pé d o m orro . E sta v am m uito a lto ; u m a a v e p asso u
ad eja n do p ela ja n ela , q uan do e le o lh av a n a d ir e ção d ’A T oca, a g ora in vis ív el
atr á s d e o utr a s e le v açõ es. G in a s e a ch av a a li e m a lg um l u gar. H oje e sta v am m ais
pró xim os u m d o o utr o d o q ue tin ham e sta d o d esd e o c asa m en to d e G ui e F le u r,
mas e la n ão p oderia fa zer id éia d e q ue e sta v a o lh an do p ara e la , p en sa n do n ela .
Supunha q ue d ev esse s e a le g ra r c o m is so ; q ualq uer u m c o m q uem e n tr a sse e m
co nta to c o rria p erig o, e a a titu de d e X en ofílio c o nfir m av a i s so .
Harry deu as co sta s à ja n ela e se u olh ar re caiu so bre outr o obje to
ex tr a v ag an te , e m c im a d e u m a p ara d or c u rv o e e n tu lh ad o: u m b usto d e p ed ra d e
um a b ru xa b onita , m as a u ste ra , c o m u m to ucad o d e a sp ecto b iz arro . D os la d os
do b usto , s u bia m e m c u rv a o bje to s q ue p are cia m tr o m pas d e o uro p ara s u rd os.
Hav ia u m p ar d e c in tila n te s a sa s a zu is n a tir a d e c o uro q ue p assa v a p elo a lto d a
cab eça, e u m d aq uele s r a b an ete s c o r d e l a ra n ja e m u m a s e g unda t ir a e m t o rn o d a
te sta .
— O lh em i s so a q ui — f a lo u H arry .
— E ncan ta d or — co m en to u R ony. — F ic o su rp re so q ue ele n ão te n ha
usa d o i s so n o c asa m en to .
Ouvir a m , en tã o , a porta da en tr a d a fe ch ar e in sta n te s dep ois X en ofílio
to rn av a a s u bir a e sc ad a c ir c u la r p ara a s a la , s u as p ern as f in as a g ora m etid as e m
bota s d e p esc aria , tr a zen do n a m ão u m a b an deja co m x íc ara s se m p ar e u m
fu m eg an te b ule d e c h á.
— A h, você desc o briu a m in ha in ven ção pre fe rid a — ex cla m ou ele ,
em purra n do a b an deja p ara o s b ra ço s d e H erm io ne e s e j u nta n do a H arry , a o l a d o
da está tu a. — M odela d o, m uito co ndiz en te co m a bela cab eça de R ow en a
Rav en cla w .
O e sp ír ito s e m l im ite s é o m aio r t e so uro d o h om em !
Xen ofílio i n dic o u o s o bje to s q ue p are cia m t r o m pas.
— E sse s s ã o s if õ es z o nzó bulo s p ara a fa sta r to das a s f o nte s d e d is tr a ção n a
áre a e m to rn o d o p en sa d or. A qui — e le a p onto u p ara a s a sin has — , u m a h élic e
de g ir a -g ir a p ara in duzir a e le v ação d a m en te . E p or fim — e le a p onto u p ara o
ra b an ete c o r d e la ra n ja — a a m eix a d ir ig ív el, p ara in te n sif ic ar a c ap acid ad e d e
aceita r o e x tr a o rd in ário .
Xen ofílio v olto u à b an deja d e ch á, q ue H erm io ne co nse g uir a eq uilib ra r
pre caria m en te e m u m a d as m esin has c h eia s d e o bje to s.
— A ceita m um a in fu sã o de ra iz -d e-c u ia ? — ofe re ceu X en ofílio . -N ós
mesm os a c u ltiv am os. — Q uan do c o m eço u a s e rv ir a b eb id a, q ue e ra c arm im
co m o s u co d e b ete rra b a, a cre sc en to u: — L una e stá d o o utr o l a d o d a P onte B aix a,
fic o u m uito a n im ad a c o m a p re se n ça d e v ocês. N ão d ev e d em ora r, já p esc o u
dilá te x s u fic ie n te s p ara p re p ara r u m a s o pa p ara t o dos n ós. P or f a v or, s e n te m -s e e

se s ir v am d e a çú car.
“E ntã o ”, e le t ir o u u m a p ilh a m al e q uilib ra d a d e p ap éis d e u m a p oltr o na e s e
se n to u, c ru zo u a s p ern as c o m a s b ota s d e p esc aria , “ co m o p osso a ju dá-lo , sr.
Potte r? ”
— Bem — co m eço u Harry , olh an do para Herm io ne, que acen ou
en co ra ja n do-o — , é a q uele s ím bolo q ue o s e n hor e sta v a u sa n do n o p esc o ço n o
casa m en to d e G ui e F le u r, s r. L oveg ood. Q uería m os s a b er o q ue s ig nif ic a.
Xen ofílio e rg ueu a s s o bra n celh as.
— V ocê e stá s e r e fe rin do a o s ím bolo d as R elíq uia s d a M orte ?

2 1
O c o n to d os t r ês i r m ãos
Harry olh ou para R ony e H erm io ne. O s dois ta m pouco pare cia m te r
e n te n did o o q ue X en ofílio d is se ra .
— A s R elíq uia s d a M orte ?
— Is so m esm o — re sp ondeu o b ru xo. — N unca o uvir a m fa la r? N ão é
s u rp re sa . P ouquís sim os b ru xos a cre d ita m n ela s. V eja a q uele ra p az c ab eçu do n o
c asa m en to d o s e u i r m ão — d is se e le , i n dic an do R ony — , q ue m e a ta co u p or u sa r
o s ím bolo d e u m c o nhecid o b ru xo d as T re v as! Q uan ta ig norâ n cia ! N ão h á n ad a
l ig ad o à s T re v as n as R elíq uia s, p elo m en os n ão e m u m s e n tid o ru dim en ta r. A
p esso a u sa o s ím bolo p ara s e d ar a c o nhecer a o utr o s c re n te s, n a e sp era n ça d e
q ue p ossa m a ju dá-lo n a b usc a.
Ele p ôs v ário s to rrõ es d e a çú car n a in fu sã o d e ra iz -d e-c u ia e to m ou u m
g ole .
— D esc u lp e — d is se H arry . — C ontin uo s e m e n te n der.
Por e d ucação , to m ou u m g olin ho d e s u a x íc ara e q uase e n gasg ou: a b eb id a
e ra n oje n ta , c o m o s e a lg uém tiv esse liq uefe ito f e ijõ ezin hos d e to dos o s s a b ore s
c o m s a b or d e b ic h o-p ap ão .
— B em , co m o vêem , os cre n te s pro cu ra m as R elíq uia s da M orte —
e x plic o u X en ofílio , esta la n do o s lá b io s, v is iv elm en te ap ro van do a in fu sã o d e
r a iz -d e-c u ia .
— M as q ue
sã o
a s R elíq uia s d a M orte ? — p erg unto u H erm io ne. X en ofílio
p ôs d e l a d o a x íc ara v azia .
— S uponho q ue e ste ja m f a m ilia riz ad os c o m “ O c o nto d os t r ê s i r m ão s” ?
Harry re sp ondeu q ue n ão , m as ta n to R ony q uan to H erm io ne re sp ondera m
a fir m ativ am en te . X en ofílio a sse n tiu , s é rio .
— O ra , m uito b em , s r. P otte r, t u do c o m eça c o m “ O c o nto d os t r ê s i r m ão s” ...
t e n ho u m e x em pla r a q ui e m a lg um l u gar...
Ele c o rre u o s o lh os p ela sa la , p ro cu ra n do-o n as p ilh as d e p erg am in hos e
l iv ro s, m as H erm io ne i n te rro m peu -o :
— T en ho o c o nto , s r. L oveg ood, tr o uxe-o c o m ig o. — E e la tir o u
Os c o nto s
d e B eed le , o b ard o
d a b ols in ha d e c o nta s.
— O orig in al? — perg unto u X en ofílio viv am en te , e, quan do a garo ta
c o nfir m ou, e le d is se : — E ntã o p or q ue n ão o l ê e m v oz a lta ? E o m elh or m eio d e
a sse g ura r q ue t o dos e n te n dem os.

— A h... e stá b em — d is se H erm io ne, n erv osa . A briu o liv ro e H arry v iu
que o sím bolo q ue esta v am p esq uis a n do en cim av a a p ág in a; ela p ig arre o u e
co m eço u a l e r:
— E ra um a vez tr ê s ir m ão s que esta v am via ja n do por um a
estr a d a d ese rta e t o rtu osa a o a n oite cer...
— À m eia -n oite f o i c o m o n ossa m ãe c o nto u — d is se R ony, q ue e stic ara o s
bra ço s p ara tr á s d a c ab eça, p ara o uvir. H arry la n ço u-lh e u m o lh ar a b orre cid o. —
Desc u lp e, a ch o q ue d á m ais m ed o s e f o r m eia -n oite ! — R ony r e p lic o u.
— É , e sta m os r e alm en te p re cis a n do d e u m p ouco m ais d e m ed o e m n ossa s
vid as — dis se H arry , se m co nse g uir se co nte r. X en ofílio não pare cia esta r
pre sta n do m uita a te n ção e o lh av a o c éu p ela j a n ela . — C ontin ue, H erm io ne.
— D ep ois d e a lg um te m po, o s ir m ão s c h eg ara m a u m r io f u ndo
dem ais p ara v ad ear e p erig oso d em ais p ara atr a v essa r a n ad o. O s
ir m ão s, poré m , era m vers a d os em mag ia , en tã o sim ple sm en te
ag ita ra m as m ão s e fiz era m ap are cer um a ponte so bre as ág uas
tr a iç o eir a s. Já esta v am na m eta d e da tr a v essia quan do vir a m o
cam in ho b lo quead o p or u m v ulto e n cap uzad o.
“E a M orte f a lo u...”
— D esc u lp e — i n te rro m peu -a H arry — , m as “ a M orte f a lo u”?
— E u m c o nto d e f a d as, H arry !
— C erto , d esc u lp e. C ontin ue.
— E a M orte fa lo u. E sta v a z an gad a p or te re m lh e ro ubad o tr ê s
vítim as, p orq ue o n orm al e ra o s v ia ja n te s s e a fo gare m n o rio . M as a
Morte f o i a stu ta . F in giu c u m prim en ta r o s tr ê s ir m ão s p or s u a m ag ia , e
dis se que cad a um gan hara um prê m io por te r sid o in te lig en te o
basta n te p ara l h e e sc ap ar.
“E ntã o , o ir m ão m ais velh o, que era um hom em co m bativ o,
ped iu a v arin ha m ais p odero sa q ue e x is tis se : u m a v arin ha q ue s e m pre
ven cesse o s d uelo s p ara s e u d ono, u m a v arin ha d ig na d e u m b ru xo q ue
derro ta ra a M orte ! E la a tr a v esso u a p onte e se d ir ig iu a u m v etu sto
sa b ugueir o n a m arg em d o rio , fa b ric o u u m a v arin ha d e u m g alh o d a
árv ore e e n tr e g ou-a a o i r m ão m ais v elh o.
“E ntã o , o s e g undo ir m ão , q ue e ra u m h om em a rro gan te , r e so lv eu
hum ilh ar a in da m ais a M orte e p ed iu o p oder d e re stitu ir a v id a a o s

que e la le v ara . E ntã o a M orte a p an hou u m a p ed ra d a m arg em d o r io e
en tr e g ou-a a o s e g undo ir m ão , d iz en do-lh e q ue a p ed ra tin ha o p oder
de r e ssu sc ita r o s m orto s.
“E ntã o , a M orte p erg unto u a o te rc eir o e m ais m oço d os ir m ão s o
que q ueria . O m ais m oço e ra o m ais h um ild e e ta m bém o m ais s á b io
dos ir m ão s, e não co nfio u na M orte . P ed iu , en tã o , alg o que lh e
perm itis se s a ir d aq uele lu gar s e m s e r s e g uid o p or e la . E a M orte , d e
má v onta d e, l h e e n tr e g ou a p ró pria C ap a d a I n vis ib ilid ad e.”
— A M orte t e m u m a C ap a d a I n vis ib ilid ad e? — H arry t o rn ou a i n te rro m pê-
la .
— P ara p oder s e a p ro xim ar s o rra te ir a m en te d as p esso as — d is se R ony. —
As v ezes e la se c an sa d e a ta cá-la s a g ita n do o s b ra ço s e g rita n do... d esc u lp e,
Herm io ne.
— E ntã o , a M orte se afa sto u p ara u m la d o e d eix ou o s tr ê s
ir m ão s co ntin uare m v ia g em e fo i o q ue ele s fiz era m , co m en ta n do,
asso m bra d os, a a v en tu ra q ue tin ham v iv id o e a d m ir a n do o s p re se n te s
da M orte .
“N o d ev id o te m po, o s ir m ão s s e s e p ara ra m , c ad a u m to m ou u m
destin o d if e re n te .
“O p rim eir o ir m ão v ia jo u u m a se m an a o u m ais e , a o c h eg ar a
um a a ld eia d is ta n te , p ro cu ro u u m c o le g a b ru xo c o m q uem tiv era u m a
brig a. A rm ad o c o m a v arin ha d e s a b ugueir o , a V arin ha d as V arin has,
ele n ão p oderia d eix ar d e v en cer o d uelo q ue s e s e g uiu . D eix an do o
in im ig o m orto no ch ão , o ir m ão m ais velh o dir ig iu -s e a um a
esta la g em , o nde se g ab ou, e m a lta s v ozes, d a p odero sa v arin ha q ue
arre b ata ra d a p ró pria M orte , e d e q ue a a rm a o t o rn av a i n ven cív el.
“N a m esm a n oite , o utr o b ru xo a p ro xim ou-s e s o rra te ir a m en te d o
ir m ão m ais v elh o en quan to d orm ia em su a cam a, em bria g ad o p elo
vin ho. O la d rã o le v ou a v arin ha e , p ara s e g ara n tir , c o rto u a g arg an ta
do i r m ão m ais v elh o.
“A ssim , a M orte l e v ou o p rim eir o i r m ão .
“E ntr e m en te s, o s e g undo ir m ão v ia jo u p ara a p ró pria c asa , o nde
viv ia s o zin ho. A li, to m ou a p ed ra q ue tin ha o p oder d e r e ssu sc ita r o s
morto s e v ir o u-a tr ê s v ezes n a m ão . P ara su a su rp re sa e a le g ria , a
fig ura d e u m a m oça q ue tiv era e sp era n ça d e d esp osa r a n te s d e su a
morte p re co ce s u rg iu i n sta n ta n eam en te d ia n te d ele .
“C ontu do, e la e sta v a t r is te e f ria , c o m o q ue s e p ara d a d ele p or u m

véu . E m bora tiv esse re to rn ad o a o m undo d os m orta is , s e u lu gar n ão
era a li, e e la s o fria . D ia n te d is so , o s e g undo ir m ão , e n lo uquecid o p elo
dese sp era d o d ese jo , m ato u-s e p ara p oder v erd ad eir a m en te se u nir a
ela .
“E ntã o , a M orte l e v ou o s e g undo i r m ão .
“E m bora a M orte p ro cu ra sse o te rc eir o ir m ão d ura n te m uito s
an os, ja m ais co nse g uiu en co ntr á -lo . S om en te quan do atin giu um a
id ad e av an çad a fo i que o ir m ão m ais m oço desp iu a C ap a da
In vis ib ilid ad e e d eu -a d e p re se n te a o filh o. A co lh eu , e n tã o , a M orte
co m o u m a v elh a am ig a e aco m pan hou-a d e b om g ra d o, e, ig uais ,
partir a m d esta v id a.”
Herm io ne fe ch ou o liv ro . P asso u-s e u m m om en to a té X en ofílio p erc eb er
que a g aro ta t e rm in ara a l e itu ra , e n tã o d esv io u o o lh ar d a j a n ela e d is se :
— E is a e x plic ação .
— D esc u lp e? — d is se H erm io ne, p are cen do c o nfu sa .
— E ssa s s ã o a s R elíq uia s d a M orte — c o nfir m ou X en ofílio .
Ele ap an hou um a pen a na m esa atu lh ad a de obje to s, ao la d o do se u
co to velo , e p uxou u m p ed aço r a sg ad o d e p erg am in ho e n tr e m ais l iv ro s.
— A V arin ha d as V arin has — d is se e le , d ese n han do u m a lin ha v ertic al n o
perg am in ho. — A P ed ra d a R essu rre iç ão . — E a cre sc en to u u m c ír c u lo n o a lto d a
lin ha. — A C ap a d a In vis ib ilid ad e — te rm in ou, c ir c u nsc re v en do a lin ha e o
cír c u lo e m u m tr iâ n gulo , c o m ple ta n do o s ím bolo q ue ta n to in tr ig ara H erm io ne.
— J u nta s — d is se e le — , a s R elíq uia s d a M orte .
— M as n ão h á m en ção d as p ala v ra s “ R elíq uia s d a M orte ” n a h is tó ria —
dis se H erm io ne.
— Bem , é cla ro que não — re sp ondeu Xen ofílio , ir rita n te m en te
pre su nço so . — I s so é u m a h is tó ria p ara c ria n ças, c o nta d a p ara d iv ertir e n ão p ara
in str u ir. A quele s d e n ós v ers a d os n essa s q uestõ es, p oré m , re co nhecem q ue a
his tó ria a n tig a s e re fe re a tr ê s o bje to s, o u R elíq uia s, q ue, s e u nid as, to rn arã o o
se u d ono s e n hor d a M orte .
Fez-s e u m b re v e silê n cio e m q ue X en ofílio o lh ou p ara fo ra . O so l já ia
baix o n o c éu .
— L ogo L una t e rá d ilá te x s u fic ie n te s — d is se e le , b aix in ho.
— Q uan do o s e n hor d iz “ se n hor d a M orte ”... — c o m eço u R ony.
— S en hor — e x plic o u e le , a cen an do le v em en te c o m a m ão . - C onquis ta d or.
Ven ced or. O t e rm o q ue v ocê p re fe rir.
— M as e n tã o ... o s e n hor q uer d iz er... — to rn ou H erm io ne, le n ta m en te , e
Harry p erc eb eu q ue e sta v a te n ta n do e lim in ar q ualq uer v estíg io d e c etic is m o d e

su a v oz — q ue o s e n hor a cre d ita q ue e sse s o bje to s, e ssa s R elíq uia s, re alm en te
ex is te m ?
Xen ofílio e rg ueu a s s o bra n celh as.
— C la ro q ue s im .
— M as — r e p lic o u H erm io ne, e H arry p ôde o uvir a s u a p ru dên cia c o m eçar
a r u ir — , s r. L oveg ood, c o m o é p ossív el o s e n hor a cre d ita r...?
— L una m e c o nto u tu do s o bre v ocê, m in ha jo vem — d is se X en ofílio — ,
você é, pelo que en te n di, in te lig en te , m as pen osa m en te lim ita d a. A m en te
estr e ita . F ech ad a.
— T alv ez v ocê d ev esse e x perim en ta r o c h ap éu , H erm io ne — s u geriu R ony,
in dic an do c o m a c ab eça o to ucad o r id íc u lo . S ua v oz tr e m ia c o m o e sfo rç o p ara
não r ir.
— S r. L oveg ood — r e co m eço u H erm io ne. — T odos s a b em os q ue C ap as d a
In vis ib ilid ad e e x is te m . S ão r a ra s, m as e x is te m . M as...
— A h, m as a te rc eir a R elíq uia é a
verd adeir a
C ap a d a I n vis ib ilid ad e, s rta .
Gra n ger! E sto u q uere n do d iz er q ue n ão é u m a c ap a d e v ia g em im pre g nad a c o m
um F eitiç o d a D esilu sã o , o u d ota d a c o m u m a A zara ção d e O fu sc am en to , o u,
ain da, te cid a c o m p êlo d e se m in vis o , q ue, d e in íc io , o cu lta rã o a p esso a, m as,
co m o te m po, s e d is sip arã o a té a c ap a s e to rn ar o paca. E sta m os f a la n do d e u m a
cap a q ue r e al e v erd ad eir a m en te t o rn a o s e u u su ário i n vis ív el, e d ura p ara t o do o
se m pre , o cu lta n do-o d e fo rm a co nsta n te e im pen etr á v el, se ja q uais fo re m o s
fe itiç o s q ue s e la n cem s o bre e la . Q uan ta s c ap as a ssim já v iu e m s u a v id a, s rta .
Gra n ger?
Herm io ne a b riu a b oca p ara r e sp onder e to rn ou a f e ch á-la , p are cen do m ais
co nfu sa q ue n unca. E la , H arry e R ony s e e n tr e o lh ara m , e H arry p erc eb eu q ue
esta v am to dos p en sa n do a m esm a c o is a . A co nte ce q ue u m a c ap a e x ata m en te
co m o a q ue X en ofílio a cab ara d e d esc re v er e sta v a c o m e le s a li n a s a la , n aq uele
ex ato m om en to .
— P re cis a m en te — c o nclu iu X en ofílio , c o m o s e o s t iv esse v en cid o e m u m a
dis c u ssã o r a cio nal. — N en hum d e v ocês ja m ais v iu c o is a ig ual. S eu d ono s e ria
desm esu ra d am en te r ic o , n ão é m esm o?
Ele to rn ou a o lh ar p ara a ja n ela . O c éu a g ora s e tin gia c o m le v ís sim os to ns
de r o sa .
— C erto — dis se H erm io ne desc o ncerta d a. — D ig am os que a cap a
ex is tis se ... e a p ed ra , sr. L oveg ood? E ssa q ue o se n hor ch am a d e P ed ra d a
Ressu rre iç ão ?
— Q ue t e m e la ?
— B em , c o m o p ode s e r r e al?
— P ro ve q ue n ão é . H erm io ne m ostr o u-s e i n dig nad a.

— M as is so ... m e desc u lp e, m as é co m ple ta m en te rid íc u lo ! C om o é
possív el e u p ro var q ue n ão e x is te ? O se n hor e sp era q ue e u re co lh a... re co lh a
to das as p ed ra s d o m undo e fa ça u m te ste co m ela s? Q uero d iz er, a p esso a
poderia a fir m ar q ue q ualq uer c o is a é r e al s e a ú nic a b ase p ara s e c re r n ela f o sse
nin guém t e r
pro va do
a s u a i n ex is tê n cia !
— S im , p oderia — d is se X en ofílio . — F ic o sa tis fe ito d e v er q ue a su a
men te e stá u m p ouquin ho m ais r e cep tiv a.
— E ntã o , a V arin ha d as V arin has — p erg unto u H arry d ep re ssa , a n te s q ue
Herm io ne p udesse o bje ta r — , o s e n hor a ch a q ue t a m bém e x is te ?
— A h, b em , n este c aso h á in um erá v eis v estíg io s. A V arin ha d as V arin has é
a R elíq uia m ais fa cilm en te e n co ntr á v el, p elo m odo c o m q ue p assa d e m ão e m
mão .
— E q ual é ? — p erg unto u H arry .
— O d ono d a v arin ha d ev e c ap tu rá -la d o d ono a n te rio r, s e q uis e r s e r o s e u
verd ad eir o se n hor. C erta m en te , v ocê já o uviu fa la r d e c o m o a v arin ha p asso u
para E gberto , o E gré g io , d ep ois q ue m ato u E m eric o , o M al, n ão ? C om o G odelo t
morre u e m s u a p ró pria a d eg a d e v in hos d ep ois q ue o f ilh o, H ere w ard , l h e t o m ou
a v arin ha? D o t e rrív el L oxia s, q ue s e a p osso u d a v arin ha d e B arn ab ás D ev erill, a
quem m ato u? O r a str o s a n gre n to d a V arin ha d as V arin has m an ch a a s p ág in as d a
his tó ria d a m ag ia .
Harry o lh ou p ara H erm io ne. E la fra n zia a te sta p ara X en ofílio , m as n ão o
co ntr a d is se .
— E ntã o , o nde o s e n hor a ch a q ue e ssa v arin ha e stá a g ora ? — p erg unto u
Rony.
— A i d e m im , q uem s a b e? — re sp ondeu X en ofílio , e sp ia n do p ela ja n ela .
— Q uem s a b e o nde s e e sc o nde a V arin ha d as V arin has? O r a str o s e e sfria c o m
Arc o e L ív io . Q uem s a b e d iz er q ual d os d ois re alm en te d erro to u L oxia s e q ual
le v ou a v arin ha? E q uem sa b e d iz er q uem p ode tê -lo s d erro ta d o? A h is tó ria
in fe liz m en te n ão n os d iz .
Houve u m a p au sa . F in alm en te , H erm io ne p erg unto u m uito f o rm alm en te :
— S r. L oveg ood, a fa m ília P ev ere ll te m a lg um a lig ação c o m a s R elíq uia s
da M orte ?
Xen ofílio p are ceu s u rp re so , e a lg um a c o is a s e a g ito u n a m em ória d e H arry ,
mas e le n ão c o nse g uiu l o caliz á-la . P ev ere ll... o uvir a a q uele n om e a n te s...
— M as v ocê e ste v e m e ilu din do, m in ha jo vem ! — e x cla m ou X en ofílio ,
ag ora se em pertig an do n a cad eir a e arre g ala n do o s o lh os p ara H erm io ne. —
Pen se i que você fo sse um a novata na busc a das R elíq uia s! M uito s de nós
acre d ita m q ue o s P ev ere ll t ê m t u do,
tu do
!, a v er c o m a s R elíq uia s!
— Q uem s ã o o s P ev ere ll? — p erg unto u R ony.

— E sse era o n om e n o tú m ulo co m a m arc a, em G odric ’s H ollo w —
re sp ondeu H erm io ne, a in da o bse rv an do X en ofílio . — I g noto P ev ere ll.
— E xata m en te ! — ex cla m ou X en ofílio erg uen do ped an te m en te o ded o
in dic ad or. — O sím bolo d as R elíq uia s d a M orte n o tú m ulo d e Ig noto é u m a
pro va c o nclu siv a.
— D e q uê? — p erg unto u R ony.
— O ra , d e q ue o s tr ê s ir m ão s d a h is tó ria e ra m , n a r e alid ad e, o s tr ê s ir m ão s
Pev ere ll, A ntío co , C ad m o e Ig noto ! D e q ue e le s fo ra m o s p rim eir o s d onos d as
Relíq uia s!
Com o utr a e sp ia d a p ara a ja n ela , e le s e le v an to u, a p an hou a b an deja e s e
dir ig iu à e sc ad a e m c ara co l.
— V ocês fic arã o p ara ja n ta r? — p erg unto u, a o d esa p are cer m ais u m a v ez
no a n dar d e b aix o. — T odo o m undo s e m pre p ed e a n ossa re ceita d e s o pa d e
dilá te x d e á g ua d oce.
— P ro vav elm en te p ara le v ar à e n fe rm aria d e V en en os n o S t. M ungus —
dis se R ony, b aix in ho.
Harry e sp ero u a té o uvir e m X en ofílio s e m ovim en ta n do n a c o zin ha e m baix o
an te s d e f a la r.
— Q ue a ch a? — p erg unto u a H erm io ne.
— A h, H arry — d is se , p re o cu pad a — , is so é u m m onte d e b este ir a s. N ão
pode s e r r e alm en te o s ig nif ic ad o d o s ím bolo . D ev e s e r a v ers ã o e x cên tr ic a d ele .
Que p erd a d e t e m po.
— S uponho q ue e sse s e ja o h om em q ue d esc o briu o s B ufa d ore s d e C hif re
Enru gad o — c o m en to u R ony.
— V ocê t a m bém n ão a cre d ita n ele ? — p erg unto u H arry a o a m ig o.
— B ah , e ssa h is tó ria é u m a d essa s c o is a s q ue se c o nta à s c ria n ças p ara
en sin ar l iç õ es d e v id a, n ão é ? N ão s a ia p ro cu ra n do e n cre n ca, n ão c o m pre b rig as,
não m ex a c o m c o is a s q ue é m elh or d eix ar e m p az! M an te n ha a c ab eça a b aix ad a,
cu id e d e s u a v id a e v ocê v iv erá b em . P en sa n do b em — a cre sc en to u R ony — ,
ta lv ez e ssa h is tó ria s e ja p ara e x plic ar p or q ue v arin has d e s a b ugueir o d ão a zar.
— D o q ue v ocê e stá f a la n do?
— É u m a d essa s s u pers tiç õ es, n ão ? “ B ru xa n asc id a e m m aio c o m t r o uxa i r á
casa r.” “ F eitiç o a o a n oite cer d esfa z a o a m an hecer.” “ V arin ha d e s a b ugueir o , a zar
o a n o i n te ir o .” V ocê j á d ev e t e r o uvid o. M in ha m ãe s a b e u m a p orç ão .
— H arry e eu fo m os cria d os p or tr o uxas — le m bro u-lh e H erm io ne — ,
ap re n dem os o utr a s su pers tiç õ es. — E la d eu u m p ro fu ndo su sp ir o ao m esm o
te m po e m q ue u m a ro m a p en etr a n te s u bia d a c o zin ha. A ú nic a c o is a b oa e m s u a
ex asp era ção c o m X en ofílio f o i q ue a f iz era e sq uecer q ue e sta v a a b orre cid a c o m
Rony. — A ch o q ue v ocê te m ra zão — d is se -lh e. — É só u m c o nto m ora l, é

óbvio q ual é o m elh or p re se n te , q ual a p esso a e sc o lh eria ...
Os tr ê s fa la ra m ao m esm o te m po; H erm io ne dis se “a cap a”, R ony, “a
varin ha”, e H arry , “ a p ed ra ”.
Ele s s e e n tr e o lh ara m c o m u m a r d e s u rp re sa e d iv ertim en to .

Eu s a bia
q ue v ocê i a d iz er c ap a — d is se R ony a H erm io ne — , m as v ocê
não p re cis a ria se r in vis ív el, se tiv esse a v arin ha. U m a
va rin ha in ven cív el
, ah ,
Herm io ne, q ual é !
— J á t e m os u m a C ap a d a I n vis ib ilid ad e — d is se H arry .
— E te m nos aju dad o um bocad o, caso você não te n ha re p ara d o! —
pro te sto u H erm io ne. — Enquan to que a varin ha só se rv ir ia para atr a ir
en cre n cas...
— ... s ó s e v ocê fic asse a n uncia n do — a rg um en to u R ony. — S ó s e v ocê
fo sse r e ta rd ad o e s a ís se d an çan do p or a í, a g ita n do a v arin ha n o a lto e c an ta n do:
“T en ho u m a v arin ha in ven cív el, v en ha e n fre n tá -la se a ch a q ue é fe ra .” D esd e
que o c ara f ic asse d e b oca f e ch ad a...
— S ei, m as e o c ara
co nse g uir ia
f ic ar d e b oca f e ch ad a? — d is se H erm io ne,
co m o a r c étic o . — S ab em , a ú nic a c o is a v erd ad eir a q ue e le n os d is se f o i q ue h á
cen te n as d e a n os c o nta m -s e h is tó ria s d e v arin has e x tr a o rd in aria m en te p odero sa s.
— C onta m -s e ? — p erg unto u H arry .
Herm io ne dem onstr o u ir rita ção : a ex pre ssã o era tã o carin hosa m en te
co nhecid a d e H arry e R ony q ue e le s r ir a m u m p ara o o utr o .
— A V arin ha d a M orte e a V arin ha d o D estin o s u rg em s o b d if e re n te s n om es
atr a v és d os s é cu lo s, e m g era l, n as m ão s d e a lg um b ru xo d as T re v as q ue e stá s e
gab an do d e p ossu í- la s. O p ro fe sso r B in ns m en cio nou a lg um as, m as... a h , é tu do
beste ir a . A s v arin has s ã o tã o p odero sa s q uan to o b ru xo q ue a s u sa . A lg uns s ó
quere m s e g ab ar q ue a d ele s é m aio r e m elh or q ue a d os o utr o s.
— M as c o m o é q ue v ocê s a b e — i n dag ou H arry — q ue e ssa s v arin has, a d a
Morte e a d o D estin o, n ão s ã o a m esm a q ue r e ap are ce a tr a v és d os s é cu lo s c o m
nom es d if e re n te s?
— E se to das fo re m re alm en te a V arin ha das V arin has fa b ric ad a pela
Morte ? — p erg unto u R ony.
Harry riu : a id éia e str a n ha q ue a cab ara d e lh e o co rre r e ra , a fin al, rid íc u la .
Sua v arin ha, l e m bro u-s e , t in ha s id o d e a zev in ho e n ão d e s a b ugueir o , e f a b ric ad a
por O liv ara s, a p esa r d o q ue f iz era n aq uela n oite e m q ue V old em ort o p ers e g uir a
pelo c éu . E s e f o sse i n ven cív el, c o m o p oderia t e r s e p artid o?
— E ntã o , p or q ue v ocê p re fe riu a p ed ra ? — p erg unto u-lh e R ony.
— B em , s e f o sse p ossív el t r a zer a s p esso as d e v olta , p odería m os t e r S ir iu s...
Olh o-T onto ... D um ble d ore ... m eu s p ais ...
Nem R ony n em H erm io ne s o rrir a m .

— M as, s e g undo B eed le , o b ard o, e le s n ão ir ia m q uere r v olta r, n ão é ? —
co ntin uou H arry , p en sa n do n o c o nto q ue tin ham a cab ad o d e o uvir. — S uponho
que não te n ha hav id o m uita s his tó ria s so bre um a ped ra que é cap az de
re ssu sc ita r o s m orto s, h ouve? — p erg unto u e le a H erm io ne.
— N ão — re sp ondeu ela , tr is te . — A ch o que nin guém , ex ceto o sr.
Loveg ood, s e i lu dir ia a ch an do i s so p ossív el. B eed le , p ro vav elm en te , t ir o u a i d éia
da P ed ra F ilo so fa l; s a b e, e m v ez d e u m a p ed ra q ue o to rn a im orta l, u m a p ed ra
que r e v erte a m orte .
O a ro m a d a c o zin ha s e in te n sif ic av a: le m bra v a c u ecas q ueim ad as. H arry s e
perg unto u se se ria p ossív el co m er o su fic ie n te d a so pa q ue X en ofílio esta v a
pre p ara n do p ara e v ita r m ag oá-lo .
— M as e a c ap a? — p erg unto u R ony, d ev ag ar. — V ocês n ão p erc eb em q ue
ele te m ra zão ? M e a co stu m ei ta n to a u sa r a c ap a d o H arry e a a ch á-la ú til q ue
nunca p are i p ara p en sa r. N unca o uvi f a la r e m o utr a ig ual a d o H arry . É in fa lív el.
Nunca n os d ete cta ra m e m baix o d ela ...
— C la ro q ue n ão : s o m os i n vis ív eis e m baix o d ela , R ony!
— M as to do o re sto q ue e le d is se so bre o utr a s c ap as, e e la s n ão c u sta m
ex ata m en te d ez p or u m n uque, v ocê sa b e q ue é v erd ad e! N unca m e o co rre u
an te s, m as já o uvi f a la r d e c ap as c u jo s f e itiç o s d esg asta m c o m o te m po, o u s ã o
ro m pid as p or fe itiç o s q ue d eix am b ura co s. A d e H arry p erte n ceu a o p ai d ele ,
porta n to , n ão é e x ata m en te n ova, n ão é , m as e stá ... p erfe ita !
— S ei, t u do b em , m as, R ony, a
ped ra
...
Enquan to d is c u tia m a o s c o ch ic h os, H arry a n dou p ela s a la p re sta n do a p en as
meia ate n ção à co nvers a . A o ch eg ar à esc ad a cir c u la r, erg ueu os olh os
dis tr a id am en te p ara o a n dar a cim a e s e p ertu rb ou. O s e u p ró prio r o sto s e r e fle tia
no t e to d o a p ose n to .
Passa d o um m om en to de perp le x id ad e, ele perc eb eu que não era um
esp elh o, m as u m a p in tu ra . C urio so , c o m eço u a s u bir a e sc ad a.
— H arry , q ue é q ue e stá f a zen do? A ch o q ue v ocê n ão d ev ia f ic ar o lh an do a
casa q uan do e le n ão e stá p re se n te !
Harry , p oré m , j á a lc an çara o a n dar d e c im a.
Luna d eco ra ra o te to d o q uarto d ela c o m c in co ro sto s b ela m en te p in ta d os:
Harry , R ony, H erm io ne, G in a e N ev ille . E le s n ão s e m ovia m c o m o o s q uad ro s d e
Hogw arts , m as, a in da a ssim , p ossu ía m c erta m ag ia : H arry a ch ou q ue r e sp ir a v am .
O que pare cia m se r ap en as fin as co rre n te s de ouro passa d as em volta das
im ag en s, en tr e cru zan do-a s, ap ós u m ex am e m ais ate n to , H arry p erc eb eu q ue
fo rm av am u m a p ala v ra , m il v ezes r e p etid a e m tin ta d oura d a:
am ig os... a m ig os...
am ig os...
Harry s e n tiu u m a g ra n de o nda d e a fe iç ão p or L una. C orre u o s o lh os p elo

quarto . H av ia , a o la d o d a c am a, u m a g ra n de fo to d e L una c ria n ça, c o m u m a
mulh er m uito p are cid a c o m e la . E sta v am a b ra çad as. A g aro ta , m uito m ais b em
cu id ad a n essa f o to d o q ue H arry j a m ais a v ir a n a v id a. A f o to e sta v a e m poeir a d a.
Ele a ch ou i s so e str a n ho. O lh ou m elh or o q uarto .
Hav ia a lg um a c o is a e sq uis ita . O t a p ete a zu l- c la ro t a m bém e sta v a c o berto d e
poeir a . N ão h av ia r o upas n o g uard a-ro upa, c u ja s p orta s e sta v am e n tr e ab erta s. A
cam a d av a a im pre ssã o d e f rie za e h ostilid ad e, c o m o s e n in guém d orm is se n ela
hav ia se m an as. U m a únic a te ia de ara n ha se este n dia so bre a ja n ela m ais
pró xim a, c o rta n do o c éu t in to d e s a n gue.
— Q ue a co nte ceu ? — p erg unto u H erm io ne, q uan do H arry d esc eu . M as,
an te s q ue e le p udesse r e sp onder, X en ofílio , v in do d a c o zin ha, c h eg ou a o ú ltim o
deg ra u , a g ora t r a zen do u m a b an deja c arre g ad a d e t ig ela s.
— S r. L oveg ood — p erg unto u H arry . — O nde e stá L una?
— D esc u lp e?
— O nde e stá L una? X en ofílio p aro u n o p ata m ar.
— J á ... j á l h e d is se . F oi à P onte d e B aix o, p esc ar d ilá te x .
— E ntã o , p or q ue p re p aro u a b an deja a p en as p ara q uatr o ? X en ofílio te n to u
fa la r, m as n ão e m itiu so m a lg um . O ú nic o ru íd o e ra o q ue v in ha d a m áq uin a
im pre sso ra e um a le v e vib ra ção da ban deja quan do as m ão s de X en ofílio
tr e m era m .
— A ch o q ue L una n ão e stá e m c asa h á s e m an as. A s r o upas d ela n ão e stã o
aq ui, a c am a n ão te m sid o u sa d a. O nde e stá ? E p or q ue o se n hor fic a to do o
te m po o lh an do p ara a j a n ela ?
Xen ofílio d eix ou c air a b an deja : a s tig ela s b ala n çara m e q ueb ra ra m . H arry ,
Rony e H erm io ne sa cara m as varin has: o bru xo co ngelo u, a m ão quase
alc an çan do o b ols o . N aq uele m om en to , a p re n sa p ro duziu u m e n orm e e str é p ito e
vário s e x em pla re s d ’O P asq uim c o m eçara m a d esc er d a m áq uin a p ara o c h ão p or
baix o d a to alh a; a p re n sa f in alm en te s ile n cio u. H erm io ne s e a b aix ou e a p an hou
um a r e v is ta , a v arin ha a in da a p onta n do p ara o s r. L oveg ood.
— H arry , v eja i s so .
Ele s e a p ro xim ou o m ais r á p id o q ue p ôde d esv ia n do d os n um ero so s o bje to s.
A c ap a
d’O P asq uim
t in ha a s u a f o to , c o rta d a p ela s p ala v ra s
In dese já vel N úm ero
Um
e , n a l e g en da, o p rê m io p or s u a c ap tu ra .

O P asq uim
v ai m udar d e d ir e tr iz , e n tã o ? — p erg unto u H arry , c o m f rie za,
se u c ére b ro fu ncio nan do a g ilm en te . — E ra is so q ue o se n hor e sta v a fa zen do
quan do f o i a o j a rd im , s r. L oveg ood? E nvia n do u m a c o ru ja a o M in is té rio ?
Xen ofílio u m ed eceu o s l á b io s.
— E le s le v ara m a m in ha L una — su ssu rro u. — P or c au sa d o q ue a n dei
esc re v en do. L ev ara m m in ha L una e n ão s e i o nde e stá , o q ue fiz era m c o m e la .

Mas t a lv ez m e d ev olv am m in ha f ilh a s e e u ... s e e u ...
— E ntr e g ar H arry P otte r? — H erm io ne t e rm in ou a f ra se p or e le .
— N ad a fe ito — d is se R ony, ta x ativ o. — S aia d a fre n te , esta m os in do
em bora .
Xen ofílio f ic o u lív id o, u m s é cu lo m ais v elh o, s e u s lá b io s s e r e p uxara m e m
um p av oro so e sg ar.
— E sta rã o aq ui a qualq uer m om en to . P re cis o sa lv ar L una. N ão posso
perd er L una. V ocês n ão d ev em i r.
Ele a b riu o s b ra ço s d ia n te d a e sc ad a, e H arry te v e u m a s ú bita v is ã o d e s u a
mãe f a zen do o m esm o d ia n te d o s e u b erç o .
— N ão nos obrig ue a fe ri- lo — dis se H arry . — S aia do cam in ho, sr.
Loveg ood.
— H ARRY ! — g rito u H erm io ne.
Vulto s m onta d os em vasso ura s passa ra m voan do pela s ja n ela s. No
mom en to e m q ue a a te n ção d os t r ê s s e d esv io u, X en ofílio s a co u a v arin ha. H arry
perc eb eu o erro ain da em te m po: atir o u-s e de la d o, em purra n do R ony e
Herm io ne p ara lo nge q uan do o F eitiç o E stu pora n te v oou p ela s a la e a tin giu o
ch if re d e e ru m pen te .
Houve u m a e x plo sã o d esc o m unal. O s o m p ro duzid o p are ceu d estr u ir a s a la :
ped aço s d e m ad eir a e p ap el e e n tu lh o v oara m e m to das a s d ir e çõ es, e rg uen do
um a n uvem i m pen etr á v el d e d en sa p oeir a b ra n ca. H arry f o i a rre m essa d o n o a r e ,
em s e g uid a, s e e sta te lo u n o c h ão , c eg o p elo s d estr o ço s q ue c h ovia m s o bre e le , o s
bra ço s p ro te g en do a c ab eça. E le o uviu H erm io ne g rita r, o b erro d e R ony e u m a
sé rie d e n au se an te s b aq ues m etá lic o s, q ue in dic av am q ue a e x plo sã o a rre b ata ra
Xen ofílio d o c h ão e o a tir a ra d e c o sta s e sc ad a a b aix o.
Meio so te rra d o pelo en tu lh o, H arry te n to u se le v an ta r: m al co nse g uia
re sp ir a r o u e n xerg ar p or c au sa d a p oeir a . M eta d e d o te to c ed era e u m a p arte d a
cam a d e L una p en dia p elo ro m bo. O b usto d e R ow en a R av en cla w ja zia a o s e u
la d o c o m m eta d e d o r o sto d estr u íd o, f ra g m en to s d e p erg am in ho f lu tu av am n o a r
e a m aio r p arte d a p re n sa to m bara d e la d o, b lo quean do a e sc ad a p ara a c o zin ha.
Entã o , o utr a fo rm a b ra n ca se a p ro xim ou e H erm io ne, c o berta d e p oeir a c o m o
um a s e g unda e stá tu a, l e v ou o d ed o a o s l á b io s.
A p orta n o t é rre o f o i p osta a b aix o.
— N ão lh e d is se q ue n ão p re cis á v am os te r p re ssa , T ra v ers ? — d is se u m a
voz ásp era . — N ão lh e dis se que esse m atu sq uela esta v a delir a n do co m o
se m pre ?
Houve u m e sta m pid o e o g rito d e d or d e X en ofílio .
— N ão ... n ão ... l á e m c im a... P otte r.
— E u lh e d is se n a s e m an a p assa d a, L oveg ood, q ue n ão v ir ía m os a n ão s e r

que v ocê tiv esse a lg um a in fo rm ação c o ncre ta ! L em bra -s e d a s e m an a p assa d a?
Quan do v ocê q uis tr o car a s u a f ilh a p or a q uela b osta d aq uele to ucad o id io ta ? E
na s e m an a a n te rio r ( o utr o e sta m pid o, m ais u m g uin ch o), q uan do v ocê a ch ou q ue
nós a dev olv ería m os se você ofe re cesse pro va de que ex is te m B ufa d ore s
(e sta m pid o) d e C hif re ( e sta m pid o) E nru gad o?
— N ão ... n ão ... e u s u plic o ! — s o lu ço u X en ofílio . — É re alm en te P otte r!
Verd ad e!
— E a g ora v em os q ue só n os c h am ou a q ui p ara te n ta r n os e x plo dir ! —
ru giu o C om en sa l d a M orte , e o uviu -s e u m a ra ja d a d e e sta m pid os e n tr e m ead os
por g uin ch os a g ônic o s d e X en ofílio .
— A c asa p are ce q ue v ai d esa b ar, S elw yn — d is se o utr a v oz c alm a, q ue
eco ou p ela e sc ad a d esc o nju nta d a. — A e sc ad a e stá to ta lm en te b lo quead a. P osso
te n ta r d eso bstr u í- la ? T alv ez a c asa d esa b e d e v ez.
— S eu m en tir o so n oje n to — g rito u o b ru xo ch am ad o S elw yn. — V ocê
nunca v iu P otte r n a v id a, v iu ? P en so u e m n os a tr a ir a q ui p ara n os m ata r, f o i? E
ach a q ue v am os l h e d ev olv er s u a f ilh a a ssim ?
— J u ro ... j u ro ... P otte r e stá l á e m c im a!

Hom en um r e velio
! — d is se a v oz a o p é d a e sc ad a.
Harry o uviu H erm io ne o fe g ar e te v e a e str a n ha se n sa ção d e q ue a lg um a
co is a e sta v a m erg ulh an do s o bre e le , a b so rv en do s e u c o rp o n a p ró pria s o m bra .
— T em alg uém lá em cim a, sim , S elw yn — d is se o se g undo h om em ,
bru sc am en te .
— É P otte r, e sto u l h es d iz en do, é P otte r! — s o lu ço u X en ofílio . - P or f a v or...
por f a v or... m e t r a g am L una, m e d ev olv am L una...
— V ocê te rá a s u a filh in ha, L oveg ood — d is se S elw yn — , s e s u bir e ssa
esc ad a e m e tr o uxer H arry P otte r. M as, s e is to fo r u m a c o nsp ir a ção , s e fo r u m
tr u que, s e tiv er u m c ú m plic e e sp era n do lá e m c im a p ara n os a ta car, te n ta re m os
guard ar u m p ed acin ho d e s u a f ilh a p ara v ocê e n te rra r.
Xen ofílio so lto u um grito de m ed o e dese sp ero . O uvir a m -s e passo s
ap re ssa d os e co is a s se n do arra sta d as: X en ofílio esta v a te n ta n do p assa r p elo s
destr o ço s n a e sc ad a.
— V am os — s u ssu rro u H arry — , t e m os q ue d ar o f o ra d aq ui.
Ele c o m eço u a s e d ese n te rra r a co berta d o p elo b aru lh o q ue X en ofílio fa zia
na esc ad a. R ony era q uem esta v a en te rra d o m ais fu ndo: H arry e H erm io ne
su bir a m , o m ais s ile n cio sa m en te q ue p udera m , n os d estr o ço s e m q ue e le ja zia e
te n ta ra m r e tir a r u m a p esa d a c ô m oda d e c im a d e s u as p ern as. Q uan do a s b atid as e
arra sto s d e X en ofílio fo ra m se to rn an do m ais p ró xim os, H erm io ne c o nse g uiu
so lta r R ony c o m o a u xílio d e u m F eitiç o d e L ev ita ção .
— T udo bem — su ssu rro u H erm io ne, quan do a pre n sa queb ra d a que

blo queav a o a lto d a e sc ad a c o m eço u a e str e m ecer; X en ofílio e sta v a a p en as a
alg uns p asso s. A g aro ta c o ntin uav a b ra n ca d e p oeir a . — V ocê c o nfia e m m im ,
Harry ?
Harry a sse n tiu .
— O .k ., e n tã o — m urm uro u H erm io ne — , m e d ê a C ap a d a I n vis ib ilid ad e.
Rony, v ocê v ai v esti- la .
— E u? M as H arry ...

Por f a vo r, R ony
! H arry , a p erte a m in ha m ão , R ony, s e g ure o m eu o m bro .
Harry e ste n deu a m ão e sq uerd a. R ony d esa p are ceu s o b a c ap a. A p re n sa q ue
blo queav a a e sc ad a sa cu dia : X en ofílio te n ta v a re m ovê-la u sa n do o F eitiç o d e
Lev ita ção . H arry n ão s a b ia o q ue H erm io ne e sta v a a g uard an do.
— S eg ure m f ir m e — s u ssu rro u e la . — S eg ure m f ir m e... a q ualq uer s e g undo
ag ora ...
O ro sto de X en ofílio , bra n co co m o um pap el, ap are ceu por cim a da
su perfíc ie d o a p ara d or.

Obliv ia te
! — o rd en ou H erm io ne, a p onta n do a v arin ha, p rim eir o p ara o
ro sto d ele e , e m s e g uid a, p ara o a n dar d e b aix o: —
Dep rim o
!
Ela a cab ara d e e x plo dir u m a a b ertu ra n o so alh o d a sa la d e v is ita s. E le s
caír a m c o m o p ed ra s, H arry a in da se g ura n do a m ão d a a m ig a, c o m o se d is so
dep en desse su a v id a, o uvir a m u m g rito em baix o e o g aro to v is lu m bro u d ois
hom en s te n ta n do e sc ap ar d a v asta q uan tid ad e d e e n tu lh o e m óveis q ueb ra d os,
que c h overa m so bre e le s d o te to d esp ed açad o. H erm io ne ro dopio u n o a r e o
rib om bar d a c asa d esa b an do e co ou e m s e u s o uvid os e n quan to a a m ig a a rra sta v a-
o m ais u m a v ez p ara a e sc u rid ão .

2 2
A s R elíq uia s d a m orte
Harry caiu , arq ueja n do n o cap im , e se le v an to u d ep re ssa . P are cia m te r
a p ara ta d o n o c an to d e u m c am po a o a n oite cer; H erm io ne já e sta v a c o rre n do e m
c ír c u lo à v olta d ele s, g estic u la n do c o m a v arin ha.

Pro te g o t o ta lu m ... S alv io h exia
...
— A quele p ara sita tr a iç o eir o ! — a rfo u R ony, s a in do d eb aix o d a C ap a d a
I n vis ib ilid ad e e a tir a n do-a p ara H arry . — H erm io ne, v ocê é u m g ên io , u m g ên io
c o m ple to , n em a cre d ito q ue n os s a fa m os!

Cave in im ic u m
... e u n ão d is se q ue e ra c h if re d e e ru m pen te ? N ão d is se ?
A gora a c asa d ele e x plo diu !
— B em fe ito — c o m en to u R ony, e x am in an do o je an s ra sg ad o e o s c o rte s
n as p ern as. — Q ue a ch a q ue f a rã o c o m e le ?
— A h, e sp ero q ue n ão o m ate m ! — g em eu H erm io ne. — F oi p or is so q ue
e u q uis q ue o s C om en sa is d a M orte v is se m o H arry an te s d e sa ir m os, p ara
s a b ere m q ue o X en ofílio n ão e sta v a m en tin do!
— M as p or q ue m e e sc o nder? — p erg unto u R ony.
— P orq ue ach am q ue v ocê está d e cam a co m sa ra p in to se , R ony! E le s
s e q üestr a ra m L una p orq ue o p ai ap oia v a H arry ! Q ue aco nte ceria co m a su a
f a m ília s e s o ubesse m q ue v ocê e stá c o m e le ?
— M as e o s s e u s p ais ?
— E stã o n a A ustr á lia — re sp ondeu H erm io ne. — D ev em e sta r b em . N ão
s a b em d e n ad a.
— V ocê é u m g ên io — r e p etiu R ony, a sso m bra d o.
— E é m esm o, H erm io ne — c o nco rd ou H arry , c o m fe rv or. — N ão s e i o
q ue f a ría m os s e m v ocê.
Seu r o sto s e i lu m in ou s o rrid en te , m as i m ed ia ta m en te f ic o u s é rio .
— E a L una?
— B em , s e e le s e stiv ere m d iz en do a v erd ad e e e la a in da e stiv er v iv a... —
c o m eço u R ony.
— N ão d ig a is so , n ão d ig a is so ! — g uin ch ou H erm io ne. — E la p re cis a
e sta r v iv a, p re cis a !
— E ntã o esta rá em A zk ab an , su ponho — dis se R ony. — M as, se vai
s o bre v iv er à p ris ã o ... m uita g en te n ão ...
— Vai so bre v iv er — afir m ou H arry . Ele não su porta ria pen sa r na

alte rn ativ a. — Ela é duro na, a Luna, m uito m ais do que se im ag in aria .
Pro vav elm en te e stá e n sin an do a o s c o m pan heir o s d e p ris ã o tu do a re sp eito d e
zo nzó bulo s e n arg uilé s.
— E sp ero q ue v ocê t e n ha r a zão — d is se H erm io ne. E p asso u a s m ão s p elo s
olh os. — E u t e ria t a n ta p en a d e X en ofílio s e ...
— ... se n ão tiv esse a cab ad o d e te n ta r n os v en der p ara o s C om en sa is d a
Morte , s im — c o m ple to u R ony.
Os g aro to s a rm ara m a b arra ca e s e r e tir a ra m p ara o s e u in te rio r, o nde R ony
pre p aro u o c h á p ara to dos. D ep ois d e s e s a lv are m p or u m tr iz , a b arra ca fria e
bolo re n ta p are cia u m l a r, s e g uro , f a m ilia r e a m ig o.
— A h, p or q ue f o m os l á ? — g em eu H erm io ne, d ep ois d e a lg uns m in uto s d e
silê n cio . — H arry esta v a certo , fo i u m a re p etiç ão d e G odric ’s H ollo w , u m a
co m ple ta p erd a d e te m po! A s R elíq uia s d a M orte ... q uan ta b este ir a ... e m bora —
um p en sa m en to re p en tin o p are cia te r lh e o co rrid o — aq uilo p ossa se r tu do
in ven ção dele , não ? Pro vav elm en te não acre d ita nem um pouco nessa s
Relíq uia s, s ó q ueria n os d ar c o rd a a té o s C om en sa is d a M orte c h eg are m !
— A ch o q ue n ão — d is se R ony. — É m uito m ais d if íc il in ven ta r h is tó ria s
quan do se e stá so b p re ssã o d o q ue v ocês im ag in am . D esc o bri is so q uan do o s
se q üestr a d ore s m e p eg ara m . F oi m uito m ais f á cil f in gir q ue e ra o L ala u , p orq ue
eu c o nhecia a lg um a c o is a s o bre e le , d o q ue in ven ta r a lg uém in te ir a m en te n ovo.
O v elh o L oveg ood esta v a so b u m a b aita p re ssã o , te n ta n do g ara n tir q ue n ão
fô sse m os e m bora . A ch o q ue n os c o nto u a v erd ad e, o u o q ue e le p en sa q ue s e ja a
verd ad e, s ó p ara s u ste n ta r a c o nvers a .
— B em , s u ponho q ue n ão f a ça d if e re n ça — s u sp ir o u H erm io ne. — M esm o
que e stiv esse s e n do s in cero , n unca o uvi t a n to a b su rd o n a m in ha v id a.
— M as c alm a a í — re p lic o u R ony. — T am bém d is se ra m q ue a C âm ara
Secre ta e ra u m m ito , n ão f o i?
— M as a s R elíq uia s d a M orte
não p odem
e x is tir , R ony!
— Você não pára de diz er is so , m as um a dela s pode. A C ap a da
In vis ib ilid ad e d o H arry ...
— “O co nto d o s tr ê s ir m ão s” é u m a h is tó ria — d is se H erm io ne, co m
fir m eza. — U m a h is tó ria s o bre o m ed o q ue o s s e re s h um an os tê m d a m orte . S e
so bre v iv er f o sse tã o s im ple s q uan to s e e sc o nder s o b a C ap a d a I n vis ib ilid ad e, já
te ría m os t u do d e q ue p re cis a m os!
— N ão s e i. U m a v arin ha in ven cív el s e ria d e b om ta m an ho — d is se H arry ,
gir a n do e n tr e o s d ed os a v arin ha d e a m eix eir a -b ra v a q ue t a n to d ete sta v a.
— I s so n ão e x is te , H arry !
— V ocê d is se q ue te m h av id o u m a q uan tid ad e d e v arin has: a V arin ha d a
Morte o u q ue n om e t e n ham ...

— T udo b em , m esm o q ue v ocê q ueir a s e ilu dir , a V arin ha d as V arin has é
re al, e a P ed ra d a R essu rre iç ão ? — E la d ese n hou co m o s d ed os p onto s d e
in te rro gação e m to rn o d o n om e, e s e u to m e sc o rria s a rc asm o. — N ão h á m ag ia
que p ossa r e ssu sc ita r o s m orto s, e p ro nto !
— Q uan do a m in ha v arin ha e n tr o u e m c o nta to c o m a d e V ocê-S ab e-Q uem ,
min ha m ãe e m eu p ai a p are cera m ... e C ed ric o ...
— M as n ão v olta ra m re alm en te d o a lé m , n ão é ? — d is se H erm io ne. —
Essa s p álid as i m ita çõ es n ão s ã o p esso as d e f a to r e ssu sc ita d as.
— M as e la , a g aro ta d a h is tó ria , n ão v olto u d e v erd ad e, v olto u? A h is tó ria
diz q ue u m a v ez q ue a p esso a m orre , se u lu gar é ju nto ao s m orto s. M as o
se g undo ir m ão a in da c h eg ou a v ê-la e a fa la r c o m e la , n ão fo i? A té c o nviv eu
co m e la p or a lg um t e m po...
Harry viu pre o cu pação e outr a co is a m en os fa cilm en te defin ív el na
ex pre ssã o d e H erm io ne. E ntã o , q uan do a g aro ta o lh ou p ara R ony, e le p erc eb eu
que e ra m ed o: H arry a d eix ara a p av ora d a c o m e ssa c o nvers a d e v iv er c o m g en te
morta .
— E ntã o , a q uele ta l P ev ere ll q ue e stá e n te rra d o e m G odric ’s H ollo w —
acre sc en to u, d ep re ssa , te n ta n do p are cer ir re d utiv elm en te s ã o — , v ocê n ão s a b e
nad a d ele ?
— N ão — re sp ondeu H erm io ne, p are cen do aliv ia d a co m a m udan ça d e
assu nto . — P ro cu re i o n om e d ele d ep ois q ue v i a m arc a n o tú m ulo ; s e tiv esse
sid o a lg uém f a m oso o u f e ito a lg um a c o is a im porta n te , e sta ria e m u m d os n osso s
liv ro s. O ú nic o lu gar e m q ue c o nse g ui e n co ntr a r o n om e “ P ev ere ll” fo i e m
A
nobre za n atu ra l: u m a g en ea lo gia d os b ru xo s
. P ed i o l iv ro e m pre sta d o a M onstr o
— e x plic o u q uan do R ony e rg ueu a s s o bra n celh as. — L is ta a s f a m ília s d e s a n gue
puro q ue a g ora e stã o e x tin ta s p ela l in hag em m asc u lin a. A pare n te m en te , a f a m ília
Pev ere ll f o i u m a d as p rim eir a s.
— E xtin ta s p ela l in hag em m asc u lin a? — r e p etiu R ony.
— Q uero d iz er q ue o n om e m orre u — e x plic o u H erm io ne — , h á s é cu lo s,
no c aso d os P ev ere ll. M as e le s ta lv ez a in da te n ham d esc en den te s, s o b u m n om e
dif e re n te .
Entã o oco rre u a H arry , co m ab so lu ta cla re za, a le m bra n ça que fo ra
desp erta d a c o m a m en ção d o n om e P ev ere ll: u m v elh o im undo b ra n din do u m
fe io a n el n a c ara d o f u ncio nário d o M in is té rio , e e le e x cla m ou e m v oz a lta :
— S erv olo G au nt!
— D esc u lp e? — d is se ra m R ony e H erm io ne a o m esm o t e m po.

Serv o lo G aunt
! O av ô de Você-S ab e-Q uem ! N a Pen se ir a ! Com
Dum ble d ore ! S erv olo G au nt d is se q ue d esc en dia d os P ev ere ll!
Rony e H erm io ne p are cia m p erp le x os.

— O a n el, o a n el q ue v ir o u u m a H orc ru x, S erv olo G au nt d is se q ue tin ha o
bra sã o d os P ev ere ll n ele ! E u o v i s a cu din do o a n el n a c ara d o fu ncio nário d o
Min is té rio , q uase o e n fio u n o n ariz d o h om em !
— O b ra sã o d os P ev ere ll? — p erg unto u H erm io ne, v iv am en te . -V ocê v iu
co m o e ra ?
— N a v erd ad e, n ão — re sp ondeu H arry , te n ta n do le m bra r. — P elo q ue
pude v er, n ão t in ha n en hum o rn ato ; t a lv ez a lg uns r is c o s. E u s ó o v i r e alm en te d e
perto d ep ois d e r a ch ad o.
Harry perc eb eu a co m pre en sã o nos olh os su bita m en te arre g ala d os de
Herm io ne. R ony o lh av a d e u m p ara o utr o , a b is m ad o.
— C ara m ba... v ocês a ch am q ue f o i o m esm o s ím bolo o utr a v ez? O s ím bolo
das R elíq uia s?
— P or q ue n ão ? — p erg unto u H arry a g ita d o. — S erv olo G au nt e ra u m
bab aca v elh o e i g nora n te q ue v iv ia c o m o u m p orc o , e s ó s e i m porta v a c o m a s u a
an cestr a lid ad e. S e a q uele a n el tiv esse s id o le g ad o a tr a v és d os s é cu lo s, e le ta lv ez
nem c o nhecesse re alm en te o s e u v alo r. N ão h av ia liv ro s n aq uela c asa e , p ode
cre r, e le n ão e ra d o tip o q ue lê c o nto s d e f a d as p ara o s f ilh os. T eria g osta d o d e
pen sa r q ue o s r is c o s n a p ed ra e ra m u m b ra sã o p orq ue, n a c ab eça d ele , t e r s a n gue
puro t r a n sfo rm av a a p esso a p ra tic am en te e m r e ale za.
— S ei... e is so é tu do m uito in te re ssa n te — d is se H erm io ne, c au te lo sa — ,
mas, H arry , s e v ocê e stiv er p en sa n do o q ue e u a ch o q ue e stá p en sa n do...
— E por que não ?
Por que não
? — perg unto u H arry , ab an donan do a
cau te la . — E ra u m a p ed ra , n ão e ra ? — E le o lh ou p ara R ony e m b usc a d e a p oio .
— E s e f o sse a P ed ra d a R essu rre iç ão ?
O q ueix o d e R ony d esp en co u.
— C ara m ba... m as s e rá q ue a in da f u ncio naria , s e D um ble d ore o r a ch ou...
— F uncio naria ?
Funcio naria
? R ony, n unca f u ncio nou! N ão e x is te P ed ra d a
Ressu rre iç ão ! — H erm io ne se erg uera de um pulo , pare cen do im pacie n te e
zan gad a. — H arry , v ocê e stá t e n ta n do e n caix ar t u do n a h is tó ria d as R elíq uia s...

Enca ix a r tu do
? H erm io ne, tu do s e e n caix a s o zin ho! S ei q ue o s ím bolo
das R elíq uia s d a M orte e sta v a n aq uela p ed ra ! G au nt d is se q ue d esc en dia d os
Pev ere ll!
— U m m in uto a tr á s v ocê d is se q ue n unca v iu d ir e ito o s ím bolo q ue h av ia
na p ed ra !
— O nde a ch a q ue o a n el e stá a g ora ? — p erg unto u R ony a H arry . - Q ue f o i
que D um ble d ore f e z c o m e le d ep ois q ue o r a ch ou?
Mas a im ag in ação d e H arry já v oav a a d ia n te , m uito a lé m d a d e R ony e
Herm io ne...
Trê s o bje to s, o u R elíq uia s, q ue, s e u nid as, to rn arã o o s e u d ono s e n hor d a

Morte ... s e n hor... c o nquis ta dor... v en ced or... O ra , o ú ltim o in im ig o q ue h á d e s e r
aniq uila do é a m orte ...
E ele se viu possu id or das Relíq uia s, en fre n ta n do Vold em ort, cu ja s
Horc ru xes n ão e ra m p áre o ...
nen hum p oderá v iv er e n quanto o o utr o s o bre viv er
...
se ria e ssa a r e sp osta ? R elíq uia s c o ntr a H orc ru xes? H av eria a fin al u m a f o rm a d e
gara n tir q ue e le é q uem tr iu nfa ria ? S e fo sse o s e n hor d as R elíq uia s d a M orte ,
se ria s a lv o?
— H arry ?
Ele , p oré m , n em o uvia H erm io ne: tin ha a p an had o a C ap a d a I n vis ib ilid ad e
e c o rria o s d ed os p or e la , o te cid o m ale áv el c o m o á g ua, le v e c o m o o a r. E le
nunca v ir a n ad a ig ual e m se u s q uase se te a n os n o m undo b ru xo. A c ap a e ra
ex ata m en te o q ue X en ofílio d esc re v era :
um a c a pa q ue re a l e v erd adeir a m en te
to rn a o s e u u su ário
in vis ív el, e d ura p ara to do o s e m pre , o cu lta ndo-o d e fo rm a
co nsta nte e i m pen etr á vel, s e ja q uais f o re m o s f e itiç o s q ue s e l a ncem s o bre e la
.
Entã o , c o m u m a e x cla m ação , e le s e l e m bro u...
— D um ble d ore esta v a co m a m in ha cap a, n a n oite em q ue m eu s p ais
morre ra m !
Sua v oz t r e m eu e e le s e n tiu o s a n gue a flu ir a o s e u r o sto , m as n ão l ig ou.
— M in ha m ãe dis se a Sir iu s que D um ble d ore tin ha ped id o a cap a
em pre sta d a! F oi p ara i s so ! Q ueria e x am in á-la , p orq ue a ch av a q ue f o sse a t e rc eir a
Relíq uia ! I g noto P ev ere ll e stá e n te rra d o e m G odric ’s H ollo w ... — H arry a n dav a
às c eg as p ela b arra ca, s e n tin do q ue s e a b ria m n ovos h oriz o nte s d e v erd ad e p ara
to dos o s l a d os. — E le é m eu a n te p assa d o! D esc en do d o t e rc eir o i r m ão ! T udo f a z
se n tid o!
Sen tiu -s e arm ad o de certe za em su a cre n ça nas R elíq uia s, co m o se a
sim ple s id éia d e p ossu í- la s o p ro te g esse , e s e s e n tia e x ulta n te q uan do s e v olto u
para o s o utr o s d ois .
— H arry — to rn ou a ch am ar H erm io ne, m as ele esta v a ocu pad o,
desa m arra n do a b ols a a o s e u p esc o ço , s e u s d ed os m uito t r ê m ulo s.
— L eia i s so — d is se à a m ig a, e m purra n do a c arta d a m ãe n as m ão s d ela . —
Leia ! D um ble d ore e sta v a c o m a c ap a, H erm io ne! P ara q ue m ais e le i r ia q uerê -la ?
Ele n ão p re cis a v a d e u m a c ap a, e ra c ap az d e la n çar u m F eitiç o d a D esilu sã o tã o
podero so q ue s e t o rn av a c o m ple ta m en te i n vis ív el s e m v estir n ad a!
Alg um a c o is a c aiu n o c h ão e r o lo u, r e lu zin do, p ara b aix o d e u m a p oltr o na:
deslo cara o p om o d e o uro ju nto c o m a c arta . H arry s e a b aix ou p ara a p an há-lo .
Entã o , a re cém -a b erta fo nte de fa b ulo sa s desc o berta s lh e atir o u m ais um a
dád iv a, e o c h oque e o a sso m bro i r ro m pera m n ele , f a zen do-o g rita r:
— E ST Á A QUI D EN TR O ! E le m e d eix ou o a n el... e stá n o p om o d e o uro !
— V ocê... v ocê a ch a?

Ele n ão co nse g uiu en te n der p or q ue R ony p are cia tã o su rp re so . E ra tã o
óbvio , tã o c la ro p ara H arry : tu do se e n caix av a, tu do... su a c ap a e ra a te rc eir a
Relíq uia e , q uan do e le d esc o bris se c o m o a b rir o p om o, te ria a s e g unda, e d ep ois
só p re cis a ria e n co ntr a r a p rim eir a R elíq uia , a V arin ha d as V arin has, e e n tã o ...
Foi co m o se a co rtin a desc esse so bre um palc o ilu m in ad o: to da a su a
ex cita ção , to da a s u a e sp era n ça e fe lic id ad e s e e x tin guir a m d e u m g olp e, e e le
fic o u p ara d o n o e sc u ro , e o g lo rio so e n can ta m en to s e r o m peu .
— É i s so q ue e le e stá p ro cu ra n do!
A m udan ça n o s e u to m d e v oz f e z R ony e H erm io ne p are cere m a in da m ais
ap av ora d os.
— V ocê-S ab e-Q uem e stá p ro cu ra n do a V arin ha d as V arin has.
Harry d eu a s c o sta s p ara o s ro sto s in cré d ulo s e te n so s d os a m ig os. S ab ia
que e ra v erd ad e. T udo f a zia s e n tid o. V old em ort n ão e sta v a p ro cu ra n do u m a n ova
varin ha; e sta v a p ro cu ra n do u m a v elh a v arin ha, d e fa to m uito v elh a. H arry se
en cam in hou para a en tr a d a da barra ca, esq uecid o de R ony e H erm io ne, e
co nte m plo u a n oite , r e fle tin do...
Vold em ort fo ra c ria d o e m u m o rfa n ato tr o uxa. N in guém te ria lh e fa la d o
so bre
Os c o nto s d e B eed le , o b ard o
q uan do e ra c ria n ça, d a m esm a fo rm a q ue
Harry n unca o uvir a fa la r d ele s. P ouco s b ru xos acre d ita v am n as R elíq uia s d a
Morte . S eria p ro váv el q ue V old em ort s o ubesse d e s u a e x is tê n cia ?
Harry p ers c ru to u a e sc u rid ão ... s e V old em ort t iv esse s a b id o d as R elíq uia s d a
Morte , c erta m en te a s te ria p ro cu ra d o, e f e ito q ualq uer c o is a p ara p ossu í- la s: tr ê s
obje to s q ue to rn av am o s e u d ono s e n hor d a M orte ? S e tiv esse o uvid o fa la r d as
Relíq uia s, ta lv ez n em tiv esse p re cis a d o d as H orc ru xes p ara c o m eçar. S erá q ue o
sim ple s fa to d e te r p eg o u m a R elíq uia p ara tr a n sfo rm á-la e m u m a H orc ru x n ão
dem onstr a v a q ue e le n ão c o nhecia e sse g ra n de s e g re d o d o m undo b ru xo?
Is to s ig nif ic av a q ue V old em ort e sta v a p ro cu ra n do a V arin ha d as V arin has
se m c o m pre en der o se u to ta l p oder, se m sa b er q ue e ra u m a d as tr ê s... p ois a
varin ha e ra u m a R elíq uia q ue n ão p oderia s e r e sc o ndid a, c u ja e x is tê n cia e ra a
que s e c o nhecia m elh or...
o r a str o s a ngre n to d a V a rin ha d as V a rin has m anch a a s
págin as d a h is tó ria d a m agia .
Harry f ito u o c éu n ubla d o, c u rv as d e p ra ta e c in za-e n fu m açad o d esliz an do
pela fa ce bra n ca da lu a. Sen tiu -s e delir a n te de asso m bro co m as su as
desc o berta s.
Torn ou a e n tr a r n a b arra ca. F oi u m c h oque v er R ony e H erm io ne p ara d os
ex ata m en te o nde o s d eix ara , H erm io ne a in da s e g ura n do a c arta d e L ília n , R ony a
se u la d o, lig eir a m en te an sio so . Será que não perc eb ia m o quan to tin ham
av an çad o n os ú ltim os m in uto s?
— É is so a í — a n uncio u H arry , te n ta n do a tr